Pátria Amada Brasil

Autora Gracilene Pinto

Desperta, querida
Nação Brasileira,
E a tua bandeira
Intrépida e audaz,
Desfralda nos montes
Com gesto ligeiro
E orgulho altaneiro,
Na guerra ou na paz.
Em defesa do altivo pendão
Te levanta,
Pois teu povo já canta
Um hino de esperança
Que do coração
Vai ecoar nos ares,
Planícies, palmares,
Trazendo bonança
Para a terra amada,
Onde ao Sul estrelas
Fazem cruz e, ao vê-las,
Sentimos que nada pode ser mais forte
Que Deus no comando de um coração valente
A defender contente
A Pátria Mãe gentil,
Esta terra linda, coração do mundo,
Por Deus abençoada
Com a cruz estrelada,
Chamada Brasil!!!
(Imagem Bandeira do Brasil – Consulado dos EEUUA)

O pássaro Grinfo

Autores  irmãos Grimm*

Era uma vez um rei muito poderoso; que reinava parte do mundo e como se chamava, já não sei mais.

Esse rei não tinha filhos homens, só tinha uma filha que vivia doente e médico nenhum conseguia curá-la. Um dia, alguém predisse que a princesa só se curaria se comesse uma maçã. Então o rei fez anunciar por todo o reino que, aquele que trouxesse à princesa a maçã, que a devia curar, casaria com ela e mais tarde seria rei desse país.

A notícia chegou até uma aldeiazinha onde vivia um pobre camponês que tinha três filhos. Chamando o filho mais velho, disse-lhe:
– Pega uma cesta e vai ao pomar colher, na macieira maior, aquelas maçãs vermelhinhas e perfumadas e leva-as ao castelo. Talvez a princesa coma a que lhe deve restituir a saúde e assim casarás com ela.

O rapaz fez o que dizia o pai; em seguida, meteu-se pela estrada a fora rumo à cidade. Tendo andado bom trecho, encontrou um anãozinho que lhe perguntou o que levava no cesto. O rapaz, que se chamava Elias, respondeu:

– Levo patas de rãs.

– Muito bem, – respondeu o anão; – assim é e assim ficará sendo. – E foi-se embora.

Elias continuou o caminho e, por fim, chegou ao castelo, fazendo anunciar que trazia maçãs que curariam a princesa se as comesse. O rei ficou contentíssimo e fez entrar o rapaz. Mas, oh! quando Elias abriu o cesto, ao invés de maçãs só se viu um montão de patas de rãs, que ainda esperneavam.

O rei ficou furioso e mandou que os criados o enxotassem quanto antes do castelo. Chegando em casa, Elias contou ao pai o que se passara. Então o velho disse ao segundo filho, que se chamava Simão:

– Colhe tu um cesto de maçãs e vê se tens mais sorte que teu irmão.
Simão obedeceu, e, quando ia pela estrada, encontrou- se, também, com o anãozinho, que lhe perguntou o que levava no cesto. Em tom de mofa, Simão respondeu:

– Levo cerdas de porco.

O anão disse-lhe:

– Muito bem; assim é e assim ficará sendo.

Quando Simão chegou ao castelo e se apresentou, a sentinela não queria deixá-lo entrar, dizendo que já haviam sido enganados por um outro. Mas Simão insistiu, afirmando que trazia as melhores maçãs, que certamente curariam a princesa. Por fim, levaram-no à presença do rei. Mas, quando abriu o cesto, viu-se dentro dele um punhado de cerdas de porco. O rei enfureceu- se de tal forma que mandou expulsar o rapaz a chicotadas.

Chegando em casa, Simão contou a triste aventura ao pai. Então veio o mais moço dos filhos, que se chamava Joãozinho, e que todos tratavam com pouco caso por o acharem um tanto pateta, e pediu ao pai para levar ao castelo o cesto de maçãs.

– Sim! – disse o pai com certo desprezo; – és realmente muito indicado! Se teus irmãos, que são mais espertos não o conseguiram, como é que um parvo como tu o conseguirá?

Mas Joãozinho não parava de insistir.

– Deixa-me ir, pai. Deixa-me ir!

– Santo Deus, cala-te, pateta! – respondeu o pai amolado; – devias procurar tornar-te um pouco mais esperto! – e com isso deu-lhe as costas.
Joãozinho não se conformava e, puxando-o pelo paletó, tornou a pedir:

– Eu quero ir! Deixa-me ir, pai.

– Pois bem, vai em santa paz; havemos de nos ver à tua volta! – respondeu com impaciência o pai.

O rapaz dava pulos de alegria e não cabia em si de satisfação.

– Bem, não te ponhas doido, agora! Cada dia ficas mais estúpido! – explodiu o pai, muito irritado.

Mas Joãozinho não se importou com isso e, também, não perdeu a alegria. Entretanto, como já estivesse anoitecendo, resolveu esperar até à manhã seguinte, pois, de qualquer maneira, não chegaria nesse dia ao castelo, e foi-se deitar.

Mas, na cama, não podia adormecer; virava-se de um lado e de outro. Quando, por fim, conseguiu pegar no sono, sonhou com lindas donzelas, com castelos magníficos, com pilhas de ouro e prata e outras coisas belas.
Logo, ao romper do dia, foi colher as maçãs e pôs-se a caminho. Encontrou-se, também, com o anão velhinho, que lhe perguntou o que levava no cesto. Joãozinho respondeu que levava maçãs para curar a princesa.
– Muito bem, – respondeu o anão; – assim é, e assim ficará sendo.

Ao chegar ao castelo, porém, as sentinelas não queriam de modo algum deixá-lo passar, porque já tinham vindo outros alegando que traziam maçãs, e um trazia patas de rãs, enquanto o outro apresentou cerdas de porco. Mas Joãozinho não se deu por vencido. Jurou, afirmou que não trazia nada dessas coisas e sim lindas maçãs, as mais belas que existiam em todo o reino. Falou com tanto desembaraço e franqueza, que a sentinela se convenceu de que não estava mentindo e o deixou entrar.

E não se arrependeu, pois, quando Joãozinho retirou a tampa do cesto, na presença do rei, viram surgir belíssimas maçãs douradas e que espalhavam perfume delicioso. O rei alegrou-se muito vendo-as e mandou logo levá-las à filha. Depois ficou esperando ansioso pelo efeito produzido. Não demorou muito, chegou a resposta. E sabes quem a trouxe? Foi a própria princesa.

Assim que provara uma dessas maravilhosas maçãs, sentiu-se restabelecer de imediato e, muito contente, saltou da cama, sã e vigorosa. Impossível descrever a felicidade do rei. Agora, porém, que viu a filha curada, não mais queria dá-la ao pobre campônio. Não sabendo como livrar- se dele, disse-lhe que, antes de receber a princesa por esposa, teria de fazer um barco que andasse tão bem por terra como por mar.

O pobre Joãozinho aceitou a condição, com certa tristeza. Voltou para casa e contou ao pai tudo o que se passara. O pai resolveu, então, mandar Elias à floresta para escolher a madeira e fazer o barco. Elias estava lá trabalhando com afinco e assobiando uma canção, quando, ao meio-dia, no momento em que o sol estava a pique, aproximou-se dele o anãozinho e perguntou o que estava fazendo. Elias, mal educado como sempre, respondeu:
– Cavacos.

– Bem, – disse o anão; – assim seja e assim fique sendo.

No fim do dia, certo de haver construído o barco, quis subir nele, então viu com espanto que só tinha cavacos aí. No dia seguinte, Simão foi à floresta com a mesma incumbência, mas aconteceu-lhe tudo exatamente como ao irmão. No terceiro, chegou a vez do Joãozinho. Chegando à floresta, pôs-se a trabalhar com tamanho afinco que as marteladas se ouviam longe; cantando e assobiando alegremente, ia construindo o barco. Ao meio-dia, quando o sol estava bem a prumo no céu, apareceu o anão perguntando o que estava fazendo.

– Tenho de fazer um barco que tanto ande por terra como por mar, – respondeu ele.

– Se o conseguir, eu me casarei com a filha do rei.

– Bem, – disse o anão; – assim é e assim ficará sendo.

No fim do dia, Joãozinho terminara o barco com os pertences correspondentes; meteu-se dentro dele e pôs- se a remar para a cidade. E o barco deslizava tão velozmente como se impelido pelo vento na água. O rei viu-o de longe chegar com o barco, mas continuou a relutar em dar-lhe a filha e, como pretexto, disse-lhe que devia submeter-se a outra prova.
– Deves pastorear durante um dia as cem lebres brancas que ela possui. Se faltar uma só esta noite à chamada, – disse o rei, – perdes o direito à mão de minha filha. E lá se foi o pobre Joãozinho, no dia seguinte, levar as cem lebres ao pasto, vigiando bem para que não lhe escapasse nenh uma. Pouco depois veio uma das cozinheiras do castelo e pediu para levar uma das lebres, pois, tendo recebido visitas, queriam que a preparassem para o jantar. Joãozinho compreendeu muito bem que isso não passava de um ardil e recusou entregar a lebre; o rei podia, se quisesse, oferecer a lebre no dia seguinte às suas visitas. Mas a criada continuava a insistir e, por fim, acabaram brigando; na sua exaltação, Joãozinho disse que só entregaria a lebre se a princesa em pessoa viesse buscá-la. A criada foi e contou à princesa. Nesse interim, apareceu o anão e perguntou a Joãozinho o que estava fazendo aí.

– Ah, – respondeu ele, – tenho de guardar as cem lebres da princesa e não deixar escapar nenhuma; só assim poderei casar com a filha do rei e herdar o trono.

– Pois bem, – disse o anão, – eis aqui um apito; se alguma delas fugir, só tens de apitar e ela voltará imediatamente.

Pouco depois, chegou a princesa e Joãozinho pós-lhe uma lebre no avental de renda. Mas não havia andado cem passos ainda, e Joãozinho tocou o apito e a lebre pulou do avental e, com alguns saltos, foi juntar-se às companheiras. Ao anoitecer, Joãozinho tornou a apitar, reuniu todas elas e conduziu-as ao castelo.

O rei ficou muito admirado ao ver que o rapaz conseguira guardar as cem lebres sem deixar escapar nenhuma; ainda assim, porém, não queria dar-lhe a filha. Então, propôs-lhe como última condição, uma coisa que julgava humanamente impossível de se obter. Queria que lhe trouxesse uma pena do rabo do grinfo.

Joãozinho logo se pôs a caminho, seguindo sempre para a frente com desassombro. Pela tardinha, chegou a um castelo e pediu hospitalidade para aquela noite, pois nesse tempo ainda não existiam hospedarias nem albergues. O proprietário do castelo recebeu-o com muito agrado e perguntou para onde ia.

– Vou em busca do grifo, – respondeu o rapaz.

– Ah, vais procurar o grinfo! Dizem que esse animal sabe tudo quanto se passa no mundo; queres fazer o favor de perguntar-lhe onde se poderá encontrar a única chave que abre a caixa-forte onde guardamos todo o nosso dinheiro? Há tempo que a perdemos!

– Perguntarei com todo o gosto, – disse Joãozinho.

Retomou o caminho logo pela manhã e, ao anoitecer, chegou a outro castelo e aí também pediu hospitalidade. Quando os castelões souberam que ele ia à procura do grinfo, pediram-lhe que perguntasse o que poderia curar-lhes a única filha, que estava doente, e nenhum remédio dava resultado.
João prometeu que o faria de muito boa vontade e de novo se pôs a caminho.

Dentro em pouco, chegou à margem de um rio largo e profundo, sobre o qual não se via ponte alguma. Nisto viu chegar um enorme e musculoso remador com um barco, que tinha o encargo de transportar as pessoas para a outra margem. O homem perguntou-lhe onde ia.

– Vou em busca do Grnifo, – disse Joãozinho.

Então o homem pediu-lhe para perguntar ao grinfo porque era que tinha sempre e sempre de transportar gente de uma a outra margem, sem nunca descansar. Joãozinho prometeu fazê-lo. O homem transportou-o para o outro lado e ele continuou o caminho.

Depois de andar um bom trecho, chegou, finalmente, à casa do Grinfo, que estava ausente no momento, encontrando-se lá apenas sua mulher. Esta perguntou ao rapaz o que desejava. Então Joãozinho contou-lhe tudo; dizendo também que tinha de levar uma pena do rabo do grinfo; em seguida contou-lhe as perguntas que o encarregaram de fazer, isto é: onde estava a chave da caixa-forte do castelo, perdida há muito anos; num outro castelo estava doente a filha dos castelões e queriam saber o que a poderia curar e, finalmente, no rio próximo dali, havia um barqueiro que precisava transportar todas as pessoas sem nunca descansar, e queria saber o que devia fazer para livrar-se daquilo.

A mulher, então, disse-lhe:

-Meu bom amigo, nenhum cristão pode falar com o Grinfo; ele os detesta e devora todos quanto encontra. Como és um bom rapaz, vou ajudar-te.

Mete-te debaixo da cama e à noite, quando o Grinfo estiver dormindo, estica o braço e arranca-lhe uma pena do rabo; quanto às perguntas, eu as farei e tu ouvirás as respostas.

Joãozinho seguiu os conselhos e escondeu-se debaixo da cama. Pela tardinha, ouviu-se um grande ruído e bater de asas; era o Grinfo que voltava e, assim que entrou no quarto, disse:

– Mulher, estou sentindo cheiro de carne humana.

– Tens razão, – disse a mulher, – hoje esteve um rapaz aqui, mas já se foi embora.

O Pássaro Grinfo contentou-se com essa resposta. Mais ou menos à meia-noite, quando ele roncava sonoramente Joãozinho, com muito cuidado, arrancou-lhe uma pena do rabo. O Grinfo deu um pulo na cama e gritou:
– Mulher, continuo sentindo cheiro de carne humana e parece-me que alguém me puxou o rabo.

– Ora, ora, – disse a mulher, – com certeza sonhaste; eu te contei que esteve aqui um rapaz mas que logo se foi. Ele contou-me uma porção de coisas!

Disse-me que, num castelo distante, perderam a chave da caixa- forte e não conseguem mais encontrá-la!

– Que tontos! – resmungou o Grinfo, – A chave está no depósito de lenha, atrás da porta, em baixo de uma pilha.

– Depois contou-me que noutro castelo há uma moça muito doente e ninguém conhece algum remédio capaz de curá-la.

– Que tolos! – respondeu ele. – Debaixo da escada que vai à adega, há um rato que fez o ninho com os cabelos dela; se conseguir reaver os cabelos, ela ficará curada.

– E, sabes, disse-me ainda que aqui por perto há um rio no qual se encontra um barqueiro que transporta a gente para a outra margem; ele gostaria de saber o que deve fazer para se livrar desse trabalho.

– Que estúpido! – disse o Grifo; – basta que passe o remo para outra pessoa alguém, nunca mais teria de transportar ninguém.

Pela manhã, o Grinfo levantou-se e saiu para os seus afazeres. Então Joãozinho deixou o esconderijo, segurando a pena arrancada do Grinfo; além disso ouvira e guardara na memória o diálogo havido entre a mulher e o Grinfo; esta repetiu-lhe tudo outra vez para que ele não se esquecesse e, depois de agradecer e se despedir gentilmente da mulher, Joãozinho seguiu de volta para o reino.

Tendo chegado à margem do rio, fez-se transportar para o outro lado; depois disse ao homem que, quando viesse alguém, entregasse o remo para ele, assim nunca mais teria de transportar ninguém. O homem agradeceu- lhe muito e perguntou-lhe se queria ser transportado ainda uma vez de um lado para outro, mas Joãozinho não aceitou, dizendo que preferia poupar-lhe aquele trabalho, depois seguiu para diante.

Ao chegar ao castelo onde estava a jovem doente, carregou-a às costas, porque ela não podia andar, e levou-a à adega; descobriu o ninho do rato debaixo da escada e entregou-lho. Pegando os cabelos, ela ficou imediatamente curada e saiu correndo na frente dele pela escada acima, alegre e feliz como nunca. Os pais, radiantes de felicidade, presentearam Joãozinho com uma grande quantidade de ouro, prata e pedras preciosas, dizendo que levasse tudo quanto quisesse.

Ao chegar no castelo seguinte, o rapaz foi diretamente ao depósito de lenha e, atrás da porta, sob uma grande pilha de lenha, encontrou a chave da caixa-forte, que entregou ao dono. Este se alegrou imensamente e deu-lhe tanto ouro quanto lhe era possível carregar, além de muitas outras coisas: vacas, ovelhas, cabras, enfim, tudo o que ele quis.

Assim, quando Joãozinho chegou ao castelo do rei, pai de sua noiva, com toda aquela riqueza e ainda por cima com a pena do Grinfo, o rei perguntou-lhe onde tinha conseguido tudo aquilo.

Joãozinho disse-lhe que o Grinfo dava tudo o que se queria. Então o rei pensou que seria muito bom possuir tanta coisa e resolveu ir ter com o Grinfo.

Pôs-se logo a caminho e, quando chegou ao rio, aconteceu que era justamente a primeira pessoa que aparecia depois de Joãozinho; o barqueiro lhe entregou o remo, assim que chegaram do outro lado do rio, o rei pegou o remo e barqueiro foi embora, deixando que o rei continuasse a navegar para sempre. Alguns dias depois, Joãozinho casou-se com a princesa e tornou-se o rei muito estimado daquele país.

* Jacob e Wilhelm Grimm viveram nesta casa em Steinau, atual Alemanha, de 1791 até 1796 e Jacob Ludwig Carl Grimm, nascido em 4 de janeiro de 1785, era 13 meses mais velho que seu irmão Wilhelm Carl Grimm, que nasceu em 24 de fevereiro de 1786.

Alexandre Campos

Nasceu no dia 06/05/1917. Filho de Agda Pereira Campos e Domingos Gusmão Campos, natural de São Bento/MA. Morou desde sua mocidade até adolescência no povoado Ponta do Lago no município de Peri-Mirim/MA, próximo ao centro da cidade, onde construiu família.

Alexandre nunca esquece de suas viagens para São Bento, todas elas eram a canoa, quem sempre forquilhava era seu pai, Domingos, e amigos da família como: Vicente e Mariano. Em São Bento eles compravam o que necessitavam em sua casa e/ou de vizinhos e familiares.

Não aprendeu a ler e escrever. Sempre trabalhou na lavoura. Casou-se primeiro com Isabel Lima Campos, da união nasceu Jaime Lima Campos. Sua primeira esposa nasceu no Bairro do Portinho, irmã do senhor João Lima. Com o falecimento da esposa, Alexandre casou-se pela segunda vez no dia 23/05/1923 com a senhora Jovanita Silva Pereira, e tiveram 04 filhos.

Moraram por muitos anos no bairro da Liberdade em São Luís, capital do Estado do Maranhão. Quando ficou viúvo pela segunda vez, voltou a morar novamente no povoado Ponta do Lago com dona Raimunda Marcela Silva, natural de São Bento, passaram-se alguns anos, quando ele resolve morar com seu filho mais velho, Jaime Lima, no bairro do Portinho.

Alexandre perdeu seu filho recentemente. Reside ainda na casa de Jaime Lima com sua nora Assunção de Maria Martins Lima, para quem tem um grande afeto e respeito.

Perguntado sobre a origem do bairro do Portinho, Sr. Alexandre contou algo inusitado, diz ele: O bairro do Portinho surgiu por meio do Porto de Pedro de Cota (na rua do senhor René Barros e da Rádio Perimiriense) na qual vinham pessoas de várias localidades vindo de viagem, inclusive de São Bento: desembarcar, embarcar, comprar e vender seus produtos, e também do centro da cidade de Macapá, a barragem que liga o bairro do Portinho ao Centro da cidade não existia naquela época, no inverno era uma grande barreiro. E o pessoal saía e chegava pelo Porto de Pedro de Cota, o portinho. O porto de Zé Queiroz era maior, aí para se procurar as coisas se identificava no portinho – que era o porto pequeno. Portinho existe há muito tempo.

Alexandre sempre se emociona quando se recorda de algumas coisas, no início ficou muito tímido em falar, e disse que não ia dizer nada, mas com o decorrer da conversa, o senhor de 102 anos se expressou muito.

Entrevista realizada por Diêgo Nunes Boaes em março de 2020 e envaida à redação de O Resgate.

Oração da Sexta-feita Santa

Recitada por José dos Santos   aos seus filhos e netos.

Sexta santa, sexta santa, três dias antes da Páscoa desceu o Redentor do mundo, por seus discípulos chamava, um a um dois a dois, três a três se juntavam, depois deles todos juntos Jesus Cristo perguntou: quem por Ele morreria? nenhum lhe respondeu. Como só São João Batista que pediu que nas entranhas.

Quando foi amanhecer, Jesus Cristo caminhou com uma grande cruz nas costa de madeira muita pesada, com uma corda na garganta por onde os judeus puxavam, cada puxão que eles davam, Jesus Cristo ajoelhava, posta de sangue deitava.

Vieram três Marias, uma era Madalena outra Marta sua irmã, outra era a Virgem pura que maior paixão levava, uma lhe enxugava os pés, outra lhe enxugava o rosto, outra arrecadava o sangue dentro do cálice sagrado, todo o homem que beber será bem-aventurado, neste mundo será rei no outro rei coroado.

Quem esta oração rezar três vez na Pascoal e três no carnal, as porta do Paraíso achará, no inferno não irá, quem esta oração rezar um ano e um dia a porta do paraíso aberto acharia no inferno não iria; quem ouvir não aprender e quem souber não ensinar, na hora da sua morte achará quem lhe condene.
Amém

Natureza inteligente

Autora: Gracilene Pinto

A jaqueira velha tinha mais de cem anos. Fora plantada pelo meu avô. Como acontece com os idosos, já caducava. Continuava a frutificar, mas seus frutos, de tamanho regular, não tinham mais que quatro ou cinco bagos. Grandes e doces, mas muito poucos, porque o resto todo era de bagos secos.

De passagem por São Vicente, convidei minha tia Morena para um passeio pelo quintal com seu grande pomar em pleno centro da cidade.

Caminhávamos entre árvores antigas e outras mais novas passando por alguns espécimes que quase ninguém planta mais, tais como: carambola, laranja da terra, laranjão, peruana, ginja, etc., quando, para meu espanto e consternação, deparamos com a velha jaqueira, que, carregada de frutos, jazia arriada do chão, com uma parte das raízes expostas, parecendo haver cedido ao cansaço de um século de existência.

Tia Morena explicou-me que a secular e copuda árvore tombara ante a força do último vendaval. Que em São Vicente Férrer, com o calor, de vez em quando o vento se irrita e sai furioso a redemoinhar, maltratando a vegetação e fazendo estragos por onde passa. Dessa vez a jaqueira velha foi a inocente vítima. Acrescentou minha tia, que estava esperando somente a carga de frutos madurar para mandar cortá-la. Tivemos esse diálogo diante mesmo da sua copa arriada no chão e depois seguimos nosso caminho, um pouco mais tristes ante o trágico destino da pobre árvore.

No ano seguinte, ao voltar em São Vicente, ainda encontrei a jaqueira no mesmo lugar e questionei minha tia a fim de saber o que a fizera mudar de ideia quanto a decisão de cortá-la. E tia Morena me contou que nesse ano a safra de jacas surpreendeu a todos. Os frutos não tinham lugar para bagos secos, estavam cheios de amarelos, suculentos e enormes bagos, doces como mel. Quem teria coragem de cortar uma fruteira tão prolífera e dadivosa, mesmo caída no chão?

Será que a jaqueira velha escutou a nossa conversa?

Gato com mão de gente

Autora: Gracilene Pinto

Dona Severina já vivia há muito tempo, como diz o populacho, na “idade do condor”. Com dor aqui, com dor ali, passava seus dias a gemer, coitada.

– Ai, delho! Ai, delho! Mandei chamar Sirvana, Sirvana num veio. Vida de véio é mermo assim, ninguém liga mais da gente. Num se presta pra nada! Ai, delho! Cuma se num bastasse as dor, inda me deixam sem cumê. Ai, delho! Ai, qui fome!

– Mãe Velha, dizia a neta Das Dores, a sinhóra é capaz de falar mal de Deus. Terminô de almuçá agorinha. E se mamãe ainda não veio é porque deve tá ainda trabalhando na farinhada.

– Quem?! Eeeeuu qui cumi? Tu tá é mentindo! Tu come a cumida toda e adispois me dexa cum fome, pequena mintirosa. Ai, delho!

Com seus oitenta e tantos anos, entre todos os males que lhe atormentavam a vida, como o reumatismo que já quase não a deixava caminhar, dona Sivica, como era chamada na comunidade, também havia o tal do alemão, o Alzeimer. Por conta disso esquecia das coisas, tinha acessos de fúria e momentos de grande saudosismo.

Morava com a anciã sua neta Das Dores, mulata de alma quente e corpo bem modelado, que há muito tempo já dera com os burros n´água, quando sucumbira às cantadas de um primo e deixara a virgindade atrás da moita no caminho do poço. Desde então, não enjeitava parada, só tinha cuidado para que a avó não soubesse das suas aventuras. Porém, confiante na demência de Dona Sivica, muitas vezes, às tantas da noite a moça levava os namorados para a redinha de fio armada no canto da camarinha da pequena casa de barro e palha.

Ocorre que, dona Sivica dormia na sala, sua rede estrategicamente armada no canto, bem na direção da porta que dava para a camarinha, permitindo-lhe, até certo ponto, vigiar Das Dores, para evitar que a neta caísse na sem-vergonhice.

E assim, já que as dores no joelho e no corpo todo não deixavam dona Sivica dormir, a anciã passava as noites entre uma baforada e outra do cachimbo de barro a gemer, a reclamar da vida ou a lembrar dos bons tempos da mocidade.

Nessa noite Das Dores já estava deitada, mas combinara previamente com o namorado que deixaria a porta de meançaba apenas encostada. Assim que a avó adormecesse, a moça faria um sinal para que o rapaz entrasse discretamente a fim de deitar-se com ela. O sinal seria um miado de gato.

Dona Sivica demorou um tempão falando, falando. Então, quando Das Dores ouviu o ressonado da avó imediatamente imitou o gato e o rapaz entrou, tentando ser o mais silencioso possível. No entanto, para chegar ao paraíso, que era a rede de Silvana, o homem precisava vencer sérios desafios. O primeiro e maior deles, seria passar por debaixo da rede de dona Sivica, tendo em vista que sono de velho quase sempre é muito leve. Depois, como localizar o penico naquela escuridão para não enfiar os pés ou as mãos no mijo? Mas, como paixão não mede distância nem dificuldades, corajosamente o moço agachou-se e começou a arrastar-se por debaixo da rede. Porém, terminou roçando na rede que estava muito baixa. Com muito jeito tentou levantar a rede devagarinho segurando pelos punhos, e só se ouviu a voz esganiçada da velha reboando no casebre:

– Quem tá aí?!!

– Quem havéra de tá, Mãe Véia? Só pode sê gato. – respondeu Das Dores do quarto.

– Gato num tem mão de guente! Gato num tem mão de guente! – declarou a anciã em um momento de rara lucidez.

Solidariedade: o confinamento em casa não é desculpa

A pergunta é: em que eu posso ajudar? Milhares de pessoas pelo mundo não têm, nem mesmo, as armas básicas para combater o vírus: água e sabão. O Brasil está em risco, principalmente pela desigualdade social. É hora de união, solidariedade e amor ao próximo.

As precauções são difíceis de aplicar principalmente em locais vulneráveis, como nas imensas periferias brasileiras, moradores de rua, nos hospitais ou nas prisões superlotadas em todo o Brasil.

Vários países optaram por fechar suas fronteiras para tentar se isolar da pandemia. Aqui no Brasil, os políticos e os demais cidadãos ainda não conseguiram lidar com a crise da pandemia, sem esquecer as desavenças ideológicas ou partidárias, só atrapalham. Precisamos, justamente, do contrário: de união, foco e espírito público.

Entretanto, o que fazem os políticos: campanha eleitoral: o governo federal, governadores e prefeitos estão em franca competição, em campanha eleitoral que, além de antecipada, é inadequada!

A Itália, país mais afetado da Europa, já registrou mais de 4.000 mortes, foi o primeiro que ordenou o confinamento da população e se prepara para reforçar suas medidas diante da catástrofe sanitária. Aqui no Brasil, o ministro da Saúde já anunciou que haverá um colapso no sistema de saúde a partir do final do mês de abril. Como vamos lidar com isso? com egoísmo é que não é …

O dia da multiplicação dos livros

Cada expedição do Fórum da Baixada é uma missão cercada de mistérios. Primeiro, é a dúvida quanto ao comparecimento dos que coloram o nome na lista, pois os encontros acontecem, quase sempre, na madrugada.

Essa dúvida atormenta os organizadores porque geralmente recebemos o transporte em cessão, o qual solicitamos na medida das inscrições.

Lembro-me que em uma das expedições solicitamos um ônibus para 30 pessoas, mas somente 17 guerreiros tiveram coragem de estar na Praça Maria Aragão às 04 horas da manhã. Resultado: o Fórum teria que ressarcir a diferença! Perdeu quem não foi, tivemos uma expedição memorável.

De outra feita, fomos ao Quilombo de Frechal, para participar de um evento promovido pelo Sebrae. O ônibus que iria nos aguardar no Porto do Cujupe, foi parar em Alcântara e nós, com a força de expedicionários, pagamos o transporte regular e fomos ao local. O Superintendente do Sebrae, o forense João Martins, não conseguiu almoçar até que chegamos ao local já eram mais de 13 horas.

Essa expedição foi considerada a melhor de todas, até agora, tivemos o privilégio de dormir na Casa Grande do quilombo do Frechal e participar de rodada de conversa com as pessoas do lugar, em uma noite de luar.

Porém, nada se compara em emoção à expedição a São João Batista ocorrida em 02 de dezembro de 2017 que se propunha relançar o Livro Ecos da Baixada naquele município. O primeiro lançamento ocorreu dia 14/11/2017 em São Luís. Não combinamos quem levaria os exemplares do livro para serem vendidos. Chegando lá, ficamos sabendo que tínhamos apenas 11 (onze) livros para serem comercializados para uma plateia de mais de cinquenta pessoas.

O desespero se abateu sobre o chefe do cerimonial, que me perguntava a todo o momento: – o que faremos? Deu-me um sono momentâneo, resultado da noite não dormida e do peso do comunicado iminente:  não haveria livros para vender. Minha irmã Ana Cléres que foi de Peri-Mirim para o evento, me despertou do cochilo em plena mesa de cerimônia.

Novamente o colega me abordou: – o que faremos? De repente, sem pensar em nada, disse a ele: – vamos sortear os 11 livros! Ele virou e disse: “boa ideia’. E assim procedemos. Outro colega, auxiliado por outros começaram a distribuir um pedacinho de papel para colocar o nome dos presentes e depois proceder ao sorteio.

Os onze livros encheram o salão e ninguém falou em comprar livros. Os colegas não falaram mais no assunto, até hoje. Nós forenses envolvidos nesse episódio criamos laços de amizade ainda mais fortes, pela parceria na resolução de um problema, que se avizinhava intransponível. Por tudo isso, eu trato esse episódio como “o dia da multiplicação dos livros”.

Como os livros estavam em meu poder para venda, fiz o depósito do valor corresponde aos 11 livros sorteados na conta da instituição.

Depois desse episódio, fizemos outras expedições a Matinha, Viana, São João Batista novamente, Bequimão (Expocapril e Paricatiua) e tudo voltou à quase normalidade, pois a agonia dos encontros na madrugada, permanece.

Que venham mais expedições do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, pois temos que conhecer para amar essa bela região.

Fragmentos da História de Peri-Mirim e sua gente

Este espaço é reservado aos relatos de pessoas, a fim de que possamos ir juntando as histórias em um Resgate da memória do nosso município. É o chamamento Universal.

Texto enviado por Walcler de Lima Mendes, que é da Família de Ignácio de Sá Mendes.

Estamos pesquisando sobre a família de Victor de Sá Mendes, meu pai. Nasceu provavelmente em Peri Mirim (Vila de Macapá?) em 1895, onde estudou os primeiros anos. Aos 18 anos mudou-se para São Luís, onde estudou Contabilidade. Era filho de Manoel Gonçalves de Sá Mendes e Maria Clara Martins Mendes, que vieram de Portugal e se estabeleceram na região. Além de Victor tiveram outros filhos, entre eles, Raul, Inácio, Paulo e Tereza (Tia Roseira). Os sobrinhos Fernando Pinheiro Mendes e Hilda Pinheiro Mendes residiram conosco em São Luís durante dez anos (por volta de 1946 a 1956).

Estamos em busca de certidões de nascimento de meu pai – Victor de Sá Mendes e de óbito do avô, Manoel Gonçalves de Sá Mendes. Já conseguimos contato com o Dr. Itaquê Mendes Câmara, que possui um Diário de Ignácio de Sá Mendes.
Gostaríamos de manter contato.

Atenciosamente,
Walcler de Lima Mendes

Sete de setembro no Colégio Carneiro de Freitas

Na década de 1970, o dia 07 de setembro era dia de desfile obrigatório no Grupo Escolar “Carneiro de Freitas” em Peri-Mirim/MA, lembro-me da Professora de Ciências, Graça Diniz (in memoriam) que organizava e treinava os pelotões diferenciados, ensaiava acrobacias, danças e performances criativas.

Eu nunca soube onde aquela mulher esquia e brava aprendia essas técnicas. Quando eu cursava a 3.ª série, fui escolhida para sair no Pelotão do “Moinho”, treinei, sabia toda a coreografia. Mas tinha que comprar um tecido quadriculado em vermelho e branco.

Fui fazer a prova com tia Rosa – esposa de Constantino -, que morava na sede, não sei o motivo, mas mamãe não comprou o tecido. No dia do desfile, como era obrigatório, tive que ir desfilar de farda.

Ainda bem que eu era a menor da turma e ficava no final da fila, assim ninguém podia me ver. Ouvia Graça Diniz gritar: “cadê a Ana Creusa??!!!, cadê Ana Creusa??!!”. Não sei se ela me viu, mas o desfile começou e eu podia ver a turma do “Moinho” com suas evoluções.

Senti o gosto amargo da decepção, na mesma hora compreendi que minha mãe não pôde comprar o tecido, pois a tia Rosa não cobraria pelo feitio da roupa.

Voltei para casa, não falei nada para minha mãe, não falei da minha decepção, nada! A discreta professoram, que já tinha sido minha professora na 2ª série, também nunca falou sobre o assunto comigo, acho que ela também compreendeu que eu não tinha roupa para sair no pelotão especial.

Graça Diniz voltou a ser minha professora no Ginásio, na matéria Ciências. Quando eu a via, sempre lembrava do fato. Tinha uma forma de chamar a atenção daquela nobre professora, era estudar mais. Na 5ª série ginasial apenas três alunos passaram direito, sem fazer prova final, eu estava entre eles, com Gilberto e Delma.