FUXICO A SÃO JOÃO

Por Zé Carlos

Ah, São João, que saudade!

Por aqui, estamos a esperar o despertar do “terreiro”, que ainda dorme. Já sabemos que Santo Antônio, a velar pelos “quatro cantos” da Ilha, não sabe para onde se escafederam as chaves dos folguedos.
Só nos restaram as matracas, que mesmo caladas, ainda ecoam tímidas, a provocar os maracás, a se agitarem apenas no ritmo da brisa, que vem rompendo alvorada, das bandas da Pindoba, visitando a Maioba e a Madre de Deus, para repousar solene, ao pôr do sol, no Maracanã.
Também, os pandeirões e as zabumbas, desconfiados, apenas sussurram a sonoridade das toadas, a não se deixarem esquecer. Vêem navegando a mais fantástica viagem, na nau encantada, capitaneada por “el” Sebastião, um trio de sereias e o touro negro, que galopa as lendas e os mistérios, de Guimarães à Fé em Deus. E Cururupu, altaneira, recolhe-se ao compasso bem marcado com o “costa de mão”.
Já a região do Munim orquestra-se em uma “mocidade bela”, sublime, que, mesmo longínqua, nos acalma o coração, enfeitiçado com os cabelos e a beleza morena, tão amados pelo vento buliçoso. E o “vovô” Pindaré cadencia-se no ritmo abafado das pisadas “baixadeiras” do Cazumbá, a embalar o plenilúnio, revelador de espetaculares segredos, em seu mais mágico show.
O anarriê, bem mais “maranhês”, sibila convidativo pelas entranhas dos arraiais, levando índias, caboclos, miolos dos bois, amos … a se juntarem a Catirina, que só “desejará” a língua do boi “ano que vem”.
Ah, os “boieiros”, o Ceprama e o IPEM … mantêm-se desolados, pois o boi, em um silencioso batismo, ainda não “urrou”. Coxinho demora-se no céu, e, até, São Pedro aquietou-se. Mas, as suas fogueiras continuam a esquentar os nossos corações tão aflitos. Enquanto São Marçal, em sua mais plena devoção, abençoa-nos.
Não quero parecer fuxiqueiro, às vésperas de seu dia, mas é o que andam dizendo pela praça João Lisboa.
Breve, volto a lhe falar.
Abençoa-nos, também, São João!
Livrai-nos de todo mal, Amém!

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