Khadija: a mulher de Maomé

Por Evandro Filho*

Khadija, a primeira esposa do Profeta Maomé, pertencia à nobre família de Quraish, filha de Khuwailid (pai) a Omm Saada (mãe). Khadija nasceu em 555 d.C. Assim, ela era dezesseis anos mais velha do que o Sagrado Profeta, que nasceu em abril de 571 d.C Seu pai era um conhecido chefe de Meca. Ele era um comerciante de sucesso que negociava com óleos, linho, perfumes e outras mercadorias raras. Ele morava em um prédio de dois andares ao lado de uma colina não muito longe da Ka’bah. Desde a infância, Hazrat Khadija possuía nobres qualidades. Ela cresceu e se tornou uma jovem piedosa, quieta e inteligente. Devido às suas virtudes morais, o povo de Meca havia conferido a ela o título Taahirah, que significa o ‘Puro’, ou o ‘Virtuoso’.

Ela tinha um coração terno e compassivo. Foi generosa, usado seu dinheiro para ajudar os pobres, os necessitados, os órfãos e as viúvas.

Casamentos anteriores de Khadijah

Quando Khadija cresceu, seu pai deu sua mão em casamento a Abu Haallah, filho de Zaraarah. Abu Haallah era um comerciante. Eles viveram felizes. Deus os abençoou com um filho chamado Hind e uma filha chamada Zainab. Segundo alguns historiadores, Abu Haallah teve três filhos, Haallah, Hind e Haarith. Alguns anos mais tarde, Abu Haallah adoeceu e morreu. Khadija chorou de dor pela perda do marido. Mais tarde, seu pai escolheu Ateeq, filho de Aaiz, um rico comerciante, como seu marido. Eles estavam levando uma vida feliz, mas quando Ateeq continuou uma expedição de negócios à Síria, ele morreu no caminho de volta. Khadija ficou viúva pela segunda vez. Ela teve um filho e uma filha deste casamento.

Após a morte de seu segundo marido, vários respeitados homens influentes dos coraixitas tentaram pedir sua mão em casamento, mas ela rejeitou suas ofertas e resolveu que não ia casar-se novamente e decidiu viver uma vida independente. Ocorreu que logo após a morte de seu segundo marido, seu pai também faleceu. Isso foi uma grande perda para Khadija, pois ela mesma tinha que cuidar do negócio. Era realmente um momento difícil para ela.

Expedições de Negócios

Para administrar o negócio com sucesso, Khadija empregou agentes comerciais, que costumavam transportar mercadorias para outros países e trazer de volta itens úteis para serem vendidos em Makkah.

Khadija a trabalhou duro e logo foi considerada uma mulher comerciante inteligente de grande dignidade e riqueza. Naquela época, Maomé era um menino. Seu pai tinha morrido antes de seu nascimento e sua mãe morreu quando ele tinha seis anos. Após a morte de sua mãe, ele passou aos cuidados de sua avô Abdul Muttalib. Abdul Muttalib tinha oitenta anos naquela época. Ele gostava muito do neto. O avô morreu logo depois, aos aos oitenta e dois anos.

Após do avô (Abdul Muttalib), um tio de Maomé (Abu Taalib), tornou-se seu guardião. Abu Taalib tinha muitas virtudes nobres e era um respeitado líder coraixita. Ele amava muito seu sobrinho. Maomé , também, amava muito seu tio. Foi durante este período que Abu Taalib empreendeu uma viagem à Síria junto com uma caravana comercial. Ele pretendia deixar seu sobrinho para trás, pois ele tinha doze anos naquela época e poderia cuidar de si mesmo. Mas quando o carro estava prestes a partir Muhammad se agarrou a seu tio e insistiu em ir com ele.

Abu Taalib ficou comovido e decidiu levá-lo junto com a caravana. Esta foi a primeira viagem de Maomé a um país estrangeiro. Um incidente estranho aconteceu durante esta viagem. Tem a ver que quando a caravana chegou a Bosraa, acampou perto de um mosteiro onde viveu um grande estudioso das Escrituras. Seu nome era Baheerah. Monk Baheerah notou muitas coisas na aparência de Maomé, que se encaixava na descrição do Profeta que as pessoas estavam esperando. Ele disse a Abu Taalib para cuidar bem do jovem e protegê-lo das travessuras do Povo do livro. Ele disse a Abu Taalib que de acordo com as Escrituras esse menino parecia ser a pessoa que Deus escolheria para interpretar uma grande parte do mundo. Deve-se notar que a cidade de Bosraa estava situada na estrada para Damasco, no sul da Síria, e estava a cerca de oitenta milhas ao sul de Damasco. Era uma bela cidade com muitos edifícios romanos e foi um ponto de encontro de cinco rotas de caravanas. A cidade Bosraa não deve ser confundida com a famosa cidade de Basrah, que está situado no Iraque.

Maomé cresceu e se tornou um homem bonito com boas maneiras e qualidades extraordinárias de honestidade e piedade. Pessoas chamam-o de Al-Ameen, significa o ‘confiável’ e Al-Saadiq significando o ‘verdadeiro’. Quem entrou em contato com ele foi profundamente impressionado com sua personalidade e inteligência. Ele foi manso e obediente aos mais velhos, afetuoso com os companheiros e cheio de compaixão por aqueles que precisavam de ajuda. Ele ajudou sua tia com os afazeres domésticos e ajudava seu tio realizando qualquer trabalho que lhe foi atribuído.

Nessa época, Khadija tinha ouvido falar da honestidade, piedade, confiabilidade e alto caráter moral de Maomé. Ela ficou muito impressionada pela sua integridade. Ela, portanto, abordou o tio de Maomé, Abu Taalib com a sugestão de que ele deveria deixar seu sobrinho liderar uma caravana comercial dela para a Síria. Abu Taalib mencionou isso para Maomé, com o que ele concordou.

Khadija se ofereceu para pagar a ele o dobro do que ela pagou aos outros. Quando a caravana começou sua jornada, Khadija enviou seu servo de confiança Maisarah junto com a caravana. A caravana seguiu o caminho habitual para a Síria, que Maomé viu que havia empreendido com seu tio treze anos antes. Maomé conduziu o negócio de tal maneira e desempenhou suas funções tão bem que a expedição encontrou grande sucesso. Foi sua honestidade e maneira inteligente de lidar com os assuntos que ele obteve um lucro inesperado.

Khadija se casa novamente

Khadija tinha agora quarenta anos. Ela estava convencida das qualidades nobres e maneiras refinadas de Maomé. Ele tinha vinte e cinco anos de idade. Khadija queria fazer-lhe uma proposta de casamento. Ela procurou a opinião de sua melhor amiga Nafeesah, que aprovou a ideia e ofereceu sua ajuda. Um dia Nafeesah foi até Maomé e durante a conversa perguntou-lhe por que ele não se casou. Maomé respondeu que não era rico o suficiente para casar. Nafeesah perguntou-lhe se ele estaria disposto a se casar com uma respeitável mulher rica. Maomé perguntou: ‘Quem é essa mulher?’ Nafeesah contou a ele sobre Khadija. Maomé pediu desculpas e disse: ‘Como isso pode ser possível? Khadija é demais para mim.

Khadija era uma mulher rica e eu sou uma pobre pessoa.’ Nafeesah disse, ‘Deixe-me cuidar disso.’ Maomé comentou: ‘Nesse caso, não tenho nada a dizer senão concordar.’ Quando Nafeesah contou a Khadija o resultado de sua conversa com Maomé, ela lhe enviou uma proposta de casamento. A oferta foi feita para ele através de seu tio Abu Taalib. Maomé consultou Abu Taalib, que o aconselhou a aceitar a oferta. Como o pai de Khadija havia morrido antes, Abu Taalib chamou o tio de Hazrat Khadijah Amr bin Asad, e pediu a mão de sua sobrinha em casamento com Maomé.  Amr bin Asad, sendo seu wali, deu seu consentimento para o casamento. Assim, o casamento entre Maomé e Khadija foi resolvido.

A cerimônia de casamento foi solenizada por Abu Taalib e o haq mahr foi fixado em quinhentos dirhams em dote. Khadija organizou uma grande festa e convidou parentes e amigos de ambas as famílias. A noiva e o noivo passaram sua primeira noite na casa de Abu Taalib, e então Khadija voltou para sua casa junto com o marido.

O casamento trouxe contentamento doméstico e felicidade para ambos. O casal foi abençoado com filhos. O primogênito era um filho. Eles o chamaram de Qaasim. De acordo com o costume árabe, Maomé ficou conhecido como Abul Qaasim, que significa o pai de Qaasim. Eles tiveram outro filho a quem deram o nome de Abdullah. Ele também era conhecido como Tayyab e Taahir. Alguns historiadores cristãos, no entanto, dizem que Maomé, teve três filhos de Khadijah Todos os seus filhos morreram na infância enquanto todas as filhas cresceram e aceitaram o Islã, mas não viveram muito. Apenas Hazrat Faatimah, sobreviveu ao Santo Profeta Muhammad, e viveu cerca de seis meses após sua morte.

Khadija, a primeira pessoa a aceitar o Islã

Maomé tinha agora mais de trinta anos de idade. O amor de Deus começou a possuí-lo cada vez mais.  Começou a dedicar mais do seu tempo para orações e meditação. As pessoas costumavam adorar ídolos. Diz-se que havia trezentos e sessenta ídolos colocados ao redor da Caaba.

Os árabes costumavam se entregar a muitos vícios como adultério, beber, jogar, saquear, assassinar e muitas outras práticas ilícitas. Maomé ficou profundamente magoado ao ver os atos maliciosos do povo de Makkah e o declínio moral e espiritual em que o povo havia caído. Não havia como resgatá-los exceto através da orientação e ajuda divinas. Ele, portanto, escolheu um lugar de solidão e retiro na Caverna de Hira, cerca de três milhas fora da cidade. Ficava no topo de uma colina, uma espécie de caverna, em forma de de pedra. Ele costumava ir lá sozinho ou às vezes com Khadija e passar vários dias e noites em meditação.

Quando Maomé, que tinha quarenta anos, ele teve uma visão. Isto foi em uma segunda-feira nos últimos dez dias do mês do Ramadã. Enquanto ele estava envolvido em adoração, ele viu alguém presente na caverna. Foi o anjo Gabriel, que ordenou que ele recitasse. Maomé respondeu que não sabia o que ou como recitar. Então, o anjo o apertou contra seu peito e o apertou duro. Jibraa’eel então o soltou e o instruiu novamente a recitar. O anjo o apertou pela segunda vez e pediu-lhe que recitasse. Mais uma vez Maomé deu a mesma resposta.

Khadija foi a primeira pessoa a acreditar no Santo Profeta. Ela havia testemunhado sua pureza e grandeza em sua juventude e passou quinze anos em sua companhia. Ela, portanto, aceitou-o sem qualquer hesitação. Ela teve muita sorte, pois o Islã, a religião da paz, começou em sua casa. Ali, que tinha dez anos na época e Zaid, o liberto escravo do Sagrado Profeta, eram ambos membros de sua família. Eles também acreditaram nele, no momento em que anunciou sua missão.

O apoio de Khadija foi fundamental para a missão do Profeta, uma vez que foi ela quem o confortou nos momentos mais difíceis, defendendo-o das difamações e injúrias que tanto sofria dos coraixitas. Não somente, mas de fato acreditou na Profecia de Muhammad, encorajando-o em sua missão e no desenvolvimento do Islã.

O boicote

Os líderes da tribo coraixita conduziram uma reunião na qual eles concordaram com um plano. Eles decidiram que, a fim de parar ainda mais a propagação do Islã, todas as tribos deveriam se juntar à campanha contra o Sagrado Profeta e seus seguidores. Além disso, os anciãos de cada tribo deve forçar tais de seus membros, que abraçaram o Islã, para renunciar a isso. Eles pensaram que por este dispositivo Maomé, seria abandonado por seus seguidores e sendo deixado sozinho, não seria capaz de continuar com sua missão.

Khadija usou de suas riquezas para ajudar seu marido, principalmente nos momentos em que os coraixitas tentavam de toda maneira boicotar sua missão, pagando assim pelo resgate dos muçulmanos aprisionados pelos líderes da tribo e também libertando escravos muçulmanos que eram oprimidos pelos seus mestres simplesmente por terem abraçado o Islã.

Os coraixitas declararam um boicote comercial contra o clã Hashim. Os pagãos atacaram, prenderam e espancaram os muçulmanos, que às vezes ficavam dias sem comer ou beber. Entretanto, apesar de todas as dificuldades e ameaças, Khadija continuou ajudando a manter a comunidade até que o boicote fosse debelado no final de 619.

Porém, o ano de 619 seria um ano obscuro para Maomé, que perderia sua fiel esposa e também seu tio Abu Talib. Esse ano ficou conhecido como “O Ano da Tristeza”.

A melhor mulher do seu tempo

Maomé, casou-se com várias mulheres após a morte de Khadija, mas nunca esqueceu sua primeira esposa. Durante todo o resto de sua vida, ele acalentava a memória dela com ternura e muitas vezes recordava sua lealdade, bondade e devoção a ele. Ele costumava dizer que ela foi a melhor mulher de seu tempo.

Cadija, a rica e poderosa mulher que foi chave no nascimento do Islamismo - BBC News Brasil

Khadija foi fiel do princípio ao fim ao Profeta, sendo a primeira a confiar em sua mensagem, um verdadeiro exemplo de esposa, amiga, companheira e muçulmana desde o primeiro dia do Islã até o presente. Sem ela a mensagem do Islã jamais poderia se espalhar pelo mundo, uma vez que teria parado ali mesmo na cidade de Meca, até então dominada pelos coraixitas que tanto ofenderam e atacaram Muhammad e a religião islâmica. Após isso, o Profeta teve que enfrentar momentos difíceis em sua vida, porém sempre com Khadija em sua memória, sofrendo pela sua partida, mas lembrando sempre da mulher que foi e que nunca o deixou desistir de sua Missão.

“A primeira esposa do profeta muçulmano Maomé e primeira pessoa a se converter à religião pregada pelo marido. Ela é comumente reconhecida pelos muçulmanos como “Mãe dos Crentes”. Foi uma das figuras femininas mais relevantes do islamismo ao lado da filha Fátima e permaneceu monogamicamente casada com Maomé por mais de 25 anos. Era a mais próxima dele e vários hádices narram que era a mais confiável e favorita entre todos.” Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cadija.

Este texto trata-se de fichamento do livro Khadija: A Mulher de Maomé, de Marek Halter.

* Evandro Gomes Pires Filho é natural de São Luís/MA, é Bacharel  Biblioteconomia pela Universidade Federal do Maranhão, pesquisador, responsável pela ficha catalográfica de vários livros.

O presidente da AMCLAM, escritor Cel. Carlos Furtado, participou da palestra “Gonçalves Dias, poesia e nacionalidade”

O presidente da AMCLAM, escritor Cel. Carlos Furtado, participou da palestra “Gonçalves Dias, poesia e nacionalidade” ministrada pela acadêmica do IHGM Elimar Figueiredo de Almeida, ocupante da cadeira n° 20 — patroneada por Gonçalves Dias, ocorrida nesta tarde/noite de hoje, na sede da Academia Maranhense de Letras, como parte das comemorações do Bicentenário de Gonçalves Dias.
Uma palestra primorosa, concatenada e rica de informações, vez que palestrante, estudante em sua adolescência do Colégio Liceu Maranhense, tendo sido aluna do Professor Mata Roma, o qual, exigia dos seus alunos, o conhecimento e a recitação de poemas do maior poeta do romantismo brasileiro.
Antes, a Acadêmica Ana Luiza Ferro, declamou “Ainda uma vez mais — Adeus” de autoria do poeta, arrancando aplausos da plateia presentes, composta de poetas, acadêmicos e escritores.

HISTÓRIA DO HINO NACIONAL

Por Wybson Carvalho*

Hoje (13 de abril) é dia do Hino Nacional Brasileiro e, através do qual, nós, maranhenses, e, particularmente, caxienses, estamos eternizados numa das suas estrofes com dois versos extraídos da Canção do Exílio – escrita por Gonçalves Dias – …: Nossos têm mais vida / Nossa vida “em teu seio” mais amores.

História do Hino Nacional

O Hino Nacional do Brasil, na forma como conhecemos, só passou a existir oficialmente a partir de 1909, e sua oficialização enquanto tal deu-se somente em 1922, por ocasião do centenário da independência do Brasil. Esse importante símbolo, no entanto, começou a nascer em 1831, ainda no século XIX.

Em 7 de abril de 1831, d. Pedro I abdicou do trono brasileiro, e, como forma de celebrar esse acontecimento, o compositor Francisco Manuel da Silva decidiu criar uma canção que ficou conhecida como “Hino ao 7 de abril”. A composição de Francisco Manuel foi acompanhada de duas letras diferentes ao longo do período imperial.

A primeira letra é de 1831 e foi criada por Ovídio Saraiva de Carvalho, um juiz que a escreveu com base em um sentimento antilusitano. A segunda letra é de 1841, de autor desconhecido, e passou a ser utilizada em homenagem à coroação de d. Pedro II. Essa última só era cantada por artistas profissionais que dominassem técnicas de canto e só era executada em teatros.

Hino Nacional na República
Em 15 de novembro de 1889, aconteceu no Brasil a Proclamação da República, evento que colocou fim na monarquia brasileira. Esse evento, tido pelos historiadores como um golpe, deu início a profundas transformações em nosso país. Os símbolos nacionais, naturalmente, sofreram modificações porque o novo governo desejava apagar as referências existentes ao antigo regime.

Prédios públicos tiveram seus nomes alterados, assim como ruas; a Bandeira Nacional foi modificada, mantendo o seu esqueleto original, mas com a ausência do símbolo monarquista nela. No caso do Hino Nacional, decidiu-se por realizar um concurso para escolher a melodia que acompanharia os versos do poeta Medeiros e Albuquerque.

O concurso recebeu 29 composições, com um vencedor que seria divulgado em janeiro de 1890. Entretanto, iniciou-se uma campanha encabeçada por alguns intelectuais para impedir que o concurso elegesse o novo hino. Um dos representantes dessa oposição foi Oscar Guanabarino, que argumentou que o hino existente era tradicional e havia liderado o país em glórias expressivas, como as vitórias militares na Guerra do Paraguai.

Deodoro da Fonseca, presidente do governo provisório, foi convencido, e a composição criada por Francisco Manuel da Silva foi mantida como a melodia do nosso Hino Nacional. O resultado do concurso fez com que a melodia de Leopoldo Miguez fosse a vencedora, e, por meio do Decreto nº 171, de 20 de janeiro de 1890, foi determinado que a composição de Miguez se tornaria o Hino da Proclamação da República. Esse decreto também oficializou a manutenção da composição de Francisco Manuel da Silva.

Quem escreveu o Hino Nacional?
Assim, no período republicano, o Hino Nacional manteve-se apenas como uma composição instrumental, pois não possuía letra. A partir de 1906, o maestro Alberto Nepomuceno passou a envolver-se com a elaboração de uma letra para o hino.

Em 1909, ele mobilizou seu amigo, o poeta Joaquim Osório Duque-Estrada, para escrevê-la. Como resultado disso, sua letra, produzida ainda naquele ano, popularizou-se, mas não foi oficializada pelo governo brasileiro. Ainda assim, o governo decidiu pagar cinco contos de réis ao poeta como recompensa.

Foi durante o governo de Epitácio Pessoa (1919-1922) que a letra do Hino Nacional, escrita por Joaquim Osório Duque-Estrada.

O centenário da independência criou as condições políticas para que a letra de Osório Duque-Estrada fosse oficializada como parte do Hino Nacional, pois não havia tempo para um novo concurso.

Assim foi emitido o Decreto nº 15.671, em 6 de setembro de 1822. Por meio dele, o governo de Epitácio Pessoa comprou definitivamente a letra, pagando mais cinco contos de réis para Osório Duque-Estrada, e tornou-a oficialmente parte do Hino Nacional do Brasil.

Dia do Hino Nacional
O Hino Nacional brasileiro tem uma data comemorativa celebrada anualmente. Trata-se do dia 13 de abril, sendo a escolha dele uma referência ao fato de que a melodia de Francisco Manuel da Silva foi tocada pela primeira vez em 13 de abril de 1831. Isso aconteceu no Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro.

Letra: Hino Nacional

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.

Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

* Wybson José Pereira Carvalho é membro fundador da Academia Caxiense de Letras, foi radialista, jornalista. Atualmente é escritor, poeta e funcionário público. Participou de duas antologias nacionais e de grandes saraus na capital São Luís. Gosta de escrever gêneros literários, contos e poesias.

ALEART: A LUZ E O ALENTO!

Neste momento de tantas angústias, tantos desajustes, tantas barbáries, surge uma luzinha de esperança e bons fluidos. É que, num contraste abençoado, a nossa ALEART (ACADEMIA DE LETRAS, ARTE e SABERES) ganha a sua sede, onde funcionou, por anos, uma prisão, o 5° Distrito Policial, no Anjo da Guarda.
E algo, mais importante e significativo do que trocar a reclusão por liberdade, não há. Liberdade em todas as suas formas. De pensar. De querer. De escolher. De dizer. De agir. De construir. De ser.
E, com esse norte, somos sabedores de que, mais do que ter a sede própria, somos produtivos; e a disseminação de cultura é o que nos move. Do teatro à poesia. Da crônica ao curso profissionalizante. Do empreendedorismo ao produzir. Do livro à música. Do desejar ao saber.
Se, como mestres da cultura popular, agitadores culturais, cordelistas, cantores, atores, intelectuais, professores, artesãos, jornalistas, homens e mulheres produtivos (…), estamos de parabéns; de parabéns, está, especial e soberbamente, a área Itaqui Bacanga, um celeiro cultural inesgotável!
Resta-nos, portanto, com as divinas bênçãos, caminhar, com responsabilidade, as trilhas dos saberes, que nos conduzirão, com sapiência e equilíbrio, à realização de nossos projetos, de nossos eventos e à (in)formação de nosso próximo.
Salve a ALEART!
Que Deus nos ilumine e nos abençoe!

A Engenharia e os Engenheiros têm suas datas comemorativas

O dia 10 de abril comemora-se no Brasil o dia da engenharia. A engenharia, segundo o dicionário Michaellis, é a “arte de aplicar os conhecimentos científicos à invenção, aperfeiçoamento ou utilização da técnica industrial em todas as suas determinações”.

Essa data foi definida em homenagem ao Tenente Coronel João Carlos de Villagran Cabrita, que morreu em 10 de abril de 1866, quando se encontrava à frente do 1º Batalhão de Engenharia, na Guerra da Tríplice Aliança, sendo honrado com o título de patrono da engenharia.

A engenharia existe desde a Antiguidade, desde as invenções fundamentais, como a roda, a alavanca e a polia, e atualmente se desdobra em diversas áreas, tais como: Elétrica, Civil, Mecânica, Bioengenharia, Agrônoma, de Produção, de Computação, de Alimentos, Aeronáutica, Química, Metalúrgica, de Materiais, Ambiental, entre outras.

Encontramos a engenharia em todos os setores de nossa vida, por exemplo, nos transportes, nas comunicações, no vestuário, nos alimentos, na medicina, na computação, entre outros.

Os cursos superiores de engenharia geralmente têm duração média de 5 anos, sendo compostos por disciplinas básicas como cálculo, química e física, e disciplinas específicas conforme o ramo escolhido.

O profissional que exerce a engenharia, corretamente diplomado, é chamado engenheiro, e seu dia é comemorado em 11 de dezembro, dia em que, no ano de 1933, foi realizado o decreto nº 23.569 regulamentando o exercício da profissão de engenheiro, arquiteto e agrimensor.

O primeiro curso formal de engenharia no Brasil foi inaugurado em 17 de dezembro de 1792, data de criação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, no Rio de Janeiro.

Mais de 100 anos depois, em 1917, Edwiges Maria Becker Hom’meil tornou-se a primeira engenheira do país, formada pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro.

Enedina Alves Marques entrou na história como a primeira engenheira brasileira e a primeira mulher negra com a formação em Engenharia Civil, em 1945, pela Universidade Federal do Paraná. A engenheira custeou seus estudos até a graduação, trabalhando como empregada doméstica e babá.

A área da engenharia foi marcada pela presença de uma mulher formada  a muito tempo, mas, isso só ocorreu mais de um século depois que o primeiro curso de engenharia foi criado por Dom João VI em 1810. Com o passar do tempo a presença de mulheres na engenharia foi aumentando e atualmente as graduações contam com um número mais expressivo do público feminino se comparado com outras décadas anteriores.

Fontes: https://construcaocivil.info/; 

Patrono da Educação dos Cegos no Brasil é José Álvares de Azevedo

José Álvares de Azevedo nasceu no dia 8 de abril de 1834,  filho de Manuel Álvares de Azevedo, de uma família abastada do Rio de Janeiro, então capital do Império. Cego de nascença, porém muito assistido pelos pais, que lhe eram totalmente dedicados, o menino desde cedo manifestou uma inteligência acima da média, além de uma curiosidade infindável de conhecer e investigar tudo o que suas mãos pudessem alcançar.

Na busca por dar ao filho as melhores condições de se desenvolver e seguindo os conselhos do  Dr. Maximiliano Antônio de Lemos, velho amigo da família, os pais de José decidiram enviá-lo para estudar na única escola especializada na educação de cegos que havia no mundo naquela época – o Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris. O menino frequentou a escola, na condição de interno, dos 10 aos 16 anos de idade, obtendo aproveitamento máximo em todas as disciplinas, de acordo com o relato de João Pinheiro de Carvalho, ex-aluno da escola de Paris e que viria mais tarde a lecionar no Instituto Benjamin Constant.

Além da inteligência, José teve a sorte de estar no lugar e na época certos para adquirir um conhecimento que iria ampliar enormemente os seus horizontes: o sistema de leitura e escrita inventado pelo francês Louis Braille e que estava em fase de experimentação no Instituto de Paris.  Concluído o curso,  o jovem Azevedo adquiriu regressou ao Brasil em 1850 com um ideal: disseminar esse sistema a todos os cegos que conseguisse, com a criação de uma escola semelhante àquela que havia tido o privilégio de frequentar.

Para alcançar o seu objetivo, José passou a fazer palestras em todos os lugares  possíveis, como casas de família e os salões da Corte Imperial.  Escreveu e publicou também artigos sobre a importância do braille para a educação dos cegos brasileiros, até então condenados ao analfabetismo e a uma vida de total isolamento social.  Dava a si mesmo como exemplo de como a inclusão não só era possível como relativamente fácil, desde que fossem dados os meios para educar essas pessoas. Mais do que isso: José Álvares de Azevedo, com apenas 16 anos de idade, passou a trabalhar incansavelmente para ensinar o sistema a outros cegos, tornando-se não só a primeira pessoa cega a atuar como professor, como também o primeiro professor especializado no ensino de cegos no Brasil. E foi como professor que ele teve a oportunidade de  se aproximar da única pessoa com poder suficiente para transformar seu sonho em realidade: o Imperador D. Pedro II.

Entre os seus alunos havia uma moça cega, Adélia Sigaud, filha do Dr. Francisco Xavier Sigaud, médico da Corte Imperial.  Impressionado com o desenvolvimento da filha, Xavier Sigaud – com o auxílio do Barão do Rio Bonito – conseguiu para José uma audiência com o imperador.  Nela, José não só fez uma demonstração de como o braille poderia acabar com o analfabetismo entre os cegos como propôs ao monarca a criação de uma escola especializada dos mesmos moldes do Instituto de Paris. Impressionado e sensibilizado pela apresentação, D. Pedro II decidiu abraçar a causa do professor, dando início ao processo de criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos – hoje, Instituto Benjamin Constant.

Álvares de Azevedo participou intensamente das providências iniciais e decisivas para a fundação da escola, mas não chegou a ver seu sonho ser realizado –  no dia 17 de março de 1854,  seis meses antes da inauguração, o jovem morreu, vítima de tuberculose, aos 20 anos de idade.

Por sua imensa contribuição para a inclusão social da pessoa cega brasileira,  José Álvares de Azevedo recebeu o título de  “Patrono da Educação dos Cegos no Brasil” e o dia do seu nascimento, 8 de abril, foi declarado oficialmente Dia Nacional do Braille.

(Fonte: LEMOS, Edison Ribeiro. José Álvares de Azevedo: Patrono da Educação dos Cegos no Brasil. Revista Benjamin Constant. Rio de Janeiro, Instituto Benjamin Constant, nº 24, abril de 2003) e https://www.gov.br/ibc/

TODO DIA É DIA DA POESIA

Por Zé Carlos Gonçalves

Se eu fosse um poeta …

não haveria hora
nem tempo teria,

rimas perfeitas faria:

luz com guia
José com Maria
vida com alegria
amor com magia
querer com sabedoria
solidariedade com empatia!

aí, o mais belo jardim
se criaria
e
cresceria
e
se fortaleceria

e

linda e bela,
a minha jornada seria:

a fome não doeria
a raiva não vingaria
a dor não maltrataria
o capricho não agiria
o sofrer não acordaria
o estresse não gritaria
a desilusão não viveria
o medo não se firmaria
a inveja não despertaria
o tédio não se insinuaria
a preocupação não falaria
o choro não se derramaria
a angústia não mortificaria
a tristeza não se perpetuaria!

de tão feliz não dormiria!

o amar tornar-se-ia
a absoluta e única mania
e
eu, de todo amor,
me vestiria!

Ah, se eu fosse um poeta,
quão bem a poesia
eu faria:
todo dia …!

Foto: Pôr do Sol na Fazenda Nazaré em Matinha/MA.

FESTEJO DE SÃO SEBASTIÃO, UMA HISTÓRIA DE FÉ

Por Pe. Márcio Hélio*

A cada começo de ano o coração do povo de Peri-Mirim bate mais forte por que é tempo de feste­jar, louvar a Deus, rever a família, os amigos, e, o festejo de São Sebastião proporciona tudo isso.

Pe. Márcio Hélio Cardoso Silva

Ofício Eclesiástico: Vigário Paroquial de São Benedito e Diretor do Colégio Pinheirense

 

TERRA DAS ÁGUAS

Por Gilvan Mocidade*

Terra querida
Abençoada
E hospitaleira
Terra das águas
E das juçareiras
Tu é a Rainha
Do nosso Munim

Quero ouvir
O canto
De um sabiá
Na pedra
Do tanque
Tu vai te encantar
Orgulho
Do nosso
Maranhão
Salve salve
A minha
Bela Axixá

Em perijuçara tem
Um por sol
No cais
A revoada
Dos guarás
É um Encanto
A mais
Toca minha orquestra toca
Pra meu boi dança
Essa é a Mocidade
Lá de Axixá.


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AMÉLIA FERRARI, UMA REFERÊNCIA NA EDUCAÇÃO DE ORIXIMINÁ

Por Ângelo Ferrari*
 
Nascida em 1942 no lago Sapucuá, na comunidade Amapá, em Oriximiná, a Professora Amélia Ferrari, minha mãe, sempre foi uma referência sobre Educação para nossa família e na região do Baixo Amazonas.

Era uma época onde tudo era precário, onde até o deslocamento era complicado, as pessoas em suas pequenas embarcações levavam dois, três dias de canoa até o centro de Oriximiná, remando, já que ter uma embarcação motorizada era um privilégio para poucos e as embarcações maiores eram em menor número. Se atualmente as escolas ainda são precárias, imaginem naquela época em que não havia os recursos disponíveis que se tem hoje.

Estudar era difícil, mas desde cedo, meus avós, já preocupados com a educação da filha, mandaram minha mãe para a capital, Belém, onde ela estudou até se formar em Magistério, quando decidiu voltar para Oriximiná e exercer a docência, uma das mais belas profissões e, na minha opinião, a mais importante de todas, que é a de professora.

Uma memória que merece respeito, uma história irretocável, de índole e reputação ilibada. E é assim que eu, minha família e o povo de Oriximiná vamos sempre lembrar da nossa matriarca. Uma mulher de luta, honesta e, sobretudo, apaixonada pela Educação.

* Ângelo Ferrari é filho Amélia Ferrari, natural de Oriximiná/PA, Deputado Estadual. Informações de contato: E-mail: ascom@angeloferrari.com: e http://www.angeloferraripa.com/