Dia do Professor

Hoje, Dia do Professor, minha homenagem à minha filha Márcia Fernanda Pereira Gonçalves, e também a Carlos Figueiredo, Rita Figueiredo Figueiredo, José Eulálio Figueiredo de Almeida, Sá Marques, Glorilene Costa Sales, Marcondes Serra Ribeiro, Valéria Montenegro, Lucidalva Pinheiro, e a todos os professores neste dia, mas, especialmente às irmãs Teodolinda (Tudu) e Dalva Costa (in memoriam), esta última, que com carinho e doçura, me ensinou a ler.
ESTRELA DALVA
Professores são discípulos
Do Grande Mestre Jesus,
Deixando por onde passam
Um lindo rastro de luz.
Mas, quem nesta data sublime
Ainda guarda na lembrança
A primeira professora
Do seu tempo de criança?
Como é mesmo que se chamava?
Nome de santa ou de flor?
A minha tinha nome de estrelinha,
Por sobrenome, labor.
Que a estrela Dalva incansável
Carregava sua cruz
Ostentando sempre na face
A doçura de Jesus
E a meiguice de Maria,
Aquela de Nazaré,
Que o Redentor em seu ventre
Recebeu com muita fé.
O brilho daquela estrela
Iluminando-me o caminho
Tornou-me a vida mais bela
Com a graça do seu carinho.
As lições que sua calma
Ensinava a todos nós
Ecoaram em nossa alma
No compasso de sua voz
Acumulando riquezas
Que ninguém pode roubar,
Que tormentas não arrastam,
Que nada pode tirar…
Nos seguem por toda vida
E dela as iremos levar.
Hoje, em gratidão àquela
Que me ficou na lembrança,
Pelos tesouros que dela
Recebi como herança,
Vou uma grande homenagem
A todo mestre prestar,
Que possa esta mensagem
A cada um abraçar.
À Dalva, Francineth, Graça…
Minha saudade e amor.

Aos demais Mestres

um abraço
Com respeito e com louvor.
(Imagem do acervo familiar Professora Márcia Fernanda Gonçalves)

COISAS E LOAS XV (DESVIAR O CAMINHO JAMAIS)

Por Zé Carlos

Algumas vezes, por mais valentes que desejamos ser, somos tomados por um medo terrível, que nos paralisa. Então, uma sensação de impotência assalta-nos. Mesmo assim, acho o medo, por demais, interessante. E sábio. Prova-nos, na maioria das vezes, o quão frágeis somos. Não respeita idade, credo, cor. Nem hora, nem lugar. E, assim, nos impõe “um freio”.

Particularmente, não assisto a filmes de terror. Terror, jamais. Já basta o terror de nosso cotidiano. O terror da vida real. Ainda mais que já vivi muitas situações críticas. Dessas situações, algumas tão críticas que se tornaram hilárias. Duas merecem ser relatadas.

Em uma ocasião, entre Santa Quitéria e Brejo, por volta das 3 horas, plena madrugada, viajava sozinho. Sintonizei em uma rádio. Tocava uma música. Em inglês. Automaticamente, comecei a traduzi-la.

Concomitantemente, comecei a congelar. Congelar literalmente. Era um culto ao “demo”. O carro começou a perder velocidade e veio “morrendo, morrendo”. Praticamente, parou. O Campari escafedeu-se. A sudorese tomou-me por inteiro. O coração zambubava, em desespero extremo, ecoando mais que o Boi de Apolônio e o Boi de Pindaré, juntos. A música parecia não ter fim. Só comecei a reagir, quando começou a tocar uma nova música. E que reação! Em câmera lenta. A custo, consegui imprimir certa velocidade ao carro. Uma velocidade tímida, nervosa, covarde. Mais covarde que o motorista. De tal situação, só o medo restou-me, como “fiel companheiro”, “a me acompanhar” até o fim do trajeto.

Em outra ocasião, ainda adolescente, fui buscar um cavalo na Ponta Branca, a mando de papai. Após muita correria e tropeços, consegui laçá-lo. Em vez de rumar para casa, fiz uma parada no Chico de Belísia. Estava cansado. E com sede de São João da Barra. Perdi a hora. Apressei-me. Entretanto, havia “um trecho”, no caminho, que me “arrupiava” por inteiro. Passar por uma “tapera”, que ficava atrás do cercado do juiz, na saída de uma enseada. Tinha a impressão de que ela me acompanhava, espiando-me, ameaçando-me, toda vez que passava por ali. Não respeitava hora.

Um medo suave foi-me dominando. Cresceu. Tomou-me todo. E, fortemente, assustou-me. Aí, sim, “um medo de respeito”. A imaginação começou a trabalhar.

Naquele momento, para mim, os espíritos do mato estavam à espreita. Prontos ao ataque. Já esperava a aparição do curupira, da mãe d’água, até da onça, que um dia atacou Zé Pessoa, levando-o a se fingir de morto. E, para alimentar o meu medo, de repente, um barulho terrível.

Um porco, “varano o mato”, ao quebrar galhos secos, folhas de palmeiras … O cavalo empinou-se. E “eu, chão”. Uma queda terrível! “O danado abriu na carreira”, deixando-me “plantado no chão”. Morto de medo. Mas, o pior foi encontrar-me a pé e ter de encarar uma dura caminhada. E com a tarde findando. Uma jornada longa e cansativa. Passei pela entrada da Nova Ponta Branca, Ponta de Santana, Fazenda de Dr. Estrela, andei boa extensão pelo campo, Teso de Bernardo.

A cidade, longe, nadava em luzes alaranjadas, como se dançasse na cadência da aragem, que invadia a noite e teimava em me confundir a visão.

Ao chegar às proximidades do Taçoanha, já noite feita, escutei os gritos de Zé Carrinho, muito preocupado, à minha procura. O cavalo chegou ao seu destino. Muito bem. Só não levou o cavaleiro.
Tive dupla sorte. Escapei de uma “senhora surra” e aprendi uma grande lição. “Nunca desviar o caminho”!

COISAS E LOAS X: SEM RESPEITO, NÃO HÁ RESPEITO

Por Zé Carlos

“Vive-se” um momento, em que se perderam as boas referências no tocante às pessoas de “estatura”, única. Pessoal, social e moralmente. Referências, que deixaram seus nomes e feitos “tatuados” na memória de nossa gente. E nossa cidade foi pródiga em tantas. Enumerá-las é impossível.

Trago dois nomes, que se destacaram e se confundem com a nossa história, em um tempo não muito distante, em que “valente não se criava”. Duas histórias, de vida, fantásticas, que respeitavam e se faziam respeitar. E como se faziam respeitar!

Reza nos anais pinheirenses que Totó Sá veio estabelecer-se na Princesa da Baixada. Só que antes, em um festejo, ainda em sua residência, em Pericumãzinho de Baixo, povoado de Peri-Mirim, apareceu um “desmancha-prazeres”. Como era costume, na época, ia ser colocado para fora do salão. Essa penalidade era terrível. Ao ‘indivíduo” proibia-se tudo. Dançar, divertir-se. E o pior. Estava-lhe decretada “a lei do bico seco”. Nenhuma alma caridosa podia dar ou vender-lhe bebida alguma. Uma verdadeira lástima. Imagina perder o “festejo” tão esperado por um ano. Era demais. Era o fim do mundo. Diante dessa dura realidade, o “meliante” “deu uma de brabo”, buscando a intimidação do dono da festa. Plano, que não deu certo.

A casa tinha um corredor estreito, e comprido “pra dédeu”. Formou-se uma espécie de fila. Todos queriam assistir ao desfecho do “sururu”. O cabra exaltou-se. Fez-se valente. Embrabou-se. Desacatou. Xingou. Esperneou. Totó Sá perdeu a “pouca” paciência, que lhe restava, aplicando-lhe um “bogue de respeito”. Este lhe saiu com tanta violência e força que se propagou pela pretensa fila. Segundo “as boas línguas”, o seu neto Antônio Sá, nosso conhecido Toureiro, pai de nosso amigo-irmão Inácio Henrique Checheca, conferiu os caídos. 111.111 caídos, sim, senhor. Não sei por que 111, mas foi 111.

Para infelicidade do “brabão”, o último, que caiu, quebrou a perna da mãe de Totó Sá, que se encontrava na porta do quintal, sentada no chão, preparando, num alguidar, o vinhadalho para o leitão, a ser assado. Aí, sim, a sova tornou-se homérica. Haja bogues!

De outra feita, o meu avô Antônio do Rosário, ao ser convidado, levou a minha avó, ainda no começo do relacionamento dos dois, a uma festa, em um dos nossos povoados. No auge do baile, eis que surgiu “um engraçado”, achando-se o dono do lugar, a se engraçar por minha avó. Que situação mais desagradável! E complicada! Passava e dizia:
– Cabôco da Ponta da Capoeira aqui não cisca terreiro. Cabôco da Ponta da Capoeira aqui não cisca terreiro.

Que ousadia! Que desaforo! A raiva foi crescente. E, com um bem aplicado “pescoção”, Geraldo perdeu-se no ar e perdeu a noção de mundo. O certo é que Geraldo do Cuba foi a nocaute. O meu avô voltou para sua rotina de trabalho e trabalho. Alguns dias depois, chegou à Ponta da Capoeira um “portador”, a lhe dizer que Geraldo do Cuba mandava-lhe um recado, que dizia simplesmente:
– Onde nóis se encontrá, não nasce capim.
O “recadista” recebeu logo o seu “benefício”. Umas boas lapadas de corda de couro. E foi despachado com a resposta certeira:
– Diz pra ele que, quando dei nele, não tava com raiva.
Recado dado, recado recebido. A valentia de Geraldo evaporou-se. Escafedeu-se rumo ao arco-íris. E, quando Geraldo encontrou o meu avô, saiu-se com esta:
– Meu amigo … Ah, como queria ti dá um abraço!
Haja respeito!

NO MUNDO DAS BONECAS

Por Zé Carlos

Dá-me uma angústia ao perceber o desapego, para não dizer o “desprezo”, que têm os pequeninos, buliçosos e destemidos, às brincadeiras mais simples. Brincadeiras, que nos guiaram vida a fora. Lamentavelmente, eles não mais se dão ao luxo de cultivá-las. O fascínio, que os aprisiona, são a televisão, o celular, o PC, o tablet, o iPhone e outros eletrônicos, que não conheço nem mesmo sei substantivá-los!
Cismo que os pequeninos já trazem no DNA “as digitais dos eletrônicos”. Sons, cores, movimentos, “tão vivos”, aprisionam-nos, certamente. O que não é um ato exclusivo deles, “não”. Inúmeros adultos, também, foram “pescados” pela “praga” da nossa era. Que, de verdade, tem muitas e muitas vantagens, porém há quem extrapole e se “hospede” em um mundo individual e infalível. O resto que se exploda. “Cada qual com seu cada qual”.
Não nos desvirtuemos. O que importa são os brinquedos. Como tivemos! “De graça”. Construídos ao sabor de nossa imaginação. Latas de óleo e de sardinha, “chinelas” gastas, caixas e caixotes, “taubas” velhas, rolamentos, canos, câmaras de bicicleta e de carro, melão de São Caetano, folhas de “pindoba”, vidros de remédios e de perfumes eram as “matérias primas” mais desejadas e caçadas. Valiam ouro, prata e bronze. Só para ficarmos no espírito olímpico.
Não esqueçamos dos cavalinhos de talos e folhas de bananeira, damas, dominós, petecas. A bola é um outro papo. E, em tempo de brincadeiras sadias e sem “patrulhamento político-ideológico”, tínhamos as arapucas, as “baladeiras” e as espingardas de talos de sororoca. “Morremos e matamos”, incontáveis vezes.
Ainda cabia “espectar”, de longe. Como era bom observar. Só observar o quintal tão movimentado. Invariavelmente, não podíamos estar “enfurnados” naquela atmosfera. O que nossos amigos iriam dizer. Não podiam saber. As gozações eram certas. Até alguns pais (…) não queriam meninos metidos com meninas. “Pronto e acabado”. Quanta barbaridade!
Observar era o que restava.
Observar surgirem as casinhas, magicamente, no quintal. A plena sublimação da fortíssima presença e influência materna na idealização de um cozinhar perfeito, na execução das demais tarefas domésticas e no cumprir, o sublime desempenho, o papel de mãe. Tudo com o mais amplo desvelo.
Quanta organização! Cada atriz a se entregar plena e verdadeira ao seu palco, à sua personagem, à sua história.
Nesse cenário, havia uma participação especialíssima. As bonecas. Que maravilhosas! Companheiras fiéis. Os mais diversos tipos e formas. Pacientes. Ouvintes perfeitas. Obedientes. Sem tpm, “arrelias”, queixumes (…) Nem quando eram “esquartejadas” pela ira da amiga ou irmã contrariada. Permaneciam no mais profundo silêncio, esperando o seu resgate, o seu renascer ou o seu fim. O lixo.
Que falta fazem as bonecas!

O Universo sempre empata o jogo

Por Elinajara Pereira

Poucas pessoas eu lembro a data exata em que conheci e o momento em que se iniciou a amizade.
Mas, uma das pessoas que eu lembro é a minha querida amiga Ana Creusa.
No dia 17 de Fevereiro de 2016, em uma sala do TCE-MA, eu apertei a mão dessa grande mulher, porém, não fazia ideia que ali se iniciaria uma amizade gigantesca. Pouco tempo depois, eu estava sendo sua secretária no Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, onde podemos colecionar momentos memoráveis e marcantes e que fortaleceram ainda mais a amizade que estava em plena ascensão. Com Ana aprendi muitas coisas, e a principal dela, vem de uma frase que ela usa sempre: ” o Universo sempre empata o jogo “. É uma frase que me traz calma, paz, leveza e acima de tudo, esperança.
Hoje, mais de 5 anos após aquela reunião, eu agradeço a Deus e ao Universo por aquele dia e sou grata porque posso ver minha amiga celebrar mais uma primavera.
Minha amiguinha Ana, reitero os mais profundos desejos de felicidades, saúde e muitas bênçãos em sua vida. Espero seu dia tenha sido maravilhoso e que em breve eu possa vê-la novamente.
Saudades de sair às 3 da manhã rumo a Baixada com você em nossas expedições.
Feliz aniversário, parabéns Ana Creusa ♥️🎂🥳🎉
Fraternal abraço, Jarinha de Pontal.

A ABÓBORA GIGANTE

Por Gracilene Pinto

Cofinho amarrado no quadril, facão corta-mato na mão, Velho Joca se dirigiu para a roça a ver como andava a sua plantaçãozinha de mandioca, milho, feijão, melancia e abóbora. Desde a última capina, que não mais voltara por lá.
Para sua surpresa, logo ao chegar viu algo grande e pardo como um boi do outro lado da rocinha.
Entrou apressado, disposto a enxotar o animal antes que causasse estragos na plantação. Mas, a surpresa o deixou pregado no chão. O boi não era boi. Era uma abóbora gigante!
Entre admirado e contente, o Velho Joca se viu, então, ante um grande dilema:

– E agora, como hei de levar para casa uma abóbora tão grande?

Pensou, pensou, e decidiu: voltaria em casa para buscar a burra. Partiria a abóbora em bandas e amarraria no lombo do animal para facilitar o transporte.
Se bem pensou, melhor o fez.
Voltou em casa quase correndo, botou a cangalha na burra e retornou para a roça. O caminho todo só ficava imaginando a surpresa de todo mundo quando visse a abóbora gigante. Mas, que decepção! Quando meteu o facão cortando a abóbora, viu que a mesma estava toda estragada. A porquinha prenha que lhe sumira muitos dias, já havia parido e estava com a ninhada de seis leitõezinhos morando dentro da abóbora e alimentando-se de sua polpa.
(Texto de Gracilene Pinto in ESTÓRIAS DO VELHO JOCA)

ANA DOS PARICÁS

Por Expedito Moraes

Ontem, foi postado por aqui, fotos dos paricás de um bosque que foi idealizado por Ana Creusa. Não sei se Creusa é derivado de crer, se não é deveria ser. Essa Creusa que conhecemos crê, acredita e faz. O paricá é uma árvore altaneira, frondosa, elegante, com bela folhagem verde, sempre de bem com a natureza. E mesmo durante as tormentas e do sol escaldante mantém-se balançando suavemente ao sabor do vento. Debaixo de sua copa abriga a quem precisa de sombra, de descanso e revigor. Tem gente que é assim como um paricá.
Ana tentei falar com você várias vezes, não consegui.
Queria te dizer isto. Você não parece um paricá. O paricá é que parece com você. Parece, não é igual, porque você é 10.
PARABÉNS.

ESCONDERAM OS PAIS DE RAYSSA?

Por Will R. Filho

Curioso sobre os pais de Rayssa, praticamente não encontrei informações na imprensa sobre eles. POR QUE SERÁ?

Não seria esperado os pais de uma criança de 13 anos, MEDALHISTA OLÍMPICA, a terceira mais jovem vencedora de todos os tempos dos jogos, receberem destaque, juntamente com toda a sua família?

Tive que esmiuçar para encontrar informações e conseguir achar algumas. Nas redes sociais da mãe, do pai e da filha, vi essas declarações:

Mãe: “Gratidão a Deus pq até aqui Ele me ajudou e sei que vai continuar.. Pela saúde, família, amigos e por me dar forças nas batalhas mais difíceis.”

Pai: “Filha eu estou muito orgulhoso em ver vc realizando o seu sonho, estamos muito feliz por vc, Deus tá no controle de tudo, entra na pista e se divirta”;

Rayssa ao comentar a vitória em um campeonato no Brasil: “Jesus, obrigada por me proporcionar mais esse momento, Toda honra e glória a ti senhor”.

Rayssa nas classificatórias para a Olimpíada: “Quero antes de mais nada agradecer a Deus, minha família”.

Ou seja, aparentemente, se trata de uma família cristã. Como são do Maranhão, provavelmente são evangélicos. Acontece que esse perfil, para a imprensa, não cola com a imagem de uma menina skatista, entende?

Isso porque, para a imprensa progressista, o perfil ideal seria de uma menina também progressista, “rebelde”, sem referências familiares, que não pregasse nada sobre Deus, nem sobre pai, mãe e a importância da família em sua vida.

Como para Rayssa, os seus pais são as suas maiores referências, e sendo cristãos eles não tiveram qualquer preconceito para que ela, sendo menina, se tornasse skatista (obviamente), isso derruba por completo a imagem que a mídia gostaria de vender sobre ela.

Como se trata, aparentemente, de uma família tradicional e cristã, resta para a grande mídia progressista ESCONDER esse lado e tentar vender apenas outra imagem sobre a garota. Foto da família abaixo:

COISAS E LOAS IV

Por Zé Carlos

Há muitos fatos, que prendem a atenção de uma comunidade.
Agora, imagine o surgimento de uma “rádia”! Imagine a sensação de que as, digamos “conterrâneas”, notícias, “vivamente” adentrem-lhe a casa. As “vozes”, a brotarem de tão “mágica caixinha”, tornam-se por demais íntimas, quase um parente.

Nesse cenário, a nossa cidade viu-se presenteada com “a” Verdes Campos. Um burburinho a dominar “a praça”. Uma absurda revolução nos seus meios comunicativos tão minguados. Um acontecimento absurdo. Uma conquista das mais salutares e importantes. Quantas novidades! Quantas mudanças! O cotidiano ganha um suave e novo colorido. Encurtam-se as sofridas distâncias. Acentuam-se os gostos musicais. Multiplicam-se as curiosidades. “Minam os causos”.

Pode-se dizer que a cidade, de certo modo, passou a viver em torno de tão importante meio de comunicação. Algo, que lhe marcou definitivamente, desde sua implantação em 1980 até o início do século XXI; pois, mesmo que ainda resista, está, como se diz na Baixada, de “escanteio”, frente a outras mídias.

Nessa atmosfera, vieram-me à lembrança “acontecidos” fabulosos, que nos enriqueceram em nossa alegria e nos tornaram a vida mais leve.
Para minha estupefação, um dia, escutei uma conhecida, coloco assim para ninguém comprometer, dizer que só fazia o almoço após a divulgação dos signos. Os signos, curiosamente, só eram divulgados depois das onze, e ela tinha mais que onze filhos. Haja meninos a lhe puxarem a barra do vestido, num “berreiro danisco”. De outra feita, ouvi a locutora, em uma desmedida empolgação, propagandear, a pleno pulmões, as vantagens em comprar em duas casas comerciais, locais. Sem nome. Sem fuxico. Após os empolgados “merchans”, surgiu a identificação dos comércios. Fique atento! S I … e “cia” (leia-se “cia”). E, para em seguida fechar com chave de ouro, C E … “lítida”. O pior é que levei algum tempo para desvendar tão inovadora linguagem. Estava linguisticamente a ano-luz de tais pérolas ou desconhecia por completo tais empreendimentos novos. O que era praticamente impossível. Mas, finalmente, entendi: S I … & Cia (nada mais do que S I … & Companhia) e C E … Ltda (C E … Limitada). Que “louco, meu!” Que criatividade! Mas, verdadeiramente, o que interessa é que a mensagem fez-se entendida.

Já no campo esportivo a nossa rádio foi pródiga. Desde esdrúxulas declarações de jogadores a (…) no transcorrer de uma partida de futebol, o narrador “meio gago” não conseguia acompanhar o ritmo do jogo e a velocidade da bola. Quanta agonia! Do “nomear” os jogadores, passa apenas a “numerá-los”. Só já dizia “o 8 passou pro 7; o 7 passou pro 10”. No entanto, o ritmo intensificou-se ainda mais. Foi-lhe o limite. Só lhe restou uma saída. Gritar, no ápice de seu desespero. “Gente, deu um cu de boi na área”. Mais do que fantástico! Grande e grave problema resolvido!

Tal fato, entretanto, não foi o único e suficiente, a se eternizar nos anais da nossa tão “novel” história “esportivo-radiofônica”. Acredite que, ao ser chamado o “repórter de campo”, num momento de calmaria de uma partida e sem alteração alguma à vista, “saiu-se com esta”: “não tem nada para informar, informou Brahma Chopp”.
Perfeito!
Viva a “rádia”!

COISAS E LOAS III

O “mundo” das pescarias cerca-se de situações pitorescas. Algumas vezes, beirando o surreal. Ou indo além.

Nesse ambiente, um episódio impressionou-me, acompanha-me e me intriga para todo o sempre. A história, tantas vezes referida, da pecaminosa e “irrecomendável” captura de um filhote e do desespero da “mamãe boto”. Quanta angústia! Tanto choro. Choro gemido, doído, lancinante, “parecendo até gente”. O tempo, a ser juiz implacável, fez-se presente. Até hoje, ainda me dá arrepios.

Entretanto, em nossa cidade, não só pescarias trágicas. A nossa cidade é pródiga em “causos” hilários e “sabidos”.

Dizem as “boas” línguas, e eu não invento, que um exímio pescador tinha, como pontos sagrados de sua prática, as imediações da “barraca” de Fula. Constatando que já não conseguia “visgadas premiadas”, “estudou que estudou” um meio para acabar com o problema. E o resolveu. Uma extensíssima vara de bambu, que pudesse alcançar a outra “banda” do rio ou a “boca” da Juçareira. Uma verdadeira vara de pescador! Assim fez e fez-se. Preparou-se e partiu, decidido ao sucesso. Logo, na “primeira pescada”, veio-lhe uma traíra, uma “senhora” traíra, que só mesmo um pescador para mensurá-la. Forte e brigadeira. Terminantemente, valente. Com fome de linha, a “galopar”, senhora de si, em tão fecundo leito fluvial. E, finalmente, vencida.

A expectativa apresentou-se plena, em tão grave momento de glória. Restava-lhe saborear a vitória. Puxou-a, puxou-a, puxou-a. Puxou-a, com tanta força, que ela rompeu água e ar vorazmente. Alcançou uma considerável altura, testemunhada pelo calor abrasante do sol a pino. Esperou vê-la no capim de marreca macio, a “serelepiar”, ainda guerreira, como só uma traíra sabe ser. Demorou, demorou. Finalmente, escutou apenas “um baque” chocho, sem vida. Sem entender, correu a buscar seu troféu. Grande decepção! Só as espinhas. Não contou que uma vara, por demais comprida, oferecesse uma bela refeição, aérea, aos famintos e sabidos urubus. Total decepção!

Decepção tamanha, que o levou a abandonar o seu mais sagrado passatempo e recolher-se, para sempre, uma vez que a molecada não lhe dava trégua ao sair de casa.

O que me intriga, imensamente, é saber onde estava o “olheiro” que “matraqueou” tal proeza.
Na verdade, há “nada a se espantar”, uma vez que até uma traíra de óculos, “entrada em anos”, foi capturada nas misteriosas águas do piscoso Pericumã.

E resgatemos, também, a “esperteza” de um amigo. “O nome é que faz o fuxico”. “A língua está coçando pra contar”. Depois revelarei. Esperteza essa, de que eu fui testemunha.

Comprava os melhores peixes, para justificar as suas ausências, junto a sua companheira. Só acarás e cabeças gordas, “criadas”. Artimanha desfeita por meu pai, quando lhe descobriu a tarrafa que “nunca tinha visto água”, naquele dia. Assim, passou a “parar em casa”, dormir a “tarde inteirinha” e não mais deu suas “escapadas” nem “contou vantagens” em suas aventuras de “pescador”. “Besta!”