VAIDOSA FULÔ

Por Zé Carlos

No ápice do silêncio,

                              irrompe

                                        fulô …

                                     

                            tímida                   

                             frágil                   

                         descorada

                     sem identidade

 

  ………………………………………………

 

    outros ocasos

             esplêndidos

                       e

              bonançosos    

 

     outras noites

               mágicas

                     e

               mansas

 

     outros novilúnios

                  delirantes

                          e

               restauradores

 

      outras estrelas

                   zelosas

                         e

                  maternas

 

       outros sonos

                reparadores

                         e

                 quiméricos

       

 ……………………………………………….

 

      outras e novas manhãs

 

      outros orvalhos sagrados

                                     breves

                                         e

                                      vitais

 

       outras réstias de luz serenas

                                                  e

                                            fecundas

 

       outros bentivis canoros

                                         e

                                novidadeiros

                                   

 

       outros beija-flores maviosos

                                                 e

                                       beijoqueiros

 

       outras pétalas multivivas

                                         e

                                 cativantes

                      

  ……………………………………………..

 

      outros dotes

                       e

                encantos

 

      do alto de seu convencimento,

                                      “convencida”.

 

          em sua desafiadora vaidade,

                                      “achando-se”.

 

                       em absurdo “florzear”,

                               gaba-se à amiga,

 

                                                “gabola”,

                                               também,

 

                           da última conquista.

 

  ……………………………………………..

 

    despida da inocência,                               

                          inocente

                                                                                                    

                           alheia

                                e

                        orgulhosa

 

                     senhora de si

                                          

                       … a alvoraçar a praça!

Lennon Bruno Martins, o gigante dos esportes

Lennon Bruno Martins é um perimiriense brilhante, filho de Nadiene Martins e Renê Barros

Lennon se orgulha da carreira de jogador e diz: “Há 12 anos atrás fui contratado para jogar com os “Gigantes do Norte ” de Belém do Pará, primeiro time de anões do mundo e único em atividade no Brasil, vieram jogar em Peri-Mirim e na oportunidade joguei contra os gigantes do Norte pela primeira vez defendendo a minha Cidade Peri-Mirim, na época jogava pela escolinha de Peri-Mirim, e logo após o jogo devido meu bom desempenho em campo recebi o convite de jogar defendendo a equipe do gigantes do Norte, e de lá pra cá assinei com os gigantes do Norte na qual sou atleta até hoje”.

UEMA: Curso de Direito nos municípios de Codó, Grajaú e São Bento e outras novidades

Nesta segunda-feira (26), o governador Flávio Dino e o reitor da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Gustavo Costa, anunciaram o início dos estudos para implantação do curso de Medicina no campus da UEMA em São Luís. Além do novo curso, será iniciado um processo licitatório para construção do Centro de Convenções da UEMA, também na capital.

“Estamos muito felizes porque esse é um sonho antigo de toda uma geração de professores e alunos. Iniciaremos o processo licitatório do Centro de Convenções da UEMA, Campus Paulo VI, em São Luís. Além de ser um espaço para eventos acadêmicos, será um lugar para encontros e manifestações culturais”, garantiu o reitor Gustavo Costa.

O reitor lembrou ainda que a pandemia do coronavírus trouxe à tona o déficit de profissionais médicos no Maranhão. “A criação do curso de Medicina em São Luís é uma medida muito importante e que muito contribuirá com a formação profissional e o acesso à saúde, assim como os novos cursos de Direito da UEMA nos municípios de Codó, Grajaú e São Bento”, disse o reitor.

Durante o encontro, o governador e o reitor destacaram que todos os investimentos feitos ao longo dos últimos anos permitiram que a UEMA, pela primeira vez em sua história, figurasse no ranking das melhores universidades da América Latina.

O governador Flávio Dino ressaltou a importância de avançar em novos projetos. “Temos trabalhado juntos para expandir o acesso ao ensino superior de qualidade, público e gratuito com muitas obras em andamento nos campi da UEMA em todo o estado. A cada dia criamos novas oportunidades de qualificação do nosso povo, especialmente para a juventude maranhense”, declarou o governador.

Fonte: site da UEMA.

COISAS E LOAS IV

Por Zé Carlos

Há muitos fatos, que prendem a atenção de uma comunidade.
Agora, imagine o surgimento de uma “rádia”! Imagine a sensação de que as, digamos “conterrâneas”, notícias, “vivamente” adentrem-lhe a casa. As “vozes”, a brotarem de tão “mágica caixinha”, tornam-se por demais íntimas, quase um parente.

Nesse cenário, a nossa cidade viu-se presenteada com “a” Verdes Campos. Um burburinho a dominar “a praça”. Uma absurda revolução nos seus meios comunicativos tão minguados. Um acontecimento absurdo. Uma conquista das mais salutares e importantes. Quantas novidades! Quantas mudanças! O cotidiano ganha um suave e novo colorido. Encurtam-se as sofridas distâncias. Acentuam-se os gostos musicais. Multiplicam-se as curiosidades. “Minam os causos”.

Pode-se dizer que a cidade, de certo modo, passou a viver em torno de tão importante meio de comunicação. Algo, que lhe marcou definitivamente, desde sua implantação em 1980 até o início do século XXI; pois, mesmo que ainda resista, está, como se diz na Baixada, de “escanteio”, frente a outras mídias.

Nessa atmosfera, vieram-me à lembrança “acontecidos” fabulosos, que nos enriqueceram em nossa alegria e nos tornaram a vida mais leve.
Para minha estupefação, um dia, escutei uma conhecida, coloco assim para ninguém comprometer, dizer que só fazia o almoço após a divulgação dos signos. Os signos, curiosamente, só eram divulgados depois das onze, e ela tinha mais que onze filhos. Haja meninos a lhe puxarem a barra do vestido, num “berreiro danisco”. De outra feita, ouvi a locutora, em uma desmedida empolgação, propagandear, a pleno pulmões, as vantagens em comprar em duas casas comerciais, locais. Sem nome. Sem fuxico. Após os empolgados “merchans”, surgiu a identificação dos comércios. Fique atento! S I … e “cia” (leia-se “cia”). E, para em seguida fechar com chave de ouro, C E … “lítida”. O pior é que levei algum tempo para desvendar tão inovadora linguagem. Estava linguisticamente a ano-luz de tais pérolas ou desconhecia por completo tais empreendimentos novos. O que era praticamente impossível. Mas, finalmente, entendi: S I … & Cia (nada mais do que S I … & Companhia) e C E … Ltda (C E … Limitada). Que “louco, meu!” Que criatividade! Mas, verdadeiramente, o que interessa é que a mensagem fez-se entendida.

Já no campo esportivo a nossa rádio foi pródiga. Desde esdrúxulas declarações de jogadores a (…) no transcorrer de uma partida de futebol, o narrador “meio gago” não conseguia acompanhar o ritmo do jogo e a velocidade da bola. Quanta agonia! Do “nomear” os jogadores, passa apenas a “numerá-los”. Só já dizia “o 8 passou pro 7; o 7 passou pro 10”. No entanto, o ritmo intensificou-se ainda mais. Foi-lhe o limite. Só lhe restou uma saída. Gritar, no ápice de seu desespero. “Gente, deu um cu de boi na área”. Mais do que fantástico! Grande e grave problema resolvido!

Tal fato, entretanto, não foi o único e suficiente, a se eternizar nos anais da nossa tão “novel” história “esportivo-radiofônica”. Acredite que, ao ser chamado o “repórter de campo”, num momento de calmaria de uma partida e sem alteração alguma à vista, “saiu-se com esta”: “não tem nada para informar, informou Brahma Chopp”.
Perfeito!
Viva a “rádia”!

COISAS E LOAS III

O “mundo” das pescarias cerca-se de situações pitorescas. Algumas vezes, beirando o surreal. Ou indo além.

Nesse ambiente, um episódio impressionou-me, acompanha-me e me intriga para todo o sempre. A história, tantas vezes referida, da pecaminosa e “irrecomendável” captura de um filhote e do desespero da “mamãe boto”. Quanta angústia! Tanto choro. Choro gemido, doído, lancinante, “parecendo até gente”. O tempo, a ser juiz implacável, fez-se presente. Até hoje, ainda me dá arrepios.

Entretanto, em nossa cidade, não só pescarias trágicas. A nossa cidade é pródiga em “causos” hilários e “sabidos”.

Dizem as “boas” línguas, e eu não invento, que um exímio pescador tinha, como pontos sagrados de sua prática, as imediações da “barraca” de Fula. Constatando que já não conseguia “visgadas premiadas”, “estudou que estudou” um meio para acabar com o problema. E o resolveu. Uma extensíssima vara de bambu, que pudesse alcançar a outra “banda” do rio ou a “boca” da Juçareira. Uma verdadeira vara de pescador! Assim fez e fez-se. Preparou-se e partiu, decidido ao sucesso. Logo, na “primeira pescada”, veio-lhe uma traíra, uma “senhora” traíra, que só mesmo um pescador para mensurá-la. Forte e brigadeira. Terminantemente, valente. Com fome de linha, a “galopar”, senhora de si, em tão fecundo leito fluvial. E, finalmente, vencida.

A expectativa apresentou-se plena, em tão grave momento de glória. Restava-lhe saborear a vitória. Puxou-a, puxou-a, puxou-a. Puxou-a, com tanta força, que ela rompeu água e ar vorazmente. Alcançou uma considerável altura, testemunhada pelo calor abrasante do sol a pino. Esperou vê-la no capim de marreca macio, a “serelepiar”, ainda guerreira, como só uma traíra sabe ser. Demorou, demorou. Finalmente, escutou apenas “um baque” chocho, sem vida. Sem entender, correu a buscar seu troféu. Grande decepção! Só as espinhas. Não contou que uma vara, por demais comprida, oferecesse uma bela refeição, aérea, aos famintos e sabidos urubus. Total decepção!

Decepção tamanha, que o levou a abandonar o seu mais sagrado passatempo e recolher-se, para sempre, uma vez que a molecada não lhe dava trégua ao sair de casa.

O que me intriga, imensamente, é saber onde estava o “olheiro” que “matraqueou” tal proeza.
Na verdade, há “nada a se espantar”, uma vez que até uma traíra de óculos, “entrada em anos”, foi capturada nas misteriosas águas do piscoso Pericumã.

E resgatemos, também, a “esperteza” de um amigo. “O nome é que faz o fuxico”. “A língua está coçando pra contar”. Depois revelarei. Esperteza essa, de que eu fui testemunha.

Comprava os melhores peixes, para justificar as suas ausências, junto a sua companheira. Só acarás e cabeças gordas, “criadas”. Artimanha desfeita por meu pai, quando lhe descobriu a tarrafa que “nunca tinha visto água”, naquele dia. Assim, passou a “parar em casa”, dormir a “tarde inteirinha” e não mais deu suas “escapadas” nem “contou vantagens” em suas aventuras de “pescador”. “Besta!”

AS MINHAS ESCOLAS II

Por Zé Carlos

Ganhei mundo … e ganhei outras escolas …
As minhas primeiras escolas, “fora das minhas escolas”, passaram a ser os encantos da Ilha e o curso José Maria do Amaral, rumo à UFMA. O que embalou o “sonho” de muitos baixadeiros.
(…)
A minha primeira experiência, a reger uma sala de aula, deu-se no curso do professor Belforzinho, no Colégio Independência. Um curso preparatório à “Escola Técnica”. Haja sudorese! Experiência que me alavancou a novas e gratas experiências.

Daí, só cresci e “me entranhei” no ofício, de que não me dissociei mais. “Uma verdadeira doença!” “Doença” a me alimentar com os livros e os rabiscos do giz, a buscar sempre o muito de cada um. “Doença” vital em minha jornada!

Muitas escolas ganhei. Escolas, que se transformaram em famílias. Escolas-famílias, que pulsaram e pulsam até hoje.

Foram elas que me viram, por demais, indeciso, titubeante, nos primeiros passos e tentativas. Muitas e muitas vezes, conduzido e amparado por amigos-irmãos; irmãos-companheiros e desejosos em ver o meu crescimento.

Foram elas que me (in)formaram numa troca constante e insana de conhecimentos, em que se confundia quem passava e / ou quem recebia saberes. Verdadeiras “fábricas” de talentos.

Foram elas que moldaram o meu “berro” e / ou o meu calar. “Berro” calado e firme. Calar berrante e eficaz. Numa simbiose plena, a explodir em tantas descobertas.

Foram elas que me deram a medida certa do que é empatia. Muito além do que é respeitar as diferenças e as limitações do próximo.

Foram elas que me guiaram em minhas andanças, tempestades e bonanças. Sempre me conduzindo à luz dos caminhos, quer lúcidos ou mais e mais insanos.

Foram elas que abafaram as minhas ausências. Justificativas plausíveis às segundas-feiras ou meras alegações aberrantes ou meras ressacas.

Foram elas que acompanharam a barriga crescer, acinzentarem-se os cabelos, murcharem as faces, anuviar-se a visão, tornarem-se mais imprecisos os passos. Numa cumplicidade mais que perfeita.

Foram elas, em sábio silêncio, que me velaram como um filho amado. Num amanhecer radiante ou pouco sombrio; num anoitecer enfastiadamente sereno ou absurdamente tresloucado.

São elas que “navegam” o meu barco, repleto de histórias, a ilustrar, também, a história de meus amigos e irmãos … Mas, isso é história para outro “papo”.
São elas, as minhas escolas, o meu porto seguro, ainda!

AS MINHAS ESCOLAS I

Por Zé Carlos

Anuviam-se as lembranças da alfabetização. Uma dolorosa e imperdoável lacuna em minha jornada escolar. Uma pena!

Entretanto, trago as minhas escolas sempre comigo. São duas. Odorico Mendes (O M, Ovo Mole) e Colégio Pinheirense (C P, Cu de Pinto).

Da primeira carrego lembranças fortes. Desde a saída de casa até a chegada ao imenso portão de ferro.

De casa, vinha com o uniforme impecável. Não sabia até quando. Camiseta e calção, respeitados. Como complemento, uma “chulipa”, que engolia a meia, que engolia as canelas secas e cinzentas. O cabelo, baixinho, cortado a máquina manual, o que “doía pra dedéu”, trazia a sua marca registrada, uma “pastinha”, que era a nossa vergonha. Desta não podia escapar, papai era o barbeiro. Os livros e apetrechos, geralmente, estavam “enfiados” em um saco plástico. Quem não teve o seu?! Saco grosso e resistente era uma joia. Era ouro puro. Era nosso orgulho. Lembro bem a minha lancheira, branca, com uma alça e um copinho vermelho, “até a boca” de ki-suco de morango ou groselha ou abacaxi e um pão massa fina, recheado de manteiga. Até aqui não existia a merenda escolar.

O portão de ferro, imponente, imenso, assustava um pouco. Mas, ao se abrir, abria um mundo novo a ser sorvido. Mundo em que suas áreas livres ofereciam-se como palcos de sadias brincadeiras. As salas de aula, com suas pesadas carteiras, ofertavam as primeiras amizades, fora do ambiente família-rua. Os corredores testemunhavam planos e segredos, ainda inofensivos. O recreio. Ora o recreio era divino. Sinto até o cheiro. A merenda, aí, sim, já vinha inundada de sopas, mingaus ou sucos. A “bolachinha da merenda escolar”, de uma doçura especial, a enjoar, era bem vinda, com suas belas figurinhas. A professora Fátima Correia resiste em minha memória.

Da segunda escola, mais nítidas, apresentam-se as recordações. O universo, o interesse e a percepção são outros. A ligação continua forte. Foi lá que encontrei as linhas certas para um novel escrivinhador, não tão ávido por conhecimentos. Foi lá que desfrutei das melhores amizades. Das camaradagens e das colegagens, também. Foi lá que vivi a sapiência dos mais brilhantes mestres: Cici Amorim, no mais perfeito português; Frei José, em suas “perspectivas”, a traçar “nossos nortes”; padre Risso, a “desbravar” a Mecânica e a Óptica; Dilu Freitas, a martelar PA e PG, no nosso cotidiano matemático, com a sua paciência única, por um semestre inteiro; Maria do Carmo, a desfilar heróis e acontecimentos, em aulas históricas e marcantes; De Jesus Menezes, a “matematicar” expressões, em todos os seus graus; Anísia, em sua elegância a distribuir “goog afternoon”. É bom parar por aqui. Lágrimas vêm. E o que dizer de AS MINHAS ESCOLAS I?! Verdadeiramente, a mestra que mais marcou a minha trajetória escolar. Uma guerreira em seu ofício. Com o livrinho do Mário Meirelles a desvendar o nosso Maranhão. Que saudades!
Mas … ganhei mundo … e ganhei outras escolas. Escolas, que serão outros papos!

Paródia de Mãe Catirina

Compositora: Nasaré Silva

 

Mãe Cecília que só quer brincar com a língua do boi

Nunca pensa em comer ela, nem filé e nem costela

Pois seu lema é o amor.

Ai mãe Cecília cuida do boi (bis) que quer crescer (Refrão)

E lá vai meu boi prenda da cidade

 

Nossa comunidade chegou a hora de brilhar.

Homenageando todas suas famílias, gente aguerrida

Que não cansa de lutar.

 

Refrão…

 

E lá vai meu boi no romper da aurora

Nossa escola chora sem alunos pra ensinar.

Mas não nos abatemos, nesta trajetória

Porque temos Deus para nos encorajar.

 

E lá vai meu boi cheio de saudade

Dos nossos alunos que não podemos visitar

Mas cremos em Deus, que em breve estaremos

Todos reunidos, na escola a estudar.

 

E lá vai meu boi arrastando a barra

Cecilia Botão tem garra quando o tema é educação

Levando um recado pro governador

Esta escola humilde tem carinho e tem valor.

 

E lá vai meu povo cantando pra ela

Em nossa aquarela rimando pra São João

Nossa querida escola, mesmo com saudades

Canta para os pais, nossa Cecília Botão.

PERI-MIRIM: São João em Casa, inscreva-se no canal do Youtube e assista à Live

A Cultura não pode parar, em meio à pandemia da Covid-19, a Prefeitura de Peri-Mirim e as Secretarias de Cultura, Turismo e Educação promoverão por meio de Live, um evento denominado São João em Casa – Peri-Mirim/MA, que vai acontecer nesta segunda-feira , 28 de junho às 19 horas.

Atenção perimirienses e amigos, para assistir ao evento, inscreva-se no canal, pelo link abaixo, ative o lembrete e assista. https://youtu.be/g0suKTrALf4

FUXICO A SÃO JOÃO

Por Zé Carlos

Ah, São João, que saudade!

Por aqui, estamos a esperar o despertar do “terreiro”, que ainda dorme. Já sabemos que Santo Antônio, a velar pelos “quatro cantos” da Ilha, não sabe para onde se escafederam as chaves dos folguedos.
Só nos restaram as matracas, que mesmo caladas, ainda ecoam tímidas, a provocar os maracás, a se agitarem apenas no ritmo da brisa, que vem rompendo alvorada, das bandas da Pindoba, visitando a Maioba e a Madre de Deus, para repousar solene, ao pôr do sol, no Maracanã.
Também, os pandeirões e as zabumbas, desconfiados, apenas sussurram a sonoridade das toadas, a não se deixarem esquecer. Vêem navegando a mais fantástica viagem, na nau encantada, capitaneada por “el” Sebastião, um trio de sereias e o touro negro, que galopa as lendas e os mistérios, de Guimarães à Fé em Deus. E Cururupu, altaneira, recolhe-se ao compasso bem marcado com o “costa de mão”.
Já a região do Munim orquestra-se em uma “mocidade bela”, sublime, que, mesmo longínqua, nos acalma o coração, enfeitiçado com os cabelos e a beleza morena, tão amados pelo vento buliçoso. E o “vovô” Pindaré cadencia-se no ritmo abafado das pisadas “baixadeiras” do Cazumbá, a embalar o plenilúnio, revelador de espetaculares segredos, em seu mais mágico show.
O anarriê, bem mais “maranhês”, sibila convidativo pelas entranhas dos arraiais, levando índias, caboclos, miolos dos bois, amos … a se juntarem a Catirina, que só “desejará” a língua do boi “ano que vem”.
Ah, os “boieiros”, o Ceprama e o IPEM … mantêm-se desolados, pois o boi, em um silencioso batismo, ainda não “urrou”. Coxinho demora-se no céu, e, até, São Pedro aquietou-se. Mas, as suas fogueiras continuam a esquentar os nossos corações tão aflitos. Enquanto São Marçal, em sua mais plena devoção, abençoa-nos.
Não quero parecer fuxiqueiro, às vésperas de seu dia, mas é o que andam dizendo pela praça João Lisboa.
Breve, volto a lhe falar.
Abençoa-nos, também, São João!
Livrai-nos de todo mal, Amém!