AMÉLIA FERRARI, UMA REFERÊNCIA NA EDUCAÇÃO DE ORIXIMINÁ

Por Ângelo Ferrari*
 
Nascida em 1942 no lago Sapucuá, na comunidade Amapá, em Oriximiná, a Professora Amélia Ferrari, minha mãe, sempre foi uma referência sobre Educação para nossa família e na região do Baixo Amazonas.

Era uma época onde tudo era precário, onde até o deslocamento era complicado, as pessoas em suas pequenas embarcações levavam dois, três dias de canoa até o centro de Oriximiná, remando, já que ter uma embarcação motorizada era um privilégio para poucos e as embarcações maiores eram em menor número. Se atualmente as escolas ainda são precárias, imaginem naquela época em que não havia os recursos disponíveis que se tem hoje.

Estudar era difícil, mas desde cedo, meus avós, já preocupados com a educação da filha, mandaram minha mãe para a capital, Belém, onde ela estudou até se formar em Magistério, quando decidiu voltar para Oriximiná e exercer a docência, uma das mais belas profissões e, na minha opinião, a mais importante de todas, que é a de professora.

Uma memória que merece respeito, uma história irretocável, de índole e reputação ilibada. E é assim que eu, minha família e o povo de Oriximiná vamos sempre lembrar da nossa matriarca. Uma mulher de luta, honesta e, sobretudo, apaixonada pela Educação.

* Ângelo Ferrari é filho Amélia Ferrari, natural de Oriximiná/PA, Deputado Estadual. Informações de contato: E-mail: ascom@angeloferrari.com: e http://www.angeloferraripa.com/

O GRANDE AMOR DE GONÇALVES DIAS

Ana Amélia Ferreira do Vale nasceu em São Luís em 1831. Filha do comerciante português Domingos José Ferreira Vale e Lourença Francisca Leal Vale. Seu pai, Domingos nasceu na freguesia de Santa Isabel, cidade de Lisboa, no dia 18 de julho de 1785. Jovem veio com a família para o Maranhão. Trabalhou como caixeiro e depois contador da firma de Ricardo Nunes Leal, onde conseguiu sucesso e fortuna. Casou-se com Lourença, sobrinha de seu patrão Ricardo Leal, em 1813 em São Luís. Lourença Leal vem de uma família tradicional de ricos comerciantes estabelecidos no Maranhão. Filha do português Antônio Henriques Leal (o velho) e da maranhense Ana Rosa de Carvalho.

Fonte: https://eziquio.wordpress.com/

https://www.instagram.com/anacreusamartins/

GONÇALVES DIAS: O PEDIDO DE CASAMENTO

[São Luís, 1851]

A dona Lourença Ferreira do Vale,

Estou por momentos à espera do vapor, em que hei de partir para o Ceará: por este motivo, e porque a minha demora já tem sido bastante longa, não posso ir a Alcântara pedir-lhe as suas ordens nem para falar-lhe de um negócio que me interessa, e sobre o qual me permitirá de a ocupar por alguns momentos. Parecer-lhe-ei importuno e impertinente: por isso também para escrever-lhe esta, preciso de recordar-me da bondade suma com que me tem tratado.

Para lhe falar sem rodeios, a que estou pouco acostumado, eis o de que se trata: peço-lhe dona Ana Amélia em casamento. Fazendo-lhe semelhante pedido, quero, e é do meu dever, ser franco. Não tenho nem a ambição de figurar na política do meu país nem o amor de fazer fortuna, e quando se desse o contrário faltar-me-ia ainda a habilidade, o jeito para alcançar ambas, ou qualquer destas coisas. Assim parece-me que nem chegarei a ter mais do que hoje tenho, sendo difícil que venha a ter menos, nem valerei mais do que hoje valho, que é bem pouco. Não desconheço que outros, e decerto melhores partidos, se oferecerão para sua filha: a única compensação que lhe posso oferecer, mas que não sei se a julgará suficiente, é que me parece ter conhecido quanto ela por suas qualidades se recomenda, e querer lisonjear-me de que a trataria quanto melhor pu­desse, bem que não quanto ela merece. Rogo-lhe, pois, que não veja neste meu pedido atrevimento da minha parte; porém o desejo grande que tenho de me ver ligado com uma família, a quem por tantos motivos respeito e sou obrigado, e a uma pessoa a quem desejaria ter por companheira.

Sendo afirmativa a sua resposta, voltarei do Rio, tendo assegurado de alguma forma o meu futuro, e o mais breve que puder para aceitar o seu favor, e beijar-lhe as mãos por ele. No caso contrário posso asseve­rar-lhe que acostumado de há muito a sofrer reveses na vida, não será este dos menores. Procurarei persuadir-me que algum motivo mais forte que a sua natural bondade terá obstado ao seu consentimento, e consolar-me-ei com a lembrança de que me esforcei por alcançar a mão de sua filha, se não fui digno de a merecer.

Anais da Biblioteca Nacional: correspondência ativa de Gonçalves Dias. Rio de Janeiro: Divisão de Publicações e Divulgação de Biblioteca Nacional, 1971, p. 132. https://correio.ims.com.br/

 

EU, BAIXADEIRO DA GEMA!

Por Zé Carlos Gonçalves

Às vezes, vago perdido

                         de mim …

  

 as mais fantásticas belezas

                  não me encantam     

                         não me dizem    

               não me satisfazem!

 

    carrego comigo o verde,

                             terra-mãe,

                   mais e sublime,

                               e

                             o azul,

               mais vivo e alentador,

                  a me enfeitiçarem

                  no calor chamante

                       da curacanga!

 

   devaneio pelas trilhas,

           cheias de mistérios

                           e

                    sabenças,

          dos infindos campos,

             que me forjaram   

              menino e poeta,

             nas horas vagas

             de todos os dias!

 

   ouço,

      em todos os instantes,

        os “ecos da Baixada”

          a me confessarem

           a sagrada origem

                         e

          a me sussurrarem

           o amor materno,

               que me vela

                         e

                me conduz!

 

   atendo ao chamado

             do tambor grande

   queimo palhinhas,

           para alegrar os Reis

   tiro jóia para o divino    

                 Espírito Santo

   faço falar a matraca,

             a acordar São João

   passo fogueira,

          a reafirmar a amizade

   revivo presépios,

        a celebrar o Nascimento

   jogo pião, no terreiro santo

            da Floriano Peixoto

   sento na porta,

    a fortificar os meus laços

   sou o filhote,

         a não se desgarrar

               da ninhada!

 

   assim, sigo convicto

                  do que sou:

 

      baixadeiro da gema,

 

        comedor de beiju

                        de chibé

                       de murici

                      de juçara

                     de sarapó

                    de jaçanã                  

                   de bacaba                                 

                  de tapiaca

                 de marreca

                de surubim

               de mussum

              de baguinho

             de piaba frita

            de tarira seca

           de leite de bufa 

          de farinha dágua

         de angu com isca

        de bucho de sarro   

       de bolo de tapioca

      de café com farinha de galinha ao molho pardo                    

 de mandi no leite de coco

                       e             

           bebedor do Turi

                        do Mearim

                       do Pindaré

                      do Pericumã!

GONÇALVES DIAS: A ESCRAVA

O biem qu’aucun bien ne peut rendre,
O Patrie, ó doux nom que l’exil fait comprendre!
Marino Faliero

Oh! doce país de Congo,
Doces terras d’além-mar!
Oh! dias de sol formoso!
Oh! noites d’almo luar!

Desertos de branca areia
De vasta, imensa extensão,
Onde livre corre a mente,
Livre bate o coração!

Onde a Ieda caravana
Rasga o caminho passando,
Onde bem longe se escuta
As vozes que vão cantando!

Onde longe inda se avista
O turbante muçulmano,
O Iatagã recurvado,
Preso à cinta do Africano!

Onde o sol na areia ardente
Se espelha, como no mar;
Oh! doces terras de Congo,
Doces terras d’além-mar!

Quando a noite sobre a terra
Desenrolava o seu véu,
Quando sequer uma estrela
Não se pintava no céu;

Quando só se ouvia o sopro
De mansa brisa fagueira,
Eu o aguardava — sentada
Debaixo da bananeira.

Um rochedo ao pé se erguia,
Dele à base uma corrente
Despenhada sobre pedras,
Murmurava docemente.

E ele às vezes me dizia:
— “Minha Alsgá, não tenhas medo:
Vem comigo, vem sentar-te
Sobre o cimo do rochedo.”

E eu respondia animosa:
— “Irei contigo, onde fores!”
E tremendo e palpitando
Me cingia aos meus amores.

Ele depois me tornava
Sobre o rochedo — sorrindo:
— “As águas desta corrente
Não vês como vão fugindo?

“Tão depressa corre a vida,
Minha Alsgá; depois morrer
Só nos resta!… — Pois a vida
Seja instantes de prazer.

“Os olhos em torno volves
Espantados — Ah! também
Arfa o teu peito ansiado!…
Acaso temes alguém?

“Não receies de ser vista,
Tudo agora jaz dormente;
Minha voz mesmo se perde
No fragor desta corrente.

“Minha Alsgá, por que estremeces?
Por que me foges assim?
Não te partas, não me fujas,
Que a vida me foge a mim!

“Outro beijo acaso temes,
Expressão de amor ardente?
Quem o ouviu? — o som perdeu-se
No fragor desta corrente.”

Assim praticando amigos
A aurora nos vinha achar!
Oh! doces terras de Congo,
Doces terras d’além-mar!

Do ríspido Senhor a voz irada
Rábida soa,
Sem o pranto enxugar a triste escrava
Pávida voa.

Mas era em mora por cismar na terra,
Onde nascera,
Onde vivera tão ditosa, e onde
Morrer devera!

Sofreu tormentos, porque tinha um peito,
Qu’inda sentia;
Mísera escrava! no sofrer cruento,
“Congo!” dizia.


Fonte: https://vinteculturaesociedade.wordpress.com/. Foto de destaque: Aqualtune foi uma princesa congolesa escravizada no Brasil e líder quilombola à frente de um dos 11 mocambos do Quilombo dos Palmares, que resistiu ao regime colonial por cerca de 130 anos, ela é avó de  Zumbi dos Palmares.

Foto de quadro em memorial na OAB/MA.

PERI-MIRIM: Associação dos Moradores do Quilombo Pericumã discute a implantação de projetos

No sábado, dia 18/03, a AMQUIPÉ (Associação dos Moradores do Quilombo Pericumã), esteve reunida. Na ocasião tratamos de vários assuntos.

Fizemos um histórico da nossa associação reconhecendo que, apesar de muitos erros, nós devemos muito ao Senhor Simeão Gonçalves.

Fizemos, também, uma retrospectiva do nosso conflito com Ariolando Braga. Explicamos que a Justiça é o caminho que buscamos para a solução dessa disputa.

Definimos que a nova diretoria fará uma atualização no quadro de associados e estabelecemos que a mensalidade será de RS 10,00. Definimos alguns critérios para um projeto de casas do programa Minha Casa Minha Vida. Terão prioridades quem mora em casa de taipa, quem já tem família, mas vive agregado em casa de pai e mãe e as mães solteiras. Tem que ser filhos do lugar e sócio da associação.

Lamentamos a ausência do Secretário de Ação Social, Paulo Sérgio, que não pôde comparecer. Vamos marcar uma nova reunião com a presença dele. Contamos com a presença de Geilsa Ferreira, Secretária de Igualdade Racial do Município. Tivemos, ainda, a grata presença de Maria de Antônia que é filha do lugar, é formada em psicologia e se colocou à disposição da associação para contribuir em nossa caminhada.

Projeto Memorial Gonçalves Dias: uma estratégia de articulação entre a organização de arquivo e pesquisa biográfica e bibliográfica.

Por Wybson Carvalho*

Resumo:

Apresentação do projeto Memorial Gonçalves Dias se propõe a organizar e divulgar o legado cultural e a memória do poeta, teatrólogo, pesquisador, e advogado.
O projeto prevê a instalação de um Centro de Documentação para catalogar o acervo de Gonçalves Dias; de um Portal na Internet para disponibilizar em uma base de dados online o acervo histórico do homenageado; a redação da Biografia Oficial, iniciada através de pesquisa do próprio centro de documentação; e a instituição de um Memorial, um espaço museográfico e cultural permanente.

1 Introdução e Justificativa:

Salvaguardar a memória de Gonçalves Dias, através de um projeto à altura de sua expressão nacional, é uma aventura comparável apenas à sua própria trajetória. Mas é preciso fazê-lo, urgentemente, com o mesmo espírito audacioso que sempre o caracterizou. Primeiro porque, se protelarmos essa empreitada, corremos o risco de desperdiçar a documentação que hoje está dispersa. Da mesma forma, temos urgência na reconstrução de sua memória a fim de termos subsídios para organizar sua biografia e o país compreenderá com profundidade a história desse imortal.

Em segundo lugar, não podemos deixar escapar a oportunidade de celebrar, e, potencializar, a possibilidade de uma boa execução desse projeto, pode se tornar um símbolo para despertar no país o interesse pela obra e memória Gonçalvina.

A cidade de Caxias – MA, atualmente, também, oferece as melhores condições para constituir-se no centro irradiador desse trabalho. A cidade concentra um grande número de conterrâneos do poeta, que querem conhecer a sua biografia e bibliografia e, principalmente, conviver com a memória de Antônio Gonçalves Dias. A região da Mata do Jatobá, distrito municipal da circunvizinha cidade de Aldeias Altas foi o cenário escolhido pela natureza para que ele nascesse, e a própria cultura regional já revela muito interesse do conhecimento intelectual que permeou sua obra e que pode ser conhecida, através de oficinas e envolvimento para apoiar a logística do projeto.

Enfim, simultânea à urgente demanda por um trabalho sólido, amplo e permanente que faça jus à vida pública do poeta e seu berço natal, temos todas as condições físicas e humanas para a execução desse projeto.

2 Objetivos Gerais:

2.1 Instituir um centro de referência documental para conservar o acervo histórico de Antônio Gonçalves Dias e apoiar pesquisadores e pessoas interessadas em sua vida e produção intelectual;
2.2 Constituir um site oficial de informação on-line e multimídia sobre Antônio Gonçalves Dias, organizando na Internet um banco de dados inédito com textos, documentos, fotos e arquivos multimídia sobre o escritor;
2.3 Estabelecer no país um livro de referência sobre Antônio Gonçalves Dias;
2.4 Criar um espaço museográfico sobre sua a vida e obra, abrangendo também documentação sobre a cultura da região.

3 Procedimentos gerais:

Com o objetivo de preservar e divulgar o legado cultural do escritor, o Projeto “Memorial Gonçalves Dias” propõe quatro programas que se darão de forma gradual e simultânea. São eles:

3.1 – Instituição do Centro de Documentação Gonçalves Dias;
3.2 – Desenvolvimento na Internet do Portal Gonçalves Dias;
3.3 – Pesquisa, redação e publicação da Biografia Oficial de Gonçalves Dias;

3.4 – Instalação do Memorial Gonçalves Dias.

A verdadeira concretude em homenagem a Gonçalves Dias

Brasileiros, maranhenses e, particularmente, caxienses; pois bem, neste ano de 2023 no qual o poeta Gonçalves Dias, 10 de agosto, completará para nós e para o mundo dois séculos de vida à eternidade literária, além de, em nossa Caxias, haver desde já espontâneas manifestações nas mais diversas linguagens artístico-culturais pelos fazedores de cultura locais, é imprescindível criarmos um Projeto Memorial Gonçalves Dias a fim de proporcionarmos uma estratégia de articulação entre à organização de arquivo e pesquisa biográfica e bibliográfica.
Apresentação à criação do projeto Memorial Gonçalves Dias se propõe a organizar e divulgar o legado cultural e a memória do poeta, teatrólogo, pesquisador, e advogado.
O projeto prevê a instalação de um Centro de Documentação para catalogar o acervo de Gonçalves Dias; de um Portal na Internet para disponibilizar em uma base de dados online o acervo histórico do homenageado; a redação da Biografia Oficial, iniciada através de pesquisa do próprio centro de documentação; e a instituição de um Memorial, um espaço museólogo e museográfico e cultural permanente.

* Wybson José Pereira Carvalho é membro fundador da Academia Caxiense de Letras, foi radialista, jornalista. Atualmente é escritor, poeta e funcionário público. Participou de duas antologias nacionais e de grandes saraus na capital São Luís. Gosta de escrever gêneros literários, contos e poesias.

O RIO SÓ QUER PASSAR

Por Gracilene Pinto

       É triste e realmente de se lamentar a situação dos ribeirinhos que passam pela tribulação das enchentes.

        De fato, isso ocorre de forma cíclica em todos os lugares onde moradias são erguidas às margens de rios e lagos.

        Mas é um fato também que o próprio homem cria essa situação para si.

        Todos sabem que na estação chuvosa os rios engrossam seu caudal. É o ciclo das águas, que faz parte da dinâmica da Natureza.

         Sabem também que nos anos mais rigorosos a pancada de chuva é violenta. No Maranhão, às vezes quase diluviana.

         Por tais razões, o leito dos rios não pode ser medido pelo que apresenta na estação seca.

         Desta forma, quem constrói nas proximidades das margens durante a estação seca, fatalmente estará sujeito à invasão das águas nos períodos de chuvas copiosas,  porque invadiu uma área que pertence ao rio. Simples assim!

           O leito é o domicílio natural do rio, mesmo quando não o está ocupando. Tanto quanto ninguém deixa de ser proprietário da sua casa quando está fora dela.

            A Natureza exige respeito, mas o ser humano não considera isso. Então, nos períodos de maior intensidade de chuvas, quando se enchem as cabeceiras dos rios, a água desce com violência, também sem consideração pelo que está à frente.

            É o ciclo natural das águas. É natureza cobrando o seu tributo, já que, verdadeiramente, foi ela a invadida em sua propriedade. O rio só quer passar!

            Eu só desejo que a misericórdia divina venha em socorro da insensatez humana e que se consiga socorrer aos atribulados sem vítimas e com o mínimo de prejuízo material.

O CICLO DAS ÁGUAS

Por Gracilene Pinto

É triste e realmente de se lamentar a situação dos ribeirinhos que passam pela tribulação das enchentes.

De fato, isso ocorre de forma cíclica em todos os lugares onde moradias são erguidas às margens de rios e lagos.

Mas é um fato também que o próprio homem cria essa situação para si.

Todos sabem que na estação chuvosa os rios engrossam seu caudal. É o ciclo das águas, que faz parte da dinâmica da Natureza.

Sabem também que nos anos mais rigorosos a pancada de chuva é violenta. No Maranhão, às vezes quase diluviana.

Por tais razões, o leito dos rios não pode ser medido pelo que apresenta na estação seca.

Desta forma, quem constrói nas proximidades das margens durante a estação seca, fatalmente estará sujeito à invasão das águas nos períodos de chuvas copiosas, porque invadiu uma área que pertence ao rio. Simples assim!

O leito é o domicílio natural do rio, mesmo quando não o está ocupando. Tanto quanto ninguém deixa de ser proprietário da sua casa quando está fora dela.

A Natureza exige respeito, mas o ser humano não considera isso. Então, nos períodos de maior intensidade de chuvas, quando se enchem as cabeceiras dos rios, a água desce com violência, também sem consideração pelo que está à frente.

É o ciclo natural das águas. É natureza cobrando o seu tributo, já que, verdadeiramente, foi invadida em sua propriedade.

Eu só desejo que a misericórdia divina venha em socorro da insensatez humana, e que se consiga socorrer aos atribulados sem vítimas e com o mínimo de prejuízo material.

Academia Maranhense de Letras discute planos para a celebração do aniversário de Gonçalves Dias em reunião no Palácio Cristo Rei

Na sexta-feira, 10, o reitor da Universidade Federal do Maranhão, Natalino Salgado, se reuniu com representantes da Academia Maranhense de Letras no Palácio Cristo Rei com o objetivo de planejar a comemoração dos 200 anos de Gonçalves Dias, poeta maranhense considerado um dos maiores expoentes da literatura romântica brasileira do século XIX, nascido em 10 de agosto de 1823. Na ocasião, os membros da AML realizaram uma visita ao Memorial Gonçalves Dias, espaço organizado pela UFMA em parceria com o Governo do Maranhão. Inaugurado em setembro de 2022, o memorial reúne obras e curiosidades sobre a vida e a produção literária do poeta.

A reunião foi dirigida por Lourival de Jesus Serejo Sousa, desembargador e presidente da AML. Segundo Serejo, o encontro marca um momento de maior integração entre a Academia e a Universidade. “Neste ano, toda a nossa programação gira em torno do bicentenário de Gonçalves Dias. Dessa forma, não podíamos deixar de vir aqui conhecer e nos envolver nessa iniciativa cultural da reitoria da UFMA”, comentou.

Para o desembargador, as contribuições de Gonçalves Dias para a cultura maranhense são profundas e imensuráveis. “Gonçalves Dias tem uma dimensão que extrapola o Maranhão e até mesmo o Brasil. Trata-se de um homem cuja vida era dedicada ao estudo e à pesquisa, que teve a alegria de, ainda vivo, ver seus livros publicados pelo mundo. É difícil encontrar um adjetivo para qualificá-lo, tamanha foi sua importância, não apenas como poeta, mas como etnólogo, historiador e pessoa”, ressaltou.

O reitor na UFMA e membro da Academia Maranhense de Letras, professor Natalino Salgado Filho, afirmou que a ideia para a comemoração do bicentenário envolve a participação da sociedade maranhense, por meio de sugestões de programação, visitas ao Memorial e publicações de obras consagradas do poeta. “O aniversário de Gonçalves Dias é um tema de muita relevância. Discutiremos os planejamentos das ações que tanto a UFMA quando a Academia vão organizar para que possamos ter uma comemoração altiva do nosso grande poeta”, pontuou.

Saiba mais

Considerado um dos melhores poetas do Brasil, Gonçalves Dias é patrono da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras. Filho do comerciante português João Manuel Gonçalves Dias com a brasileira Vicência Ferreira, Antônio Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823. Entre as funções que exerceu, foi professor de latim e história do Brasil no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, uma das principais escolas do período imperial e que se encontra em atividade até hoje.

Em terras cariocas, também foi um dos fundadores da Revista Guanabara, que tinha como um de seus colaboradores Machado de Assis. Trabalhou também escrevendo para vários jornais, como o Jornal do Comércio, a Gazeta Mercantil e o Correio da Tarde. Além disso, o autor também escreveu algumas peças teatrais.

Entre suas obras e poemas, estão a “Canção do Exílio”, “Primeiros Cantos”, “Os Timbiras, “Últimos Cantos” e “I-Juca Pirama”, em que este último é considerado o maior poema do romantismo brasileiro, dividido em dez partes e narrado em terceira pessoa. A obra é caracterizada pela fusão do dramático, do lírico e do épico.

Veja mais fotos da reunião e da visita ao Memorial:

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Por: Orlando Ezon; Produção: Alan Veras; Fotos: Karla Costa e Revisão: Jáder Cavalcante.

Fonte: https://portalpadrao.ufma.br/