INÍCIO DO INVERNO NA BAIXADA MARANHENSE

TAPETE VERDE NO RIO

Por Expedito Moraes

Amanhece chuviscando grosso. Durante a noite choveu tanto que alagou tudo. Nos campos, o capim ficou debaixo d’água. As águas escorrem pelos córregos até os igarapés, a correnteza é grande e leva tudo que encontra pela frente; animal afogado, galhos de árvores, estercos, troncos secos, derruba barreiras, arrasta tudo e despeja nos lagos e rios, assoreando os seus leitos.

Depois da tempestade, ouve-se o troar das águas despejadas pelos igarapés no rio. Nessa brenha mistura-se uma incômoda sinfonia executada por sapinhos, jias e cururus. Passam a noite nessa festa que só acaba com o raiar do sol. Acordo zonzo. Quase não dormi com toda essa barafunda. Ainda mais que, a embira que amarrava a meaçaba da porta da sala arrebentou com a força da trovoada e invadiu a sala, molhou a minha rede armada de um esteio à grade do meio me obrigando a desarmá-la e procurar outro lugar que não tivesse goteira.

Desço a escada para o terreiro e me deparo com um dos mais belos cenários do Rio Pindaré neste período. Estava coberto de um lindo tapete verde de uma margem a outra. Era início de janeiro.

SEM AMOR DE CARNAVAL!

Por Zé Carlos

Já vem chegando o carnaval. E, as loucuras, também. Há para todos e muitos gostos. O “império”, no entanto , é dos bêbedos, que desfilam altivos e livres de quaisquer perigos, pois “são os protegidos de Deus”, tais como as crianças, os professores e os carecas. Podem crer. É vero! Nessa insana passarela, arriscam-se alguns poucos mascarados, embora estejam “fora de moda”, a “assombrar” ninguém, já que os medos são outros. Alguns outros se trajam de mulher.

O que já não surpreende nem choca mais alguém, uma vez que a prática faz parte do cotidiano e “As Patifas” vêm, para “lavar a alma” de quem há muito queria. Quantos loucos de loló, e de outras coisitas mais, a reafirmarem “as lombras” de todo instante?! E, “no rabo” da última ala, surgem, meio sem graça, “os normais”. Se é que ainda haja alguém assim.

É dessa forma, portanto, que chega o carnaval. A nossa mais sadia e democrática loucura. A dose de coragem de quem é muito corajoso, ou não. A mais pura ilusão, a nos iludir que problemas não nos afetam. Muito pelo contrário, joga-nos confetes, ao preço dos últimos trocados ou do consignado em 06 parcelas, para dar a margem segura de garantir um novo e oportuno “socorro”, para o reveillon.

Assim, chega o carnaval, um pouco sem graça, afinal, “vivi” os salões de Dondona Soares, de Floriano Beckman, de Zé Pedro Amengol, do Casino, do Sindicato. “Vivi” a escola de samba Princesa da Baixada, as festas nas ruas, o samba pulsante e as contagiantes marchinhas.

Assim, chega o esfuziante carnaval e seus amores. Até porque ninguém é de ferro! Vem, pois, quebrando regras, quebrando tabus. Amores em todos os credos, em todas as cores, em todos os tons. Em especial, os desconhecidos e improváveis amores.

Assim, vem o velho carnaval, desconstruindo a sua máxima máxima: o “amor de carnaval não dura mais que três dias”. O que já era uma eternidade, para os dias de hoje, em que a ficada é “a pedida”. Só um flash, instantâneo e vazio, que não eterniza mais nem um amor de Carnaval!
Aí, vem o carnaval …

Academia Perimiriense: Reunião sobre a participação cultural no Festejo de São Sebastião

Ontem, 29/10/2022 às 9:15 na resistência de Raimundo Campêlo ocorreu uma reunião entre representantes da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) e a coordenadora do Festejo de São Sebastião, senhorita Laeny Oliveira,  para definição de participação cultural da ALCAP nos festejos de São Sebastião 2023.

A presidente da Academia, Ana Creusa, fez a apresentação da equipe da ALCAP presente à reunião. Em seguida Laeny Oliveira explanou o desejo de uma participação da Academia com um projeto de resgate histórico na linha de tempo da história da Paróquia São Sebastião e do Padroeiro da cidade.

Lembrando-se que os festejos religiosos ultrapassam a si mesmos como unidades temporais para religar o visível e o invisível, àquilo que está dentro e fora de um tempo, sempre buscando estabelecer laços comunitários e identidade étnica e tradição dentro das mais variadas relações de poder existentes na comunidade. Servem como um momento de confraternização coletiva entre as famílias e a comunidade trazendo ao grupo unidade e os reunindo em torno de um ritual que reflete o modo como o grupo vê o ambiente no qual está inserido bem como seu modo de organizar e traçar as estratégias de permanência do grupo enquanto comunidade.

A ALCAP comprometeu-se a buscar alternativas para montar um local para exposição dos livros dos autores da terra, bem como levantar informações que contribuam para a montagem da linha do tempo da história da Paróquia. Ficando acertado que a Academia fará suas atividades de demonstração no dia 15 de janeiro de 2023.

Em seguida, foram apresentados um pequeno recorte dos projetos da ALCAP: Prêmio Naisa Amorim, Clube de Leitura João Garcia Furtado e do Projeto Solidário João Deus Martins por seus respectivos gestores: Eni Amorim, Tatá Martins e Ana Cléres.

Ficou definido que haverão outras reuniões para as implementações do proposto pela coordenação do Festejo.

Presentes: Ana Creusa Martins, Ana Cléres Santos, Eni Amorim, Nani Sebastiana, Diego Nunes, Tatá Martins, Raimundo Campêlo, Francisco Viegas, Laeny Oliveira, José Maria Martins (convidado).

Após a reunião, o anfitrião Raimundo Campêlo e seu esposa ofereceram um delicioso lanche aos presentes. Todos saíram animados e certos de que a participação nas atividades do festejo de São Sebastião será uma oportunidade de apresentar um trabalho de resgate dos dados históricos e culturais, do qual tem se ocupado a academia desde a sua fundação em 2018.

PERI-MIRIM: Comunidades se preparam para as festividades da Semana da Consciência Negra

No último domingo, dia 23/10/22, a Coordenação do Território Quilombola Pericumã esteve reunida na comunidade Murutim. Novamente tratamos da organização da Programação da Semana da Consciência Negra.

Estiveram presentes as comunidades de Pericumã, Tijuca, Capoeira Grande, Pedrinhas, Rio da Prata e Murutim. Não compareceram e não justificaram a ausência Itaquipé, Malhada dos Pretos e Santa Cruz.

Tivemos a participação da Secretária de Igualdade Racial Geilsa Ferreira e do Secretária de Ação Social Paulo Sérgio. A programação ficou fechada da seguinte maneira:

Sábado, dia 19/11/22

Manhã teremos palestra sobre a saúde de comunidades negras com acadêmicos de Pinheiro. Vamos tentar oferecer alguns serviços como a aferição de pressão arterial e testes para HIV, Sífilis hepatite B e Hepatite C entre outros.

Tarde teremos o Torneio de Futebol Feminino.

Noite teremos uma celebração religiosa voltada para a temática do povo negro.

Domingo, dia 20/11/22

Manhã uma roda de conversa sobre a história do povo negro no Brasil e de forma especial em nosso Território. Nessa Roda de Conversa teremos a participação da ALCAP ( Academia de Letras, Ciências e Arte Perimiriense); da Secretária de Educação e da Amiga Maria que é filha do Murutim e trabalha na UFMA em Pinheiro.

Tarde teremos a rodada do Campeonato Quilombola.

Noite será a parte Cultural com várias apresentações das nossas diversas manifestações (Bandeira do Divino, Tambor de Criola, Bloco Carnavalesco, etc,). No evento, teremos um espaço especial pra D. Lenir de Pericumã apresentar as suas cantigas. Teremos, ainda, um espaço para o reggae se apresentar. Teremos, também, o desfile da Beleza Negra. O encerramento será com um cantor.

A coordenação pede o empenho de todos para que a nossa programação este ano seja bem melhor do que a do ano passado.

Texto Maninho Braga, Presidente da AMQUIPE (Associação dos Moradores do Quilombo Pericumã).

QUINTA AÇÃO DE GRAÇAS NA JUREMA: Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes Ecológicos

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense  (ALCAP) promoverá a segunda Edição da Feira de Troca de Mudas, Sementes e Saberes, durante a V Ação de Graças na Jurema, que será realizada no dia 19 de novembro de 2022, no Sítio Jurema no Povoado do Cametá, município de Peri-Mirim-MA.

A referida feira será realizada por meio do Projeto Plantio Solidário, que tem como gestora, Ana Cléres Santos Ferreira, com a colaboração de Ducarmo, as quais estão preparando um ambiente aprazível para receber a comunidade, que o idealizador da Ação de Graças José dos Santos, dispensou amor e devoção.

O objetivo da feira é ajudar a preservar a biodiversidade, promover a educação ambiental e estimular a alimentação saudável e orgânica. A feira foi idealizada por Jessythannya Santos.

As mudas foram fornecidas pelo Jardim Botânico da Vale S.A, UEMA, por meio do Prof. Dr. Gusmão Araújo e pela comunidade interessada na troca das mudas.

Além de mudas de hortaliças, legumes e vegetais, serão trocadas plantas ornamentais, como por exemplo, flores e cactos, bem como frutíferas e não frutíferas, plantas medicinais, sementes e muito conhecimento. Esperamos contar com a participação de engenheiro agrônomo ou outro especialista, para orientar as pessoas.

A 1ª edição da feira, conforme relatou a coordenação, foi muito bem aceita pela comunidade, pois agregou conhecimentos sobre cultivo e ecologia, os quais foram compartilhados pelos participantes.

Maranhão: o vexame nacional

A Unidade da Federação com menor taxa de pobreza em 2021 foi Santa Catarina (10,16%). No extremo oposto está o Maranhão, com a maior proporção de pobres (57,90%). Na análise do FGV Social, o Brasil foi dividido em 146 estratos espaciais: aquele com maior pobreza em 2021 é o Litoral e Baixada Maranhense, com 72,59% de habitantes nesta situação. Já Florianópolis concentra a menor população pobre do país, com 5,7%. Trata-se de uma relação de 12,7 para um, refletindo a conhecida desigualdade geográfica brasileira.

2012 – 66,84%

2013 – 67,15%

2014 -65,02%

2015 – 67,43%

2016 – 67,02%

2017 – 68,02%

2018 – 66,66%

2019 – 68,29%

2020 – 60,72%

2021 – 72,59%.

 

A Unidade da Federação com menor taxa de pobreza em 2021 foi Santa Catarina (10,16%). No extremo oposto está o Maranhão, com a maior proporção de pobres (57,90%). Na análise do FGV Social, o Brasil foi div

Peri-Mirim: A Associação dos Moradores do Quilombo Pericumã (AMQUIPE) elege sua nova Diretoria

Em Assembleia Geral realizada no sábado, dia 27/08/2022, na sede do Clube Juventude Junior, foi eleita a nova Diretoria da AMQUIPE (Associação dos Moradores do Quilombo Pericumã) que terá um mandato de três anos de acordo com o Estatuto da Entidade.

É Objetivo da nova Diretoria  buscar benefícios pra comunidade visando a melhoria na qualidade de vida de todos. A Diretoria ficou assim constituída:

Diretoria Executiva

Presidente: Maninho Braga

Vice-presidente: Simeão Gonçalves

Primeiro Secretário: Sandro da Cantanhede

Segundo Secretário: Marcia Araújo

Primeiro Tesoureiro: Claudiane Nogueira

Segundo Tesoureiro: Ana Silvia C. Barbosa

Conselho Fiscal:

Titulares:

Jose Augusto Silva

Patrícia Almeida

Dourizete Pereira (Zetinho)

Suplentes:

Taliane Freitas

Guilhermina Sá Neta (Guida)

Vadinho

A Assembleia foi muito representativa contando com um número expressivo de moradores. E tivemos as presenças importantes da Secretária de Igualdade Racial de Peri-Mirim a senhora Geilsa Ferreira, do representante da Secretaria de Direitos Humanos do Estado, o senhor Lourenço Silva, do representante do Sindicato dos Lavradores de Peri-Mirim o senhor Joquinha e do presidente da Associação do Quilombo Tijuca Walter Amorim.

SÃO VICENTE FÉRRER, UMA HISTÓRIA DE FÉ

Por Gracilene Pinto

Dizem que tudo começou quando o Capitão de El-Rei, Luís Gonçalo de Guimarães começou a procurar o lugar Jabutituba para seu descanso e recreação, levado pelo clima aprazível e águas piscosas. Tais fatores, juntamente com a fertilidade da terra, levaram outras pessoas a pedir Cartas de Sesmaria para ali fincar raízes.

Segundo a saudosa professora Zazinha Costa, foi isto o que ocorreu com um português de nome José Gomes da Costa, o qual se fixou no lugar chamado Tapuio, e, mais tarde, seus descendentes vieram a fundar a Vila de Frexeira, com um traçado topográfico igual ao centro histórico da cidade, no lugar onde antes havia um aldeamento indígena.

O crescimento econômico da região deve ter sido o fator primordial para que em 05/11/1805 a Rainha de Portugal assinasse uma Provisão Régia desmembrando territórios de São Bento e Viana para criação de uma nova Freguesia consagrada ao sacerdote e grande pregador espanhol. Assim nasceu a Freguesia de São Vicente Férrer do Cajapió, com dois Distritos, sendo primeiro o de Frexeira e o segundo de Cajapió. Em 25/10/1830, o Vigário encomendado Francisco de Paula e Silva, agindo em nome do Arcebispo do Maranhão, Dom Marcos Antônio de Sousa, deixou provisão para edificação da Igreja Matriz. E, em 27/08/1856 a Lei Provincial nº 432 elevou a povoação à categoria de Vila.

Considerando que as sedes dos dois Distritos já existiam quando da criação da nova Freguesia, só a cidade de São Vicente Férrer completará 217 anos em 05/11/2022, comprovadamente. Bicentenária, portanto, o que está sobejamente comprovado com provas documentais. E a autorização para edificação da sua Igreja Matriz completará 192 anos em outubro de 2022.

Assim como seu padroeiro, São Vicente Férrer tem uma história de fé e de amor. Não só no nome. Mas, também na luta daqueles que, eclesiásticos ou leigos, consagraram sua vida à praticar e propagar o Evangelho de Jesus, lutando por um futuro melhor, sem esquecer de preservar os valores primordiais ao ser humano, resistindo às vicissitudes e mantendo a esperança no futuro, sempre confiantes na Providência Divina. Sim, São Vicente também ofertou filhos seus à Igreja Católica para o labor clerical e a divulgação do Evangelho.

Esta é a nossa Terra da Carambola, terra dos campos verdes e piscosos, das festas e procissões, das lendas e dos serões, comemorando 166 anos de Município e duzentos e tantos anos de existência, onde o povo audaz e valente sempre leva à frente o estandarte do amor e da fé!
Parabéns.
Por: Gracilene Pinto
PASCOM, São Vicente Férrer-MA, Missa, 27 de agosto de 2022.

A SANTA MÃE DA CHAPADA

Por Zé Carlos

Nos confins da Chapada, em um casebre, extremamente magro e banguela, desprovido de viva e saudável agitação, arrastava-se uma anosa “cabôca”, ferozmente presa àquela cadência, que se confundia com o seu infindável dia. Entretanto, a vida, poucas vezes, despertava e lhe aparecia, a fim de manter aquela tênue centelha, acesa.

Restava-lhe só uma persistente réstia de vitalidade, enfim, que a impulsionava e a mantinha, em sua simplória existência. Sacra existência, a seguir permeada por “um tiquinho de branquinha”; por “galinhos de oriza, de arruda, de alecrim, de manacá”; por uma onipresente, inquebrantável e rubra figa; por duras penitências e orações; por muita e muita fé. Existência sagrada, a resgatar “amor perdido”, a amansar “amor bandido”, a desvendar sonhos, a espantar “mufina”, a quebrar “mal olhado” e a emendar “arca caída”. Verdadeiramente, a mais sacra existência de uma “velha e santa benzedeira”, vivificada em todo o seu encarquilhamento, como se o tempo estivesse a lhe marcar com todo o seu sofrer. O de agora e o de sempre.

Ali, naquele ambiente, macilento e anêmico, agarrava-se, sôfrega, às ladainhas, simples e dolentes, a invadirem o ocaso, desmaiante e saudoso de todas as campinas e seus mistérios. Então, o que lhe restava?! Só um minguado tudo! Um espectro de cachorro, perdido em tamanha magreza e em uns uivos mirrados; e a sua fiel companhia, a lhe consumir em sua vagareza. O cachimbo encardido, como tudo que ali havia. O copo curinga, encardido e amassado, de alumínio, que se fazia esquecido na chorosa e hirta estaca, à espera do guloso “mergulho” na salobra água do encardido pote. O prato, a colher, a xícara, o papeiro, a panela, a descansar, também encardidos, “num cofinho”, “de boca aberta”, dependurado bem “no seio” da cozinha, a lhe atestar a valia do tão pouco. Certamente, o seu verdadeiro tesouro.

Ali, naquela modorra, ia-se, com certeza, encontrar a nossa fiel “cumadre”, a nossa fiel “tia”, a nossa fiel “madrinha”, a nossa fiel “mãe do mato”, acocorada, ao lado de suas encardidas tacurubas, em sua “pose” de sempre, com a puída e única saia de chita entre as pernas, a soprar o turrento carvão, que teimava em não “apegar”. No entanto, em seus mistérios, despendia um bafo quente a lhe encher os olhos de um ardume persistente, envolto em um mar de cinza, que invadia a cozinha, toldando-lhe os ralos cabelos de muitos e muitos e muitos pontos esbranquiçados, a lhe atestarem o quanto foi árdua, e plena, a sua jornada.
E que jornada, a da “mãe” Cipriana!

Imagem da Internet.

PERI-MIRIM: Comunidade de Itaquipé recebe atenção especial da Coordenação do Território Quilombola de Pericumã

Relatório da Reunião do Território Quilombola Pericumã ocorrida no dia 13 de agosto de 2022 na Comunidade Itaquipé, sob a coordenação de Maninho Braga.

Estiveram presentes membros das comunidades de Itaquipé, Pericumã, Pedrinhas, Capoeira Grande e Rio da Prata. Seu João do Santa Cruz justificou a sua ausência. Não estiveram presentes e não justificaram a ausência Murutim, Tijuca e Malhada dos Pretos.

A abertura da reunião foi feita por seu Zé Domingos que é o presidente da associação do Itaquipé.  Ele deu as boas-vindas a todos e propôs que todos juntos rezássemos um Pai Nosso pra que a nossa reunião fosse bem sucedida, alcançasse seus objetivos na paz do senhor.

O principal objetivo da reunião era para tratarmos especialmente da comunidade de Itaquipé. Seu Zé Domingos  informou na reunião passada que estava achando a comunidade um pouco acomodada, sem interesse de participar das reuniões. Isso estava deixando a diretoria um pouco desanimada. Pedimos que ele fizesse um breve histórico da comunidade o que ele fez apresentando um documento muito bem elaborado com muitas fotos coloridas e com depoimentos das pessoas mais antigas do lugar que conta a historia do povoado.

Senhor Zé Domingos falou, ainda, que a relação da comunidade com o Dr. Genivaldo tem sido até certo ponto harmoniosa.  Não houve nenhuma tentativa de desapropriação da área pelo proprietário. Mas há a necessidade da regularização da posse da terra porque ninguém trabalha sossegado sabendo que a qualquer hora o dono pode entrar com um processo na Justiça solicitando a retirada dos moradores do lugar.

Informamos a todos que a partir do momento que a comunidade se auto determina como remanescentes de quilombo, o proprietário não pode mais mexer na terra só depois de tramitar ação na Justiça Federal e a comunidade perder a causa não comprovando ser remanescente de quilombo. 

Quanto à participação das pessoas nas reuniões falamos que essa é uma realidade de todas as comunidades. Todo mundo quer ter vantagens, mas na hora da luta do dia-a-dia, ninguém quer participar, são poucos os que se disponibilizam. É sempre assim em todos os lugares. Seja no sindicato, seja na associação. Bola para frente que a luta continua e não pode parar.

Tratamos, ainda, na reunião do Campeonato das Comunidades Quilombolas. Falamos da dificuldade de articular reunião com o Secretário de Esportes do Município. Diante disso, resolvemos marcar para o dia 20/08/2022, às 09:00h no Murutim uma reunião com todos os representantes de times e, se possível, com os lideres das comunidades. O Secretário de Esportes será convidado assim como a Secretaria de Igualdade Racial.  Foi informado, também, que a comunidade quilombola de Igarapé-Açu tem interesse em participar do campeonato. Eles serão convidados para a reunião no sábado.

Foi informado que a situação de Pericumã já esta bem encaminhada. Ou seja, deu resultado positivo a reunião realizada lá em Pericumã. A eleição da nova diretoria será em breve, provavelmente, na próxima reunião da Coordenação do Território, já teremos uma diretoria nova eleita.

Marcamos a próxima reunião da Coordenação para o dia 10 de setembro no Rio da Prata.

OBS: Tivemos mais uma vez a participação em nossa reunião do parceiro Fabinho, Secretário de Igualdade Racial de Bequimão.

Quanto à Programação da Semana da Consciência Negra, ainda não avançamos nada. Precisamos compor uma comissão pra elaborar uma proposta que será apresentada em breve para discursão.

Fonte: Coordenação do Território Quilombola Pericumã