PERI-MIRIM: A ALCAP promove elogio à patronesse Maria Isabel Martins Nunes

Por Eni do Rosario Pereira Amorim

Excelentíssima Senhora Presidente da ALCAP Jessythannya Carvalho Santos, ilustres acadêmicos, (autoridades aqui presentes), comunidade, caros amigos e familiares.

É com profunda admiração e respeito que nos reunimos hoje para render homenagens a uma figura cuja trajetória se confunde com os próprios valores que buscamos honrar, nossa estimada patronesse Maria Isabel Martins Nunes representada pela cadeira número 14 desta Casa de “Naisa Amorim”.

Escolher um patrono ou uma patronesse não é apenas um ato de reconhecimento mas a busca por um farol e em Maria Isabel encontramos a síntese da dedicação e da integridade, ela era uma mulher destemida e ética, sua palavra era lei.

Sua história é marcada pelo serviço ao próximo, pela generosidade e solidariedade na comunidade de Santana e arredores.

Uma marca forte em Maria Isabel era a partilha. Tudo o que tinha partilhava com o próximo, talvez por isso nunca faltava nada em sua casa, principalmente gêneros alimentícios. Maria Isabel Martins Nunes é símbolo de inspiração para todos nós que seguimos os seus passos.

Maria Isabel Martins Nunes não ofereceu apenas seu nome a esta cadeira da academia mas emprestou-nos a sua essência. Seu exemplo nos ensina que o verdadeiro sucesso não reside apenas nos títulos alcançados mas na marca positiva que deixamos na vida daqueles que cruzam o nosso caminho.

Dessa forma expressamos nossa eterna gratidão, que possamos honrar seu legado com a mesma ética, paixão e compromisso que ela demonstrou ao longo de sua vida a todos que necessitavam de uma oração, de um benzimento de um remédio de uma acolhida.

Ela foi uma líder importante para implantação da comunidade de Santana e para o surgimento dos festejos de Santa Ana um dos melhores festejos do Município. Muito religiosa, podemos dizer que ela tinha uma fé inabalável.

Boas lembranças guardadas na memória de Maria Isabel:
Sua fidelidade nas orações, ao raiar do dia, meio-dia e à noite.

O cafezal que havia no sitio de onde se colhiam e faziam o melhor café artesanal com erva doce;

Os bolos que eram feitos no fogão de barro com os vizinhos e as brincadeiras das crianças enquanto aguardávamos o bolo assar, eram bolos modelados de coelhinhos, macaquinhos e outros bichinhos;

O chocolate de castanha e os filhoses de tapioca fritos no azeite de coco;

Ela brigando com os macacos que derrubavam as mangas, os sapotis e comiam todas as ingás do seu terreiro;

Ao amanhecer ela se aquecendo na beirada do fogão de lenha enquanto fumava seu cachimbo, com o olhar imerso em suas lembranças;

O seu baú de estimação onde guardava tudo que lhe era “especial” algo assim como a canastrinha da Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo e a cada visita que recebia sempre tinha algo a oferecer, algum mínimo tirava de seu precioso baú: frutas, ovos, bombons, chocolates, biscoitos farinha, bolos e etc…

Enfim foram tantas lembranças que resolvi contá-las no livro Retalhos de uma história.

À nossa patronesse Maria Isabel Martins Nunes, os nossos mais sinceros e calorosos aplausos.

Muito obrigada!

PERI-MIRIM: Pastor Claudionor Gomes da Silva

Por Liliene da Glória Costa Ferreira

CLAUDIONOR GOMES DA SILVA nasceu em 16 de maio de 1941, no povoado de Lagoa Nova, Pedreiras/MA, atual cidade de Santo Antônio dos Lopes, porém, só foi registrado em 1944, filho do vendedor ambulante Pedro Gomes da Silva e da costureira Maria Gomes da Silva, ambos pertencentes à Igreja Católica.  Em 1949, aos oito anos de idade ficou órfão de pai, mudou-se com sua família para Pirapemas onde cursou o Primário Antigo na Escola reunida “Ribamar Pinheiro”, durante o período que passou em Pirapemas aprendeu muitas profissões, dentre estas a de pedreiro e marceneiro e ainda serviu como balconista.

Em 1960, mudou-se de Pirapemas para Santa Inês, passando a trabalhar como sócio em um comércio com um tio, após três anos de sociedade, montou o seu próprio negócio e passou a gerenciá-lo. Aos dias dois de fevereiro de 1966, fez a sua decisão, aceitando Jesus na Assembleia de Deus, a partir de então passou a dedicar-se na pregação do evangelho.

No mês de julho do mesmo ano constituiu matrimônio com a senhora Elísia Coqueiro da Silva com a qual teve oito filhos e 15 netos. Os nomes dos filhos: Israel Coqueiro da Silva, in memória; Claudionor Gomes da Silva Filho; Ismael Coqueiro da Silva; Samuel Coqueiro da Silva; Isabel Cristina Coqueiro da Silva; Ivelta Coqueiro da Silva Azevedo; Otoniel Coqueiro da Silva e Elizete Coqueiro da Silva.

A sua grande vocação constituiu-se em evangelizar e ganhar almas para Cristo e não propriamente ser pastor, todavia, apresentou características de bom Servo do Senhor, o que o tornou digno para o exercício do ministério. Foi autorizado a Evangelista no dia 19 de março de 1976 em São Luís/MA e ordenado ao Santo Ministério em 26 de novembro de 1977, pelo CEADEMA – Conselho Estadual das Assembleias de Deus no Maranhão, pelo representante presidente Estevão Ângelo de Sousa.

Desfez-se de seu patrimônio vendendo imóveis e móveis destituiu-se também do comércio e mudou-se para Peri-Mirim/MA, juntamente com sua esposa e cinco filhos denominados: Israel Coqueiro da Silva, in memória; Claudionor Gomes da Silva Filho; Ismael Coqueiro da Silva; Samuel Coqueiro da Silva e Isabel Cristina Coqueiro da Silva, os demais filhos nasceram nesta cidade.  Encontrou duas famílias evangélicas da denominação Assembleia de Deus: a família do irmão Rosalino Costa Leite, in memória, e a do irmão Claudionor Constantino Lopes, (conhecido como Dinor), in memória. Não possuía moradia nem casa pastoral. No primeiro momento alugou uma casa e depois foi auxiliado pelo irmão Rosalino que emprestou-lhe uma casa a qual serviu de morada pastoral e também de templo,  onde os irmãos  congregavam.

No ano de 2023, foi homenageado na 84ª Assembleia Geral Ordinária (AGO), da CEADEMA, no município de Lago da Pedra, recebendo as comendas em comemoração aos 15, 25, 30 e 50 anos de Ministério.

Em 13 de maio de 2025, com 49 anos de ministério prestado na cidade de Peri-Mirim/MA, o Pastor Claudionor Gomes da Silva, juntamente com sua esposa Elísia Coqueiro da Silva, receberam por meio da Câmara Municipal de Peri-Mirim/MA, o título de cidadão Perimiriense, por meio de um projeto sob a indicação do vereador Zaqueu Pereira Leite.

 Sua trajetória religiosa ao início foi difícil, pois havia um grande campo missionário a ser explorado  e muitas pessoas a serem alcançadas pelo evangelho, estas dificuldades foram superadas. E, atualmente com 50 anos de ministério a Igreja Assembleia de Deus que iniciou apenas com duas famílias evangélicas, possui um grande remanescente composto por 20 congregações e 4 áreas de trabalho sob sua liderança geral, contando com o auxílio de dois pastores, diáconos e auxiliares.

A vida e obra do pastor já foi objeto da monografia intitulada “Mudanças e Permanências, na História, Cultura e Memória da Assembleia De Deus, no Município De Peri Mirim/MA, apresentada pela acadêmica Liliene da Glória Costa Ferreira, ocupante da cadeira 22 da Academia de Letras, Ciências e Arte Perimiriense (ALCAP) na Universidade Estadual do Maranhão: Bequimão, 2014.

Diante de uma trajetória tão rica e inspiradora, o legado do Pastor Claudionor Gomes da Silva em Peri-Mirim transcende o tempo, consolidando-o como um verdadeiro pilar espiritual e social para o município. O homem que outrora chegou à cidade abrindo mão de seus bens materiais e encontrando apenas duas famílias evangélicas, hoje colhe os frutos de uma dedicação incansável, traduzida na liderança de um rebanho que floresceu em 20 congregações e 4 áreas de trabalho. Mais do que os merecidos títulos e homenagens recebidos, como as comendas da CEADEMA e o título de cidadão Perimiriense, o verdadeiro monumento ao seu ministério de meio século é a transformação de incontáveis vidas alcançadas pelo evangelho. Com fé inabalável, espírito de sacrifício e o apoio constante de sua família, o Pastor Claudionor escreveu seu nome de forma definitiva na história de Peri-Mirim, deixando um exemplo imperecível de amor, liderança e devoção ao Reino de Deus.

O Primeiro Carro

Por Ana Creusa

Minha mãe, Maria Amélia, alimentava o sonho de possuir um carro. Em 1998 pediu para eu providenciar a compra de um carro para ela e avisou:

– Quero um carro novo e eu que vou pagar!

Providenciei um consórcio de automóvel, coloquei no nome dela, sem problemas. Quando ela foi contemplada com a Carta de Crédito, falou:

– Quero meu carro de cor vermelha.

Assenti com a cabeça. Saí do trabalho mais cedo e fui buscá-la para irmos à Concessionária Alvema, na Rua das Cajazeiras, para comprar um Fiat Pálio.

Quando cheguei à sua casa, mamãe me disse: não posso ir porque não consegui destrocar o dinheiro da entrada: que estava em moedas de um real.

Procurei saber o valor e ela falou: são R$ 600,00 (seiscentos reais). Você vai ficar com vergonha de levar esse dinheiro assim. Achei o fato até engraçado e disse: – vamos levar assim mesmo, é dinheiro, não é?

Assim saímos com aquela sacola pesada de dinheiro. Chegando à Fiat, fui logo avisando que parte do dinheiro da entrada do carro estava em moedas de um real.

A vendedora Rose levou a sacola para o Caixa e começaram a contar – o gerente Rafael soube da história e veio conhecer a valente senhora que descansava em uma confortável poltrona.

Terminaram de contar o dinheiro: exatos R$ 600,00 (seiscentos reais).

As surpresas não pararam por aí. Quando fomos fazer o financiamento, como mamãe acabara de completar setenta anos, a vendedora falou que ela não poderia mais fazer financiamento em seu nome. Nesse momento, eu retirei os meus documentos da bolsa e os entreguei para a vendedora, para que o financiamento saísse em meu nome.

Mamãe, com ar de decepção, falou:

– Então, já posso morrer, não posso mais colocar nada no meu nome!

Eu entendendo a desolação da minha mãe, falei à vendedora:

– Se não colocar o carro no nome da minha mãe, vamos comprar em outro local.

A vendedora com receio que aquela ameaça se concretizasse, disse:

– Vou falar com o gerente.

Na sua volta disse: – vamos abrir uma exceção! E mamãe assinou o financiamento.

Escolhemos o carro: Pálio Vermelho!

Quando saiu os documentos do carro, ele estava no nome de mamãe, só que a data de nascimento dela estava escrito “12 de novembro de 1938”. Dez anos mais nova! Somente nesse momento ficamos sabendo a “mágica” que foi feita para autorizar o financiamento.

Depois desse primeiro carro, mamãe teve outros carros em seu nome.

… VIOLÊNCIA FANDANGA

Por José Carlos Gonçalves

CENAS DO COTIDIANO XLVII (… violência fandanga)

“O papo reto, das CENAS”, nestes últimos dias, é o deboche da Ilha, nesta greve de trabalhadores no transporte público. Com muito humor e ironia, descobri que “o transporte público” é, na verdade, “cativo de um empresariado” ávido por money. Descobri, também, que São Luís não necessita de vereadores. Ainda mais, dos surdos e dos mudos. Nem dos que não enxergam o povo nas paradas, mendigando uma carona ou um carrinho, com preço desleal, tão exorbitante

e, “numa ‘analisinha’ rasa”, descobri que a Ilha “não precisa de ‘ômbis’, pra viver o carná”. Prova incontestável. Os shows na Beira Mar e na Litorânea, nadando em “um marzão de gente”. Agora, outros quinhentos, é ir ao trabalho. Aí, é impossível chegar sem o tão sucateado, fumacento e odiado “bus”. Brincadeirinha …

e, por falar em busão, na matemática política manter “vouchers”, a que quase ninguém tem acesso, não pode ser mais barato que o subsídio ao choroso empresário

e, sem subsídio, infelizmente, a temática da violência se faz presente. E eu não queria, mas não dá para ignorá-la. E violência, mesmo, é a apelação que nos insulta em nossas casas. Um tal de BBB (Big Boba Bobagem), que já não tem razão de existir. E, muito menos, é recomendável às esfaceladas famílias, tão carentes de bons exemplos e boas práticas. Ainda mais, em horário nobre, que só mostra o que não se pode nem deve fazer. Mas, por pura ironia, é a aspiração de quem busca “fama” instantânea

e instantânea, também, pode ser a queda, no julgamento popular, de quem “escorrega na maionese e na falta de noção”, a viver no fio da fama ou do ostracismo ou do ridículo. Aí, se pode escolher qual o maior vexame. Caráter ambíguo, paradoxal, antitético. Ou, simples e sinceramente duvidoso, em busca do endeusamento ou da crucificação. Aí, vem a condenação, o massacre, a guilhotina, a decretar a vergonha nacional

e, sem vergonha, a violência é tanta que só se dá bem aquele que choca, negativamente, e que se deixa levar pelo ridículo. Aí, a quem está de fora, só resta confirmar que “o elemento anda perdido”. E, como bem diz o caboclo, “remediado, remediado tá”. E “não tem jeito, que dê jeito”. Nem “se vortá pra trás!”

e, “sem vorta”, os nossos jovens vão se embrenhando nesses labirintos “do quanto o menos vale mais” e do “quanto pior, melhor”. Ufa! Cansei …

e, como o caos se instalou, louvável só o comportamento do motorista de Guarulhos, a nos dar uma aula de equilíbrio, ante o desequilíbrio de uma desquilibrada, que achou que tudo podia. E, aí, arrisco a afirmar que é a certeza de que a Maria da Penha lhe dá salvo conduto. Eita, país de absurdos

e, absurdamente absurdo, foi o tenente, empurrando goela abaixo, como teacher, a ensinar os meninos como se grafa “descançar”. Foi, no mínimo, terrível! E, de verdade, necessário é tratar, com responsabilidade, a Educação. Vou empregar “caso contrário”, por não saber “se é senão ou se não”. Vamos lá! Caso contrário, ficaremos presos ao atraso, que já nos massacra no cenário mundial

E, como bobagem pouca é bobagem, não vou prestar “continêcia” a ninguém!

Inté maise!

… AH, BENDITA LINGUÁGI!

Por José Carlos Gonçalves

HISTORIETA DE MEU AGRADO XII (… ah, bendita linguági!)

Como trabalho com a linguagem, há muito tempo, “já diviria tá acustumado cum argumas situaçõis”, que tenho que enfrentar de vez em quando.

Há alguns dias, em uma conversa “com um velho cunhicido”, lhe disse que iria pra casa, porque “tava na hora de imitar morto. Pra quê?!” Fui veementemente repreendido. “Tu quê brincá cum a môrti?!”

A verve de meu interlocutor foi tamanha qui mi abalô. Fiquei sem jeito e demorei um bocado para me recuperar.

E, ainda ressabiado, “li disse qui, cum ‘lucrécia”, eu brinco sem medo. E, “pra quebrar o gelo, fui buscar um chasco”, que nos divertiu muito, em nossa ingenuidade, e lhe perguntei, “só de mal”, ao perceber que não sabia o que é “uma brincadeirinha”. E, sem rodeio, “mandei bala. Tu brinca cum’eo brinco?!”

E o cúmulo do cúmulo era achar, em nossa infância, que essa expressão era uma grande e absurda ofensa, quando, hoje, as TVs, os shows, os cinemas e a internet, descaradamente, sem pudor, nos incentivam “a não só brincar, mas dar brincos, anéis, pulseiras, colares” … e outras coisitas mais, tão escondidas e proibidas de se mencionar, que, até de se falar, causam arrepios.

Mas, voltemos. “Como um baxadêro da gema”, como eu, pode ter medo de algo, se “sempre foi um sujeito forte, casca dura, côro grosso, sem medida”.

Um sofrente com a água distante e salobra. “Com tosse braba, puxamento, papeira, sarampo, ispinhela caída, arca aberta, frieira, bicho no pé, barriga d’água”. E, se não tomasse cuidado, “corria o risco de acordá atarantado, pegá um vento, tê uma congestão, sofrê di andaço i di cobrêro … e mais uma centena e uma ziquiziras”.

Aí, nessa vibe, “querê imitá môrto” é até uma expressão de parcos centavos, “uma simples brincadeirinha, qui si num mata ingorda!

E a “lucrécia’, qui si imbrenhe pô ôtas vereda! Vá brincá cum a curacanga, lá, pras banda do Têso du Fôgo! Cruzincrêdo! Tá ripriindido!”

E, meu santinho Santo Inácio de Loiola, “mi livrai di todo malaméim!”

José dos Santos, Amor § Gratidão

Por Ana Creusa

Quem conheceu José dos Santos sabe que ele não era um ser humano comum. Alguns dizem que, pessoas como ele, nascem de cem em cem anos. Eu, porém, os afirmo: ele foi e será único. Não como todos nós somos, mas pela sua história e trajetória de vida. Tudo parece ter sido meticulosamente planejado, cada evento, cada experiência que ele viveu.

Ciente da singularidade desse ser humano, não podemos deixar morrer a sua história e não basta a passagem verbal de pais para filhos e netos. É necessário que se deixe registros definitivos de sua passagem entre nós.

Foi com esse espírito de missão que me aventurei em registrar parte da experiência marcante que tive com meu pai, desde a minha infância, até sua morte aos 95 anos.

Lembrando da história do meu pai, comparo-a aos pais de figuras famosos da literatura como a que relata Frank Kafka, em sua memorável Carta ao Pai, a qual retrata o devastador acerto de contas com a figura tirânica de seu pai. Também, na obra Ribamar de José Castello que relembra os momentos terminais de seu pai, e declara: “Não vou adoçar nada: seu corpo, murcho e disforme, me enoja”. Também ouvi relatos de amigos que relembram seus pais pela dureza, com surras cruéis e totalmente injustas.

Papai era o oposto disso, como relatado no prefácio por seu neto José Sodré Ferreira Neto, ele educava pelo exemplo com mansidão e amor. Ele sempre fora assim, não apenas quando ganhou experiência pela idade, como era de se supor. Suas atitudes, gestos e palavras pareciam ser sempre meticulosamente planejadas. Era possuidor de uma inteligência rara, que lhe permitia um humor respeitoso e extremamente engaçado.

Possuía sorriso fácil, era extremante dócil. Porém, todos lhe dispensavam um respeito comovente. Todos pareciam querer agradá-lo em suas preferências. Era sempre muito gratificante servi-lo. Atender às suas vontades. Ele possuía uma aura de luz que irradiava naqueles que dele se aproximavam.

Meu pai era um ser humano perfeito. Até aquilo que poderia ser considerado defeito para alguns, para nós era um charme, um elemento diferenciador de sua personalidade marcada pela ternura, sabedoria e sensibilidade.

José dos Santos é natural de Palmeirândia, terra de seus pais. Foi criado no Povoado Cametá, no Sítio Jurema – Peri-Mirim/MA, nasceu eu 02/02/1922, filho de Ricardina Santos e Máximo Almeida, o nome do seu pai não consta no seu registro de nascimento, pois seus pais não eram casados. Sua mãe era negra e seu pai, louro de olhos azuis. Pelos padrões da época, não havia casamento entre essas raças.

Na época predominava os bailes separados pela cor da pele. José na adolescência, apesar de não ser negro, geralmente, sofria resistência para entrar nos “bailes dos brancos”, por ser filho de Ricardina.

Sua mãe teve oito filhos, mas faleceu muito jovem, quando José tinha apenas 18 anos. Na época, sua mãe não tinha nenhum companheiro – criava os filhos sozinha.

Homem de poucas letras, estudou apenas três meses. Naquela época não tinha escolas, os professores eram contratados pelos fazendeiros para educar apenas os seus filhos. João Guilherme e Mariana Martins contrataram uma professora para ensinar seus filhos e Ricardina pediu para que os amigos deixassem seus filhos maiorzinhos estudarem na casa deles.

Após três meses José já sabia ler e rabiscar algumas letras. A professora mandou comprar-lhe livro de 2.º Ano, porém, a professora teve que ir embora, por se envolver em um triângulo amoroso que contrariava a vontade dos patrões.

A professora pediu a Santoca (alcunha da mãe de José), para que levasse José consigo, para que ele pudesse aprender mais. Mas a mãe não podia deixar: José era seu filho mais velho e já lhe ajudava nas tarefas da vida.

Sem a professora, mas com o Livro de 2.º Ano nas mãos, José leu e releu o livro. Memorizou todas as lições, que mais tarde viria a contar para seus filhos e netos: ele sabia os afluentes da margem direita e esquerda do Rio Amazonas e várias lições como: “Vá e entrega-se ao vício da embriaguez” e tantas outras que contaremos neste livro.

Antes de falecer, Ricardina pediu a José e Maria Santos que cuidassem dos seus irmãos. O irmão mais novo, Manoel Santos, tinha apenas 2 (dois) anos de idade.

Os filhos de Ricardina são: 1) Joelzila; 2) Maria Santos; 3) José dos Santos; 4) João Pedro; 5) Alípio; 6) Antônio; 7) Izidorio e 8) Manoel. Destes, apenas João Pedro ainda está vivo.

José tinha muitos sonhos, o mais forte deles era servir a Pátria Amada. Ele gostaria de seguir a carreira militar no Exército Brasileiro e tocar clarinete na Orquestra do Exército, mas com a missão de continuar a criação dos seus irmãos, não pôde realizar esse sonho.

Com esse sonho ainda vivo, José estimulou os seus irmãos a servir o Exército, Alípio e Antônio engajaram na Polícia Militar (PM) do Maranhão. Antônio foi destacado para o município de Coelho Neto, para dar segurança à família Duque Bacelar e depois deixou a PM e por lá casou-se e tive seus filhos.

Alípio permaneceu na PM, galgando a maior posição que um Praça pode alcançar, cargo em que se reformou.

José e Maria Santos criaram seus irmãos com princípios e valores sólidos: todos lhe tomavam a bênção e lhes deviam respeito. Os irmãos homens tinham o hábito de somente sentar-se à mesa na cabeceira, mas quando Zé Santos os visitava, na hora das refeições, todos eles cediam o lugar da cabeceira da mesa para José, que comandava a Família do irmão naquele momento solene, sempre antecedido de orações. Pode-se ver que José cumpriu muito bem a missão que a sua mãe lhe confiou.

José na mocidade, cumpre registrar, era um jovem simpático, forte e musculoso, campeão de cana-de-braço, amansador de burro bravo, pé de valsa, brincante de bumba-meu-boi, comparecia às festas com terno de linho belga “arvo”[1], sapatos de couro, sorriso fácil, era muito cobiçado pelas moças do lugar.

José começou a namorar uma moça, filha do fazendeiro Benvindo Mariano Martins. Ela é Maria Amélia, sabia ler, escrever, fazer belas costuras e bordados e tinha um belo jardim, que costumava cuidar no final da tarde, quando Zé Santos já saía do trabalho e por ali conversavam.

Casaram-se e tiveram muitos filhos: 1) Francisco Xavier; 2) Ademir de Jesus (in memoriam); 3) Cleonice; 4) Edmílson José; 5) Ricardina; 6) Ademir; 7) Maria do Nascimento; 8) Ana Creusa; 9) Ana Cléres; 10) José Maria e 11) Carlos Magno (in memoriam).

José era um exímio educador, pois educava com amor, carinho e, principalmente pelo exemplo, pois era líder comunitário em Peri-Mirim, juntamente com Pedro Martins. José Santos era um homem de Fé.

Antes de falecer, José ainda queria realizar um sonho: construir uma casinha no exato lugar onde fora criado (na Jurema), para que fosse celebrado o seu aniversário, com uma missa em homenagem à sua mãe Ricardina. Ele realizou esse sonho como idealizou, aos seus 94 (noventa e quatro) anos.

Também idealizou que uma vez por ano fosse feita uma reunião na Comunidade de Cametá, na casa que construiu para homenagear a sua mãe, para que todos se reunissem para celebrar a união e gratidão pelas pessoas do lugar.

José faleceu antes que fosse realizada a 1.ª Ação de Graças que idealizou para que fosse realizado todo ano no último sábado do mês de julho. No dia 29 de julho de 2017 foi realizada a 1.ª Ação de Graças na Jurema; a 2.ª em 28 de julho de 2018; a 3.ª em 27 de julho de 2019 e 4.ª em 20 de novembro de 2021; a 5.ª em 19 de novembro de 2022; 6.ª em 14 de outubro de 2023; 7.ª 16 de novembro de 2024; 8ª em 20 de setembro de 2025 e a 9.ª está marcada para 19 de setembro de 2026.

José dos Santos era um líder, um educador nato, possuidor de uma inteligência ímpar, um homem digno, que mereceu entrar para a imortalidade ao ser escolhido para ser um dos patronos da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), para que sua história seja contada às futuras gerações – foi um homem exemplar, motivo de orgulho para toda a sua descendência.

José dos Santos sempre pregou a União, vivia na graça, era um Homem Feliz, faleceu no dia 25 de fevereiro de 2017, aos 95 (noventa e cinco) anos, em São Luís, onde está sepultado juntamente com seu filho mais novo, Carlos Magno.

[1] Refere-se à cor branca.


SANTOS, Ana Creusa Martins dos. Cem Anos de Gratidão. São Luís. Fort Gráfica, 2022, 19.

Meu pai, meu herói e protetor!

Por Ana Creusa

Era noite de quinta-feira, 9 de agosto de 1959. A lua despontou no horizonte indicando que a lua nova se despedira, com a chegada do quarto crescente. O satélite brilhava sobre a noite escura, colocando à mostra a paisagem do campo fatigado pelo sol escaldante do dia anterior, típico do verão da Baixada Maranhense.

Usando sua canoa como transporte, levava próximo a si uma criança recém-nascida, envolta em cueiros macios, dentro de um cofo, que a protegia do sereno, permitindo que aquele corpinho quase sem vida conseguisse sorver o ar puro.

Procurou não pensar em nada. Mas a imagem da mãe daquela infante, que ficara aos prantos, ainda na convalescência de um parto complicado, não lhe saía da mente.

A criança estava sem forças para sorver as gotículas do leite materno, decerto, não resistiria àquela noite fria sem se alimentar.

O pai lembrava do seu primeiro filho[1], o qual viu andar e falar, mas com relação àquela filha, não teria esse direito, vez que, contava com apenas treze dias de nascida e já estava doente de morte.

As palavras da esposa, antes de ele sair de casa, martelava em sua cabeça:

– Você me prometeu que minha filha me daria muitas alegrias[2], veja como ela está, não passa desta noite!

– Acalme-se, minha velha, dizia o pai.

Em um ímpeto, preparou tudo e seguiu viagem. Iria à casa do tenente Floriano Mendes[3], na fazenda Boa Vista, do outro lado do campo. Na saída disse à sua esposa:

– Reza para que ela chegue viva na casa de Floriano. Aquele homem é um gênio e há de salvar nossa filha.

Depois de meia hora, forquilhando a canoa com todo vigor dos seus braços fortes, apenas tomando cuidado para que o banzeiro não molhasse a pequena. Falou algumas vezes:

– Aguente firme, minha filha. Vou procurar remédio para você.

Chegou ao pequeno porto de canoas. A curiosidade sobre a vida ou morte da menina era tanta que mal atracou e foi ver se ela ainda respirava. Percebeu que sim.

Pegou aquela “coisinha” nas mãos e caminhou até a casa do tenente – já deveria passar das vinte horas; tudo apagado. Nenhum petromax aceso. Concluiu que já dormiam.

Aproximou-se da casa e falou:

– Floriano, sou eu, José Santos. Vim com uma filha doente.

Logo uma luz se acendeu e aquele homem alto e magro, apareceu com um ar de surpresa. Olhou ao lado e perguntou:

– Por que você não trouxe sua filha?

José estendeu o braço direito e mostrou a criança que cabia em sua mão. Com a luz da lanterna, percebeu que a criança estava de coloração roxa.

Floriano olhou. Pegou a criança. Disse que o caso era difícil. Exibiu um vidrinho com um líquido e colocou na boca da criança. Logo depois ela chorou, parecia um gemido de dor.

Ele pegou um óleo e passou no peito da criança, que depois se pôde ver a fraca respiração.

Aviou uma receita e despachou o pai.

– Vá, quando você chegar, ela vai estar ainda melhor. Ela está em crise de asma.

Continue ministrando o remédio que ela vai melhorar. Mas, saiba que asma não tem cura e que ela vai ainda dar muito trabalho.

A mãe que já havia chorado muito. Quebrou o resguardo de vez, pois já estava no sereno aguardando a chegada do marido que disse:

– Ela está viva! O tenente salvou nossa filha. Ele disse que ela teve uma crise asmática, já está bem melhor. Está aqui sua filha Ana Creusa, ela ainda vai comer muito pirão.

E assim cresci ouvindo essa história de Amor que me ligaria para sempre ao meu pai – meu herói e protetor.


[1] Ademir de Jesus, o primeiro filho do casal, faleceu com 1 ano e 7 meses de doença desconhecida que, mais tarde, soube-se que se tratava de Difteria (crupe).  A partir desse evento traumatizante, a família ficava aflita quando algum filho adoecia (CVA, 2006).

[2] Contava papai que quando mamãe estava no início da gravidez ficou muito triste “como iria criar mais um filho com toda dificuldade que viviam; em consolo papai dizia: – te conforma, minha velha, essa criança vai te dar muitas alegrias.

[3] “Floriano Mendes era enfermeiro e, na ausência de médicos, exercia os seus préstimos para curar quem o procurava”. (Francisco Viegas. Curiosidades Históricas de Peri-Mirim, 2020, p. 166).

Leia mais sobre José dos Santos

OBS: Esse relato está no Prólogo do livro: Cem Anos de Gratidão, de Ana Creusa.

Foto de destaque: José dos Santos e seu filho Carlos Magno, ambos in memoriam.

Homenagem da Mãe de Sarah

Suzane Karine Pinto Moura homenageou a sua filha com um lindo discurso durante a Festa de Debutante de Sarah Emanuelly Moura Martins. O evento foi organizado  pela tia da debutante, Alana Martins Lima Mota, no espaço Rei de França Buffet. A solenidade foi divida em três momentos principais: 1) Recepção: A debutante, ladeada por seus pais, recebeu os convidados com um look cor de rosa, que é sua cor de preferência, ou clássico; 2) Cerimonial: incluiu a entrada triunfal, a valsa (com pai, seu irmão Paulo e seu tio Santos Neto), homenagens e ritos e entrega do bufê e finalmente a 3) Balada: momento especial de descontração com abertura de pista, coreografias ensaiadas por professoras de ballet da debutante, que utilizou uma roupa adequada para esse momento.

Durante a fase do Cerimonial, a mãe da aniversariante, Suzane Karine Pinto Moura prestou a seguinte homenagem à sua filha que estava linda e radiante de alegria:

Minha querida filha,
Hoje, ao olhar para você, meu coração se enche de uma gratidão que as palavras mal conseguem expressar. Ver você completar 15 anos não é apenas celebrar o tempo que passou, mas celebrar a fidelidade de Deus em nossas vidas.
A Bíblia diz em Salmos 139 que Ele te teceu no ventre materno e que todos os teus dias foram escritos antes mesmo de existirem. Hoje, vejo o rascunho de Deus se tornando uma obra de arte linda e cheia de luz.
Fazer 15 anos, para nós, vai muito além de uma festa ou de um vestido bonito. É o momento em que você começa a caminhar com seus próprios pés na direção dos propósitos que o Senhor tem para você. Meu maior pedido a Deus hoje não é que o seu caminho seja livre de desafios, mas que em cada passo, você sinta a presença d’Ele guiando suas decisões.
Que você seja como a árvore plantada junto às águas: que dá fruto no tempo certo e cujas folhas não murcham. Que sua beleza exterior, que é tanta, seja sempre o reflexo da beleza do Espírito Santo que habita em você — uma beleza feita de bondade, integridade e fé.
Nunca se esqueça: o mundo tentará te dizer quem você deve ser, mas a sua verdadeira identidade está Naquele que te criou e te chamou de ‘filha amada’.
Sarah Emanuelly, continue sendo essa menina que nos orgulha, que traz alegria à nossa casa e que busca o caminho do bem. Nós estaremos sempre aqui, na primeira fila da sua vida, aplaudindo cada vitória sua e sendo o seu porto seguro sempre que precisar.
Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que Ele faça resplandecer o rosto d’Ele sobre ti hoje e em todos os dias da sua vida.
Feliz 15 anos, meu amor. Nós te amamos muito!

As palavras da amorosa mãe emocionaram os presente, pois a idade de quinze anos marca a transição da infância para a juventude. A emoção também tomou conta da debutante, especialmente porque sua mãe lhe fez uma mensagem personalizada, lembrando os momentos vividos.

… DO FUNDO DO BAÚ!

Por Zé Carlos

“Um dia dêssi”, eu, desligado, “meio aluado”, ruminando umas ideias um tanto esquisitas, ia andando distraído, por uma ruazinha, e fui despertado por um conversote, alegre e camarada. Presenciei uma senhorinha a se desculpar, com a sua comadre, por ter “perdido a hora”. Bendito atraso, a me levar ao reino das boas e eficientes expressões, que nos afirma(ra)m como baixadeiros, da gema. E não foi difícil. Bastou que ela tivesse dito que o atraso foi por causa de “um trespasso!”

E, de verdade, se houve “um trespasso”, só o baixadeiro para saber “dibulhá sua semânquica”. E não é “nenhum’ palavrão cabeludo”. Ou algo que abale a moral e os bons costumes. “Nadica de nada disso, ora sô!”

E, nessa digressão, “proveitei i tive meo trespasso”. E com muitos sonhares. Estive no baú das boas lembranças. Até vi, quando “nãu vevíamo aduecido neim abarrotávo us consultóro i us pôsto de saúde”. Ali, era “saúde pra mais de metro! Saúde de ferro!” À base de muito “bulão di terra”, leite, manga, banana, carambola, bacurizinho, goiaba, jenipapo, ingá, araticum, tucum, juçara, pandu de café, pirão … E, com toda certeza, éramos imunes a maioria “dais duença” (….)

Relembrei, também, que no máximo podíamos ficar “necessitado de um AS”, por estarmos um “pôquinho isbandalhado ou iscangalhado, cum dô nais cadêra”. E, se fosse “AS infantil”, ia até com farinha! E, só se forçássemos muito, na bruta e árdua labuta, podíamos ficar “discaderado”. Aí, “o bicho pegava”. O problema se tornava mais sério. E só restava apelar à jalapa ou ao azeite de carrapato ou a “uma piula” Paulo Famoso ou a uma garrafada. “Era batata!”

E, “quano eo já ia dispertano”, ainda pude vislumbrar uma zelosa e brava “mãizinha”, com “o infaro” de toda mãe, “a berrá” com o filho para “pará di sê isgulepe, pra nãu ficá privado i intalado, já qui vêvi maquinano, só u qui nãu prestha”.
“Eita”, que Deus “nusacuda!”

“I u incapetado du muleque si fingio di surdo, si impanturrô inté nãu pudê mais i iscapô di uma sinhora pisa”. Valei-me, Santo Inácio de Loiola!

E, para não faltar nada, “cum um ôio abêrto i ôto fêchado, eo inda ouvi ortas coisinha”. Nem vou falar. É melhor. E, como “nãu quero incumpridá cunversa, s’inda tivê arguéim, aí , qui fala fundilho, intertela ou ri ri” … saiba “qui sêmo du mermo tempo!”

BENDITA SUPERSTIÇÃO

Por Zé Carlos

Há muito tempo, e muitas vezes, venho narrando sobre os costumes da Baixada. E, como é assunto “pra mais de metro”, sigo em minha deliciosa lida.

E, dessa forma, me embrenho em lembranças, que resgatam, mesmo que um pouquinho, as superstições, que embala(ra)m as crendices, de quem quer(ia) acreditar.

Além da “chinela imborcada”, a que já me referi várias vezes, presenciei a gana de adivinhar o futuro, associada a um misto de curiosidade e temor, que as mãos suadas e trêmulas bem atestavam. E, aí, se “punha a mesa”, para se jogar o jogo com uma tesoura ou com um copo. E, na ineficiência deste, se corria às cartas, que, sisudas, iam revelando o que se queria ouvir.

E, “nessa toada”, para não se perder de vista o período junino, hoje, “duplo”, quem mais sofre é Santo Antônio. Afogado no desespero da solterice ou dependurado de cabeça para baixo, vai tecendo casamentos, que, geralmente, se enredam em meras promessas.

E, para não ficar só em meras promessas, o perigo, palpável e temido, rondava “o sucesso alheio” e, principalmente, as plantas. Afinal, quem já não tremeu ante um “ôio di secá pimentêra?!” E esse temor podia ir além. Conheci uma senhorinha, simpática e afável, mas que “mi mitia muitho mêdo”. O pessoal “diziam” que ela deixava uma cobra hirta, “durinha da silva”, só pelo olhar. Misericórdia! Até esconjuro, com o poder de meu santinho Santo Inácio de Loiola!

E, para fechar, com o maior respeito, eu respeitava muito um velho e sábio amigo, que, a partir das 6 horas da tarde, não deixava que se pegassem frutas em seu quintal. Curioso, “qui só”, e, até certo ponto, ingênuo, fui inquiri-lo. A resposta veio certeira, e certa. “Ais pranta tãu durmino!!!” Que fantástico!
Bendita superstição!