A DESCENDÊNCIA DE JOSÉ DOS SANTOS

Levou para aquela terra seus filhos, seus netos, suas filhas e suas netas, ou seja, toda a sua descendência. Gênesis 46:7.

José dos Santos é o patriarca da Família Martins Santos, ele conservou em si a ideia primordial da Paz, pregando que todas são irmãos entre si, filhos de um único Pai. Seu maior desejo era ver a família sempre unida.

Pregava em parábolas, falava que os irmãos devem se unir como feixes de varinhas que juntas não poderiam ser quebradas, mas, se separadas seriam facilmente quebradas. 

Até 20 de dezembro de 2021 José dos Santos contabilizou 81 (oitenta e um) descendentes, sendo 11 (onze) filhos, 31 (trinta e um) netos, 35 (trinta e cinco) bisnetos e 7 (sete) tataranetos, conforme abaixo:

F I L H O S

  1. FRANCISCO XAVIER MARTINS DOS SANTOS
  2. ADEMIR DE JESUS MARTINS DOS SANTOS (in memoriam)
  3. CLEONICE DE JESUS MARTINS SANTOS
  4. EDMILSON JOSÉ MARTINS DOS SANTOS
  5. ADEMIR MARTINS SANTOS
  6. RICARDINA MILITINA DOS SANTOS PIRES
  7. MARIA DO NASCIMENTO MARTINS DOS SANTOS
  8. ANA CREUSA MARTINS DOS SANTOS
  9. ANA CLÉRES SANTOS FERREIRA
  10. JOSÉ MARIA MARTINS SANTOS
  11. CARLOS MAGNO MARTINS SANTOS (in memoriam)

 

N E T O S

  1. FRANK XAVIER AMORIM DOS SANTOS
  2. FREDSON AMORIM DOS SANTOS
  3. FÁBIO AMORIM DOS SANTOS
  4. FRANCILDA AMORIM DOS SANTOS
  5. FRANCILENE AMORIM DOS SANTOS
  6. FRANCISCO XAVIER MARTINS DOS SANTOS FILHO
  7. JOSÉ DOS SANTOS NETO
  8. SUELY CAMPOS SANTOS
  9. SUZILENE CAMPOS REGADAS
  10. KAROLAYNE SUELMA TORRES OLIVEIRA
  11. SUELMA CAMPOS SANTOS
  12. EDMILSON JOSÉ MARTINS DOS SANTOS JÚNIOR
  13. MARIA AMÉLIA SANTOS FERREIRA
  14. ARTUR MAGNO CÂMARA MARTINS SANTOS
  15. ANA CARINA CÂMARA MARTINS SANTOS
  16. DILCIMARA NASCIMENTO SANTOS BENTES
  17. ADEMIR MARTINS SANTOS JÚNIOR
  18. DILCIANE NASCIMENTO SANTOS
  19. TALITA ÁGAPE MOURA SANTOS
  20. MICHELLE DOS SANTOS PIRES
  21. EVANDRO GOMES PIRES FILHO
  22. MARCELLE DOS SANTOS PIRES
  23. JOSÉ EDSON DOS SANTOS JÚNIOR
  24. MARCUS ANDRÉ MARTINS DOS SANTOS
  25. GUSTAVO MARTINS DOS SANTOS
  26. AIRTON LUÍS MARTINS MOTA
  27. ALANA MARTINS MOTA
  28. JOSÉ SODRÉ FERREIRA NETO
  29. PAULO VICTOR SANTOS FERREIRA
  30. AMANDA BAHURY BARROS SANTOS
  31. ANA CAROLINA SILVA MARTINS

 

B I S N E T O S

  1. ANA LÚCIA ALMEIDA MARTINS SANTOS
  2. NICHOLAS RHAMON NUNES DOS SANTOS
  3. JÚLIA VICTÓRIA NUNES DOS SANTOS
  4. LARA VITÓRIA PEREIRA DOS SANTOS
  5. CLARA LORRANY DOS SANTOS RIBEIRO
  6. NÁDILLA RASNAN DOS SANTOS PAIXÃO
  7. JOSÉ HEITOR DOS SANTOS PAIXÃO
  8. JHONATHA MESSI SANTOS BECKMAN
  9. ANNY MARISTELLA GONÇALVES
  10. THAYLLA VITÓRIA DINIZ DOS SANTOS
  11. ISADORA DINIZ DOS SANTOS
  12. ANA BEATRIZ THEMÍSTOCLES SANTOS
  13. JOSÉ GUILHERME LIMA SANTOS FERREIRA
  14. EDUARDO DOS SANTOS BRITO
  15. MARCOS ANTÔNIO DE JESUS LOUZEIRO SEGUNDO
  16. MATHEUS CAMPOS DOS SANTOS
  17. FRANCISCO NEVES REGADAS NETO
  18. MAX SWEEDEL OLIVEIRA DOURADO
  19. STEFHANNY DE TÁSSIA OLIVEIRA DE SOUZA
  20. MAURÍCIO HENRIQUE OLIVEIRA SOUZA
  21. MICHAEL BRUNO CAMPOS SANTOS
  22. ÁGATA NASCIMENTO SANTOS BENTES
  23. LANNA BEATRIZ VIEIRA SANTOS
  24. LUCAS VIEIRA SANTOS
  25. MARIA CLARA FIGUEIREDO SANTOS
  26. HANNA LETÍCIA NASCIMENTO SANTOS
  27. GABRIEL SANTOS ALVES
  28. DAVI CARVALHO ABREU DOS SANTOS
  29. JOÃO PEDRO ABREU DOS SANTOS
  30. ISADORA SOARES PEREIRA MARTINS
  31. ALICE SOARES PEREIRA MARTINS
  32. ESTELLA CASTRO MARTINS DOS SANTOS
  33. JOÃO LUCAS CASTRO MARTINS DOS SANTOS
  34. SARAH EMANUELLY MOURA MARTINS
  35. PAULO RICARDO MOURA MOTA
  36. MANUELA ROCHA SANTOS SODRÉ

 

T A T A R A N E T O S

  1. PAULO ROBERTO FIGUEIREDO GOMES BRITO
  2. MARIA EDUARDA FIGUEIREDO GOMES BRITO
  3. MIGUEL BUZAR CAMPOS
  4. LARA BUZAR CAMPOS
  5. CARLOS GABRIEL SILVA DA COSTA
  6. SOPHIA GABRYELLA SOUZA
  7. ISA KAROLAYNE SANTOS OLIVEIRA
  8. IZA OLIVEIRA REGADAS

Luz del Fuego infernizou a vida da família tradicional brasileira durante as décadas de 1940 e 1950

Conheça a história de Dora Vivacqua, a mulher que infernizou a vida da família tradicional brasileira durante as décadas de 1940 e 1950. Adepta do naturismo e com histórico de frequentes enfrentamentos ao sistema de costumes da época, Luz Del Fuego, como ficou conhecida, chegou a ser presa e internada em clínicas psiquiátricas, reclusões ocorridas em consequência de suas posições perante a sociedade conservadora brasileira.

Dora Vivacqua nasceu em 21 de fevereiro de 1917, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Décima quinta filha de uma influente família da região, cresceu em meio a políticos, empresários e intelectuais e, desde a infância, chamou a atenção por seu jeito rebelde e por não seguir os padrões esperados por sua família. Na adolescência, era conhecida por provocar os rapazes e criticar o jeito recatado das irmãs.

Tornou-se conhecida nos anos 40 e 50, apresentando-se como bailarina em circos e teatros e realizando espetáculos marcados pela sensualidade, nos quais aparecia nua ou seminua e com cobras enroscadas no corpo. Adotou o nome artístico Luz Divina, o qual acabou modificando, por sugestão do palhaço Cascudo, para Luz del Fuego, marca de um batom argentino recém-chegado ao país. É com esse nome que se tornará uma das vedetes mais conhecidas dos anos 50 no Brasil, uma precursora do feminismo e a primeira defensora do naturismo no país.

Era uma mulher impetuosa, que sabia se impor não só nos palcos, mas também fora deles, defendendo opiniões ousadas para a época, como o divórcio, por exemplo. Vestindo-se com ousadia e envolvendo-se em diversos relacionamentos, seu comportamento causava constrangimento à tradicional família da qual fazia parte e acabou levando-a a duas internações psiquiátricas. A primeira delas, no início dos anos 30, quando morava com sua irmã Angélica e foi assediada pelo cunhado. Flagrada pela irmã, ela foi considerada culpada e internada em um hospital psiquiátrico de Belo Horizonte, onde passou dois meses internada e foi diagnosticada como esquizofrênica. A segunda internação ocorreu algum tempo depois, quando morava com seu irmão Archilau. Certo dia, apareceu em casa com apenas três folhas de parreira cobrindo os seios e duas cobras-cipós cobrindo a púbis, ao ser repreendida pelo irmão, jogou-lhe um vaso de cristal na testa e foi internada em uma clínica psiquiátrica no Rio de Janeiro.

Tornou-se famosa em 1944, momento em que passou a se apresentar no Circo Pavilhão Azul, no qual se apresentava de forma muito sensual em companhia de duas jiboias. Ela foi a primeira artista a aparecer nua no palco, o que lhe rendeu uma prisão e o pagamento de multa na delegacia, além de uma longa ficha de atentado ao pudor.

Dentre as muitas manchetes que fazem referência a Dora Vivacqua em jornais da época, é possível encontrar menção ao dia em que foi expulsa do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, durante um baile de Carnaval no qual se fantasiou de “Noivinha Pistoleira” e deu tiros de revólver no teto do teatro, ou, ainda, o dia em que parou o Viaduto do Chá, em São Paulo, por apresentar-se nua, com cabelos e pelos tingidos de verde-esmeralda, para a divulgação de um show no qual interpretava Iemanjá.

Em 1947, Luz del Fuego lançou o romance autobiográfico “Trágico Black-Out”, fazendo duras críticas ao casamento e apresentando descrições sexuais. A obra enfureceu seu irmão, o senador Attilio Vivacqua, que mandou queimar grande parte dos exemplares do livro.
Em 1949, publicou seu segundo romance, “A verdade nua”, e começou a defender explicitamente o naturismo. No mesmo ano, lançou o Partido Naturalista Brasileiro (PNB), que tinha como principais bandeiras o divórcio, a defesa da mulher e o naturismo. Embora não tenha conseguido o registro do partido, pediu ao então ministro da Marinha, Renato Guilhobel, a concessão de uma ilha para criar um clube de nudismo.

Del Fuego conseguiu a concessão e passou a ocupar a ilha Tapuama de Dentro, localizada próxima de Paquetá, na baía de Guanabara. O lugar, rebatizado como Ilha do Sol, passou a sediar o primeiro clube naturista da América Latina, tornando-se um lugar frequentado por astros de Hollywood e contando com mais de 200 sócios.

Após o golpe de 64, o clube de Luz Del Fuego começou a entrar em decadência e, em 1967, ela o fechou, mas continuou vivendo lá com seu caseiro Edgar. Após denunciar à polícia pescadores que estavam fazendo uso de explosivos ao redor da ilha, Luz e seu caseiro foram assassinados pelos irmãos Alfredo e Mozart Teixeira Dias, no dia 19 de julho de 1967. Morta com golpes de remo, seu corpo foi aberto à faca, amarrado em pedras e jogado ao mar. Os corpos foram encontrados apenas em agosto e os pescadores acabaram confessando o crime e sendo presos.

Atualmente, a Ilha do Sol está abandonada, mas a história de Luz del Fuego foi eternizada em um filme de 1982, nos versos de uma música de Rita Lee e na memória de muitos daqueles que acompanharam sua vida ousada e a sua determinação em defesa de suas ideias e projetos.
“Eu hoje represento o segredo/ Enrolado no papel/ Como Luz del Fuego/ Não tinha medo/ Ela também foi pro céu, cedo!”

Texto – Adriana de Paula / Joel Paviotti

Jovem que começou a falar aos 11 anos, torna-se professor universitário

"Qualquer coisa vai dar certo, desde que você persista o tempo suficiente". 
Conrado Adolpho.

O professor Jason Arday, 37, não falou até os 11 anos depois de ser diagnosticado com autismo.

Só conseguindo escrever depois dos 18, Jason Arday torna-se o primeiro professor de origem africana mais jovem da história da consagrada Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Aos 37 anos, o acadêmico desafiou a sorte e ultrapassou todos os limites que especialistas previam para ele. Imagina a felicidade ao receber o telefonema com a notícia! “Quando fui contatado pela Faculdade de Educação sobre conseguir o cargo, não pude acreditar”, diz Jason.

Professor de sociologia da educação, de Clapham, em Londres, Arday está no seleto grupo de cinco outros acadêmicos pretos com cargos semelhantes na instituição de elite, sendo um dos 155 professores universitários de origem africana do Reino Unido, de um total de 23 mil que lecionam em instituições de ensino superior no país.

Superação

Arday foi diagnosticado com autismo e atraso no desenvolvimento global, quando criança, sofrendo uma série de estigmas por apresentar um comportamento diferente do esperado.

Porém, o professor conta que a mãe dele jamais aceitou que tivesse limitações, matriculando-o em uma escola primária em Wandsworth, depois seguiu para Southfields Community College e nunca mais parou.

Segundo Arday, depois de desafiar todas as probabilidades e crescer em uma “área relativamente desfavorecida”, está determinado a melhorar a representação das minorias étnicas em Cambridge.

“Olhando para trás, foi quando eu realmente acreditei em mim mesmo. A partir desse momento, eu estava determinado e focado”, disse.

Histórico

Pai de dois filhos, Arday fez dois mestrados e um doutorado em estudos educacionais na Liverpool John Moores University e na Brunel University London. Para conseguir estudar e pagar as contas, fez malabarismos.

O professor de Educação Física lecionava no ensino superior durante o dia e estudava sociologia e à noite redigia trabalhos acadêmicos.

“Quando comecei a escrever trabalhos acadêmicos, não tinha ideia do que estava fazendo. Ninguém nunca me mostrou como escrevê-los. Tudo o que enviei foi violentamente rejeitado”, recordou-se.

Há dois anos, com apenas 35 anos, tornou-se professor de sociologia da educação na Escola de Educação da Universidade de Glasgow, tornando-se um dos professores mais jovens do Reino Unido na época.

Com o apoio de seu mentor, tutor universitário e amigo Sandro Sandri, Arday começou a ler e escrever no final da adolescência, aos 18 anos.

Ele então estudou Educação Física e Ciências da Educação na Universidade de Surrey, no sul de Londres, antes de se formar como professor de educação física.

Crescer em uma área relativamente carente e mais tarde trabalhar como professor escolar, diz ele, deu a ele uma visão em primeira mão das desigualdades sistêmicas enfrentadas na educação por jovens de minorias étnicas.

Superação
Ele se lembra de ter ficado profundamente comovido com o sofrimento dos outros e de sentir um forte impulso para agir.

“Lembro-me de pensar que, se não fosse jogador de futebol ou jogador profissional de bilhar, queria salvar o mundo”, diz ele.

Sua mãe desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de sua autoconfiança e habilidades.

A mãe apresentou a ele uma ampla variedade de músicas na esperança de que isso o ajudasse a conceituar a linguagem.

Mas também despertou nele um interesse permanente pela cultura popular que tem caracterizado algumas das suas pesquisas.

Arday diz que, enquanto estudava para o doutorado à noite, gostava “não logicamente” das críticas ao seu trabalho.

Aos 22 anos, Arday se interessou pela ideia de fazer pós-graduação e discutiu com seu mentor.

“Sandro me disse: ‘Acho que você consegue, acho que podemos enfrentar o mundo e vencer’”, lembra.

“Olhando para trás, foi então que realmente acreditei em mim. Muitos acadêmicos dizem que foram parar ali por acaso, mas a partir daquele momento eu estava determinado e focado. Eu sabia que esse seria o meu objetivo”, diz.

Dificuldades para ser acadêmico
Estudar para ser acadêmico, porém, foi muito difícil. Acima de tudo, porque quase não tive treinamento prático ou orientação de como fazer.

“Quando comecei a escrever artigos acadêmicos, não fazia ideia do que estava fazendo”, admite.

Durante o dia, Arday trabalhava como professor de Educação Física no ensino superior.

À tarde e à noite dedicava-se a escrever trabalhos académicos e a estudar Sociologia.

Fonte: https://time.news/  e BBC, com tradução com ajuda do google tradutor.

O VOTO FEMININO NO BRASIL, UMA REPARAÇÃO HISTÓRICA

O voto feminino no Brasil foi reconhecido em 1932 e incorporado à Constituição de 1934, mas era facultativo. Em 1965, tornou-se obrigatório, sendo equiparado ao voto dos homens.

A conquista do voto feminino

Deu-se por meio do art. 2º do Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, in verbis:

“Art. 2º E’ eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na fórma deste Codigo”. (grifou-se).

O referido decreto, do então presidente Getúlio Vargas, que instituiu o Código Eleitoral. Vargas chefiava o governo provisório desde o final de 1930, quando havia liderado um movimento civil-militar que depôs o presidente Washington Luís. Uma das bandeiras desse movimento (Revolução de 30) era a reforma eleitoral. O decreto também criou a Justiça Eleitoral e instituiu o voto secreto.

Bertha Lutz é conhecida como a maior líder na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras.

Quem foi Bertha Lutz?

 

Bertha Maria Júlia Lutz é conhecida como a maior líder na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras. Ela se empenhou pela aprovação da legislação que outorgou o direito às mulheres de votar e de serem votadas.

Nascida em São Paulo, no dia 2 de agosto de 1894, filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do cientista e pioneiro da Medicina Tropical Adolfo Lutz, Bertha foi educada na Europa, formou-se em Biologia pela Sorbonne e tomou contato com a campanha sufragista inglesa.

Voltou ao Brasil em 1918 e ingressou por concurso público como bióloga no Museu Nacional, sendo a segunda mulher a entrar no serviço público brasileiro. Ao lado de outras pioneiras, empenhou-se na luta pelo voto feminino e criou, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF).

Em 1922, Bertha representou as brasileiras na Assembleia Geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos, sendo eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Somente dez anos depois do ingresso das brasileiras na Liga das Mulheres Eleitoras, em 1932, por decreto-lei do presidente Getúlio Vargas, foi estabelecido o direito de voto feminino.

Sucessora de Leolinda Daltro, fundadora da primeira escola de enfermeiras do Brasil, Bertha Lutz organizou o primeiro congresso feminista do país e, na Organização Internacional do Trabalho (OIT), discutiu problemas relacionados à proteção do trabalho da mulher. Também fundou a União Universitária Feminina, a Liga Eleitoral Independente, em 1932, e, no ano seguinte, a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas.

Candidata, em 1933, pela Liga Eleitoral Independente, a uma vaga na Assembleia Nacional Constituinte de 1934, pelo Partido Autonomista do Distrito Federal, Bertha não conseguiu eleger-se. Mas obteve a primeira suplência no pleito seguinte e acabou assumindo o mandato de deputada na Câmara Federal em julho de 1936, devido à morte do titular, Cândido Pessoa.

Sua atuação parlamentar foi marcada por proposta de mudança na legislação referente ao trabalho da mulher e do menor, visando, além de igualdade salarial, a licença de três meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, então de 13 horas diárias.

Com o regime do Estado Novo implantado em 1937 e o fechamento das casas legislativas, Bertha permaneceu ocupando importantes cargos públicos, entre os quais a chefia do setor de Botânica do Museu Nacional, cargo no qual se aposentou em 1964.

No ano de 1975, Ano Internacional da Mulher, estabelecido pela ONU, Bertha foi convidada pelo governo brasileiro a integrar a delegação do país no primeiro Congresso Internacional da Mulher, realizado na capital do México. Foi seu último ato público em defesa da condição feminina. Bertha Lutz faleceu no Rio de Janeiro em 16 de setembro de 1976, aos 84 anos.

Curiosidades e Antecedentes Históricos

Antes mesmo do voto feminino ser uma realidade em todo o Brasil, algumas mulheres do Rio Grande do Norte fizeram história e marcaram o pioneirismo na política brasileira. São desse estado nordestino os primeiros exemplos da presença feminina em disputas eleitorais.
O direito de as mulheres votarem e serem votadas só seria conquistado em todo o Brasil a partir de 1932. Porém, seis anos antes, em 1926, quando a Lei Eleitoral do Rio Grande do Norte estava sendo revista, o senador Lamartine Faria enviou telegrama do Rio de Janeiro mandando acrescentar um artigo que abria a possibilidade para efetivação do voto feminino.
O corpo do texto original dizia: “Sancionada a Lei sob o nº 660 que Regula o Serviço Eleitoral do Estado”, onde o artigo 77 das Disposições Gerais estava escrito: “No Rio Grande do Norte poderão votar e ser votados, sem distinção de sexo, todos os cidadãos que reunirem condições segundo a Lei”. Sancionada pelo governador da época, em pouco tempo a notícia corria o País.
O voto feminino no estado potiguar começou em 1927 e, naquele mesmo ano, a professora Celina Guimarães Viana, de Mossoró, se tornou a primeira brasileira a fazer o alistamento eleitoral. Assim, fez história como a primeira mulher a se tornar eleitora no Brasil.

Foi esse primeiro passo dado no Rio Grande do Norte que permitiu a eleição de Joana Cacilda Bessa para o posto de membro do Conselho da Intendência Municipal – equivalente à atual Câmara de Vereadores – em 1928, no município de Pau dos Ferros.

Fontes: Agência Senado e https://www2.camara.leg.br/; https://www.politicadinamica.com/; https://www.tre-rn.jus.br/. Foto de destaque: Berth Lutz.

Aluna nota 1000 na redação do Enem ganha apoio e vai conseguir estudar  

Por Renata Giraldi

A estudante Rilary Manoela Coutinho, 18 anos, aluna nota 1000 no Enem, mora em Itapiranga, a 340 quilômetros de Manaus (AM). Mas, sem condições financeiras para o transporte e também para se manter na capital, ela estava ameaçada de perder a vaga para Engenharia Civil.

A notícia boa é que a história dela viralizou e o Departamento de Assistência Estudantil (Daest) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) se colocou à disposição para ajudar a jovem a estudar sem custos.

A universidade parabenizou a estudante e emitiu uma nota de apoio informando que a inscrição na universidade e totalmente on-line, e por isso, não há necessidade da jovem ir até a capital para se inscrever.

5 horas de viagem

Em 2022, Rilary  tirou nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e foi aprovada no curso de engenharia de materiais da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mas o percurso entre Manaus e Itapiranga, de 5 horas de viagem, e o custo diário com passagem, ao valor de R$ 78,00, inviabilizaram os estudos.

Durante a pandemia o irmão mais velho de Rilary precisou trancar o curso de engenharia de software pelos mesmos motivos que amedrontam a estudante.

“Antes mesmo de saber as pontuações do Enem, já tinha conversado com a minha família e dito que iria continuar estudando para fazer os vestibulares que são das próprias universidades e tentar ingressar somente em julho”, afirmou a estudante.

Bastante consciente, Rilary calculou cada detalhe sobre as necessidades que têm. “Não consigo agora, no início do ano, por questões logísticas mesmo, como moradia e meio de transporte, iniciar uma faculdade em Manaus”, disse. Mas, certamente, agora com o apoio da universidade a estudante conseguirá realizar o sonho.

Ajuda em boa hora

No site da UFAM, o Daest parabeniza Rilary e informa que o departamento dispõe de editais de apoio àqueles universitários em vulnerabilidade socioeconômica, ofertando auxílio-acadêmico, auxílio-moradia, auxílio-residência universitária, auxílio-inclusão digital, auxílio-creche e auxílio-material acadêmico de alto custo, com o objetivo de garantir a permanência do discente na universidade.

A UFAM tem nove Restaurantes Universitários (Rus) que oferecem refeição subsidiada à comunidade discente e gratuidade no café, almoço e jantar aos alunos que recebam os auxílios da instituição.

É a segunda vez que a estudante se vê no dilema de perder a vaga na faculdade pública pelas dificuldades financeiras.

Íntegra da nota

“Departamento de Assistência Estudantil da UFAM (Daest) vem parabenizar aos/às amazonenses que foram aprovados nos processos seletivos de ingresso nas universidades públicas do país. Sentimo-nos muito felizes com o desempenho nota 1.000 na redação do ENEM dos jovens Rilary Manoela Coutinho e Luiz Henrique Nogueira, e em nome deles parabenizamos todos que fizeram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio. Vocês são o nosso futuro.

O DAEST aproveita esse momento para informar que as aulas dos calouros (semestre 2023/1) iniciarão em 24 de julho de 2023 e que nossa matrícula institucional é totalmente online, não havendo necessidade do(a) aprovado(a) se deslocar até Manaus para se tornar parte de nosso corpo discente.

Também divulgamos que o DAEST possui editais de apoio àqueles em vulnerabilidade socioeconômica, ofertando auxílio acadêmico, auxílio moradia, auxílio residência universitária, auxílio inclusão digital, auxílio creche, auxílio material acadêmico de alto custo e que o objetivo é garantir a permanência do(a) discente na universidade.

A UFAM possui 9 Restaurantes Universitários, ofertando refeição subsidiada à comunidade discente e gratuidade no café, almoço e jantar aos alunos que recebam nossos auxílios. Temos compromisso com a ciência, educação e responsabilidade social.”

Fonte: https://www.sonoticiaboa.com.br/

O CANTO DO GALO E O PASSADO GLORIOSO

Por Nonato Reis*
Os galos já não são como antes. Perderam fama, função e entusiasmo. Perderam, sobretudo, a capacidade de encantar com seu canto lírico que, reunido em coro, mais parecia uma orquestra naquela variedade de sons em harmonia.

Hospedei-me por dois dias em Camocim no carnaval e fiquei frustrado ao acordar e não ouvir a profusão de cantos que embalava as madrugadas das cidades e vilarejos do interior pelo país afora. O galo, simplesmente, desapareceu do cenário das alvoradas.

Muito diferente de outras épocas, em que reinava como o personagem noturno de maior destaque.

Além da função natural de reprodutor dos galinheiros, cabia-lhe marcar as horas a partir da meia-noite até às 6 da manhã, atuando como um autêntico despertador dos que precisavam acordar cedo para cuidar dos afazeres, como pastorear os rebanhos, navegar os rios e lagos seguindo a trilha dos peixes e até enfrentar o desafio dos livros – caso dos moradores em idade escolar.

De tão importantes e famosos, os galos se tornaram personagens de adivinhações. Lembro-me de uma que era mais ou menos assim: “À meia-noite acorda o inglês/sabe das horas, não sabe do mês/tem espora, não é cavaleiro/cava no chão e não acha dinheiro”.

No Ibacazinho, terra de lendas e mistérios, eles carregavam ainda a pecha do sobrenatural. Muitas histórias de aparição de espíritos ocorriam após o primeiro cantar do galo.

Tinha a de um primo que, ao voltar para a casa, de madrugada, dava de cara com um galo preto no meio do caminho, botando faísca pelos olhos e a repetir a frase: “Seu Lega é homem”.

Também havia um pesqueiro de bagrinho encantado que, após o cantar do galo, ninguém mais podia ali permanecer, porque dois gatinhos, que na sequência se transfiguravam em touros selvagens, emergiam do meio das águas e se atracavam numa luta renhida, se mordendo e se rasgando, dando urros medonhos.

Medo à parte, eu amava o canto do galo, que entendia como uma verdadeira celebração pelo anúncio de um novo dia.

Galo bom era o galo-guia, que atuava como o maestro da orquestra. Cabia-lhe anunciar a passagem do tempo, como a batida do relógio assinalando a hora. Ele sacudia as asas contra o peito e soltava o canto: “ô gô gô ôôôô”, no que era seguido por um desfile de cantos que se tornavam mais ou menos perceptíveis, conforme a distância de cada poleiro.

Agora vive-se essa melancolia dos tempos idos. A evolução das coisas trouxe a reboque os ovos e pintos de proveta, que praticamente dizimaram a espécie, apagando o brilho das madrugadas.
Disse no início deste texto que não ouvi o cantar de um único galo em Camocim. Pois bem. Na terça-feira de carnaval, pela manhã, eu me preparava para deixar a cidade, e fui alertado por Josy que detectara o sinal de um galo. Apurei os ouvidos e percebi o canto da ave. Longe, ausente, isolado, quase inaudível. Para lembrar que não se fazem mais galos como antigamente.

*Nonato Reis é escritor, natural de Viana, Baixada Maranhense. Autor de vários livros. Esta crônica integra o livro de contos e crônicas “A menina e o sol poente“, em processo de edição.

A Baixada descortina sua singular epopeia

Por Ana Creusa

O lançamento do Livro Ecos da Baixada que ocorreu no dia 14 de novembro de 2017, foi um marco na história da literatura maranhense, notadamente nos anais das letras baixadeiras, e revelou-se um evento grandioso para o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense – FDBM.

Importante destacar que o citado Fórum é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, o qual trabalha por sua região e por sua gente, visando chamar a atenção do Poder Público para os graves problemas enfrentados por aquele conjunto de municípios, bem como auxilia as comunidades locais a superarem obstáculos ao seu desenvolvimento.

O evento foi um “sucesso retumbante”, conforme relato de muitos participantes. Segundo o imortal, membro da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, foi “o dia em que a Baixada parou o trânsito da Avenida dos Holandeses, em São Luís”, algo inimaginável para os 32 escritores das crônicas e para a maioria dos baixadeiros ali presentes.

Na abertura, Simão Pedro, professor de música e natural de Matinha, interpretou o Hino Nacional e uma Canção em homenagem à Baixada, de autoria de Gracilene Pinto, natural de São Vicente Férrer, cujas crônicas o leitor pode encontrar nas páginas 156 e 191.

Em seguida, o “Poema para a Baixada Maranhense” foi declamado pelo seu autor, Hilton Mendonça, natural de Arari. O belo poema consta no introito da obra. Hilton também empresta o seu talento literário por meio de duas crônicas que poderão ser encontradas nas páginas 143 e 180.

Elinajara Pereira, natural de Bequimão, declamou o poema denominado “Ecos …”, composto por Rafael Marques em homenagem aos Ecos da Baixada e à sua amiga Elinajara, esta possui uma bela crônica, que pode ser encontrada na página 56.

 A Presidente do Fórum da Baixada, Ana Creusa, ressaltou a importância da união dos baixadeiros em prol da Baixada, e destacou que o Fórum é composto de pessoas com tendências e preferências, teorias, modelos e concepções políticas diferentes. Porém, o que os une é o sentimento único de amor à Baixada, que os torna irmãos. Os textos de Ana Creusa estão nas páginas 67 e 160.

Em sua fala, o primeiro Presidente do Fórum da Baixada, idealizador e organizador da obra, Flávio Braga, natural de Peri-Mirim, agradeceu aos ecoerios, como carinhosamente são chamados os cronistas, e ainda discorreu sobre a importância da obra Ecos da Baixada para região. As belas crônicas de Flávio estão dispostas nas páginas 83 e 98.

O Superintendente do Sebrae, João Martins, natural de Bequimão, demonstrou apoio ao Fórum da Baixada, do qual é filiado. Em sua fala, destacou a importância da obra “Ecos da Baixada”, a qual ajudará a Baixada a ecoar longe, inclusive em Brasília e outros recantos do Brasil, quiçá do exterior.

O Presidente da Academia Maranhense de Letras, brincou que os ecos da Baixada chegaram a Itapecuru, sua terra natal, e que a Baixada parou o trânsito de uma das principais avenidas de São Luís.

Natalino Salgado, com seu talento peculiar, brindou os baixadeiros com a crônica “A Baixada Maranhense e sua Vocação para a Grandeza”, que pode ser encontrada à página 35.  Como representante dos ecoeiros, saudou a todos. Em seguida, nos brindou com um texto dedicado a seu pai, matéria que evidencia o amor do seu genitor pela a sua bela Cururupu.

Em seguida foi servido um coquetel que, como se diz na Baixada “não deu para quem quis”.

Foi gratificante ver tantas pessoas disputando autógrafos, tirando fotos e fazendo selfies com os ecoeiros, numa verdadeira pororoca de emoções, como disse o ecoeiro Manoel Barros, natural de São João Batista, ao descrever o festival de emoções, envolvidas em todo o processo de lançamento do livro Ecos da Baixada.

Eis que a Baixada descortina sua singular epopeia, por meio dos Ecos da Baixada!!!

Texto de Ana Creusa, presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, com revisão de Hilton Mendonça, ambos cronistas do Livro Ecos da Baixada.

O VELHO PORTO DA RAPOSA EM SÃO JOÃO BATISTA, MARANHÃO

Por João Batista Duarte Azevedo*

Não sei ao certo quando surgiu o Porto da Raposa. Quando me entendi, ele já existia. Mas só vim conhecê-lo de fato quando vim para a cidade pela primeira vez. Tinha que se passar por ali. Era lá o embarque nas lanchas que nos traziam até a capital.

Encravado às margens de extenso Igarapé que rasga continente adentro, o antigo Porto da Raposa ficava no povoado campestre de mesmo nome, a poucos quilômetros do Golfão Maranhense (Baia de São Marcos) e do estuário do Rio Mearim. De um lado uma extensa cortina verde formada por manguezais, de outro, mais para dentro do continente, extensas áreas de campos e tesos.

Ao longo de muitas décadas foi a única porta de entrada e saída de muitos municípios da baixada, especialmente São João Batista, São Vicente Férrer, Matinha, entre outros. Estamos falando de mais de meio século. Naquele tempo não havia estradas que ligassem estes municípios à Capital do Estado. O porto cumpria assim então a sua primordial finalidade. Era ponto de escoamento de mercadorias que iam e vinham e de embarque de passageiros que se destinavam rumo a São Luís e vice-versa.

Ainda lembro vagamente de algumas particularidades daquele lugar. Eram dois os principais atracadouros, exatamente para duas lanchas que costumavam fazer o transporte de cargas e passageiros. Eram dois pares de extensas passarelas, construídas de achas e mourões de mangue que nos levavam até ou a parte baixa, ou à parte alta da lancha, o convés, onde ficava o timoneiro, ou mestre, e onde ficavam os passageiros.

Nas lanchas, percebia-se um hiato de classes plenamente justificável. Na parte de baixo, costumavam viajar aqueles que transportavam cargas além de suas bagagens pessoais. Um odor forte de óleo e amônia exalava em meio ao cheiro de café e cozidão que costumava vir das bandas da cozinha. Já na parte alta, o segundo andar, vinham os mais destemidos, os que não tinham muito medo dos constantes balanços no alto mar e não costumavam expelir involuntariamente suas comidas boca a fora.

Às vezes três ou mais lanchas ancoravam por ali. Todas bem nomeadas. Maria do Rosário. Santa Teresa, esta, pequenina e valente, boa de navegação. A Proteção de São José, que sucumbiu na maior tragédia náutica ocorrida naquela travessia. A Ribamar. A Fátima. A Nova Estrela e a Imperatriz foram as últimas dos tempos auge do transporte marítimo. Nestas últimas fiz a maioria das minhas viagens.

A Raposa era um lugar como muitos outros numa área de campo. As casas de jirau, mostravam que ali em épocas de inverno costumava ser úmido e encharcado. Eram habitações de madeiras, desde o assoalho até as paredes. As cobertas, algumas eram de telhas de barro, outras de pindobas. Naqueles tempos de plena atividade do velho porto, Raposa devia ter cerca de cinquenta casas. A maioria eram de pessoas que viviam em função do porto. Pequenos comerciantes, estivadores, donos de pequenas embarcações e até mesmo ambulantes que viviam da compra e venda de mercadorias e produtos. Eram todos hospitaleiros. Lembro de Seu Dominguinhos, sempre cortês, atencioso, mas, dizem os que mais o conheciam, de uma astúcia e malícia sem precedentes.

Entre as muitas peripécias atribuídas a Seu Dominguinhos está a de ter dado um pernoite ao Padre Dante que certa vez se deparou numa noite escura e não quisera voltar pra sede. Fora aconselhado a ficar por ali. Após acomodar o Padre em uma rede, contam que Seu Dominguinhos acendeu uma fogueira de pau de siriba, uma espécie de mangue que ao queimar expele uma fumaça ardente aos olhos de qualquer cristão, ainda mais a quem não era acostumado, como o sacerdote italiano. Contam que o Padre passou a noite em claro, rezando para que logo amanhecesse, enquanto Dominguinhos se contorcia de risos. Ao amanhecer os olhos do reverendo pareciam duas bolas de sangue.

As principais casas de comércio e pequenos restaurantes estavam ali em redor do armazém. Um velho prédio de alvenaria que servia como uma espécie de alfândega. Era lá que trabalhavam os fiscais da receita estadual. Ali eram expedidas e pagas as guias de impostos sobre o que era embarcado, fossem cofos de farinha, cofos de banana, cofos de criações, pequenos e grandes animais. Quase nada passava sem as vistas dos coletores de impostos. Nos dias de embarque e desembarque era bastante intenso o movimento de pessoas por ali. Fossem os que viajavam, os que ali trabalhavam, e os que apenas buscavam estar no meio do vai e vem das pessoas. Não faltavam também os donos de bancas de jogo de caipira. Mas era uma alegria só. O povoado era tão movimentado que ganhou até um gerador de luz para garantir a permanência das pessoas que por ali transitavam e trabalhavam até o zarpar das lanchas.

Nos dias que não se tinha esse movimento proporcionado pelas lanchas, o povoado de Raposa mantinha um quotidiano normal. Moradores em suas tarefas diárias preparavam-se para o dia seguinte. O incremento maior do porto fora sem dúvida quando da construção da “barragem da Raposa”. Esta grandiosa obra – tanto pela extensão como na forma de como fora construída, realizada pelo então prefeito Luiz Figueiredo – permitiu um tráfego maior de veículos por mais tempo ao longo do ano.

A partir da abertura da Estrada da Beta, nome que fora dado inicialmente pela população para o ramal São João Batista – Bom Viver, que ligou a sede do município à MA -014, começaram ainda que com muitas dificuldades por conta das condições da estrada, os transportes de cargas e passageiros por via terrestre, fato este que atingiu frontalmente o cerne da economia gerada no Porto de Raposa por conta do transporte marítimo. Os primeiros ônibus a fazerem linha para São João Batista e até mesmo para outros municípios da Baixada foram os da Expresso Florêncio, que inúmeras vezes não completavam o trajeto da viagem.

Hoje, com poucas casas e sem aquele fervilhar de pessoas que faziam dali um marco da economia do município, o Porto da Raposa precisa se redescobrir com um outro propósito já que a rodovia nos leva até a capital São Luís, ou a terras além do estado.

Sempre defendi que o antigo e outrora próspero Porto da Raposa deveria absorver em tempos atuais outras finalidades. Ao que parece, por obra e graça do tempo e pela resistência de alguns poucos moradores que ali ainda residem, esta é uma realidade próxima das novas gerações. Por conta de sua aprazibilidade e beleza natural, o velho Porto de Raposa poderá ressurgir como um ponto de lazer rústico. Para tanto falta-lhe estrutura e muito precisar ser feito.

Com a palavra os homens dos poderes!

* João Batista Duarte Azevedo é natural de São João Batista (MA), graduado em Letras pela UFMA, professor e editor do blog “São João Batista On-Line”, coautor do livro Ecos da Baixada, postulante a uma cadeira na Academia de São João Batista.

Fonte: https://fdbm.org.br/

COISAS DO MARANHÃO: Polo Ecoturístico Floresta dos Guarás

Por Expedito Moraes

O Polo Ecoturístico da Floresta dos Guarás que está localizado nas Reentrâncias Maranhenses e o Polo Amazônia Atlântica no Pará constituem a maior floresta contínua de manguezais do mundo (8.900 km2, justamente na Costa Amazônica brasileira. O Polo Ecoturístico Floresta dos Guarás compreende os municípios de Cedral, Guimarães, Mirinzal, Porto Rico do Maranhão, Serrano do Maranhão, Cururupu, Bacuri e Apicum Açu.

A exuberante Costa Amazônica maranhense, marcada por manguezais, estuários, ilhas, praias e baías, se estende da Baía de Tubarão até a divisa com o Pará, e compreende o Golfão Maranhense (onde está a Baía de Tubarão, Região do Munim, a Ilha de São Luís, Alcântara e a Baía de Cumã) e o litoral ocidental. São as intricadas Reentrâncias Maranhenses e o Pólo da Floresta dos Guarás, um litoral semi-selvagem e preservado, extremamente recortado por uma infinidade de ilhas, enseadas, baías, golfos, penínsulas e estuários que fazem parte da seleta lista das zonas úmidas de relevância planetária (RAMSAR). As Reentrâncias Maranhenses é um dos trechos costeiros mais originais e irregulares do país e do mundo.

A região possui altos e exuberantes manguezais que podem chegar a 40 metros de altura são onipresentes, são vitais para o equilíbrio ambiental de toda a zona costeira e servem de abrigo e habitat para inúmeras espécies da fauna aquática e terrestre; especialmente as aves, migratórias e residentes, dentre tantas se destaca o Guará (Eudocimus Ruber) – extinto na maior parte do país e típico do litoral amazônico. O guará chama a atenção pela sua belíssima plumagem vermelha e pela suas magníficas revoadas.

Outra figura marcante na região é o guará que apresenta uma coloração vermelha marcante, resultado do alimento à base de caranguejos (chama-maré ou sarará, e o maraquani). Os caranguejos têm ligação com a cor dos Guarás.

O vermelho das penas dos Guarás se deve a um pigmento chamado “cataxantina”, que é um derivado do caroteno. O caroteno é o responsável pela cor da cenoura e da casca dos caranguejos e camarões, mais evidente quando cozidos. Os guarás são capazes de absorver o pigmento de suas presas e acumulá-lo em suas penas, tornando-as vermelhas.

Fonte: https://fdbm.org.br/

Uma imperatriz de muitas faces: Teresa Cristina de Bourbon, uma napolitana nos trópicos!

Por Renato Drummond Tapioca Neto*

Nascida em Nápoles no dia 14 de março de 1822, Dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias cresceu em uma região que na antiguidade era conhecida como Magna Grécia. Não obstante, no golfo de Nápoles, encontrava-se o sítio arqueológico de Pompéia, com seus edifício bem preservados, dando para a posteridade um testemunho das habitações do antigo império romano.

Bebendo dessa rica fonte cultural, a soberana representava aos olhos dos brasileiros a latinidade transplantada para a América. Ela importou para o país diversas peças de Pompéia e Herculano, que hoje compõe o acervo de muitos museus brasileiros. Foi chamada por isso de “a imperatriz arqueóloga”.

Amante da ópera italiana, dizia-se que a própria soberana possuía uma voz belíssima, encantando aqueles que tinham a oportunidade de escutá-la cantando. Era uma amante das ciências e principalmente das inovações tecnológicas, como a fotografia. Em diversos registros fotográficos, ela pode ser observada posando na companhia dos livros que lhe eram tão caros, testemunhando assim sua erudição e apreço pelo conhecimento. Todavia, seu protagonismo permanece ensombreado pelo marido, sempre exaltado nos livros.

Desconhecemos, por exemplo, a influência que ela exerceu na imigração italiana para o Brasil, assim como Dona Leopoldina havia feito com a imigração alemã em seu tempo de vida. Ambas as soberanas foram chamadas pelos seus contemporâneos de “mãe dos brasileiros”, graças aos seus trabalhos de caridade em benefício de famílias pobres.

Atualmente, a terceira imperatriz do Brasil aparece como personagem na novela “Nos Tempos do Imperador”, interpretada pela atriz Letícia Sabatella. Através dos capítulos da trama da rede Globo, o público pôde conhecer um pouco mais acerca da personagem, sobre sua sensibilidade artística manifestada pelos trabalhos artesanais no Jardim das Princesas e seu interesse pela arqueologia. Nesse sentido, a ficção, a despeito de sua falta de compromisso com a veracidade dos fatos, pode ser uma interessante porta de entrada para aqueles que buscam se aprofundar mais nos acontecimentos adaptados para a tela da TV, procurando em registros historiográficos, os fatos por trás da narrativa inventada pelos roteiristas.

* Renato Drummond Tapioca Neto Doutorando em História pela UFBA, Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB (2017) e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC (2014). É escritor e desde 2012 mantém o site Rainhas Trágicas, dedicado à História das Mulheres no Antigo Regime. Fonte: Rainhas Trágicas – Mulheres Guerreiras Soberanas.