Safra record de feijão em Anajatuba

Com o apoio da Prefeitura de Anajatuba, Hélder Lopes Aragão, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar, Eduardo Castelo Branco, os pequenos agricultores anajatubenses já colheram mais de 7 (sete) toneladas e tem previsão de colheita de mais 20 toneladas.

A assistência técnica da equipe da secretaria de agricultura familiar está sendo importante para essa safra record. Agricultores dos Povoados Ponta Bonita, Baunilha, Teso Grande e São Pedro, já estão contando os lucros de seu suor e trabalho. É a Prefeitura de Anajatuba trabalhando por um futuro melhor para todos.

Fonte: Safra record de feijão em Anajatuba…. – ANAJATUBA EM FOCO | Facebook

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AQUELA VOZ NO SILÊNCIO

Por Gusmão Araújo*

Há um sopro de Deus entre a intimidade que me religa pelo umbigo a alguém inesquecível e a saudade que se alimenta do perfume do amor que permanece. Perfume de rosas!

 Na terra onde fui parido e o meu umbigo enterrado, especialmente após as primeiras chuvas do inverno, sinto um cheiro de chão peculiar, incomparável, que remonta à minha infância feliz. A ligação minha e da família com a terra é muito intensa. Cultivar a terra e produzir a própria comida que frutificava do chão fértil era tradição familiar, além das aventuras em pescarias muito prolíficas.

Na pequena comunidade Qindiua (terra abundante de doces) onde nasci, a doçura da vida era viver com simplicidade e obter da natureza os frutos emanados do céu. Quando eu ainda era muito jovem, a família migrou para a sede do município, Bequimão, singela e linda cidadela encostada entre o litoral e os campos da Baixada.

No novo lugar, a família cresceu e alcançou alguns laivos de prosperidade. Casa simples e típica, situada próximo à Igreja Matriz de Santo Antonio e Almas, quintal grande, cheio de árvores frutíferas e pequenas criações, cantoria de pássaros… Parecia um cenário perfeito pra se viver e sonhar.

Há uma marca entre mãe e filho que cicatriza mas não se apaga: o umbigo. Basta tocar no umbigo e o pensamento voa pra ela e uma caixa de boas memórias se abre. Aquela que me gerou e deu a vida pela minha, me alimentou por algum tempo por esse cordão vivo que depois se transformou numa marca indelével, a cicatriz do amor. Com o passar dos anos um outro cordão surgiu, como contas de um rosário – mãos que cuidam, abraços que acolhem, palavras que ensinam, conselhos que educam, sorrisos que encantam, gestos que eternizam o amor.

Na rede atravessada na varanda onde repouso por alguns instantes ao cair da noite, dirijo meus pensamentos para um tempo distante no qual contemplo o barulho matinal das crianças – eu e meus irmãos – e a voz doce daquela mulher simples que me gerou, gerando em mim também uma alegria que não cabe nos sentidos.

O lugar na varanda onde me encontro foi o mesmo espaço onde, no grande quintal, vicejou o jardim da minha mãe e, logo próximo, havia um recanto dedicado às brincadeiras intermináveis das crianças ao final da tarde.

Fecho os olhos e, intencionalmente, conduzo meus sentidos para cenas remotas, ricas em simbolismos e significados…

Enquanto “ela” regava suas plantas e se embriagava com o perfume das rosas – suas prediletas – corria os olhos ágeis em nossa direção. Do seu olhar saia uma voz inaudível e, ao mesmo tempo, perfeitamente compreensível. Parecia dividida entre conversar com as flores do seu jardim e cuidar, com o olhar altaneiro, os rebentos de seu ventre, pululando nos arredores. Em seu semblante havia uma certeza de que os rebentos banhados de terra eram seus verdadeiros tesouros os quais ela iria gastar uma vida para lapidar e fazê-los dignos de um futuro luminoso e da bondade de Deus. E fazer brilhar em cada um a luz de Cristo, conquistada nas águas do batismo.

Sempre que me colocava nessa situação, na rede na varanda, contemplando o infinito, conseguia congelar as imagens e eternizar um tempo que não morreu no passado. No inquietante e reconfortante silêncio do meu ser, com a pureza d’alma de uma criança, conseguia ouvir aquela voz familiar e insubstituível. Nessa condição, entre não estar acordado e não estar sonhando me permitia vivenciar uma realidade paralela que só o amor era capaz de reproduzir e eternizar. Era como se sentar numa confortável poltrona para assistir a um filme ansiosamente aguardado. Há um sopro de Deus entre a intimidade que me religa pelo umbigo a alguém inesquecível e a saudade que se alimenta do perfume do amor que permanece. Perfume de Rosas!

De repente, aquela voz tão conhecida rompe o silêncio e ouço um chamado: “José, tá na hora de parar e se preparar para o banho”; ouvem-se outros chamados à prole: “João, Antônio, Francisco, Bal”…, chamados prontamente atendidos mesmo que não se desejasse que a tarde findasse. Em outro canto do quintal um grupo de quatro meninas também brincava de construir sonhos e, vez ou outra, aumentar o barulho do dia com gritos de alegria. Após os acenos, aquela nobre mulher, com cheiro de rosas, seguia na frente e nós, com cheiro de terra, a seguíamos com a justa obediência daqueles que respeitavam porque amavam.

Por vezes, perdia a noção do mergulho que fazia na nossa história comum e quão tênue era a linha que separa a realidade cotidiana e a alegria genuína esculpida no íntimo do meu coração. Quando parecia que ia acordar, procurava meu umbigo e começava tudo outra vez e aquela voz silenciosa se colocava dessa vez a cantar, fazendo-me adormecer e sonhar, como um menino da pequena Quindíua que não desejava crescer…

Aquela nobre mulher, que conversava com as flores e se encantava com a história de Maria Santíssima e Jesus partiu para o jardim celestial há tempos, por certo auxiliando Nossa Senhora em suas tarefas divinas, mas a sua voz continua ecoando silenciosamente na minha história, aquecendo minha realidade, remexendo meu umbigo e me renovando o encanto pela vida e pelas vidas que também tive a graça de gerar. São flores que também cultivo no jardim do meu coração.

Senhora Antônia, esposa de Antônio…

O seu amor me fez vencer a dor e os desafios E acreditar que o seu olhar

Sua voz

E o seu abraço Me fazem sentir

Que continuas aqui Bem perto de mim Como um anjo

A me proteger Do anoitecer Ao amanhecer

Sempre, Minha Querida Mãe!


 * José Ribamar Gusmão Araújo  é natural de Bequimão/Maranhão. Membro-fundador do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), Gestor do Projeto Bosques na Baixada do FDBM. Engenheiro Agrônomo, formado pela UEMA. Mestre e Doutor em Agronomia/ Horticultura pela UNESP, Campus de Botucatu/SP. Professor Adjunto do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade (DFF)/CCA/UEMALeciona no Curso de graduação em Agronomia e no Programa de Pós-graduação em Agroecologia.

O Renascimento da agricultura familiar em Anajatuba

Durante mais de 6 anos vimos a inércia total da agricultura familiar em Anajatuba, um misto de incompetência e descaso com os pequenos produtores e agricultores anajatubenses, afundou a produção do município.

Hoje vemos “uma luz no fim do túnel”, os agricultores, apicultores e piscicultores voltando a sorrir, a ter esperança e gratidão. A secretaria de agricultura familiar de Anajatuba disponibilizou aos agricultores tratores com operadores e óleo diesel para preparação de áreas para o cultivo e, em menos de um ano, já soma números espetaculares jamais imaginados pelo mais sonhador dos produtores.

Já foram colhidas e vendidas mais de 25 toneladas de feijão, mais de 40 mil kg de mandioca e a produção de verduras, legumes e frutas são adquiridas pela prefeitura por meio do programa de aquisição de alimentos (PAA).

Já foram distribuídos mais de 8 mil alevinos e 6 toneladas de ração para peixes, o que em breve vai gerar renda aos piscicultores. Acabaram de serem construídos 20 tanques em diversos povoados para aumentar a produção de peixes, estimulando a geração de emprego e renda. Os piscicultores, agricultores e apicultores estão recebendo assistência técnica, e na apicultura serão adquiridos equipamentos para ajudar e apoiar no escoamento de mais de 50 toneladas de mel. Em breve irá começar a construção de um grande viveiro de mudas, o maior programa de produção de mudas já visto no município, capaz de produzir 10 mil mudas por ano.

Temos motivos para sorrir e agradecer a gestão do Prefeito Hélder Aragão, e ao Secretário de Agricultura Familiar, Eduardo Castelo Branco. É Anajatuba vivendo novos tempos e no rumo certo.

Fonte: https://www.facebook.com/anajatubaemfoco

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IV AÇÃO DE GRAÇAS NA JUREMA

Este ano de 2021 acontecerá a IV Ação de Graças na Jurema no dia 20 de novembro. O evento foi idealizada por José dos Santos, quando ele completou 94 anos de idade, no dia 02 de fevereiro de 2016.

A comemoração do seu aniversário foi realizada no dia 13 de fevereiro daquele ano (2016). O aniversariante, vestido de terno “arvo”, recebeu sua comunidade, parentes e amigos, com uma missa em ação de graças, ministrada pelo Padre Márcio. Foram servidas comidas e bebidas, muita fartura como José gostava.

Das tradições da Baixada, o Bumba meu Boi era a sua maior paixão. Na juventude, ele era brincante dessa linda dança. Por isso, os amigos o surpreenderam com a apresentação da “Estrela de Bequimão” de Tonho Martins e com uma linda toada contando a sua história, composta por Gilvan Mocidade.

O Sítio Jurema fica no povoado de Cametá a 5 km da sede do município de Peri-Mirim, porque foi lá que ele nasceu e, como perdeu a mãe muito cedo, sendo o filho varão mais velho (18 anos), teve que ajudar uma irmã, Maria Santos a, como se diz no interior “criar” os seus irmãos.

O sonho de José dos Santos era ser músico do Exército Brasileiro (tocar clarinete), não podendo realizar esse sonho, por ter que assumir o encargo da Educação dos irmãos, foi buscar um deles que “morava nas casas alheias” e os fez engajar no Exército (são eles João Pedro, Alípio e Antônio Santos, na ordem de idade, com exceção de João Pedro, todos já são falecidos), ficaram apenas 02 mais novos (Izidoro e Manoel, ambos falecidos), cuja educação já se misturava como as dos próprios filhos de José.

As irmãs Joelzila e Maria Santos, a primeira já falecida, ambas mais velhas que José. Joelzila por ser “criada” com a madrinha dela com muito amor e carinho, o José não a trouxe para junto dos irmãos. Joelzila casou-se com Seu Luís, que era tão bom para Joellzila que a carregava nos “charcos” e a tratava com tanto carinho que até se encarregava dos afazeres domésticos e, Maria, ah Maria – faleceu este ano de 2019 -, uma alma tão piedosa que sua maior característica é rir e chorar, quase que ao mesmo tempo.

A cor de preferência de José era “arva” e quando se perguntava qualquer coisa que envolvesse números, ele dizia” “otho” uma referência engraçada ao número oito.

Não por acaso, os guerreiros da Jurema são oito: 1) Joelzila Santos Matos – 01/09/1918; 2) Maria Santos Martins – 16/09/1920; 3) José Santos  – 02/02/1922; 4) João Pedro Santos – 19/12/1927; 5) Alípio Santos – 28/03/1929; 6) Izidoro Santos – 02/01/1933; 7) Antônio Santos – 27/04/1934 e 8 – Manoel Santos – 23/09/1942. Vivo resta apenas João Pedro, que receberá homenagem especial na IV Ação de Graças, que será realizada no dia 20/11/2021, que usará a cor de sua preferência, o azul.

Família Martins Santos
Símbolo da I Ação de Graças
II Ação de Graças
III Ação de Graças

MINHA CRIANÇA, “AINDA”, VIVE!

Por Zé Carlos

Ontem, vivi mais um dia, “ainda”. Dia radiante e vivo, assaltado por lembranças, serenas, de tantas correrias. E alegrias.

Lembranças, que me remeteram à expectativa por um simples carrinho. De plástico. Que não durava nem um dia, “inteiro”. Que ficava sem graça, logo, logo, despedaçado e trocado por um “possante”, feito de latas de óleo, com rodas de “chinela” e feixe de mola triplo.

Carrinho, que já não encontro mais. Ou uma bola, dente de leite, para substituir, mesmo que rapidamente, a bola de meia ou a bexiga de porco. Bexiga de porco, sim. Só quem jogou ou tomou uma bolada “no bucho” ou ficou com o cheiro impregnado “no couro” sabe a aventura que é jogar com uma bexiga de porco.

Lembranças, que me remeteram à corrida de saco, ao roubar bandeira, à corrida com o ovo na colher, ao pular corda … ou, simplesmente, rolar, rolar, rolar, até me saciar com a areia bendita, a “encharcar” os calções, que eram o terror do “banco de lavar”.

Quão bom foi reviver tudo isso! Quão bons foram os meus dias de criança! De janeiro a dezembro. Sem férias, sem dia santo, sem ponto facultativo. Dias de criança, plenos e verdadeiros.

Em razão disso, não me deixo enfeitiçar por moderníssimos eletrônicos. Uso-os, porém, com certo pudor. Sempre recorro às orientações do meu filho, que parece que veio com os dedos conectados às teclas.

Talvez, por isso, outro dia, vi-me surpreso a observar uma cena, hoje, considerada incomum. Uma mãe comprava um kit completo para a sua filha de aproximadamente 6 anos. Uma vassourinha, uma pazinha de lixo, um aventalzinho, uma bandana, umas colherzinhas de pau (…) Uma cena belíssima. Fiquei a cismar. Aquela mãe é integralmente dona de casa!? Ou será que hibernou por algumas décadas?! Entretanto, muito fiquei preocupado. Cheguei a perscrutar ao redor, à cata de algum fiscal ou alguma “fiscala”, de plantão, a interpelar ou, até, processar a mãe, acusando-a de um ato machista ou de alimentadora do pensamento de submissão.

Verdadeiramente, tremi. E temi. Pela mãe. Sublime, em sua simplicidade e pureza, a comprar um simples presente simples para sua filha. Verdade verdadeira! O “big brother” tornou-se insuportável e irracional.

“Ainda” bem que consigo, “ainda”, seguir por entre muitas dessas novidades e “chaturas”. “Ainda” bem que, “ainda”, trago a minha criança, em mim; o que me garante, “ainda”, estar vivo!

Um olhar da Comunidade de São Raimundo sobre a realização do 2º evento de Resgate de Brincadeiras Culturais

No último domingo, dia 10 de outubro de 2021, a comunidade de São Raimundo realizou o Segundo Evento de Resgate de Brincadeiras Culturais em homenagem ao dia das crianças.

O evento consiste em um projeto concebido pelos idealizadores da Comunidade: Otávio Oliveira Silva, mestrando em Cultura e Sociedade (UFMA) e professor de Filosofia da Escola Carneiro de Freitas e Nilton Silva Azevedo, líder comunitário, em colaboração com Dauriane Silva Azevedo.

O objetivo do projeto, segundo os idealizadores do evento, é preservar a memória das brincadeiras culturais (tacobol, peteca, dama, baralho, passa a pedrinha, ciranda cirandinha, anjo bom, anjo mau, corrida de saco, rouba-bandeira, queimada, etc) e compartilhar os saberes entre as diversas idades em torno das memórias “esquecidas ” sobre as brincadeiras culturais.

Por que esquecidas? Na percepção dos idealizadores do evento, as brincadeiras culturais estão se perdendo no tempo, isto é, entrando em processo de esquecimento, o maior inimigo da memória. Pois, em razão do próprio processo de mudança cultural imposto pelo capitalismo, as pessoas da Comunidade são obrigadas a se dispersarem para outros lugares em busca de trabalho, deixando suas raízes (memórias) perdidas no tempo, de modo que, esse processo impede o compartilhamento de saberes.

Além disso, entendem que a tecnologia e redes sociais usadas em excesso estão prejudicando a concentração das crianças, a interação social e, portanto, o compartilhamento de memórias e saberes. Não se trata de ser contra a tecnologia, não é esse o caso, porque ela é uma ferramenta de ajuda criada pelo homem, porém, seu uso em desmedida prejudica nossas relações, na medida em que, em vez de nos aproximar e nos tornar melhores, ela nos afasta.

Por isso, a intenção dos idealizadores, por meio do compartilhamento de memórias e saberes das brincadeiras culturais, é transformar o evento em tradição, possibilitando o reavivamento do Espírito infantil que existe em cada um de nós.

Os idealizadores do evento contaram com o apoio de vários colaboradores, além dos membros da própria comunidade, pessoas de fora, que contribuem para o sucesso do evento, tais como Diego Nunes e Ana Cléres, ambos membros da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) e Sargento César, que são os apoiadores chave do evento, a quem os idealizadores agradem a parceria e o apoio, sem o qual não seria possível manter a qualidade do trabalho realizado.

Além destes, a comunidade o evento contou com a ajuda do Vereadores Joubert de Peri-Mirim, os secretários Eduardo Tupinambá da pasta de Agricultura, o secretário Frank da pasta de Cultura, Elitânia, secretária da Assistência Social e o Vereador da cidade de Palmeirândia Brígido Djalma, e a mestranda da Universidade Federal de Goiás em História, Juliana Araújo.

Peri-Mirim: Povoado São Raimundo realiza festival de brincadeiras

Para homenagear o dia das crianças, no último dia 10/10/2021 (domingo), os amigos Sargento César, Ana Cléres e Diêgo Nunes participaram do Resgate de Brincadeiras Antigas na comunidade do São Raimundo.

As brincadeiras selecionadas foram: 1) Bambolê; 2) Corrida de saco; 3) Vôlei; 4) Futebol; 5) Queimado; 6) Rouba bandeira; 7) Peteca; 8) Dominó; 9) Pula Corda; 10) Caça Tesouro; 11) Torta na Cara; 11) Cabo de guerra; 12) Torta na Cara; 13) Elástico; 14) Equilíbrio sobre a lata; 15) Pião; 16) Pata cega; 17) Amarelinha e 18) Apoio em frente sobre o solo.

Durante o intervalo foi servido, com muita animação, um delicioso lanche solidário para a criançada, com bolos, refrigerantes, salgadinhos, bombons e outros. 

O evento foi marcado de significados e emoções, ocasião em que os pais das crianças demonstraram sua gratidão pela oportunidade de relembrar as brincadeiras de suas infâncias e poder ver seus filhos e parentes com a oportunidade de viver essa emoção.

Sargento César, grande entusiasta do evento, justificou sua participação afirmando que “o resgate das brincadeiras de antigamente ajuda as crianças a aprenderem a se expressar, desenvolver a disciplina, o respeito ao próximo, bem como aprendem a respeitar os limites de cada um e dos seus colegas”. Ele utilizou sua experiência de militar para dirigir a brincadeira de apoio em frente sobre o solo, que fez o maior sucesso na garotada.

Diêgo Nunes, com seu espírito juvenil, participou de todas as brincadeiras com as crianças. Destacou que: “devemos estimular nas crianças e jovens o espírito de cooperação, e que as brincadeiras são uma oportunidade de entender o passado de forma lúdica e prazerosa”.

Ana Cléres, que deu toda assistência ao evento, juntamente com a comunidade, afirmou que “o resgate das brincadeiras antigas permite unificar os jovens, adultos e crianças em prol da união, pois desenvolve o espírito colaborativo da comunidade de São Raimundo”, bem como sugeriu que outras comunidades de Peri-Mirim realizem eventos dessa natureza.

Ao final, todos puderam constatar a importância de resgatar o espírito de comunidade, enfatizando que o resgate de brincadeiras antigas desperta a união, pois cultiva o espírito de solidariedade e Amor ao próximo.

Dia do Nordestino é 8 de outubro

Nesta sexta-feira, 8 de outubro, comemora-se o Dia do Nordestino, uma data que homenageia as tradições, paisagens e a cultura dos nove estados que integram o Nordeste.

A criação desta data é uma homenagem ao centenário do poeta popular, compositor e cantor cearense Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré (1909 – 2002).

Patativa do Assaré (1909-2002) foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Projetou-se nacionalmente com o poema “Triste Partida” em 1964, musicado e gravado por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

COISAS E LOAS XV (DESVIAR O CAMINHO JAMAIS)

Por Zé Carlos

Algumas vezes, por mais valentes que desejamos ser, somos tomados por um medo terrível, que nos paralisa. Então, uma sensação de impotência assalta-nos. Mesmo assim, acho o medo, por demais, interessante. E sábio. Prova-nos, na maioria das vezes, o quão frágeis somos. Não respeita idade, credo, cor. Nem hora, nem lugar. E, assim, nos impõe “um freio”.

Particularmente, não assisto a filmes de terror. Terror, jamais. Já basta o terror de nosso cotidiano. O terror da vida real. Ainda mais que já vivi muitas situações críticas. Dessas situações, algumas tão críticas que se tornaram hilárias. Duas merecem ser relatadas.

Em uma ocasião, entre Santa Quitéria e Brejo, por volta das 3 horas, plena madrugada, viajava sozinho. Sintonizei em uma rádio. Tocava uma música. Em inglês. Automaticamente, comecei a traduzi-la.

Concomitantemente, comecei a congelar. Congelar literalmente. Era um culto ao “demo”. O carro começou a perder velocidade e veio “morrendo, morrendo”. Praticamente, parou. O Campari escafedeu-se. A sudorese tomou-me por inteiro. O coração zambubava, em desespero extremo, ecoando mais que o Boi de Apolônio e o Boi de Pindaré, juntos. A música parecia não ter fim. Só comecei a reagir, quando começou a tocar uma nova música. E que reação! Em câmera lenta. A custo, consegui imprimir certa velocidade ao carro. Uma velocidade tímida, nervosa, covarde. Mais covarde que o motorista. De tal situação, só o medo restou-me, como “fiel companheiro”, “a me acompanhar” até o fim do trajeto.

Em outra ocasião, ainda adolescente, fui buscar um cavalo na Ponta Branca, a mando de papai. Após muita correria e tropeços, consegui laçá-lo. Em vez de rumar para casa, fiz uma parada no Chico de Belísia. Estava cansado. E com sede de São João da Barra. Perdi a hora. Apressei-me. Entretanto, havia “um trecho”, no caminho, que me “arrupiava” por inteiro. Passar por uma “tapera”, que ficava atrás do cercado do juiz, na saída de uma enseada. Tinha a impressão de que ela me acompanhava, espiando-me, ameaçando-me, toda vez que passava por ali. Não respeitava hora.

Um medo suave foi-me dominando. Cresceu. Tomou-me todo. E, fortemente, assustou-me. Aí, sim, “um medo de respeito”. A imaginação começou a trabalhar.

Naquele momento, para mim, os espíritos do mato estavam à espreita. Prontos ao ataque. Já esperava a aparição do curupira, da mãe d’água, até da onça, que um dia atacou Zé Pessoa, levando-o a se fingir de morto. E, para alimentar o meu medo, de repente, um barulho terrível.

Um porco, “varano o mato”, ao quebrar galhos secos, folhas de palmeiras … O cavalo empinou-se. E “eu, chão”. Uma queda terrível! “O danado abriu na carreira”, deixando-me “plantado no chão”. Morto de medo. Mas, o pior foi encontrar-me a pé e ter de encarar uma dura caminhada. E com a tarde findando. Uma jornada longa e cansativa. Passei pela entrada da Nova Ponta Branca, Ponta de Santana, Fazenda de Dr. Estrela, andei boa extensão pelo campo, Teso de Bernardo.

A cidade, longe, nadava em luzes alaranjadas, como se dançasse na cadência da aragem, que invadia a noite e teimava em me confundir a visão.

Ao chegar às proximidades do Taçoanha, já noite feita, escutei os gritos de Zé Carrinho, muito preocupado, à minha procura. O cavalo chegou ao seu destino. Muito bem. Só não levou o cavaleiro.
Tive dupla sorte. Escapei de uma “senhora surra” e aprendi uma grande lição. “Nunca desviar o caminho”!

Mais um ano sem os Diques da Baixada Maranhense

Por Luiz Figueiredo*

A Baixada Maranhense sofre mais uma vez a grave crise da estiagem o que acontece dos meses de agosto a dezembro, todos os anos, a partir da década de 50, quando aumentaram o número e a profundidade dos igarapés que além de drenarem a água doce, levam uma enorme quantidade de peixes, e contribuem também para invasão da água  do mar, provocando a salinização dos campos naturais em prejuízo da biodiversidade ali existente.

Os diques da Baixada foram concebidos em 1986, portanto há mais de trinta anos, tendo início com a construção da barragem de Pericumã no município de Pinheiro. De lá até agora nada mais foi executado. Interrompido o andamento desse importante projeto, o caos voltou a se instalar na Baixada com a falta d’agua causando grandes prejuízos para os que ali vivem e tirando o  sustento das famílias,  a pesca, a caça e agropecuária. Quem visita a região hoje, se depara com os campos áridos, semidesertificados, onde os animais perambulam de um lado para outro a procura de pasto e água.

Um verdadeiro crime e falta de sensibilidade daqueles que manipulam o dinheiro público. Muitos desses animais e aves, típicos da região, já se encontram em fase de extinção. O peixe, alimentação básica, está cada vez mais difícil e caro. Sentindo o agravamento desse quadro, tomei a iniciativa de em novembro de 2006, portanto a quase vinte anos do início (1987) e paralização dessa obra, de acompanhar técnicos do governo do estado para constatar “in loco” o  situação de abandono dos nossos campos, e encontramos pessoas carregando água na cabeça, em lombo de animais e o torrão rachado e a vegetação seca.

Agradeço a Reginaldo Telles que me deu apoio, Luiz Raimundo Azevedo, Leo Costa, Manoel Bordalo, Júlio Noronha, o saudoso e grande líder Neiva Moreira, que juntos formamos um grupo para apresentar uma nova proposta para o governo, a qual foi analisada, aprovada e de imediato autorizada o reinício dessa tão almejada e importante obra. Já se passaram outros dez anos e tudo continua como antes. A Baixada é uma região imensa, linda e bem localizada, rica,  com potencial para continuar sendo o celeiro da capital, como foi no passado, portanto merece uma ação urgente e definitiva para que aquela gente humilde e trabalhadora não venha continuar a sofrendo.

Sabemos que com os diques teremos uma região semelhante ao pantanal mato-grossense, com uma biodiversidade e um ecossistema bem característicos.  Vamos agir antes que seja tarde, pois a água salgada está prestes a invadir os lagos o que seria uma catástrofe ambiental sem precedentes. Medidas paliativas, soluções localizadas como pequenas barragens, canais ou açudes não resolvem, apenas minimizam as dificuldades da população. Só os diques promoverão a redenção dessa região rica e exuberante que a Baixada Maranhense.

Lamentavelmente concluo afirmando, 2016, MAIS UM ANO SEM OS DIQUES.

Luiz Figueiredo, administrador, presidente da Fundação Chiquitinho Figueiredo e Rádio Beira Campo, ex-prefeito de São João Batista.