O DIA DO AZAR

O dia mais aziago do ano é 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, quando o diabo se solta do inferno.

Dia 24 de agosto de 1572, dia de São Bartolomeu, foi considerado pelos povos da Europa, como o dia do demo. Mas, a tradição de dias azarentos existe desde os romanos, que tinham uma tabela de sacrifícios para as horas más, criando também, as “horas abertas”, no Brasil e em Portugal.

Agosto é um mês marcado por fatos trágicos de relevância para a História. Em 1572, na noite de 23 para 24, teve início em Paris, por ordem da rainha Catarina de Médici, o massacre dos protestantes, fato que perdurou até outubro.

O episódio entrou para a História como “A Noite de São Bartolomeu”. Foi um verdadeiro banho de sangue que impregnou na mente dos não católicos da Europa a convicção de que o Catolicismo era uma religião sanguinária e traiçoeira. Para comemorar o feito o Papa Gregório XIII, entre outras homenagens, enviou ao rei da França a condecoração da Rosa de Ouro.

Séculos depois, os dois maiores conflitos da humanidade tiveram início nesse fatídico mês: a Primeira Guerra em 1914, no dia 1º, e a Segunda em meados desse mês com o deslocamento das tropas alemãs para a fronteira com a Polônia. Segundo Leonardo Mota:

 Agosto é o mês desmancha-prazeres da humanidade.

O mês de Agosto também é marcado por acontecimentos tristes na memória do povo  brasileiro, especialmente no campo político. Foi em agosto de 1976 que o ex-presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira morreu em um trágico acidente na via Dutra. Também em agosto, em 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou à presidência da República mergulhando o país numa das mais graves crises institucionais de sua história.

No campo artístico, nunca é demais lembrar a morte súbita da intérprete brasileira mais conhecida no exterior, Carmen Miranda, ocorrida em agosto de 1955. Porém, o fato mais chocante ocorreu no dia 24 de agosto de 1954. Naquela data o presidente Getúlio Dorneles Vargas emocionou o país ao praticar o suicídio em pleno exercício do cargo.

Expressões para o dia aziago: A coisa está feia; Atolado até o pescoço; Má sorte; Comer o pão que o diabo amassou; Descer ao fundo do poço; A vaca foi pro brejo; Dar com os burros n´água; Mensageiro do apocalipse; A bruxa está solta; Maré de azar; Na lama; Na pior; Maré de azar; Desceu a ladeira; Mau pedaço; Na pior; Estar lascado; De mal a pior; Dar sopa para o azar; Cair do cavalo; Em maus lençóis; Maré não está para peixe; Estar numa fria; Entrar pelo cano; Quando a porca torce o rabo; Na merda; Entrar pelo cano; Perdido no mato sem cachorro; Beco sem saída; Sem luz no fim do túnel; Vida de cão; Azar no jogo; Era tão azarado que, se quisesse achar uma agulha no palheiro, era só sentar-se nele; Se bater na madeira afasta o azar então to precisando desmatar a Amazônia na base da porrada; A diferença entre uma pessoa de sorte e uma azarada é simples: a de sorte joga na Mega-Sena e ganha o prêmio entre milhões de jogadores. A azarada descobre que tem uma doença rara que atinge uma a cada 10 milhões de pessoas; Eu só posso ter picado salsicha na tábua dos 10 mandamentos pra sofrer assim…; Sou tão azarada que se inventassem uma pílula da imortalidade, eu morreria engasgada com ela; Tenho tanto azar que pra acertar os 6 números na megasena é fácil, só preciso marcar os números e guardar sem jogar; Mudar de fila faz com que imediatamente a fila de onde você saiu comece a andar mais depressa do que a sua; Se você chega cedo, o espetáculo será cancelado. Se você se mata para chegar na hora, terá que esperar. Se você chega atrasado, começou na horas; Sempre que aponto algum favorito, ele dança antes da hora; O pão do pobre quando cai no chão é sempre do lado da manteiga; Se tenho algo confidencial, esqueço na máquina de xerox; Lei da experiência: não vai funcionar; A adversidade é nossa mãe, a prosperidade é apenas uma madrasta; “A vida é um jogo de azar, e as probabilidades de ganhar são impossíveis; No caminho, um táxi passou a toda velocidade, determinado, numa poça d’água e encharcou seu terno; Sempre recolho moedas do chão. Deixei cair moedas da minha carteira e as chutei; É tudo muito simples, uma situação que pode ser resumida em duas palavras: A-ZAR; Se o caso é ganhar ou perder, você perde; Você erra, todos julgam. Você acerta, ninguém vê; Tenho azar no amor e sorte no azar; Talvez tenha azar no amor, mas sempre tive sorte na descoberta de desamores complicados!.

Neste dia (24 de agosto), festejamos a santidade de vida de São Bartolomeu, apóstolo de Jesus Cristo, que na Bíblia é citado com o nome de Natanael (que significa dom de Deus), a liturgia sobre o Santo nos convida a escapar das superstições com a seguinte lição: “Livrem-se destes fardos inúteis, subamos com pressurosa esperança a escada de Jacó: o Filho do Homem, que associa a família humana à divina família do Pai”.

Fontes: https://www.pensador.com/; https://www.hnt.com.br/; https://miltonparron.band.uol.com.br/; https://www.recantodasletras.com.br/; https://padrepauloricardo.org/; https://conventodapenha.org.br/ e https://moraisvinna.blogspot.com/. Imagens da Internet. Pesquisa realizada por Ana Creusa

Laélia Alcântara, a primeira senadora negra

A baiana Laélia Contreiras Agra de Alcântara, nascida em Salvador em 7 de julho de 1923 é a primeira mulher negra a exercer o mandato de Senadora Federal, eleita pelo Acre, na época, território federal.

Filha de Júlio e Beatriz Contreiras Agra, formou-se médica em 1949, pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Da academia, transferiu-se para o Acre, que tinha apenas seis médicos! Lá, ela especializou-se em atendimentos nas áreas de obstetrícia e pediatria e deu aula de puericultura na Escola Normal de Rio de Branco.

Sua carreira política começa em 1962, quando é eleita suplente de deputado federal em 1962, pelo PTB,  migrou para o antigo MDB, após o bipartidarismo decretado pelos militares em 1965.

Em 1974, em nova eleição, conquista outra suplência. Desta vez do senador Adalberto Sena.

Com a volta do pluripartidarismo em 1980, acompanha o partido na mudança da sigla. E é como peemedebista que ela se torna a primeira mulher senadora da República, num mandato de cinco meses, de abril a agosto de 1981, devido o afastamento o titular, por questões de saúde.

Adalberto Sena retoma seu mandato, mas em janeiro de 1982 vem a falecer, confirmando seu pioneirismo na câmara alta do Congresso Nacional.

Ao ser efetivada, Laélia de Alcântara torna-se, também, a terceira senadora de nossa história.

Como curiosidade, vale saber, que a Princesa Isabel foi a primeira mulher senadora do Brasil, por direito dinástico, durante o Império. A segunda foi Eunice Michiles, do PDS do Amazonas.

Isabel, em sua passagem pelo Congresso Nacional, posicionou-se contra o aborto, contra o racismo e apresentou emendas permitindo o ingresso de mulheres na Força Aérea Brasileira.

Presidente do Conselho Regional de Medicina do Acre, Laélia também atuou como secretária de Saúde entre maio e setembro de 1987, ocasião em que encerrou sua carreira política.

Laélia morreu em 30 de agosto de 2005 no Rio de Janeiro.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/La%C3%A9lia_de_Alc%C3%A2ntara

http://www.fgv.br/cpdoc/

Laélia Alcântara, a primeira senadora negra

11 de agosto: Dia do Estudante e do Advogado

A história de como surgiu o Dia do Estudante nos remete à data de 11 de agosto de 1827, quando o Imperador D. Pedro I instituiu no Brasil os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do país em São Paulo e Olinda (mais tarde transferido para Recife). Até esse dia, quem estivesse interessado em obter um curso superior, teria que ir à Coimbra, em Portugal, onde se localizava a faculdade mais próxima.

Um século mais tarde, em meio às comemorações dos cem anos dos cursos de direito, um dos participantes, chamado Celso Gand Ley, propôs que esse dia fosse o escolhido como o Dia do Estudante, sendo prontamente atendido. Internacionalmente, a homenagem aos estudantes acontece em 17 de novembro.

O Brasil ainda está muito longe de oferecer uma boa educação aos jovens estudantes, tendo em vista a qualidade baixa do ensino.  Há falta de verbas para que as instituições públicas propiciem o mínimo de conforto e segurança adequados para os estudantes. Muitos enfrentam longos caminhos de suas casas até suas escolas. Também trabalham para ajudar  na renda familiar, mesmo sendo menores de idade. Outros dedicam muitas horas do seu dia ao estudo para alcançar suas metas ou se separam de seus entes queridos para estudar em outros países. Pela ambição, coragem e perseverança desses alunos, e também por representar a futura geração de cidadãos profissionais e governantes do nosso país, a existência de uma data para homenageá-los torna-se de fundamental importância, justa e merecida.

Oração do estudante

Senhor, eu sou estudante, e por sinal, inteligente.
Prova isto o fato de eu estar aqui, conversando com você.
Obrigado pelo dom da inteligência e pela possibilidade de estudar.
Mas, como você sabe, Cristo, a vida de estudante nem sempre é fácil.
A rotina cansa e o aprender exige uma série de renúncias: o meu cinema, o meu jogo preferido, os meus passeios, e também alguns programas de TV .
Eu sei que preparo hoje o meu amanhã.
Por isso lhe peço, Senhor, ajuda-me a ser bom estudante.
Dê-me coragem e entusiasmo para recomeçar a cada dia.
Abençoe a mim, a minha turma e os meus professores. Amém.

Coração de Estudante – Milton Nascimento

Fonte: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/. Foto autorizada de Netinha de Peri-Mirim/MA, com o livro “Cem Anos de Gratidão”, de autoria de Ana Creusa.

10 hábitos diários simples para uma vida mais feliz

  • Beba água todos os dias, no mínimo 2L, ou faça o cálculo de 0,40 ml multiplicado pelo seu peso;
  • Elogie as pessoas de maneira sincera;
  • Limpe sua casa todo dia, ao menos, por 10 minutos;
  • Mova seu corpo, pratique exercícios diários, corra e se movimente;
  • Busque coisas divertidas que te façam rir diariamente;
  • Tenha um hábito de leitura, pois pelo menos uns 30 minutos diários te farão mais feliz;
  • Silencie tudo que te deixa pra baixo nas redes sociais. Notícias tristes, pessoas modificadas digitalmente e tudo que dê gatilhos para memórias ruins;
  • Ouça boas músicas. Escutar músicas libera dopamina, que deixa seu cérebro mais contente com a vida;
  • Durma entre 8 a 9 horas toda noite;
  • Aceite que a felicidade é um estado e os momentos tristes da vida são importantes e não são eternos. Depois da tempestade, há sempre o sol para aproveitar a boa vida.

 

Os filósofos gregos, como Aristóteles, por exemplo, já diziam que a felicidade não é algo perene: ela é um estado da vida. Assim como a tristeza é fundamental para entendermos o que é felicidade, ela é importante para termos alegria na vida.

Assim, alguns hábitos diários podem tornar a nossa vida mais alegre e nos proporcionar momentos de felicidade ao longo do tempo.

A felicidade é um estado da vida. Ela não é eterna e precisa ter momentos de balança entre a tristeza para que possamos entender a importância de sermos felizes. Uma vida feliz passa por tranquilidade emocional e física.

Portanto, é preciso estar com a saúde mental em dia, ter bons amigos e uma boa companhia para trocar os melhores momentos da vida. Pratique os hábitos acima.

Fonte: https://escolaeducacao.com.br/

A Baixada Maranhense esqueceu o Dia de Reis?

O dia de Reis foi criado para lembrar a data em que os três Reis Magos entregaram presentes ao Menino Jesus. É uma festa da Igreja Católica Apostólica Romana, realizada entre os dias vinte e quatro de dezembro e 06 de janeiro, o dia da comemoração.

Trazida pelos portugueses na época da colonização do Brasil, a folia de reis é um movimento cultural onde os grupos saem caminhando a pé pelas ruas das cidades, para levar às pessoas as bênçãos do menino Jesus.

Os participantes saem a caráter, cada personagem possui roupas próprias, deixando a folia com um ar mais animado.

Dentre os personagens que aparecem na festa temos: mestre, contramestre, músicos, tocadores, reis magos, palhaço e outras pessoas, donas de conhecimentos da data.

Na história do natal os reis magos foram guiados por uma estrela até chegarem ao local onde Maria estava com seu filho, na presença de José. O caminho percorrido foi longo, pois cada um estava em uma localidade, por isso demoraram cerca de doze dias para chegar a Belém.

Gaspar partiu da Ásia, levando incenso para proteger o Messias. Sua utilidade é espantar insetos com o aroma espalhado pelo ar, fazendo também do objeto uma reprodução da fé e da espiritualidade.

Da Europa, o enviado foi Belchior ou Melchior. Seu presente, o ouro, era oferecido apenas para os deuses, motivo pelo qual o ofertou para Jesus, simbolizando a riqueza, a realeza.

A mirra não foi esquecida. Baltazar levou-a da África, como a lembrança oferecida aos profetas. É um óleo ou resina extraído de uma planta, utilizado para o preparo de medicamentos.

Em agradecimento ao cortejo e às bênçãos recebidas, as donas das casas deixam vários tipos de alimentos prontos, para oferecer aos personagens do cortejo. Como estes saem pelas ruas das cidades, desde bem cedo, vão recebendo desde lanches, café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.

Com a folia, encerram-se as comemorações natalinas em todo o mundo, podendo desmanchar as árvores de natal e retirar todos os enfeites que representam a festa. O importante é abençoar a todos com a festa!

Segundo Airton Luís Martins Mota, estudioso do assunto:

A estrela guia só aparece a cada 20 anos.

Apareceu no dia em que Jesus nasceu e indicou pra quem estava em Jerusalém o local do seu nascimento.

Última vez que apareceu foi em 21 de dezembro de 2020.

Trata-se de uma estrela bem brilhante no céu e é o resultado do alinhamento de Júpiter e Saturno com a terra e, para nós, ocupam o mesmo ponto no céu no dia do seu aparecimento.

Era tradição na Baixada Maranhense mandar reis pedindo presente, ou fazendo declaração de Amor. Eram feitos em papel de seda e dobrados em formato de coração. Seguem alguns versos de Reis.

As estrela do céu brilham.

Brilham todas duma vez.

Assim brilha seu coração

Se apagar esse Reis.

 

Meus olhos pro ti gela

Meus olhos por ti são

Tomara que teu pai já queira

Me dar teu coração.

 

Pedir Reis não é vergonha,

vergonha é não pagar,

um coração como o seu

a mim não pode pagar.

 

Escrevi este Reis

nas asas de um urubu

Espero ganhar da sua mão

uma lata de talco Tabu.

 

Escrevo este Reis

na asa de um morcego

Se não pagar este ano

No outro não terá sossego.

 

Escrevo este Reis

Com amor pela Baixada

Espero de sua mão

Um cofo cheio de piaba.

 

Eu fiz este Reis

com Amor no coração

Quero que tu me pague

Com um vidro de loção.

 

Escrevo este Reis

Olhando para o mato

Espero da sua mão

Um vidro de esmalte.

 

Escrevo este Reis
Olhando para o chão
Espero da sua mão
Um vidro de loção.

 

Escrevi este Reis

Olhando para o céu azul

Espero de sua mão ganhar 

Um corte de seda azul.

 

Escrevi este Reis

Toda garbosa e cheirosa

Espero de sua mão ganhar 

Um vidro de leite de rosa.

Escrevi este Reis

Pensando em uma taboca

Espero de sua mão ganhar

Um bolo de tapioca.

 

         Escrevi este lindo Reis

Pensando no meu amor

Espero ganhar de ti

Um sabonete senador.

 

Escrevi este Reis

Debaixo de um pé de café

Espero ganhar de tuas mãos

Um prato de acarajé.

 

Escrevi este Reis

Olhando uma estrelinha

Pra comer com juçara

Preciso de um pouco de farinha.

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Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/. Os versos de Reis foram escritos por Ana Cléres, Eni Amorim, Elinajara, Expedito Moraes, Gracilene e João Silveira; Nasaré Silva; Gisele Martins e Jaílson da Academia de Peri-Mirim. Os versos foram compartilhados nos grupos de WhatsApp do Fórum da Baixada e da Academia de Peri-Mirim. Pesquisa feita por Ana Creusa.

Natalino Salgado deseja feliz natal a correligionários e amigos

O nascimento do Deus-menino como cumprimento da promessa de um tempo de paz e amor.
É a lembrança desse episódio, que alterou para sempre a história da humanidade, que nos desperta para a importância desta época, quando cristãos mundo afora desejam uns aos outros e rogam aos céus por dias melhores, mais cheios de harmonia e união.

Como no conto de natal de Tolstói, no qual um aldeão ampara um ambulante, uma mulher e uma criança e atende indiretamente ao próprio Cristo, desejo que nossas ações beneméritas sejam expressões que possam alcançar reconhecimento e que perpassem nossa mera existência.

Se os tempos não se mostram alvissareiros, os votos não desanimam. Machado de Assis, preocupado com a realidade, em soneto, pergunta: mudou o natal ou mudei eu? A este respondo: continuamos iguais nos votos, a esperança é nossa guia. Rogo a Deus por mais investimento e incentivo para nossa ciência, que revelou sua altivez e bravura nestes pandêmicos tempos.

Aos profissionais de saúde, em especial, minha eterna gratidão, por serem a expressão do cuidado maior. Faço votos de mais compromisso com a arte, a literatura, a música e todas as demais expressões da arte que nos ultrapassam para além das cinzas das horas. Que a solidariedade, a fraternidade e a igualdade sejam prioridades, na terra, mormente para com os mais fragilizados, para que, assim, a paz possa se tornar um bem acessado pelos corações de todos aqueles de boa vontade.

Que Deus nos conceda um Natal alegre e um 2022 cheio de boas experiências em família, amadurecida a percepção de que só o compartilhamento é capaz de espelhar em nós a fraternidade cristã.
Natalino & Família.

O cangaço na Baixada Maranhense: Pavor e sangue na noite em Teresópolis

Por Aymoré Alvim*

A fazenda Teresópolis fica em terras do município de Peri-Mirim, na borda do campo do Pericumã, distante alguns quilômetros, no sentido nordeste, da cidade de Pinheiro.

Inicialmente, foi ali desenvolvida pelo seu proprietário, Sr. Antônio Souza, uma próspera agroindústria com ênfase na produção de açúcar de cana. Depois, passou por alguns outros donos e, atualmente, é apenas uma fazenda de criação de gado.

O destaque histórico que lhe vem sendo dado pela curiosidade popular, desde as primeiras décadas do século passado, é devido ao fato de ter sido palco de uma das mais violentas incursões do banditismo que proliferou, nessa época, na Baixada Maranhense.

Desafiando a segurança pública, na Região, bandos armados apavoravam fazendeiros e moradores, invadindo suas propriedades, saqueando-as e matando com extrema crueldade quem se interpusesse às suas ações.

Destes grupos, o mais temido era o do perigoso e violento Tito Silva. Naquela fatídica noite que se perde, nos últimos meses de 1921, um pesado silêncio caia sobre a fazenda Teresópolis. Calmo ninguém estava, pois o dono era um dos desafetos do facínora que lhe jurara vingança.

Após o jantar, alguns vaqueiros e outros serviçais trocavam um dedo de prosa, na sala do andar térreo da casa principal da fazenda. O assunto, como sempre, girava em torno dos crimes que grupos de bandoleiros armados vinham praticando, na região.

Relatos dessa época deixados, principalmente, pelo Tenente Francisco de Araújo Castro, o Chico Castro, então Delegado de Polícia de Pinheiro, e pelo Juiz de Direito local, Dr. Elizabetho Barbosa de Carvalho, contam que por volta das nove horas daquela noite os bandidos invadiram a casa grande, atirando para todos os lados. Os empregados apavorados se dispersaram buscando proteção contra as balas. Um deles ao tentar subir as escadas foi, mortalmente, baleado.

Outros, no entanto, escaparam e correram até Pinheiro, chegando à casa do delegado lá pelas vinte e três horas. Muito cansados, tentaram relatar o que presenciaram, sem contudo saber o que realmente havia acontecido. De imediato, com o delegado Chico Castro, todos rumaram para a casa do Juiz. Ali, as duas autoridades planejaram algumas medidas que pela urgência o caso exigia.

Na primeira hora da madrugada, o delegado à frente de soldados e de vários voluntários em armas, reunidos à ultima hora, chegaram a Teresópolis.

Chico Castro entrou e logo, no andar térreo, foi encontrando alguns corpos. Subiu ao andar superior e se deparou com o corpo do fazendeiro Antônio Souza ainda na rede onde antes repousava. Mais adiante, no mesmo andar, estavam os corpos de uma criança e de uma senhora paralítica, já avançada em idade, que moravam na casa.

Ruídos, em um quarto ao lado, chamaram a atenção do delegado. Pela janela, retirou o filho do proprietário, o jovem Lauro Souza e um amigo seminarista de nome Pitágoras que ali se encontrava a passeio. Disseram não ter visto nada.

Assim que ouviram os tiros, pularam a janela e se esconderam no telhado. Os primeiros depoimentos ali tomados dos sobreviventes que, pouco a pouco, iam chegando, dão conta de que o bando era do Tito Silva e que a motivação era vingança. O delegado deu, então, ordens para que fossem recolhidos os corpos e levados para Pinheiro para serem sepultados.

Pela manhã, ainda sob o impacto emocional da noite passada, chegou a notícia de que o bando, logo após a chacina, rumara para Cabeceiras, hoje, Bequimão, onde Tito Silva foi ajustar contas com um comerciante e delegado do local por nome José Castro. Após haver sido acordado juntamente com a família, foi levado para a via pública e ali assassinado. Por fim, dizem que o Tito Silva cortou-lhe uma das orelhas e a levou consigo.

Esse foi mais um problema, no complicado ambiente político-social da Região, naquela época, que exigia solução imediata por parte das autoridades.

Rixas, ambições, rancores e mágoas foram os fortes ingredientes que alimentaram as atividades desses facínoras que espalharam, naquelas populações, pavor e ódio, em cujo epicentro está Teresópolis, pela frieza e covardia com que manifestaram sua agressividade e expressaram toda a sua violência.

Tempos depois, chegou a Pinheiro a notícia de que outro bando, comandado por João Mole, prendeu Tito e o entregou às autoridades.

Transferido para São Luís, o mesmo foi recolhido à Penitenciária e, pelo que falam os mais antigos, ninguém mais soube do seu paradeiro.

Algumas outras diligências levaram as autoridades de Pinheiro a desmantelar os últimos grupamentos de bandidos que operavam, nas proximidades do Bom Viver, fazendo, assim, que a paz e a tranquilidade voltassem à cidade e ao seu povo.

*Aymoré de Castro Alvim, Natural de Pinheiro-MA, formado em Medicina, Aymoré é professor adjunto IV do Departamento de Patologia da Universidade Federal do Maranhão, aposentado. Ele tem especialização em Biologia Parasitária, membro da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (Aplac), autor do livro Contos e Crônicas de um Pinheirense.

Dia do Nordestino é 8 de outubro

Nesta sexta-feira, 8 de outubro, comemora-se o Dia do Nordestino, uma data que homenageia as tradições, paisagens e a cultura dos nove estados que integram o Nordeste.

A criação desta data é uma homenagem ao centenário do poeta popular, compositor e cantor cearense Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré (1909 – 2002).

Patativa do Assaré (1909-2002) foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Projetou-se nacionalmente com o poema “Triste Partida” em 1964, musicado e gravado por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

COISAS E LOAS XIV – ESPLÊNDIDO REMÉDIO

Por Zé Carlos

Fico imaginando como se comportaria uma criança, da cidade, se voltasse no tempo, para o período de nossa infância. Certamente, tomaria um choque tamanho que, no mínimo, “entraria em parafuso”. Ficaria sem chão. Ou, no baixadês, “estaria sem eira nem beira”.

Acredite. O desespero seria estupidamente grande. Sem Miojo, sem Nutella, sem “iorgute”, sem sorvete, sem chocolate, sem cachorro-quente, sem hambúrguer, sem batata frita, sem Sucrilhos, sem e sem “besteiras”.

Imagino a cara de incredulidade ao se deparar com um “chibé”, também conhecido, Baixada adentro, como carneira, jacuba, pandu ou tiquara. Eita, lembrança! Ainda tenho um cheiro verde na geladeira. Estou mal intencionado.

Mas, voltando ao nosso papo, tal criança inexoravelmente estaria condenada ao jejum. Ou vocês acreditam que partiria para um prato de angu com isca; ou para uma jabiraca esturricada, buscando eliminar as espinhas; ou um café com farinha, “em riba” das três horas da tarde, quando o sol escaldante põe-nos à prova, para confirmar, ou não, a nossa “baixadeirice”; ou para um beiju, no formato de um abano, recheado com amêndoas de côco babaçu?! Ah, beiju! Bendita casa de forno!

As respostas ficarão a critério de cada um, que teve o privilégio de se lambuzar com mangas, bananas, araticuns, tuturubás, mamãos, “camapus”, marias pretinhas, ingás, quiriris, atas, bacuris, laranjas, muricis, anajás, melancias, ananás, cauaçus, jacas, goiabas, tucuns, abricós, sapotis … Frutas. Frutas de verdade. Frutas, que trazemos impregnadas em “nossos sabores e aromas”.

Como poderia ser normal e agradável, chamar o Zé para um LUNCH?! Que bicho seria esse? Em grego ou etrusco?! Nada feito. Agora, que sonoridade perfeita: “MEE-REEN-DAA!” Aí, sim, é o bicho. Até o bicho da goiaba “entrava”. Certamente, por isso, até hoje olho atravessado para um tal de kiwi.

E, nessa perspectiva, a verdadeira comida também seria rejeitada. Peixe, boi, carneiro, bode, pato. Sem falar nas arapucas, o que “não está politicamente correto”; embora “o politicamente incorreto” esteja a se entranhar em todas as esferas sociais. Arrop! Acrescentemos galinha e frango. Galinha e franco, sim. Já vi criança, que na tentativa de ser convencida a comer, sair-se com esta. Não gosto de galinha. Quero é frango. Se for dito que é frango, diz que gosta é de galinha. Haja perspicácia! Haja paciência, de quem cuida!

Agora, o que aconteceria se a criança, da cidade, geralmente frágil, fosse submetida a um tratamento inventado por um amigo de meu pai (do bairro “da Matriz”), ao descobrir que estava hipertenso e acometido de uma sudorese absurda?! Com certeza, “iria à cova”.

Ele, após ser questionado “como estava”, afirmou que já se encontrava melhor, desde que encontrou o meio para acabar com sua doença. Literalmente, palavras dele. “Resolvi armoçá, tod’dia, um cuzidão de carne de bufa, da maçã do peito, e jantá doi’tutano, batido com farinh’seca. Sant’remédio! Já tô ôto. Mi sintino curado”.

Eita, remédio esplêndido! Estou pensando seriamente em me auto medicar!

Estela Borges Morato, uma vítima do terrorismo

“Estela Borges Morato nasceu na cidade de Campo Limpo, próximo a Jundiaí, Estado de São Paulo, em 22 de janeiro de 1947. Fez o curso primário no Externato Santo Antonio, o ginásio e o curso científico no Colégio Paulistano. Em 1964 tomou parte em um concurso bíblico instituído por uma estação de rádio da Capital Paulista, obtendo o primeiro lugar, recebeu como prêmio mil discos e um aparelho de televisão. Em 18 de dezembro de 1965 casou-se com Marcos Morato, união que se desfez com a sua morte em 1969.

Ingressou através de concurso no Banco Comércio e Indústria de São Paulo. Fez o curso de Grafodactiloscopia Bancária “Preventivo de Falsificação”, na Academia de Polícia de São Paulo.

Entrou para a carreira de investigador de Polícia, mediante concurso público em 1969. Foi destacada para prestar serviço no Departamento de Ordem Política e Social, onde de acordo com a opinião das autoridades com quem trabalhou foi exemplo de disciplina, abnegação e patriotismo. Em 7 de novembro do mesmo ano, deu com apenas 22 anos, sua vida cheia de crenças, sonhos e esperanças à glória e liberdade da terra que a viu nascer, quando no cumprimento do dever tomou parte com intrepidez o cerco destinado a prisão do perigoso Carlos Maringhela, chefe da subversão do Estado de São Paulo. Estela Borges Morato, foi a primeira mulher brasileira e paulista a ser vítima de uma nobre audácia, no trabalho árduo contra o terrorismo, em defesa da sociedade, em defesa dos postulados cristãos e da Pátria Brasileira.

Crônica de Autoria de Estela Borges Morato, publicada no jornal editado pelo Sindicato dos Bancários em outubro de 1969:

“Que Tipo de Mundo Você Queria?”“Para esta pergunta, a resposta é sempre a descrição de uma utopia. Porém, eu gosto deste século, cheio de vivacidade e colorido, planos e esforços que nos fazem participar de uma experiência excitante e maravilhosa, sendo exatamente isso que dá a vida sua única atração verdadeira. Vida é movimento. Quero este mundo assim como ele é, com sonhos para sonhar, problemas para resolver e lutas para lutar. Vivamos intensamente a vida que Deus nos deu, afinal ela nos oferece mais prazer que dor, mesmo que haja sempre algo para ser resolvido ou remediado. Este mundo merece voto de confiança, porque ele é bom, só é mau para gente dura e de cabeça mole. O homem, enfrentando suas dificuldades, pode mostrar que é homem, aceitando o desafio. As dificuldades serão superadas e a vida valerá a pena ser vivida. Afinal já conquistamos a Lua.”

Estela tinha apenas 22 anos quando foi assassinada. Jovem e bonita, Estela já havia casado quando revolveu mudar de emprego. Saiu de um grande banco e fez concurso para a Polícia Civil de São Paulo. Foi nomeada no cargo de investigadora. Quando ainda era bancária, publicou em um jornal do sindicato dos bancários um texto intitulado “Que tipo de mundo você queria?”. Inicia afirmando que a resposta a esta pergunta será sempre a utopia, e finaliza dizendo que as dificuldades serão superadas e a vida valerá a pena ser vivida.

Estela foi designada para uma operação de captura de um criminoso, assaltante de bancos. O perigoso marginal, juntamente com seus comparsas, resistiu à prisão. Estela foi atingida na cabeça e morreu dias depois.

Estela Borges Morato, a heroína, é quase que totalmente desconhecida dos brasileiros. O marginal, ao contrário, não só é amplamente conhecido como mais um filme foi feito em sua homenagem. Ele se chamava Carlos Marighella.

Assim como um escultor molda a substância bruta transformando-a em uma obra de arte, os responsáveis pelo filme tiveram muito trabalho e esforço para transformar o terrorista que lutava para implantar uma ditadura no nosso país em um mártir. Marighella, ao contrário do que afirmam e reafirmam seus adoradores, não queria o bem de ninguém e muito menos mudar o mundo. Queria o poder, o poder exercido a ferro e fogo pelos ditadores. Não foi ele um pobre trabalhador revoltado com a burguesia. Marighella cursou engenharia e foi deputado. É de sua autoria o minimanual do guerrilheiro urbano, onde ensina aos seus comparsas como matar pessoas, explodir instalações, sequestrar, torturar.

A história contada em fragmentos, pintados e adequados de acordo com interesses, não é história, é farsa, é manipulação. A verdade, aos poucos, foi sendo apagada. Desde aquele 7 de novembro de 1969 pouco se escreveu sobre Estela. Filmes, cinco até agora, livros e músicas fazem homenagem ao terrorista. O governo do senhor Fernando Henrique reconheceu a responsabilidade do estado na morte do marginal que almejava o poder absoluto, concedendo à viúva de Marighella uma indenização. Na Alameda Casa Branca, local onde o marginal enfrentou a polícia e atingiu Estela na cabeça, há uma placa em sua homenagem.

Estela Borges Morato é hoje apenas o nome de uma escola estadual. Lá, os professores talvez ensinem que Carlos Marighella é um herói.

O Jornal do Brasil, Rio de Janeiro — Quinta-feira, 6 de novembro de 1969, trás a notícia da morte de Estela como “O PREÇO DA DEDICAÇÃO“. O Jornal, Ano LXXIX, nº 182 noticia abaixo transcrita:
“Morte de Marighela inicia desarticulação terrorista As autoridades dos órgãos de segurança estão convictas de que a morte de Carlos Marighela representa o início real do processo de desarticulação dos grupos terroristas que agem no país. Depois da limpeza que a Operação-Bandeirantes vem realizando em São Paulo, os extremistas estão sob cerrada vigilância e começam a se desarticular, sem tempo e condições para rever seus planos e modificar o esquema de distribuição dos aparelhos. Policiais do DOPS, no entanto, afirmam que o terrorismo não chegou ao fim com a morte de Marighela, pois o ex-Deputado Joaquim Câmara Ferreira assume o comando de seu grupo e há também a atuação do ex-capitão Carlos Lamarca, embora em linha diferente. Desde a morte de Marighela a polícia paulista iniciou uma série de prisões. A investigadora Esteia Borges Morato, dada como morta ontem, continua viva mas em estado desesperador. Levou um tiro na cabeça, com perda de massa encefálica, e os médicos não têm quase esperanças. O corpo de Marighela continua no necrotério, esperando autópsia. Os meios religiosos já se movimentam para examinar a situação dos freis Ivo e Fernando, que possibilitaram a diligência policial contra Carlos Marighela. O secretário-geral da CNBB encontra-se em São Paulo.”. http://memoria.bn.br/pdf/030015/per030015_1969_00182.pdf).”.

Fontes:https://extra.globo.com/casos-de-policia/comissario-de-policia/lembrando-de-estela-23459564.html e https://heroisbrasil.fandom.com/pt-br/wiki/Investigadora_Estela_Borges_Morato.

Pesquisa realizada e reproduzida diretamente das fontes por  Ana Creusa