Aos demais Mestres um abraço
Com respeito e com louvor.
Aos demais Mestres um abraço
Com respeito e com louvor.
Por Eulálio Figueiredo*
HOMENAGEM QUE FIZ HOJE A NOITE NA MISSA EM AÇÃO DE GRAÇAS PELOS 100 ANOS DO ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO DO MEU PAI.
Boa noite.
Hoje estamos aqui reunidos, em missa de ação de graças, para celebrarmos 100 anos de nascimento do nosso pai e patriarca Raimundo Pereira de Almeida, conhecido por todos os membros da nossa família e amigos como Raimundo Castelo.
Sinceramente, não considero que nosso pai tenha morrido; ele ainda está vivo entre nós por muitas razões que haverei de demonstrar nestas poucas palavras de reflexão, principalmente porque, de acordo com o texto bíblico, a morte não é o fim, mas recomeço, renascimento.
Considero, portanto, que nosso pai partiu para viver na morada eterna do paraíso cerúleo, onde também nossa mãe Gilda, chamada carinhosamente de “Boneca”, habita com ele na tranquilidade do paraíso, sob a proteção de Deus.
Quem acredita nas promessas divinas jamais morrerá; quem encarnou com devoção e dignidade aqui na terra um papel digno do ser humano escorreito nunca terá sua existência esquecida.
Por essa razão, concluo que nosso pai ainda vive entre nós pelo seu exemplo, pelos seus ensinamentos, pelo seu companheirismo e pela saudade que jamais passará.
Na verdade, ele apenas partiu ao encontro do pai celestial. Sua partida se assemelha à do viajante, do qual nos despedimos numa estação de trem, num porto ou num aeroporto, onde, após a despedida, ficamos aguardando os veículos de transporte se afastarem de nossas vistas até sumirem definitivamente.
Perdemos o contato visual com o nosso pai, mas não conseguimos esquecer seu rosto, sua voz, seus abraços, seus beijos, suas bênçãos, seus conselhos, suas atitudes, enfim, todo o legado que fez valer a pena nossa convivência terrena com ele.
Para os padrões de qualidade de vida dos anos vividos pelo nosso pai, ele conquistou níveis suficientes de saúde e existência lúcida. Nunca perdeu a memória e a capacidade de ensinar, apesar de não haver conquistado um diploma de ensino básico, médio ou superior. Sua grande formação foi feita na escola da vida, onde os bancos escolares do cotidiano lhe ensinaram tudo que precisava aprender para ser um homem honrado e construir uma grande família.
Embora não tenha concluído o ensino primário, juntamente com nossa saudosa e cuidadosa mãe, ensinou-nos tudo que precisávamos saber durante nossa infância, desde o alfabeto para bem falarmos e escrevermos à tabuada que continha as quatro operações matemáticas. Ambos foram grandes pedagogos a nos ministrar inesquecíveis lições, que incluíam educação moral e princípios religiosos.
Recorro à memória para retratar a figura sossegada, mansa, tranquila e pacífica de nosso pai, nos finais de semana ou nas noites silenciosas, sentado à sua mesa favorita escrevendo cartas aos vaqueiros e parentes no interior do estado, quando não para o seu irmão no Rio de Janeiro, assim como avisos para o interior a serem lidos por locutores das rádios Difusora e Educadora, sem qualquer erro de ortografia.
Na sua vida de comerciante honesto, quando estava em seu armazém no bairro do Desterro ou realizando negócios com outras pessoas, não dispensava um lápis ou uma caneta para armar a conta e depois tirar a prova dos noves para assegurar-se de que seus cálculos estavam corretos, hábito, segundo ele me contou, adquirido com a professora normalista que lhe ensinou as primeiras letras e as primeiras operações aritméticas.
Juntamente com a nossa mãe era devoto dos preceitos cristãos do catolicismo. Frequentava sempre as missas dominicais da Igreja Nossa Senhora do Desterro, especialmente quando a missa era celebrada pelo seu primo, o padre Sidney Castelo Branco.
Posso dizer, sem margem de erro, que aprendemos muito com nosso pai. Ele nos ensinou coisas que eu nunca aprendi nos livros, como honestidade, honradez, ética, disciplina, humanidade e fraternidade.
Apesar do seu jeito manso, era muito fluente ao dialogar com as pessoas, independentemente de serem conhecidas ou não, posto que detinha a diplomacia no falar calmo, lento, compassado, a exemplo de um monge que prega sabedoria sacerdotal, chegando a cativar facilmente pessoas jovens ou idosas, sob o encanto de suas palavras e da maneira educada de pronunciá-las.
Tinha orgulho quando as pessoas me perguntavam: “esse senhor é teu pai?” Eu respondia sim; elas diziam: “que doce de pessoa; que diálogo notável travei com ele, num aprendizado gratuito!” Eu, no meu incomensurável envaidecimento filial, recebia tais comentários com muita alegria.
Não obstante sua educação monástica, tinha um humor aguçado e sempre estava nos contando uma história engraçada dos tempos de sua infância pobre ou mesmo contemporânea aos fatos. Nesse momento, tornava-se divertido e descontraído, ocasião em que revelava seu sorriso farto.
Malgrado as dificuldades que enfrentou na sua vida infanto-juvenil, nunca vi nosso pai queixando-se dos dissabores ou mesmo de dores. Por isso mesmo proporcionou a todos os filhos as mesmas oportunidades para estudarem e vencerem nas suas opções profissionais.
Ensinou-nos essencialmente coragem e mostrou-nos entusiasmo para vencermos o mundo, após o desligamento do abrigo familiar, onde o carinho e a proteção paternos, como regime fraterno do amor doméstico, não é idêntico ao que encontramos fora do lar, conforme a paisagem que vamos colorindo ao longo da estrada de nossas vidas.
Foram tempos felizes, como se uma saudade perene nunca apague de nossas memórias essas gostosas lembranças. Saudades que nem mesmo a morte física consegue eliminar de nossas vidas, porque a convivência terrena nos legou os melhores momentos de alegria que faz manter nosso pai vivo entre nós, numa metáfora nobilitante, igual aos sonhos e quimeras que alimentam nossas almas.
Hoje pela manhã um sobrinho nosso mandou uma mensagem de texto, dizendo que tinha um arquivo com várias fotos do nosso querido pai em seu celular. Contudo, as perdeu porque um defeito no equipamento as apagou. Pediu-me para mandar-lhe algumas. Respondi-lhe que as melhores fotos do nosso pai são as que estão gravadas em minha memória. Essas ninguém apagará, nem mesmo o tempo.
Nesta data em que celebramos, com esta santa missa de ação de graças, um século de nascimento de nosso querido pai Raimundo Pereira de Almeida, também estamos a comemorar alguns desses anos de sua existência conosco, revivendo sua lembrança, como se ele nunca tivesse partido para a morada celestial, onde convive com nossa amada mãe Gilda, sob a proteção de Deus.
Por isso invoco agora a perene proteção de Deus e da puríssima Nossa Senhora, com seu filho Jesus, à boníssima alma de nosso pai Raimundo Pereira de Almeida (Raimundo Castelo), bem como a nós seus filhos, netos e bisnetos, renovando ao Altíssimo o humilde acolhimento de nossas súplicas para a glória de nossas vidas.
Em nome de nossa família, agradeço a todos os que compareceram a este ato de fé cristã e de ação de graças.
Muito obrigado.
*Eulálio Figueiredo é natural de São João Batista (MA). Juiz de Professor do Departamento de Direito da UFMA. Escritor, poeta e compositor.
PLP 11/2020: Prevê a apuração do ICMS-substituição relativo ao diesel, etanol hidratado e à gasolina a partir de valores fixos por unidade de medida, definidos na lei estadual. Altera a Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996 (Lei Kandir), para dispor sobre substituição tributária do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) nas operações com combustíveis.
Apenas três deputados federais maranhenses votaram contra a alteração do ICMS sobre os combustíveis: Hildo Rocha (MDB), João Marcelo (MDB) e Gastão Vieira (PROS). O restando, inclusive parlamentares da base do governador Flávio Dino (PSB), votaram a favor.
O texto base do PLP 11/2020, proposto por Dr. Jaziel (PL-CE), foi aprovado por 392 a 71 na quarta-feira (13) pela Câmara dos Deputados. Os argumentos favoráveis são de que a menor cobrança do imposto estadual ajudaria a frear a alta dos combustíveis. Os contrários, entretanto, defendem que a medida não solucionaria o preço, já que depende da política da Petrobrás.
Aprovado, o ICMS dos estados passaria a ter preço fixo, calculado pelo preço médio dos combustíveis nos dois últimos anos.
A discussão acerca do ICMS envolve o embate entre Jair Bolsonaro (sem partido) e os governadores. O presidente culpa o imposto estadual pela alta – argumento bastante utilizado contra Flávio Dino (PSB) por sua oposição no Maranhão.
Apesar disso, deputados da própria base do governador, como Bira do Pindaré (PSB), Pedro Lucas Fernandes (PTB), Rubens Pereira Jr. (PCdo) e Zé Carlos (PT) votaram a favor da modificação.
“A alteração na cobrança do ICMS provará que a política de preços da Petrobrás, definida por Bolsonaro, é responsável pelos reajustes nos preços. Não a tributação, que continua estável. Os aumentos continuarão e a população vai continuar sofrendo com os reajustes dos combustíveis”, justificou Bira, em suas redes sociais.
Confira a votação de todos os deputados da bancada do Maranhão:
Aluisio Mendes (PSC-MA) – Sim
André Fufuca (PP-MA) – Sim
Bira do Pindaré (PSB-MA) – Sim
Cleber Verde (Republican-MA) – Sim
Edilazio Junior (PSD-MA) – Sim
Gastão Vieira (PROS-MA) – Não
Gil Cutrim (Republicano-MA) – Sim
Hildo Rocha (MDB-MA) – Não
João Marcelo S. (MDB-MA) – Não
JosimarMaranhãozi (PL-MA) – Sim
Josivaldo JP (Podemos-MA) – Sim
Junior Lourenço (PL-MA) –
Juscelino Filho (DEM-MA) – Sim
Marreca Filho (Patriota-MA) – Sim
Pastor Gil (PL-MA)
Pedro Lucas Fernan (PTB-MA) – Sim
Rubens Pereira Jr. (PCdoB-MA) – Sim
Zé Carlos (PT-MA) – Sim
Fonte: https://portalguara.com/ e https://www.camara.leg.br/
Parabéns à comunidade de Bacabal, Anajatuba. A Prefeitura de Anajatuba em parceria com o Governo do Estado construiu 10 (dez) tanques para piscicultura no povoado Bacabal, Anajatuba.
Uma obra de encher os olhos que com certeza trará oportunidades e melhoria de vida para a população do povoado. Os tanques já foram construídos e os piscicultores receberão apoio técnico, alevinos e ração para peixes por meio da Secretaria de Agricultura Familiar de Anajatuba. É Anajatuba vivendo novos tempos e no rumo certo.
Fonte: A Prefeitura de Anajatuba em parceria… – ANAJATUBA EM FOCO | Facebook



Com o apoio da Prefeitura de Anajatuba, Hélder Lopes Aragão, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar, Eduardo Castelo Branco, os pequenos agricultores anajatubenses já colheram mais de 7 (sete) toneladas e tem previsão de colheita de mais 20 toneladas.
A assistência técnica da equipe da secretaria de agricultura familiar está sendo importante para essa safra record. Agricultores dos Povoados Ponta Bonita, Baunilha, Teso Grande e São Pedro, já estão contando os lucros de seu suor e trabalho. É a Prefeitura de Anajatuba trabalhando por um futuro melhor para todos.
Fonte: Safra record de feijão em Anajatuba…. – ANAJATUBA EM FOCO | Facebook




Guerra de liminares em Açailândia levantou suspeitas de que sistema de distribuição de processos esteja viciado no Tribunal de Justiça. A Corregedora Nacional do CNJ determinou envio de equipe para averiguar denúncias.
A ministra Maria Thereza de Assis Moura, corregedora nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) passe por uma inspeção ordinária entre 8 e 12 de novembro. A ação se deu em resposta a denúncias protocoladas no CNJ. Segundo o documento, há a suspeita de vícios no sistema de distribuição de processo da casa.
O fato que fundamenta a denúncia demonstra que o desembargador Luiz Gonzaga Almeida Castro tem sido sorteado em todas as ações protocoladas pelo vereador de Açailândia Josibeliano Chagas Farias, o Ceará. Em todas estas ocasiões, Gonzaga decidiu de forma favorável ao vereador.
A denúncia é de autoria do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran. A ação revela uma série de concessão de liminares suspeitas iniciada em janeiro de 2021, quando o Ceará entrou com liminar para anular sessão que elegeu a Mesa Diretora da Câmara de Vereadores. Além disso, Gonzaga também atendeu ao pedido de Ceará de cassar o mandato de nove, dos dezessete vereadores da casa. Pior de tudo: deixando a Ceará os critérios de posse dos suplentes.
O caso se tornou motivação de uma guerra judicial que amparava a posse dos vereadores eleitos pela população de Açailândia em todas as instâncias. Decisões que sempre eram derrubadas por liminares relâmpago sempre expedidas por Luiz Gonzaga Almeida Castro em favor de Ceará. Absurdo jurídico que só foi resolvido definitivamente quando o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, determinou que os nove vereadores de Açailândia fossem empossados.
A série de liminares deferidos pelo desembargador prosseguiu. Após ação protocolada pelo grupo de Ceará, Gonzaga determinou o afastamento por 90 dias do vereador Cleones Oliveira Matos. Suspensão sem prejuízo da remuneração. Segundo os denunciantes, a manobra consistia em colocar no lugar de Cleones um vereador membro do grupo de Ceará para tentar aplicar um golpe na Mesa Diretora da casa e eleger o presidente.
Dada a estranheza dos fatos, a ministra Maria Thereza de Assis Moura decidiu que auditoria que deve atingir o sistema de distribuição processual do TJ, bem como o possível direcionamento das ações de Ceará para o desembargador Gonzaga.
A auditoria será tocada por uma equipe do próprio CNJ que deve vir a São Luís com a função de descobrir se houve coincidência ou um esquema de venda de liminares. Segue a decisão da corregedora:
Fonte: https://linharesjr.com/
Por Gusmão Araújo*
Há um sopro de Deus entre a intimidade que me religa pelo umbigo a alguém inesquecível e a saudade que se alimenta do perfume do amor que permanece. Perfume de rosas!
Na terra onde fui parido e o meu umbigo enterrado, especialmente após as primeiras chuvas do inverno, sinto um cheiro de chão peculiar, incomparável, que remonta à minha infância feliz. A ligação minha e da família com a terra é muito intensa. Cultivar a terra e produzir a própria comida que frutificava do chão fértil era tradição familiar, além das aventuras em pescarias muito prolíficas.
Na pequena comunidade Qindiua (terra abundante de doces) onde nasci, a doçura da vida era viver com simplicidade e obter da natureza os frutos emanados do céu. Quando eu ainda era muito jovem, a família migrou para a sede do município, Bequimão, singela e linda cidadela encostada entre o litoral e os campos da Baixada.
No novo lugar, a família cresceu e alcançou alguns laivos de prosperidade. Casa simples e típica, situada próximo à Igreja Matriz de Santo Antonio e Almas, quintal grande, cheio de árvores frutíferas e pequenas criações, cantoria de pássaros… Parecia um cenário perfeito pra se viver e sonhar.
Há uma marca entre mãe e filho que cicatriza mas não se apaga: o umbigo. Basta tocar no umbigo e o pensamento voa pra ela e uma caixa de boas memórias se abre. Aquela que me gerou e deu a vida pela minha, me alimentou por algum tempo por esse cordão vivo que depois se transformou numa marca indelével, a cicatriz do amor. Com o passar dos anos um outro cordão surgiu, como contas de um rosário – mãos que cuidam, abraços que acolhem, palavras que ensinam, conselhos que educam, sorrisos que encantam, gestos que eternizam o amor.
Na rede atravessada na varanda onde repouso por alguns instantes ao cair da noite, dirijo meus pensamentos para um tempo distante no qual contemplo o barulho matinal das crianças – eu e meus irmãos – e a voz doce daquela mulher simples que me gerou, gerando em mim também uma alegria que não cabe nos sentidos.
O lugar na varanda onde me encontro foi o mesmo espaço onde, no grande quintal, vicejou o jardim da minha mãe e, logo próximo, havia um recanto dedicado às brincadeiras intermináveis das crianças ao final da tarde.
Fecho os olhos e, intencionalmente, conduzo meus sentidos para cenas remotas, ricas em simbolismos e significados…
Enquanto “ela” regava suas plantas e se embriagava com o perfume das rosas – suas prediletas – corria os olhos ágeis em nossa direção. Do seu olhar saia uma voz inaudível e, ao mesmo tempo, perfeitamente compreensível. Parecia dividida entre conversar com as flores do seu jardim e cuidar, com o olhar altaneiro, os rebentos de seu ventre, pululando nos arredores. Em seu semblante havia uma certeza de que os rebentos banhados de terra eram seus verdadeiros tesouros os quais ela iria gastar uma vida para lapidar e fazê-los dignos de um futuro luminoso e da bondade de Deus. E fazer brilhar em cada um a luz de Cristo, conquistada nas águas do batismo.
Sempre que me colocava nessa situação, na rede na varanda, contemplando o infinito, conseguia congelar as imagens e eternizar um tempo que não morreu no passado. No inquietante e reconfortante silêncio do meu ser, com a pureza d’alma de uma criança, conseguia ouvir aquela voz familiar e insubstituível. Nessa condição, entre não estar acordado e não estar sonhando me permitia vivenciar uma realidade paralela que só o amor era capaz de reproduzir e eternizar. Era como se sentar numa confortável poltrona para assistir a um filme ansiosamente aguardado. Há um sopro de Deus entre a intimidade que me religa pelo umbigo a alguém inesquecível e a saudade que se alimenta do perfume do amor que permanece. Perfume de Rosas!
De repente, aquela voz tão conhecida rompe o silêncio e ouço um chamado: “José, tá na hora de parar e se preparar para o banho”; ouvem-se outros chamados à prole: “João, Antônio, Francisco, Bal”…, chamados prontamente atendidos mesmo que não se desejasse que a tarde findasse. Em outro canto do quintal um grupo de quatro meninas também brincava de construir sonhos e, vez ou outra, aumentar o barulho do dia com gritos de alegria. Após os acenos, aquela nobre mulher, com cheiro de rosas, seguia na frente e nós, com cheiro de terra, a seguíamos com a justa obediência daqueles que respeitavam porque amavam.
Por vezes, perdia a noção do mergulho que fazia na nossa história comum e quão tênue era a linha que separa a realidade cotidiana e a alegria genuína esculpida no íntimo do meu coração. Quando parecia que ia acordar, procurava meu umbigo e começava tudo outra vez e aquela voz silenciosa se colocava dessa vez a cantar, fazendo-me adormecer e sonhar, como um menino da pequena Quindíua que não desejava crescer…
Aquela nobre mulher, que conversava com as flores e se encantava com a história de Maria Santíssima e Jesus partiu para o jardim celestial há tempos, por certo auxiliando Nossa Senhora em suas tarefas divinas, mas a sua voz continua ecoando silenciosamente na minha história, aquecendo minha realidade, remexendo meu umbigo e me renovando o encanto pela vida e pelas vidas que também tive a graça de gerar. São flores que também cultivo no jardim do meu coração.
Senhora Antônia, esposa de Antônio…
O seu amor me fez vencer a dor e os desafios E acreditar que o seu olhar
Sua voz
E o seu abraço Me fazem sentir
Que continuas aqui Bem perto de mim Como um anjo
A me proteger Do anoitecer Ao amanhecer
Sempre, Minha Querida Mãe!
* José Ribamar Gusmão Araújo é natural de Bequimão/Maranhão. Membro-fundador do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), Gestor do Projeto Bosques na Baixada do FDBM. Engenheiro Agrônomo, formado pela UEMA. Mestre e Doutor em Agronomia/ Horticultura pela UNESP, Campus de Botucatu/SP. Professor Adjunto do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade (DFF)/CCA/UEMA. Leciona no Curso de graduação em Agronomia e no Programa de Pós-graduação em Agroecologia.
Durante mais de 6 anos vimos a inércia total da agricultura familiar em Anajatuba, um misto de incompetência e descaso com os pequenos produtores e agricultores anajatubenses, afundou a produção do município.
Hoje vemos “uma luz no fim do túnel”, os agricultores, apicultores e piscicultores voltando a sorrir, a ter esperança e gratidão. A secretaria de agricultura familiar de Anajatuba disponibilizou aos agricultores tratores com operadores e óleo diesel para preparação de áreas para o cultivo e, em menos de um ano, já soma números espetaculares jamais imaginados pelo mais sonhador dos produtores.
Já foram colhidas e vendidas mais de 25 toneladas de feijão, mais de 40 mil kg de mandioca e a produção de verduras, legumes e frutas são adquiridas pela prefeitura por meio do programa de aquisição de alimentos (PAA).
Já foram distribuídos mais de 8 mil alevinos e 6 toneladas de ração para peixes, o que em breve vai gerar renda aos piscicultores. Acabaram de serem construídos 20 tanques em diversos povoados para aumentar a produção de peixes, estimulando a geração de emprego e renda. Os piscicultores, agricultores e apicultores estão recebendo assistência técnica, e na apicultura serão adquiridos equipamentos para ajudar e apoiar no escoamento de mais de 50 toneladas de mel. Em breve irá começar a construção de um grande viveiro de mudas, o maior programa de produção de mudas já visto no município, capaz de produzir 10 mil mudas por ano.
Temos motivos para sorrir e agradecer a gestão do Prefeito Hélder Aragão, e ao Secretário de Agricultura Familiar, Eduardo Castelo Branco. É Anajatuba vivendo novos tempos e no rumo certo.
Fonte: https://www.facebook.com/anajatubaemfoco









Este ano de 2021 acontecerá a IV Ação de Graças na Jurema no dia 20 de novembro. O evento foi idealizada por José dos Santos, quando ele completou 94 anos de idade, no dia 02 de fevereiro de 2016.
A comemoração do seu aniversário foi realizada no dia 13 de fevereiro daquele ano (2016). O aniversariante, vestido de terno “arvo”, recebeu sua comunidade, parentes e amigos, com uma missa em ação de graças, ministrada pelo Padre Márcio. Foram servidas comidas e bebidas, muita fartura como José gostava.
Das tradições da Baixada, o Bumba meu Boi era a sua maior paixão. Na juventude, ele era brincante dessa linda dança. Por isso, os amigos o surpreenderam com a apresentação da “Estrela de Bequimão” de Tonho Martins e com uma linda toada contando a sua história, composta por Gilvan Mocidade.
O Sítio Jurema fica no povoado de Cametá a 5 km da sede do município de Peri-Mirim, porque foi lá que ele nasceu e, como perdeu a mãe muito cedo, sendo o filho varão mais velho (18 anos), teve que ajudar uma irmã, Maria Santos a, como se diz no interior “criar” os seus irmãos.
O sonho de José dos Santos era ser músico do Exército Brasileiro (tocar clarinete), não podendo realizar esse sonho, por ter que assumir o encargo da Educação dos irmãos, foi buscar um deles que “morava nas casas alheias” e os fez engajar no Exército (são eles João Pedro, Alípio e Antônio Santos, na ordem de idade, com exceção de João Pedro, todos já são falecidos), ficaram apenas 02 mais novos (Izidoro e Manoel, ambos falecidos), cuja educação já se misturava como as dos próprios filhos de José.
As irmãs Joelzila e Maria Santos, a primeira já falecida, ambas mais velhas que José. Joelzila por ser “criada” com a madrinha dela com muito amor e carinho, o José não a trouxe para junto dos irmãos. Joelzila casou-se com Seu Luís, que era tão bom para Joellzila que a carregava nos “charcos” e a tratava com tanto carinho que até se encarregava dos afazeres domésticos e, Maria, ah Maria – faleceu este ano de 2019 -, uma alma tão piedosa que sua maior característica é rir e chorar, quase que ao mesmo tempo.
A cor de preferência de José era “arva” e quando se perguntava qualquer coisa que envolvesse números, ele dizia” “otho” uma referência engraçada ao número oito.
Não por acaso, os guerreiros da Jurema são oito: 1) Joelzila Santos Matos – 01/09/1918; 2) Maria Santos Martins – 16/09/1920; 3) José Santos – 02/02/1922; 4) João Pedro Santos – 19/12/1927; 5) Alípio Santos – 28/03/1929; 6) Izidoro Santos – 02/01/1933; 7) Antônio Santos – 27/04/1934 e 8 – Manoel Santos – 23/09/1942. Vivo resta apenas João Pedro, que receberá homenagem especial na IV Ação de Graças, que será realizada no dia 20/11/2021, que usará a cor de sua preferência, o azul.




Por Zé Carlos
Ontem, vivi mais um dia, “ainda”. Dia radiante e vivo, assaltado por lembranças, serenas, de tantas correrias. E alegrias.
Lembranças, que me remeteram à expectativa por um simples carrinho. De plástico. Que não durava nem um dia, “inteiro”. Que ficava sem graça, logo, logo, despedaçado e trocado por um “possante”, feito de latas de óleo, com rodas de “chinela” e feixe de mola triplo.
Carrinho, que já não encontro mais. Ou uma bola, dente de leite, para substituir, mesmo que rapidamente, a bola de meia ou a bexiga de porco. Bexiga de porco, sim. Só quem jogou ou tomou uma bolada “no bucho” ou ficou com o cheiro impregnado “no couro” sabe a aventura que é jogar com uma bexiga de porco.
Lembranças, que me remeteram à corrida de saco, ao roubar bandeira, à corrida com o ovo na colher, ao pular corda … ou, simplesmente, rolar, rolar, rolar, até me saciar com a areia bendita, a “encharcar” os calções, que eram o terror do “banco de lavar”.
Quão bom foi reviver tudo isso! Quão bons foram os meus dias de criança! De janeiro a dezembro. Sem férias, sem dia santo, sem ponto facultativo. Dias de criança, plenos e verdadeiros.
Em razão disso, não me deixo enfeitiçar por moderníssimos eletrônicos. Uso-os, porém, com certo pudor. Sempre recorro às orientações do meu filho, que parece que veio com os dedos conectados às teclas.
Talvez, por isso, outro dia, vi-me surpreso a observar uma cena, hoje, considerada incomum. Uma mãe comprava um kit completo para a sua filha de aproximadamente 6 anos. Uma vassourinha, uma pazinha de lixo, um aventalzinho, uma bandana, umas colherzinhas de pau (…) Uma cena belíssima. Fiquei a cismar. Aquela mãe é integralmente dona de casa!? Ou será que hibernou por algumas décadas?! Entretanto, muito fiquei preocupado. Cheguei a perscrutar ao redor, à cata de algum fiscal ou alguma “fiscala”, de plantão, a interpelar ou, até, processar a mãe, acusando-a de um ato machista ou de alimentadora do pensamento de submissão.
Verdadeiramente, tremi. E temi. Pela mãe. Sublime, em sua simplicidade e pureza, a comprar um simples presente simples para sua filha. Verdade verdadeira! O “big brother” tornou-se insuportável e irracional.
“Ainda” bem que consigo, “ainda”, seguir por entre muitas dessas novidades e “chaturas”. “Ainda” bem que, “ainda”, trago a minha criança, em mim; o que me garante, “ainda”, estar vivo!