Celina Guimarães Vianna, primeira mulher a votar no Brasil

Celina Guimarães Vianna foi a primeira eleitora do Brasil, alistando-se aos 29 anos de idade. Com advento da Lei nº 660, de 25 de outubro de 1927, o Rio Grande do Norte foi o primeiro estado que estabeleceu que não haveria distinção de sexo para o exercício do sufrágio. Assim, em 25 de novembro de 1927, na cidade de Mossoró, foi incluído o nome de Celina Guimarães Vianna na lista dos eleitores do Rio Grande do Norte. O fato repercutiu mundialmente, por se tratar não somente da primeira eleitora do Brasil, como da América Latina.

Tendo a requerente satisfeito as exigências da lei para ser eleitora, mando que inclua-se nas listas de eleitores. Mossoró, 25 de novembro de 1927. Israel Ferreira Nunes, Juiz de Direito.

Celina Guimarães Vianna foi uma professora brasileira e é considerada a primeira eleitora no Brasil. Nascida dia 15 de novembro de 1890, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, a menina era filha de José Eustáquio de Amorim Guimarães e Eliza de Amorim Guimarães. Ela começou os estudos na Escola Normal de Natal, lugar onde concluiu o curso de formação de professores.

Nessa escola que Celina conheceu seu companheiro para vida toda, Elyseu de Oliveira Viana, um jovem estudante vindo de Pirpirituba/PB, com quem se casou em dezembro de 1911. No ano seguinte do casamento, eles foram para Acari/RN e, dois anos depois para Mossoró, onde Celina aceitou o convite do diretor de Instrução Pública do Estado para assumir a cadeira infantil do Grupo Escolar 30 de Setembro.

Com o advento da Lei nº 660, de 25 de outubro de 1927, o Rio Grande do Norte foi o primeiro Estado que, ao regular o “Serviço Eleitoral no Estado”, estabeleceu que todos os cidadãos que reunissem as condições exigidas pela lei poderiam “votar e serem votados, sem distinção de sexos”. Dessa forma, Celina Guimarães, nascida no estado do Rio Grande do Norte, requereu a inclusão no rol de eleitores do município de Mossoró, em novembro do mesmo ano, e após a aprovação tornou-se a primeira mulher na América do Sul a conquistar o direito de votar.

Em abril de 1928, quatro anos antes do código eleitoral, Celina votou pela primeira vez junto com outras 14 mulheres potiguares, que já estavam alistadas. Na mesma ocasião, o estado também registrou a eleição da primeira prefeita do país: Alzira Soriano, eleita para comandar a cidade de Lajes (RN) com 60% dos votos. Ela tomou posse no cargo em 1º de janeiro de 1929.

A luta da educadora de 29 anos inspirou outras mulheres a exigir o direito de votar, isso levou mais 19 mulheres a conseguirem a permissão para participar da eleição de 5 de abril de 1928. A conquista total do voto feminino no Brasil aconteceu apenas em 1932, com o decreto do então presidente Getúlio Vargas. Celina de uma forma simples deu início a uma luta pelos direitos feminino. 

Sabe-se bem que as mulheres dependiam da autorização do marido para os atos da vida civil, chamada outorga uxória, com Celina não foi diferente, conforme ela mesma declara:

Eu não fiz nada! Tudo foi obra de meu marido, que empolgou-se na campanha de participação da mulher na política brasileira e, para ser coerente, começou com a dele, levando meu nome de roldão. Jamais pude pensar que, assinando aquela inscrição eleitoral, o meu nome entraria para a história. E aí estão os livros e os jornais exaltando a minha atitude. O livro de João Batista Cascudo Rodrigues – A Mulher Brasileira – Direitos Políticos e Civis – colocou-me nas alturas. Até o cartório de Mossoró, onde me alistei, botou uma placa rememorando o acontecimento. Sou grata a tudo isso que devo exclusivamente ao meu saudoso marido.

Pesquisa Ana Creusa.

Fontes: https://www.tse.jus.br/; https://www.camara.leg.br/; https://www.bbc.com/;  https://silveiradias.adv.br/.

Laélia Alcântara, a primeira senadora negra

A baiana Laélia Contreiras Agra de Alcântara, nascida em Salvador em 7 de julho de 1923 é a primeira mulher negra a exercer o mandato de Senadora Federal, eleita pelo Acre, na época, território federal.

Filha de Júlio e Beatriz Contreiras Agra, formou-se médica em 1949, pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Da academia, transferiu-se para o Acre, que tinha apenas seis médicos! Lá, ela especializou-se em atendimentos nas áreas de obstetrícia e pediatria e deu aula de puericultura na Escola Normal de Rio de Branco.

Sua carreira política começa em 1962, quando é eleita suplente de deputado federal em 1962, pelo PTB,  migrou para o antigo MDB, após o bipartidarismo decretado pelos militares em 1965.

Em 1974, em nova eleição, conquista outra suplência. Desta vez do senador Adalberto Sena.

Com a volta do pluripartidarismo em 1980, acompanha o partido na mudança da sigla. E é como peemedebista que ela se torna a primeira mulher senadora da República, num mandato de cinco meses, de abril a agosto de 1981, devido o afastamento o titular, por questões de saúde.

Adalberto Sena retoma seu mandato, mas em janeiro de 1982 vem a falecer, confirmando seu pioneirismo na câmara alta do Congresso Nacional.

Ao ser efetivada, Laélia de Alcântara torna-se, também, a terceira senadora de nossa história.

Como curiosidade, vale saber, que a Princesa Isabel foi a primeira mulher senadora do Brasil, por direito dinástico, durante o Império. A segunda foi Eunice Michiles, do PDS do Amazonas.

Isabel, em sua passagem pelo Congresso Nacional, posicionou-se contra o aborto, contra o racismo e apresentou emendas permitindo o ingresso de mulheres na Força Aérea Brasileira.

Presidente do Conselho Regional de Medicina do Acre, Laélia também atuou como secretária de Saúde entre maio e setembro de 1987, ocasião em que encerrou sua carreira política.

Laélia morreu em 30 de agosto de 2005 no Rio de Janeiro.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/La%C3%A9lia_de_Alc%C3%A2ntara

http://www.fgv.br/cpdoc/

Laélia Alcântara, a primeira senadora negra

Mulheres devem aumentar a participação na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa do Maranhão

A eleição de 2022 deve garantir um aumento da presença das mulheres na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa do Maranhão. Atualmente, o Estado possui apenas uma representante no Congresso Nacional, a senadora Eliziane Gama (Cidadania) e dez deputadas no parlamento estadual.

Entre os 18 federais, a expectativa é que representantes do sexo feminino sejam pelo menos 2 ou 3, já no Palácio Manuel Beckman, esse número deve atingir 1/3 da composição.

Amanda Gentil e Daniela Tema buscam as vagas na Câmara Federal e Assembleia Legislativa

Na Câmara Federal, Roseana Sarney (MDB) e Detinha (PL), são super favoritas em seus partidos, mas essa lista pode ficar ainda maior, caso Amanda Gentil (PP), consiga superar André Fufuca (PP), ou os Progressistas, garantam as duas vagas.

Com Roseana e Detinha na disputa, Maranhão pode voltar a eleger mulheres para Câmara após oito anos

Outros nomes na briga pela vaga de deputada federal possuem destaque como Flávia Alves (PCdoB), que concorre na Federação, Rosana da Saúde (Republicanos) e Lucyana Genésio (PDT).

Rosana da Saúde | Republicanos10
Rosana da Saúde (Republicanos)
Flávia Alves (PC do B)
Flávia Alves (PC do B)

Álvaro Pires alavancará campanhas de Lucyana Genésio e Thaiza Hortegal - Gilberto Léda

Na Assembleia Legislativa, Cleide Coutinho não concorrerá a reeleição e Detinha vai disputar o cargo de deputada federal. Mas as demais, todas tem boas chances de reeleição, a exceção fica por conta de Betel Gomes (MDB) que encara um cenário adverso.

Andreia Rezende é cotada como favorita no PSB; Ana do Gás tem boas chances na Federação PT, PCdoB e PV; Dra Helena Duailibe está entre as favoritas no PP; Mical é considerada puxadora de votos no PSD. As demais Daniella (PSB), Socorro Waquim (PP) e Dra Thaiza Hortegal (PDT), também estão na briga pelas vagas.

Lei de Mical Damasceno torna igrejas e templos atividade essencial
Mical Damasceno

Porém além das atuais parlamentares vem um time de mulheres fortes na briga. Iracema Vale (PSB), é apontada como uma das favoritas para alcançar a maior votação em seu partido. Assim como Abigail Cunha e Fabiana Vilar no PL. No PDT, a primeira-dama de Balsas, Dra Viviane possui chances reais de vitória. De Imperatriz, também vem a primeira-dama Janaína Ramos (Republicanos), que é cotada como favorita no partido.

Janaína Ramos troca MDB por Republicanos para disputar ...

Outros nomes também podem garantir a vaga como a ex-prefeita de Vila Nova dos Martírios, Karla Batista (Republicanos); a ex-deputada estadual, Valéria Macedo (Podemos) e a primeira-dama de Igarapé do Meio, Solange Almeida (PL).

Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão - Valéria Macedo repercute aprovação de PL que define piso salarial dos profissionais de Enfermagem
Valéria Macedo (Podemos).

Fontes: TRE/MA e blog Diêgo Emir, imagens da internet.

 Erótica é a Alma

Todos vamos envelhecer….

Querendo ou não, iremos todos envelhecer.

As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar.

A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos.

A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos.

O segredo não é reformar por fora.

É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior.

E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar.

Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história.

Que usa a espontaneidade para ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos.

Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios.

Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo.

Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.

Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.

 

Adélia Luzia Prado de Freitas, mais conhecida como Adélia Prado, é uma poetisa, professora, filósofa, romancista e contista brasileira ligada ao Modernismo. Sua obra retrata o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único.

Aniversário de Ana Creusa 2022

“Hoje o Universo está ainda mais vibrante porque celebramos o aniversário de uma pessoa muito querida e especial: minha amiga Ana Creusa, que para mim é mais que uma amiga, na verdade, é uma conselheira, mãe, irmã, mentora…e sou tão grata a Deus pela oportunidade de ter o carinho de sua amizade, que hoje peço a Ele que lhe dê ainda mais anos de vida e muita saúde pra desfrutar nesses anos. Eu poderia te desejar força, coragem etc, mas ao longos desses anos que te conheço pude ver que tudo isso você tem de sobra, e todos aqueles que convivem com você são inspirados pela sua história, sua luta, sua vida, porque você é uma pessoa que não desiste, que ver sempre o melhor nas pessoas, que tem sempre as palavras certas e as causas certas.
É uma honra ser sua amiga, estou em completo estado de Graça pela data de hoje.
Feliz aniversário, minha querida amiga Ana Creusa. Parabéns, muitas felicidades e bençãos hoje e sempre!” Elinajara Pereira.

Algumas mulheres fazem toda a diferença neste universo e você, sem dúvidas, é uma dessas pessoas impactantes que já cruzaram nosso caminho. É por isso que hoje, no seu aniversário, quero fazer esta singela e humilde homenagem e desejar toda, toda a felicidade do mundo para você e sua família.

Ana, você esbanja qualidades e possui uma personalidade marcante, influenciando na transformação de outra vidas que cruzam com a sua.

Ana, se existem pessoas iluminadas neste mundo, você com certeza é uma delas.

Gratidão por tudo que representas para o universo. 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

Parabéns pelo seu aniversário e muitas, muitas felicidades hoje e para todo o sempre. Feliz vida! Eni Amorim

A 27 de julho em Peri-Mirim nascia
Uma estrela brilhante.
Cheia de graça e magia.
Enchendo toda a cidade.
De beleza e alegria.

Os dias foram passando.
Essa criança crescendo.
Como saudável criança
Estripulias fazendo.
Com a visão no futuro
Cada dia ia vivendo.

A menina ficou moça
Veio pra cidade estudar
Firme em seus propósitos
De um dia se formar
Bacharela em direito.
Ninguém pode duvidar.

Uma criatura doce
De grande generosidade
Fácil de fazer-se amiga.
Um coração de bondade.
Ana Creusa hoje desejo-te.
Toda felicidade.

Desculpe-me esse mal jeito.
De a ti me reportar
É que esse é meu jeito.
Cabo logo tosco e sem jeito.
Mas trago dentro do peito.
Um jeito sincero de amar”.
João Silveira

Ana é um ser de luz que a cada encontro nos deixa mais seu fã. Simplicidade, lealdade, coerência e vai que vai. Beijo, querida amiga“. Antônio Padilha.

“Feliz aniversário e saúde e felicidade toda sua vida, Anica! Você é um exemplo de vida para mim, amiga. Que Deus te abençoe e Nossa Senhora te proteja, ilumine e guie em todos os seus caminhos! Te admiro muito, minha querida, e tua amizade é preciosa para mim! Um grande beijo!Gracilene Pinto

“Quero agradecer todas as felicitações de aniversário dirigidas à minha irmã Ana Creusa. Ela é nossa estrela-guia. Na nossa família já temos mais 7 Anas em sua homenagem. Nem preciso dizer que sou fã dela: uma pessoa única, humilde e cativante. Agradeço todos os dias por tê-la como irmã. Obrigada de coração a todos vocês que ela tem como membros da nossa família”. Ana Cléres.

“Neste dia especial, véspera do dia da adesão do Maranhão à Independência do Brasil, venho prestar minhas homenagens à presidente da ALCAP, Ana Creusa, pelo seu aniversário. Quem ama seus pais, como você ama, tem sempre os cuidados e as bençãos divina.
Saúde sempre, minha amiga”. Francisco Viegas.

Bem que eu havia desconfiado que o Dia de hoje estava diferente, mais bonito e mais perfumado. Sem ter mesmo a certeza, mas sentindo as forças positivas do Universo, sabia que ele, o Universo, havia preparado um Dia mais que especial pra todos nós. Hoje é o seu aniversário minha parceira universal, te desejo toda a felicidade do Mundo que ainda é pouca pra você que é tão especial pra mim. Obrigado por existir Doutora. Feliz aniversário e muitas energias positivas pra você hoje e sempre. Parabénsssssss. Gilvan Mocidade.

ANA DOS PARICÁS

Ontem, foi postado por aqui, fotos dos paricás de um bosque que foi idealizado por Ana Creusa. Não sei se Creusa é derivado de crer, se não é deveria ser. Essa Creusa que conhecemos crê, acredita e faz. O paricá é uma árvore altaneira, frondosa, elegante, com bela folhagem verde, sempre de bem com a natureza. E mesmo durante as tormentas e do sol escaldante mantém-se balançando suavemente ao sabor do vento. Debaixo de sua copa abriga a quem precisa de sombra, de descanso e revigor. Tem gente que é assim como um paricá.
Ana tentei falar com você várias vezes, não consegui.
Queria te dizer isto. Você não parece um paricá. O paricá é que parece com você. Parece, não é igual, porque você é 10. PARABÉNS. Expedito Moraes.

Falar de Quequezinha não é tarefa fácil, mas vou tentar traduzir em poucas palavras um pouquinho do que ela representa para todos nós: ela é irmã, amiga, conselheira, protetora, exemplo de força e coragem, de uma inteligência rara, sempre esteve à frente do seu tempo.
Muito obrigada minha irmã querida por fazer parte de nossas vidas. Feliz aniversário e que o Senhor Jesus Cristo te abençoe e proteja em todos os dias de sua vida. Cleonice Martins.

“Hoje é uma ótima data para relembrar sua história ❤️Além de uma inteligência ímpar, revelada por esse “singelo” currículo de grandes feitos intelectuais, és amorosa, humilde e generosa. Sinto-me privilegiada por tê-la por perto e poder desfrutar de sua companhia! Minha melhor amiga e mãe.
Te amo grandemente, para sempre . Que seu dia seja de luz e o novo ciclo maior do que nunca.

Feliz aniversário 🥳🥳 Alana Martins Mota

 

Parteira Dadá de São João Batista completa 99 anos

EUGÊNIA MENDES CÂMARA, carinhosamente chamada Dadá. Nasceu no dia 13 de novembro de 1922, no povoado Enseada dos Bezerros, São João Batista-MA.

Filha de Raimunda Nonata Mendes e pai desconhecido, situação comum naquela época em que as mães solteiras não tinham os filhos reconhecidos pelos pais, pois não existiam leis que os obrigasse reconhecê-los.

A segunda dos sete filhos de Raimunda, relacionados a seguir: Maria de Lourdes (Lulu), Eugênia (Dadá), Levi, Belízia (Belinha), Julião, Miriam e José Manoel.

Dadá passou parte da sua infância, no povoado onde nasceu, com sua mãe e sua avó Cândida que era o referencial familiar dos netos.

Sua origem humilde não foi obstáculo para tentativas de uma vida melhor. Queria estudar, mas não era possível porque não havia escolas naquele lugar e, estudar era privilégio dos himens, uma vez que, as mulheres eram educadas para ser donas de casa. Deveriam aprender a cuidar dos filhos e do marido.

Aos 7 anos, veio para São Luís onde morou com sua tia e madrinha Ângela Araújo, no bairro Sítio do Meio, sendo matriculada na Escola Modelo Benedito Leite, cursando até a 3ª série do antigo ensino primário, porém, seu currículo foi preenchido por si própria: um vasto conhecimento do mundo, sua universidade foi a própria vida.

Aos 21 anos conheceu o jovem João Câmara no bairro Diamante, avistando-o normalmente. No entanto, aquele jovem vindo de São Vicente Férrer para prestar contas com o Serviço Militar, procurou se informar sobre o endereço daquela senhorita para enviar-lhe uma Carta, pedindo-a em namoro. A carta foi recebida pelo tio Matias Araújo que ao lê-la buscou informação sobre o autor da mesma e, depois de algumas formalidades familiares, autorizou o namoro, pois o seu futuro marido era um homem de tradicional família de São Vicente Férrer, a família Marques Câmara, vinda da Ilha da Madeira – Portugal, a qual teve um ancestral que, por determinação da Coroa portuguesa fixou-se no município de Peri-Mirim-MA.

Após um ano de namoro, Dadá casou-se com João Câmara e desse casamento nasceram dez filhos: Carlos Alberto, Sônia, Edna, Dalva, João, Flor de Maria, Apolinária, Jomar, Anilde e Váldina.

Supermãe! Além de seus dez filhos, adotou e criou outras crianças, educando-as sem fazer distinção entre os seus filhos biológicos.

Sempre preocupada com a educação dos filhos, foi capaz de desempenhar com muita sabedoria os papéis de mãe, professora e, às vezes, psicóloga, tendo como base os princípios da ética e da honestidade: valores imprescindíveis para a boa formação do ser humano.

Em 1956, mudou-se, com toda a família, para São Vicente Férrer, lugar onde seu esposo nasceu, permanecendo lá por quatro anos.

No início de 1960, a fim de que seus filhos pudessem estudar, resolveu fixar residência em São João Batista. Logo que chegou no município, a primeira providência a ser tomada foi sair em busca de escolas para matricular seus filhos, porém, conseguiu organizar, em sua própria casa, uma escolinha com duas salas de aula multisseriado, contando com a ajuda de um representante político, partido PTB, o Sr. Procópio Meireles, que remunerava duas professoras alfabetizadoras: Violeta Meireles e Maria Souza Coelho. A escola foi denominada de Escola Trabalhista Brasileira.

Em São João Batista desenvolveu várias atividades, tais como: professora alfabetizadora, costureira e parteira, mas a sua maior dedicação, durante vinte anos (1960-1980), foi o trabalho de parteira. Este trabalho tornou-se tão intenso que era necessário sair de casa às altas horas da noite, transportada em canoas ou a cavalos, meios de transportes da época, para prestar atendimento a mulheres em povoados distantes.

Prestava também atendimento, em sua própria residência, às gestantes que iam verificar a posição do bebê, bem como, receber orientações acerca da gravidez e do parto.

A fim de uma melhor qualificação para o trabalho, Dadá fez um estágio na maternidade Benedito Leite, em São Luís, no final dos anos 60.

Conquistou, em São João Batista, a amizade da população e das autoridades locais, nutrindo com todos um bom relacionamento.

Mulher religiosa e movida pela fé, construiu com a ajuda de três amigas, uma igreja católica – Igreja Nossa Senhora Aparecida, no bairro Paulo VI, existente ainda hoje.

Seu retorno a São Luís, concretizou-se em 1980, residindo no Conjunto Vinhais até os dias atuais, sendo visitada diariamente por pessoas amigas e conterrâneos.

Aos 99 anos, ainda lúcida e com tanta experiência de vida, é capaz de orientar seus filhos, netos e bisnetos. Faz tudo o que é possível para manter a família sempre unida, comemorando aniversários e outras datas festivas com almoços e jantares.

Com grande satisfação repete em suas conversas diárias: … tenho dez filhos, vinte netos e dezesseis bisnetos! …

Mulher extrovertida, de temperamento assumidamente forte, determinada, mas generosa. Sente-se feliz e abençoada por Deus porque criou seus filhos, orientando-os a fim de que alçassem seus próprios voos. Uma sensação de dever cumprido!

Sua imagem engrandece seus familiares, seu exemplo de vida dignifica seus filhos, dignificará, também, suas futuras gerações!

Biografia de autoria de sua filha Apolinária Câmara.

Maria Amélia Pinheiro Martins dos Santos

Por Ana Creusa

Nasceu no dia 12 de novembro de 1928, no Povoado Ponta de Baixo, município de Peri-Mirim, filha de Benvindo Mariano Martins e de Militina Rosa Pinheiro Martins. Logo após o nascimento, Maria Amélia e sua mãe retornaram ao Feijoal, onde morava seus pais, nas terras de João de Deus Martins, seu avô paterno.

Seus irmãos são: Raimundo e Ozima (frutos do 1º matrimônio do seu pai, cuja esposa morreu de parto); Raimundo João (Santinho); Maria Celeste; Terezinha; João de Jesus (Zozoca); Benvindo Filho (Benvindinho) e Iraci.

Maria Amélia era uma criança inconformada com as injustiças, era defensora de muitas crianças que seus pais criaram. Na verdade, eram crianças forçados a realizar trabalhos infantis, apenas para ganhar o pão de cada dia e aprender as primeiras letras. Essas crianças e adolescentes viviam na fazenda dos seus pais realizando os trabalhos pesados de criação de gado – como tirar leite, fazer queijo – e ainda realizavam as tarefas da roça, destinadas a extrair ração para os animais e abastecer o celeiro com alimentos, como farinha, arroz e feijão.

Ela estudou até o 2º ano primário na Escola Santa Severa, mantida pelo seu avô João de Deus, juntamente com seus irmãos e primos. Desde cedo, Maria Amélia desenvolveu o gosto pelo comércio. Segundo a sua prima Isabel, ela vendia uns cartões aos seus colegas, mesmo durante as aulas e a professora sempre a advertia dizendo “senta, Maria Amélia”.

Por não continuar seus estudos, ela desenvolveu uma frustração, pois às mulheres daquela época não era permitido sair de casa. Maria Amélia queria estudar, como fez seu primo Manoel Sebastião Pinheiro que se formou em Medicina na Bahia. Consciente do valor da educação, ela estimulou sua irmã mais nova, Iraci, a continuar os estudos no município de Pinheiro, esta fez até o 5.º ano, o que a credenciou a exercer a profissão de professora no Cafundoca, Povoado de Palmeirândia, onde se casou com Zózimo Soares.

Na adolescência, ela apreciava cultivar belos jardins, mas não tinha afinidade alguma com os afazeres domésticos, preferia cuidar do gado, montar a cavalo e andar de canoa pelos campos, práticas condenadas pela sua mãe que a queria preparando comida, tecendo redes, costurando e fazendo rendas.

Casou-se com José dos Santos no dia 25 de agosto de 1950. Seu namoro não era aprovado pela sua mãe, por preconceito social. Porém, seu pai fazia gosto, pois considerava José dos Santos um homem sério e trabalhador. Ela cuidou de não retirar o nome de sua mãe do nome de casada, apenas acrescentou o sobrenome do marido, o que era incomum daquela época. Depois do casamento foram morar na casa dos seus pais, lá nasceram seus primeiros filhos: Ademir de Jesus e Cleonice de Jesus.

Pela vontade do seu marido, eles ficariam na casa dos seus pais para sempre. Mas Maria Amélia queria ter a sua casa, conquistar seus sonhos e criar seus filhos longe dos mimos dos avós. Com isso, mudaram-se para o Cametá – no fundo da enseada da Ponta do Poço -, terra da mãe do seu marido.

Maria Amélia ganhou seu quinhão de gado e partiu para as terras do seu marido. Lá encontrou uma grande parceira, Maria Santos, a irmã de José que a ajudava em tudo, principalmente com o cuidado com as crianças. Praticamente nascia um filho por ano e assim, nasceram 10 (dez): Ademir de Jesus (in memoriam), Cleonice, Edmilson, Ricardina, Ademir, Maria do Nascimento, Ana Creusa, Ana Cléres, José Maria e Carlos Magno (in memoriam).

O seu filho mais velho faleceu com um ano e sete meses, vítima de difteria. Esse fato angustiou a jovem mãe que não teve mais alegria em sua casa tão bem construída pelo marido. Essa angústia levou José Santos a construir uma nova casa em outro local que era de propriedade do pai de sua esposa. E para lá se mudaram, antes, porém, destruíram a antiga casa e partiram para uma aventura, foram morar em uma casa improvisada, que nunca foi concluída. Acredita-se que houve arrependimento e desânimo por parte do esposo, que nunca concluiu a construção da nova casa.

Maria Amélia era a principal responsável pela educação dos filhos. O marido saía cedo para a lida na lavoura e só voltava à tardinha. Os filhos ficavam muito felizes, tanto pela presença amorosa do pai, quanto pela garantia de que a partir daí mais ninguém levava surra, as traquinagens podiam ficar para correção no dia seguinte, mas aqueles momentos eram sagrados com o pai,  que contava suas aventuras de infância e mocidade, bem como outras histórias repassadas pela sua mãe.

A formação religiosa dos filhos era motivo de preocupação dos pais. As orações antes de dormir eram obrigatórias. Reunida, a família sempre rezava uma dezena do terço, mas na época da quaresma, era um rosário inteiro, com contemplação dos mistérios e nas sextas-feiras a oração “Sexta Santa” era sempre recitada. Também aos domingos a família assistia aos cultos e, uma vez por mês à Santa Missa, celebrada pelo Padre Gerard. Os filhos desenvolveram o hábito de pedir a bênção aos pais, parentes e idosos.

Maria Amélia fazia questão que os filhos estudassem. Todos iniciaram seus estudos na Escola Sá Mendes que funcionava no Povoado Ilha Grande, tendo como principais professoras Lourdes Pinheiro Martins e Maria de Jesus (a Maria de Nhonhô). Naquela época, era costume a técnica da palmatória e as meninas se responsabilizarem pelos afazeres domésticos da casa da professora, como varrer casa, fazer comida e até cuidar dos filhos pequenos da professora. Os meninos ajudavam o marido da professora nas atividades de pecuária, muitas vezes tinham que cair no campo para ir atrás do gado. Isso, com certeza, prejudicava as atividades escolares. Entretanto, os filhos de Maria Amélia eram poupados dessas atividades.

No dia da matrícula, Maria Amélia que era brava quando o assunto era educação, já ia avisando:

– Meus filhos quem corrige sou eu, e eles não são teus empregados.

Com essa advertência, os filhos de Maria Amélia podiam estudar tranquilos. E ela ainda cuidava de orientar os filhos nesse quesito.

Com o acidente de seu marido em 20 de novembro de 1972, novos desafios ela iria enfrentar. Alguns vizinhos e amigos a aconselharam a tirar os filhos da escola para ajudarem no sustento da família. Ela sempre com a resposta na ponta da língua, dizia: – eu estou te pedindo alguma coisa? – Com a doença do pai é que eles precisam estudar mais. E assumiu os trabalhos da roça e na criação de animais e peixes e assim seguiu a vida.

Não foi à toa que seu filho caçula – Carlos Magno – mais tarde a chamava de “Galinha de Pinto”, simbolizando uma galinha que guarda a sua ninhada debaixo das asas e protege os pintinhos do ataque dos predadores, especialmente, o gavião.

Na comunidade ela praticava a medicina rudimentar. Aplicava massagens, curativos, enfaixava ossos quebrados. Depois que teve seus filhos, foi uma parteira eficiente, acompanhava as mães durante o período gestacional, orientando, inclusive, na alimentação. Verificava a posição correta do feto para o nascimento. Não raro, realizava manobras na barriga da mãe, para que a criança ficasse na posição ideal para o parto. De sorte que, nenhuma parturiente morreu em suas mãos.

Fica assim demonstrado que Maria Amélia lutava pelos direitos dos oprimidos, exercia sua função de mãe e esposa, sem descuidar em quebrar preconceituosos prejudiciais à convivência harmônica entre as pessoas. Percebe-se que ela estava à frente do seu tempo e que possui a marca dos vencedores, porque a sua força vem do espírito.

TJ-MA prepara lançamento de medidas de incentivo à regularização fundiária

O Estado do Maranhão possui 730 conflitos fundiários mapeados, com informações de geolocalização das áreas críticas por município; a fase processual das ações possessórias, a população envolvida, dentre outros dados.

Essas e outras informações estão sendo reunidas em uma plataforma criada por iniciativa da Corregedoria Geral da Justiça do Maranhão (CGJ-MA), em parceria com a Secretaria de Estado de Programas Estratégicos (SEPE) e Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC).

Segundo a juíza Ticiany Gedeon Maciel Palácio, autora do livro PROTEÇÃO DO TERCEIRO DE BOA-FÉ NAS AQUISIÇÕES A NON DOMINO e coordenadora do Núcleo de Regularização Fundiária (NRF) da CGJ-MA, essa ferramenta tecnológica fornecerá informações estratégicas importantes para  auxiliar o trabalho dos juízes de direito nos processos de regularização fundiária no Estado e será disponibilizada no Portal do Poder Judiciário do Maranhão.

Além da plataforma, a Corregedoria também irá editar um Provimento com orientações técnicas e seguras para orientar a agilização das REURB-S e outros projetos de regularização feitos junto aos cartórios, com informações sobre documentos que não constam na Lei nº 13.465/2017 – a Lei de Regularização Fundiária Urbana e Rural.

As medidas foram anunciadas pela juíza durante reunião do Fórum Fundiário de Corregedores-Gerais da Justiça da Região do MATOPIBA-MG, da qual participaram o corregedor-geral da Justiça, desembargador Paulo Velten, e os cartorários Zenildo Bodinar (1º Ofício de São Luís) e Guiomar Bittencourt (7º Ofício de Imperatriz).

REURB-S

A juíza apresentou um painel no qual abordou os avanços obtidos com a Lei nº 13.465/2017; analisou a REURB-S como instrumento de inclusão social, econômica e jurídica no âmbito do MATOPIBA-MG; e relatou sobre os projetos desenvolvidos pelo Núcleo de Regularização Fundiária no Maranhão –  “Minha Terra”, “Integra”, e “Camboa”, que culminaram com a entrega de centenas de títulos de propriedade em comunidades do interior.

Segundo a coordenadora do NRF, a interiorização das ações do projeto “Minha Terra já beneficiou moradores com a entrega de títulos de propriedade Balsas (180 títulos) e nas comunidades de São Joaquim e Gleba São Brás e Macaco (400 títulos), na região metropolitana de São Luís. Também já aderiram ao programa as prefeituras de Arame, Santo Antônio dos Lopes e Lagoa Grande. A entrega de títulos nesses municípios está prevista para ser realizada ainda em novembro deste ano. Quanto ao Projeto “Integra”, a titularidade alcançou as comunidades de Caxias, na Vila São João (684 títulos); Imperatriz, na Vila Vitória (900 títulos) e Coelho Neto – onde o projeto está em curso.

Outra realização destacada foi o projeto de padronização das práticas de REURB em todo o Estado, por meio da capacitação de uma turma de 25 pessoas, dentre juízes de direito e servidores do Estado e municípios, realizado em 10 de outubro.

Dentre os próximos desafios do NRF, a juíza informou que o Núcleo de Regularização fundiária “planeja aumentar a adesão dos municípios ao Programa “Minha Terra”, elaborar projeto para implantar cadastro municipal de imóveis nos pequenos municípios e multiplicar as entregas de REURBs pelos municípios e contemplar a solução do conflito fundiário na Gleba “Caju”, em parceria com o Poder Executivo”.

Fonte: TJ/MA.

Veja vídeo apresentado pela juíza durante a Reunião do Fórum de Corregedores-Gerais da Justiça da Região do MATOPIBA-MG:

Atriz Fernanda Montenegro é eleita para Academia Brasileira de Letras

Ela vai ocupar a cadeira do acadêmico Affonso Arinos de Melo Franco.

A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu hoje (4) a atriz Fernanda Montenegro para a cadeira 17, na sucessão do acadêmico e diplomata Affonso Arinos de Mello Franco, que faleceu em dia 15 de março do ano passado. Fernanda era candidata única à vaga e foi eleita por 32 dos 35 votos.

O presidente da ABL, Marco Lucchesi, comemorou a eleição da dama do teatro nacional para a instituição.

É um momento importante, primeiro pela renovação que se dá com a eleição na Academia Brasileira de Letras. É um sinal de novos horizontes. Isso é sempre importante. Por outro lado, Fernanda é uma grande intelectual, uma representante importante da cultura brasileira. Ela já é parte do imaginário de nosso país e, de alguma forma, ela talvez nos obrigue a aumentar as cadeiras de 40 para 80. Se trouxer todas as personagens que amamos, vamos ter que dobrar o número de cadeiras [da ABL]. Então, vamos ficar com ela, que vale muito”, disse Lucchesi.

Os ocupantes anteriores da cadeira 17 foram Sílvio Romero (fundador), Osório Duque-Estrada, Roquette-Pinto, Álvaro Lins e Antonio Houaiss.

Permanecem vagas ainda as cadeiras 20, do jornalista Murilo Melo Filho, morto no dia 27 de maio de 2020; a 12, do professor Alfredo Bosi, morto no dia 7 de abril de 2021; a 39, do vice-presidente da República Marco Maciel, morto no dia 12 de junho deste ano; e a cadeira 2, ocupada pelo professor Tarcísio Padilha, que morreu no dia 9 de setembro.

Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro, nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torre, nasceu em 16 de outubro de 1929, no bairro do Campinho, zona norte do Rio de Janeiro. Atuou em um palco pela primeira vez aos 8 anos de idade, para participar de uma peça na igreja. Sua estreia oficial no teatro, entretanto, ocorreu em dezembro de 1950, ao lado do marido Fernando Torres, no espetáculo 3.200 Metros de Altitude, de Julian Luchaire.

Na TV Tupi, participou, durante dois anos, de cerca de 80 peças, exibidas nos programas Retrospectiva do Teatro Universal e Retrospectiva do Teatro Brasileiro. Ganhou o prêmio de Atriz Revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, em 1952, por seu trabalho em Está Lá Fora um Inspetor, de J.B. Priestley, e Loucuras do Imperador, de Paulo Magalhães.

Mudou-se para São Paulo em 1954, onde fez parte da Companhia Maria Della Costa e do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Com o marido, formou sua própria companhia, o Teatro dos Sete – acompanhada também de Sergio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli e Alfredo Souto de Almeida. A estreia da companhia fez sucesso com a peça O Mambembe (1959), de Artur Azevedo, atraindo centenas de espectadores ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1963, estreou na TV Rio, com as novelas Amor Não é Amor e A Morta sem Espelho, ambas de Nelson Rodrigues. Nesse período, na recém-criada TV Globo, participou da série de teleteatro 4 no Teatro (1965), dirigida por Sérgio Britto. Em 1967, também integrou o elenco da TV Excelsior, interpretando a personagem Lisa, em Redenção, de Raimundo Lopes.

Ao longo da carreira, Fernanda participou também de minisséries como Riacho Doce (1990), Incidente em Antares (1994), O Auto da Compadecida (1999) e Hoje é Dia de Maria (2005).

Em 1999, Fernanda Montenegro foi condecorada com a maior comenda que um brasileiro pode receber da Presidência da República, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”. Na época, uma exposição no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, comemorou os 50 anos de carreira da atriz. Em 2004, aos 75 anos, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Tribeca, em Nova York, por sua atuação em O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein.

Fernanda Montenegro completou 92 anos de idade no dia 16 de outubro. Considerada uma das melhores atrizes do Brasil, Fernanda foi a primeira latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz por seu trabalho em Central do Brasil (1998). Foi, ainda, a primeira brasileira a ganhar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação na série Doce de Mãe, da TV Globo, em 2013.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/

PRIMEIRA DEPUTADA NEGRA DO BRASIL CRIOU O DIA DO PROFESSOR EM 1948

A partir de 1963 o Dia do Professor passou a ser comemorado oficialmente em 15 de outubro em todo o Brasil. Mas a data já era celebrada em Santa Catarina desde 1948 por iniciativa de Antonieta de Barros, a primeira mulher negra a ser eleita deputada no país. Professora por formação e filha de uma ex-escrava, ela teve papel fundamental na luta pela igualdade racial e pelos direitos das mulheres.

O dia 15 de outubro foi escolhido como Dia do Professor em referência à data em que o imperador D. Pedro I instituiu o Ensino Elementar no Brasil, em 1827. No ano de 1947, o professor paulista Salomão Becker já havia proposto a criação de um dia de confraternização e homenagem aos professores. No ano seguinte, Antonieta de Barros apresentou à Assembleia Legislativa catarinense o projeto de lei que criava o Dia do Professor. Somente 15 anos depois é que a data passou a ser oficializada em todo o Brasil, após a assinatura de um decreto do presidente João Goulart.

Primeira deputada negra do Brasil criou o Dia do Professor em 1948 - 1

A trajetória de vida de Antonieta de Barros é admirável. Nascida em Florianópolis, em 1901, ela teve uma infância difícil. Após ser libertada da escravidão, sua mãe trabalhou como lavadeira e, para completar o orçamento, transformou sua casa em pensão para estudantes. O pai de Antonieta, um jardineiro, morreu quando ela ainda era menina.

Foi convivendo com os estudantes na pensão de sua mãe que Antonieta se alfabetizou. Aos 17 anos, entrou na Escola Normal Catarinense, concluindo o curso em 1921. No ano seguinte, fundou o Curso Particular Antonieta de Barros, voltado para a educação da população carente.

Antonieta também trabalhou como jornalista, sendo fundadora do periódico A Semana, que circulou entre 1922 e 1927. Por meio de suas crônicas, divulgava ideias ligadas às questões da educação, dos desmandos políticos, da condição feminina e do preconceito.

Em 1934, na primeira vez em que as mulheres brasileiras puderam votar e se candidatar, filiou-se ao Partido Liberal Catarinense, elegendo-se deputada estadual. Uma das principais bandeiras de seu mandato foi a concessão de bolsas de estudo para alunos carentes. Ela exerceu o mandato até 1937, quando começou o período ditatorial de Getúlio Vargas. No mesmo ano, sob o pseudônimo Maria da Ilha, escreveu o livro Farrapos de Ideias.

Em 1947, após o fim da ditadura Vargas, ela se elegeu deputada novamente, desta vez pelo Partido Social Democrático, cumprindo o mandato até 1951. Antonieta nunca deixou de exercer o magistério. Ela dirigiu a escola que levava seu nome até morrer, em 1952.

Fonte: https://history.uol.com.br/