AS MINHAS ESCOLAS II

Por Zé Carlos

Ganhei mundo … e ganhei outras escolas …
As minhas primeiras escolas, “fora das minhas escolas”, passaram a ser os encantos da Ilha e o curso José Maria do Amaral, rumo à UFMA. O que embalou o “sonho” de muitos baixadeiros.
(…)
A minha primeira experiência, a reger uma sala de aula, deu-se no curso do professor Belforzinho, no Colégio Independência. Um curso preparatório à “Escola Técnica”. Haja sudorese! Experiência que me alavancou a novas e gratas experiências.

Daí, só cresci e “me entranhei” no ofício, de que não me dissociei mais. “Uma verdadeira doença!” “Doença” a me alimentar com os livros e os rabiscos do giz, a buscar sempre o muito de cada um. “Doença” vital em minha jornada!

Muitas escolas ganhei. Escolas, que se transformaram em famílias. Escolas-famílias, que pulsaram e pulsam até hoje.

Foram elas que me viram, por demais, indeciso, titubeante, nos primeiros passos e tentativas. Muitas e muitas vezes, conduzido e amparado por amigos-irmãos; irmãos-companheiros e desejosos em ver o meu crescimento.

Foram elas que me (in)formaram numa troca constante e insana de conhecimentos, em que se confundia quem passava e / ou quem recebia saberes. Verdadeiras “fábricas” de talentos.

Foram elas que moldaram o meu “berro” e / ou o meu calar. “Berro” calado e firme. Calar berrante e eficaz. Numa simbiose plena, a explodir em tantas descobertas.

Foram elas que me deram a medida certa do que é empatia. Muito além do que é respeitar as diferenças e as limitações do próximo.

Foram elas que me guiaram em minhas andanças, tempestades e bonanças. Sempre me conduzindo à luz dos caminhos, quer lúcidos ou mais e mais insanos.

Foram elas que abafaram as minhas ausências. Justificativas plausíveis às segundas-feiras ou meras alegações aberrantes ou meras ressacas.

Foram elas que acompanharam a barriga crescer, acinzentarem-se os cabelos, murcharem as faces, anuviar-se a visão, tornarem-se mais imprecisos os passos. Numa cumplicidade mais que perfeita.

Foram elas, em sábio silêncio, que me velaram como um filho amado. Num amanhecer radiante ou pouco sombrio; num anoitecer enfastiadamente sereno ou absurdamente tresloucado.

São elas que “navegam” o meu barco, repleto de histórias, a ilustrar, também, a história de meus amigos e irmãos … Mas, isso é história para outro “papo”.
São elas, as minhas escolas, o meu porto seguro, ainda!

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