Khadija: a mulher de Maomé

Por Evandro Filho*

Khadija, a primeira esposa do Profeta Maomé, pertencia à nobre família de Quraish, filha de Khuwailid (pai) a Omm Saada (mãe). Khadija nasceu em 555 d.C. Assim, ela era dezesseis anos mais velha do que o Sagrado Profeta, que nasceu em abril de 571 d.C Seu pai era um conhecido chefe de Meca. Ele era um comerciante de sucesso que negociava com óleos, linho, perfumes e outras mercadorias raras. Ele morava em um prédio de dois andares ao lado de uma colina não muito longe da Ka’bah. Desde a infância, Hazrat Khadija possuía nobres qualidades. Ela cresceu e se tornou uma jovem piedosa, quieta e inteligente. Devido às suas virtudes morais, o povo de Meca havia conferido a ela o título Taahirah, que significa o ‘Puro’, ou o ‘Virtuoso’.

Ela tinha um coração terno e compassivo. Foi generosa, usado seu dinheiro para ajudar os pobres, os necessitados, os órfãos e as viúvas.

Casamentos anteriores de Khadijah

Quando Khadija cresceu, seu pai deu sua mão em casamento a Abu Haallah, filho de Zaraarah. Abu Haallah era um comerciante. Eles viveram felizes. Deus os abençoou com um filho chamado Hind e uma filha chamada Zainab. Segundo alguns historiadores, Abu Haallah teve três filhos, Haallah, Hind e Haarith. Alguns anos mais tarde, Abu Haallah adoeceu e morreu. Khadija chorou de dor pela perda do marido. Mais tarde, seu pai escolheu Ateeq, filho de Aaiz, um rico comerciante, como seu marido. Eles estavam levando uma vida feliz, mas quando Ateeq continuou uma expedição de negócios à Síria, ele morreu no caminho de volta. Khadija ficou viúva pela segunda vez. Ela teve um filho e uma filha deste casamento.

Após a morte de seu segundo marido, vários respeitados homens influentes dos coraixitas tentaram pedir sua mão em casamento, mas ela rejeitou suas ofertas e resolveu que não ia casar-se novamente e decidiu viver uma vida independente. Ocorreu que logo após a morte de seu segundo marido, seu pai também faleceu. Isso foi uma grande perda para Khadija, pois ela mesma tinha que cuidar do negócio. Era realmente um momento difícil para ela.

Expedições de Negócios

Para administrar o negócio com sucesso, Khadija empregou agentes comerciais, que costumavam transportar mercadorias para outros países e trazer de volta itens úteis para serem vendidos em Makkah.

Khadija a trabalhou duro e logo foi considerada uma mulher comerciante inteligente de grande dignidade e riqueza. Naquela época, Maomé era um menino. Seu pai tinha morrido antes de seu nascimento e sua mãe morreu quando ele tinha seis anos. Após a morte de sua mãe, ele passou aos cuidados de sua avô Abdul Muttalib. Abdul Muttalib tinha oitenta anos naquela época. Ele gostava muito do neto. O avô morreu logo depois, aos aos oitenta e dois anos.

Após do avô (Abdul Muttalib), um tio de Maomé (Abu Taalib), tornou-se seu guardião. Abu Taalib tinha muitas virtudes nobres e era um respeitado líder coraixita. Ele amava muito seu sobrinho. Maomé , também, amava muito seu tio. Foi durante este período que Abu Taalib empreendeu uma viagem à Síria junto com uma caravana comercial. Ele pretendia deixar seu sobrinho para trás, pois ele tinha doze anos naquela época e poderia cuidar de si mesmo. Mas quando o carro estava prestes a partir Muhammad se agarrou a seu tio e insistiu em ir com ele.

Abu Taalib ficou comovido e decidiu levá-lo junto com a caravana. Esta foi a primeira viagem de Maomé a um país estrangeiro. Um incidente estranho aconteceu durante esta viagem. Tem a ver que quando a caravana chegou a Bosraa, acampou perto de um mosteiro onde viveu um grande estudioso das Escrituras. Seu nome era Baheerah. Monk Baheerah notou muitas coisas na aparência de Maomé, que se encaixava na descrição do Profeta que as pessoas estavam esperando. Ele disse a Abu Taalib para cuidar bem do jovem e protegê-lo das travessuras do Povo do livro. Ele disse a Abu Taalib que de acordo com as Escrituras esse menino parecia ser a pessoa que Deus escolheria para interpretar uma grande parte do mundo. Deve-se notar que a cidade de Bosraa estava situada na estrada para Damasco, no sul da Síria, e estava a cerca de oitenta milhas ao sul de Damasco. Era uma bela cidade com muitos edifícios romanos e foi um ponto de encontro de cinco rotas de caravanas. A cidade Bosraa não deve ser confundida com a famosa cidade de Basrah, que está situado no Iraque.

Maomé cresceu e se tornou um homem bonito com boas maneiras e qualidades extraordinárias de honestidade e piedade. Pessoas chamam-o de Al-Ameen, significa o ‘confiável’ e Al-Saadiq significando o ‘verdadeiro’. Quem entrou em contato com ele foi profundamente impressionado com sua personalidade e inteligência. Ele foi manso e obediente aos mais velhos, afetuoso com os companheiros e cheio de compaixão por aqueles que precisavam de ajuda. Ele ajudou sua tia com os afazeres domésticos e ajudava seu tio realizando qualquer trabalho que lhe foi atribuído.

Nessa época, Khadija tinha ouvido falar da honestidade, piedade, confiabilidade e alto caráter moral de Maomé. Ela ficou muito impressionada pela sua integridade. Ela, portanto, abordou o tio de Maomé, Abu Taalib com a sugestão de que ele deveria deixar seu sobrinho liderar uma caravana comercial dela para a Síria. Abu Taalib mencionou isso para Maomé, com o que ele concordou.

Khadija se ofereceu para pagar a ele o dobro do que ela pagou aos outros. Quando a caravana começou sua jornada, Khadija enviou seu servo de confiança Maisarah junto com a caravana. A caravana seguiu o caminho habitual para a Síria, que Maomé viu que havia empreendido com seu tio treze anos antes. Maomé conduziu o negócio de tal maneira e desempenhou suas funções tão bem que a expedição encontrou grande sucesso. Foi sua honestidade e maneira inteligente de lidar com os assuntos que ele obteve um lucro inesperado.

Khadija se casa novamente

Khadija tinha agora quarenta anos. Ela estava convencida das qualidades nobres e maneiras refinadas de Maomé. Ele tinha vinte e cinco anos de idade. Khadija queria fazer-lhe uma proposta de casamento. Ela procurou a opinião de sua melhor amiga Nafeesah, que aprovou a ideia e ofereceu sua ajuda. Um dia Nafeesah foi até Maomé e durante a conversa perguntou-lhe por que ele não se casou. Maomé respondeu que não era rico o suficiente para casar. Nafeesah perguntou-lhe se ele estaria disposto a se casar com uma respeitável mulher rica. Maomé perguntou: ‘Quem é essa mulher?’ Nafeesah contou a ele sobre Khadija. Maomé pediu desculpas e disse: ‘Como isso pode ser possível? Khadija é demais para mim.

Khadija era uma mulher rica e eu sou uma pobre pessoa.’ Nafeesah disse, ‘Deixe-me cuidar disso.’ Maomé comentou: ‘Nesse caso, não tenho nada a dizer senão concordar.’ Quando Nafeesah contou a Khadija o resultado de sua conversa com Maomé, ela lhe enviou uma proposta de casamento. A oferta foi feita para ele através de seu tio Abu Taalib. Maomé consultou Abu Taalib, que o aconselhou a aceitar a oferta. Como o pai de Khadija havia morrido antes, Abu Taalib chamou o tio de Hazrat Khadijah Amr bin Asad, e pediu a mão de sua sobrinha em casamento com Maomé.  Amr bin Asad, sendo seu wali, deu seu consentimento para o casamento. Assim, o casamento entre Maomé e Khadija foi resolvido.

A cerimônia de casamento foi solenizada por Abu Taalib e o haq mahr foi fixado em quinhentos dirhams em dote. Khadija organizou uma grande festa e convidou parentes e amigos de ambas as famílias. A noiva e o noivo passaram sua primeira noite na casa de Abu Taalib, e então Khadija voltou para sua casa junto com o marido.

O casamento trouxe contentamento doméstico e felicidade para ambos. O casal foi abençoado com filhos. O primogênito era um filho. Eles o chamaram de Qaasim. De acordo com o costume árabe, Maomé ficou conhecido como Abul Qaasim, que significa o pai de Qaasim. Eles tiveram outro filho a quem deram o nome de Abdullah. Ele também era conhecido como Tayyab e Taahir. Alguns historiadores cristãos, no entanto, dizem que Maomé, teve três filhos de Khadijah Todos os seus filhos morreram na infância enquanto todas as filhas cresceram e aceitaram o Islã, mas não viveram muito. Apenas Hazrat Faatimah, sobreviveu ao Santo Profeta Muhammad, e viveu cerca de seis meses após sua morte.

Khadija, a primeira pessoa a aceitar o Islã

Maomé tinha agora mais de trinta anos de idade. O amor de Deus começou a possuí-lo cada vez mais.  Começou a dedicar mais do seu tempo para orações e meditação. As pessoas costumavam adorar ídolos. Diz-se que havia trezentos e sessenta ídolos colocados ao redor da Caaba.

Os árabes costumavam se entregar a muitos vícios como adultério, beber, jogar, saquear, assassinar e muitas outras práticas ilícitas. Maomé ficou profundamente magoado ao ver os atos maliciosos do povo de Makkah e o declínio moral e espiritual em que o povo havia caído. Não havia como resgatá-los exceto através da orientação e ajuda divinas. Ele, portanto, escolheu um lugar de solidão e retiro na Caverna de Hira, cerca de três milhas fora da cidade. Ficava no topo de uma colina, uma espécie de caverna, em forma de de pedra. Ele costumava ir lá sozinho ou às vezes com Khadija e passar vários dias e noites em meditação.

Quando Maomé, que tinha quarenta anos, ele teve uma visão. Isto foi em uma segunda-feira nos últimos dez dias do mês do Ramadã. Enquanto ele estava envolvido em adoração, ele viu alguém presente na caverna. Foi o anjo Gabriel, que ordenou que ele recitasse. Maomé respondeu que não sabia o que ou como recitar. Então, o anjo o apertou contra seu peito e o apertou duro. Jibraa’eel então o soltou e o instruiu novamente a recitar. O anjo o apertou pela segunda vez e pediu-lhe que recitasse. Mais uma vez Maomé deu a mesma resposta.

Khadija foi a primeira pessoa a acreditar no Santo Profeta. Ela havia testemunhado sua pureza e grandeza em sua juventude e passou quinze anos em sua companhia. Ela, portanto, aceitou-o sem qualquer hesitação. Ela teve muita sorte, pois o Islã, a religião da paz, começou em sua casa. Ali, que tinha dez anos na época e Zaid, o liberto escravo do Sagrado Profeta, eram ambos membros de sua família. Eles também acreditaram nele, no momento em que anunciou sua missão.

O apoio de Khadija foi fundamental para a missão do Profeta, uma vez que foi ela quem o confortou nos momentos mais difíceis, defendendo-o das difamações e injúrias que tanto sofria dos coraixitas. Não somente, mas de fato acreditou na Profecia de Muhammad, encorajando-o em sua missão e no desenvolvimento do Islã.

O boicote

Os líderes da tribo coraixita conduziram uma reunião na qual eles concordaram com um plano. Eles decidiram que, a fim de parar ainda mais a propagação do Islã, todas as tribos deveriam se juntar à campanha contra o Sagrado Profeta e seus seguidores. Além disso, os anciãos de cada tribo deve forçar tais de seus membros, que abraçaram o Islã, para renunciar a isso. Eles pensaram que por este dispositivo Maomé, seria abandonado por seus seguidores e sendo deixado sozinho, não seria capaz de continuar com sua missão.

Khadija usou de suas riquezas para ajudar seu marido, principalmente nos momentos em que os coraixitas tentavam de toda maneira boicotar sua missão, pagando assim pelo resgate dos muçulmanos aprisionados pelos líderes da tribo e também libertando escravos muçulmanos que eram oprimidos pelos seus mestres simplesmente por terem abraçado o Islã.

Os coraixitas declararam um boicote comercial contra o clã Hashim. Os pagãos atacaram, prenderam e espancaram os muçulmanos, que às vezes ficavam dias sem comer ou beber. Entretanto, apesar de todas as dificuldades e ameaças, Khadija continuou ajudando a manter a comunidade até que o boicote fosse debelado no final de 619.

Porém, o ano de 619 seria um ano obscuro para Maomé, que perderia sua fiel esposa e também seu tio Abu Talib. Esse ano ficou conhecido como “O Ano da Tristeza”.

A melhor mulher do seu tempo

Maomé, casou-se com várias mulheres após a morte de Khadija, mas nunca esqueceu sua primeira esposa. Durante todo o resto de sua vida, ele acalentava a memória dela com ternura e muitas vezes recordava sua lealdade, bondade e devoção a ele. Ele costumava dizer que ela foi a melhor mulher de seu tempo.

Cadija, a rica e poderosa mulher que foi chave no nascimento do Islamismo - BBC News Brasil

Khadija foi fiel do princípio ao fim ao Profeta, sendo a primeira a confiar em sua mensagem, um verdadeiro exemplo de esposa, amiga, companheira e muçulmana desde o primeiro dia do Islã até o presente. Sem ela a mensagem do Islã jamais poderia se espalhar pelo mundo, uma vez que teria parado ali mesmo na cidade de Meca, até então dominada pelos coraixitas que tanto ofenderam e atacaram Muhammad e a religião islâmica. Após isso, o Profeta teve que enfrentar momentos difíceis em sua vida, porém sempre com Khadija em sua memória, sofrendo pela sua partida, mas lembrando sempre da mulher que foi e que nunca o deixou desistir de sua Missão.

“A primeira esposa do profeta muçulmano Maomé e primeira pessoa a se converter à religião pregada pelo marido. Ela é comumente reconhecida pelos muçulmanos como “Mãe dos Crentes”. Foi uma das figuras femininas mais relevantes do islamismo ao lado da filha Fátima e permaneceu monogamicamente casada com Maomé por mais de 25 anos. Era a mais próxima dele e vários hádices narram que era a mais confiável e favorita entre todos.” Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cadija.

Este texto trata-se de fichamento do livro Khadija: A Mulher de Maomé, de Marek Halter.

* Evandro Gomes Pires Filho é natural de São Luís/MA, é Bacharel  Biblioteconomia pela Universidade Federal do Maranhão, pesquisador, responsável pela ficha catalográfica de vários livros.

TERESINHO ALVES, UM ENGENHEIRO AGRÔNOMO A SERVIÇO DA BAIXADA MARANHENSE

TERESINHO ALVES, filho de Antônio Amorim e Maurina Alves. Nasceu em 02 de março de 1965 no Povoado Santa Maria em Peri-Mirim/MA. Com o falecimento do pai, mudou-se aos três anos de idade para Bequimão, para morar com sua tia Elisa Amorim.

Cursou o ensino fundamental no Centro Educacional (CEMA), em Bequimão. Cursou o ensino médio no Instituto Federal de Educação (IFMA) – Maracanã, no período de 1985 a 1987, formando-se em Técnico em Agropecuária. Em 1999 formou-se em Engenheiro Agrônomo pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Também se licenciou em Biologia e Química pela UEMA em 2002.

Atualmente reside em Bequimão. Pai de Camila Larissa Lima Alves e Alana Caroline Lima Alves, fruto da união estável com Rosa Pereira de Sousa Lima.

Atua há 22 anos na AGERP – Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão, como Extensionista, em várias comunidades de Peri-Mirim e Bequimão.

Teresinho é o responsável técnico pelo Projeto Plantio Solidário da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP).

UMA “ESPIADA” NA BAIXADA MARANHENSE

Por Zilda Cantanhede*

Nos dias 21 a 23 de abril de 2023, a Baixada Maranhense recebeu visitas de muitos filhos que estão morando na capital São Luís, além de convidados especiais, como alguns imortais de diversas Academias e do SEBRAE. Estou falando dos forenses que compõem a agremiação denominada Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (fundado em 2015). Hoje presidido pelo baixadeiro de Cajari Expedito Moraes.

Foi um passeio inesquecível; com um seleto roteiro e uma programação cuidadosamente organizada pela diretoria do Fórum e pelo presidente do Sistema Maracu de Rádio e TV, Benito Filho.

O acolhimento ficou por conta dos anfitriões Linielda de Eldo e Carrinho Cidreira, prefeita e prefeito, respectivamente dos municípios de Matinha e Viana.

Em Matinha tivemos um jantar, cujo cardápio, genuinamente baixadeiro, escolhido pessoalmente pela prefeita Linielda, que executado pelas mãos habilidosas da proprietária do Restaurante dos Amigos, Dulce Moraes deu um toque especial daquela comida feita em casa. Torta de traíra seca, a jabiraca, pato e galinha ao molho pardo, carne de porco assada na brasa, peixe frito e assado, foram algumas das iguarias gastronômicas servidas à lá carte, regadas com sucos de frutas típicas da região ou com as famosas cachaças da Dose & Prosa da matinhense Maria Freitas e a Santo Ambrósio, da vianense Ana Valéria Ambrósio, ambas bastante degustadas.

Ao som dos tambores e das matracas, o bumba-boi Flor de Matinha fez jus à tradição, à nossa cultura. Não deu para resistir, entramos na roda e protagonizamos a festa junto com todos os personagens desse folguedo, que é tão nosso!

O ponto de encontro dos tripulantes para o tão esperado passeio lacustre foi no Parque Dilú Melo, em Viana. Lá os transportes já nos aguardavam. São lanchas motorizadas. Uma espécie de Cruzeiro Baixadeiro. Música, danças, bebidas comidas e muita diversão somada à contemplação da natureza, um exuberante cenário.

A rota contemplou pontos turísticos de três municípios: Viana, Matinha e Cajari, neste, um recorte: a beleza contrastante do povoado Os Coelhos, onde os moradores vivem literalmente sobre as águas.

Não tem como não nos emocionar! Uma gama de sentimentos aguçados e muitos questionamentos …
Uma parada para almoço em Viana, no cardápio a nossa deliciosa culinária, com destaques para o angu e o arroz de toucinho que estavam de lamber os beiços.

Ainda deu tempo de fazer um merchandising dos livros de muitos dos forenses-escritores.

São Pedro deu uma trégua nesses três dias e fechou as torneiras, para que o sol, com toda sua majestade brilhasse ainda mais. Sob o calor intenso e águas cristalinas, uma combinação perfeita para um banho na Enseada do Nazaré, em Matinha.

Finalizamos o dia onde começamos: Parque Dilú, ambiente que respira poesia, perfeito para encontros e reencontros, prosas, causos e construção de memórias.

Um café na casa do prefeito Carrinho Cidreira, marcou o encerramento da expedição que promove o ecoturismo. O mesmo itinerário feito pelas águas, daqui a alguns meses é possível fazê-lo sobre os torrões.

E nos estaremos prontos para dar uma espiada.

Venha conhecer a Baixada Maranhense; dona de dupla face, que em ambas versões vale muito a pena espiar.

*Maria Zilda Costa Cantanhede Presidenta da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras – AMCAL; Especialista em Linguística, Educação do Campo, Educação Pobreza e Desigualdade Social; Articulista, cronista, poetisa, revisora textual; Professora da Rede Estadual de Ensino; Supervisora de Normas e Organização da Rede Integral/ SUNORI/SEDUC/SAEPI; Coordenadora de Mostras e Feiras Científica do CNPq/MCTI; Pesquisadora do CNPq.

O FÓRUM DA BAIXADA DIVULGA A PROGRAMAÇÃO DA EXPEDIÇÃO ECOTURÍSTICA

O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense e o Rádio Maracu AM 630 promoverão no próximo sábado, dia 22 de abril, uma grande atração ecoturística nos Lagos de Viana, Aquiri/Matinha próximo final de semana.
Dezenas de pessoas confirmaram presença no evento, que inclui passeio náutico pelos lagos de Viana e Aquiri, banho no rio Maracu e uma exposição de livros de autores da região pantaneira conhecida como Baixada Maranhense.
A região pantaneira conhecida como Baixada Maranhense é uma área formada por vários lagos, campos naturais, cerrados, babaçuais, lagos, rios e estuários. A fim de divulgar e conhecer a região, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) e a Rádio Maracu AM 630 planejaram uma EXPEDIÇÃO ECOTURÍSTICA para os campos e lagos floridos de Viana, Matinha e Cajari, a qual ocorrerá no período de 21 a 23 de abril, conforme este Roteiro.
O presidente do FDBM, Expedito Moraes, e sua equipe têm trabalhado com muita dedicação na organização do evento destaca-se a participação da secretária geral do Fórum Elinajara Pereira que cuida de todos os detalhes com muita atenção.
Veja a programação abaixo:

PROGRAMAÇÃO:

1º DIA – 21/04/2023 (SEXTA FEIRA)  

SAÍDA DE SÃO LUÍS ÀS 13:00h. DESTINO: MATINHA

19:30 – (NOITE CULTURAL) – JANTAR OFERECIDO PELA PREFEITA LINIELDA NUNES CUNHA;

20:00 – APRESENTAÇÃO DO BOI DE MATRACA DE MATINHA e

22:00 HORAS: RETORNO PARA HOTEL EM VIANA.

2º DIA – 22.04.2023 (SÁBADO):

8:00 – EMBARQUE/CAIS DO PARQUE DILÚ MELO

8:15 – SAÍDA;

8:25 – CAFÉ SERVIDO NO MEIO DO LAGO (LANCHA EM VELOCIDADE MODERADA);

8:45 – VISITA À ILHA DE SACOÃ;

9:00 – VISITA AO MORRO DO MOCOROCA;

9:30 – ENTRADA NO RIO MARACU COM DESTINO À CIDADE DE CAJARI;

10:30 – CHEGADA AO MAIS BELO CAIS DA BAIXADA, CAJARI, ONDE NASCEU O COMPOSITOR E CANTOR JOSIAS SOBRINHO

10:35 – DESEMBARQUE (TEMPO LIVRE DE 1 HORA);

11:35 – EMBARQUE: DESTINO AO PARQUE DILU MELO;

13:00 – ALMOÇO TÍPICO: GASTRONOMIA BAIXADEIRA;

14:30 – EMBARQUE: DESTINO LAGO E AQUIRI SANTANINHA;

14:45 – PASSAGEM PELO POVOADAO IBACAZINHO/E IGARAPÉ DO ENGENHO OU RIO MARACU[3]

15:15 – BANHO NAS ÁGUAS LÍMPIDAS E TRANSPARENTES DE SANTANINHA:

16:45 – RETORNO A VIANA e

20:00 – JANTAR COM CONTO DE CAUSOS, POESIAS, “MENTIRAS” E CANTOS REGIONAIS, ETC.

 

3º DIA – 23.04.2023 (DOMINGO)

08:00 HORAS – CAFÉ DA MANHÃ NA RESIDÊNCIA DO SR. PREFEITO CARRINHO CIDREIRA.

10:00 HORAS RETORNO A SÃO LUÍS.

ORIENTAÇÕES AOS PASSAGEIROS DA EXPEDIÇÃO ECOTURÍSTICA AOS LAGOS DE VIANA, AQUIRI/MATINHA E RIO MARACU ATÉ CAJARI

O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) e a Rádio Maracu AM 630, após ouvir forenses versados na arte da navegação lacustre, expediram orientações/sugestões que visam orientar os expedicionários da EXPEDIÇÃO ECOTURÍSTICA AOS LAGOS DE VIANA, AQUIRI/MATINHA E RIO MARACU ATÉ CAJARI que ocorrerá no dia 22/04/2023.

As orientações foram expedidas por Expedito Nunes Moraes, presidente do FDBM e Benito Coelho Filho, representando a Rádio Maracu, após ouvir expertises no assunto de navegação.

As orientações visam possibilitar maior comodidade, evitar acidentes, bem como contribuir para o equilíbrio do ecossistema da Baixada Maranhense, que tem grande potencial econômico a ser explorado, em especial na área de ecoturismo sustentável.

As orientações são as seguintes:

– Usar roupas leves e, se desejar tomar banho, vestir roupa adequada por baixo da roupa normal, pois não tem local para efetuar a troca;

– Usar calçados fáceis de remover;

– Usar chapéus ou bonés com presilhas para não voar na água;

– O uso de colete é obrigatório;

– Não se sentar nas bordas da embarcação;

– Não passar de uma embarcação para outra quando elas estiverem em deslocamento;

– Não se jogar na água com a embarcação em deslocamento;

– Evitar bebidas alcoólicas em excesso;

– Ficar afastado do propulsor e cano de descarga da lancha;

– Quando em deslocamento da embarcação manter-se nos locais indicados pelos tripulantes (bancos);

– Levar água;

– Não jogar lixo nos rios e lagos;

– Não jogar alimentos para peixes ou qualquer tipo de animal;

– Lembre-se de levar protetor solar;

– Colocar na mochila os seus remédios de uso contínuo e avisar caso tenha alergia a algo;

– Ao embarcar e desembarcar aguardar os tripulantes atracarem a embarcação de modo que facilite o embarque ou desembarque dos passageiros com segurança e

– Seguir as orientações fornecidas pela tripulação, assim como tratar a todos com urbanidade e respeito.

O FÓRUM DA BAIXADA DIVULGA A PROGRAMAÇÃO DA EXPEDIÇÃO ECOTURÍSTICA

O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense e o Rádio Maracu AM 630 promoverão no próximo sábado, dia 22 de abril, uma grande atração ecoturística nos Lagos de Viana, Aquiri/Matinha próximo final de semana.
Dezenas de pessoas confirmaram presença no evento, que inclui passeio náutico pelos lagos de Viana e Aquiri, banho no rio Maracu e uma exposição de livros de autores da região pantaneira conhecida como Baixada Maranhense.
A região pantaneira conhecida como Baixada Maranhense é uma área formada por vários lagos, campos naturais, cerrados, babaçuais, lagos, rios e estuários. A fim de divulgar e conhecer a região, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) e a Rádio Maracu AM 630 planejaram uma EXPEDIÇÃO ECOTURÍSTICA para os campos e lagos floridos de Viana, Matinha e Cajari, a qual ocorrerá no período de 21 a 23 de abril, conforme este Roteiro.
O presidente do FDBM, Expedito Moraes, e sua equipe têm trabalhado com muita dedicação na organização do evento destaca-se a participação da secretária geral do Fórum Elinajara Pereira que cuida de todos os detalhes com muita atenção.
Veja a programação abaixo:

PROGRAMAÇÃO:

1º DIA – 21/04/2023 (SEXTA FEIRA)  

SAÍDA DE SÃO LUÍS ÀS 13:00h. DESTINO: MATINHA

19:30 – (NOITE CULTURAL) – JANTAR OFERECIDO PELA PREFEITA LINIELDA NUNES CUNHA;

20:00 – APRESENTAÇÃO DO BOI DE MATRACA DE MATINHA e

22:00 HORAS: RETORNO PARA HOTEL EM VIANA.

2º DIA – 22.04.2023 (SÁBADO):

8:00 – EMBARQUE/CAIS DO PARQUE DILÚ MELO

8:15 – SAÍDA;

8:25 – CAFÉ SERVIDO NO MEIO DO LAGO (LANCHA EM VELOCIDADE MODERADA);

8:45 – VISITA À ILHA DE SACOÃ;

9:00 – VISITA AO MORRO DO MOCOROCA;

9:30 – ENTRADA NO RIO MARACU COM DESTINO À CIDADE DE CAJARI;

10:30 – CHEGADA AO MAIS BELO CAIS DA BAIXADA, CAJARI, ONDE NASCEU O COMPOSITOR E CANTOR JOSIAS SOBRINHO

10:35 – DESEMBARQUE (TEMPO LIVRE DE 1 HORA);

11:35 – EMBARQUE: DESTINO AO PARQUE DILU MELO;

13:00 – ALMOÇO TÍPICO: GASTRONOMIA BAIXADEIRA;

14:30 – EMBARQUE: DESTINO LAGO E AQUIRI SANTANINHA;

14:45 – PASSAGEM PELO POVOADAO IBACAZINHO/E IGARAPÉ DO ENGENHO OU RIO MARACU[3]

15:15 – BANHO NAS ÁGUAS LÍMPIDAS E TRANSPARENTES DE SANTANINHA:

16:45 – RETORNO A VIANA e

20:00 – JANTAR COM CONTO DE CAUSOS, POESIAS, “MENTIRAS” E CANTOS REGIONAIS, ETC.

 

3º DIA – 23.04.2023 (DOMINGO)

08:00 HORAS – CAFÉ DA MANHÃ NA RESIDÊNCIA DO SR. PREFEITO CARRINHO CIDREIRA.

10:00 HORAS RETORNO A SÃO LUÍS.

O presidente da AMCLAM, escritor Cel. Carlos Furtado, participou da palestra “Gonçalves Dias, poesia e nacionalidade”

O presidente da AMCLAM, escritor Cel. Carlos Furtado, participou da palestra “Gonçalves Dias, poesia e nacionalidade” ministrada pela acadêmica do IHGM Elimar Figueiredo de Almeida, ocupante da cadeira n° 20 — patroneada por Gonçalves Dias, ocorrida nesta tarde/noite de hoje, na sede da Academia Maranhense de Letras, como parte das comemorações do Bicentenário de Gonçalves Dias.
Uma palestra primorosa, concatenada e rica de informações, vez que palestrante, estudante em sua adolescência do Colégio Liceu Maranhense, tendo sido aluna do Professor Mata Roma, o qual, exigia dos seus alunos, o conhecimento e a recitação de poemas do maior poeta do romantismo brasileiro.
Antes, a Acadêmica Ana Luiza Ferro, declamou “Ainda uma vez mais — Adeus” de autoria do poeta, arrancando aplausos da plateia presentes, composta de poetas, acadêmicos e escritores.

HISTÓRIA DO HINO NACIONAL

Por Wybson Carvalho*

Hoje (13 de abril) é dia do Hino Nacional Brasileiro e, através do qual, nós, maranhenses, e, particularmente, caxienses, estamos eternizados numa das suas estrofes com dois versos extraídos da Canção do Exílio – escrita por Gonçalves Dias – …: Nossos têm mais vida / Nossa vida “em teu seio” mais amores.

História do Hino Nacional

O Hino Nacional do Brasil, na forma como conhecemos, só passou a existir oficialmente a partir de 1909, e sua oficialização enquanto tal deu-se somente em 1922, por ocasião do centenário da independência do Brasil. Esse importante símbolo, no entanto, começou a nascer em 1831, ainda no século XIX.

Em 7 de abril de 1831, d. Pedro I abdicou do trono brasileiro, e, como forma de celebrar esse acontecimento, o compositor Francisco Manuel da Silva decidiu criar uma canção que ficou conhecida como “Hino ao 7 de abril”. A composição de Francisco Manuel foi acompanhada de duas letras diferentes ao longo do período imperial.

A primeira letra é de 1831 e foi criada por Ovídio Saraiva de Carvalho, um juiz que a escreveu com base em um sentimento antilusitano. A segunda letra é de 1841, de autor desconhecido, e passou a ser utilizada em homenagem à coroação de d. Pedro II. Essa última só era cantada por artistas profissionais que dominassem técnicas de canto e só era executada em teatros.

Hino Nacional na República
Em 15 de novembro de 1889, aconteceu no Brasil a Proclamação da República, evento que colocou fim na monarquia brasileira. Esse evento, tido pelos historiadores como um golpe, deu início a profundas transformações em nosso país. Os símbolos nacionais, naturalmente, sofreram modificações porque o novo governo desejava apagar as referências existentes ao antigo regime.

Prédios públicos tiveram seus nomes alterados, assim como ruas; a Bandeira Nacional foi modificada, mantendo o seu esqueleto original, mas com a ausência do símbolo monarquista nela. No caso do Hino Nacional, decidiu-se por realizar um concurso para escolher a melodia que acompanharia os versos do poeta Medeiros e Albuquerque.

O concurso recebeu 29 composições, com um vencedor que seria divulgado em janeiro de 1890. Entretanto, iniciou-se uma campanha encabeçada por alguns intelectuais para impedir que o concurso elegesse o novo hino. Um dos representantes dessa oposição foi Oscar Guanabarino, que argumentou que o hino existente era tradicional e havia liderado o país em glórias expressivas, como as vitórias militares na Guerra do Paraguai.

Deodoro da Fonseca, presidente do governo provisório, foi convencido, e a composição criada por Francisco Manuel da Silva foi mantida como a melodia do nosso Hino Nacional. O resultado do concurso fez com que a melodia de Leopoldo Miguez fosse a vencedora, e, por meio do Decreto nº 171, de 20 de janeiro de 1890, foi determinado que a composição de Miguez se tornaria o Hino da Proclamação da República. Esse decreto também oficializou a manutenção da composição de Francisco Manuel da Silva.

Quem escreveu o Hino Nacional?
Assim, no período republicano, o Hino Nacional manteve-se apenas como uma composição instrumental, pois não possuía letra. A partir de 1906, o maestro Alberto Nepomuceno passou a envolver-se com a elaboração de uma letra para o hino.

Em 1909, ele mobilizou seu amigo, o poeta Joaquim Osório Duque-Estrada, para escrevê-la. Como resultado disso, sua letra, produzida ainda naquele ano, popularizou-se, mas não foi oficializada pelo governo brasileiro. Ainda assim, o governo decidiu pagar cinco contos de réis ao poeta como recompensa.

Foi durante o governo de Epitácio Pessoa (1919-1922) que a letra do Hino Nacional, escrita por Joaquim Osório Duque-Estrada.

O centenário da independência criou as condições políticas para que a letra de Osório Duque-Estrada fosse oficializada como parte do Hino Nacional, pois não havia tempo para um novo concurso.

Assim foi emitido o Decreto nº 15.671, em 6 de setembro de 1822. Por meio dele, o governo de Epitácio Pessoa comprou definitivamente a letra, pagando mais cinco contos de réis para Osório Duque-Estrada, e tornou-a oficialmente parte do Hino Nacional do Brasil.

Dia do Hino Nacional
O Hino Nacional brasileiro tem uma data comemorativa celebrada anualmente. Trata-se do dia 13 de abril, sendo a escolha dele uma referência ao fato de que a melodia de Francisco Manuel da Silva foi tocada pela primeira vez em 13 de abril de 1831. Isso aconteceu no Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro.

Letra: Hino Nacional

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.

Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

* Wybson José Pereira Carvalho é membro fundador da Academia Caxiense de Letras, foi radialista, jornalista. Atualmente é escritor, poeta e funcionário público. Participou de duas antologias nacionais e de grandes saraus na capital São Luís. Gosta de escrever gêneros literários, contos e poesias.

A “SOFRÊNCIA” DOS BAIXADEIROS

Por Graça Leite*

A história dos transportes para a Baixada Maranhense sempre foi um drama para os habitantes daquela região.

Ainda conservo no olfato o cheiro horrível de vômito misturado ao odor das amêndoas do coco babaçu, quando em barcos a vela, atravessávamos a baía de São Marcos.

Depois vieram os barcos a motor diminuindo o tempo da travessia, aumentando o medo e os banzeiros na fúria do mar. Sta Rita de Cássia foi uma tentativa de introduzir lanchas no percurso, mas a velha lancha de madeira até gemia quando açoitada pelas fortes ondas. Lanchas voadeiras também se aventuravam, mas não suportaram, não deu certo. Era muita maresia no Boqueirão.

Foi na década de 70 que o então governador do, Maranhão Dr. Pedro Neiva de Santana instalou o sistema de ferry boot. O baixadeiro respirou feliz. Parecia um sonho entrar em um carro em São Luís e desembarcar na porta de casa, na cidade de Pinheiro.

Logo no início o transporte era precário. Viajava obedecendo ao fluxo das marés; embarcações pequenas, sem acomodação para passageiros, mas, como o nosso  tirocínio nessa área era de “sofrência”, achávamos maravilhoso passar as noites no Porto do Itaúna, matando muriçocas e maruins, aguardando o horário da travessia.

Aos poucos a empresa concessionária da linha foi-se ajustando, embarcações maiores e mais confortáveis foram adquiridas e chegamos a ter 12 viagens diariamente entre idas e vindas. Sempre havia um ferry-boat cruzando com outro na baía de S. Marcos. Desconheço os acordos entre as empresas Trans-ferry e Continental com o Governo do Estado. Sei somente que ambas as empresas estão sucateadas e entraram em colapso assim como as viagens também. São filas intermináveis de carros e caminhões, ambulâncias, motos, nos dois portos: Ponta da Espera, aqui no Itaqui e Cujupe, no município de Alcântara. Doentes agonizam em ambulâncias; caminhões carregados de alimentos perecíveis apodrecem nas filas que chegam a durar 48 horas. São empresários que deixam de cumprir com seus compromissos, dando  prejuízos para a já enfraquecida economia da região. E pior que tudo: não temos a quem pedir socorro, já que os nossos gestores oficiais não estão nem aí. Alguns deles, só conhecem a baía de São Marcos de cima, quando atravessam em seus confortáveis aviões, não temos representantes legítimos nem na Câmara Estadual, nem Federal, pois os nossos votos são sempre negociados politicamente com ilustres desconhecidos, sem vínculo afetivo com a terra que representam, ignorando os nossos problemas.

Até quando os interesses políticos, a ganância e a irresponsabilidade daqueles que nos dirigem vão prevalecer ante as nossas necessidades?

Até quando o pobre filho da Baixada do Maranhão vai ter que passar por tanto desconforto? Será que mesmo em um ano eleitoral não haja um só político capaz de pedir SOS.pelo nosso ferry_ boat ? Nós baixadeiros somos gente ,merecemos um pouco de respeito.

●      Como diz o nosso caboclo baixadeiro estamos no mato sem cachorro.

ALEART: A LUZ E O ALENTO!

Neste momento de tantas angústias, tantos desajustes, tantas barbáries, surge uma luzinha de esperança e bons fluidos. É que, num contraste abençoado, a nossa ALEART (ACADEMIA DE LETRAS, ARTE e SABERES) ganha a sua sede, onde funcionou, por anos, uma prisão, o 5° Distrito Policial, no Anjo da Guarda.
E algo, mais importante e significativo do que trocar a reclusão por liberdade, não há. Liberdade em todas as suas formas. De pensar. De querer. De escolher. De dizer. De agir. De construir. De ser.
E, com esse norte, somos sabedores de que, mais do que ter a sede própria, somos produtivos; e a disseminação de cultura é o que nos move. Do teatro à poesia. Da crônica ao curso profissionalizante. Do empreendedorismo ao produzir. Do livro à música. Do desejar ao saber.
Se, como mestres da cultura popular, agitadores culturais, cordelistas, cantores, atores, intelectuais, professores, artesãos, jornalistas, homens e mulheres produtivos (…), estamos de parabéns; de parabéns, está, especial e soberbamente, a área Itaqui Bacanga, um celeiro cultural inesgotável!
Resta-nos, portanto, com as divinas bênçãos, caminhar, com responsabilidade, as trilhas dos saberes, que nos conduzirão, com sapiência e equilíbrio, à realização de nossos projetos, de nossos eventos e à (in)formação de nosso próximo.
Salve a ALEART!
Que Deus nos ilumine e nos abençoe!