Categoria: Baixada
SEXTA AÇÃO DE GRAÇAS NA JUREMA
No dia 14 de outubro de 2023 foi realizada a VI Ação de Graças na Jurema. José dos Santos idealizou que, uma vez por ano, fosse feita uma reunião na Comunidade de Cametá, na casa que construiu para homenagear a sua mãe, para que todos se reunissem para celebrar a união e gratidão pelas pessoas do lugar.
José faleceu antes que fosse realizada a 1.ª Ação de Graças que idealizou para que fosse realizado todo ano no último sábado do mês de julho. No dia 29 de julho de 2017 foi realizada a 1.ª Ação de Graças na Jurema; a 2.ª Ação de Graças 28 de julho de 2018; a 3.ª em 27 de julho de 2019; em 2020 não houve devido a Pandemia da Covid-19; a 4.ª em 20 de novembro de 2021; a 5ª em 19 de novembro de 2022 e a 6ª em 14 de outubro de 2023.
José dos Santos era um líder, um educador nato, possuidor de uma inteligência ímpar, um homem digno, que mereceu entrar para a imortalidade ao ser escolhido para ser um dos patronos da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense, para que sua história seja contada às futuras gerações – foi um homem exemplar, motivo de orgulho para toda a sua descendência.
José dos Santos sempre pregou a União, vivia na graça, era um Homem Feliz, faleceu no dia 25 de fevereiro de 2017, aos 95 (noventa e cinco) anos, em São Luís, onde está sepultado juntamente com seu filho mais novo, Carlos Magno.
A IMPORTÂNCIA DA BARRAGEM MARIA RITA
Por Ana Creusa e Francisco Viegas
Ciente da importância da Barragem de Maria Rita, como grande obra estruturante, pois, vai promover o desenvolvimento da atividade econômica nos municípios de toda a região, dentre eles Bequimão, São Bento, Alcântara, Bacurituba, Palmeirândia e Peri-Mirim, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) promoveu, na última quinta-feira (25/01/2024), uma Expedição com acadêmicos, professores, alunos e idosos, para visita às obras da Barragem Maria Rita. A expedição saiu às 8 horas da Praça São Sebastião em Peri-Mirim, com destino à sede do município de Bequimão, onde foram acompanhados por uma equipe técnica, conforme determinação do Exmº Sr. Prefeito, João Martins, a pedido da presidente da ALCAP, Ana Creusa Martins dos Santos.
Durante a viagem, a fim de que ficasse clara a natureza educacional da expedição, o confrade Francisco Viegas proferiu uma palestra, ainda no interior do transporte, na qual abordou a história da Barragem, que segue resumida abaixo:
HISTÓRICO DAS BARRAGENS PERI-MIRIM/BEQUIMÃO
A primeira barragem conhecida como Barragem dos Defuntos foi construída no primeiro mandato do prefeito Agripino Álvares Marques, entre 1948 a 1951. (Página 16 do livro Curiosidades Históricas de Peri-Mirim).
A referida barragem foi feita no braço pelos destemidos perimirienses. Pois naquela época o município não dispunha de máquinas para edifica-la. Depois de terminada ela passou por vários problemas de rompimento, provavelmente devido a compactação do barro e a largura insuficiente que suportasse o volume d’água. Por isso quase todos os invernos precisava de reparos. (Tapagem dos furos).
Trinta e dois anos após a sua construção, a barragem estava desgastada e não cumpria mais a função de anteparo das águas: doce de um lado e salgada do outro.
Consciente da importância da barragem, o então prefeito Benedito de Jesus Costa Serrão, construiu, nas proximidades da Flor Amarela e cerca de quinhentos metros distante da Barragem dos Defuntos, a nova barragem, que ficou mais próxima da sede do município perimiriense. Esta barragem teve sua edificação através de maquinários adequados para a obra.
A Barragem da Flor Amarela, ou Benedito de Jesus Serrão (nome aprovado pela Câmara Municipal de Peri-Mirim), media 3.236 metros de extensão e foi concluída no ano de 1983 e, cuja verba de edificação foi da própria Prefeitura.
Atualmente está sendo construída a Barragem Maria Rita, entre Buritirana, em Bequimão e São Bento, que contempla a LUTA do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense.
A construção está a cargo da Empresa Edecansil Construções e Locações Ltda, com as seguintes especificações: 16 KM de comprimento, mais 10 KM de estrada até a MA 106. Ela tem 15 metros na base e 9 metros no cume, sendo duas pistas de rolamento de 3 metros cada e 1,50 metro de cada lado como fuga. Informação dada pelo Agente Comunitário, Sr. Tonilsom Ferreira.
De onde surgiu o nome Maria Rita?
Havia na localidade Aurá, nas proximidades Tubarão, duas aldeias, que foram perseguidas pelos portugueses e tendo os índios se evadidos para as matas. Na fuga pegaram uma indiazinha a cachorro, mas lhe pouparam a vida. Ela era muito bonitinha e o senhor que a caçou lhe pôs o nome da sua filha, que se chamava Maria Rita. Ela cresceu e ficou uma moça bonita. Ao local da sua prisão, deram-lhe o nome de Maria Rita. Como a Barragem passa por lá, deram-lhe o nome dela. (Página 116 do livro Tapuitininga – Da Colônia à República, do escritor e pesquisador Domingos de Jesus Costa Pereira. “conhecer de perto para contar de certo”. (08:00h do dia 25.01.2024).
Peri-Mirim, 25 de janeiro de 2024.
O Secretário de Infraestrutura, Sr. Tonho Martins e Leônidas Neto nos acompanharam até o Povoado de Buritirana, onde iniciam as obras, fomos recebidos por Tonilson Ferreira líder Comunitário e Agente de Saúde. A partir daí, os expedicionários questionavam sobre as obras e se maravilhavam com ela, com o maquinário, com os trabalhadores e, em especial, com as pessoas do lugar. Conforme relatado acima, Viegas forneceu dados sobre a construtora e quilometragem da barragem.
Um show à parte se deu com a conversa que os expedicionários tiveram com o Sr. Zé, proprietário de um retiro, onde cria porcos, patos e galinhas. A construção é rudimentar, de pau a pique, com dois pavimentos: o de baixo ficam as criações e o de cima serve de moradia, com rede de dormir e outros apetrechos típicos da Baixada Maranhense. Ele disse que não trocaria aquele lar por nenhuma mansão. A proximidade da noite de lua cheia, fez o campesino se inspirar, com gracejos ligados ao amor e à paixão.
A expedição foi bastante proveitosa, na medida em que o desenvolvimento sustentável é uma necessidade, a fim de preservar as potencialidades naturais, sem comprometer a vida da presente e futuras gerações. Todos sabem que a construção da barragem, além da necessidade, para evitar a salinização dos campos e preservação da água doce, é a realização de um sonho.
Entretanto, alguns expedicionários ficaram muito preocupados e com dúvidas relacionadas a alguns aspectos, os quais já foram levados à apreciação do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), solicitando vistoria de especialistas no assunto e que fazem parte da instituição, pois, sabe-se que há vontade política de realizar a obra da melhor forma possível.
Fonte: https://oresgate.net.br/
LUA DE LOUCOS
Por Gracilene Pinto
Rola no céu uma lua clara e bela,
Que amarela e enfeita o meu quintal
Para o baile dos sonhos e quimeras
Da madrugada tranquila e irreal.
Reina em meu peito uma paz
Feita de encantos, sedução e fantasia.
Eu queria que a noite fosse longa
E que os sonhos não fugissem ao vir o dia.
Não sei qual é o mistério da lua cheia,
Que embriaga e seduz
Minh’alma aos poucos.
Talvez por que ela seja mesmo dos poetas,
Dos amados, dos amantes…
Enfim, dos loucos.
(Imagem Luar do Renascença em São Luís do Maranhão )
PASSEIO PELA BAIXADA MARANHENSE
A Baixada no olhar de João Silveira*
Fui dar um pulo na Baxada,
Começando pur Arari,
Ondi cumi melancia
E travessei o miarim.
Passei drento de Vitória,
Mar num achei nada ali.
Ino in Garapé do Meio
Pro mode cumprá farinha,
Arresorvi i in Monção
Ispiá o que lá tinha,
E travessei pra Cajari,
Cidade piquinininha.
Peguei no rumo de Viana
Pra vê se um peixe eu cumia,
Mar de peixe num achei nada,
Lá só tinha carestia.
Daí rumei pra Penalva,
Lugar de boa cachaça,
Terra de bom pescadô,
Cabôco bom de tarrafa.
Num cheguei in Jacaré,
Pois num dava pra ir de a pé
E carro pra lá num passa.
Desci pa Pedo do Rosário,
Mar de lá tive que vortá
Pra incurtá o caminho
E por Matinha passar,
Pra mode cumê u’as mangas,
Qui é produto do lugar.
Seguindo no rumo da venta,
Em Olinda Nova eu parei,
Mas resorvi i adiante
E em São João armoceí.
Terra de caboco home,
Grandes criador de gado.
Lá tem muita gente grande,
Muito cabra indinherado.
Disimbargador e médico,
Já deu inté deputado.
Mar, dizem que a aligria
É quando o boi tá laçado.
Deichando São João Batista,
Pra São Vicente eu rumei,
Quiria cumê carambola,
Pena que num encontrei.
Num sei se num era tempo,
Ou foi um azar que eu dei.
Sai no rumo do campo,
Pra viage continuar.
Passei pur Bacurituba
Mar lá num quis incostar.
Fui inté Cajapió,
Tinha praga pra daná,
Vortei pur riba do rasto
Pra pernoitar in São Bento,
Cumeno um queijinho bom,
Saboreando um mussum
E arroz cum jaçanã dento…
Mar num achei nada disso
Pur lá in lugar ninhum.
Andei, andei… e só vi mermo
Um pução e muinto anum.
Pensei qui in Parmeirândia
Pudesse me arrumar.
Ou mesmo in Peri Mirim,
Qui diz qui é piquinininha,
Mar, eu acho qui né tanto assim.
Entonce, indo adiante
Fui batê in Bequimão,
Cidade bem cuidadinha.
Pur nosso amigo João.
Diz que tem té ponte nova,
Mar pur lá num passei não.
Dali, vortei pra Pinheiro
A princesa da Baixada,
Que, se num é das mais bela,
Mar é uma cidade arretada.
O seu povo todo é rico
E a cidade abastada.
Não pude dechá de ir
In Prisidente Sarney,
U’a cidade pequena
Que fica naquele mei.
Na sagrada Santa Helena,
Da bera do rio vortei.
Pur curpa da Geografia
Eu num fui ao litoral.
Nim Guimarães, Porto Rico,
Cururupu e Cedral,
Muinto meno in Central,
Qui já num son mar Baixada,
Sigundo os intelectual.
Me discurpe os cumpanhero,
Os verso de pé quebrado
I a viage mal’arrumada.
Tava sem tempo i dinhero,
Mar cum o peito apertado
De sardade da Baixada.
(*João Silveira é piscicultor, natural de Matinha – Maranhão, membro fundador do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM, utilizando o linguajar baixadeiro, presenteia seus conterrâneos com este significativo texto).

Presidente do FDBM, Expedito Moares, convida para reunião de Planejamento
“O desenvolvimento regional compreende um esforço das sociedades locais na formulação de políticas regionais com o intuito de discutir as questões que tornem a região sujeito de seu processo de desenvolvimento”. Rodolfo Alves Pena.
O presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) convoca para reunião de Planejamento que se dará com a assessoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE/MA), nos seguintes termos:
Prezados Companheiros Forenses,
- REUNIÃO: DIREÇÃO DO FORUM/SEBRAE
- OBJETIVO: Traçar as Diretrizes básicas. (Diretrizes: servem para orientar a tomada de decisões e ações em determinada área, processo ou atividade. Elas têm como propósito principal garantir a qualidade, eficiência e segurança nas práticas desenvolvidas, além de promover uma uniformidade e padronização que facilitem a gestão e controle dos processos.), ou seja construir um Plano eficaz e possível;
- LOCAL: MULTICENTER SEBRAE ao lado do Centro de Convenções e Assembleia Legislativa;
- DIA E HORÁRIO: 12.01.24 (sexta feira), das 16 às 18 HORAS
Os nossos ancestrais, assim como nós, conviveram e convivem com os flagelos das secas e enchentes na nossa região por séculos. É possível solucionar isto? Eu acredito que sim. Como? Essa resposta é que pretendemos ter num ou vários em encontros com técnicos, estudiosos, nativos, gestores municipais, estaduais, federais, universidades, etc. A ideia é definir um Plano para execução a curto, médio e longo prazo. Esse plano deverá fazer parte do Plano de Estado.
De posse desse Plano teremos resposta para, entre outras coisas, responder perguntas que há pouco foram feitas pelo nosso Governador aos baixadeiros: “…digam o que eu posso fazer?”. Porém, os nossos representantes, também, não sabem. E nem nós sabemos responder como podem ser feitas obras estruturantes de que necessitamos. Só sabemos que temos que apresentar um Plano, Programa e Projeto, para isso temos que nos dispor a formulá-los, pois:
O PLANO
É mais abrangente e geral;
Deve contemplar as linhas políticas, estratégias e diretrizes;
Marco de referência para estudos setoriais e/ou regionais para subsidiar a elaboração de programas e projetos específicos;
Deve sistematizar objetivos e metas;
Deve contemplar os tipos e a magnitude dos recursos humanos, físico e instrumentais indispensáveis, acompanhados, sempre que possível, de cronograma;
Deve atribuir responsabilidades de execução, controle e avaliação dos resultados;
Deve especificar as fontes e/ou modalidades de financiamento;
Maior nível de agregação de decisões.
PROGRAMA
É o desdobramento do plano;
Os objetivos setoriais do plano constituirão os objetivos gerais do programa;
Permite projeções mais detalhadas;
Deve conter a estratégia e a dinâmica de trabalho a serem adotadas para a realização do programa;
Contempla as atividades e os projetos que comporão o programa, bem como os recursos humanos, físicos e materiais a serem mobilizados.
PROJETO
Sistematiza e estabelece o traçado prévio da operação de um conjunto de ações;
Proposição de produção de algum bem ou serviço, com emprego de técnicas determinadas, com a finalidade de obter resultados definidos em um período temporal específico e conforme limite de recursos;
É a menor unidade do processo de planejamento;
Executa empreendimentos mais específicos;
Deve haver simplicidade e clareza na redação e
Descreve cada operação da ação.
Para tanto, necessitamos de ajuda profissional. Nesse sentindo contamos com a ajuda do SEBRAE, nosso parceiro que nos reuniremos no dia 12/01/2024 (sexta-feira), para início à elaboração dos referidos documentos.
Respeitosamente,
Expedito Moraes
Presidente do FDBM
A SECA NA BAIXADA, O DESAFIO ANCESTRAL
Foi amplamente divulgado pela imprensa que, neste ano de 2023, ocorreu a maior seca dos últimos 10 anos na microrregião da baixada maranhense e causou a morte de milhares de peixes. Para os baixadeiros, esse fato é uma tragédia anunciada e provocou debates sobre a necessidade de construção dos Diques da Baixada, que ajudariam combater os efeitos da seca inclemente.
- As ideias e ações discutidas e implementadas até agora no território da Baixada não foram suficientes para evitar tragédias como essas. Até porque, são intervenções (obras) localizadas e normalmente sem uma metodologia construtiva adequada;
- Não existe até a presente data consenso entre os baixadeiros, técnicos, estudiosos e poderes públicos sobre os tipos de ações possíveis de serem implementadas e capazes de corrigir estes ciclos de escassez de água ou de excesso;
- Os DIQUES DA BAIXADA, BARRAGENS DE ENSEADAS, AÇUDES, TAPAGENS – como alguns pensam, não serão a solução que a Baixada necessita. São de fundamental importância como parte de um conjunto de intervenção que provavelmente pode e deve acontecer;
- Não vamos encontrar a forma de superar este ancestral desafio se não formos capazes de envolver todos os atores numa elevada discussão técnica, científica, para definirmos um Plano de ações concretas, razoáveis e possíveis;
- Esta PRESIDÊNCIA está disposta a organizar este debate em ambiente apropriado e presencial. Não é possível tal discussão via WhatsApp;
- Vamos formar uma comissão Organizadora e
- O GOVERNADOR BRANDÃO quer saber o quê, como e quando podem ser feitas essas obras. Em conversa com EDUARDO e outros, demonstrou sua preocupação. Então, vamos às soluções. Será nossa grande oportunidade.

Diques da Baixada na ponta da língua
Por Alexandre Abreu
A fim de dirimir eventuais dúvidas acerca da importância do projeto Diques da Baixada Maranhense, Alexandre Abreu, engenheiro civil e membro destacado do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, escreveu este esclarecedor artigo.
O projeto Diques da Baixada prevê a construção de 71 quilômetros de diques, abrangendo os municípios de Viana, Matinha, São João Batista, São Vicente Férrer, Cajapió, São Bento e Bacurituba. A obra consiste em um sistema de diques e vertedouros, em sentido paralelo à margem da baía de São Marcos. Quem conhece bem a realidade social da Baixada sabe do grande alcance social e do impacto positivo desse projeto para a nossa microrregião. Sem exagero, ele representa a redenção dos municípios abrangidos, com melhoria imediata no IDH da população rural beneficiada.
Os objetivos fundamentais do Sistema de Diques da Baixada são: a) proteção das áreas baixas contra a entrada de água salgada pelos igarapés, decorrente das variações da maré, protegendo assim os ecossistemas e os mananciais de água dessa região; b) contenção e armazenamento de água doce nos campos naturais durante a estação chuvosa, retardando assim o escoamento para o mar, sem alterar, no entanto, as cotas máximas naturais de inundação; e c) aumentar a oferta da disponibilidade hídrica em boas condições durante o ano, para usos múltiplos.
O material a ser usado nessa construção é basicamente barro do campo que será retirado ao longo do caminhamento da construção. Serão utilizados também a piçarra para a crista da barragem e o concreto para a construção dos vertedouros.
Serão construídos 23 vertedouros que permitirão o controle da lamina d´água, bem como a velocidade do escoamento das águas do campo. Com a retirada do material ao longo da construção para a execução dos diques, será criado um canal de aproximadamente 1,5m de profundidade e largura variando de 30 a 40m, que acompanhará toda a extensão da construção, permitindo o tráfego de pequenas embarcações (canoas etc) além de servir como reservatório de água doce, propiciando a pesca de peixes nativos durante todo o ano.
Os campos da Baixada não ficarão permanentemente cheios. O ciclo existente hoje será preservado, os campos continuarão possuindo a época da cheia e a época de seca, apenas o ciclo de cheia se prolongará por mais tempo beneficiando toda a região.
Com a construção dos diques, o SEBRAE pretende desenvolver arranjos produtivos para favorecer a agricultura familiar, pecuária, piscicultura, pequenas criações, além de inúmeras outras oportunidades para melhorar a vida dos moradores que serão diretamente beneficiados.
Veja maiores informações sobre o Projeto Diques da Baixada.
“TESOS E ENSEDAS” E OS DESAFIOS DA BAIXADA
Por Expedito Moraes
A Baixada Maranhense corresponde à região do entorno do Golfão, caracterizada por relevo plano a suavemente ondulado contendo extensas áreas rebaixadas que são alagadas durante o período chuvoso, dando origem a extensos lagos interligados por um sistema de drenagem com canais divagantes, associados aos baixos cursos dos rios Mearim, Pindaré e Pericumã.
Constitui um ambiente rebaixado, de formação sedimentar recente, ponteado de relevos residuais, formando outeiros e superfícies tabulares cujas bordas decaem em colinas de declividades variadas. Os lagos transbordam durante o período chuvoso e servem como vias de comunicação entre as cidades e os povoados, substituindo parcialmente as estradas. Durante o período seco, o cenário hídrico transforma-se em grandes extensões de campos ressequidos. O desafio é encontrar uma situação de equilíbrio nesta região que poderá ser muito rica. Uma delas seria a ligação entre os “TESOS” atravessando as imensas “ENSEADAS”.
Postado em 2013. Fonte: https://fdbm.org.br/tesos-e-ensedas-e-os-desafios-da-baixada/
JOSÉ VIVIA NA GRAÇA
Por Ana Creusa
O apoio das leis da natureza é o estado de graça. (Deepak Chopra).
Banho tomado. Barba feita. Perfume exalando. Lá estava ele, pronto para mais um baile, em que fora formalmente convidado[1] pelo dono da casa.
Sentindo um leve remorso, por deixar seu irmão João Pedro em casa e, por cima, ainda ardendo em febre, apesar dos chás que lhe preparava a irmã Maria Santos.
Papai falava com tio João Pedro:
– Acho que não devo ir, e se você não melhorar?
– Já estou melhor, Zé, repetia o irmão enfermo.
Papai percebia que aquelas palavras eram apenas para que ele pudesse ir ao baile em paz.
Papai colocava a mão no pescoço do irmão e nada de a febre aliviar, estava igual brasa. Parecia até que a temperatura havia aumentado.
Mas afinal, o que ele poderia fazer? Maria estava cuidando do irmão. Poderia sim, ir ao baile tranquilamente.
Era inverno. Acondicionou sua roupa bem passada em uma caiambuca[2] e saiu, sempre conversando com o irmão que repetia:
– Vai, Zé, eu já estou melhor.
Na saída da casa na Jurema[3] existia um palmeiral[4] que se movia com a ação do vento, fazendo um barulho assustador.
Papai saiu em meio àquelas palmeiras. Logo percebeu que um temporal se avizinhava. Tinha a sensação de que as árvores cairiam naquela hora.
Voltou para casa correndo para que aquela situação melhorasse.
Conversou com o irmão enfermo que estava sentado na rede de dormir. Não chegou a chover. Era apenas uma ventania.
Na terceira vez que saiu de casa para ir à festa, novamente a tempestade se formou e José voltou para casa. No caminho de volta decidiu que não iria mais àquela festa, que não deveria mais insistir. Quem sabe o seu irmão pudesse piorar.
Naquela festa no Povoado de Poções o seu grande amigo Raimundo de Genoveva que atendia pela algunha de Raimundo Lagarto[5] foi duramente espancado, sofreu açoites de cassete e facão. Ficou muito doente e, dias depois, veio a óbito.
A conversa no dia seguinte era que os inimigos de Raimundo Lagarto iriam primeiro matar José Santos, para que o caminho ficasse livre para eles poderem matar seu amigo.
José Santos sabendo dessa história, não teve dúvidas: todos aqueles eventos, doença do irmão e tempestade, o livraram da morte naquele dia.
Sempre pensava como teriam ficado seus irmãos se ele fosse assassinado? Com essa experiência, ele jamais insistia. Seguia sua intuição, que ele tinha certeza de que vinha de Deus.
Papai tinha o hábito de não insistir, não teimar, não “forçar a barra”, viva na Graça. Cultivava a sua intuição.
Não raro, formávamos uma viagem, arrumávamos tudo e quase na saída, ele dizia:
– Eu não vou mais.
– Como assim? Já estamos prontos, já compramos a passagem!
Ele repetia:
– Eu não vou mais.
Os habituados àquela situação nem mais instigavam. Alguns queriam explicação:
– Por que o senhor não vai mais?
Ele não explicava, apenas desistia e procurava concentrar-se em outra coisa. Viagem desfeita. Negócio inconcluso.
Assim vivia meu pai: na Graça. Surfava na onda. Deixa a vida o levar. Sem pressa. Obedecia aos comandos da sua intuição e ponto final.
Ele contava a origem desse comportamento que ele definia como obediência a Deus. Foi exatamente no dia da festa em que seu irmão João Pedro estava doente e seu amigo foi morto que, após vários sinais, ele resolveu entender que não era para ele comparecer àquela festa em que estava preparado o seu assassinato.
Para mais detalhes sobre o personagem principal desta história, leia a Biografia de José dos Santos.
[1] O convite para os bailes era requisito essencial.
[2] Era costume à época acondicionar roupas em caiambuca para proteger da chuva.
[3] Refere-se ao Sítio Jurema no Povoado Cametá (ou Cametal) onde residia José Santos e seus irmãos.
[4] Área que possuía muitas palmeiras de babaçu antigas, por isso, eram bem altas.
[5] Eu havia esquecido o nome do amigo de papai, tio João Pedro confirmou o nome Raimundo de Genoveva era irmão de Dionísio.
