COISAS E LOAS IV

Por Zé Carlos

Há muitos fatos, que prendem a atenção de uma comunidade.
Agora, imagine o surgimento de uma “rádia”! Imagine a sensação de que as, digamos “conterrâneas”, notícias, “vivamente” adentrem-lhe a casa. As “vozes”, a brotarem de tão “mágica caixinha”, tornam-se por demais íntimas, quase um parente.

Nesse cenário, a nossa cidade viu-se presenteada com “a” Verdes Campos. Um burburinho a dominar “a praça”. Uma absurda revolução nos seus meios comunicativos tão minguados. Um acontecimento absurdo. Uma conquista das mais salutares e importantes. Quantas novidades! Quantas mudanças! O cotidiano ganha um suave e novo colorido. Encurtam-se as sofridas distâncias. Acentuam-se os gostos musicais. Multiplicam-se as curiosidades. “Minam os causos”.

Pode-se dizer que a cidade, de certo modo, passou a viver em torno de tão importante meio de comunicação. Algo, que lhe marcou definitivamente, desde sua implantação em 1980 até o início do século XXI; pois, mesmo que ainda resista, está, como se diz na Baixada, de “escanteio”, frente a outras mídias.

Nessa atmosfera, vieram-me à lembrança “acontecidos” fabulosos, que nos enriqueceram em nossa alegria e nos tornaram a vida mais leve.
Para minha estupefação, um dia, escutei uma conhecida, coloco assim para ninguém comprometer, dizer que só fazia o almoço após a divulgação dos signos. Os signos, curiosamente, só eram divulgados depois das onze, e ela tinha mais que onze filhos. Haja meninos a lhe puxarem a barra do vestido, num “berreiro danisco”. De outra feita, ouvi a locutora, em uma desmedida empolgação, propagandear, a pleno pulmões, as vantagens em comprar em duas casas comerciais, locais. Sem nome. Sem fuxico. Após os empolgados “merchans”, surgiu a identificação dos comércios. Fique atento! S I … e “cia” (leia-se “cia”). E, para em seguida fechar com chave de ouro, C E … “lítida”. O pior é que levei algum tempo para desvendar tão inovadora linguagem. Estava linguisticamente a ano-luz de tais pérolas ou desconhecia por completo tais empreendimentos novos. O que era praticamente impossível. Mas, finalmente, entendi: S I … & Cia (nada mais do que S I … & Companhia) e C E … Ltda (C E … Limitada). Que “louco, meu!” Que criatividade! Mas, verdadeiramente, o que interessa é que a mensagem fez-se entendida.

Já no campo esportivo a nossa rádio foi pródiga. Desde esdrúxulas declarações de jogadores a (…) no transcorrer de uma partida de futebol, o narrador “meio gago” não conseguia acompanhar o ritmo do jogo e a velocidade da bola. Quanta agonia! Do “nomear” os jogadores, passa apenas a “numerá-los”. Só já dizia “o 8 passou pro 7; o 7 passou pro 10”. No entanto, o ritmo intensificou-se ainda mais. Foi-lhe o limite. Só lhe restou uma saída. Gritar, no ápice de seu desespero. “Gente, deu um cu de boi na área”. Mais do que fantástico! Grande e grave problema resolvido!

Tal fato, entretanto, não foi o único e suficiente, a se eternizar nos anais da nossa tão “novel” história “esportivo-radiofônica”. Acredite que, ao ser chamado o “repórter de campo”, num momento de calmaria de uma partida e sem alteração alguma à vista, “saiu-se com esta”: “não tem nada para informar, informou Brahma Chopp”.
Perfeito!
Viva a “rádia”!

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