Peri-Mirim: Um Dia de Aventura e Valorização das Belezas Naturais Promovido pelo Campestre Turismo e ALCAP Itinerante

Por Diêgo Nunes Boaes

A Campestre Turismo, em parceria com o Projeto ALCAP Itinerante, promoveu, no dia 21 de junho de 2026, um passeio que ficará marcado em nossa memória como um dia de aventura, descobertas e encantamento. Enquanto a agência organizou a expedição, o Projeto ALCAP Itinerante mobilizou membros da Academia e integrantes da comunidade para participarem da experiência, que teve como propósito incentivar o conhecimento e a valorização das riquezas naturais de Peri-Mirim. Foram quase três horas de percurso, entre ida e volta, em uma jornada que nos permitiu contemplar as belezas ambientais e culturais de nossa terra.

Nossa jornada começou no Sítio Campestre, propriedade do confrade Mundinho Campelo, um lugar admirável, repleto de belezas naturais e muito bem conservado. Com entusiasmo, o confrade fez questão de nos apresentar cada detalhe de seu sítio, mostrando seus investimentos em plantações, sistemas de irrigação e iniciativas que demonstram amor e dedicação ao campo.

Em seguida, partimos até o Sítio Boa Vista para buscar nossa companheira de aventura, Ana Cléres, cuja presença era indispensável. Aproveitamos a breve parada para degustar uma saborosa piaba, enquanto os apreciadores de um bom licor de jenipapo, não perderam a oportunidade de saborear a tradicional bebida feita pela amiga Nita.

De lá, partimos rumo ao porto do Aperital. Em três canoas, acomodando quatro pessoas em cada uma, incluindo os canoeiros, iniciamos nossa travessia. O percurso foi um verdadeiro espetáculo da natureza. Navegamos com as águas tranquilas refletindo a beleza do ambiente ao redor. Durante horas, registramos cada detalhe dessa paisagem encantadora.

Ao longo do caminho, observamos diversas espécies de aves, enriquecendo ainda mais a experiência. Nosso destino era a Barragem Maria Rita, local que nos surpreendeu pela sua preservação. O que mais chamou nossa atenção foi a ausência de lixo sobre o campo e a impressionante limpeza das águas, cristalinas e transparentes, que escorriam pelo local.

O retorno, ao entardecer, fomos presenteados por um magnífico pôr do sol. Ainda durante a viagem de volta, já começávamos a planejar a próxima aventura: uma expedição até a Salina, com saída prevista para a madrugada.

De volta ao Sítio Campestre, encerramos o dia com uma deliciosa piaba frita com farinha de Santana e aproveitamos para adquirir alguns dos produtos oferecidos no local, como pimentas, quiabos e doces artesanais.

Mais do que um simples passeio, esta experiência nos trouxe uma importante reflexão. Precisamos despertar em nossa comunidade perimiriense o sentimento de pertencimento e valorização de nosso território. Vivemos em uma terra rica em história, cultura e meio ambiente, tesouros que muitas vezes passam despercebidos aos nossos próprios olhos.

Que possamos conhecer mais, preservar mais e amar ainda mais o lugar que chamamos de lar. Afinal, valorizar nossas riquezas é também fortalecer nossa identidade e garantir que as futuras gerações possam desfrutar de tudo aquilo que hoje nos encanta.

A experiência também evidenciou a importância de iniciativas voltadas à valorização do turismo local. O trabalho desenvolvido por Cidecley, à frente da Campestre Turismo, demonstra que conhecer o próprio território é um passo fundamental para preservá-lo. Ao promover vivências em espaços de grande beleza natural, contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar o olhar dos perimirienses sobre as riquezas de seu município.

 

PERI-MIRIM: Seminário Regional sobre Democracia e Gestão Territorial

Organizado pelo Instituto Quilombola do Maranhão, a ser realizado no Território Quilombola Pericumã, em Peri-Mirim.

Data: 13 de junho de 2026
Horário: 9h da manhã
Local: Sede da Juventude Júnior
Pauta: Organização do Seminário Regional no Território Pericumã

Objetivo

Alinhar as ações para a realização do Seminário Regional no Território Pericumã, que será realizado em 04 de julho de 2026.

1. Participantes

1. Diretoria da AMQUIPÉ
2. Sr. Lelico — Presidente da Comunidade Rio da Prata
3. Fabrícia — Presidente da Associação da Comunidade de Pedrinhas
4. Sr. João Batista — Presidente da Associação Quilombola de Santa Cruz
5. Fábio Silva — MOQBEB (Movimento Quilombola de Bequimão)

2. Deliberações e Encaminhamentos

2.1 Alimentação

– Discutiu-se a preparação dos alimentos para o dia do evento;
– Definiu-se a organização da logística de entrega da alimentação;
– Debateu-se o local onde será realizada a preparação dos alimentos.

Encaminhamento: A diretoria da AMQUIPÉ e Fábio Silva, representante do MOQBEB (Movimento Quilombola de Bequimão), ficaram responsáveis pelo acompanhamento dessa organização.

2.2 Transporte

– Foi abordada a necessidade da disponibilização de dois ônibus para o deslocamento dos participantes.

Encaminhamento: Maninho Braga e o Sr. João Batista, presidente da Associação Quilombola da Comunidade Santa Cruz, ficaram responsáveis pela articulação do transporte.

2.3 Limpeza e Ornamentação

– Abordou-se a questão da limpeza e da organização geral do espaço;
– Definiu-se a criação de uma equipe responsável pela limpeza antes, durante e após o evento.

Encaminhamento: A diretoria da AMQUIPÉ ficará responsável pela coordenação das atividades.

2.4 Tambor de Crioula

– Deliberou-se sobre a organização do Tambor de Crioula após o encerramento do evento.

3. Observações Gerais

Ressaltou-se a importância do comprometimento, da colaboração e do envolvimento de toda a comunidade, especialmente da diretoria, para que o evento seja realizado com êxito.

4. Encerramento

Nada mais havendo a tratar, a reunião foi encerrada. Esta ata foi lavrada por mim, Lidiana Almeida, e será assinada pelos presentes.

Pericumã, 13 de junho de 2026.

ALCAP Itinerante: Uma jornada de conexão e aventura pela Rota do Rio Itapetininga em Bequimão

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) se prepara para colocar o pé na estrada – e na água – em mais uma edição do projeto ALCAP Itinerante. No próximo dia 23 de maio, acadêmicos, parceiros e a comunidade se reunirão para vivenciar uma experiência inesquecível de valorização histórica, cultural e ambiental da nossa região.

Desta vez, o cenário escolhido para essa imersão é a encantadora Rota do Rio Itapetininga, um percurso que promete revelar paisagens deslumbrantes e fortalecer os laços entre o homem e a natureza.

O Roteiro da Aventura: ALCAP Itinerante – Rota do Rio Itapetininga

A programação foi cuidadosamente planejada para integrar os municípios de Peri-Mirim e Bequimão e destacar as potencialidades locais. Confira o cronograma do dia:

  • 07h00 – Largada em Peri-Mirim: O ponto de partida oficial da comitiva perimiriense.
  • Embarque no Cais de Bequimão: Onde os participantes sobem a bordo para dar início à aventura sobre as águas.
  • Parada na Ilha de Imbotiua: Visita a este verdadeiro paraíso natural, um lugar intocado, cheio de histórias e belezas únicas.
  • Almoço em Paricatiua: Uma pausa para desfrutar da culinária local, temperada com o sabor e a hospitalidade que são marcas registradas da nossa gente.

Mais que um passeio: Um resgate cultural

Muito além de um momento de lazer, o ALCAP Itinerante se consolida como um importante instrumento de conexão regional. O projeto busca estreitar os laços entre as comunidades, promovendo a conscientização sobre a preservação dos nossos recursos naturais e celebrando a rica identidade cultural da Baixada Maranhense.

“Será um dia de encanto, aventura e convivência, onde a simplicidade das águas e a força das comunidades nos lembrarão que caminhar juntos é sempre mais significativo.”

A diretoria da ALCAP convida a todos para acompanhar de perto essa expedição, que reforça o lema da instituição para este projeto: “Conectando pessoas, natureza e comunidade.”

Fique ligado para conferir, em breve, as fotos, vídeos e os principais registros dessa grande jornada!

PERI-MIRIM: ALCAP divulga eleitos para a Comenda Padre Gerard e novos Membros Honorários

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) torna público o resultado da escolha dos agraciados com a Comenda Pe Gérard Gagnon, bem como dos novos Membros Honorários da instituição. A Assembleia Geral Ordinária destinada à escolha dos candidatos às titulações ocorreu no dia 3 de maio de 2026, às 16 horas, na residência do confrade Carlos Pique.

A Comenda Padre Gérard constitui uma das mais relevantes distinções concedidas pela Academia, destinada a reconhecer personalidades que tenham prestado serviços de significativa relevância à cultura, à educação e ao desenvolvimento social de Peri-Mirim e região. A homenagem resgata e perpetua o legado de dedicação e compromisso com a comunidade que marcou a trajetória do Padre Gerard. Foram agraciados com a Comenda “Pe Gérard Gagnon”: João Batista Lima e Terezinha Nunes Pereira.

Na mesma ocasião, foram eleitos os novos Membros Honorários, uma distinção que possui natureza eminentimento honorífica, conferida como forma de valorizar trajetórias de mérito e aproximar a instituição de personalidades de reconhecida contribuição social, cultural ou científica. Foram eleitos como Membros Honorários da ALCAP:
Benedito de Jesus Costa Serrão
Laurijane Pereira Amorim
Lenir Costa
Maria de Lourdes Campos
Mirian Costa Pereira
Valdevino Jesus Barros
Walton França Martins
Willian Campos Rio Branco
Zaine Campos Ferreira

A ALCAP parabeniza os homenageados, reconhecendo em suas trajetórias relevantes contribuições à preservação da memória, à educação e ao fortalecimento da cultura.

A solenidade de outorga será realizada em data a ser oportunamente divulgada, ocasião em que os homenageados receberão oficialmente suas distinções.

PERI MIRIM: ALCAP lança projeto que une leitura, meio ambiente e cultura nas comunidades

A Academia de Letras, Ciências e Artes de Pinheiro (ALCAP) inicia, neste mês, o projeto “ALCAP em Movimento: Leitura e Meio Ambiente em Debate”, iniciativa que levará atividades culturais, educativas e ambientais para escolas e comunidades do município. O projeto foi idealizado pela acadêmica Ana Creusa Martins dos Santos, responsável pela Biblioteca ALCAP Professor Taninho.

Peri-Mirim está prestes a vivenciar um movimento que une o poder das palavras à força da natureza. A ALCAP lança o projeto “ALCAP em Movimento”, uma iniciativa que leva o brilho da nossa cultura e o cuidado com o meio ambiente diretamente para o coração das nossas comunidades, que é o Sopro da Leitura e o Verde da Vida, escrevendo uma nova história nas comunidades de Peri-Mirim.

A proposta integra diferentes ações da Academia, reunindo os projetos ativos da instituição, entre eles o Clube de Leitura Prof. João Garcia Furtado, Plantio Solidário João de Deus Martins, ALCAP Itinerante, Biblioteca ALCAP Prof. Taninho, Prêmio ALCAP Naisa Amorim e o Festival ALCAP de Cultura.

Entre as atividades previstas estão a Biblioteca Itinerante, com empréstimo de livros e incentivo à leitura, e o Plantio Solidário, com o plantio de mudas nativas e orientações sobre preservação ambiental. Também será realizado o plantio simbólico de uma árvore em homenagem a um patrono da ALCAP, acompanhado do Elogio ao Patrono.

O projeto ocorrerá em dois encontros na mesma comunidade ou escola. No primeiro, os participantes poderão escolher livros para leitura e participar do plantio das mudas. No segundo encontro, haverá partilha das experiências de leitura, acompanhamento das plantas e apresentações culturais com temática ambiental.

A iniciativa também prevê espaço para a economia criativa local, com participação de artesãos, escritores e artistas da comunidade.

Com o ALCAP em Movimento, a Academia busca incentivar o hábito da leitura, fortalecer a consciência ambiental e valorizar os talentos e saberes da comunidade, ampliando o diálogo entre cultura, educação e meio ambiente.

Leia o Projeto na Íntegra:

ALCAP_EM_MOVIMENTO_Leitura_Cultura_e_Meio_Ambiente_em_Debate_assinado

PERI-MIRIM: Academia divulga a lista completa dos novos membros eleitos

A recente eleição dos novos membros da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) reafirma o compromisso desta instituição com a valorização da cultura, da memória e do fortalecimento institucional.

Segue abaixo a relação nominal final dos eleitos para as vagas remanescentes. A eleição foi realizada nos termos do Edital e da divulgação pela Diretoria da Academia nos meios oficiais. Conheça os candidatos eleitos para integrar quadro de novos imortais da ALCAP:

Cadeira nº 01Lourivaldo Diniz Ribeiro
Patrona: Naisa Ferreira Amorim

Cadeira 04Maria do Carmo Pereira Pinheiro
Patrono: Manoel Sebastião Pinheiro

Cadeira nº 05Taliane de Jesus Corrêa Gonçalves
Patrono: Ignácio de Sá Mendes

Cadeira 29Eunice Diniz Pereira (Dona Nicinha)
Patrono: Raymond Roger Gérard Gagnon (Padre)

Cadeira 30Cíntia Cristina Martins Serrão
Patrona: Carmem Martins

Cadeira 31Luís Fábio Pereira Maia
Patrono: José de Jesus Pereira Campos (J. Campos)

Cadeira 32Ana Cléres Santos Ferreira
Patrono: Adelar José Álvares Mendes (Dedeco)

Cadeira 33Sidlayne dos Santos Martins Melo
Patrono: Raimundo Martins Nunes (Sipreto)

Cadeira 34Edielson Lima Almeida (Paim)
Patrona: Maria de Jesus Castro Martins (Dona Morena)

Cadeira 35Ana Maria Correa Barbosa
Patrona: Maria Madalena Nunes Corrêa

Cadeira 36Manoel de Jesus Campos (Santiago)
Patrono: Raul Pinheiro Mendes

Cadeira 37Laércio Lúcio de Oliveira
Patrono: João Batista Pinheiro Martins

Cadeira nº 38Márcio Mateus Câmara
Patrono: Fernando Ribamar Lobato Viana

Cadeira 39Luís de França Melo Nascimento (França)
Patrono: João Helder (Padre)

Cadeira 40José Gutemberg Mendes (Zé de Floriano)
Patrono: Floriano Pereira Mendes

A posse oficial acontecerá no dia 23 de maio de 2026, marcando o início de uma nova etapa de contribuições, diálogo e fortalecimento da nossa instituição. Desejamos sucesso aos(às) eleitos(as) e damos as boas-vindas a essa nova jornada!

 

Peri-Mirim: Sargento César, um vocacionado!

Augusto Cesar Ferreira Castro, Sargento César, como é conhecido, nasceu em 10 de fevereiro de 1968, no Povoado Patrocínio, no município de Peri-Mirim/MA, filho de Rosilda Ferreira de Castro e de Antônio Lopes Amorim, vulgo Totó Amorim.

Tem uma família numerosa, formada por 10 (dez) irmãos por parte de sua mãe Rosilda Castro. Ao todo são 24 (vinte e quatro) irmãos.

Tem quatro filhos: Augusto Cesar Ferreira Castro Filho, Carlos Augusto Leite Silva Castro, Emanuel Silva Castro e Maria Clara Leite Castro.

Desde a sua infância, trabalhou na roça, juntando coco babaçu, tirando leite de gado, fazendo queijo e vendendo leite. Morava no Povoado Patrocínio, frequentava a escola na sede do município, tinha como meio de transporte o cavalo, que no período do inverno era complicado trafegar em caminhos encharcados e escorregadios, além de ficar todo molhado. Os livros e cadernos iam enrolados em sacos plásticos.

Quando mudou para a sede com sua mãe, para ajudar na despesa da casa, trabalhava torcendo fio, para tecer rede. Nos finais de semana ia pescar, saía da sede até Ilha do Urubu, de onde vinha por volta das 13 horas com cofo de peixe para alimentar a família.

Dada a dificuldade de transporte, mais tarde, ele e seus irmãos foram morar na sede com a mãe, indo para o Patrocínio somente nos finais de semana, onde retomava as atividades rurais, juntamente com seus pais e irmãos.

Sua vida escolar foi marcada por dedicação e disciplina. Fez o antigo primário na Escola Municipal Carneiro de Freitas, cursou o Ginásio na Escola Cecília Botão e o Ensino Médio no Colégio Artur Teixeira de Carvalho (CEMA), todos em Peri- Mirim/MA.

Lembra com carinho de vários professores, como: Sandra Gorethi, Conceição, Ana Célia, Ildenira, Taninho, Batista e outros. Mas, a Dona Natividade que morava casa de Maria Oliveira, foi que a mais marcou sua vida escolar, ela ensinava no Colégio Carneiro de Freitas, seus familiares são do Povoado Conceição, por isso, ela precisava morar na sede, na casa de Maria Oliveira.

Em 1987 prestou concurso para Polícia Militar, formando-se em Pinheiro para servir a briosa Polícia Militar. Iniciou a carreira militar em Pinheiro/MA, posteriormente transferido para Perim Mirim, onde trabalhou por vários anos.

Em 1992 foi aprovado no curso de formação de Cabo em São Luís. Retornando a trabalhar em Peri Mirim. Passou vários anos como Cabo da Polícia, após ser promovido a Sargento. Ainda hoje, várias pessoas o chamam de Cabo César. Para ele não importa chamá-lo de Cabo, apesar de ser Sargento, sempre foi essa pessoa humilde.

Também trabalhou nos municípios de Bacurituba, São Bento, Cajapió, Matinha, São Vicente, dessa forma, trabalhou em muitas cidades da Baixada Maranhense. Participou de várias missões em todas as cidades do Maranhão em missões operacionais da Polícia Militar do Maranhão.

César lembra com saudades que conhece todas as cidades do Maranhão, trabalhando em missões especiais pela Polícia Militar do Maranhão, que se orgulha de ter servido.

Foi indicado para servir na Força Nacional onde trabalhou por vários meses em missões iniciando em Belém/Pará e em várias cidades do Pará. Participou de operações até em Maceió/AL, em missões da Força Nacional.

Além de ter servido a Força Nacional serviu no  Grupo de Operações Especiais (GOE)  de Pinheiro por vários anos, onde lá completou seu tempo de serviço, pedindo a Reforma, tomando essa decisão por já ter combatido o bom combate, encerrando a carreira e guardando a Fé em Deus e na Justiça.

Trabalhou por 30 (trinta) anos na Polícia Militar do Maranhão, completando tempo de serviço para pedir a reforma, começando outra missão no meio político e comunitário. Na esfera política, concorreu pela primeira vez a uma eleição para Vereador em 2024, em que foi muito bem votado, ficando como primeiro suplente.

Com tudo que passou, as dificuldades da vida só fizeram do Sargento César um pessoa mais forte, vencendo os obstáculos da vida. Afirma ele que: “Graças a Deus que venceu e hoje uso meu tempo ajudando as pessoas que às vezes estão em situações difíceis , por isso, me sinto bem em ajudar o próximo”.

Com sua vida dedicada aos estudos, ao trabalho e ao voluntariado, Sargento César, entra para a história de Peri-Mirim, como uma pessoa admirável, cuja trajetória merece ser contada e seguida pelas gerações futuras.

O Sargento César, chamado de Irmão César pela Família Santos, participou de todas as edições da Ação de Graças na Jurema, com destaque para os esportes e segurança pública.

 

… VIOLÊNCIA FANDANGA

Por José Carlos Gonçalves

CENAS DO COTIDIANO XLVII (… violência fandanga)

“O papo reto, das CENAS”, nestes últimos dias, é o deboche da Ilha, nesta greve de trabalhadores no transporte público. Com muito humor e ironia, descobri que “o transporte público” é, na verdade, “cativo de um empresariado” ávido por money. Descobri, também, que São Luís não necessita de vereadores. Ainda mais, dos surdos e dos mudos. Nem dos que não enxergam o povo nas paradas, mendigando uma carona ou um carrinho, com preço desleal, tão exorbitante

e, “numa ‘analisinha’ rasa”, descobri que a Ilha “não precisa de ‘ômbis’, pra viver o carná”. Prova incontestável. Os shows na Beira Mar e na Litorânea, nadando em “um marzão de gente”. Agora, outros quinhentos, é ir ao trabalho. Aí, é impossível chegar sem o tão sucateado, fumacento e odiado “bus”. Brincadeirinha …

e, por falar em busão, na matemática política manter “vouchers”, a que quase ninguém tem acesso, não pode ser mais barato que o subsídio ao choroso empresário

e, sem subsídio, infelizmente, a temática da violência se faz presente. E eu não queria, mas não dá para ignorá-la. E violência, mesmo, é a apelação que nos insulta em nossas casas. Um tal de BBB (Big Boba Bobagem), que já não tem razão de existir. E, muito menos, é recomendável às esfaceladas famílias, tão carentes de bons exemplos e boas práticas. Ainda mais, em horário nobre, que só mostra o que não se pode nem deve fazer. Mas, por pura ironia, é a aspiração de quem busca “fama” instantânea

e instantânea, também, pode ser a queda, no julgamento popular, de quem “escorrega na maionese e na falta de noção”, a viver no fio da fama ou do ostracismo ou do ridículo. Aí, se pode escolher qual o maior vexame. Caráter ambíguo, paradoxal, antitético. Ou, simples e sinceramente duvidoso, em busca do endeusamento ou da crucificação. Aí, vem a condenação, o massacre, a guilhotina, a decretar a vergonha nacional

e, sem vergonha, a violência é tanta que só se dá bem aquele que choca, negativamente, e que se deixa levar pelo ridículo. Aí, a quem está de fora, só resta confirmar que “o elemento anda perdido”. E, como bem diz o caboclo, “remediado, remediado tá”. E “não tem jeito, que dê jeito”. Nem “se vortá pra trás!”

e, “sem vorta”, os nossos jovens vão se embrenhando nesses labirintos “do quanto o menos vale mais” e do “quanto pior, melhor”. Ufa! Cansei …

e, como o caos se instalou, louvável só o comportamento do motorista de Guarulhos, a nos dar uma aula de equilíbrio, ante o desequilíbrio de uma desquilibrada, que achou que tudo podia. E, aí, arrisco a afirmar que é a certeza de que a Maria da Penha lhe dá salvo conduto. Eita, país de absurdos

e, absurdamente absurdo, foi o tenente, empurrando goela abaixo, como teacher, a ensinar os meninos como se grafa “descançar”. Foi, no mínimo, terrível! E, de verdade, necessário é tratar, com responsabilidade, a Educação. Vou empregar “caso contrário”, por não saber “se é senão ou se não”. Vamos lá! Caso contrário, ficaremos presos ao atraso, que já nos massacra no cenário mundial

E, como bobagem pouca é bobagem, não vou prestar “continêcia” a ninguém!

Inté maise!

… AH, BENDITA LINGUÁGI!

Por José Carlos Gonçalves

HISTORIETA DE MEU AGRADO XII (… ah, bendita linguági!)

Como trabalho com a linguagem, há muito tempo, “já diviria tá acustumado cum argumas situaçõis”, que tenho que enfrentar de vez em quando.

Há alguns dias, em uma conversa “com um velho cunhicido”, lhe disse que iria pra casa, porque “tava na hora de imitar morto. Pra quê?!” Fui veementemente repreendido. “Tu quê brincá cum a môrti?!”

A verve de meu interlocutor foi tamanha qui mi abalô. Fiquei sem jeito e demorei um bocado para me recuperar.

E, ainda ressabiado, “li disse qui, cum ‘lucrécia”, eu brinco sem medo. E, “pra quebrar o gelo, fui buscar um chasco”, que nos divertiu muito, em nossa ingenuidade, e lhe perguntei, “só de mal”, ao perceber que não sabia o que é “uma brincadeirinha”. E, sem rodeio, “mandei bala. Tu brinca cum’eo brinco?!”

E o cúmulo do cúmulo era achar, em nossa infância, que essa expressão era uma grande e absurda ofensa, quando, hoje, as TVs, os shows, os cinemas e a internet, descaradamente, sem pudor, nos incentivam “a não só brincar, mas dar brincos, anéis, pulseiras, colares” … e outras coisitas mais, tão escondidas e proibidas de se mencionar, que, até de se falar, causam arrepios.

Mas, voltemos. “Como um baxadêro da gema”, como eu, pode ter medo de algo, se “sempre foi um sujeito forte, casca dura, côro grosso, sem medida”.

Um sofrente com a água distante e salobra. “Com tosse braba, puxamento, papeira, sarampo, ispinhela caída, arca aberta, frieira, bicho no pé, barriga d’água”. E, se não tomasse cuidado, “corria o risco de acordá atarantado, pegá um vento, tê uma congestão, sofrê di andaço i di cobrêro … e mais uma centena e uma ziquiziras”.

Aí, nessa vibe, “querê imitá môrto” é até uma expressão de parcos centavos, “uma simples brincadeirinha, qui si num mata ingorda!

E a “lucrécia’, qui si imbrenhe pô ôtas vereda! Vá brincá cum a curacanga, lá, pras banda do Têso du Fôgo! Cruzincrêdo! Tá ripriindido!”

E, meu santinho Santo Inácio de Loiola, “mi livrai di todo malaméim!”

José dos Santos, Amor § Gratidão

Por Ana Creusa

Quem conheceu José dos Santos sabe que ele não era um ser humano comum. Alguns dizem que, pessoas como ele, nascem de cem em cem anos. Eu, porém, os afirmo: ele foi e será único. Não como todos nós somos, mas pela sua história e trajetória de vida. Tudo parece ter sido meticulosamente planejado, cada evento, cada experiência que ele viveu.

Ciente da singularidade desse ser humano, não podemos deixar morrer a sua história e não basta a passagem verbal de pais para filhos e netos. É necessário que se deixe registros definitivos de sua passagem entre nós.

Foi com esse espírito de missão que me aventurei em registrar parte da experiência marcante que tive com meu pai, desde a minha infância, até sua morte aos 95 anos.

Lembrando da história do meu pai, comparo-a aos pais de figuras famosos da literatura como a que relata Frank Kafka, em sua memorável Carta ao Pai, a qual retrata o devastador acerto de contas com a figura tirânica de seu pai. Também, na obra Ribamar de José Castello que relembra os momentos terminais de seu pai, e declara: “Não vou adoçar nada: seu corpo, murcho e disforme, me enoja”. Também ouvi relatos de amigos que relembram seus pais pela dureza, com surras cruéis e totalmente injustas.

Papai era o oposto disso, como relatado no prefácio por seu neto José Sodré Ferreira Neto, ele educava pelo exemplo com mansidão e amor. Ele sempre fora assim, não apenas quando ganhou experiência pela idade, como era de se supor. Suas atitudes, gestos e palavras pareciam ser sempre meticulosamente planejadas. Era possuidor de uma inteligência rara, que lhe permitia um humor respeitoso e extremamente engaçado.

Possuía sorriso fácil, era extremante dócil. Porém, todos lhe dispensavam um respeito comovente. Todos pareciam querer agradá-lo em suas preferências. Era sempre muito gratificante servi-lo. Atender às suas vontades. Ele possuía uma aura de luz que irradiava naqueles que dele se aproximavam.

Meu pai era um ser humano perfeito. Até aquilo que poderia ser considerado defeito para alguns, para nós era um charme, um elemento diferenciador de sua personalidade marcada pela ternura, sabedoria e sensibilidade.

José dos Santos é natural de Palmeirândia, terra de seus pais. Foi criado no Povoado Cametá, no Sítio Jurema – Peri-Mirim/MA, nasceu eu 02/02/1922, filho de Ricardina Santos e Máximo Almeida, o nome do seu pai não consta no seu registro de nascimento, pois seus pais não eram casados. Sua mãe era negra e seu pai, louro de olhos azuis. Pelos padrões da época, não havia casamento entre essas raças.

Na época predominava os bailes separados pela cor da pele. José na adolescência, apesar de não ser negro, geralmente, sofria resistência para entrar nos “bailes dos brancos”, por ser filho de Ricardina.

Sua mãe teve oito filhos, mas faleceu muito jovem, quando José tinha apenas 18 anos. Na época, sua mãe não tinha nenhum companheiro – criava os filhos sozinha.

Homem de poucas letras, estudou apenas três meses. Naquela época não tinha escolas, os professores eram contratados pelos fazendeiros para educar apenas os seus filhos. João Guilherme e Mariana Martins contrataram uma professora para ensinar seus filhos e Ricardina pediu para que os amigos deixassem seus filhos maiorzinhos estudarem na casa deles.

Após três meses José já sabia ler e rabiscar algumas letras. A professora mandou comprar-lhe livro de 2.º Ano, porém, a professora teve que ir embora, por se envolver em um triângulo amoroso que contrariava a vontade dos patrões.

A professora pediu a Santoca (alcunha da mãe de José), para que levasse José consigo, para que ele pudesse aprender mais. Mas a mãe não podia deixar: José era seu filho mais velho e já lhe ajudava nas tarefas da vida.

Sem a professora, mas com o Livro de 2.º Ano nas mãos, José leu e releu o livro. Memorizou todas as lições, que mais tarde viria a contar para seus filhos e netos: ele sabia os afluentes da margem direita e esquerda do Rio Amazonas e várias lições como: “Vá e entrega-se ao vício da embriaguez” e tantas outras que contaremos neste livro.

Antes de falecer, Ricardina pediu a José e Maria Santos que cuidassem dos seus irmãos. O irmão mais novo, Manoel Santos, tinha apenas 2 (dois) anos de idade.

Os filhos de Ricardina são: 1) Joelzila; 2) Maria Santos; 3) José dos Santos; 4) João Pedro; 5) Alípio; 6) Antônio; 7) Izidorio e 8) Manoel. Destes, apenas João Pedro ainda está vivo.

José tinha muitos sonhos, o mais forte deles era servir a Pátria Amada. Ele gostaria de seguir a carreira militar no Exército Brasileiro e tocar clarinete na Orquestra do Exército, mas com a missão de continuar a criação dos seus irmãos, não pôde realizar esse sonho.

Com esse sonho ainda vivo, José estimulou os seus irmãos a servir o Exército, Alípio e Antônio engajaram na Polícia Militar (PM) do Maranhão. Antônio foi destacado para o município de Coelho Neto, para dar segurança à família Duque Bacelar e depois deixou a PM e por lá casou-se e tive seus filhos.

Alípio permaneceu na PM, galgando a maior posição que um Praça pode alcançar, cargo em que se reformou.

José e Maria Santos criaram seus irmãos com princípios e valores sólidos: todos lhe tomavam a bênção e lhes deviam respeito. Os irmãos homens tinham o hábito de somente sentar-se à mesa na cabeceira, mas quando Zé Santos os visitava, na hora das refeições, todos eles cediam o lugar da cabeceira da mesa para José, que comandava a Família do irmão naquele momento solene, sempre antecedido de orações. Pode-se ver que José cumpriu muito bem a missão que a sua mãe lhe confiou.

José na mocidade, cumpre registrar, era um jovem simpático, forte e musculoso, campeão de cana-de-braço, amansador de burro bravo, pé de valsa, brincante de bumba-meu-boi, comparecia às festas com terno de linho belga “arvo”[1], sapatos de couro, sorriso fácil, era muito cobiçado pelas moças do lugar.

José começou a namorar uma moça, filha do fazendeiro Benvindo Mariano Martins. Ela é Maria Amélia, sabia ler, escrever, fazer belas costuras e bordados e tinha um belo jardim, que costumava cuidar no final da tarde, quando Zé Santos já saía do trabalho e por ali conversavam.

Casaram-se e tiveram muitos filhos: 1) Francisco Xavier; 2) Ademir de Jesus (in memoriam); 3) Cleonice; 4) Edmílson José; 5) Ricardina; 6) Ademir; 7) Maria do Nascimento; 8) Ana Creusa; 9) Ana Cléres; 10) José Maria e 11) Carlos Magno (in memoriam).

José era um exímio educador, pois educava com amor, carinho e, principalmente pelo exemplo, pois era líder comunitário em Peri-Mirim, juntamente com Pedro Martins. José Santos era um homem de Fé.

Antes de falecer, José ainda queria realizar um sonho: construir uma casinha no exato lugar onde fora criado (na Jurema), para que fosse celebrado o seu aniversário, com uma missa em homenagem à sua mãe Ricardina. Ele realizou esse sonho como idealizou, aos seus 94 (noventa e quatro) anos.

Também idealizou que uma vez por ano fosse feita uma reunião na Comunidade de Cametá, na casa que construiu para homenagear a sua mãe, para que todos se reunissem para celebrar a união e gratidão pelas pessoas do lugar.

José faleceu antes que fosse realizada a 1.ª Ação de Graças que idealizou para que fosse realizado todo ano no último sábado do mês de julho. No dia 29 de julho de 2017 foi realizada a 1.ª Ação de Graças na Jurema; a 2.ª em 28 de julho de 2018; a 3.ª em 27 de julho de 2019 e 4.ª em 20 de novembro de 2021; a 5.ª em 19 de novembro de 2022; 6.ª em 14 de outubro de 2023; 7.ª 16 de novembro de 2024; 8ª em 20 de setembro de 2025 e a 9.ª está marcada para 19 de setembro de 2026.

José dos Santos era um líder, um educador nato, possuidor de uma inteligência ímpar, um homem digno, que mereceu entrar para a imortalidade ao ser escolhido para ser um dos patronos da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), para que sua história seja contada às futuras gerações – foi um homem exemplar, motivo de orgulho para toda a sua descendência.

José dos Santos sempre pregou a União, vivia na graça, era um Homem Feliz, faleceu no dia 25 de fevereiro de 2017, aos 95 (noventa e cinco) anos, em São Luís, onde está sepultado juntamente com seu filho mais novo, Carlos Magno.

[1] Refere-se à cor branca.


SANTOS, Ana Creusa Martins dos. Cem Anos de Gratidão. São Luís. Fort Gráfica, 2022, 19.