SAUDADES

Por Zé Carlos Gonçalves

Não me perco
dos meus.

Trago-os nas saudades,
que me assaltam
nas minhas orações
nos meus devaneios
no domingo, à tarde
na segunda-feira
no decorrer da tarde
no silêncio da noite!

saudades não tiram férias
nem
respeitam convenções!

saudade berram

no mais profundo silêncio
e no inconfundível cheiro
do perfume preferido
e na foto desbotada,
incorporada à parede
e na velha melodia,
cantarolada num
sussurro simples
e no sorriso livre,
liberto da maldade
e no dizer calado,
do fim da tarde
e na escápula muda,
do quarto vazio,
e na mesa posta,
com um prato
a menos
e no solitário aceno
sem resposta
e nas lágrimas amargas
do choro manso!

saudades
açoitam o corpo,
transido de tristeza,
para virem doer
no fundo d’alma;

e

acalentar
nas horas tristes!

saudades, também, abraçam
e
confortam
e
revivem lembranças!

AFINAL, QUEM É A PROFESSORA DE MATEMÁTICA?

Por Zé Carlos Gonçalves

CENAS DO COTIDIANO X (… tristes 20 anos!)
“Eita que a coisa tá pegano fogo!” Como bem canta “o Bicho” em nossos carnavais, “o carderão tá freveno!”

O “leões” inova e estabelece o inimaginável. O “sal” dos contratados passou a ser a arma mais eficaz para “um vil cisma”. Sem comentários!

Estou tão assustado com “a curiosidade humana!” Bem explicado. “Humana”. E não é que venho recebendo um número absurdo e insistente de pedidos, para eu declinar o nome da mestra, que se acha “o catebau”, da Matemática?! “Chega até a língua coçou de vontade”. Mas, Deus me livre “em fazer a fila andar”, e ela me mandar mais cedo para “os quartos, os quintos ou os sextos …!” Cruz credo! “Mim ajudeim, aí! Mim dexo nu meo cantinho, queto! Num sô boca môli!”

Agora, e, agora?! O absurdo da semana. A universidade se “desdemocratizou!” Quanta desfaçatez! “Jovializou-se” pela boçalidade juvenil! Agora 40 anos é o limite, para que se procure conhecimento. E 20 é “a idade da ignorância?!” Tal pensar é algo imperdoável “nestes tempos”. “Imaginem” que loucura! Eu gosto dessa palavra. “Imaginem”. Então, imaginem qual será a postura profissional de tais jovens, que não entraram “no bonde” da História. É como bem me diz o tio Bobo, “só muita fuça de concreto”. Eita! Essa tirada, acho-a fantástica! Mas, volto às três. Quero acreditar que é mera ingenuidade. “Pra num dizê tudo qui tô pensano”. Idade limite para a entrada na universidade?! Que coisa, né?! Imaginem se elas adentram a área de humanas. Os de 40, silenciados para sempre. Se na área de exatas, os de 40 serão apenas uma tênue linha no gráfico dos inúteis. Se na área de saúde, “tudo acabado” em cruéis vereditos! “Êsti inda veve; êsti já párti”. Coitados! E, coitadas delas. Merecem nem “ser canceladas”. Basta apenas um “leve castigo”. “Ad eternum”, com os seus 20 anos. Porém, com o mesmo, pobre e triste pensamento. E daqui a 20 anos, tão invejosas das de 40!

Eita, internet porreta!

AMAR

Por Zé Carlos Gonçalves

AMAR

Não é tão fácil …

na ciranda do amar,
são trucidados os cultores

da soberba
do egoísmo
do machismo
da infantilidade
da depravação
das neuroses
do silêncio
do ódio

em suas sutilezas
implacáveis!

inexistem fórmulas
prontas
milagrosas
e
detalhadas

para

os árduos caminhos
as horas preguiçosas
os momentos decisivos
as decisões amarguradas
os segredos invioláveis
a ansiedade sufocante
a vigília solitária!

amar não é vaticinado
numa roleta
nem
na dubiedade de palavras
jogadas à sorte
das
cartas e runas

também

não se arquiteta
em invencionices!

amar é para os fortes

de

espírito
vontade
humildade
bondade
respeito!

amar é enxergar o próximo
em suas diversas nuances:
da fortaleza às dúvidas
do medo à certeza
da alegria aos sonhos
do cansaço ao riso
da bonança à tristeza
das lágrimas à compreensão!

amar é

acolhida
tolerância
companhia
cumplicidade
serenidade
respeito
partilha
querer
seriedade
passo a passo
mão com mão
arrelias e risadas!

“IMODÉSTIA”

Por Zé Carlos Gonçalves

Já, por longo tempo, venho observando e à busca de, um pouquinho que seja, entender “a ‘imodéstia’ e o desrespeito”, que vem dominando o nosso tão corrido cotidiano. O que deveria não acontecer. Afinal, nós estamos “ilhados” por informações. O que deveria, teoricamente, ser um indício bom de que não deveriam existir “tolos”. “Mas, porém, contudo, entretanto, todavia”, a realidade é bem outra. E, aí, né, como já dizia o sábio tio Bobo “queim teim besta num dévi comprá cavalo.” E, aí, entre bestas e cavalos, de um lado ou do outro, a situação está periclitante!

A verdade é que há quem se satisfaz, “goza”, ao diminuir, menosprezar e desmerecer o semelhante. Há até quem se acha intocável e humilha os menos esclarecidos, numa crueldade atroz. Imperdoável isso!

Em minhas peregrinações últimas, por repartições, na saga, e que maçante saga, por alguns documentos, vi e ouvi “absurdos” absurdos. Na minha adolescência, até se diziam “cabeludos”! Da mudez ao chão. Sim, senhor, o chão! Nunca eu entendi por que a maioria dos (des)atendentes procuram “o improcurável”, ao nos dirigirmos a eles. O olhar foge para o chão, como se se transportassem à dimensão “chãozística”. Até inventei um adjetivo. Que pilantra!

Absurdos, a irem da bandida arrogância, ao tratar o irmão funcionário, muitas vezes, do mesmo órgão, às vazias e intermináveis conversações ao celular. Ou “engabelação”, apenas. Até falam a ninguém. E da má vontade, “estampada no rosto”, mal acordado, para não dizer o que pensando estou, ao “mercado negro” de roupas, de “cosmésticos”, de bijus e de uma parafernália infernal. É … não é piada! A “feirinha rola solta”, em frente “ao aviso tão ameaçador”, que ameaça quem desrespeitar, vejam só, “o desrespeitador”. Acho que enrolei tudo. Assim, também, é a intenção de quem não respeita o próximo.

O pior é que esse mal se enraizou e se fincou em tudo. Nas repartições públicas, nos hospitais, nos consultórios, no comércio, nos escritórios. E, “a mais irônica ironia”, nas conversas. Há verdadeiros monólogos, em que sempre o mais sabido, o manipulador, é, também, o mais tolo.

No entanto o que mais me entristece é saber que nas salas de aula se encontram uns, que se acham “os caras”. Ou “os malas”. Se acham os donos da caneta, do saber e da vida. E, em um massacre inominável, se prestam a um desserviço imperdoável. À educação e à vida.

Graças ao bom Deus, este grupelho é insignificante ante a grandeza da doação, da empatia, do compromisso da esmagadora maioria dos docentes, que não dormem, a formar cidadãos!

Falo apenas dos antipáticos, medíocres, tiranos e imorais, que buscam refúgio em um autoritarismo canhestro e doentio, utilizado como única arma, a camuflar uma gritante insegurança, ou, quem sabe, verdadeiramente, a atestar incompetência.

Esse é o comportamento, que me enerva e me aniquila, principalmente quando vem à memória cena “dantesca”, no sentido literal do adjetivo, que testemunhei. Acreditem. Isso não é ficção. Verdade! Assisti à chegada de uma professora, para assumir uma sala, que já estava há algum tempo sem regente. E, ao se apresentar, mandou direto. “Se vocês não conhecem o diabo, cheguei”. Agora, imaginem a situação dos alunos. Agora, imaginem a matéria. Só … o terror dos terrores!” Matemática. Agora , imaginem que a Matemática, mesmo sem ter como mestre “o catebau”, já “mete medo”; imaginem … Imaginem, ainda por cima, “qui tamo viveno im ‘tempos modernos(os)!”
É … depois que até o demo se imiscuiu na crônica, “vô pará”. Afinal, não quero ficar mais “imodesto” do que já fui até aqui.

Foto da internet (https://sergiomerola85.jusbrasil.com.br/).

BAIXADA MARANHENSE: Projeto divulgará Maranhão como “Floresta de Alimentos” para o mundo

Projeto divulgará Maranhão como “Floresta de Alimentos” para o mundo. Iniciativa está senda devolvida na Baixada maranhense, com fabricação de gêneros alimentícios derivados do coco babaçu.

O diretor de audiovisual e empreendedor Jayme Monjardim reuniu-se, mais uma vez, com o secretário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos (Sedepe), José Reinaldo Tavares.

Acompanhada dos sócios, a maranhense e idealizadora do Projeto, Cornélia Rodrigues – conhecida como Nelinha -, e Rodrigo Fleury, Monjardim tem avançado com o projeto sustentável de produção de alimentos para todo o mundo, fabricados a partir do babaçu. Ele conta com apoio do Governo do Estado e tem mantido frequentes trocas de informações importantes com o ex-governador Tavares.

O projeto está sendo devolvido na Baixada maranhense, município de Palmeirândia, com fabricação de gêneros alimentícios derivados do coco babaçu, investimentos em créditos de carbono, incentivo ao cooperativismo, que está sendo articulado pela Sedepe, e valorização das comunidades tradicionais.

O Projeto Babaçu, Idealizado pela maranhense de Palmeirândia, Cornélia Rodrigues, a Nelinha, tem recebido atenção de investidores e empresários de fora do Maranhão. A empreendedora que tem sociedade com o diretor de televisão e empresário Jayme Monjardim, que apostou na viabilidade do projeto e tem garantido seu financiamento, também terá apoio do Governo do Maranhão.

O Maranhão é um dos maiores produtores de babaçu do Brasil e chega a reunir a terceira maior força produtiva do estado. Várias matérias-primas são extraídas da palmeira, que contribui para a conservação da vegetação originando o fruto.

A cada ciclo, o babaçu forma de dois a seis cachos, cada qual contendo de 150 a 300 frutos. Ou seja, uma palmeira produz, por ano, cerca de 800 frutos. Cada planta, sem receber nenhum cuidado especial, produz, no mínimo, 2,5 toneladas de frutos por hectare ao ano. Se for tratada, a produção chega a 7,5 toneladas.

A planta pode ser usada ainda para fabricar peças de móveis e artesanato, alimentícios, chá medicinal, dentre outros itens.

Durante a reunião, Jayme Monjardim informou que já fechou parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para a fabricação dos sachês que a Organização das Nações Unidas (ONU) distribui para crianças em situação de desnutrição, ação que faz a diferença entre a vida e a morte.

“O mais importante é que já fechamos parceria com a Embrapa para produzir os sachês, Esses sachês são distribuídos hoje pela ONU no mundo inteiro. Já imaginaram, o Maranhão ser provedor de alimentos feitos à base de coco babaçu, exatamente igual como é o da pasta de amendoim? O Maranhão pode inclusive, vender essa imagem da Floresta de Alimentos na COP 2023!”, declarou o investidor.

O secretário José Reinaldo Tavares destacou a importância do projeto para o Estado. “Temos a melhor floresta de alimentos do planeta. O Jayme está fazendo um trabalho fantástico, utilizando as frutas e o coco babaçu para a fabricação dos sachês aqui no nosso Maranhão. Eu sempre digo que a Baixada é o nosso Pantanal, só que mais bonito”, explicou.

Jayme Monjardim resumiu o encontro como proveitoso e a união de forças para o trabalho dar certo. “É isso que estamos fazendo aqui, unindo forças. O Maranhão vende o futuro”.

Nelinha, Paulo Matos, Gracilene Pinto, Lauro Bonjardim e Maninha.

Fontes: https://upaonews.com/; https://sedepe.ma.gov.br/e Jornal Pequeno.

PERI-MIRIM: A Secretaria de Educação se prepara para as homenagens dos 104 anos de emancipação do município.

A Secretaria Municipal de Educação de Peri-Mirim (SEMED, nos últimos dias, organizou e promoveu reuniões com supervisores, coordenadores e gestores das escolas, a fim de apresentar a proposta de comemoração dos 104 anos de Peri Mirim, no dia 31 de março.

A proposta é homenagear ex-secretários de educação, que inclui os já falecidos.

Na programão está incluída uma missa na Igreja da Matriz às 07 horas da manhã com autoridades e secretários municipais; em seguida, às 9 horas, haverá o hasteamento das bandeiras.

Para a celebração solene foram convidadas as ex-professoras: Ana Rita (Nicó), viúva e irmã de dois homenageados; Javandira, mãe de Keila, uma das homenageadas e Ana Maria Silva, viúva de José do Carmo, um dos homenageados. Todas participarão do desfile.

Às 16 horas, será realizado o desfile cívico, com homenagem às mulheres que foram secretárias de educação, as professoras: Delza, Maria da Luz, Alda, Giselia e Zaine.

Por conta da logística, foi decidido que no desfile apenas 4 escolas irão realizar as homenagens aos ex-professores e ex-secretários de educação já falecidos, que serão distribuídos da seguinte forma:

1) A Escola Municipal São João Batista, abordará o tema: Literatura e Educação de Peri-Mirim e homenageará o professor João Batista Martins;

2 ) A Escola Municipal Keila Abreu Melo, abordará o tema: Economia Perimiriense e homenageará a professora Keila Abreu Melo Diniz;

3) A Escola Municipal Cecília Botão abordará o tema: Política e Geografia de Peri-Mirim e homenageará o professor Nelsolino Silva e

4) A Escola Carneiro de Freitas abordará o tema: Cultura e fará a homenagem ao professor José do Carmo França (pendente de biografia no site da ALCAP).

Considerando-se que os temas abordados nas homenagens dizem respeito à história cultural, econômica e geográfica do município de Peri-Mirim, a Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) participará do evento, com os professores e funcionários da SEMED que também são acadêmicos; bem como pelas homenageadas Alda Regina Corrêa e Giselia Martins; Francisco Viegas, Manoel Braga e a presidente da Academia, Ana Creusa Martins, também representarão a ALCAP, que disponibilizou as biografias dos homenageados, as quais podem ser acessadas no site O Resgate.

No desfile cívico, as  escolas apresentarão em quatro pelotões, com suas respectivas balizas e bandeiras. Tudo organizado e estruturado por cada escola.

A proposta é que os alunos desfilem devidamente fardados, pois, dará mais ênfase ao que está sendo proposto.

Espera-se a participação de toda a comunidade escolar, bem como de todos os munícipes, pois, as homenagens aos 104 anos do município de Peri-Mirim foram preparadas com muito carinho.

Texto de Diêgo Nunes, com edição de Ana Creusa.

UM CASALZINHO NO MAIOR GRUDE, SÓ QUE NÃO!!

Por Zé Carlos Gonçalves

COISAS E LOAS
(… olho no olho)

Um dia desses, ao esperar o meu filho na porta da escola, vi uma cena, que me chamou atenção. Ali se achava “um casalzinho, no maior grude”. Mas o grude não os grudava. “Que crazy!” Estavam juntos, e tão distantes. Cada qual em seu mundinho, aprisionados às telas mágicas, que os hipnotizavam.

O grude era, na verdade, com os sacripantas dos celulares. A garota estava mais contida, “soltando uns sorrisinhos disfarçados”. Já o garoto se retorcia todo, fazia caretas e caretas; e, o mais incrível, mastigava a língua numa insistência desmedida. Até lembrei da brincadeira de “cabo de guerra”. Quem não tinha como sustentar a força braçal, ia transferindo-a para a língua. E haja mascar a língua, como “uma brejeira”.
Mas, voltemos “ao namoro”. Será que estavam “namorano atravéise di mensági. Cad’um ligando pr’ôto. Só pôdi!”

Bom mesmo foi não termos vivido plugados e alheios. Os eletrônicos “ero a nossa praia, não, tio”. O olhar, geralmente, discreto. O interesse nascia. A coragem nem sempre se apresentava; mas, quando vinha, o valente e enamorado “indivíduo” se manifestava. “E, com força!” Se manifestava de todos os modos, mas com modo. Um psiu, abafado; uma tímida piscadela; um aperto discreto das mãos bobas; um bilhetinho, que era traficado pelos melhores amigos; uma dança nervosa; cabia até uma abordagem direta.

E, como tudo isso é verdade, a cena referida no início desta crônica me remeteu ao meu estimado e “danado” parente, Batista Pessoa, que sempre se refere ao início do namoro, “daqueles menos corajosos”, inclusive ele, que se muniam de infalíveis armas: pedrinhas milagrosas, “avoadoras” e tão certeiras, a serem verdadeiros cupidos, com o único intento de conquistar a cara paixão. O início era difícil, trabalhoso e trabalhado. Hoje é ausente. Não há início … Não há … Não há …

E veio a me remeter, também, ao apogeu de “uma conquista bendita”. O nervosismo, cruel e pilantra, dum indivíduo, que, “seim papu, au su vê nu mato seim cachorro”, e sem gato, se “chegou à pretendida” e direto, sem preâmbulo, “se saiu com esta”. “Sou fã teu!” E, para sua sorte, a “piquena, insensívi li disculhambô, num li deu bola e ind’o chamô di dismiolado”. Digo, sim, sorte. Sorte … pois se fosse “ôji” … ! “Arre égua!”‘ e outras zebras … Com toda certeza!
E, com toda certa certeza, havia mais olho no olho!

OS TEMPOS SÃO OUTROS

Por Zé Carlos Gonçalves

CENAS DO COTIDIANO VIII
(… o Carlos, que “não é eu!”)

Muito ouvi “dos mais velhos” que “os tempos são outros”. E, agora, mais do que nunca, venho confirmando a máxima das “máximas”. Vivemos os tempos de “muita doidiça” … e de violência. Que lástima!

O feminicídio e o estupro de vulneráveis, cada vez mais, se tornando onipresentes em todos os meios difusores de notícias. Quanta tristeza! A barbárie se tornou corriqueira e crescente, a vitimar “nossas guerreiras”, em “uma guerra” cruel. Desigual, silenciosa e infame. É a surda covardia a alcançar o mais deplorável grau da indecência. Parece uma roda viva, a se alimentar de casos mais escabrosos e mais escabrosos, a cada dia. Estamos no limite. Em nossa sociedade não cabe prática tão selvagem.

Sem entrar em polêmica, descobri que já não posso “nem” mais usar a gíria antiga, que ainda carrego comigo, “pra mode di num criá neium pobrema”. Vejam que coisa. O inofensivo “Tudo jóia!” agora é motivo de discórdia. Verdade verdadeira. Um dia desses, vi uma cena de tanta violência, porque um cidadão empregou tão imperioso insulto. Quanta loucura! Quão bruto se tornou o ser vivente! O certo é que vivemos uma “involução” em todos os aspectos. E, a pior, é a cultural. “Cega e mata”, em definitivo.

Nesta semana, fiquei pasmo, e medroso, com “um papo”, ocorrido na fila de um banco. “Ah filas benditas, que ‘vivem’ a me perseguir!” E o casal a se exasperar. Acredito que era um casal de docentes. E massacraram, sem piedade e sem dó, o Carlos. “É sêro!” Só falaram no Carlos. E socaram o Carlos. E deram rasteiras no Carlos. E, até, mandaram o Carlos “coisar”. Aí, a minha angústia começou a crescer. Afinal, é dessa forma que sou tratado em família.

Bastante “discunfiado, procurei sair, de fininho”, e me postar em uma fila bem longe daquela. Mas, como o ouvido é “terrívi, né?”, escutava ainda, quem sabe até imaginando, ante o medo, aquele Caaarrlos, Caaarrlos, Caaarrlos. Se eu fosse só um pouquinho corajoso, tinha ido lá falar ao casal. Sou o Carlos, mas sou o Zé. O Carlos, de quem o acompanhante sofre um belo “metaplasmo”. Vem reduzido. O outro Carlos, ao contrário, carrega, assim, um acompanhante imponente, pomposo e no “aumentativo”. E, com toda certeza, não está aqui, em fila alguma. E, ainda bem, né?! Acho que nem um “leão” poderia salvá-lo de tão insana selvageria.

“Não sei, não”, mas acho que agi certo. Ante tamanha ira “o melhor foi logo meter o rabo entre as pernas e vazar!”
“Que doidiça!”

Os tempos são outros, o mundo é... Kamilla Carvalho - Pensador

MULHER

Por Zé Carlos Gonçalves

Não te recolhas
ao anonimato
nem
ao silêncio vão.

quebra-os
e
trilha o caminho
de
luta
bravura
persistência
resiliência
e
carinho.

só o realizar
é o teu testemunho.

segue
e
segue
e
segue altiva
e
segura

senhora de teu dia
de tua hora
e
de teu nome

de teus projetos
e
de tuas realizações

de teus desafios
e
de teus rebentos

de teus santos
e
de tuas preces

de tuas veredas
e
de teus medos

de teus verdades
e
de tuas vontades …

vai livre
e
berra
e
luta
e
conquista
e
viva!

SOU MULHER

Por Zilda Cantanhede*

Eu sou
Eu sou tempestade na ventania
Sou ventania na calmaria
Sou resiliente
Sou frágil
Sou brava
Sou persistente, sou brasileira
Sou poesia em prosas e versos
Sou epopeia
Sou idílio, um haicai, uma trova
Sou eufórica
Tenho segredos só meus
Sou introspectiva
Sou abrigo
Sou alento, com pitadas de tormenta
Sou equilíbrio, mas vivo na raça
Sou rio de águas cristalinas
Sou córrego com obstáculos
Sou mar cheio de ondas
Sou razão com profundas raizes
Tenho rasas emoções
Sou decifrável ou indecifrável
Sou resultados
Tenho escolhas que me definem ou não!
Sou inexoravelmente humana
Sou sendo
Eu sou do verbo ser, também do substantivo vida que já me promulgou
Sou o quê sou, como também poderei vir a ser, neste emaranhado processo de viver.
Sou mulher!
Esta sou eu!

 

*Maria Zilda Costa CantanhedePresidenta da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras – AMCAL; Especialista em Linguística, Educação do Campo, Educação Pobreza e Desigualdade Social; Articulista, cronista, poetisa, revisora textual; Professora da Rede Estadual de Ensino; Supervisora de Normas e Organização da Rede Integral/ SUNORI/SEDUC/SAEPI; Coordenadora de Mostras e Feiras Científica do CNPq/MCTI; Pesquisadora do CNPq.