COISAS E LOAS X: SEM RESPEITO, NÃO HÁ RESPEITO

Por Zé Carlos

“Vive-se” um momento, em que se perderam as boas referências no tocante às pessoas de “estatura”, única. Pessoal, social e moralmente. Referências, que deixaram seus nomes e feitos “tatuados” na memória de nossa gente. E nossa cidade foi pródiga em tantas. Enumerá-las é impossível.

Trago dois nomes, que se destacaram e se confundem com a nossa história, em um tempo não muito distante, em que “valente não se criava”. Duas histórias, de vida, fantásticas, que respeitavam e se faziam respeitar. E como se faziam respeitar!

Reza nos anais pinheirenses que Totó Sá veio estabelecer-se na Princesa da Baixada. Só que antes, em um festejo, ainda em sua residência, em Pericumãzinho de Baixo, povoado de Peri-Mirim, apareceu um “desmancha-prazeres”. Como era costume, na época, ia ser colocado para fora do salão. Essa penalidade era terrível. Ao ‘indivíduo” proibia-se tudo. Dançar, divertir-se. E o pior. Estava-lhe decretada “a lei do bico seco”. Nenhuma alma caridosa podia dar ou vender-lhe bebida alguma. Uma verdadeira lástima. Imagina perder o “festejo” tão esperado por um ano. Era demais. Era o fim do mundo. Diante dessa dura realidade, o “meliante” “deu uma de brabo”, buscando a intimidação do dono da festa. Plano, que não deu certo.

A casa tinha um corredor estreito, e comprido “pra dédeu”. Formou-se uma espécie de fila. Todos queriam assistir ao desfecho do “sururu”. O cabra exaltou-se. Fez-se valente. Embrabou-se. Desacatou. Xingou. Esperneou. Totó Sá perdeu a “pouca” paciência, que lhe restava, aplicando-lhe um “bogue de respeito”. Este lhe saiu com tanta violência e força que se propagou pela pretensa fila. Segundo “as boas línguas”, o seu neto Antônio Sá, nosso conhecido Toureiro, pai de nosso amigo-irmão Inácio Henrique Checheca, conferiu os caídos. 111.111 caídos, sim, senhor. Não sei por que 111, mas foi 111.

Para infelicidade do “brabão”, o último, que caiu, quebrou a perna da mãe de Totó Sá, que se encontrava na porta do quintal, sentada no chão, preparando, num alguidar, o vinhadalho para o leitão, a ser assado. Aí, sim, a sova tornou-se homérica. Haja bogues!

De outra feita, o meu avô Antônio do Rosário, ao ser convidado, levou a minha avó, ainda no começo do relacionamento dos dois, a uma festa, em um dos nossos povoados. No auge do baile, eis que surgiu “um engraçado”, achando-se o dono do lugar, a se engraçar por minha avó. Que situação mais desagradável! E complicada! Passava e dizia:
– Cabôco da Ponta da Capoeira aqui não cisca terreiro. Cabôco da Ponta da Capoeira aqui não cisca terreiro.

Que ousadia! Que desaforo! A raiva foi crescente. E, com um bem aplicado “pescoção”, Geraldo perdeu-se no ar e perdeu a noção de mundo. O certo é que Geraldo do Cuba foi a nocaute. O meu avô voltou para sua rotina de trabalho e trabalho. Alguns dias depois, chegou à Ponta da Capoeira um “portador”, a lhe dizer que Geraldo do Cuba mandava-lhe um recado, que dizia simplesmente:
– Onde nóis se encontrá, não nasce capim.
O “recadista” recebeu logo o seu “benefício”. Umas boas lapadas de corda de couro. E foi despachado com a resposta certeira:
– Diz pra ele que, quando dei nele, não tava com raiva.
Recado dado, recado recebido. A valentia de Geraldo evaporou-se. Escafedeu-se rumo ao arco-íris. E, quando Geraldo encontrou o meu avô, saiu-se com esta:
– Meu amigo … Ah, como queria ti dá um abraço!
Haja respeito!

EITA, VONTADE!

Por Zé Carlos

A saudade, para não fugir ao costume, toma-me nesta madrugada com uma vontade mansa e deliciosa. Até já sinto as cócegas da rede, insone e cansada de me carregar, a expulsar-me, “para fora”, a fim de buscar a aurora iminente e necessária.
Até já sinto a quietude, da rua e dos quintais, começar a agitar-se, ao testemunhar a escuridão, há muito cansada, precisar fugir para não ser devorada pelo dia inclemente.
Até já sinto o cheiro e a umidade do orvalho, a encharcar o capim de marreca, que veludamente molha-me os pés, ainda “dormintes” e preguiçosos, a se arrastarem no “passarinhar” vacas, rumo à ordenha.
Até já me sinto no curral de Antônio de Eliza, a tirar e sorver o bendito leite mugido, devorado com avidez, numa cuia faminta de mim, a reclamar um punhado de farinha d’água e uma nesga de carne frita.
Até já sinto o olhar compugido do gado, a sair molemente, pedinte e choroso, ao ser batido “pau de porteira”, na certeza certa de um pastar abundante e tranquilo.
Até já sinto a impaciência do “alazão”, “doidinho pra vadiá” e sair campo a fora, a desfilar em tapete mágico e único; sorver a brisa bendita, carregada de tanta vitalidade; e ir “pra outra banda”, do outro lado da Juçareira, brincar com uns bezerros ariscos, lambendo-lhe as costas, a fim de saciar a sua sanha feroz.
Até já sinto a bendita água, do Pericumã, a engolir meu suado e pecante corpo, num mergulho profundo e reparador, que se renova a cada dia, tal um ritual de todo dia.
Até já sinto o gosto da fumaça, a subir rio “arriba”, levando o cheiro saboroso da piaba assada em um braseiro improvisado e prenhe de espetinhos.
Até já sinto vontade de “acordar” e, de olhos fechados, viver “tudinho”, de novo.
Eita, vontade!

Governo realiza sessão pública para licitação do serviço de ferry-boat no Maranhão

Duas empresas com seus devidos representantes foram credenciadas: a Internacional Marítima e a Celte Navegação.

O Governo do Maranhão, por meio da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB), realizou a sessão pública para Concessão do Serviço Público Aquaviário de Passageiros, Cargas e Veículos entre o Terminal da Ponta da Espera e o Terminal do Cujupe referente ao Processo Administrativo nº 85.837/2021 – MOB.

O credenciamento de propostas aconteceu durante a sessão realizada na manhã desta quinta-feira (26), no auditório da MOB, onde se reuniram a Comissão Setorial de Licitação e representantes para receber as propostas. O procedimento tem como finalidade selecionar a melhor proposta para a prestação do serviço.

Na ocasião, a Comissão Setorial de Licitação abriu a sessão pública e solicitou aos interessados que apresentassem suas credenciais à equipe de apoio. Após a análise desses documentos, observando os critérios estabelecidos no edital, duas empresas com seus devidos representantes foram credenciadas: a Internacional Marítima e a Celte Navegação.

Foram recebidos pela Comissão Setorial de Licitação os envelopes nº 01 e nº 02. O primeiro é referente aos lotes 01 e 02 e contém a proposta técnica e valor da outorga enquanto o segundo possui a documentação de habilitação.

Essa licitação é um marco histórico para o Governo do Maranhão que luta há anos para melhorar o serviço público do ferryboat para a população maranhense. E estamos felizes por termos concluído esse primeiro momento. Essa é a primeira parte da licitação e agora nossa equipe irá analisar e, assim, dará prosseguimento a licitação, ponderou Cícero Eugênio, presidente da Comissão de Licitação da MOB.

Após as análises, o resultado do julgamento da Proposta Técnica e do Valor de Outorga será divulgado em meio oficial e será aberto prazo para recurso. Toda a sessão pública foi transmitida ao vivo pelo Instagram da MOB.

Mais informações

Serão licitados dois lotes com direito de concessão de, no mínimo, 20 anos, prorrogável por igual período, no tipo concorrência de melhor oferta de pagamento pela outorga após qualificação de proposta técnica. Todos os requisitos legais atinentes foram contemplados, assim como as expectativas sociais, realizados por meio de Audiência Pública no dia 18 de março de 2021, às 14h, por videoconferência em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Melhorias

O edital de licitação foi elaborado pelos setores técnicos da MOB a partir da contribuição da sociedade, através de audiência pública, dos apontamentos e notificações da Capitania dos Portos, Ministério Público, Vigilância Sanitária e Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Procon/MA) a fim de melhorar a qualidade do serviço.

Fonte: https://www.ma.gov.br

Lembranças

Por Marcone

Ontem à noite, esticando até às primeiras horas da madrugada de hoje, fiz um passeio interessante dentre as lembranças. Vi-me em um lugar delicioso, que me marcou profundamente e nunca será esquecido, em seus mínimos detalhes. As pessoas fervilhavam e eu sentado, atento a tudo que me circundava e envolvia, muito observador e analista reafirmava a ideia sobre quanto o ser humano romântico, sentimental, sensível a qualquer forma de beleza, nunca está totalmente imune ou protegido em uma redoma, que lhe anule as chances de encontrar alguém capaz de sensibilizar seu coração, tocar-lhe ternamente a alma. Hoje, essa lembrança reafirma-me essa óbvia conclusão.
Conheço muitas histórias passionais, Em cada uma delas, os sentimentos que fluem são reativos. Algumas se asseguram na constante disposição do espírito ao exercício do bem e desprovimento do mal, exatamente o quê nós chamamos VIRTUDE. Mas nem sempre é assim e, às vezes, as pessoas tornam-se impulsivas, cedem ao ciúme, incitam-se à maldade, à vingança, quando se deixam levar pelo inconformismo de uma dor, atropelam-se com as palavras, constroem e vivem as mais diversas tramas, mescladas de amor, ódio, desejo, traição, revanches oportunistas, hipocrisia, falsidades, e interesses pessoais em detrimento do intento alheio e tantas vezes de seu próprio interesse. Agindo por fora e comumente com direta incidência sobre a manutenção ou destruição do relacionamento, ainda há a força negativa da inveja – sentimento mesquinho, sórdido, capaz das maiores atrocidades e perversões por parte daqueles que se sentem inferiores e descriminam-se, atestam-se incapazes, no entanto, altamente competentes para arquitetarem armadilhas e puxarem o tapete do SER oponente.
Conheço histórias de grandes relacionamentos que começaram em cabarés, casas de prazeres, prostíbulos, abafadas pela maioria de seus protagonistas, escondidas, ignoradas, transfiguradas ao perfil de lendas, por livres, fantasiosos e inibidores pensares, porém que, admiravelmente se equilibraram e subsistem na compreensão, na confiança e no respeito, independentemente de suas ascendências – lições, referências para evidenciarmos e compararmos pelo resto da vida, tanto de mulheres quanto de homens.
Lembro que nessa noite eu conheci mais uma história com essas particularidades tão comuns aos aventureiros do amor, dublês dos tentadores prazeres de alcova.
Enquanto me concentro para digitar, ao longe toca, e toca-me, uma música que gosto muito de cantar e já cantei para ouvidos atentos, receptivos, que me privilegiaram, cuja letra muito afina com essa questão aventureira, essa busca de suprimento das carências, uma bela página musical que tem tudo a ver, como se diz popularmente, que reforça minha reflexão sobre relacionamentos: “Garoto de aluguel”, de Zé Ramalho – a obra encaixa-se direitinho em nossa realidade de fugas, sonhos e prazeres alugados no burburinho dos sons de mil palavras simultâneas e música para embalar, ou nos sussurros da calada noite preta!

NO MUNDO DAS BONECAS

Por Zé Carlos

Dá-me uma angústia ao perceber o desapego, para não dizer o “desprezo”, que têm os pequeninos, buliçosos e destemidos, às brincadeiras mais simples. Brincadeiras, que nos guiaram vida a fora. Lamentavelmente, eles não mais se dão ao luxo de cultivá-las. O fascínio, que os aprisiona, são a televisão, o celular, o PC, o tablet, o iPhone e outros eletrônicos, que não conheço nem mesmo sei substantivá-los!
Cismo que os pequeninos já trazem no DNA “as digitais dos eletrônicos”. Sons, cores, movimentos, “tão vivos”, aprisionam-nos, certamente. O que não é um ato exclusivo deles, “não”. Inúmeros adultos, também, foram “pescados” pela “praga” da nossa era. Que, de verdade, tem muitas e muitas vantagens, porém há quem extrapole e se “hospede” em um mundo individual e infalível. O resto que se exploda. “Cada qual com seu cada qual”.
Não nos desvirtuemos. O que importa são os brinquedos. Como tivemos! “De graça”. Construídos ao sabor de nossa imaginação. Latas de óleo e de sardinha, “chinelas” gastas, caixas e caixotes, “taubas” velhas, rolamentos, canos, câmaras de bicicleta e de carro, melão de São Caetano, folhas de “pindoba”, vidros de remédios e de perfumes eram as “matérias primas” mais desejadas e caçadas. Valiam ouro, prata e bronze. Só para ficarmos no espírito olímpico.
Não esqueçamos dos cavalinhos de talos e folhas de bananeira, damas, dominós, petecas. A bola é um outro papo. E, em tempo de brincadeiras sadias e sem “patrulhamento político-ideológico”, tínhamos as arapucas, as “baladeiras” e as espingardas de talos de sororoca. “Morremos e matamos”, incontáveis vezes.
Ainda cabia “espectar”, de longe. Como era bom observar. Só observar o quintal tão movimentado. Invariavelmente, não podíamos estar “enfurnados” naquela atmosfera. O que nossos amigos iriam dizer. Não podiam saber. As gozações eram certas. Até alguns pais (…) não queriam meninos metidos com meninas. “Pronto e acabado”. Quanta barbaridade!
Observar era o que restava.
Observar surgirem as casinhas, magicamente, no quintal. A plena sublimação da fortíssima presença e influência materna na idealização de um cozinhar perfeito, na execução das demais tarefas domésticas e no cumprir, o sublime desempenho, o papel de mãe. Tudo com o mais amplo desvelo.
Quanta organização! Cada atriz a se entregar plena e verdadeira ao seu palco, à sua personagem, à sua história.
Nesse cenário, havia uma participação especialíssima. As bonecas. Que maravilhosas! Companheiras fiéis. Os mais diversos tipos e formas. Pacientes. Ouvintes perfeitas. Obedientes. Sem tpm, “arrelias”, queixumes (…) Nem quando eram “esquartejadas” pela ira da amiga ou irmã contrariada. Permaneciam no mais profundo silêncio, esperando o seu resgate, o seu renascer ou o seu fim. O lixo.
Que falta fazem as bonecas!

VIAÇÃO AÉREA JAÇANÃ

Por Gracilene Pinto

– Conta uma de caçada, Joca! – pediu o sobrinho Manuel.
E Joca contou:
“Como grande parte dos habitantes da Baixada Maranhense, Miguel vivia de uma lavourinha de subsistência e do aproveitamento de alguns produtos que a natureza punha à disposição de todos.

Apesar da degradação que os homens há séculos vêm ocasionando ao meio ambiente, em alguns lugares por ali ainda existia fartura de caça, pesca e frutos da terra, como o cará, a taioba, o palmito, o babaçu, e muitos outros frutos silvestres.

Miguel gostava de caçar aves, que em certas épocas do ano se espalhavam pelos campos alagados da baixada, como jaçanãs, japessocas, carões, marrecas, etc. E, como bom caçador, adorava contar suas façanhas aos amigos durante os serões na porta do seu casebre.

Mas, como se sabe, quem conta um conto aumenta um ponto, e é lendária a capacidade que tem os caçadores e pescadores em aumentar sempre muitos pontos. Ninguém pode negar também que o Miguel tinha um prazer peculiar nos exageros.

Uma noite, nosso herói contou, com riqueza de detalhes, sobre uma caçada às jaçanãs que ficou na história e da qual fora o personagem principal.

Ocorreu que, pretendendo caçar as aves vivas, Miguel havia amarrado uma corda grossa na própria cintura, onde atara também muitas cordinhas finas com pequenos laços nas pontas. Chegando à beira do Tanque Velho, logo avistou um bando de jaçanãs pousadas sobre as folhagens hidrófilas que cobriam praticamente todo o campo. Usando um cano de junco como respiradouro, o nosso caçador deslizou por baixo d´agua até o local onde pousavam as pernaltas. Então, muito delicadamente, foi laçando as perninhas das aves sem que as mesmas percebessem o que acontecia. Finalmente, quando já havia laçado todas as jaçanãs, Miguel levantou-se de supetão acima do nível da água, assustando as avezinhas que voaram levando-o pendurado pelas cordinhas.

A princípio o caboclo ficou muito assustado.

Apelou pra Deus, pra Nossa Senhora, pra São Vicente de Férrer e todos os santos seus conhecidos. Mas, aos poucos foi se acalmando, se acostumando com a situação, e começou a gostar da experiência de estar voando.

Voar era mesmo uma beleza, siô!
Ainda mais assim, sentindo o vento no rosto e sem o barulhão que faziam os Teco-teco quando voavam baixo sobre a cidade.

E as jaçanãs voavam alto, bem alto, cada vez mais alto. E longe, cada vez mais longe, foram levando sua carga sobre os verdes campos alagados da Baixada e sua luxuriante vegetação de juncos, pajés, aguapés, e as espécies arborescentes próprias dos campos inundáveis.
Sobrevoaram rios, ilhas, todo arquipélago e, até mesmo, o Golfão Maranhense com o Porto do Itaqui e seus imensos navios.

À essa altura Miguel já aprendera a controlar as jaçanãs. E puxando daqui, puxando dali. Ora nas cordinhas da direita, ora nas cordinhas da esquerda. Foi mudando a direção das avoantes de volta para a Baixada até avistar a torre da secular igrejinha barroca da sua querida São Vicente Férrer, quando, então puxou do canivetinho que trazia no bolso da calça e começou a cortar as cordinhas. Uma de cada vez. Até restar somente as duas últimas cordinhas, que foram cortadas sobre o terreiro de sua casa, permitindo-lhe realizar o pouso com total segurança.

Finalmente estava em casa, são e salvo!
E, ao pisar no chão de sua terra natal, o homem respirou fundo e pensou:
– Uma aventura tão fantástica e nem posso contar pra ninguém. Quem é que vai acreditar que estive hoje em São Luís e ainda por cima pilotando a Viação Jaçanã?

(Texto de Gracilene Pinto no livro ESTÓRIAS DO VELHO JOCA – Imagem da Inernet). Com Chico Pinheiro, Custodio Roque Tavares e Eliana Castela.

VAIDOSA FULÔ

Por Zé Carlos

No ápice do silêncio,

                              irrompe

                                        fulô …

                                     

                            tímida                   

                             frágil                   

                         descorada

                     sem identidade

 

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    outros ocasos

             esplêndidos

                       e

              bonançosos    

 

     outras noites

               mágicas

                     e

               mansas

 

     outros novilúnios

                  delirantes

                          e

               restauradores

 

      outras estrelas

                   zelosas

                         e

                  maternas

 

       outros sonos

                reparadores

                         e

                 quiméricos

       

 ……………………………………………….

 

      outras e novas manhãs

 

      outros orvalhos sagrados

                                     breves

                                         e

                                      vitais

 

       outras réstias de luz serenas

                                                  e

                                            fecundas

 

       outros bentivis canoros

                                         e

                                novidadeiros

                                   

 

       outros beija-flores maviosos

                                                 e

                                       beijoqueiros

 

       outras pétalas multivivas

                                         e

                                 cativantes

                      

  ……………………………………………..

 

      outros dotes

                       e

                encantos

 

      do alto de seu convencimento,

                                      “convencida”.

 

          em sua desafiadora vaidade,

                                      “achando-se”.

 

                       em absurdo “florzear”,

                               gaba-se à amiga,

 

                                                “gabola”,

                                               também,

 

                           da última conquista.

 

  ……………………………………………..

 

    despida da inocência,                               

                          inocente

                                                                                                    

                           alheia

                                e

                        orgulhosa

 

                     senhora de si

                                          

                       … a alvoraçar a praça!

Lennon Bruno Martins, o gigante dos esportes

Lennon Bruno Martins é um perimiriense brilhante, filho de Nadiene Martins e Renê Barros

Lennon se orgulha da carreira de jogador e diz: “Há 12 anos atrás fui contratado para jogar com os “Gigantes do Norte ” de Belém do Pará, primeiro time de anões do mundo e único em atividade no Brasil, vieram jogar em Peri-Mirim e na oportunidade joguei contra os gigantes do Norte pela primeira vez defendendo a minha Cidade Peri-Mirim, na época jogava pela escolinha de Peri-Mirim, e logo após o jogo devido meu bom desempenho em campo recebi o convite de jogar defendendo a equipe do gigantes do Norte, e de lá pra cá assinei com os gigantes do Norte na qual sou atleta até hoje”.

UEMA: Curso de Direito nos municípios de Codó, Grajaú e São Bento e outras novidades

Nesta segunda-feira (26), o governador Flávio Dino e o reitor da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Gustavo Costa, anunciaram o início dos estudos para implantação do curso de Medicina no campus da UEMA em São Luís. Além do novo curso, será iniciado um processo licitatório para construção do Centro de Convenções da UEMA, também na capital.

“Estamos muito felizes porque esse é um sonho antigo de toda uma geração de professores e alunos. Iniciaremos o processo licitatório do Centro de Convenções da UEMA, Campus Paulo VI, em São Luís. Além de ser um espaço para eventos acadêmicos, será um lugar para encontros e manifestações culturais”, garantiu o reitor Gustavo Costa.

O reitor lembrou ainda que a pandemia do coronavírus trouxe à tona o déficit de profissionais médicos no Maranhão. “A criação do curso de Medicina em São Luís é uma medida muito importante e que muito contribuirá com a formação profissional e o acesso à saúde, assim como os novos cursos de Direito da UEMA nos municípios de Codó, Grajaú e São Bento”, disse o reitor.

Durante o encontro, o governador e o reitor destacaram que todos os investimentos feitos ao longo dos últimos anos permitiram que a UEMA, pela primeira vez em sua história, figurasse no ranking das melhores universidades da América Latina.

O governador Flávio Dino ressaltou a importância de avançar em novos projetos. “Temos trabalhado juntos para expandir o acesso ao ensino superior de qualidade, público e gratuito com muitas obras em andamento nos campi da UEMA em todo o estado. A cada dia criamos novas oportunidades de qualificação do nosso povo, especialmente para a juventude maranhense”, declarou o governador.

Fonte: site da UEMA.

COISAS E LOAS IV

Por Zé Carlos

Há muitos fatos, que prendem a atenção de uma comunidade.
Agora, imagine o surgimento de uma “rádia”! Imagine a sensação de que as, digamos “conterrâneas”, notícias, “vivamente” adentrem-lhe a casa. As “vozes”, a brotarem de tão “mágica caixinha”, tornam-se por demais íntimas, quase um parente.

Nesse cenário, a nossa cidade viu-se presenteada com “a” Verdes Campos. Um burburinho a dominar “a praça”. Uma absurda revolução nos seus meios comunicativos tão minguados. Um acontecimento absurdo. Uma conquista das mais salutares e importantes. Quantas novidades! Quantas mudanças! O cotidiano ganha um suave e novo colorido. Encurtam-se as sofridas distâncias. Acentuam-se os gostos musicais. Multiplicam-se as curiosidades. “Minam os causos”.

Pode-se dizer que a cidade, de certo modo, passou a viver em torno de tão importante meio de comunicação. Algo, que lhe marcou definitivamente, desde sua implantação em 1980 até o início do século XXI; pois, mesmo que ainda resista, está, como se diz na Baixada, de “escanteio”, frente a outras mídias.

Nessa atmosfera, vieram-me à lembrança “acontecidos” fabulosos, que nos enriqueceram em nossa alegria e nos tornaram a vida mais leve.
Para minha estupefação, um dia, escutei uma conhecida, coloco assim para ninguém comprometer, dizer que só fazia o almoço após a divulgação dos signos. Os signos, curiosamente, só eram divulgados depois das onze, e ela tinha mais que onze filhos. Haja meninos a lhe puxarem a barra do vestido, num “berreiro danisco”. De outra feita, ouvi a locutora, em uma desmedida empolgação, propagandear, a pleno pulmões, as vantagens em comprar em duas casas comerciais, locais. Sem nome. Sem fuxico. Após os empolgados “merchans”, surgiu a identificação dos comércios. Fique atento! S I … e “cia” (leia-se “cia”). E, para em seguida fechar com chave de ouro, C E … “lítida”. O pior é que levei algum tempo para desvendar tão inovadora linguagem. Estava linguisticamente a ano-luz de tais pérolas ou desconhecia por completo tais empreendimentos novos. O que era praticamente impossível. Mas, finalmente, entendi: S I … & Cia (nada mais do que S I … & Companhia) e C E … Ltda (C E … Limitada). Que “louco, meu!” Que criatividade! Mas, verdadeiramente, o que interessa é que a mensagem fez-se entendida.

Já no campo esportivo a nossa rádio foi pródiga. Desde esdrúxulas declarações de jogadores a (…) no transcorrer de uma partida de futebol, o narrador “meio gago” não conseguia acompanhar o ritmo do jogo e a velocidade da bola. Quanta agonia! Do “nomear” os jogadores, passa apenas a “numerá-los”. Só já dizia “o 8 passou pro 7; o 7 passou pro 10”. No entanto, o ritmo intensificou-se ainda mais. Foi-lhe o limite. Só lhe restou uma saída. Gritar, no ápice de seu desespero. “Gente, deu um cu de boi na área”. Mais do que fantástico! Grande e grave problema resolvido!

Tal fato, entretanto, não foi o único e suficiente, a se eternizar nos anais da nossa tão “novel” história “esportivo-radiofônica”. Acredite que, ao ser chamado o “repórter de campo”, num momento de calmaria de uma partida e sem alteração alguma à vista, “saiu-se com esta”: “não tem nada para informar, informou Brahma Chopp”.
Perfeito!
Viva a “rádia”!