O BAOBÁ DO MARANHÃO

Por Gracilene Pinto

Baobá, que veio de longe
E o oceano atravessou,
Tua história se confunde
Com a de um povo sofredor.
Um sacerdote africano
Em sua terra comprado
Trouxe na tanga uma fava
Como único legado,
E ao chegar em São Vicente,
Nas terras do Maranhão,
Já foi plantando a semente
Que brotou no fértil chão.
Ouvira ele que sua alma
Não iria sossegar
Se o seu corpo não tivesse
Por túmulo um baobá.
Já que fora escravizado,
Por sua infelicidade,
No baobá enterrado
Garantiria a eternidade.
Isto aprendera com os seus,
Ainda na terra natal,
Que o baobá era a árvore que vida
Garantia na eternidade, afinal!
E ele, que fora importante,
Já não tinha nem um lar,
Sua árvore da vida eterna
Aqui iria plantar.
E em paga do cativeiro
Como herança de antropocoria
Plantou no meio do terreiro
A semente que trazia.
E logo em frente à senzala,
Lembrança do antigo lar,
No chão vicentino se espalha
O africano baobá.

Baobá de São Vicente Férrer, Maranhão/Brasil.

Um amor e duas irmãs

Por Ana Creusa

Uma das irmãs estava em uma barraca de vendas de sorvetes da sobrinha, com a bolsa pendurada no encosto da cadeira. Saiu para ajudar levar os apetrechos da barraca para guardar em um shopping próximo. Quando retornou, haviam furtado a sua bolsa. Sem celular e sem dinheiro, aceitou carona de um dos feirantes.

Mal saíram do local, a moça pediu ao motoqueiro que parasse:

–  Se meu namorado souber que eu peguei carona, termina o namoro na hora!

Desceu da motocicleta e foi caminhar pelo shopping, acreditando encontrar alguém conhecido, pois aceitar dinheiro para o transporte, também era impensável.

Parou em um salão de beleza, lá encontrou sua irmã, fazendo depilação. As duas ficaram em mesas próximas, para conversarem em linguagem cifrada que ninguém entendia, nem que estivesse atento.

Logo depois, chegou o namorado de uma delas. Não se sabe como, mas ele entrou na sala de depilação e viu as duas em trajes menores. Falou com ambas, com aquele vozeirão de locutor de rádio: – espero vocês lá fora! As duas retomaram a conversa, mas o assunto era outro, recaía sobre o namorado de uma delas.

Comentavam sobre as características físicas e caráter daquele homem singular. De vez em quando falavam juntas: – que homem! – Não sei como ainda está solteiro? A escolhida do rapaz dizia: – o que ele viu em mim? A outra consolava, e assim terminaram a depilação, saíram e se deparam com aquele homem digno de contos de fadas.

No caminho, reencontraram a sobrinha, depois da guarda dos materiais da barraca. Ela caminhava com dificuldade carregando os seus pertences pessoais e se encaminhava à parada de ônibus. As duas irmãs resolveram ajudá-la, juntamente com o namorado.

Foram encontrando mais pessoas conhecidas, que formavam um aglomerado para acompanhar a menina. Naquele momento, o casal de namorados ia na frente conversando. De repente o rapaz disse: – vou ajudar a menina, e fez caminho de volta. A namorada ficou desajeitada com o abandono, mas seguiu em frente.

Curiosa, olhou para trás e viu que o rapaz conversava alegremente com sua irmã. Achou estranho, mas nada para se preocupar, confiava na irmã.

Caminhando sempre à frente encontrou seus colegas de faculdade, César e Anderson que eram amigos do seu namorado, parou para lhes relatar o ocorrido e eles disseram uníssono: – bem feito, você não ligava para o coronel, ele foi procurar outra. Ela respondeu: – precisava ser minha irmã?

O restante da história todos podem deduzir, só não podem imaginar que houve intriga entre as irmãs, apenas falavam: coisas do amor.

Essa história aconteceu em uma noite de sábado. As duas irmãs agora são avós. Quem teve o sonho se sentiu jovem novamente, só não teve a sorte de ter sido a escolhida do príncipe encantado.

Ruth Pinto de Souza, primeira dama negra do teatro, cinema e televisão do Brasil

Ruth Pinto de Souza foi uma atriz brasileira foi a homenageada de hoje pelo Google. Ruth foi a primeira dama negra do teatro, do cinema e da televisão do Brasil. Ela foi a primeira artista nascida no país a ser indicada ao prêmio de melhor atriz num festival internacional de cinema, por seu trabalho em Sinhá Moça, no Festival de Veneza de 1954.
Nascimento: 12 de maio de 1921, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Falecimento: 28 de julho de 2019, Centro Médico Hospital Copa D’Or, Rio de Janeiro
Pais: Sebastião Joaquim Souza, Adelaide Pinto
Prêmios: Ordem do Mérito Cultural.
Fonte: Wikipédia

Um dia de mendigo

Por Ana Creusa

Final da década de 1950. Era festejo do glorioso São Sebastião. Igreja lotada. O padre Edmundo de frente para a cruz do altar e de costas para os fiéis, celebrava a Santa Missa em latim.

Terminada a missa. O pároco desceu do altar, reuniu os padrinhos e madrinhas em um círculo, para dar as instruções sobre o concorrido Batizado.

Desde à entrada na igreja, ninguém conseguia tirar os olhos da esposa do famoso advogado Joaquim. Ela estava vestida em um tubinho escarlate que, além de curto, deixava à mostra os fartos seios.

O santo padre não teve como ignorar a situação. Voltou-se ao marido, que estava muito bem trajado, de terno e gravata, então, poderia resolver o problema. Pediu-lhe gentilmente.

– Empreste seu paletó à sua esposa, para que eu possa dar seguimento ao Batizado.

O advogado fez ouvido de mercador. Continuava ereto, na sua pose de sempre.

– Cubra sua esposa com seu paletó, Doutor! Ordenou o padre.

Os presentes imaginaram que o orgulho do advogado seria a causa da recusa de se despir do apetrecho que fazia parte do seu costumeiro traje.

O advogado ainda pensou se aquela seria a melhor saída, ou se simulava alguma desculpa, típica do teatro do Tribunal do Júri.

Sem outra saída possível, o Dr. Joaquim resolveu obedecer ao padre e retirou seu paletó, bem devagarinho, com gestos indecisos.

Sob a admiração de todos, o advogado deixou à mostra uma camisa toda rasgada, que lhe sobravam apenas o colarinho, que segurava uma gravata de seda, e os punhos que ficavam à mostra quando levantava os braços.

A situação era constrangedora! Todos viram os farrapos que estavam sob aquele paletó de linho belga, vestido pelo rico advogado. Na ocasião, suas vestes imitavam ao de um mendigo, sem que tivesse a mesma humildade.

Os muitos afilhados ficaram órfãos das bênçãos do padrinho, pois o famoso advogado nunca mais pisou no município.

História passada de pai para filhos, por José dos Santos, patrono da Cadeira nº 24 da ALCAP.

Gracilene Pinto

Gracilene Pinto é natural de São Vicente Férrer. Estudou Direito e História na UFMA. É advogada, servidora pública, compositora, escritora, roteirista e poeta,, com onze livros escritos (pesquisa, poesia, romances e crônicas). um roteiro para cinema e sete peças teatrais. Autora dos livros “Serões na Baixada do Maranhão” e “Na Asa de Um Colibri”, recentemente publicou os livros: “E Daí, Troca Comigo?” e “Cem Anos Como os Lírios do Campo “. É membro do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, coatora do Livro “Ecos da Baixada”.

Majestade da Lua

Por Gracilene Pinto

Enquanto os sinos ressoam
Na alta torre da Matriz,
Desce o escuro da noite
Sobre a velha São Luís.
Em alguns becos as luzes
Mal dominam a escuridão,
Fazendo evocar o medo
Das lendas de assombração.
Porém, logo no horizonte
Surge um disco de prata
Que é um chamado aos poetas,
Um convite à serenata.
A claridade se derrama
E a majestade da lua
Faz a noite vida dia.
A cidade se engalana,
Em cada praça, cada rua,
Para a festa da poesia.

Imagem Luar de Penalva/Maranhão por Anatalio

Ana Creusa

Ana Creusa Martins dos Santos, natural de Peri-Mirim/MA, Bacharel em Direito e Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Maranhão. Logrou aprovação em mais de uma dezena de concursos públicos, entre os quais: Auditor de Controle Interno da então Auditoria Geral do Estado do Maranhão e Auditor Interno da Secretaria de Estado da Fazenda do Piauí; Auditor Fiscal de Tributos Estaduais dos estados do Maranhão, Piauí, Rondônia, Amazonas e Sergipe; Analista de Controle Externo do TCU (por duas vezes); Analista do Tribunal Regional do Trabalho em Rondônia; Professora titular para o Curso de Ciências Contábeis na Universidade Federal de Rondônia. É aposentada como Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil; Advogada; Contadora; Presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, biênio 2017-2019; Coautora do livro Ecos da Baixada; Membro-fundador da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense – ALCAP, detentora da Cadeira nº 12. Presidente de Honra do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, biênio 2019-2021.

Os sinos

Autora Gracilene Pinto*

Do outro lado da Praça

Escondida no arvoredo,

Onde os poetas com graça

Entoam trovas sem medo,

Está a velha igrejinha,

Com sua torre secular,

Dedicada a São Vicente,

O pregador de além-mar.

Branca, linda, pequenina…

E os sinos a bimbalhar

Tem alegria de menina

E singeleza sem par.

Sua voz ecoa no campo

Enfeitado de aguapé

Penetra nos corações

Renovando a nossa fé.

Imagem da Internet

Inácia Rosa Pereira Amorim

Nasceu em 31/07/1939, casou-se aos 21 anos com Jair Amorim, um homem do campo, mãos e pés calejados e rústico com o qual teve seis filhos tendo que enfrentar os conflitos inerentes a vida a dois.

Filhos: Eni do rosário Pereira Amorim, Laurijane Pereira Amorim (Nita), Sílvia de Ribamar Pereira Amorim (Cici), Jair Amorim Filho (Jacó, Jacolino, Jacó Bala) Cristina Maria Pereira Amorim (Cris), Evandro dos  Santos Pereira Amorim (Vando). Tem 08 netos e 05 bisnetos

Uma mulher de estatura pequena, personalidade forte; desde muito pequena quando veio ao mundo teve que enfrentar os reveses da vida que marcaram seu destino.

Perdeu a mãe com apenas quarenta dias de vida, tendo sido criada pela sua avó materna, seu pai e suas tias em uma época aonde havia muitas dificuldades naquele dado momento histórico; se compararmos com os dias atuais.

Mas a sua garra e perseverança a impulsionaram a construir sua história.

Estudou até a quarta série que era oferecido na época, aprendeu a ler e a escrever e sabe a tabuada na ponta da língua. Estudou corte e costura em Pinheiro com uma costureira renomada Carmerina Amorim.

Inácia apesar das dificuldades da época e com seis filhos para criar, não se deixava abater, estava sempre se reinventando. Era costureira, artesã (tecia redes de fio têxtil), Foi professora de costura em um dos projetos da LBA (Legião Brasileira de Assistência) um dos projetos conseguidos pela Paróquia São Sebastião com a ajuda de Padre Gérard Gagnon e Ana Lúcia de Almeida; fazia, horta e vendia as hortaliças orgânicas produzidas, fazia pastéis, bolos, cocadas e suquinhos tudo para venda e assim ajudar o papai nas despesas da casa. Quando a escassez de recursos era grande, muitas vezes dormiu com a barriga vazia para alimentar os seus filhos.

Acalentou um sonho no seu coração de que colocaria todos os filhos para estudar porque ela apesar de não ter tido a oportunidade, em sua sabedoria, conseguia definir bem a importância do estudo para iluminar os nossos rumos; e assim, atropelou as dificuldades para que seus filhos conseguissem estudar e trilhar seus caminhos por este mundo às vezes um tanto inóspito.

E todos os dias Mamãe, nós teus filhos, só queremos te agradecer pela tua perseverança, por cada incentivo, por cada oração, pelas torrentes de amor que derramas a cada um de nós mesmo sabendo que algumas vezes ferimos teu coração com a espada da ingratidão.

Obrigada pelas gotas de amor que derramas todos os dias em nossas vidas.

TE AMAMOS! Teus filhos.

(Biografia enviada por Eni do Rosario Pereira Amorim).

Pátria Amada Brasil

Autora Gracilene Pinto

Desperta, querida
Nação Brasileira,
E a tua bandeira
Intrépida e audaz,
Desfralda nos montes
Com gesto ligeiro
E orgulho altaneiro,
Na guerra ou na paz.
Em defesa do altivo pendão
Te levanta,
Pois teu povo já canta
Um hino de esperança
Que do coração
Vai ecoar nos ares,
Planícies, palmares,
Trazendo bonança
Para a terra amada,
Onde ao Sul estrelas
Fazem cruz e, ao vê-las,
Sentimos que nada pode ser mais forte
Que Deus no comando de um coração valente
A defender contente
A Pátria Mãe gentil,
Esta terra linda, coração do mundo,
Por Deus abençoada
Com a cruz estrelada,
Chamada Brasil!!!
(Imagem Bandeira do Brasil – Consulado dos EEUUA)