MINHA CRIANÇA, “AINDA”, VIVE!

Por Zé Carlos

Ontem, vivi mais um dia, “ainda”. Dia radiante e vivo, assaltado por lembranças, serenas, de tantas correrias. E alegrias.

Lembranças, que me remeteram à expectativa por um simples carrinho. De plástico. Que não durava nem um dia, “inteiro”. Que ficava sem graça, logo, logo, despedaçado e trocado por um “possante”, feito de latas de óleo, com rodas de “chinela” e feixe de mola triplo.

Carrinho, que já não encontro mais. Ou uma bola, dente de leite, para substituir, mesmo que rapidamente, a bola de meia ou a bexiga de porco. Bexiga de porco, sim. Só quem jogou ou tomou uma bolada “no bucho” ou ficou com o cheiro impregnado “no couro” sabe a aventura que é jogar com uma bexiga de porco.

Lembranças, que me remeteram à corrida de saco, ao roubar bandeira, à corrida com o ovo na colher, ao pular corda … ou, simplesmente, rolar, rolar, rolar, até me saciar com a areia bendita, a “encharcar” os calções, que eram o terror do “banco de lavar”.

Quão bom foi reviver tudo isso! Quão bons foram os meus dias de criança! De janeiro a dezembro. Sem férias, sem dia santo, sem ponto facultativo. Dias de criança, plenos e verdadeiros.

Em razão disso, não me deixo enfeitiçar por moderníssimos eletrônicos. Uso-os, porém, com certo pudor. Sempre recorro às orientações do meu filho, que parece que veio com os dedos conectados às teclas.

Talvez, por isso, outro dia, vi-me surpreso a observar uma cena, hoje, considerada incomum. Uma mãe comprava um kit completo para a sua filha de aproximadamente 6 anos. Uma vassourinha, uma pazinha de lixo, um aventalzinho, uma bandana, umas colherzinhas de pau (…) Uma cena belíssima. Fiquei a cismar. Aquela mãe é integralmente dona de casa!? Ou será que hibernou por algumas décadas?! Entretanto, muito fiquei preocupado. Cheguei a perscrutar ao redor, à cata de algum fiscal ou alguma “fiscala”, de plantão, a interpelar ou, até, processar a mãe, acusando-a de um ato machista ou de alimentadora do pensamento de submissão.

Verdadeiramente, tremi. E temi. Pela mãe. Sublime, em sua simplicidade e pureza, a comprar um simples presente simples para sua filha. Verdade verdadeira! O “big brother” tornou-se insuportável e irracional.

“Ainda” bem que consigo, “ainda”, seguir por entre muitas dessas novidades e “chaturas”. “Ainda” bem que, “ainda”, trago a minha criança, em mim; o que me garante, “ainda”, estar vivo!

Um olhar da Comunidade de São Raimundo sobre a realização do 2º evento de Resgate de Brincadeiras Culturais

No último domingo, dia 10 de outubro de 2021, a comunidade de São Raimundo realizou o Segundo Evento de Resgate de Brincadeiras Culturais em homenagem ao dia das crianças.

O evento consiste em um projeto concebido pelos idealizadores da Comunidade: Otávio Oliveira Silva, mestrando em Cultura e Sociedade (UFMA) e professor de Filosofia da Escola Carneiro de Freitas e Nilton Silva Azevedo, líder comunitário, em colaboração com Dauriane Silva Azevedo.

O objetivo do projeto, segundo os idealizadores do evento, é preservar a memória das brincadeiras culturais (tacobol, peteca, dama, baralho, passa a pedrinha, ciranda cirandinha, anjo bom, anjo mau, corrida de saco, rouba-bandeira, queimada, etc) e compartilhar os saberes entre as diversas idades em torno das memórias “esquecidas ” sobre as brincadeiras culturais.

Por que esquecidas? Na percepção dos idealizadores do evento, as brincadeiras culturais estão se perdendo no tempo, isto é, entrando em processo de esquecimento, o maior inimigo da memória. Pois, em razão do próprio processo de mudança cultural imposto pelo capitalismo, as pessoas da Comunidade são obrigadas a se dispersarem para outros lugares em busca de trabalho, deixando suas raízes (memórias) perdidas no tempo, de modo que, esse processo impede o compartilhamento de saberes.

Além disso, entendem que a tecnologia e redes sociais usadas em excesso estão prejudicando a concentração das crianças, a interação social e, portanto, o compartilhamento de memórias e saberes. Não se trata de ser contra a tecnologia, não é esse o caso, porque ela é uma ferramenta de ajuda criada pelo homem, porém, seu uso em desmedida prejudica nossas relações, na medida em que, em vez de nos aproximar e nos tornar melhores, ela nos afasta.

Por isso, a intenção dos idealizadores, por meio do compartilhamento de memórias e saberes das brincadeiras culturais, é transformar o evento em tradição, possibilitando o reavivamento do Espírito infantil que existe em cada um de nós.

Os idealizadores do evento contaram com o apoio de vários colaboradores, além dos membros da própria comunidade, pessoas de fora, que contribuem para o sucesso do evento, tais como Diego Nunes e Ana Cléres, ambos membros da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) e Sargento César, que são os apoiadores chave do evento, a quem os idealizadores agradem a parceria e o apoio, sem o qual não seria possível manter a qualidade do trabalho realizado.

Além destes, a comunidade o evento contou com a ajuda do Vereadores Joubert de Peri-Mirim, os secretários Eduardo Tupinambá da pasta de Agricultura, o secretário Frank da pasta de Cultura, Elitânia, secretária da Assistência Social e o Vereador da cidade de Palmeirândia Brígido Djalma, e a mestranda da Universidade Federal de Goiás em História, Juliana Araújo.

Peri-Mirim: Povoado São Raimundo realiza festival de brincadeiras

Para homenagear o dia das crianças, no último dia 10/10/2021 (domingo), os amigos Sargento César, Ana Cléres e Diêgo Nunes participaram do Resgate de Brincadeiras Antigas na comunidade do São Raimundo.

As brincadeiras selecionadas foram: 1) Bambolê; 2) Corrida de saco; 3) Vôlei; 4) Futebol; 5) Queimado; 6) Rouba bandeira; 7) Peteca; 8) Dominó; 9) Pula Corda; 10) Caça Tesouro; 11) Torta na Cara; 11) Cabo de guerra; 12) Torta na Cara; 13) Elástico; 14) Equilíbrio sobre a lata; 15) Pião; 16) Pata cega; 17) Amarelinha e 18) Apoio em frente sobre o solo.

Durante o intervalo foi servido, com muita animação, um delicioso lanche solidário para a criançada, com bolos, refrigerantes, salgadinhos, bombons e outros. 

O evento foi marcado de significados e emoções, ocasião em que os pais das crianças demonstraram sua gratidão pela oportunidade de relembrar as brincadeiras de suas infâncias e poder ver seus filhos e parentes com a oportunidade de viver essa emoção.

Sargento César, grande entusiasta do evento, justificou sua participação afirmando que “o resgate das brincadeiras de antigamente ajuda as crianças a aprenderem a se expressar, desenvolver a disciplina, o respeito ao próximo, bem como aprendem a respeitar os limites de cada um e dos seus colegas”. Ele utilizou sua experiência de militar para dirigir a brincadeira de apoio em frente sobre o solo, que fez o maior sucesso na garotada.

Diêgo Nunes, com seu espírito juvenil, participou de todas as brincadeiras com as crianças. Destacou que: “devemos estimular nas crianças e jovens o espírito de cooperação, e que as brincadeiras são uma oportunidade de entender o passado de forma lúdica e prazerosa”.

Ana Cléres, que deu toda assistência ao evento, juntamente com a comunidade, afirmou que “o resgate das brincadeiras antigas permite unificar os jovens, adultos e crianças em prol da união, pois desenvolve o espírito colaborativo da comunidade de São Raimundo”, bem como sugeriu que outras comunidades de Peri-Mirim realizem eventos dessa natureza.

Ao final, todos puderam constatar a importância de resgatar o espírito de comunidade, enfatizando que o resgate de brincadeiras antigas desperta a união, pois cultiva o espírito de solidariedade e Amor ao próximo.

Dia do Nordestino é 8 de outubro

Nesta sexta-feira, 8 de outubro, comemora-se o Dia do Nordestino, uma data que homenageia as tradições, paisagens e a cultura dos nove estados que integram o Nordeste.

A criação desta data é uma homenagem ao centenário do poeta popular, compositor e cantor cearense Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré (1909 – 2002).

Patativa do Assaré (1909-2002) foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Projetou-se nacionalmente com o poema “Triste Partida” em 1964, musicado e gravado por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

COISAS E LOAS XV (DESVIAR O CAMINHO JAMAIS)

Por Zé Carlos

Algumas vezes, por mais valentes que desejamos ser, somos tomados por um medo terrível, que nos paralisa. Então, uma sensação de impotência assalta-nos. Mesmo assim, acho o medo, por demais, interessante. E sábio. Prova-nos, na maioria das vezes, o quão frágeis somos. Não respeita idade, credo, cor. Nem hora, nem lugar. E, assim, nos impõe “um freio”.

Particularmente, não assisto a filmes de terror. Terror, jamais. Já basta o terror de nosso cotidiano. O terror da vida real. Ainda mais que já vivi muitas situações críticas. Dessas situações, algumas tão críticas que se tornaram hilárias. Duas merecem ser relatadas.

Em uma ocasião, entre Santa Quitéria e Brejo, por volta das 3 horas, plena madrugada, viajava sozinho. Sintonizei em uma rádio. Tocava uma música. Em inglês. Automaticamente, comecei a traduzi-la.

Concomitantemente, comecei a congelar. Congelar literalmente. Era um culto ao “demo”. O carro começou a perder velocidade e veio “morrendo, morrendo”. Praticamente, parou. O Campari escafedeu-se. A sudorese tomou-me por inteiro. O coração zambubava, em desespero extremo, ecoando mais que o Boi de Apolônio e o Boi de Pindaré, juntos. A música parecia não ter fim. Só comecei a reagir, quando começou a tocar uma nova música. E que reação! Em câmera lenta. A custo, consegui imprimir certa velocidade ao carro. Uma velocidade tímida, nervosa, covarde. Mais covarde que o motorista. De tal situação, só o medo restou-me, como “fiel companheiro”, “a me acompanhar” até o fim do trajeto.

Em outra ocasião, ainda adolescente, fui buscar um cavalo na Ponta Branca, a mando de papai. Após muita correria e tropeços, consegui laçá-lo. Em vez de rumar para casa, fiz uma parada no Chico de Belísia. Estava cansado. E com sede de São João da Barra. Perdi a hora. Apressei-me. Entretanto, havia “um trecho”, no caminho, que me “arrupiava” por inteiro. Passar por uma “tapera”, que ficava atrás do cercado do juiz, na saída de uma enseada. Tinha a impressão de que ela me acompanhava, espiando-me, ameaçando-me, toda vez que passava por ali. Não respeitava hora.

Um medo suave foi-me dominando. Cresceu. Tomou-me todo. E, fortemente, assustou-me. Aí, sim, “um medo de respeito”. A imaginação começou a trabalhar.

Naquele momento, para mim, os espíritos do mato estavam à espreita. Prontos ao ataque. Já esperava a aparição do curupira, da mãe d’água, até da onça, que um dia atacou Zé Pessoa, levando-o a se fingir de morto. E, para alimentar o meu medo, de repente, um barulho terrível.

Um porco, “varano o mato”, ao quebrar galhos secos, folhas de palmeiras … O cavalo empinou-se. E “eu, chão”. Uma queda terrível! “O danado abriu na carreira”, deixando-me “plantado no chão”. Morto de medo. Mas, o pior foi encontrar-me a pé e ter de encarar uma dura caminhada. E com a tarde findando. Uma jornada longa e cansativa. Passei pela entrada da Nova Ponta Branca, Ponta de Santana, Fazenda de Dr. Estrela, andei boa extensão pelo campo, Teso de Bernardo.

A cidade, longe, nadava em luzes alaranjadas, como se dançasse na cadência da aragem, que invadia a noite e teimava em me confundir a visão.

Ao chegar às proximidades do Taçoanha, já noite feita, escutei os gritos de Zé Carrinho, muito preocupado, à minha procura. O cavalo chegou ao seu destino. Muito bem. Só não levou o cavaleiro.
Tive dupla sorte. Escapei de uma “senhora surra” e aprendi uma grande lição. “Nunca desviar o caminho”!

Mais um ano sem os Diques da Baixada Maranhense

Por Luiz Figueiredo*

A Baixada Maranhense sofre mais uma vez a grave crise da estiagem o que acontece dos meses de agosto a dezembro, todos os anos, a partir da década de 50, quando aumentaram o número e a profundidade dos igarapés que além de drenarem a água doce, levam uma enorme quantidade de peixes, e contribuem também para invasão da água  do mar, provocando a salinização dos campos naturais em prejuízo da biodiversidade ali existente.

Os diques da Baixada foram concebidos em 1986, portanto há mais de trinta anos, tendo início com a construção da barragem de Pericumã no município de Pinheiro. De lá até agora nada mais foi executado. Interrompido o andamento desse importante projeto, o caos voltou a se instalar na Baixada com a falta d’agua causando grandes prejuízos para os que ali vivem e tirando o  sustento das famílias,  a pesca, a caça e agropecuária. Quem visita a região hoje, se depara com os campos áridos, semidesertificados, onde os animais perambulam de um lado para outro a procura de pasto e água.

Um verdadeiro crime e falta de sensibilidade daqueles que manipulam o dinheiro público. Muitos desses animais e aves, típicos da região, já se encontram em fase de extinção. O peixe, alimentação básica, está cada vez mais difícil e caro. Sentindo o agravamento desse quadro, tomei a iniciativa de em novembro de 2006, portanto a quase vinte anos do início (1987) e paralização dessa obra, de acompanhar técnicos do governo do estado para constatar “in loco” o  situação de abandono dos nossos campos, e encontramos pessoas carregando água na cabeça, em lombo de animais e o torrão rachado e a vegetação seca.

Agradeço a Reginaldo Telles que me deu apoio, Luiz Raimundo Azevedo, Leo Costa, Manoel Bordalo, Júlio Noronha, o saudoso e grande líder Neiva Moreira, que juntos formamos um grupo para apresentar uma nova proposta para o governo, a qual foi analisada, aprovada e de imediato autorizada o reinício dessa tão almejada e importante obra. Já se passaram outros dez anos e tudo continua como antes. A Baixada é uma região imensa, linda e bem localizada, rica,  com potencial para continuar sendo o celeiro da capital, como foi no passado, portanto merece uma ação urgente e definitiva para que aquela gente humilde e trabalhadora não venha continuar a sofrendo.

Sabemos que com os diques teremos uma região semelhante ao pantanal mato-grossense, com uma biodiversidade e um ecossistema bem característicos.  Vamos agir antes que seja tarde, pois a água salgada está prestes a invadir os lagos o que seria uma catástrofe ambiental sem precedentes. Medidas paliativas, soluções localizadas como pequenas barragens, canais ou açudes não resolvem, apenas minimizam as dificuldades da população. Só os diques promoverão a redenção dessa região rica e exuberante que a Baixada Maranhense.

Lamentavelmente concluo afirmando, 2016, MAIS UM ANO SEM OS DIQUES.

Luiz Figueiredo, administrador, presidente da Fundação Chiquitinho Figueiredo e Rádio Beira Campo, ex-prefeito de São João Batista.

Peri-Mirim: Reunião da Coordenação do Território Quilombola Pericumã

Relatório da reunião da Coordenação do Território Quilombola Pericumã realizada no dia 03/10/2021 no Colégio Vitorino Freire na Tijuca.

O Território Pericumã é formado por 9 (nove) comunidades quilombolas (Pericumã, Murutim, Tijuca, Malhada dos Pretos, Santa Cruz, Capoeira Grande, Rio da Prata, Pedrinhas e Itaquipe).

Como foi a primeira reunião da coordenação, foi feito um levantamento da situação de cada comunidade:

1 – Pericumã – o senhor Simeão Gonçalves, último presidente da associação se fez presente junto com a senhora Lenir. Em seu relato ele nos informou que fazem dois anos que o mandato da diretoria acabou. Assumiu o compromisso de encaminhar o mais rápido possível a eleição de uma nova diretoria. Para isso, vai contar com a ajuda do representante da associação junto à coordenação Sandro da Cantanhede;

2 – Tijuca – segundo o relato do senhor Walter, presidente atual da associação e representante da comunidade junto à coordenação, a associação encontra-se com a documentação atualizada. A Diretoria está dentro do mandato;

3 – Itaquipe – o senhor Zé Domingos é o atual presidente e representante da associação junto à coordenação. Esta eleito há um ano. Mas falta registrar a Ata de eleição no Cartório. O que não foi feito ainda porque o cartório está exigindo que conste na ata o nome do vice-presidente na chapa. Só que pelo Estatuto da associação esse cargo não existe;

4 – Capieira Grande – a senhora Ana Rosa é a atual presidente e representante junto à coordenação. Esta eleita mas falta registrar a Ata da eleição. Já fez um levantamento completo dos débitos da associação e já está com uma proposta de parcelamento;

5 – Pedrinhas – a senhora Joquinha junto com a senhora Nubia informaram que a associação está com problemas porque a presidente eleita está com uma carga de trabalho particular muito grande o que está dificultando sua atuação junto à associação. A comunidade ainda não recebeu o certificado de comunidade quilombola . Estão aguardando;

6 – Malhada dos Pretos – o senhor Berel foi reeleito presidente e é representante da associação junto à coordenação. Esta faltando registrar a ata da eleição;

7 – Rio da Prata – o senhor Lelico que é representante da comunidade junto à coordenação é o atual presidente. Informou-nos que a comunidade enfrenta problemas com três fazendas que existem dentro da área da comunidade. A documentação da associação está em dia;

8 – Murutim – o senhor Grande é o atual presidente e representante da comunidade junto à coordenação. Está eleito há um ano. Falta registrar a ata da eleição. A comunidade ainda não tem o certificado de comunidade quilombola mas o processo já está na Fundação Palmares e

9 – Santa Cruz – o senhor João Batista é o atual presidente está eleito há um ano e a documentação da associação está em dia. Está faltando indicar os representantes junto à coordenação.

Todo esse levantamento foi necessário porque sabemos que para conseguir qualquer benefício para as comunidades é obrigatório a atualização jurídica das associações. Senão nada feito. Foi comunicado que o I campeonato das comunidades quilombolas do Território Pericumã terá o seu início no dia 03/10/2021 à tarde.

Neste primeiro ano, todos os jogos serão realizados no campo do Murutim. O campeonato está sendo organizado pelo senhor Júnior Pote e pelo senhor Lageado e conta com o apoio do Prefeito Heliezer Soares, do secretário de Cultura Frank Hudson e do vereador Joubert.

Iniciamos uma discussão sobre a Semana da Consciência Negra que tem o dia 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra em homenagem ao líder negro Zumbi dos Palmares que foi morto nesse dia no ano de 1695. Como a hora já estava avançada decidimos que a assessoria da coordenação vai elaborar uma proposta de programação que será apresentada em uma próxima reunião que será realizada no dia 06/11/21 no mesmo local.

A Assessoria é formada por Maninho Braga, Ana de Margarida, Zé Augusto e o Dr. Sinval. Para fins de registro e acompanhamento, lavrou-se o presente Relatório.

 

Academia Joanina, um marco na História do município

Por  Marcondes Serra Ribeiro*

Confesso que me encontro deveras ansioso pela chegada do dia 29, quando será criada nossa Academia Joanina de Letras, Ciências e Saberes Culturais. É um sonho que se vai transformando em realidade, sonhado juntamente com outros sonhadores (desculpem-me a tautologia premente) – aquele desejo que se firmou permanentemente em cada um de nós, vivo e constante. Um sonho coletivo, e por isso mesmo bem mais forte, que nos une e motiva-nos para seguir em frente, otimistas, esperançosamente alegres, carregando uma certeza de que estamos construindo um marco em nossas vidas, na história de São João Batista!

Estamos bem otimistas, tentando disciplinar a empolgação, vislumbrando tudo pelo lado bom, concebendo a academia como um lugar de convivência real, amigável e elegantemente pacífica. Um ambiente ameno, onde nos dedicaremos esforçadamente ao usufruto daquilo que nos beneficiará e engrandecerá nossa alma, em forma de projetos contemplativos do crescimento de nossa terra, nas áreas afinadas com os propósitos institucionais – culturais e artísticos – que sejam dignos construtores, mantenedores, resgatadores da memória joanina. Somos conscientes que nossos propósitos não diferem das outras academias, quanto ao aspecto teórico, mas certamente que nosso ânimo fará a diferença no aspecto atitudinal , pois, graças a Deus, compomos um grupo com grandes expoentes, reunidos provavelmente pela saudade dos tempos de mais dedicação, gentileza e delicado amor ao próximo, apego à nossa eclética cultura, com o especial ufanismo que sempre caracterizou a ligação dos bons joaninos à sua querida terra – um sentimento que se mostra em semblante alegre e sincero, funda-se em argumentos extremamente firmes, expressa-se em termos de claro entendimento, pois provém da decisão vocacional em dar mais significância a nossas vidas, transforma-nos em plantadores das sementes dos sonhos mais prósperas , em solo abençoadamente fértil.

Não nos foge a certeza de que precisaremos ser fortes e corajosos para os embates contra as adversidades. Aqueles que se dedicam às artes, à cultura, tantas vezes são confundidos como articuladores apenas de projeção pessoal, mas isto, para nós, é mera consequência daquilo que é bem feito e torna-se agradavelmente digno de sucesso, por isso é que somos dedicados detalhistas, caprichosos artesãos de cada obra. Sabemos que remaremos contra a maré, enfrentaremos desafios terríveis e de toda ordem, mas bem determinados e decididos, seguiremos em frente, como temos seguido até aqui.

Não apenas homenagearemos, reconheceremos nossos valores, nossos expoentes artísticos, profissionais das mais variadas performances, mas também nos lançaremos às pesquisas que nos possibilitem o resgate de uma legião de esquecidos do passado e também do presente, pois muitos valores joaninos estão por aí, espalhados por esse imenso Brasil, desconhecidos de nossa gente, mas expressivos cidadãos de outras plagas, – personagens encantados pelo fenômeno da alma artística, pela dedicação e responsabilidade profissional concedente de grandes conquistas. Sentimo-nos, portanto, com a distinta obrigação de coloca-los em evidência, trazê-los zelosamente ao conhecimento e reconhecimento e proximidade de nossa gente, laureá-los condignamente!

Não poderia deixar de exaltar o especial apreço pela Língua Portuguesa, uma das inspiradoras razões que principiaram e justificam a existência da academia. Muitos de nós são poetas, escritores que se esmeram no trato com as palavras e deliciam-nos com obras requintadamente maviosas. A última flor do lácio inculta e bela, como referenciou Olavo Bilac, é o universo no qual esses confrades e confreiras movem a inspiração e pela qual se integram à comunidade lusófona, constituída de milhões de pessoas espalhadas pelos diferentes continentes, comunicando-se em português , cada povo a seu modo. Vale-nos lembrar o magistral Fernando Pessoa e seu dito: “a minha pátria é a língua portuguesa” e nós estaremos certamente muito inspirados por ele e assim cultuaremos a literatura e os livros e as produções literárias entre nossos conterrâneos.

Amigos, nossa academia está sendo criada com o orgulhoso referencial “a casa de Fran Figueiredo”. Ele foi escolhido para ser patrono da instituição, mas será também a casa de todos os demais patronos, a casa de todos os acadêmicos, mas, acima de tudo será uma realização que orgulhará nossa terra, firmar-se-á como o ambiente do diálogo entre a tradição e a contemporaneidade que esperançosamente dará bons resultados!

Marcondes Serra Ribeiro é natural de São João Batista, Graduação Superior em Língua Portuguesa e Literaturas na instituição de ensino CESB, Trabalhou como Professor de Língua Portuguesa na empresa Área de educação, Trabalhou como Management na empresa Ministério da Saúde.

OS PESSOA (O “FIO” MUSICAL)

Por Zé Carlos

Atendendo a uma sugestão especialíssima, volto a saga da música pinheirense, temática já abordada em ROSÁRIO & PESSOA: a harmonia perfeita.

Tarefa extremamente agradável, que me levou, um “pouquinho” mais, às minhas RAÍZES, onde pude reafirmar a importância dos PESSOA, para a vida musical de nossa Princesa da Baixada.

Nesse cenário, vamos encontrar, do segundo para o terceiro quartel do século XX, Filipinho Pessoa, que comandou algumas formações musicais, a animar os galantes bailes e a invadir a noite com suas famosas e sensacionais serenatas. Então, o que dizer dos carnavais! Carnavais homéricos, a “endoidecer” a cidade. Lembranças carnavalesca, que despertaram em um saudosista ferrenho, o meu pai Zé Carrinho Pessoa, até o ensaio de uma das músicas da época. “Seu Mané Garrincha, como é que se faz gol / Seu Mané Garrincha, como é que se faz gol / Seu Mané Garrincha, pega a bola e dribla um, dois, três, quatro, cinco, seis / E depois dá de bandeja, pra marcar / Quem faz o gol? É o Pelé”. Eita, lembranças!

Voltemos a Filipinho Pessoa. Um músico pleno, que lia e escrevia partituras, para todos os instrumentos. Verdadeiramente, um mestre, que teve a felicidade de ver-lhe os filhos “trilhando a sua mesma trilha”. Músicos. E que músicos! Fernando, Zé, Raimundo, Inácio, João, Heiter, Isabel (tia Bela, arrasando no violão). A exceção masculina fica por conta de tio Antônio Pessoa, que tocava nenhum instrumento.

Nesse “mergulho” musical, encontrei, como primeira referência, uma “orquestra”, liderada por ele (Filipinho Pessoa), no trombone, junto com Luís de Iria e irmãos. Luís de Iria, no violino; um irmão, que infelizmente não consigo nomear, na bateria; e o outro irmão, , no piston.

Há de se ressalvar que provavelmente houve outras incursões nessa seara. Não consegui outras informações. Assim como aproveitar para já me desculpar se, por ventura, esqueci alguém. Espero que venham contribuições, que possam completar minhas informações e / ou elucidar algumas lacunas apresentadas aqui. A curiosidade, pois, que me consome agora, é saber quem o levou à tamanha maestria.

O certo é que desfeita a formação citada, vovô Filipinho, ainda no trombone, partiu para nova empreitada. Criou a banda Jazz Pinheirense, referência musical a toda a Baixada e influência às gerações seguintes. “Bandaço“, em que contava com a companhia de Bigodinho, no pandeiro; Fernando Pessoa, no banjo; Guadêncio Peocapá, no violino; Heiter Pessoa, na bateria; e José Tomé, no piston. Haja talentos!

Filipinho Pessoa tinha apenas um irmão, Mundico Pessoa. Este não tocava, mas a genética musical fez-se presente em seus descendentes: Geovane Pessoa, no sax, e Álvaro, o genial Caeira, “mestríssimo”, no pandeiro.

Para não ser injusto, necessário se faz ressaltar que nossa querida cidade “acalentou” outros monstros sagrados e respeitados, com quem meu avô conviveu, ora trocando conhecimentos, ora dividindo o palco, como o senhor Hernane Leite, professor de música; a família Soares, composta pelos irmãos Parmenas (saxofone), Arlindo (piston), e Lourenço (não consegui saber o instrumento); mestre Valeriano (violino); Zé Derinho (bateria); Belírio (bateria); Zé de Cristina (cabaça e pandeiro); os meus tios Hamilton, morador da Enseada (banjo) e Benedito do Rosário (saxofone); Zé Chagas (saxofone); Chiquinho Oliveira (saxofone); e os irmãos de Queimadas, liderados por Mundoca, com o seu piston, a assombrar e embalar os pés-de-valsa em nossas festas.

Diante dessa plêiade, pode-se entender o caminho musical, que Pinheiro trilhou. Pena que se perdeu “o fio da meada”. O “fio” musical!

Nota: O Fernando Pessoa da foto é bisneto de Filipinho Pessoa.

COISAS E LOAS XIV – ESPLÊNDIDO REMÉDIO

Por Zé Carlos

Fico imaginando como se comportaria uma criança, da cidade, se voltasse no tempo, para o período de nossa infância. Certamente, tomaria um choque tamanho que, no mínimo, “entraria em parafuso”. Ficaria sem chão. Ou, no baixadês, “estaria sem eira nem beira”.

Acredite. O desespero seria estupidamente grande. Sem Miojo, sem Nutella, sem “iorgute”, sem sorvete, sem chocolate, sem cachorro-quente, sem hambúrguer, sem batata frita, sem Sucrilhos, sem e sem “besteiras”.

Imagino a cara de incredulidade ao se deparar com um “chibé”, também conhecido, Baixada adentro, como carneira, jacuba, pandu ou tiquara. Eita, lembrança! Ainda tenho um cheiro verde na geladeira. Estou mal intencionado.

Mas, voltando ao nosso papo, tal criança inexoravelmente estaria condenada ao jejum. Ou vocês acreditam que partiria para um prato de angu com isca; ou para uma jabiraca esturricada, buscando eliminar as espinhas; ou um café com farinha, “em riba” das três horas da tarde, quando o sol escaldante põe-nos à prova, para confirmar, ou não, a nossa “baixadeirice”; ou para um beiju, no formato de um abano, recheado com amêndoas de côco babaçu?! Ah, beiju! Bendita casa de forno!

As respostas ficarão a critério de cada um, que teve o privilégio de se lambuzar com mangas, bananas, araticuns, tuturubás, mamãos, “camapus”, marias pretinhas, ingás, quiriris, atas, bacuris, laranjas, muricis, anajás, melancias, ananás, cauaçus, jacas, goiabas, tucuns, abricós, sapotis … Frutas. Frutas de verdade. Frutas, que trazemos impregnadas em “nossos sabores e aromas”.

Como poderia ser normal e agradável, chamar o Zé para um LUNCH?! Que bicho seria esse? Em grego ou etrusco?! Nada feito. Agora, que sonoridade perfeita: “MEE-REEN-DAA!” Aí, sim, é o bicho. Até o bicho da goiaba “entrava”. Certamente, por isso, até hoje olho atravessado para um tal de kiwi.

E, nessa perspectiva, a verdadeira comida também seria rejeitada. Peixe, boi, carneiro, bode, pato. Sem falar nas arapucas, o que “não está politicamente correto”; embora “o politicamente incorreto” esteja a se entranhar em todas as esferas sociais. Arrop! Acrescentemos galinha e frango. Galinha e franco, sim. Já vi criança, que na tentativa de ser convencida a comer, sair-se com esta. Não gosto de galinha. Quero é frango. Se for dito que é frango, diz que gosta é de galinha. Haja perspicácia! Haja paciência, de quem cuida!

Agora, o que aconteceria se a criança, da cidade, geralmente frágil, fosse submetida a um tratamento inventado por um amigo de meu pai (do bairro “da Matriz”), ao descobrir que estava hipertenso e acometido de uma sudorese absurda?! Com certeza, “iria à cova”.

Ele, após ser questionado “como estava”, afirmou que já se encontrava melhor, desde que encontrou o meio para acabar com sua doença. Literalmente, palavras dele. “Resolvi armoçá, tod’dia, um cuzidão de carne de bufa, da maçã do peito, e jantá doi’tutano, batido com farinh’seca. Sant’remédio! Já tô ôto. Mi sintino curado”.

Eita, remédio esplêndido! Estou pensando seriamente em me auto medicar!