Valores a receber do Banco Central já estão disponíveis

A partir de hoje, dia 14/02/2022 você poderá consultar se possui valores a receber. O Banco Central pede desculpas pelo transtorno. Consulte aqui:

https://valoresareceber.bcb.gov.br/

Brasileiros esquecem R$ 8 bilhões em bancos; o sistema do Banco Central do Brasil (BC), vai permitir ao cidadão consultar se tem valores a receber de instituições financeiras e não sabe.

GONÇALVES DIAS E DOM SEBASTIÃO, DUAS FIGURAS ENCANTADORAS (OU ENCANTADAS?)

Por Gracilene Pinto
Não sei se pela personalidade ou pelo caráter lendário de suas biografias, duas figuras da História sempre me encantaram: o monarca português Dom Sebastião e o poeta Antônio Gonçalves Dias.

Dom Sebastião, com o misterioso desaparecimento em Alcácer-Quibir, se imortalizou no coração do povo português, que ficou sempre à espera do seu retorno. No entanto, talvez em razão do clima tenso das lutas políticas em Portugal, em busca de paz Dom Sebastião haja escolhido a mais lusitana das províncias brasileiras, o Maranhão, para se encantar no repouso paradisíaco da Ilha dos Lençóis, onde o povo o recebeu com fé no coração: O Desejado Rei Sebastião.

Gonçalves Dias, nasceu em Caxias – Maranhão, mulato, de origem pobre, quando isso ainda era um verdadeiro estigma, por circunstâncias da vida estudou na Europa, foi poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo, um expoente do romantismo e do indianismo brasileiro. Mas, entre tantos atributos foi a poesia que o imortalizou, quando cheio de saudades da Pátria escreveu Canção do Exílio, um dos mais belos poemas da língua portuguesa:
Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá…
Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá…
sem qu´inda aviste as palmeiras onde canta o sabiá.
e, entre outros poemas maravilhosos da sua riquíssima lavra, quando escreveu a mais bela declaração de amor à paixão da sua vida, Ana Amélia Ferreira do Vale, o Ainda Uma Vez Adeus.
Enfim te vejo! – enfim posso, curvado a teus pés dizer-te
que não cessei de querer-te pesar do quanto sofri…

Por tudo isso, em 03/11/2020, dia em que se rememorava o falecimento de Antônio Gonçalves Dias a bordo do navio Ville Bologna, na Baía de Cumã, em Guimarães, me vi, de repente, pensando que, a despeito dos outros títulos auferidos por ele e de ser patrono da Cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras, que eu saiba, o poeta não foi membro de nenhuma academia. Não precisou disso. Sua obra o imortalizou. E, quem sabe se, assim como a fé pública encantou Dom Sebastião na Ilha dos Lençóis, Gonçalves Dias não haja se encantado também nos baixios de Atins, de onde já podia avistar suas amadas palmeiras, mesmo que do sabiá só pudesse ouvir o canto na imaginação. Olha, que imaginação de poeta é coisa milagrosa! Acho até que foi por isso que pensei ter ouvido a voz de Gonçalves Dias afirmando cheio de certezas:
É mentira, não morri! Não morri nem morrerei Nem hoje nem nunca mais,
Minha alma já fez morada na pátria dos imortais.

O SONHO

Por Gracilene Pinto

Quantos caminhos trilharam os pés cansados
do viajante persistente e sonhador?
E quantos sonhos ficaram abandonados
à beira dos caminhos, onde ninguém voltou?
Das tantas lutas, quantas foram inglórias?
E as derrotas, alguém já conferiu?
O desistente que alcançou vitória,
o sucesso sem luta, quem já viu?
Sonho é projeto, tem causa e efeito,
e as grandes conquistas reclamam paixão,
sem luta, sem garra, viver não tem jeito,
que o sonho precisa de força e ação.

O VELHO MERCADO

Por Zé Carlos

… ao me aproximar, ainda madrugada, ouvia o sussurrar do velho Mercado, que vinha preguiçosa e manhosamente acordando.

Ao redor, tudo era silêncio. Silêncio, silêncio, silêncio!!! Silêncio, quebrado, uma ou outra vez, pelos “tum-tuns” secos e abafados dos pedregulhos, que se vivificavam, ao “marcarem o lugar” na longa fila, para a compra de carne. Ou quebrado pelo pigarro e pela tosse seca do seu Teodomiro, salvo engano, após mais uma prolongada tragada e espessa baforoda do longo porronca, enrolado num bom pedaço de papel de embrulho. Ou quebrado pelo grito inesperado de Sassico, que estava com medo de tamanho silêncio.

Às vezes, batia um tremendo e implacável frio, a castigar o meu mirrado corpo de 7 a 8 anos. Ocasião em que buscava abrigo nos braços e pernas do meu avô-pai Antônio do Rosário e nos mingaus de milho, de Dadá, fumegantes, como só na infância tivemos, e cobertos por uma generosa camada de canela, que me enfeitiçava o olfato e o paladar, numa gula feroz.

Vovô não se contentava apenas com a compra da carne. Prolongava-se em conversas, que transitavam do engenho ao canavial. Do açúcar à cachaça. Dos bois à política. Este último tema dominava a cena. O seu assunto predileto. Era um apaixonado pela mesmo. Constatação que vou ter muito depois, ao lembrar de nossas conversas, geralmente à noite, após o seu programa sagrado e imperdível, a Voz do Brasil, a ecoar do seu imenso e potente rádio.

Mas, voltemos ao Mercado. Das conversas prolongadas à “tomação” de bênçãos. Acho que todos os pinheirenses, que permeiam as minhas lembranças, eram afilhados do meu avô. O certo é que demorávamos uma eternidade, o que para mim era uma delícia. Sempre cabia mais um e mais um mingau!

Hoje, entretanto, quando passo pelo meu Mercado, já não sinto a sua vitalidade. Já não sinto a sisudez de João de Braulina, a se acentuar com seu chapéu sisudo, também, e seu olhar distante, a escolher clientes. Já não sinto a camaradagem dos compadres de papai, que eram um pouco meus: seu Antônio Correia e seu Tarquínio. Já não sinto a sensação de que Nhô e Fernando, o braço de Judas, são-lhe habitantes eternos, a me fornecer uma boa fatia de fígado. Também, já não encontro o frescor da vinagreira, dos amarrados de maxixes e quiabos, da talhada do jerimum, da pimenta malagueta. Muito menos a plena amizade de Culete, que me tratava tal a um filho, sabendo que meu pai encontrava-se trabalhando distante. Por sempre me confundi entre Raimundo e Benedito, nunca conseguindo fazer a distinção correta dos irmãos pelo nome, determinarei, como um autêntico baixadeiro: o Culete, ao qual me refiro, é o pai de Zé Maria, do foto Alfa, e Lourdinha Mendonça, uma das melhores amigas dos corredores das minhas escolas.

Hoje, só me resta vê o meu mercado, imergido em um vazio e uma tristeza tamanha, perdido em nuances pálidas, que teimam em fugir das minhas retinas, com lágrimas vertendo em suas paredes tão sofridas que já não reconhecem nem abraçam o seu filho, que tanto o ama.
Perdoem-me, não consigo seguir!

PIABA

Por Zé Carlos

Há algum tempo, ficava revoltado, quando encontrava algum conhecido, que me chamava de “comedor de piaba”. Isso, verdadeiramente, se constituía em um grande insulto. Assim, diversas vezes, por pura criancice, vinguei-me com os helenenses e os são-bentuenses.
Comedores de tapiaca e de mussum. Quanta sandice!

Mas, o senhor de todas as razões veio passando e me trazendo a certeza de que essas referências, muito mais do que depreciarem, fortalecem as nossas relações com a nossa terra e nos dão uma imensa felicidade em ser isso mesmo. Certamente, a distância ressalta esse sentimento. Certamente, essa distância está gritando agora e bem alto por um cozidão de piaba, com um pirão de farinha seca. O que não é para qualquer um! Mas, sou um craque em comer piaba cozida. Em “uma raspada”, entre os dentes, trago só o mínimo esqueleto esquelético, a se empilhar na beirada do prato. Ainda mantenho esse hábito de colocar as espinhas ali! Para mim, não existe, ainda que esteja a postos, o prato para espinhas!

Entretanto, nada sobra, quando ela é enfiada no talo de coqueiro e frita no azeite de coco. Cachorro passa fome! Até sinto o seu croque croque, persistente, a pedir pela sua companheira inseparável, a farinha, a invadirem “os meus sentidos” e se apoderarem do meu paladar, faminto e saudoso. Vou ficar por aqui, já está bom. Se o devaneio prolongar-se, fatalmente exigirá a sagrada tigela de juçara. Aí, não respondo mais!

Hoje, o que desejo, e com orgulho, é ser chamado de comedor de piaba. E como seria bom, se, toda vez que isso acontecesse, me “trazessem” uns espetinhos e um punhado de puba!

Com certeza, não esperaria até chegar a minha casa. Havia de dar uma grande “beliscada”, ainda “no caminho”!

Ministério Público recomenda cancelamento de festivais e especialmente carnaval no Maranhão

Devido ao aumento do número de casos de Covid-19 e síndromes gripais, a necessidade de evitar internações e mortes em decorrência das novas variantes Delta e Ômicron, o Procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, emitiu Recomendação, em 6 de janeiro, a todos os prefeitos do Maranhão indicando a adoção de medidas de segurança sanitária.

O Ministério Público do Maranhão recomenda o uso obrigatório de máscaras em locais públicos e privados, fechados ou abertos; e a observância do distanciamento de segurança.

Também foi recomendada a proibição de festividades e demais eventos que possam gerar qualquer tipo aglomeração, a exemplo de vaquejadas, festejos, carnaval e similares, enquanto durar o estado de emergência sanitária decorrente da pandemia.

No documento, Eduardo Nicolau recomendou aos gestores municipais para negarem licenças e autorizações para festividades e demais eventos privados que possam ocasionar qualquer tipo de aglomeração. Além disso, os prefeitos foram orientados a adotar todas as medidas administrativas e judiciais necessárias para impedir a ocorrência de aglomerações e eventos, especialmente no carnaval.

TELETRABALHO

Em razão do aumento de casos de Covid-19, o MPMA adotou o regime de trabalho remoto entre os dias 7 e 31 de janeiro. Todos os prazos dos procedimentos extrajudiciais ficam suspensos. As reuniões de trabalho, cursos, eventos em geral e demais atividades que exijam o encontro de pessoas deverão ocorrer em ambiente exclusivamente virtual. O trabalho remoto se aplica a todos os promotores, procuradores de justiça e servidores da instituição.

As atividades incompatíveis com o trabalho remoto, a exemplo de protocolo, execução de mandados e transporte, serão executadas mediante rodízio, cuja escala será elaborada pelo respectivo chefe imediato ou pelo Diretor da Promotoria de Justiça respectiva.

O atendimento ao público ocorrerá preferencialmente de forma remota, por telefone celular institucional, disponível no site mpma.mp.br. Estão disponíveis também os canais da Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Maranhão (WhatsApp: (98) 99137-1298, e-mail ouvidoria@mpma.mp.br e contas da Ouvidoria nas redes sociais, buscando o nome de usuário “ouvidoriampma”).

Em caso de atendimento excepcionalmente presencial, os protocolos das Promotorias de Justiça de todo o Estado e o da Procuradoria Geral de Justiça atenderão no horário de 8h às 13h.

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Fonte: https://www.mpma.mp.br/arquivos/secinst/clipping/15186_clipping-10-de-janeiro-de-2022.pdf

Extensão e processo de ocupação de Peri-Mirim

Extensão
O município tem 405,3 km² sendo o 184° do Estado em extensão o que corresponde a 0,12%. Em termos regionais, é o 48º na Mesorregião Norte Maranhense com 0,77% e o 17º na Microrregião Geográfica da Baixada Maranhense correspondendo a 2,30%.

Processo de Ocupação
Os criadores de gado dos municípios próximos, presumivelmente de Alcântara e São Bento, no sentido de desenvolverem a pecuária extensiva própria da época e da necessidade de encontrar pastos novos e férteis, penetraram pelo interior e ao encontrar os pastos almejados, ali construíram suas casas, dando ao povoado o nome de Macapá, que
embora tivesse em áreas dos municípios de Alcântara e São Bento, foi anexado ao segundo pela Lei Provincial de nº 1.385, de 17 de maio de 1886.

Pela Lei nº 850 de 31 de março de 1919, o distrito foi transformado em município e 45 dias depois foi procedida à eleição para prefeito municipal, embora o município tenha sido oficial e solenemente fundado em 15 de julho de 1919. Onze anos depois, o município foi extinto por meio do Decreto Lei Nº 75, de 22 de abril de 1931, sendo reincorporado ao município São Bento, na condição de distrito.

Finalmente, o Decreto Lei nº 857, de 19 de junho de 1935, devolveu a Macapá a condição de município e elevando à condição de vila em 19 de julho do mesmo ano, considerando-a, no entanto, cidade a partir de 29 de março de 1938. Com a reforma administrativa do Estado, pelo Decreto Lei Nº 820 de 30 de dezembro de 1943, o município mudou a toponímia de Macapá para Peri-Mirim.

A palavra peri-mirim na língua tupi-guarani significa junco fino, tipo de vegetação que predomina nos campos alagados do município.


Fonte: Enciclopédia dos Municípios Maranhenses: microrregião geográfica da Baixada Maranhense / Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos. – São Luís: IMESC, 2013.

Arquivos Peri-Mirim - FDBM

A Baixada Maranhense esqueceu o Dia de Reis?

O dia de Reis foi criado para lembrar a data em que os três Reis Magos entregaram presentes ao Menino Jesus. É uma festa da Igreja Católica Apostólica Romana, realizada entre os dias vinte e quatro de dezembro e 06 de janeiro, o dia da comemoração.

Trazida pelos portugueses na época da colonização do Brasil, a folia de reis é um movimento cultural onde os grupos saem caminhando a pé pelas ruas das cidades, para levar às pessoas as bênçãos do menino Jesus.

Os participantes saem a caráter, cada personagem possui roupas próprias, deixando a folia com um ar mais animado.

Dentre os personagens que aparecem na festa temos: mestre, contramestre, músicos, tocadores, reis magos, palhaço e outras pessoas, donas de conhecimentos da data.

Na história do natal os reis magos foram guiados por uma estrela até chegarem ao local onde Maria estava com seu filho, na presença de José. O caminho percorrido foi longo, pois cada um estava em uma localidade, por isso demoraram cerca de doze dias para chegar a Belém.

Gaspar partiu da Ásia, levando incenso para proteger o Messias. Sua utilidade é espantar insetos com o aroma espalhado pelo ar, fazendo também do objeto uma reprodução da fé e da espiritualidade.

Da Europa, o enviado foi Belchior ou Melchior. Seu presente, o ouro, era oferecido apenas para os deuses, motivo pelo qual o ofertou para Jesus, simbolizando a riqueza, a realeza.

A mirra não foi esquecida. Baltazar levou-a da África, como a lembrança oferecida aos profetas. É um óleo ou resina extraído de uma planta, utilizado para o preparo de medicamentos.

Em agradecimento ao cortejo e às bênçãos recebidas, as donas das casas deixam vários tipos de alimentos prontos, para oferecer aos personagens do cortejo. Como estes saem pelas ruas das cidades, desde bem cedo, vão recebendo desde lanches, café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.

Com a folia, encerram-se as comemorações natalinas em todo o mundo, podendo desmanchar as árvores de natal e retirar todos os enfeites que representam a festa. O importante é abençoar a todos com a festa!

Segundo Airton Luís Martins Mota, estudioso do assunto:

A estrela guia só aparece a cada 20 anos.

Apareceu no dia em que Jesus nasceu e indicou pra quem estava em Jerusalém o local do seu nascimento.

Última vez que apareceu foi em 21 de dezembro de 2020.

Trata-se de uma estrela bem brilhante no céu e é o resultado do alinhamento de Júpiter e Saturno com a terra e, para nós, ocupam o mesmo ponto no céu no dia do seu aparecimento.

Era tradição na Baixada Maranhense mandar reis pedindo presente, ou fazendo declaração de Amor. Eram feitos em papel de seda e dobrados em formato de coração. Seguem alguns versos de Reis.

As estrela do céu brilham.

Brilham todas duma vez.

Assim brilha seu coração

Se apagar esse Reis.

 

Meus olhos pro ti gela

Meus olhos por ti são

Tomara que teu pai já queira

Me dar teu coração.

 

Pedir Reis não é vergonha,

vergonha é não pagar,

um coração como o seu

a mim não pode pagar.

 

Escrevi este Reis

nas asas de um urubu

Espero ganhar da sua mão

uma lata de talco Tabu.

 

Escrevo este Reis

na asa de um morcego

Se não pagar este ano

No outro não terá sossego.

 

Escrevo este Reis

Com amor pela Baixada

Espero de sua mão

Um cofo cheio de piaba.

 

Eu fiz este Reis

com Amor no coração

Quero que tu me pague

Com um vidro de loção.

 

Escrevo este Reis

Olhando para o mato

Espero da sua mão

Um vidro de esmalte.

 

Escrevo este Reis
Olhando para o chão
Espero da sua mão
Um vidro de loção.

 

Escrevi este Reis

Olhando para o céu azul

Espero de sua mão ganhar 

Um corte de seda azul.

 

Escrevi este Reis

Toda garbosa e cheirosa

Espero de sua mão ganhar 

Um vidro de leite de rosa.

Escrevi este Reis

Pensando em uma taboca

Espero de sua mão ganhar

Um bolo de tapioca.

 

         Escrevi este lindo Reis

Pensando no meu amor

Espero ganhar de ti

Um sabonete senador.

 

Escrevi este Reis

Debaixo de um pé de café

Espero ganhar de tuas mãos

Um prato de acarajé.

 

Escrevi este Reis

Olhando uma estrelinha

Pra comer com juçara

Preciso de um pouco de farinha.

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Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/. Os versos de Reis foram escritos por Ana Cléres, Eni Amorim, Elinajara, Expedito Moraes, Gracilene e João Silveira; Nasaré Silva; Gisele Martins e Jaílson da Academia de Peri-Mirim. Os versos foram compartilhados nos grupos de WhatsApp do Fórum da Baixada e da Academia de Peri-Mirim. Pesquisa feita por Ana Creusa.

CHOVE

Chove lá fora…
E as águas que jorram do céu
Lavam árvores, montes,
Formam riachos
Escorrendo pelo chão.
Chove cá dentro…
E as lágrimas que tombam dos meus olhos
Sulcando a face
Lavam-me a alma,
Acalmam o coração.
A natureza é sábia,
E Deus que tudo sabe,
Tudo ouve e tudo vê,
Para lavar a alma
fez a lágrima,
Para lavar o mundo
Faz chover.
(in UM VÔO POÉTICO SOBRE ATHENAS – Imagem chuva no Maranhão)

Antônio Padilha deseja feliz natal a correligionários e amigos

Nos últimos tempos, tenho aprendido com a etnomusicologia que a natureza tem seus ciclos, assim também, como tenho compreendido a intenção do homem, principalmente via religião, em atribuir valores, inventar relações desses ciclos para afirmar as suas convicções.

A festa pagã que ocorria no equinócio de verão, hoje representa o nascimento de São João, assim como a data do equinócio de inverno passou a representar o nascimento de Jesus Cristo. Independentemente do contexto, pagão ou religioso, esses momentos podem ser utilizados para uma reflexão, onde todos os seres humanos relembrem a condição de pertencer a uma raça única “a raça humana”. Que tal fazermos uma parada na nossa afoita caminhada para avaliar se o princípio da razoabilidade que nos possibilita pesarmos se ” os meus, os teus, e os nossos interesses estão sendo considerados e se estão em sintonia?

Que tal verificarmos se não estamos sobrepujando os outros. Se não estamos nos apresentando como especiais e olhando para os “outros” com um olhar egocêntrico. Se aproveitarmos esses momentos para avaliar os princípios da relatividade cultural e nos propor a viver de forma a respeitar o diferente, que, na maioria das vezes, é a razão do nosso encantamento, o Natal faz sentido.

Feliz Natal e que tenhamos um próspero e venturoso 2025.
Antônio Padilha & Família.

Antonio Francisco de Sales Padilha é doutor em Música pela Universidade de Aveiro / Universidade de Viena, com Estudos Complementares na Queen?s University de Belfast e revalidado pela Universidade Federal da Bahia -UFBA-. Mestre em Direção Musical pela Universidade de Aveiro – Pt, revalidado pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB – Bacharel em Trompete pela UnB (1986) e Licenciatura em Música pela Universidade de Brasília (1982) Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Música, atuando principalmente nos seguintes temas: instrumentista (trompete), Composição e Arranjo no Metal & Cia, Regente da Big Show Band de São Luís-MA e Diretor Musical da Orquestra de Sopro de São Luis – OSSL.