A Engenharia e os Engenheiros têm suas datas comemorativas
O dia 10 de abril comemora-se no Brasil o dia da engenharia. A engenharia, segundo o dicionário Michaellis, é a “arte de aplicar os conhecimentos científicos à invenção, aperfeiçoamento ou utilização da técnica industrial em todas as suas determinações”.
Essa data foi definida em homenagem ao Tenente Coronel João Carlos de Villagran Cabrita, que morreu em 10 de abril de 1866, quando se encontrava à frente do 1º Batalhão de Engenharia, na Guerra da Tríplice Aliança, sendo honrado com o título de patrono da engenharia.
A engenharia existe desde a Antiguidade, desde as invenções fundamentais, como a roda, a alavanca e a polia, e atualmente se desdobra em diversas áreas, tais como: Elétrica, Civil, Mecânica, Bioengenharia, Agrônoma, de Produção, de Computação, de Alimentos, Aeronáutica, Química, Metalúrgica, de Materiais, Ambiental, entre outras.
Encontramos a engenharia em todos os setores de nossa vida, por exemplo, nos transportes, nas comunicações, no vestuário, nos alimentos, na medicina, na computação, entre outros.
Os cursos superiores de engenharia geralmente têm duração média de 5 anos, sendo compostos por disciplinas básicas como cálculo, química e física, e disciplinas específicas conforme o ramo escolhido.
O profissional que exerce a engenharia, corretamente diplomado, é chamado engenheiro, e seu dia é comemorado em 11 de dezembro, dia em que, no ano de 1933, foi realizado o decreto nº 23.569 regulamentando o exercício da profissão de engenheiro, arquiteto e agrimensor.

O primeiro curso formal de engenharia no Brasil foi inaugurado em 17 de dezembro de 1792, data de criação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, no Rio de Janeiro.
Mais de 100 anos depois, em 1917, Edwiges Maria Becker Hom’meil tornou-se a primeira engenheira do país, formada pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro.
Enedina Alves Marques entrou na história como a primeira engenheira brasileira e a
primeira mulher negra com a formação em Engenharia Civil, em 1945, pela Universidade Federal do Paraná. A engenheira custeou seus estudos até a graduação, trabalhando como empregada doméstica e babá.
A área da engenharia foi marcada pela presença de uma mulher formada a muito tempo, mas, isso só ocorreu mais de um século depois que o primeiro curso de engenharia foi criado por Dom João VI em 1810. Com o passar do tempo a presença de mulheres na engenharia foi aumentando e atualmente as graduações contam com um número mais expressivo do público feminino se comparado com outras décadas anteriores.
Fontes: https://construcaocivil.info/;
Patrono da Educação dos Cegos no Brasil é José Álvares de Azevedo
José Álvares de Azevedo nasceu no dia 8 de abril de 1834, filho de Manuel Álvares de Azevedo, de uma família abastada do Rio de Janeiro, então capital do Império. Cego de nascença, porém muito assistido pelos pais, que lhe eram totalmente dedicados, o menino desde cedo manifestou uma inteligência acima da média, além de uma curiosidade infindável de conhecer e investigar tudo o que suas mãos pudessem alcançar.
Na busca por dar ao filho as melhores condições de se desenvolver e seguindo os conselhos do Dr. Maximiliano Antônio de Lemos, velho amigo da família, os pais de José decidiram enviá-lo para estudar na única escola especializada na educação de cegos que havia no mundo naquela época – o Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris. O menino frequentou a escola, na condição de interno, dos 10 aos 16 anos de idade, obtendo aproveitamento máximo em todas as disciplinas, de acordo com o relato de João Pinheiro de Carvalho, ex-aluno da escola de Paris e que viria mais tarde a lecionar no Instituto Benjamin Constant.
Além da inteligência, José teve a sorte de estar no lugar e na época certos para adquirir um conhecimento que iria ampliar enormemente os seus horizontes: o sistema de leitura e escrita inventado pelo francês Louis Braille e que estava em fase de experimentação no Instituto de Paris. Concluído o curso, o jovem Azevedo adquiriu regressou ao Brasil em 1850 com um ideal: disseminar esse sistema a todos os cegos que conseguisse, com a criação de uma escola semelhante àquela que havia tido o privilégio de frequentar.
Para alcançar o seu objetivo, José passou a fazer palestras em todos os lugares possíveis, como casas de família e os salões da Corte Imperial. Escreveu e publicou também artigos sobre a importância do braille para a educação dos cegos brasileiros, até então condenados ao analfabetismo e a uma vida de total isolamento social. Dava a si mesmo como exemplo de como a inclusão não só era possível como relativamente fácil, desde que fossem dados os meios para educar essas pessoas. Mais do que isso: José Álvares de Azevedo, com apenas 16 anos de idade, passou a trabalhar incansavelmente para ensinar o sistema a outros cegos, tornando-se não só a primeira pessoa cega a atuar como professor, como também o primeiro professor especializado no ensino de cegos no Brasil. E foi como professor que ele teve a oportunidade de se aproximar da única pessoa com poder suficiente para transformar seu sonho em realidade: o Imperador D. Pedro II.
Entre os seus alunos havia uma moça cega, Adélia Sigaud, filha do Dr. Francisco Xavier Sigaud, médico da Corte Imperial. Impressionado com o desenvolvimento da filha, Xavier Sigaud – com o auxílio do Barão do Rio Bonito – conseguiu para José uma audiência com o imperador. Nela, José não só fez uma demonstração de como o braille poderia acabar com o analfabetismo entre os cegos como propôs ao monarca a criação de uma escola especializada dos mesmos moldes do Instituto de Paris. Impressionado e sensibilizado pela apresentação, D. Pedro II decidiu abraçar a causa do professor, dando início ao processo de criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos – hoje, Instituto Benjamin Constant.
Álvares de Azevedo participou intensamente das providências iniciais e decisivas para a fundação da escola, mas não chegou a ver seu sonho ser realizado – no dia 17 de março de 1854, seis meses antes da inauguração, o jovem morreu, vítima de tuberculose, aos 20 anos de idade.
Por sua imensa contribuição para a inclusão social da pessoa cega brasileira, José Álvares de Azevedo recebeu o título de “Patrono da Educação dos Cegos no Brasil” e o dia do seu nascimento, 8 de abril, foi declarado oficialmente Dia Nacional do Braille.
(Fonte: LEMOS, Edison Ribeiro. José Álvares de Azevedo: Patrono da Educação dos Cegos no Brasil. Revista Benjamin Constant. Rio de Janeiro, Instituto Benjamin Constant, nº 24, abril de 2003) e https://www.gov.br/ibc/
TODO DIA É DIA DA POESIA
Se eu fosse um poeta …
não haveria hora
nem tempo teria,
rimas perfeitas faria:
luz com guia
José com Maria
vida com alegria
amor com magia
querer com sabedoria
solidariedade com empatia!
aí, o mais belo jardim
se criaria
e
cresceria
e
se fortaleceria
e
linda e bela,
a minha jornada seria:
a fome não doeria
a raiva não vingaria
a dor não maltrataria
o capricho não agiria
o sofrer não acordaria
o estresse não gritaria
a desilusão não viveria
o medo não se firmaria
a inveja não despertaria
o tédio não se insinuaria
a preocupação não falaria
o choro não se derramaria
a angústia não mortificaria
a tristeza não se perpetuaria!
de tão feliz não dormiria!
o amar tornar-se-ia
a absoluta e única mania
e
eu, de todo amor,
me vestiria!
Ah, se eu fosse um poeta,
quão bem a poesia
eu faria:
todo dia …!
Foto: Pôr do Sol na Fazenda Nazaré em Matinha/MA.
FESTEJO DE SÃO SEBASTIÃO, UMA HISTÓRIA DE FÉ
Por Pe. Márcio Hélio*
A cada começo de ano o coração do povo de Peri-Mirim bate mais forte por que é tempo de festejar, louvar a Deus, rever a família, os amigos, e, o festejo de São Sebastião proporciona tudo isso.

TOADA PERIGOSA
Por Gracilene Pinto
Sobre a questão de toadas na Baixada Maranhense, tem uma história, com H mesmo, de dois homens de um município vizinho que fizeram uma viagem à Viana. Chamavam-se Benedito e Nicolau (os nomes são fictícios para preservar a identidade dos protagonistas).
Lá, Benedito “tomou gosto com uma viúva”. Ela contou para seus irmãos, que a orientaram a marcar um encontro depois das 22 horas em sua residência com o saliente. A mulher marcou o encontro e os irmãos ficaram de tocaia dentro da casa esperando o sujeito, que chegou acompanhado do parceiro.
Logo, a dupla estava amarrada igual a porcos para o abate. Sobre a mesa havia, de um lado uma faca e um revólver destinados ao Benedito, por ser o autor do insulto. Do outro lado, um prato de pimenta malagueta e uma garrafa de azeite de carrapato, à espera de Nicolau. Os dois teriam que escolher a sentença que mais lhes conviria. Benedito, optou pela faca. Deixaria um importante pedaço em Viana, mas preservaria a vida. Curau, preferiu o azeite de carrapato à pimenta malagueta, pois, além de não arder ainda faria uma limpeza intestinal. Terminado o serviço os vianenses soltaram a dupla, que caiu no mundo, voada.
Seguiram a longa estrada de volta pra casa, Benedito se esvaindo em sangue e Nicolau em merda. Benedito, quase não resistiu, mas como não era ainda sua hora, não morreu. Nicolau, intestino limpo, a saúde melhorou. Os dois até engordaram, depois do evento. Os cantadores de boi tiveram novo assunto para inspira-los, e no São João matracas e pandeirões apanharam na homenagem aos dois “heróis”:
“Eu não vou mais em Viana
Que é lugar de gente mau,
Caparam Benedito
E deram azeite a Nicolau”.
(Imagem Lago de Viana – Maranhão em clic de Richard Leite).
CASARÃO DAS FREIRAS
Por Francisco Viegas Paz*
Ao visitar Peri-Mirim, depara-se com uma cena que depõe contra a Administração Municipal. Trata-se da deterioração de um casarão adquirido pelo prefeito João França Pereira, há 43 anos. E até hoje, nenhuma providência, pelos demais prefeitos que o sucederam, foi tomada para sua utilização.
A prefeitura, por desleixo, nunca tratou de recuperar uma obra importantíssima para a cidade, como é o casarão. Ali serviu de residência para as freiras canadenses da Missão de Sherbrooke, que passaram a residir em Peri-Mirim, após a chegada da Missão em 15 de agosto de 1958.
A Academia de Letras, sensível ao visual da cidade e, por desejar recuperar para a própria Academia, emitiu um documento ao prefeito Heliézer, que negou a doação e propôs recuperar o prédio e instalar algumas secretarias nele. Mas até agora não foi feito absolutamente nada e, pelo visto, não o fará. Dessa forma recorre-se ao adágio popular que diz: “Não come, mas estraga”. E o estrago está feio, com o telhado totalmente destruído e as paredes cobertas pelo limo do abandono.
Quem conhece a história do casarão, lamenta tamanho infortúnio de uma obra que serviu de moradia às irmãs canadenses, as quais ajudaram no desenvolvimento educacional e espiritual dos jovens peri-mirienses na década de sessenta e setenta.
Certamente a sua recuperação e uso pela Academia de Letras, traria, novamente, grandes aprendizados aos jovens, escritores, artistas, etc. Além do mais, a sua faixada poderia ser em azulejo, melhorando assim, o visual da sede do município.
*Francisco Viegas Paz é natural de Peri-Mirim/MA, membro fundador da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), onde ocupa a cadeira nº 07, formado em Química pela Universidade Federal do Maranhão. Autor de vários artigos publicados em jornais; autor dos livros: Seminarista Graças a Deus; Curiosidades Históricas de Peri-Mirim; Peri-Mirim: 100 Anos de Emancipação e coautor de Ecos da Baixada.
A ACADEMIA PERIMIRIENSE SEGUE TRAJETÓRIA DE PARCERIAS E REALIZAÇÕES
Em Peri-Mirim, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) participou de vários eventos, conforme Agenda abaixo:
– Na manhã do dia 30/03/2023, membros da ALCAP, acompanhados da arquiteta Kellyanne Gomes, vistoriam a sala medindo 2,93×2,93m², cedida pelo Sindicato dos Profissionais da Educação e Servidores Municipais de Peri-Mirim (SINDPROESPEM) para instalação de uma minibiblioteca da ALCAP.
A presidente da ALCAP, Ana Creusa Martins dos Santos, destacou a importância do gesto de solidariedade do referido sindicato, por meio de seu presidente, Lourivaldo Diniz Ribeiro, pois a Educação não pode esperar! Estiveram presentes ao evento: Ana Creusa, Ana Cléres, Ataniêta, Francisco Viegas e Manoel Braga.
Ainda pela manhã, os membros da ALCAP reuniram-se com o Secretário Municipal de Assistência Social, Paulo Sérgio Corrêa. Na ocasião, o Sr. Secretário discorreu sobre vários projetos em desenvolvimento em sua pasta, especialmente na área de inclusão social dos vulneráveis. Os membros da ALCAP presentes demonstraram a necessidade da cessão de dois funcionários para atendimento aos leitores, com horário coincidente com o funcionamento do SINDPROESPEM.
O Secretário expôs que o desenvolvimento do ser humano por meio da educação é uma das molas propulsoras do desenvolvimento humano e social. Ficando acertado que a ALCAP expedirá ofício para oficializar o pleito.
Ainda na manhã do dia 30/03/2023 às 19 horas, reuniram-se, informalmente, na casa de Edmilson José (Nenco), Ana Creusa, Nani, Tatá e Bordalo, para tratar dos assuntos atinentes aos detalhes para instalação do embrião da “Biblioteca ALCAP Professor Taninho“, cujo nome foi escolhido por votação entre os membros da ALCAP.
Em seguida, a comitiva da ALCAP se fez presente à Gincana Cultural da Escola Alda Ribeiro Corrêa (ARC), com abordagem sobre a história, geografia e cultura do município de Peri-Mirim. O acadêmico Raimundo Martins Campêlo, detentor da Cadeira nº 03 da ALCAP, visivelmente emocionado, apresentou um histórico sobre a fundação e principais ações da agremiação nesses quatro anos de existência.
Alda Ribeiro Corrêa, diretora geral da Escola atuou como cerimonialista do evento muito rico em informações. A exposição de interessante que apresentou desenhos, pinturas, materiais diversos da cultura local, bem como oportunizou aos alunos muitos conhecimentos. Em sua fala, a presidente da ALCAP, Ana Creusa, destacou a importância da Educação no desenvolvimento de um povo.
– 31/03/2023 (sexta-feira) – participação nas homenagens aos 104 anos da emancipação de Peri-Mirim. Foram convidados ao palanque de apresentação do evento, Ana Creusa e Francisco Viegas, que contou com a presença do prefeito e da secretária de Educação, Zaine Ferreira.
Durante o desfile cívico, a Escola São João Batista, localizada no bairro de Portinho, sob a narração da acadêmica Elinalva Campos o desfile foi coroado de êxito. homenageou o Professor João Batista Pinheiro Martins (in memoriam), bem como apresentou uma linda ala representando as obras publicadas pelos acadêmico: Ana Creusa; Flávio Braga; Francisco Viegas e Eni Amorim.
Do Colégio Carneiro de Freitas, o cerimonial ficou por conta de Maria de Lourdes Campos que já foi homenageada pela ALCAP em decorrência do Prêmio do Mérito Cultural. A Escola de Lordes homenageou o ex-secretário de Educação Municipal, José do Carmo França . Os alunos recitaram versos com base na biografia do ex-secretário. Também apresentou outras manifestações culturais como bumba-meu-boi. Momento de muita emoção, quando algumas alunas representaram as quebradeiras de coco.
A Acadêmica Nasaré Silva, durante o desfile cívico narrou a apresentação da Escola Cecília Botão que, de modo geral: tratou da evolução da educação de Peri-Mirim. Também foram foram adicionados outros subtemas, como: literatura de Peri-Mirim, geografia e política, cultura, economia. O tema escolhido foi: Peri-Mirim: 104 anos de emancipação política e o homenageado foi o ex-secretário de educação, cultura, esporte e lazer Nelsolino Silva

MARANHÃO: A PARTIR DE 1º DE ABRIL HOUVE AUMENTO DA ALÍQUOTA MÉDIA DO ICMS DE 18% PARA 20%
Fonte: https://sistemas1.sefaz.ma.gov.br/portalsefaz/files?codigo=22048
Rosa Mochel: Uma Pioneira na Agronomia do Maranhão
Por José Augusto Silva Oliveira *
Rosa Mochel Martins nasceu no Município de Miritiba, hoje Humberto de Campos, em 19 de janeiro de 1919. Nos versos do poema MIRITIBA SEMPRE, os nossos olhos descobrem uma declaração de amor e de gratidão à cidade em que ela nasceu: “Um porto, um igarapé/Barcos ancorados, velas a secar/ Crianças rolam nas areias do morro/ E se jogam nas águas salobras do Periá// Miritiba// Ali nasci/ Ali vivi a minha infância/ Abrindo os caminhos para a adolescência”.
Rosa Mochel era a oitava filha do casal José Augusto Mochel e Ercília Rodrigues Mochel. Casou-se com o Engenheiro Agrônomo Ezelberto Martins. Professora Normalista, Geógrafa e Historiadora, foi a primeira mulher do Estado do Maranhão a formar-se em Engenharia Agronômica.
Segundo o Engenheiro Agrônomo Lourenço José Tavares Vieira da Silva, idealizador e fundador da Escola de Agronomia do Maranhão, hoje incorporada à estrutura da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, Rosa Mochel Martins iniciou o curso de Agronomia no Maranhão, na década de 40. A iniciativa logo se encerrou com não mais do que uma ou duas turmas, o que a levou a concluir seus estudos no Rio de Janeiro.
A Engenheira Agrônoma Rosa Mochel integrou o quadro de profissionais do Ministério da Agricultura, como Assessora Técnica. À mercê de sua formação acadêmica, ocupou diversos cargos na estrutura do Governo do Estado do Maranhão.
Com cursos de especialização e aperfeiçoamento, o de Aperfeiçoamento de Professores para o Magistério, Curso de Professores de Geografia de Ensino Superior, Curso de Folclore, Curso de Agricultura, entre outros, Rosa Mochel foi Engenheira Agrônoma da Seção de Genética da Universidade Rural do Rio de Janeiro, Chefe do Campo de Sementes dos municípios de Codó e Coroatá, no Maranhão, e do Setor de Agrostologia da Granja Barreto, em São Luís.
Entusiasta da natureza, Rosa Mochel atuou fortemente na defesa do meio ambiente. Criou um horto florestal, no bairro Maracanã, zona rural de São Luís. Nele, cultivou diversas espécies, cujas sementes eram objetos de doação o que era feito com o intuito de contribuir para a preservação ambiental local, num papel de vanguarda na defesa do meio ambiente.
Em EM BUSCA DA PRIMAVERA, obra de Rosa Mochel, publicada em 1977 e que integrava o Programa de Ação Cultural do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado do Maranhão – SIOGE, o então administrador dele, acadêmico Jomar Moraes, assim apresentou a autora: “Autora, entre muitos trabalhos, do livro CONHEÇA O MARANHÃO, Rosa Mochel Martins ama a natureza, distribui sementes, incentiva o artesanato, pesquisa manifestações folclóricas, escreve teatro, planta flores ou denuncia, como neste oportuno texto, as distorções que ferem de morte a natureza, numa época em que é necessário preservá-la”.
Dois pequenos belos trechos de EM BUSCA DA PRIMAVERA são reveladores das considerações feitas por Moraes: “[…] O menino morava em frente a uma pequena praça circundada de grosseiros bancos de cimento bastante danificados. De espaço a espaço, contavam-se trinta quadras dos abertos no chão para conterem árvores. Das trinta mudas ali plantadas, doze morreram, quatorze sumiram como por encanto e quatro conseguiram sobreviver. Uma, a que ficava defronte de sua casa, era a mais frondosa. As três restantes, deformadas pela falta de proteção, não chegaram a alcançar dois metros. Aquele, decididamente, não era o melhor meio para abrigar andorinhas”; “[…] Plantando e protegendo árvores, talvez a primavera chegasse mais depressa e com ela, as andorinhas”.
Seguindo a obsessão de Rosa Mochel pelo meio ambiente, foi criado, em 1988, há 35 anos, portanto, o Herbário da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, como espaço das aulas práticas do Curso de Agronomia. Desde 2009, ele está registrado na Rede Brasileira de Herbários da Sociedade Botânica do Brasil – SBB como Herbário Rosa Mochel. A partir do ano de 2010, ele passou a integrar o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do MCT – Herbário Virtual da Flora e dos Fungos do Brasil.
O acervo possui cerca de 7 mil amostras de material botânico. O Herbário Rosa Mochel tem como missão conhecer e conservar a flora do Estado do Maranhão, atendendo alunos de graduação, pós-graduação, pesquisadores e bolsistas da UEMA e de outras instituições, e a comunidade escolar em geral.
Para mais, a Fazenda Escola do Campus de São Luís da UEMA, espaço para a pesquisa e experimentação dos cursos da área de Ciências Agrárias, mantém a Reserva Florestal Rosa Mochel.
Em homenagem à Professora Rosa Mochel, existe a Unidade Integrada de Ensino Rosa Mochel Martins, situada no bairro da Vila Embratel, em São Luís. Em Humberto de Campos, a Biblioteca Municipal também leva o nome dela.
No Maracanã, em conjunto com a comunidade local, Rosa Mochel criou e organizou o que vem a ser hoje a tradicional Festa da Juçara, realizada anualmente no mês de outubro.
Professora normalista, Geógrafa e Historiadora (Bacharelado), esteve à frente da Secretaria de Educação e Ação Comunitária de Toponímia para a Conservação do Patrimônio Histórico do Município de São Luís, onde desenvolveu abrangente e arrojado programa, cujo objetivo principal era o de despertar as potencialidades da gente maranhense numa linha de preservação dos mais autênticos e mais representativos valores culturais do Estado, com ações voltadas, sobremaneira, para a educação de crianças e jovens.
Em O MUNDO LENDÁRIO DO HOMEM, a autora relata o que se diz por aí: “[…] nas calçadas altas das casas de interior, nas horas de uma roçada, no semissilêncio da espera do peixe ou da caça, nos largos de festa e até nos velórios, que tudo é motivo para relembrar o acontecido ou não, com os enfeites da imaginação humana. Talvez gostosas mentiras que caíram no ‘gosto’ e se popularizaram”.
Para Rosa Mochel, “Lendas sempre existirão. Elas nascem da imaginação popular”. Ela as retrata em O MUNDO LENDÁRIO DO HOMEM, desde o Dom Sebastião perdido na costa maranhense àquela terra em mãos dos soldados portugueses transformada, como por encanto, em pólvora que reabastece as armas no Milagre da Guaxenduba, não sem antes lembrar que “[…] em dias de sexta-feira, à meia-noite, sai uma procissão do cemitério. São os escravos sacrificados por dona Ana Jansen, rezando e pedindo o castigo à culpada. Percorre essa procissão as principais ruas de São Luís com velas acesas e regressa depois ao lugar santo”.
Rosa Mochel exerceu o magistério como Professora do Liceu Maranhense, do Colégio de São Luís, do Instituto Rosa Castro, da Escola Técnica do Comércio e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC.
Foi também, na década de 70, membro do Departamento de Geografia e Estatística da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, atuando como docente e Assessora Técnica do Programa Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária (CRUTAC), criado em 1965, com o objetivo de formar profissionais adequados às exigências das áreas interioranas do Brasil.
Auxiliou o Geógrafo e Engenheiro maranhense e um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM, Dr. José Eduardo de Abranches Moura (irmão de Dunshee de Abranches) na elaboração da nova “Carta do Estado”.
Foi executante de estudos das linhas divisórias e demarcações dos municípios de Coelho Neto, Buriti, Urbano Santos, Humberto de Campos, Pastos Bons, Mirador, Colinas, Pedreiras, entre outros.
Em 3 de novembro de 1969, por meio da Lei Nº 3.003, regulamentada pelo Decreto Nº 4.045, de 12 de dezembro do mesmo ano, foi criada a Escola de Agronomia do Maranhão como entidade autárquica estadual, com autonomia orçamentária, administrativa e didática, com sede em São Luís. Em menos de uma década de existência, a Escola de Agronomia do Maranhão recebeu autorização de funcionamento do Conselho Estadual de Educação, em 30 de setembro de 1970 e, posteriormente, foi reconhecida como Instituição de Ensino Superior, em sessão plenária do Conselho Federal de Educação, em 30 de abril de 1974.
A Portaria Nº 002/70, de 04 de maio de 1970, nomeava Professor-Assistente da Escola de Agronomia do Maranhão a Professora Rosa Mochel Martins, para a Cadeira de Desenvolvimento de Comunidade.
Apresentou a Professora. Rosa Mochel o seguinte currículo: “Rosa Mochel Martins, Engenheiro Agrônomo. Bacharel e Licenciada em Geografia e História pela Faculdade de Filosofia de São Luís do Maranhão (1961). Curso de Aperfeiçoamento de Professores promovido pelo Departamento Nacional de Serviço Social da Indústria (1964). Curso de Avicultura Doméstica (prático), realizado em 1966. Exercício de Magistério nas disciplinas: Complementos Humanísticos e Problemas do Desenvolvimento Brasileiro, na Escola de Engenharia do Maranhão”.
Com sensibilidade para as artes, criou o Centro de Artes Japiaçu (1972) e a Casa de Alice, onde eram oferecidos cursos voltados ao artesanato, música e teatro, além de desenvolver trabalhos com artesões e artistas.
Rosa Mochel Martins conciliou, brilhantemente, as atividades técnicas e artísticas, sendo autora de diversos poemas, poesias, contos, peças teatrais e músicas, entre os quais o poema “O Globo e a Primavera”, onde se tem: “Outras Primaveras virão/ porque o globo gira, gira/e caminha sempre/ para onde não sei/ Estou nele/ Ando com ele/ e sei que é só uma vez”.
Em “De Quem é o Arroz”, revela a expropriação do pequeno lavrador: “João roçou/ João plantou/ João apanhou/ O arroz douradão/ Depois o Chefão/ Não deixou João socar o arroz/ No seu pilão/ De quem é o arroz/ Que João plantou? Será de João?/Ah! Isso é que não/ O arroz de João/ Não chega ao pilão/ O chefe é chefão/ João é peão”.
Rosa Mochel foi agraciada com a Medalha do Mérito Agronômico pela Sociedade de Engenheiros Agrônomos do Maranhão; Medalha Comemorativa do Nascimento de Alberto Santos Dumont pelo Ministério da Aeronáutica; Medalha Gonçalves Dias pela Academia Maranhense de Letras; Diploma de Honra ao Mérito pelo Ministério da Educação – Fundação Mobral.
Rosa Mochel tem vários trabalhos publicados em suas diversas áreas de atuação. Dentre eles, o famoso CONHEÇA O MARANHÃO, de caráter pedagógico, publicado no início da década de 70.
Foi membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão –IHGM e ocupou, naquele sodalício, a cadeira de número 09, patroneada pelo historiador e administrador colonial Bernardo Pereira de Berredo e Castro (foi governador do Estado do Maranhão, de 1718 a 1722).
Rosa Mochel faleceu no dia 2 de fevereiro de 1985, na cidade de São Luís.

