A ABÓBORA GIGANTE

Por Gracilene Pinto

Cofinho amarrado no quadril, facão corta-mato na mão, Velho Joca se dirigiu para a roça a ver como andava a sua plantaçãozinha de mandioca, milho, feijão, melancia e abóbora. Desde a última capina, que não mais voltara por lá.
Para sua surpresa, logo ao chegar viu algo grande e pardo como um boi do outro lado da rocinha.
Entrou apressado, disposto a enxotar o animal antes que causasse estragos na plantação. Mas, a surpresa o deixou pregado no chão. O boi não era boi. Era uma abóbora gigante!
Entre admirado e contente, o Velho Joca se viu, então, ante um grande dilema:

– E agora, como hei de levar para casa uma abóbora tão grande?

Pensou, pensou, e decidiu: voltaria em casa para buscar a burra. Partiria a abóbora em bandas e amarraria no lombo do animal para facilitar o transporte.
Se bem pensou, melhor o fez.
Voltou em casa quase correndo, botou a cangalha na burra e retornou para a roça. O caminho todo só ficava imaginando a surpresa de todo mundo quando visse a abóbora gigante. Mas, que decepção! Quando meteu o facão cortando a abóbora, viu que a mesma estava toda estragada. A porquinha prenha que lhe sumira muitos dias, já havia parido e estava com a ninhada de seis leitõezinhos morando dentro da abóbora e alimentando-se de sua polpa.
(Texto de Gracilene Pinto in ESTÓRIAS DO VELHO JOCA)

ANA DOS PARICÁS

Por Expedito Moraes

Ontem, foi postado por aqui, fotos dos paricás de um bosque que foi idealizado por Ana Creusa. Não sei se Creusa é derivado de crer, se não é deveria ser. Essa Creusa que conhecemos crê, acredita e faz. O paricá é uma árvore altaneira, frondosa, elegante, com bela folhagem verde, sempre de bem com a natureza. E mesmo durante as tormentas e do sol escaldante mantém-se balançando suavemente ao sabor do vento. Debaixo de sua copa abriga a quem precisa de sombra, de descanso e revigor. Tem gente que é assim como um paricá.
Ana tentei falar com você várias vezes, não consegui.
Queria te dizer isto. Você não parece um paricá. O paricá é que parece com você. Parece, não é igual, porque você é 10.
PARABÉNS.

ESCONDERAM OS PAIS DE RAYSSA?

Por Will R. Filho

Curioso sobre os pais de Rayssa, praticamente não encontrei informações na imprensa sobre eles. POR QUE SERÁ?

Não seria esperado os pais de uma criança de 13 anos, MEDALHISTA OLÍMPICA, a terceira mais jovem vencedora de todos os tempos dos jogos, receberem destaque, juntamente com toda a sua família?

Tive que esmiuçar para encontrar informações e conseguir achar algumas. Nas redes sociais da mãe, do pai e da filha, vi essas declarações:

Mãe: “Gratidão a Deus pq até aqui Ele me ajudou e sei que vai continuar.. Pela saúde, família, amigos e por me dar forças nas batalhas mais difíceis.”

Pai: “Filha eu estou muito orgulhoso em ver vc realizando o seu sonho, estamos muito feliz por vc, Deus tá no controle de tudo, entra na pista e se divirta”;

Rayssa ao comentar a vitória em um campeonato no Brasil: “Jesus, obrigada por me proporcionar mais esse momento, Toda honra e glória a ti senhor”.

Rayssa nas classificatórias para a Olimpíada: “Quero antes de mais nada agradecer a Deus, minha família”.

Ou seja, aparentemente, se trata de uma família cristã. Como são do Maranhão, provavelmente são evangélicos. Acontece que esse perfil, para a imprensa, não cola com a imagem de uma menina skatista, entende?

Isso porque, para a imprensa progressista, o perfil ideal seria de uma menina também progressista, “rebelde”, sem referências familiares, que não pregasse nada sobre Deus, nem sobre pai, mãe e a importância da família em sua vida.

Como para Rayssa, os seus pais são as suas maiores referências, e sendo cristãos eles não tiveram qualquer preconceito para que ela, sendo menina, se tornasse skatista (obviamente), isso derruba por completo a imagem que a mídia gostaria de vender sobre ela.

Como se trata, aparentemente, de uma família tradicional e cristã, resta para a grande mídia progressista ESCONDER esse lado e tentar vender apenas outra imagem sobre a garota. Foto da família abaixo:

COISAS E LOAS IV

Por Zé Carlos

Há muitos fatos, que prendem a atenção de uma comunidade.
Agora, imagine o surgimento de uma “rádia”! Imagine a sensação de que as, digamos “conterrâneas”, notícias, “vivamente” adentrem-lhe a casa. As “vozes”, a brotarem de tão “mágica caixinha”, tornam-se por demais íntimas, quase um parente.

Nesse cenário, a nossa cidade viu-se presenteada com “a” Verdes Campos. Um burburinho a dominar “a praça”. Uma absurda revolução nos seus meios comunicativos tão minguados. Um acontecimento absurdo. Uma conquista das mais salutares e importantes. Quantas novidades! Quantas mudanças! O cotidiano ganha um suave e novo colorido. Encurtam-se as sofridas distâncias. Acentuam-se os gostos musicais. Multiplicam-se as curiosidades. “Minam os causos”.

Pode-se dizer que a cidade, de certo modo, passou a viver em torno de tão importante meio de comunicação. Algo, que lhe marcou definitivamente, desde sua implantação em 1980 até o início do século XXI; pois, mesmo que ainda resista, está, como se diz na Baixada, de “escanteio”, frente a outras mídias.

Nessa atmosfera, vieram-me à lembrança “acontecidos” fabulosos, que nos enriqueceram em nossa alegria e nos tornaram a vida mais leve.
Para minha estupefação, um dia, escutei uma conhecida, coloco assim para ninguém comprometer, dizer que só fazia o almoço após a divulgação dos signos. Os signos, curiosamente, só eram divulgados depois das onze, e ela tinha mais que onze filhos. Haja meninos a lhe puxarem a barra do vestido, num “berreiro danisco”. De outra feita, ouvi a locutora, em uma desmedida empolgação, propagandear, a pleno pulmões, as vantagens em comprar em duas casas comerciais, locais. Sem nome. Sem fuxico. Após os empolgados “merchans”, surgiu a identificação dos comércios. Fique atento! S I … e “cia” (leia-se “cia”). E, para em seguida fechar com chave de ouro, C E … “lítida”. O pior é que levei algum tempo para desvendar tão inovadora linguagem. Estava linguisticamente a ano-luz de tais pérolas ou desconhecia por completo tais empreendimentos novos. O que era praticamente impossível. Mas, finalmente, entendi: S I … & Cia (nada mais do que S I … & Companhia) e C E … Ltda (C E … Limitada). Que “louco, meu!” Que criatividade! Mas, verdadeiramente, o que interessa é que a mensagem fez-se entendida.

Já no campo esportivo a nossa rádio foi pródiga. Desde esdrúxulas declarações de jogadores a (…) no transcorrer de uma partida de futebol, o narrador “meio gago” não conseguia acompanhar o ritmo do jogo e a velocidade da bola. Quanta agonia! Do “nomear” os jogadores, passa apenas a “numerá-los”. Só já dizia “o 8 passou pro 7; o 7 passou pro 10”. No entanto, o ritmo intensificou-se ainda mais. Foi-lhe o limite. Só lhe restou uma saída. Gritar, no ápice de seu desespero. “Gente, deu um cu de boi na área”. Mais do que fantástico! Grande e grave problema resolvido!

Tal fato, entretanto, não foi o único e suficiente, a se eternizar nos anais da nossa tão “novel” história “esportivo-radiofônica”. Acredite que, ao ser chamado o “repórter de campo”, num momento de calmaria de uma partida e sem alteração alguma à vista, “saiu-se com esta”: “não tem nada para informar, informou Brahma Chopp”.
Perfeito!
Viva a “rádia”!

COISAS E LOAS III

O “mundo” das pescarias cerca-se de situações pitorescas. Algumas vezes, beirando o surreal. Ou indo além.

Nesse ambiente, um episódio impressionou-me, acompanha-me e me intriga para todo o sempre. A história, tantas vezes referida, da pecaminosa e “irrecomendável” captura de um filhote e do desespero da “mamãe boto”. Quanta angústia! Tanto choro. Choro gemido, doído, lancinante, “parecendo até gente”. O tempo, a ser juiz implacável, fez-se presente. Até hoje, ainda me dá arrepios.

Entretanto, em nossa cidade, não só pescarias trágicas. A nossa cidade é pródiga em “causos” hilários e “sabidos”.

Dizem as “boas” línguas, e eu não invento, que um exímio pescador tinha, como pontos sagrados de sua prática, as imediações da “barraca” de Fula. Constatando que já não conseguia “visgadas premiadas”, “estudou que estudou” um meio para acabar com o problema. E o resolveu. Uma extensíssima vara de bambu, que pudesse alcançar a outra “banda” do rio ou a “boca” da Juçareira. Uma verdadeira vara de pescador! Assim fez e fez-se. Preparou-se e partiu, decidido ao sucesso. Logo, na “primeira pescada”, veio-lhe uma traíra, uma “senhora” traíra, que só mesmo um pescador para mensurá-la. Forte e brigadeira. Terminantemente, valente. Com fome de linha, a “galopar”, senhora de si, em tão fecundo leito fluvial. E, finalmente, vencida.

A expectativa apresentou-se plena, em tão grave momento de glória. Restava-lhe saborear a vitória. Puxou-a, puxou-a, puxou-a. Puxou-a, com tanta força, que ela rompeu água e ar vorazmente. Alcançou uma considerável altura, testemunhada pelo calor abrasante do sol a pino. Esperou vê-la no capim de marreca macio, a “serelepiar”, ainda guerreira, como só uma traíra sabe ser. Demorou, demorou. Finalmente, escutou apenas “um baque” chocho, sem vida. Sem entender, correu a buscar seu troféu. Grande decepção! Só as espinhas. Não contou que uma vara, por demais comprida, oferecesse uma bela refeição, aérea, aos famintos e sabidos urubus. Total decepção!

Decepção tamanha, que o levou a abandonar o seu mais sagrado passatempo e recolher-se, para sempre, uma vez que a molecada não lhe dava trégua ao sair de casa.

O que me intriga, imensamente, é saber onde estava o “olheiro” que “matraqueou” tal proeza.
Na verdade, há “nada a se espantar”, uma vez que até uma traíra de óculos, “entrada em anos”, foi capturada nas misteriosas águas do piscoso Pericumã.

E resgatemos, também, a “esperteza” de um amigo. “O nome é que faz o fuxico”. “A língua está coçando pra contar”. Depois revelarei. Esperteza essa, de que eu fui testemunha.

Comprava os melhores peixes, para justificar as suas ausências, junto a sua companheira. Só acarás e cabeças gordas, “criadas”. Artimanha desfeita por meu pai, quando lhe descobriu a tarrafa que “nunca tinha visto água”, naquele dia. Assim, passou a “parar em casa”, dormir a “tarde inteirinha” e não mais deu suas “escapadas” nem “contou vantagens” em suas aventuras de “pescador”. “Besta!”

AS MINHAS ESCOLAS II

Por Zé Carlos

Ganhei mundo … e ganhei outras escolas …
As minhas primeiras escolas, “fora das minhas escolas”, passaram a ser os encantos da Ilha e o curso José Maria do Amaral, rumo à UFMA. O que embalou o “sonho” de muitos baixadeiros.
(…)
A minha primeira experiência, a reger uma sala de aula, deu-se no curso do professor Belforzinho, no Colégio Independência. Um curso preparatório à “Escola Técnica”. Haja sudorese! Experiência que me alavancou a novas e gratas experiências.

Daí, só cresci e “me entranhei” no ofício, de que não me dissociei mais. “Uma verdadeira doença!” “Doença” a me alimentar com os livros e os rabiscos do giz, a buscar sempre o muito de cada um. “Doença” vital em minha jornada!

Muitas escolas ganhei. Escolas, que se transformaram em famílias. Escolas-famílias, que pulsaram e pulsam até hoje.

Foram elas que me viram, por demais, indeciso, titubeante, nos primeiros passos e tentativas. Muitas e muitas vezes, conduzido e amparado por amigos-irmãos; irmãos-companheiros e desejosos em ver o meu crescimento.

Foram elas que me (in)formaram numa troca constante e insana de conhecimentos, em que se confundia quem passava e / ou quem recebia saberes. Verdadeiras “fábricas” de talentos.

Foram elas que moldaram o meu “berro” e / ou o meu calar. “Berro” calado e firme. Calar berrante e eficaz. Numa simbiose plena, a explodir em tantas descobertas.

Foram elas que me deram a medida certa do que é empatia. Muito além do que é respeitar as diferenças e as limitações do próximo.

Foram elas que me guiaram em minhas andanças, tempestades e bonanças. Sempre me conduzindo à luz dos caminhos, quer lúcidos ou mais e mais insanos.

Foram elas que abafaram as minhas ausências. Justificativas plausíveis às segundas-feiras ou meras alegações aberrantes ou meras ressacas.

Foram elas que acompanharam a barriga crescer, acinzentarem-se os cabelos, murcharem as faces, anuviar-se a visão, tornarem-se mais imprecisos os passos. Numa cumplicidade mais que perfeita.

Foram elas, em sábio silêncio, que me velaram como um filho amado. Num amanhecer radiante ou pouco sombrio; num anoitecer enfastiadamente sereno ou absurdamente tresloucado.

São elas que “navegam” o meu barco, repleto de histórias, a ilustrar, também, a história de meus amigos e irmãos … Mas, isso é história para outro “papo”.
São elas, as minhas escolas, o meu porto seguro, ainda!

AS MINHAS ESCOLAS I

Por Zé Carlos

Anuviam-se as lembranças da alfabetização. Uma dolorosa e imperdoável lacuna em minha jornada escolar. Uma pena!

Entretanto, trago as minhas escolas sempre comigo. São duas. Odorico Mendes (O M, Ovo Mole) e Colégio Pinheirense (C P, Cu de Pinto).

Da primeira carrego lembranças fortes. Desde a saída de casa até a chegada ao imenso portão de ferro.

De casa, vinha com o uniforme impecável. Não sabia até quando. Camiseta e calção, respeitados. Como complemento, uma “chulipa”, que engolia a meia, que engolia as canelas secas e cinzentas. O cabelo, baixinho, cortado a máquina manual, o que “doía pra dedéu”, trazia a sua marca registrada, uma “pastinha”, que era a nossa vergonha. Desta não podia escapar, papai era o barbeiro. Os livros e apetrechos, geralmente, estavam “enfiados” em um saco plástico. Quem não teve o seu?! Saco grosso e resistente era uma joia. Era ouro puro. Era nosso orgulho. Lembro bem a minha lancheira, branca, com uma alça e um copinho vermelho, “até a boca” de ki-suco de morango ou groselha ou abacaxi e um pão massa fina, recheado de manteiga. Até aqui não existia a merenda escolar.

O portão de ferro, imponente, imenso, assustava um pouco. Mas, ao se abrir, abria um mundo novo a ser sorvido. Mundo em que suas áreas livres ofereciam-se como palcos de sadias brincadeiras. As salas de aula, com suas pesadas carteiras, ofertavam as primeiras amizades, fora do ambiente família-rua. Os corredores testemunhavam planos e segredos, ainda inofensivos. O recreio. Ora o recreio era divino. Sinto até o cheiro. A merenda, aí, sim, já vinha inundada de sopas, mingaus ou sucos. A “bolachinha da merenda escolar”, de uma doçura especial, a enjoar, era bem vinda, com suas belas figurinhas. A professora Fátima Correia resiste em minha memória.

Da segunda escola, mais nítidas, apresentam-se as recordações. O universo, o interesse e a percepção são outros. A ligação continua forte. Foi lá que encontrei as linhas certas para um novel escrivinhador, não tão ávido por conhecimentos. Foi lá que desfrutei das melhores amizades. Das camaradagens e das colegagens, também. Foi lá que vivi a sapiência dos mais brilhantes mestres: Cici Amorim, no mais perfeito português; Frei José, em suas “perspectivas”, a traçar “nossos nortes”; padre Risso, a “desbravar” a Mecânica e a Óptica; Dilu Freitas, a martelar PA e PG, no nosso cotidiano matemático, com a sua paciência única, por um semestre inteiro; Maria do Carmo, a desfilar heróis e acontecimentos, em aulas históricas e marcantes; De Jesus Menezes, a “matematicar” expressões, em todos os seus graus; Anísia, em sua elegância a distribuir “goog afternoon”. É bom parar por aqui. Lágrimas vêm. E o que dizer de AS MINHAS ESCOLAS I?! Verdadeiramente, a mestra que mais marcou a minha trajetória escolar. Uma guerreira em seu ofício. Com o livrinho do Mário Meirelles a desvendar o nosso Maranhão. Que saudades!
Mas … ganhei mundo … e ganhei outras escolas. Escolas, que serão outros papos!

A BÚSSOLA E A BIRUTA

Por Gracilene Pinto

Tantas pessoas já falaram e escreveram sobre a importância do sonho. Eu mesma escrevi tantas crônicas e poemas sobre o assunto que perdi a conta. Escrevi até um livro intitulado E AÍ, TROCA COMIGO?. E, mais que isso, muitas vezes tive a oportunidade de vivenciar e desfrutar do resultado dos meus sonhos.

Quem não se permite sonhar é um suicida. Porque o sonho é o desejo da alma que ativa nossa força vital. A pessoa que não sonha já está morta e não sabe. Não ter sonhos, objetivos de vida, é como ser uma nau à deriva em mar revolto, sujeita aos movimentos da maré. Daí considerar que o sonho é a bússola que nos direciona na vida.

A bússola, como se sabe, apontando sempre para o Norte, orienta para que não nos percamos no caminho. Não permite que esqueçamos os nossos objetivos. Por mais que o vento sopre e o mar esteja revolto, sempre saberemos onde está o Norte.

No entanto, como já repetiram tantos neurolinguistas, o sonho sem ação é ilusão.
Todos sabem que tempestades podem se formar, os mares podem ficar revoltos, e muitos são os percalços que quase sempre se encontra pelo caminho e que nos podem desviar do nosso curso. Sabem também, que navegar a esmo, sem planejamento, não é uma boa pedida, pois pode levar a colisão com algum recife, iceberg, ou mesmo com outra embarcação. Então, se ao nosso desejo anteciparmos os obstáculos, ficaremos imobilizados pelo medo e nunca chegaremos a lugar algum. É preciso, pois, sonhar e buscar o conhecimento, que nos indicará o rumo mais favorável para atingir nossa meta. E é exatamente aí que entra a biruta.

A biruta serve para mostrar o sentido dos ventos. Assim, por mais que tempestades atravessem nosso caminho e nos levem a desviar-nos, momentaneamente, do nosso rumo, tendo um sonho como bússola, sempre saberemos onde está o nosso Norte. E, com o conhecimento que nos traz a biruta, saberemos a direção para onde o vento está soprando e poderemos seguir os caminhos mais favoráveis para atingir a nossa meta sem riscos.

Os sonhos são nossa bússola, estabelecem nossas metas. Mas, é a biruta que nos traz o conhecimento e indica o momento e o caminho mais favorável para que possamos atingir os nossos objetivos.
Boa sonhos a todos!

(Gracilene Pinto in E AI, TROCA COMIGO?)

COISAS E LOAS

Em Pinheiro , “tem coisas”, que até Deus duvida. Você duvida?!
“Coisas” sérias; outras nem tanto. “Coisas” que “encheriam”, fácil fácil, muitos e muitos livros. Fiquemos, por enquanto, com a segunda opção. Situações inusitadas, que nos mantêm “intertidos” e nos fazem dar boas, deliciosas gargalhadas. Indubitavelmente, ajudam-nos “a passar o tempo” e manter o “juízo”, em dia. Assim, acho.

Dizem as “boas” línguas … nada posso afirmar com certeza, pois andava longe … que a chegada de um circo, em nossa cidade, foi “cercada” por estupenda curiosidade. O que não é novidade alguma, quando se trata de um circo. A expectativa maior, no entanto, foi gerada pelo “anúncio” de que “uma mulher iria virar peixe”, no decorrer do espetáculo. Tal feito anunciou-se o dia todo, pelos alto-falantes, instalados nos tetos dos carros, que “arrastavam” um “cordão de crianças”, “enceradas”, “a marmanhar” uma cortesia. Do contrário, era tentar um lugar na fila, em um furioso empurra-empurra, fora do circo, para “espiar” pelo buraco da lona.

O picadeiro ganhou vida. O show foi iniciado. No seu apogeu, eis que surgiu … sem nome “para não fazer fuxico” … uma acará na frigideira, jogada para o alto e “aparada” aqui, embaixo. Igual, quando se “vira” beiju. A “artista” conterrânea, realmente, virava o peixe, e com entusiasmo. Pleno malabarismo. Quanta decepção! A acará hirta e sisuda, em sua imponência, não “colheu os louros” do sucesso. A ira dominou a plateia. “Loucura total”. Não deu outra. Fogo no circo, literalmente.

Fato esse que não serve para taxar o nosso povo de violento. O circo queria o quê? “Brincar com nossa cara”? Era “melhor não ter mexido com nós”!
Culpa, exclusiva, de um inocente “ruído semântico “: “a mulher que vira peixe”. Uma sentença claríssima!!! Não é?!

“Sorte” igual teve o cinema, sedento por se livrar de Shaolin e apresentar uma novidade. “Ironia do destino”, a novidade foi o bangue bangue “Vou, mato e volto”. Película, com único tiro, em toda ação. E o “bandido” do personagem ainda o erra. Uma lástima. Nova decepção. Voaram cadeiras para todo lado. “Bem feito”, como dizia minha querida avó.

Por curiosidade, tempos depois, aluguei a fita, que, por pouco, não teve o mesmo fim. O pior “western”, a que assisti. Tempo perdido, “que só”!? Santa paciência!
Nesse cenário, as histórias são multiplicadas e replicadas com graça e leveza. Mas, para mim, nada se compara à esperteza e à malandragem do “caboco”. Quase sempre mudo. Longe de seu ambiente familiar, principalmente. Fala mansa. “Olhar perdido no chão”. Aparentemente, distante. Não nos enganemos. Ali “mora” a simplicidade, mas também a sapiência.

Vejamos a perspicácia e o raciocínio rápido de um garoto da roça. Pesquei esta história do repertório de meu irmão Rivelino.
“Manhãzinha”, o pai “abate” um “capadinho de chiqueiro”. Depois, intima o filho a ir à roça, enquanto a sua companheira dá as “providências” necessárias nos afazeres restantes. Dos miúdos do porco ao almoço.

Ao retornarem da roça, famintos, “vêm comendo”, de longe, o cheiro do cozido. Guardam-se os “ferros”. A mãe chama o filho. O diálogo acontece:
– De quem é esse iscardadão miseravão, que minha mãe tá fazeno?!
– Vá banhá, minino. É do teu pai.
– Mais, mãê, eu já banhei.
– Intonce, pega e come esse miseravão, inconto teu pai banha, qui faço otro pr’ele.
– Passa pra cá, iscardadinho!
Nada além de fan-tás-ti-co!!!

TAMBÉM DE FARINHA VIVE O HOMEM

Por Zé Carlos

Quando queremos descobrir a origem de alguém, basta um teste rápido. Só não vale mentir, que é feio. E baixadeiro, “da gema”, não é dessas coisas.
O teste prático e infalível diz-nos muito.
– Cê já comeu uma manga, sem farinha?

Essa resposta é crucial. É decisiva. Em caso positivo, não temos mais nada a nos dizer. Conversa encerrada. Adeus. Tchau.
Quero, afinal, “papear” com quem traz a farinha impregnada em suas “veias”.
Então, voltemos à manga. E, à Farinha. Farinha “viva”, chamativa, “torradinha”, a executar o “troque troque” mais musical “da parada”. Farinha na cuia. A cuia entre as pernas. Nós a enfiarmos a manga na farinha. A manga “alvoraçada”, como um “cabelo que não viu pente há séculos”. “Lambuzados”, ao “roer” o caroço da manga, até ficar “branquinho”. O “caldo” da manga a escorrer pelos “cantos” da boca. Desculpem a narração minuciosa. Sei que maltrata. E foi proposital. Aí, sim, se a boca já está cheia d’água, é baixadeiro, e “ligítimo”.

Pode até “existir” outro “povo” que goste de farinha. Só não há baixadeiro, sem farinha. Que não leve o seu “embrulhinho”, (o “cofinho” saiu de moda), seguro em sua “valise”, que “não sai de perto”. No colo ou no pé. Bagageiro de van, jamais.

Perder carteira, roupas, sapatos, pode. Mas, a farinha, nunca. É depressão, na certa. Afinal, se não houver farinha tudo “perde o gosto”.
Qual a graça em um doce de leite, “nu”, desguarnecido, esquecido em um pires? Frustração total. Ainda mais, quando estamos de visita em “casa alheia”. Eu fico totalmente “sem jeito”. O doce, “pedindo farinha”, a me encarar “desconsolado” e feio. É um grande sacrifício.

No entanto, a falta da farinha não torna um “aleijão” só a manga e o doce. Esse privilégio não é exclusivo dos dois. A juçara sofre do mesmo mal, bem como o murici, o buriti, o café, o chá, o suco, o leite … O que dizer de um “cozidão” ou da carne, do peixe e do ovo fritos?! Ou não poder mais “mufar uma mãozada de farinha”?! Enfim.

O que seria do baixadeiro se não houvesse a farinha para dar colorido e sustança ao ki-suco de morango, fambroesa, abacaxi ou laranja, de nossa bela infância? Bem capaz de ser abandonado na mesa. Assim como a banana, insípida, ficaria às moscas e o queijo caseiro tornar-se-ia absurdamente insosso. E a cabeça de camarão? “Mais boa” que o próprio, estaria perdida, jogada às galinhas. “Credo!”

Haja farinha! Principalmente, em uma xícara de doce de côco ou em uma xícara de mel, de cana. Um sorvedouro faminto, cada vez mais, a “embeber” o nosso rico tesouro.
Certamente, tantas outras “combinações” são possíveis com a farinha. Mandem-me algumas, para eu “expermentar”.

E, para fecharmos, com chave de ouro, encontremos um deputado, tão inoperante em seu ofício, mas que possa trabalhar em prol da Baixada e apresente um projeto de lei, tornando a farinha nosso maior patrimônio! E, material!.
Viva a farinha!

Ana Cléres do Fórum da Baixada, torrando farinha em Cururupu