AS MINHAS ESCOLAS I

Por Zé Carlos

Anuviam-se as lembranças da alfabetização. Uma dolorosa e imperdoável lacuna em minha jornada escolar. Uma pena!

Entretanto, trago as minhas escolas sempre comigo. São duas. Odorico Mendes (O M, Ovo Mole) e Colégio Pinheirense (C P, Cu de Pinto).

Da primeira carrego lembranças fortes. Desde a saída de casa até a chegada ao imenso portão de ferro.

De casa, vinha com o uniforme impecável. Não sabia até quando. Camiseta e calção, respeitados. Como complemento, uma “chulipa”, que engolia a meia, que engolia as canelas secas e cinzentas. O cabelo, baixinho, cortado a máquina manual, o que “doía pra dedéu”, trazia a sua marca registrada, uma “pastinha”, que era a nossa vergonha. Desta não podia escapar, papai era o barbeiro. Os livros e apetrechos, geralmente, estavam “enfiados” em um saco plástico. Quem não teve o seu?! Saco grosso e resistente era uma joia. Era ouro puro. Era nosso orgulho. Lembro bem a minha lancheira, branca, com uma alça e um copinho vermelho, “até a boca” de ki-suco de morango ou groselha ou abacaxi e um pão massa fina, recheado de manteiga. Até aqui não existia a merenda escolar.

O portão de ferro, imponente, imenso, assustava um pouco. Mas, ao se abrir, abria um mundo novo a ser sorvido. Mundo em que suas áreas livres ofereciam-se como palcos de sadias brincadeiras. As salas de aula, com suas pesadas carteiras, ofertavam as primeiras amizades, fora do ambiente família-rua. Os corredores testemunhavam planos e segredos, ainda inofensivos. O recreio. Ora o recreio era divino. Sinto até o cheiro. A merenda, aí, sim, já vinha inundada de sopas, mingaus ou sucos. A “bolachinha da merenda escolar”, de uma doçura especial, a enjoar, era bem vinda, com suas belas figurinhas. A professora Fátima Correia resiste em minha memória.

Da segunda escola, mais nítidas, apresentam-se as recordações. O universo, o interesse e a percepção são outros. A ligação continua forte. Foi lá que encontrei as linhas certas para um novel escrivinhador, não tão ávido por conhecimentos. Foi lá que desfrutei das melhores amizades. Das camaradagens e das colegagens, também. Foi lá que vivi a sapiência dos mais brilhantes mestres: Cici Amorim, no mais perfeito português; Frei José, em suas “perspectivas”, a traçar “nossos nortes”; padre Risso, a “desbravar” a Mecânica e a Óptica; Dilu Freitas, a martelar PA e PG, no nosso cotidiano matemático, com a sua paciência única, por um semestre inteiro; Maria do Carmo, a desfilar heróis e acontecimentos, em aulas históricas e marcantes; De Jesus Menezes, a “matematicar” expressões, em todos os seus graus; Anísia, em sua elegância a distribuir “goog afternoon”. É bom parar por aqui. Lágrimas vêm. E o que dizer de AS MINHAS ESCOLAS I?! Verdadeiramente, a mestra que mais marcou a minha trajetória escolar. Uma guerreira em seu ofício. Com o livrinho do Mário Meirelles a desvendar o nosso Maranhão. Que saudades!
Mas … ganhei mundo … e ganhei outras escolas. Escolas, que serão outros papos!

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