O CAMPEÃO DE CANA DE BRAÇO

Por Ana Creusa

Durante a III Ação de Graças na Jurema, ocorrida em 27 de julho de 2019, o páreo duro foi no “Campeonato de Cana de Braço”, nas modalidades feminina e masculina.

Alguns chamam esse esporte antigo, da época de José Santos, de “Queda de Braço”. Como você pode ver nas imagens, esse esporte consiste em medir forças por meio da munheca[1].

José Santos em sua juventude era conhecido como “Campeão de Cana de Braço”. O campeonato se dava geralmente nas festas dançantes.

O grande campeão desafiava a todos, com o passar do tempo, poucos se atreviam a encarar os braços fortes do campeão, que malhava seus braços com paneiros[2] de farinha ou tacho de ferro.

O campeão era melhor quando o braço estava em ângulo de 30° (trinta graus), quando parecia que iria perder a competição.

Certa noite, em um festejo, apareceu um rapazote franzino, que estava à procura de José Santos para desafiá-lo a uma peleja de Cana de Braço.

Quando o campeão viu aquele rapazinho magrinho, não lhe deu a menor credibilidade e aceitou o desafio, apenas para não desagradar o rapaz. Para surpresa de Zé Santos, o menino derrubou o braço forte do campeão, direito e esquerdo e pediu bis.

Contava José que nunca mais viu o rapaz, que sequer soube o nome. Nunca mais pôde chamá-lo para a desforra. E assim seguiu vencendo, sem que pudesse desafiar aquele rapaz, que nunca mais o avistou, nem dele ouviu mais falar.

Seria um ser do outro mundo?[3]

[1] Munheca – é a parte do corpo que faz a junção da mão com o antebraço; pulso; [2] Paneiro é um cesto feito de pindoba (folha da palmeira de babaçu) onde se acondiciona mais ou menos trinta quilos de farinha de mandioca, feijão, arroz, produtos da roça dos lavradores da Baixada Maranhense e [3] Ser do outro mundo são os seres encantados, comuns nas florestas.

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