Médico vianense morre em queda de avião no Amazonas

O médico brasiliense Roland Montenegro Costa, do Hospital de Base de Brasília, está entre as vítimas da queda do avião no Amazonas, na tarde deste sábado (16/9), na região de Barcelos, próximo de Manaus. Além dele, outras 13 pessoas morreram no acidente aéreo. Gutemberg Fialho, presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, lamenta e confirma a morte do cirurgião. Tanto ele como as demais vítimas estavam no local para a prática de pesca esportiva. Roland era médico cirurgião do aparelho digestivo, pioneiro dos transplantes em Brasília.

O médico nasceu em Viana (MA) e formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Maranhão, em 1978. Ele fez residência médica em cirurgia geral no Hospital de Base do Distrito Federal, de 1979 a 1981.

O dono do clube de pesca para o qual o médico se dirigia, Anízio Marreco, conta que há mais de 20 anos Roland frequentava a cidade de Barcelos para a prática do esporte. “Ele vinha todos os anos, era um cara que gostava muito da pesca”, relata.

Em busca do aperfeiçoamento na carreira, foi estagiário em Cirurgia Geral no Hospital Klinikum Steglitz, da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, de 1987 a 1988, e fellow em transplante de órgãos abdominais pela Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, de 1991 a 1993. Exerceu também a função de professor de ensino em Cirurgia Geral do Hospital de Base do Distrito Federal.

… VOLTAREI A SER MENINO

Por Zé Carlos Gonçalves

Quando eu voltar a ser
menino,
e as minhas pernas,
vagarosas,
não me levarem longe,
ainda serei!

(in)consciente, tecerei
caminhos errantes,
falarei o indecifrável
e
sorrirei de minhas
bobagens;

mijarei a rede,
cheirando à jardineira,
comerei angu com isca
e
beberei chá de erva
cidreira;

banharei com o sol
das nove,
escutarei os segredos,
mortais e mais sagrados,
em minha pretensa
surdez
e
sentirei vontade
de dizer o que o não devo!

Quando eu voltar a ser
menino,
nada me assustará:
os horrores não chocarão,
os lamentos descansarão
em lampejos de certezas,
os sorrisos perder-se-ão
na conta da demência
e
a minha fé será única!

Quando eu voltar a ser
menino,
apreciarei a beleza
da chuva,
viverei a noite
em sua calmaria

e

as lembranças serão
as minhas companheiras
fiéis!

… voltarei a ser menino!

Grupo de alunos de Penalva (MA) concorre a prêmio da Samsung com protótipo de biogás e biofertilizante

Equipe é semifinalista na 10ª edição do Solve For Tomorrow Brasil, programa de cidadania corporativa da Samsung que incentiva a criação de projetos por escolas públicas.

Um grupo de cinco alunos do Centro de Ensino Antero Câmara Penha, na comunidade Jacaré, em Penalva, Maranhão, ficou entre os 20 semifinalistas da 10ª edição do Solve For Tomorrow Brasil, com um projeto de produção de biogás e biofertilizante como alternativa sustentável para a comunidade. O programa de cidadania corporativa da Samsung é conhecido por estimular alunos e professores da rede pública de ensino a criarem soluções para demandas reais utilizando a abordagem STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

O projeto de cunho investigativo e avaliativo, visa a produção de biogás por meio de uma vegetação típica da região, chamada Eichhornia crassipes – também conhecida como aguapé – que é associada a outras biomassas locais. O projeto visa beneficiar a comunidade com baixo poder aquisitivo, bem como reduzir a poluição causada pelo gás de cozinha comum e pela queima da madeira e outros componentes. A princípio, para uma melhor definição de como esse biogás será produzido, a equipe composta por cinco alunos do 1º ano do ensino médio buscou entender a dimensão da vegetação encontrada na comunidade rural em que a escola está localizada.

Segundo Geovane Santos Muniz, professor de biologia e orientador da equipe, a ideia surgiu a partir de um trabalho na grade curricular dos alunos dentro da temática de sustentabilidade, no qual o grupo teve um primeiro contato com projetos envolvendo o estudo de microorganismos. “Primeiro tivemos que fazer alguns experimentos e fizemos uma pesquisa de campo com o envolvimento da própria comunidade rural. Um diferencial importante do projeto é a meta de reduzir o uso de plástico, por isso reutilizamos garrafas PET na construção do nosso protótipo. Além disso, usamos a horta da escola, que chamamos de horta pedagógica, para realizar experimentos com fertilizantes”, explica.

A solução apresentada pelos alunos de Penalva mostra como a ciência e a criatividade fazem diferença na vida das pessoas. E é muito gratificante observar como o Solve For Tomorrow Brasil se tornou uma importante ferramenta não apenas para contribuir com o desenvolvimento acadêmico desses jovens estudantes, mas também para sanar problemas e demandas que impactam verdadeiramente o dia a dia em suas comunidades”, afirma Anna Karina Pinto, diretora de Marketing Corporativo da Samsung Brasil. “O Solve For Tomorrow é uma iniciativa que reflete a visão global de cidadania corporativa da Samsung – ‘Together for Tomorrow! Enabling People’, que contribui com a capacitação de jovens estudantes e investe em soluções de impacto positivo para a sociedade e para o planeta”.

“O projeto da equipe de Penalva põe em prática preceitos fundamentais do Solve for Tomorrow Brasil, como o protagonismo juvenil, a criatividade, a inovação e a sustentabilidade”, destaca Beatriz Cortese, Diretora Executiva do Cenpec, organização responsável pela coordenação geral do programa. “É um projeto que olha para os desafios e para as potencialidades do território, e que relaciona os conteúdos trabalhados na escola com a possibilidade de solucionar problemas reais. É muito gratificante ver escolas públicas fazendo ciência com o objetivo de melhorar a vida de todas e todos”.

A equipe já realizou pelo menos três testes e todos com resultados bastante positivos. O grupo está checando, principalmente, os fatores de volume da biomassa usada na produção do biogás. “Fiquei bastante otimista com o resultado, mas continuamos trabalhando para melhorar. Ainda temos etapas importantes a concluir e estamos com altas expectativas em relação ao uso dessa ideia na comunidade. Nesse caso precisaremos de um protótipo maior, como um fogão, e estamos trabalhando muito para atingir esses objetivos”, afirma Geovane.

O professor conta que os alunos ficaram muito contentes e surpresos por se destacarem entre os 20 semifinalistas do programa. “A escola toda ficou em festa. Estamos representando nosso estado, apesar das limitações de uma escola pública na zona rural da baixada maranhense. É uma satisfação participar do Solve For Tomorrow Brasil, pois é um programa que incentiva e estimula as escolas e os envolvidos nos projetos. É muito motivador, principalmente porque colocamos esses alunos, muitas vezes carentes de atuação científica, em contato com a pesquisa e a ciência de forma prática. Acredito que sairemos dessa experiência com uma bagagem muito rica. Além disso, o time do Cenpec e da Samsung tem nos dado toda a atenção e suporte. Tem sido muito gratificante”.

Sobre o Solve For Tomorrow

O Solve For Tomorrow está no Brasil desde 2014 e, na edição atual, tem uma programação diversa composta por webinars, workshops e mentorias para ajudar os participantes a alcançarem seus objetivos aplicando possíveis melhorias a seus projetos. No total, a iniciativa já envolveu 173 mil estudantes, mais de 36 mil professores, e mais de 6.600 mil escolas públicas. E, em 2023, registrou um aumento de 50,92% no número de alunos inscritos, em comparação ao ano anterior.

A edição brasileira do Solve For Tomorrow conta com uma rede de parceiros, como a representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO no Brasil), da Rede Latino-Americana pela Educação (Reduca) e da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura no Brasil (OEI), além do apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a coordenação geral do Cenpec.

Para saber mais sobre o programa, acesse https://respostasparaoamanha.com.br/ ou acompanhe o Solve For Tomorrow nas redes sociais. A iniciativa está presente no FacebookInstagram e YouTube.

Fonte: https://news.samsung.com/br/. Foto da Internet (Blog do Jaílson).

“DIÁLOGOS BAIXADEIROS – FALAS SOBRE A BAIXADA” É TEMA DE RODAS DE CONVERSA EM SÃO LUÍS

Diversos olhares, percepções, vivências e memórias marcam o evento “Diálogos Baixadeiros – Falas sobre a Baixada”, Projeto de Extensão do Departamento de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) que ganhará nova edição em São Luís, a partir desta quinta-feira (14), das 14h às 17h30, com entrada gratuita.

Com o eixo central “Falas sobre a Baixada”, em cada um dos seis encontros, a segunda edição terá sempre quatro temas centrais, com convidados especiais, autoras e autores oriundos da Baixada. No primeiro encontro, os temas são: “A Baixada do Maranhão em serões e outras falas”, com Gracilente Pinto (de São Vicente Ferrer); “Vislumbres de Viana sob o olhar de Assis Galvão”, com Adalzira Galvão e Michela Galvão (de Viana); “Anajatuba e nossas esperanças”, com Mauro Rêgo (de Anajatuba); e “Linguajar típico da Baixada”, com Flávio Braga (de Peri Mirim).

Sob organização do professor Manoel de Jesus Barros Martins, do Departamento de História da UFMA, o evento conta com o apoio do Departamento de História, do Curso de História, do Centro de Ciências Humanas e do Centro Pedagógico Paulo Freire – local onde será realizado o evento, na sala 101, Asa Norte, a partir das 14h.

Para Manoel Martins, o evento é um importante espaço para que professores, alunos e o público em geral possa debater e conhecer mais sobre essa importante região do Maranhão.

“A Baixada conta com um quantitativo expressivo de autoras e autores cujas obras remetem ao entendimento de facetas muito caras à formação social maranhense, porém essa produção e seus autores nem sempre são reconhecidos”, afirma o professor.

“Diálogos Baixadeiros – Falas sobre a Baixada” será realizado em formato presencial, na UFMA. As Rodas de Conversa serão gravadas e disponibilizadas a seguir pelo canal oficial do evento no YouTube, pelo link: https://youtube.com/@BaixadadoMaranhao.

Histórico dos Diálogos Baixadeiros
A partir de maio deste ano, foram realizadas as primeiras Rodas de Conversa, no âmbito da disciplina “Baixada do Maranhão: trajetórias e perspectivas”, com o tema “Diálogos Baixadeiros”. Diferente da atual edição, que será realizado em seis datas, às quintas feiras, de 14.09 a 09.11, o evento de estreia foi realizado em cinco datas – nos dias 5, 12, 19 e 26 de maio e 2 de junho.
Os vídeos da primeira edição podem ser encontrados no YouTube, no canal @BaixadadoMaranhao. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail baixadadoma@gmail.com.

Fontes: sites O Resgate e FDBM.

O GATO DO HOMEM

Por: Ana Creusa

A história se passou em Peri-Mirim, no povoado Feijoal, em meados da década de 1920.

Aquela época era marcada pelo culto à família patriarcal, em que as mulheres deviam muito respeito ao marido e se encarregavam apenas das tarefas domésticas e da educação dos filhos, enquanto o homem era provedor da casa.

Naquele tempo, havia pais que não sabiam os nomes completos dos seus filhos, imagina lembrar as datas dos seus nascimentos? Frequentemente, confundiam os nomes dos filhos.

Um casal, porém, destacava-se pela união. Pedro e Maria Rosa eram diferentes. Recém-casados, ainda não tinham filhos.

O marido era visto de mãos dadas com a esposa nas festividades. Era motivo de críticas e elogios por parte dos correligionários.

Moravam em uma casa confortável. O marido trabalhava com gado, quinhão que recebera do pai pela ocasião do casamento.

No verão – campo seco – Pedro levava o gado para o campo de Pericumã ou Cafundoca em Palmeirândia, em busca de pasto abundante.

Certo dia, chegou um gato na casa do casal. Miau, miau, insistia o gato faminto. O gato logo começou a se roçar nas pernas do Pedro e o seguir por toda a casa e quintal. Demonstrando muita afeição pelo mancebo.

Sempre que Pedro chegava à sua casa, depois do trabalho, lá estava o gato miando, como se tivesse passado o dia inteiro sem comer nada: miau, miau … O jovem colocava a comida para o gato e ele comia como um esfomeado.

Pedro já estava desconfiado que a esposa não estava pondo comida ao bichano e pedia:

– Mulher, por favor, coloca comida para meu gato. No que ela respondia:

– Incrível, eu coloco comida para esse gato e ele não come. É só você chegar que ele come desse jeito! Eu não sei mais o que fazer: ele não come a comida que eu coloco.

– Oh, Rosinha, insistia o marido. Fico triste em ver meu gato sempre com fome; Maria Rosa, por favor, coloca comida para meu gato, quando eu chegar, não quero encontrar meu gato com fome.

Ela falava:

– Marido, eu sempre coloco comida para seu gato, ele é que não come. Não sei o porquê.

– Não parece, ele está sempre com fome. Falou o marido em tom ríspido.

Passados alguns dias, Pedro teria que levar o gado para Cafundoca. Juntou os animais e seguiu viagem com outros vaqueiros do lugar. Antes de sair, com o gato nas mãos, chamou a esposa e disse:

– Cuida do meu gato, eu vou demorar uns três dias.

– Não se preocupes, Pedro, que esse gato há de comer!

– Mulher, não deixe meu gato passar fome. Falou o marido zangado e não deu o tradicional beijo e abraço de despedida na esposa.

Pedro deixou o gado no Cafundoca, voltou sozinho. Os companheiros não quiseram voltar naquele dia que era sexta-feira, dia 13, pois, saindo àquela hora, iriam passar pela mata de João de Deus Martins durante a noite, o que era assustador.

Pedro, preocupado com seu gato de estimação, com receio que a esposa não gostasse do gato, não poderia demorar, pois temia que seu gato já estivesse morto, por falta de alimento e pensava:

– Que mulher traiçoeira que fui me casar! Ela não coloca comida para meu gato, só para me irritar.

Altas horas, passou pela mata, uma área preservada, floresta com espécies diversificadas. Apesar da lua cheia, o caminho estava escuro pelas copas das árvores.

Pedro, destemido, montado em seu cavalo alazão, sela e cochinil alvinho que Maria Rosa cuidava para o marido ficar feliz. Pedro era um jovem de vinte e cinco anos, moreno, alto e sorridente.

Durante a viagem, passando por uma moita de Tucunzeiro, famosa por ser mal-assombrada. Havia relatos que daquela touceira sairiam conversas de seres encantados.

Ao ouvir as vozes, Pedro arrepiou-se. Desembainhou o facão bem afiado. Parou e ouviu uma conversa nítida de aproximadamente três vozes distintas. Diziam elas, em meio às gargalhadas:

– Eu já estou garantido!

– Eu também estou, dizia outro. Pedro apurou os ouvidos e ouviu a terceira voz:

– Eu, com certeza estou garantido. Hoje ganho mais uma alma. Estou disfarçado de gato e quando o marido sai de casa eu não como mais nada, estou magrinho que dá dó. O marido está viajando. Quando ele chegar e me ver naquela situação, com certeza vai bater na mulher. Talvez até matá-la.

Pedro, por pouco, não caiu do cavalo e concluiu, sem sombra de dúvidas:

– Essa história é comigo – é o gato que está na minha casa e olha o que ele quer? Que eu mate a minha esposa e vá para o Inferno.

O rapaz, com o coração aos pulos, pensando nas injustiças que cometera com a esposa, fez uma oração. Pediu perdão a Deus, que o protegesse e seguiu viagem.

Chegou a casa, foi recebido pelo gato, que estava só pele e osso; quase não conseguia mais miar de tanta fome.

A esposa olhava a cena e lembrava de tudo que fez para aquele maldito gato comer e ele se recusava; fazia comida especial, e nada! O bicho parecia fazer de propósito para que o marido pensasse que ela estava mentindo.

O marido baixou a cabeça, olhou para a esposa e o gato mal conseguia caminhar. Pedro tirou o facão da cintura e partiu o gato ao meio[1].

Maria Rosa encolheu-se toda e pensou: – eu sou a próxima! Não conseguia sair do local, sem ação, esperou a reação do marido, ao tempo em que pediu que Deus orientasse seu esposo que estava prestes a cometer uma grande injustiça.

Pedro fitou a esposa e disse:

– Meu Amor, perdoe-me, eu errei contigo. Aquele gato era um demônio disfarçado. Contou à Rosinha a conversa que ouvira na mata. Pensava a esposa: – agora fazia todo o sentido o comportamento daquele gato endemoniado.

O Amor venceu, o casal foi feliz para sempre. Tiveram filhos e filhas. Nunca esqueceram o grande desafio que passaram em suas vidas. Aprenderam a lição de que “nem tudo que parece é”.


[1] Dessa forma foi contado pelo meu pai. Tive vontade de mudar para que o Pedro apenas se afastasse do gato, ralhasse para que ele se afastasse. Recomendo a quem desejar contar essa estória a crianças pequenas, que altere esse fato. Ademais, nunca é bom que se atribua efeitos demoníacos aos gatos, pode-se dizer que o Demônio pode usar qualquer um, até as pessoas, basta que permitamos com más ações e atitudes

.. É UMA BISCA! (… É UM BISCATE!)

Por Zé Carlos Gonçalves

Ainda inebriado “pela viagem” em meu “indioma baixadeiro”, não consegui dormir “dereito”. Sempre acompanhado por uma “gastura”, “qui num quê mi largá, meu Deus, neim mi dá sussego”. Até pensei estar perseguido por “um exército de expressões”, querendo se apresentar na crônica anterior.

Desconfiei até que eram umas almas penadas, que queriam me assombrar. E, aí, capitulei. “Tremi todo. Caguei fino. Arreguei”. Fui vencido. Só me resta dar passagem ao linguajar, que, de repente, me trouxe à memória duas figuras fantásticas. E não sei por quê. Chiquitó e “Me Dá Cem”. Encastelados em suas peculiaridades.

Mas, deixemos “de papo furado”. Matei “foi, um tiquinho, a sordade du meo falá”. Por onde ando, ultimamente, “a moda” é câmbio, deficit, superavit, flutuação, feminicídio. E, por aí vai. “Coisas”, que não escutava “no meu tempo”. Esta expressão, sim, é “porreta!” “No meu tempo!” Será que, hoje, eu ando perdido, “fora de tempo”?! “Sem documento e sem lenço?!” E “outras coisitas” mais?!

O certo é que “não ouvia nada”, há muito, como “tá ti olhano de rabo de olho, ou só anda cum a barriga desarranjada, ou tá cum u bucho afulozado”.

O que posso afirmar é que me empolguei em minhas lembranças e, no maior flagra, me peguei balbuciando “caxa di fôfi e aqui tá vasqueiro”. E, para completar a minha alegria, ataquei de “Oh, nojo!” Só para me vingar de tanto tempo ausente dos meus.

O interessante, nisso tudo, é que um sincero e leve sorriso brotou em mim, ao “me tomar a cabeça” a palavra BISCA. Vejam só! BISCA e sua plurissignificação. Ainda mais, bem acompanhada. “Êssi diabo quê levá ‘o raio’ de umas bisca. Êssis aí tão como ‘um raio’ jogano bisca. Êsse daí é ‘um raio’ de uma bisca”.
Acredito até que há um estreito parentesco, desta última, com a expressão “é um biscate!”
Que doidiça!

Síndrome de abstinência do baixadês: PANDU (… o vital baixadês)

Por Zé Carlos Gonçalves

Há muito tempo ausente, e saudoso, da Baixada, começo a ter síndrome de abstinência do baixadês. E só quem é “da gema” sabe o tanto que dói essa falta de contato com o “nosso falá”. E sofre!

Aí, a minha única saída é tatear a memória e buscar “o meu combustível”, que me mantém vivo.
E, “nessa louca viági, mi indentifico cum argumas” pérolas. E que maravilhas!
Maravilhas, que me fazem respirar, “de novo, outra vez”.

E, aí, me vejo acalentado por expressões, que “me lavam a alma”. E exemplo é o que não falta. Por isso, “Mi encho de corági i seim sabê ôndi mora u perigo”, para afirmar categórico e desafiador, com uma autoridade “qui só”. “Eu sou eu, e boi não lambe”. Ou quase “morrê di raiva”, ao ser associado a “um caniço”, dado a meu aspecto esquelético. Mas, o pior era ser chamado de “tisguinho”; o que acho está associado à terrível palavra “tísico”. Que medo! “Bato inté na madera trêis veiz”.

E, ainda, não “sastifeito”, busco, nas madrugadas infindas. De repente, me sinto no meio dos meus, a ser bombardeado, como se nos comunicássemos em outro “indioma”. Para indicar que havia pouco tempo para terminar um trabalho: “sol virô tá di tárdi”. Falta de espaço, na despensa: “intupetada de bregueço”. A mostrarem que “eu não passo” de um ingênuo e até incapaz “de pensar”: “êssi caiu numa esparrela”.

“Se viravam”, em dois animais, a esperteza e a ignorância: “quer dar uma de urso e é um cavalo batizado”. E o reflexo da gula “vem” em autênticos neologismos: “com bucho ‘afolozado’ e ‘impazinado”.

São tantas expressões baixadeiras, que nos irmanam! E muitas sem “nenhuma” necessidade de explicação. Se bastam e nos fartam. “Irgá um carrapeta; respeito é bom e eu gosto; e é melhor cair na graça do que ser engraçado”.

No entanto, nem só de situações desagradáveis “vêvi o ômi”. Então, trago a palavra mais bonita de minha infância. “Nadica de nada” de reles “chibé e tiquara”. Sim, sinhô! Sem dúvida, a sonoridade, mais sonora, agradável, alegre e convidativa é PANDU! De café, de leite, de água com açúcar, de maracujá, de juçara, de murici … de … de quarqué invençonice!
“Dá inté pra lembê us bêçu!”

“A GENTE TEMOS CADA MANIA!”

Por Zé Carlos Gonçalves

Há uns dias, ao encontrar um velho amigo, velho, ele me disse que se soubesse que a velhice é tão boa, nunca que queria ser jovem. Essa convicção me deixou boquiaberto. Ainda que ele a tenha apresentado com tanta firmeza.

O certo é que considerei essa percepção, que me perseguiu, esdrúxula. Mas, o tempo, curador de tudo, revelou outras nuances. E, aí, comecei a achar que cada um “tem o direito de ter mania”.

Ter a mania de querer ser jovem ou ter a mania de querer ser famoso. Ter a mania de querer ser rico ou ter a mania de querer ser “o que a folhinha não marca”. Ter a mania de querer ser “o dono” da limpeza, da arrumação, da geladeira ou ter a mania de querer ser ingênuo, ‘ser engraçado’ ou ser bobo (…).

E o interessante é que, de repente, começaram a vir situações as mais diversas. Mania de juntar moedas; juntar tampinhas de refri; juntar fracassos; juntar revistas, fotografias, pulseiras, colares, botões, folhas secas, carrinhos, selos … namorados.

E, para melhor entender. Vamos, como bem dizia “minha professora dona” Maria Fausta, ao “cúmulo do absurdo”. Encontrei um “chegado”, há um tempo. Ele me apresentou a uma amiga. Dele, claro! Uma fonoaudióloga. Após uns dois minutos de conversa, ela, se referindo a mim, disse. “Tu és professor!” Aí, fiz a pergunta, que não deveria. “Por quê?!” E a resposta não poderia ser pior. “Conheço professor, de longe. O tom. Fala alto, explicando. O diagnóstico é certo. Na verdade, vocês em qualquer lugar ‘têm a mania’ de ser professor!” Éguas! Me achei desnudo e sem graça. Com apenas um “sorrisinho amarelo”, a me acompanhar, quase lhe disse que, também, ela tinha a feia mania de ser fonoaudióloga. Mas não tenho mania de corrigir; e, verdadeiramente, acho isso ridículo. Ali, perdi a mania de retrucar. Só me restou o silêncio. Dei “uma senhora desculpa”, saí e fui tomar um shop, mais à frente. E, aí, um terrível medo de que já estivesse com a mania de fugir de alguém cheio de manias se apossou de mim. Que loucura! Entenderam, né?! Nem, eu!

Só sei que a raiva ficou, “pra sempre, engastalhada na minha guela!”
E, ainda hoje, não sei por que “a gente temos cada mania!”

AMOR ÀS AVESSAS (… Juvita, a ex rebelde)

O amor seguir o seu rito normal parecia não ser “a melhor pedida” de Juvita. Menina buliçosa, a bem da verdade “ispivitada e tisguinha”, mas criada sob a severa vigilância de sua mãe, Amparo. Logo cedo, subverteu toda e qualquer ordem ditada pelos cânones sociais de sua comunidade. Quebrou “o cabresto” e desafiou o mundo por conta própria. Proclamou-se liberta de tudo. Até da liberdade vigiada, que tinha ali.
E, deu-se o auge de sua rebeldia, assim que ela colocou os olhos, “de gato ladrão”, na mais sincera e pudica timidez do vizinho. Sentiu-se dona e senhora, “a pisar o coração” ainda imberbe e despovoado de maldades. As investidas se fizeram constantes, “sem chove-não-molha”, bem às claras. O pobre já não tinha sossego. E se escondia que se escondia. Mas, Juvita estava, ali, à espreita, sempre pronta a perseguir.
E, com tanta insistência, “o papou”, como gostava de dizer. E se lambuzou. E se apaixonou. E se retraiu. E se comportou. E virou gente! Isso em suas próprias palavras.
Mas, como sei que estão curiosos para saber por que trago “o final”, logo no meio da história, não vou desapontá-los.
Juvita revelou-se irônica. E, irônica, apregova “aos quatro cantos”, do mundo, que seu coração era mais pétreo do que a mureta, a circundar a sua casa. E, irônica, apregova as suas máximas, para justificar a conquista difícil de um amor, que se apresentava impossível.
E, assim, continuava a debochar dos silêncios, que se lhe apresentavam desafiadores, e precisava penetrá-los. Para justificar as suas certezas, se fazia “o cão que ladra e morde”. E “se aparecia”, dizendo para todos ouvir. “Quem espera sentado, se cansa”. E as investidas se faziam mais fortes.
Quando questionada de tanta insistência, saía-se com esta. “Antes mal acompanhada do que só. Brinco com fogo e, depois, apago”.
Ledo engano. A vida é cheia de mistérios. Como bem dizia a minha avó, em seu saber nonagenário, “quem desdenha quer comprar”. E, aí, o coração, endurecido, da pseudo rebelde, “se abriu como um paraquedas” … Não foi ‘nem’ preciso “a água mole furar a pedra dura”, afinal, “quem é lembrado um dia foi visto”.
O certo é que Juvita, em sua gana em tê-lo, “atiçou” o gélido moço e começou “foi” a se fazer desejada. Os olhares cruzaram-se. Os suspiros tornaram-se cúmplices. As mãos, tão inquietas, saudavam-se timidamente. A timidez passou à coragem; e a coragem não encontrou refúgio em subterfúgios. Juvita capitulou. E, feio. “Passou de caçadora à vencida”.
O certo é que “semeou a tempestade”; e, na viração dos sentires, “foi colhida como a mais suave brisa!”
Eita vida caprichosa!
Vida longa a Juvita, “a ex rebelde!”

PERI-MIRIM: Trilhando em Buritirana – uma manhã de alegria e conhecimento

Por Laércio Oliveira*

        Preservação do meio ambiente refere-se ao conjunto de práticas que visam proteger a natureza das ações que provocam danos ao meio ambiente. Devido ao atual modelo econômico, baseado em elevados níveis de consumo, o ser humano tem causado inúmeros prejuízos para a flora e fauna no planeta, ocasionando desequilíbrios ambientais, muitas vezes irreversíveis. Por isso, é fundamental a preservação para manter a saúde do planeta e de todos os seres vivos que  nele habitam.

        Apesar do protagonismo juvenil em questões ambientais ter se fortalecido nos últimos anos no Brasil, é preciso ainda investir em Educação sobre o tema para que essa grande parcela da sociedade possa se apropriar da questão. Isso é o que mostra a pesquisa “Juventudes, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas”, divulgada em 4 de abril de 2023. O levantamento, conhecido pelo acrônimo “JUMA”, ouviu 5.150 pessoas com idades entre 15 e 29 anos, provenientes de todas as classes sociais e níveis de escolaridade nas várias regiões do Brasil, entre julho e novembro de 2022.

         Os resultados, considerados “curiosos e surpreendentes” pelos realizadores da pesquisa, revelam muito do que a juventude brasileira sabe e como ela é afetada pelas mensagens que recebem sobre meio ambiente e mudanças climáticas. Segundo o levantamento, 36% dos jovens respondentes não souberam identificar o bioma em que vivem.

        Nesse sentido, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), em parceria com a escola estadual Centro de Ensino Artur Teixeira de Carvalho (CEMA), instituição que trabalhei durante doze anos, promoveram no dia 30/06/2023, nos turnos matutino e vespertino, uma expedição ao Povoado Buritirana que fica a aproximadamente 9 km do centro de Peri-Mirim.

        A expedição em formato de trilha ecológica contou com a participação de membros da ALCAP, gestor, professores e de aproximadamente 30 alunos do 3º ano do ensino médio. Eu e meu filho Laerth, de 8 anos, participamos como convidados da ALCAP.

        Nossa expedição teve início às 08:00h quando saímos da escola em um ônibus em direção ao povoado Buritirana, percurso que durou trinta minutos. Na localidade funciona uma instituição de ensino que atende diversos alunos da Baixada Maranhense, com os cursos de Pedagogia e Agente Comunitário de Saúde. O local é muito bonito, repleto de árvores e animais situado à beira do campo, que nesta época do  ano  encontra-se  alagado devido ao período chuvoso. Uma paisagem digna de cartão-postal.

        Na chegada, fomos recebidos por dois funcionários da instituição que nos deram algumas orientações de como proceder na trilha. Após algumas recomendações dos instrutores, iniciamos nossa caminhada. A trilha pela mata fechada é muito estreita obrigando a nos manter sempre em fila, com o instrutor à frente. Em alguns pontos da trilha, parávamos para ouvirmos algumas curiosidades sobre a região. Uma delas é que pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) encontraram ali uma espécie de borboleta muito rara que já consideravam extinta. No percurso observamos grandes aranhas, abelhas e porcos do mato. A flora é predominantemente composta de babaçuais e outras palmeiras. Meu filho Laerth, muito curioso, escutava com atenção e questionava o instrutor.  A descontração e o entusiasmo dos alunos eram evidentes, alguns até faziam anotações, pois teriam que entregar um relatório da trilha como forma de avaliação. Após uma hora de trilha chegamos ao nosso ponto de partida onde descansamos e saboreamos um delicioso lanche. Às 11:00h retornamos à escola.

        De acordo com Sato (2004), “o aprendizado ambiental é um componente vital, pois oferece motivos que levam os alunos a se reconhecerem como parte integrante do meio em que vivem e faz pensar nas alternativas para soluções dos problemas ambientais e ajudar a manter os recursos para as futuras gerações”.

          Eu e meu filho Laerth agradecemos a amiga Ana Creusa, Presidente da ALCAP e Vice-Presidente do Fórum em Defesa  da Baixada Maranhense (FDBM), pelo convite.

          Agradecemos aos que participaram da expedição: Acadêmicos Ana Cléres, Diego e Ataniêta (Tata). Aos professores Fabio (gestor), André, Alex e Paula. Aos alunos do 3º ano do ensino médio e ao guia e instrutor Wanderson.


*Laércio Lúcio Oliveira é perimiriense, possui graduação em Matemática pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA (1997). Especialista em Docência do Ensino Superior-IESF (2008). Mestre em Ensino de Ciências e Matemática – UNICSUL(2012). Professor efetivo de Matemática (ensino médio) da rede estadual há vinte anos .Foi professor contratado da Universidade Estadual do Maranhão-UEMA, Programa Darcy Ribeiro de 2009 a 2012. Foi professor substituto da Universidade Federal do Maranhão-UFMA(2013 a 2015) Atualmente, Professor da Faculdade do Maranhão – FACAM nos cursos de Engenharia Civil , Engenharia de Produção e Análise e Desenvolvimento de Sistemas – ADS. Ministra aulas nas seguintes disciplinas : Cálculo Básico, Calculo I e II, Estatististica e Probablidade, Álgebra Linear e Geometria Analítica, Matemática Financeira.