ZÉ NINGUÉM E ZÉ ALGUÉM …

Por Zé Carlos Gonçalves

CENAS DO COTIDIANO

A cidade, agitada, não dorme. Está, impotente, a ver a noite passar. O silêncio deixa-a só e parte rumo ao continente do descanso.

O galo, gaiato, “saído não se sabe de onde, rasga um canto desafinado”, a agitar a manhã, que vem surgindo apressada, e a enfurecer o corpo tão mal dormido.

No pulo da cama, o mirrado “zé ninguém” cega-se à casa. Não enxerga a companheira nem os filhos nem o seu fiel cachorro, comprado em dez vezes, sem juros. Só lhe resta um pedaço de pão, duro, a lhe rasgar a fome, que não teve tempo de se saciar com a fria marmita.

A cidade furiosa e insana lhe vai sugando a já combalida energia; e “zé ninguém”, que se autofagiou e se perdeu da família, busca numa tentativa, desesperadora, alimentar as contas bancárias estranhas e, cada vez, mais famintas.

O dia finda-se. Lá, fora, só resta a pressa de “voltar pra casa”. Mergulhado no mar de gente, alimenta o banguela e voraz ônibus, que lhe devora a força já tão débil. Desenxerga quem está sentado ao lado; desenxerga a praça e a a sua rosa solitária, dorminte, no canto esquerdo do jardim; desenxerga a sisuda ponte, a suster-se nas marés altas de muitas luas; desenxerga até a solícita praia, a lhe chamar, e lhe chamar, e lhe chamar. Vai. Vai alheio, sem um qualquer pensamento seu.

A noite, em sua ligereza, lhe “come” o sonho, perdido em um sono tão sobressaltado e vacilante, à espera “do gaiato galo” rodar a roda viva de uma outra e apressada manhã. Manhã, que talvez nem venha clamar por “zé ninguém”!

CENAS DO COTIDIANO II

No povoadozinho, dormia um sono solto e acompanhava os seus, ainda que esgotado da insana lida.

Do velho e esperado galo, esperava o canto, a despertar a barra do dia, no espetáculo mais espetacular de todos os outros espetáculos. Um mar de cores.

Os passarinhos, mais sábios que nós, despertavam felizes, a agradecer a nova alvorada. O fantástico e ensurdecedor alarido rasgava os sentidos de “zé alguém” em todos os tons!

Ao bem-ti-vi, alerta e canoro, só restava atiçar-lhe o sentido em todos os sentidos.

Pelo telhado, uma verdadeira peneira, invadiam-se tantos e tantos “raiozinhos de sol”, a gritarem que o “desacordar” chegava. Era hora de começar a labuta de todo dia.

Na casa de forno, o apogeu. O beiju, a exalar em todos os olfatos, ia “zumbinizando” o faminto do alimento sagrado.

A manhã seguia tranquila. E, de repente, só era quebrada a calmaria, com o mesmo grito, da mesma hora, a oferecer tudo. A dona de casa, alheia às suas preocupações, corria à porta e abastecia a faminta despensa, as suas panelas e fartava todas as bocas, que choramingavam em volta de sua saia.

A tarde, calma e dormente, era invadida pela verdadeira Babel. Piiróóléé, piiruuliitoo, algoodãoo dooce, piipoocaa. Fazia-se a mágica. Garrafas e litros brotavam em profusão. O escambo mais doce e justo realizava-se; e a saciedade a afogar a fome, que estava ali, sempre a espreitar.

À noite, o cabecear de sono era obra da velha Telefunken e do velho rádio Semp, que amoleciam o corpo, já tão em frangalhos; mas que dormia, sonhava belos sonhos e, até, contava co’outra promissora alvorada.

“Zé alguém” podia, enfim, ir labutar de novo!

A AMCAL segue sua trajetória de sucesso

Por Ana Creusa

O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) participará da posse solene dos membros da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras – AMCAL, que ocorrerá dia 18 de fevereiro (domingo). Na ocasião o Presidente da AMCAL, César Brito, se filiará ao Fórum da Baixada.

Durante o evento, o FDBM colocará à disposição dos matinhenses exemplares do Livro ECOS DA BAIXADA, o qual contém crônica do acadêmico João Carlos, folha 101 do livro.  O Livro Ecos da Baixada é composto por 32 (trinta e duas) crônicas e artigos sobre a Baixada.

Nesse compasso, vale à pena recordar a história de sucesso da AMCAL, cuja criação deu-se no dia 29/07/2017, em sessão solene dirigida por Fátima Travassos, presidente da Academia Vianense de Letras – AVL.

Conforme prevê o Estatuto, a Academia é composta de 40 (quarenta) acadêmicos, titulares das respectivas cadeiras, sendo eles: Alan Rubens Silva Sá; Arquimedes Soeiro Araújo; Carlos César Silva Brito; Doralice Souza Cunha; Edleuza Nere Brito de Souza; Emanoel Rodrigues Travassos; Euzébia Silva Costa; Ezequias Nascimento Cutrim; Helena de Jesus Travassos Araújo; José Antônio Alves da Silva Cutrim; João Carlos da Silva Costa Leite; João Meireles Câmara; Luís Kleber Furtado Brito; Manoel Santana Câmara Alves; Maria Zilda Costa Cantanhede; Maria de Jesus Serra Ferreira; Maria Madalena Nascimento; Osmar Gomes dos Santos; Padre Guido Palmas; Pedro Carlos dos Santos; Raimunda Silva Barros; Simão Pedro Amaral e Valdemir dos Santos Amaral.

Na ocasião da Sessão Solene de criação, foi eleita a primeira Diretoria da AMCAL, com mandato de 02 (dois) anos, permitida a reeleição, com a seguinte composição: Carlos César Silva Brito – Presidente; Edleuza Nere Brito de Sousa – Vice-Presidente; Maria Zilda Costa Cantanhede – 1° Secretária; Maria de Jesus Serra Ferreira – 2° Secretária; João Carlos da Silva Costa Leite – 1° Tesoureiro e Simão Pedro Amaral – 2° Tesoureiro.

A AMCAL promoveu um evento de muita repercussão e sucesso no dia 16/09/2017, em parceria com a gestão municipal de Matinha, Fórum da Baixada, Associação Maranhense de Escritores Independentes – AMEI e Feira do Livro do Autor e Editor Maranhense – FLAEMA, a Academia promoveu a Amostra Cultural de Matinha no São Luís Shopping.

O evento marcou, efetivamente, o início das atividades da Academia Matinhense, com promoção de danças, reuniu pessoas para falar de suas raízes, do seu sentimento de pertencimento, do histórico de lutas, de suas tradições, do orgulho de ser baixadeiro, com seu linguajar peculiar, que marcadamente o destaca e o diferencia, porém, costumeiramente, gera discriminações e preconceitos.

Reconhecendo a importância da AMCAL, o FDBM, dia homenageou a AMCAL no dia 19/12/2017, com entrega de uma Comenda, pelos relevantes serviços prestados à cultura baixadeira e por ser a mais recente academia criada na Baixada Maranhense, criada sob a filosofia da inclusão das diversas modalidades de manifestação cultural.

A AMCAL segue sua trajetória de sucesso, com mais uma vitória: no último dia 08/02/2018, o presidente da AMCAL, César Brito, foi eleito Tesoureiro da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA).

O povo matinhense está de parabéns pela atuação de sua academia de ciências, artes e letras que cumpre seu papel de fomentar esses valores, de forma inclusiva e participativa. Parabéns aos acadêmicos que serão empossados no dia 18 de fevereiro.

MEMÓRIAS RADIOFÔNICAS DO SAUDOSO LUIZ PEDRO

Por Luiz Pedro*

O rádio ainda é o meio de comunicação de massas mais presente na vida das pessoas, seja pelo imediatismo seja pela facilidade de acesso a ele, presente nos lares, nos carros e, mais recente- mente, nos celulares. Se isso acontece nos dias atuais, imagine em épocas passadas, como as décadas de 50, 60 e 70 do século passado. O Maranhão, até os anos 50, não possuía rodovias. O movimento de pessoas e cargas era feito por embarcações e pelos trens da São Luís-Teresina. Os aviões eram utilizados por pessoas de posses ou em alguns casos emergenciais.

Já as comunicações eram extremamente escassas. As cartas demoravam semanas para chegar ao destino e mesmo os telegramas só chegavam a poucos pontos em determina- das cidades do interior. Ligações telefônicas eram difíceis, os telefones, raros e os enlaces interurbanos demoravam horas para se completar, quando se completavam.

Nesse ambiente, o rádio tinha importância fundamental. Através dele, informação, entretenimento e serviços chegavam ao mais distante povoado do interior, ainda mais depois do rádio transistorizado, que utilizava pilha ou bate- ria, uma vez que energia elétrica era pouquíssimo difundida. A radiofonia maranhense existia desde 1941, com a fundação da hoje Rádio Timbira. Mas é com a criação das rádios Ribamar (hoje Cidade) e Difusora que os programas radiofônicos ganham o gosto das multidões e lançam nomes de locutores que eram tão prestigiados quanto os atores globais da atualidade.

Foi na o final da década de 50 que surgiu um programa que veio a fazer história no rádio maranhense: o Correio do Interior. A fórmula era simples: pessoas que queriam se comunicar com parentes ou amigos no interior, especialmente nos municípios da Baixada, redigiam avisos que eram lidos pelo locutor do programa.

Zé Leite, Fernando Cutrim, Ricardo Rodrigues, César Roberto Maciel, Fernando Sousa e Almeida Filho emprestaram a sua voz para os avisos de viagens, de acidentes, de mortes, de nascimento de filhos e netos e de coisas prosaicas como preparar uma montaria para esperar um viajante que subia os rios da Baixada. O programa ia ao ar às 8 da noite, após a Voz do Brasil.

O sucesso era tanto que os avisos invadiam outros pro- gramas da Difusora, como o Correio Musical Eucalol, de 8 às 10 horas, e de 16 às 17 horas, e o Quem Manda é Você, comandado por Zé Branco, nas manhãs de segunda a sexta. Nem os domingos escapavam: os avisos apareciam no Do- mingo é nosso, que teve Lima Júnior, Don Ivan e Leonor Filho como apresentadores.

A fórmula foi copiada sem o mesmo sucesso por emissoras como a Ribamar e a Educadora. Esta, aliás, mantém avisos em sua programação até hoje, mas as comunicações fáceis fizeram a fórmula murchar.

Meu amigo Gojoba, o jornalista e radialista José Ribamar Gomes, durante um curto período recebia os avisos a serem divulgados e cobrava pela transmissão das notas, tudo devidamente contabilizado num bloco de recibos que, ao final do dia, era eventualmente arrecadado por Magno Bacelar, um dos donos da emissora.

O sucesso do programa era tamanho que os Correios entraram com uma ação tentando proibir a divulgação dos avisos por concorrência ilegal. O caso não prosperou porque os Bacelar conseguiram na Assembleia Legislativa aprovar para o programa um título de utilidade pública e, assim, tudo continuou como dantes.

Registre-se que, nessa época, a Difusora operava em ondas curtas e ondas tropicais, além das ondas médias até hoje existentes. As ondas tropicais e curtas chegavam aos recantos mais longínquos, dentro e fora do Brasil.

O Correio do Interior era uma fonte importante de recursos para a Difusora. Gojoba calcula que, a preços de hoje, a emissora faturava cerca de 150 mil reais mensais com os avisos, dinheiro providencial para pagar os “vales” que os trabalhadores da casa pediam.

A maior renda do programa, deveu-se a uma tragédia. O naufrágio da Lancha Proteção de São José, ocorrido no dia 27 de outubro de 1965, que deixou centenas de vítimas. O número exato de mortos e desaparecidos não se sabe, pois não havia o controle de passageiros à época.

A lancha que partira do porto da Raposa, em São João Batista, afundou à noite após se chocar com recifes, já próximo à costa de São Luís. Entre os sobreviventes, que permanece vivo até os dias atuais, está o comerciante Juarez Diniz Cutrim, dono de um bar tradicional na Belira.

Nessa noite, sobreviventes faziam fila diante dos microfones da Difusora para, com suas vozes, tranquilizarem os familiares no interior.

*Luiz Pedro de Oliveira e Silva é natural de Juazeiro do Norte (CE). Jornalista. Foi deputado estadual por duas legislaturas. Foi chefe de gabinete do governador Jackson Lago. É baixadeiro por adoção, amor e convicção. Coator do livro Ecos da Baixada.  Nasceu em 26 de fevereiro de 1953 e faleceu em 2 de junho de 2021 em São Luís.

Dia Mundial do Rádio, 13 de fevereiro.

13 de fevereiro: Dia Mundial do Rádio

Dia Mundial do Rádio, 13 de fevereiro, data que marca o aniversário da primeira transmissão da Rádio das Nações Unidas (United Nations Radio), programa que foi transmitido para seis países no ano de 1946.

Unesco escolhe a paz como tema do Dia Mundial do Rádio deste ano de 2023. Viva o Dia Mundial do Rádio, que é comemorado nesta segunda-feira (13)! 

 Adauto Soares, coordenador do Setor de Comunicação e Informação da Unesco Brasil, fala sobre  das razões que motivaram a escolha da paz como tema para as comemorações da data em 2023!

A história do rádio no Brasil: conheça um pouco mais sobre essa trajetória

O rádio é um dos veículos de comunicação mais importantes em atividade no Brasil, reconhecido pela sua forte abrangência e seu papel, por vezes, histórico na trajetória do país. Vamos conhecer um pouco da história desse veículo.

O início

Oficialmente, a primeira transmissão por ondas de rádio no Brasil ocorreu em 7 de setembro de 1922, nas comemorações do centenário da Independência. O conteúdo? A fala do presidente Epitácio Pessoa e a ópera O Guarani, de Carlos Gomes.

A primeira emissora, no entanto, começou a operar apenas em 1923, sob o entusiasta Roquette Pinto, um médico que pesquisava a radioeletricidade para fins fisiológicos, mas que decidiu investir no rádio. Era a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a PRA-2.

Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em 1923 – Foto: site Instituto Roquette Pinto

A emissora carioca transmitia óperas, poesias e informações sobre o circuito cultural da cidade. Até o ano seguinte, mais emissoras entraram no ar em Pernambuco, São Paulo, Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná.

Nesse início, as emissoras eram clubes ou sociedades de amigos, que financiavam a instalação e a operação. Os receptores, conhecidos como galenas, eram artesanais, feitos de sulfeto de chumbo com antena de arame fino.

A chamada Era de Ouro

Com a consolidação como negócio, o rádio entrou em uma fase conhecida até hoje como Era de Ouro. Isso se deu a partir da década de 1930, quando ele se popularizou, tornou-se meio para informação e entretenimento e passou a veicular publicidades, o que permitiu novas fontes de receita.

As emissoras desse período foram responsáveis por lançar grandes nomes da música brasileira, como Ary Barroso, Dalva de Oliveira e Orlando Silva. Essa era se estendeu pela década de 1940, até a chegada da televisão em 1950, que passou a dividir com o rádio as atenções da audiência.

Compositor, músico e radialista Ary Barroso – Foto: site Instituto Moreira Salles

Todas essas emissoras funcionavam em Amplitude Modulada (AM), uma forma de modulação de áudio em que a amplitude da onda varia de acordo com o sinal modulador. Mas já na década de 1930 começava a surgir outra tecnologia muito importante, a Frequência Modulada (FM).

O surgimento das rádios FM

Outro marco histórico na trajetória da radiodifusão foi a chegada das emissoras em Frequência Modulada (FM), que permitiu um elevado ganho na qualidade sonora das transmissões. Embora a tecnologia existisse há décadas, apenas em 1970 entrou no ar a primeira emissora FM no Brasil, a Difusora, em São Paulo.

Foi o FM o responsável pela oxigenação das emissoras de rádio, com crescente números de receptores. Em cinco anos, a quantidade de aparelhos saltou de 3 para 34 milhões, consolidando os dois formatos de rádio, AM e FM.

Década de 1980 e os novos rumos

A partir dos anos 1980, o rádio no Brasil passa por modificações novamente. É nesse período que se molda o tão famoso formato da dualidade, ou seja, rádio AM com foco em jornalismo e rádios FM em música e entretenimento.

Foi nessa década que surgiram também as primeiras redes de rádio via satélite, que fizeram e ainda fazem amplo sucesso. Em 1982, a Bandeirantes, de São Paulo, passou a gerar o programa Primeira Hora para suas afiliadas por meio de transmissão via satélite.

Esse modelo permitiu a criação de redes amplamente conhecidas no território nacional como Transamérica, Jovem Pan, Bandeirantes, Gaúcha, entre outras.

Rádio e a era internet

Com a popularização da internet, principalmente a partir do final dos anos 1990 e início dos anos 2000, o rádio teve que se modificar novamente. Além de transmitir em FM e AM, este último formato cada vez menos difundido em virtude da sua restrição tecnológica, as emissoras passaram a se tornar produtoras de conteúdo para canais digitais.

Inicialmente, as rádios jornalísticas começaram a compartilhar suas notícias nos portais e as emissoras musicais a utilizar sites como canais de interatividade. Isso foi crescendo e, com a profusão das redes sociais, o rádio mudou mais um pouquinho, tomando a frente na geração de transmissões ao vivo, as famosas lives, e na produção de conteúdo informativo.

Ainda, as emissoras assumiram, nos últimos tempos, grande papel de credibilidade na checagem de informações e notícias. Ou seja, se transformaram em fortes veículos de combate a notícias falsas.

E o futuro do rádio, como será? No que você aposta?

https://radios.ebc.com.br/ e https://www.exxasul.com.br/

Nada é para levar, tudo é para comer aqui…

“”Nada é para levar, tudo é para comer aqui… (Edilson Silva)

Você já se hospedou em um hotel “all inclusive”?
Lembro que quando fizemos o check-in naquele imponente resort, eles colocaram uma pulseira verde-maçã em nossos pulsos. Explicaram-nos que não devíamos perdê-la, pois a pulseira nos daria acesso a todas as facilidades, que com ela poderíamos desfrutar de tudo daquela porta em diante. E assim foi…

Todos os dias podíamos passear por aquele lugar incrível e tomar banho em qualquer uma de suas belas piscinas.

Lembro também que algumas pessoas preferiram ficar no quarto. Me perguntava como era possível que não queriam aproveitar esse presente se já estava tudo pago?

Nesse local também tivemos acesso aos diferentes restaurantes que faziam parte do complexo. Havia uma variedade impressionante de comidas, sobremesas e bebidas. Só havia uma regra:
‘Nada é para levar, tudo é para comer aqui’

Assim é a vida…
Ao nascer Deus nos dá uma pulseira chamada “Vida” e através dela, temos acesso a esse fascinante mundo criado por Ele.

Enquanto seu coração bater, você terá a oportunidade de aproveitar a vida que Deus lhe dá. Mas tal como naquele resort, neste mundo vale a mesma regra: ‘Nada é para levar, tudo é para se viver aqui’.

A diferença entre um hotel e um Resort é que o primeiro foi feito só para dormir e ficar trancado e o segundo, para explorar e curtir.
A vida não é um hotel! É um Resort 5 estrelas. Portanto, NÃO fique trancado no quarto da sua mente, dos seus problemas, da sua amargura, da sua raiva, do seu medo, da sua dor ou da sua preocupação.
Se você está respirando é porque ainda tem a pulseira…

Aproveite tudo e aprecie toda a beleza que o Criador oferece para você:
A natureza;
Um telhado;
Um trabalho;
A companhia de seus entes queridos;
Seus amigos;
Comida na mesa, uma deliciosa sobremesa;
Um abraço, um beijo, um sorriso, um eu te amo, um eu preciso de você;
Um perdoe-me ou um Eu perdôo você; e
A possibilidade de deixar o passado no passado.

Viva! Porque ninguém viverá por você!

Aproveite a pulseira… Em vida!
Pois na vida… Nada é para levar, tudo é para se viver aqui.”

Fonte: https://tribunaevangelica.com/

CAUSOS DA BAIXADA MARANHENSE: APELIDOS QUE MATAM

Por Expedito Moraes

Lá prás bandas do Pulidoro, povoado fora da zona Urbana de Cachoeira, teve um fato acontecido assim:

Quem nos relata e espalha pelo mundo inteiro é o influente blogueiro Zé Minhoca. Porém, nessa época, apesar do avanço tecnológico extraterreno dos cachoeirenses, Zé Minhoca era chamado mesmo era de Linguarudo e Fuxiqueiro.

Pois bem, a notícia correu igual a Curacanga nos campos secos do verão ou a Pororoca em noite de lua cheia no leito raso do rio Pindaré.

Segundo o Linguarudo, Tonico Isca de Piaba, apelido que lhe foi dado na infância por ser o sujeito gordinho e batorezinho, era desaforado, não “injeitava” uma discussão e briga. Era metido a valente. Andava pelos campos a cavalo com um facão Colin maior do que ele do lado. Mas, se aparecesse um cabra pra lhe chamar pelo apelido… Ave Maria!… Tonico ficava doido. Se atirava do cavalo em baixo, já tirando o facão da bainha, fazia um “rapa pé”, e a molecada caía no mato.

Tonico ficava “bufando de raiva”. E foi numa dessas vezes que Tonico “dançou”.
Empolgado com tanta gente lhe ouvindo antes de começar a ladainha na casa de D. Hipólita, Zé Minhoca, com ar de apresentador da GLOBO, dizia que Tonico tinha se casado há pouco com Maroca, uma moça que “caiu na vida” após ter sido vista deitada e abraçada por trás de uma moita com um tal de “Porco D’dágua”, barqueiro que desembarcou no porto de Djalma Moreno para dançar no “arrasta pé” de Olegário.

Existe um “dito” popular naquelas bandas de que as mulheres dali não podem ver um embarcadiço de fora que ficam doidinhas da cabeça.

Ora, com o calor do belo corpo e dos rebolados de Maroca dançando “Pisa na Fulô”, suando tanto que o azeite de carrapato do cabelo escorria pela blusa e também pela camisa do barqueiro, o cabra ficou doido. E ela também. Saíram do salão pra mijar. Só que quem percebeu a fuga, para o azar deles, foi o Fuxiqueiro.

Não demorou “uma hora de relógio”, e só duas pessoas sabiam do acunticido – Deus e o mundo. A moça ficou tão “mal falada” que, depois disso, só quem a quis como esposa foi “Isca de Piaba”.

Mesmo assim, MAROCA pediu um juramento dele: – Tonico, tu pra mim é só TONICO, entendeu? No dia que um “filho de corno” lhe chamar desse seu apelido, tu vai me prometer que vai dar uma surra em quem quer que seja ele. Se tu não fizer isso, eu te largo.

Tonico, já totalmente “inrabichado” por ela, sacudiu com a cabeça e saiu sisudo e triste, lembrando de Ariston, cabra valente acostumado a gritar na beira do campo de bola o apelido de um outro sujeito brabo. Ariston levava sempre com ele um patacho, desse de roçar, que servia para cortar a carne do churrasco que ele fazia e, ao mesmo tempo, se proteger quando gritava o apelido: “Zé da Burra”.

Tonico já estava acostumado com os gritos de Ariston: “- segura essa bola “Isca de Piaba!”. Ficava desajeitado, isso ficava, mas também gostava, e muito, da feijoada que Ariston fazia e oferecia aos atletas.

Nesse dia, teve vontade de conversar com Ariston e lhe falar sobre a conversa. Depois, pensou que não ia adiantar. Ariston era gozador e a coisa podia até piorar.

Resolveu se aconselhar com Olímpio para lhe pedir que conversasse com Ariston. Mas, esse daí ainda era pior. De vez em quando, além de chamá-lo pelo apelido, ainda lhe tratava de coisa pior. Desistiu. Ocorre que, no sábado seguinte à conversa, Maroca fez um mocotó reforçado, com macaxeira, banana, tutano, e muito nervo. Só coisas que faziam mal pra Tonico.

Semanas antes, Tonico fora levado às pressas ao posto médico, quase enfartando. A pressão estava 22/8. O médico lhe aconselhou a se alimentar de coisas leves e a suspender o cigarro, a cachaça, e outras coisas:
– Mulher, tu te esqueceu do que o médico disse?! Essa comida não é muito pesada?
– Tonico, tu não vai jogar bola hoje? Isso tudo aí tu vai “disgastar” rapidinho.

Tonico até pensou que a mulher queria que ele morresse. Mas, terminou achando que ela estava era cuidando bem dele.
Só que o “Capeta é muleque”. E quando Tonico chegou na beira do campo, olha quem ele encontra: Olímpio e Ariston. Olímpio ainda fumando e tomando cachaça de Ipixuna. Os dois logo o cumprimentaram chamando pelo apelido.
Tonico pediu para falarem baixo. Disse que a mulher não gostava.
Piourou.
Olímpio lhe ofereceu um cigarro e uma talagada de cachaça.
O jogo ia começar.

Ariston lhe ofereceu um copo de cerveja. Tonico, ao que parece, se esqueceu do médico. Tomou tudo e fumou.
Botaram Tonico no ataque. O sujeito parecia Bimbinha. Baixinho, corria muito, driblava o time inteiro e gol… nadica de nada.
Maroca, resolveu visitar a tia que morava ao lado do campo.

No minuto que ela ia passando pelo campo, viu Tonico driblar um, dois… a defesa adversária toda. Até o goleiro. E chutou a bola…. pra fora.
Aí, a pessoal da barreira inteira gritou “VAI TE LASCAR, ISCA DE PIABA!”.
Maroca, vermelha igual a pescoço de galo carioca, tentou se esconder. Não adiantou. Ariston já tinha lhe olhado e, virando pra ela, gritou: “Senhora, este seu Isca de Piaba não serve nem pra fazer gol, imagina pra lhe fazer um filho!”
Nessa hora, o sangue de Tonico explodiu no corpo inteiro, subiu à cabeça, estancou pelo coração, e o pulso latejava igual venta de cavalo cansado.

Maroca, sem poder falar, aponta pra ele e faz um sinal de quem corta alguma coisa com um patacho e, lívida, gritou pro marido: “Vou voltar e arrumar tua trouxa”.
Tonico não ouviu mais nada, teve um ataque de coração fulminante.

Segundo Zé Minhoca, os culpados por Tonico ter “batido as botas” e se mudado para a “cidade de pé junto”, são: Maroca, Ariston e Olímpio.

O pobre nem teve tempo de pegar sua trouxa, mas Maroca preparou uma bem bonitinha, com tudo dele, e jogou dentro da cova.

Expedito Moraes, 11.02.23

12 de fevereiro: Dia Internacional de Charles Darwin

A razão da celebração do Dia Internacional de Charles Darwin é simples: foi 12 de fevereiro de 1809 que nasceu Charles Darwin. O objetivo da celebração é inspirar as pessoas a refletir cientificamente, com curiosidade, como fez Darwin.

Darwin foi o primeiro cientista a explicar com rigor a evolução biológica, por intermédio da seleção natural, na sua obra magnífica, “A Origem das Espécies“, que se tornou uma das obras mais relevantes de todos os tempos.

Neste dia realizam-se várias iniciativas pelo mundo tendo em vista a promoção da ciência em geral e o tributo ao grande naturalista britânico em particular. Desta forma, neste dia têm lugar exposições, palestras, workshops, peças de teatro, entre outros.

Durante a viagem de quase cinco anos que fez ao redor do mundo entre 1831 e 1836, Darwin esteve no Brasil, a bordo do navio Beagle, passou por Fernando de Noronha, Salvador, Abrolhos e Rio de Janeiro, que se deu em 1832.

As anotações do naturalista sobre a viagem ao Brasil — onde ficou por quatro meses durante seu périplo de cinco anos à bordo do navio Beagle — estão recheadas de descrições horrorizadas sobre a escravidão, mas não chegou a fazer nenhum estudo profundo sobre a escravidão brasileira.

Charles Robert Darwin nasceu em Shrewsbury, Reino Unido. Desde moço, interessou-se pelas ciências naturais. Após a expedição realizada a bordo do HMS Beagle, o naturalista realizou várias observações importantes e que foram essenciais para o desenvolvimento da sua obra, publicada em 1859.

Era filho de um médico muito conhecido chamado Robert Waring Darwin (1766-1848) e de Susannah Wedgwood (1765-1817), filha de um rico homem da indústria de cerâmica. Sua mãe faleceu quando ele tinha apenas oito anos.

Vida de Charles Darwin

Desde jovem, Darwin era apaixonado por colecionar rochas, animais e plantas. Além disso, adorava realizar atividades laboratoriais com seu irmão, Erasmus, em um laboratório de química montado pelos dois.

Aos 16 anos, seu pai retirou-o da escola e passou a levá-lo para seu consultório, para que ele anotasse todos os sintomas dos pacientes. Logo depois, Darwin começou a estudar medicina na Universidade de Edimburgo, seguindo os passos de sua família.

Darwin não se identificou com o curso, sendo um dos pontos mais traumáticos a falta de anestesia nas disciplinas que envolviam cirurgias. Entretanto, a Universidade de Edimburgo foi importante para ele, pois lá aprendeu sobre taxidermia e teve acesso a importantes obras, como o livro Zoonomia, obra de seu avôem que se trata de ideias básicas sobre a evolução.

Entretanto, apesar do aprendizado, em 1827, Darwin desiste do curso de medicina. Isso fez com que seu pai aconselhasse-o a dedicar-se à Igreja anglicana, enviando-o para o Christ’s College, em Cambridge. Assim ele encontrou o local ideal para estudar história natural, iniciando uma famosa coleção de besouros.

Foi em Cambridge que ele conheceu John Stevens Henslow, um naturalista dedicado à botânica. Henslow aconselhou-o a conhecer as florestas tropicais e indicou-o para viajar a bordo do navio HMS (Her Majesty Ship) Beagle.

O navio partiu em 27 de dezembro de 1831, e Darwin viajou por cinco anos, coletando uma grande quantidade de material. Material esse que rendeu vários trabalhos sobre fauna e flora dos locais visitados, além de contribuições sobre a geologia de algumas áreas. As ideias sobre evolução, no entanto, não foram rapidamente publicadas.

Darwin casou-se com sua prima Emma Wedgwood, em janeiro de 1839, e teve com ela 10 filhos. Uma de suas filhas, Annie, a mais velha, morreu precocemente, com apenas 10 anos, e isso abalou as ideias dele em relação a Deus.

Emma Darwin era uma mulher inglesa, prima em primeiro grau de Charles Darwin. Eles se casaram em 29 de janeiro de 1839 e foram pais de dez filhos, sete dos quais sobreviveram até a idade adulta.

O famoso pesquisador morreu no dia 19 de abril de 1882, na Inglaterra, e foi enterrado na Abadia de Westminster, em Londres. A causa de sua morte foi, ao que tudo indica, um ataque cardíaco.

Darwin e a seleção natural

A seleção natural é o mecanismo, proposto por Darwin, responsável pela evolução. De acordo com o pesquisador, as espécies vivem uma luta constante pela sobrevivência, e é nesse contexto que a seleção natural atua.

De acordo com tal teoria, o meio seleciona o organismo mais apto a sobreviver em determinado ambiente. Esse organismo reproduz-se e passa suas características aos seus descendentes. Desse modo, as variações que permitem a sobrevivência permanecem ao longo das gerações.

Imagine, por exemplo, que existam insetos verdes e marrons que servem de alimento para um tipo de pássaro. Esses insetos vivem em troncos de árvores, desse modo, os marrons ficam mais camuflados que os verdes. O pássaro, para alimentar-se, recorre, na maioria das vezes, aos verdes, pois esses são avistados com mais facilidade.

Desse modo, os indivíduos marrons apresentam uma vantagem em relação aos verdes, que morrem cedo, muitas vezes, antes de atingirem a idade reprodutiva. Os insetos marrons, nesse caso, reproduzem-se mais e passam essas características aos seus descendentes, aumentando o número desses organismos “mais aptos” ao ambiente.

Um problema nessa ideia está no fato de que Darwin não foi capaz de explicar como as características eram transmitidas de um indivíduo para outro. Essa explicação só foi possível posteriormente, graças ao desenvolvimento da genética.

Pesquisa, adaptação e correção realizada por Ana Creusa.

Fontes: https://g1.globo.com/; https://aventurasnahistoria.uol.com.br/; https://mundoeducacao.uol.com.br/ e https://www.bbc.com/

MARIE CURIE FOI A PRIMEIRA PESSOA A RECEBER O PRÊMIO NOBEL DUAS VEZES

Ela descobriu o Polônio e o Rádio, foi a primeira mulher a fazer doutorado na França, ganhou dois prêmios Nobel e virou a cientista mais conhecida da Terra.

“Marie Curie foi uma das mulheres a mudar a história e os rumos do estudo da radioatividade, bem como mostrou ao mundo o valor intelectual e a riquíssima contribuição que as mulheres podem fornecer ao mundo científico, o qual era, outrora, de caráter predominantemente masculino.

A grande pesquisadora que descobriu os elementos químicos Polônio e Rádio. Precisou estudar escondida, já que na época, educar mulheres era conta a lei.

Marie Curie foi a primeira pessoa a receber o prêmio Nobel duas vezes, um em Física, ao demonstrar a existência da radioatividade natural em 1903, e o outro em Química, pela descoberta de dois novos elementos químicos em 1910.

Maria Salomea Skłodowska nasceu em 7 de novembro de 1867 em Varsóvia, na Polônia. Filha de professores, Marie sempre recebeu uma excelente educação, sendo estudante de destaque em sua escola.

Apesar do brilhantismo nos estudos, não pôde frequentar a Universidade de Varsóvia, exclusiva para alunos do sexo masculino. Marie, porém, continuou a estudar em segredo em uma “Universidade Flutuante”, com cursos clandestinos ministrados em porões, escondidos do governo.

O seu sonho e de sua irmã, Bronia, era sair do país e poder cursar uma universidade, mas devido à má condição financeira, não podiam. Por cinco anos, Marie trabalhou como tutora e governanta de uma família, para financiar os estudos de Bronia e economizar para posteriormente permitir os seus. Usava seu tempo livre para estudar matemática e física que achava fascinantes.

Desde a infância, Marie Curie aprendeu a enfrentar e vencer desafios impostos pela sociedade e pelas condições de vida, sendo um grande exemplo como cientista para homens e, principalmente, para as mulheres, pois mostrou que elas são capazes de promover descobertas tão ou mais importantes.”

“Marie Curie nasceu em 7 de novembro de 1867, na cidade de Varsóvia, na Polônia. Seu nome de batismo era Maria Sklodovska, sobrenome herdado de seu pai, professor de Matemática e Física, que se tornou diretor de uma escola anos mais tarde. Sua mãe, também professora, somente teve participação em sua educação até os 11 anos de idade, quando então faleceu, registra o professor Diogo Lopes Dias.

Nascida em um lar em que a ciência era o centro da família, Marie Curie sempre se interessou pelo conhecimento e, com a intenção de produzi-lo, desejava seguir a carreira universitária.

Vivendo em um país dominado pela Rússia czarista, que não permitia de forma alguma o acesso das mulheres à educação formal, Marie Curie, por diversas vezes, montou grupos de estudos clandestinos para poder estudar e promover o conhecimento para outras pessoas.

Em 1891, com a ajuda financeira do pai, Marie Curie conseguiu mudar-se para Paris, onde ingressou no curso de licenciatura em Física da Faculté de Sciences, que concluiu em 1893. Em 1894, ela conclui também o curso de Matemática.

Durante sua busca por um tema e por um orientador para seu doutorado, Marie conheceu o professor de Física Pierre Curie, com quem acabou casando-se em 1895. Marie com o marido e companheiro de pesquisas, Pierre Curie. Os dois tiveram duas filhas, Éve e Irène.

Marie Curie morreu em 1934, vítima de uma leucemia, em decorrência de toda a exposição à radiação a que foi submetida durante sua carreira científica e acadêmica.

Principais contribuições de Marie Curie

Na sua tese de doutorado, Marie Curie escolheu o tema raios urânicos, radiação que havia sido descoberta pelo físico inglês Becquerel. Em seu trabalho, ela conseguiu provar que o óxido de urânio é um mineral capaz de eliminar a radiação armazenada nos átomos.

A partir dessa pesquisa, Marie Curie descobriu a radioatividade, já que Becquerel não prosseguiu com seus estudos com o urânio. Marie e Pierre Curie continuaram a buscar outros minerais na natureza que pudessem também apresentar atividade radioativa. Nessas pesquisas, eles desenvolveram uma técnica laboratorial denominada cristalização fracionada, que consiste em aquecer um material a elevadas temperaturas e resfriar gradativamente.

Sigla do elemento químico rádio
No ano de 1898, Marie e Pierre Curie apresentam ao mundo científico a descoberta de dois novos elementos químicos, o polônio e o rádio. Com essas pesquisas, Pierre, em particular, verificou que a radiação podia matar células de tecido doente, ou seja, iniciou o estudo da radioterapia.

Sigla do elemento químico polônio
Após a morte de Pierre, em 1906, Marie passou a lecionar e também continuou a realizar diversas pesquisas. Uma delas, extremamente importante, foi o desenvolvimento de um radiógrafo, um equipamento para a realização de radiografias que foi utilizado durante a Primeira Guerra Mundial.

Memória

Por sua contribuição científica e persistência, Marie Curie é ainda bastante lembrada e citada em encontros científicos, congressos ou jornadas acadêmicas. Além disso, vários são os hospitais e centros que levam o seu nome, como o Instituto Curie, o qual auxilia na formação de diversos novos cientistas todos os anos. Vale ressaltar que um elemento químico, descoberto em 1944, denominado Cúrio (Cm), de número atômico 96, foi batizado assim em homenagem ao casal Curie, Marie e Pierre.

Marie Curie foi laureada duas vezes com o Nobel: uma vez em Física e outra vez em Química.

Curiosidades

Muito se sabe sobre Marie Curie, cientista responsável por descrever os elementos químicos Polônio e o Rádio e primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel — Física (1903) e Química (1911). Mas para celebrar a vida dessa mulher incrível, três fatos sobre ela são dignos de registro.

1. Ela foi educada em segredo
Curie nasceu e cresceu em Varsóvia, na Polônia, que na época era controlada pelo Império Russo. Ela obteve sua educação universitária na Flying University, uma instituição polonesa secreta que educava mulheres em locais que migravam de acordo com a necessidade. Isso ocorreu porque na época os russos consideravam educar mulheres uma atividade ilegal.

2. Mulheres fizeram uma vaquinha para ajudá-la a continuar suas pesquisas sobre o Rádio — elemento que ela mesma descobriu
Quando visitou os Estados Unidos em 1921 Marie Curie ganhou um grama de Rádio para continuar suas pesquisas, graças a uma arrecadação feita por mulheres norte-americanas — naquele período, esse material era extremamente caro. O presidente dos EUA durante aquele período, Warren G. Harding, e sua esposa, Florence Harding, apoiaram o esforço de angariação de fundos.

“Ela, que descobriu o Rádio, que compartilhou livremente todas as informações sobre seu processo de extração, e que havia dado o Rádio para que os pacientes com câncer pudessem ser tratados, encontrou-se sem os meios financeiros para adquirir a substância cara”, relata Ann Lewicki no periódico Radiology. Em 1921 um grama de rádio custava US$ 100 mil, o que hoje equivale a aproximadamente US$ 1,3 milhão.

3. Os cadernos dela (ainda) são super radioativos
“As décadas de exposição de Marie Curie [à radiação] a deixaram cronicamente doente e quase cega de catarata e, finalmente, causaram a morte aos 67 anos, em 1934, de anemia grave ou leucemia”, escreve Denis Grady para The New York Times. “Mas ela nunca soube plenamente que seu trabalho havia arruinado sua saúde”.

O efeito da radioatividade é tão grande que hoje, mais de 100 anos após suas descobertas, os cadernos que a cientista utilizava ainda estão contaminados pelas substâncias. Hoje, seus arquivos são guardados em caixas de chumbo: para acessá-los, é preciso assinar um termo de responsabilidade.

“E não são apenas os manuscritos de Curie que são perigosos de tocar. Se você visita a coleção de Pierre e Marie Curie na Biblioteca Nacional, na França, muitas de suas posses pessoais — de móveis a livros de receitas — requerem roupas protetoras para serem manipuladas com segurança”, afirma Adam Clark Estes

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/; https://revistagalileu.globo.com/e https://www.cristofoli.com/ e https://super.abril.com.br/

GEORGETTE DESROCHERS

Por Gracilene Pinto

Georgette Desrochers é uma missionária religiosa procedente de rica família de Québec, no Canadá, que foi Madre Superiora da nossa escola durante brevíssimo tempo, suficiente, no entanto, para me marcar para o resto da vida.

De sua boca ouvi que, por seus pais lhe fora determinado, praticamente desde o nascimento, o casamento com um homem de uma família amiga.  Porém, Georgette não sentia pelo prometido o afeto necessário para dedicar-lhe toda sua vida. Também, não lhe agradava passar toda a existência entre chás com as amigas; festas de caridade e desfiles de moda, vida que geralmente levavam a maioria das senhoras ricas da sociedade. Por isso, pediu algum tempo para estudar, assumindo o compromisso de que, depois de formada trataria do casamento.

Porém, uma vez formada, Georgette postergou o casamento para o final da segunda graduação. E depois, da terceira. E, quando cobrada pela procrastinação para com o compromisso, finalmente, deixou claro para a família e para o noivo que não queria casar-se, pois não iria desperdiçar todo conhecimento adquirido em uma vida de frivolidades.

Decidira ingressar em uma ordem religiosa e servir a Deus e aos semelhantes como missionária. E assim o fez.

Deste modo foi que, em sua peregrinação pela África, Brasil, etc., Georgette veio parar em um dos bairros mais pobres da Capital do Maranhão, o São Francisco, separado do centro da cidade pelo Rio Anil, cujo acesso era feito em pequenas lanchas e canoas de zinga.

O subúrbio era paupérrimo. Uma invasão, onde proliferavam, em sua maioria, pequenos casebres de barro e palha, e onde a pobreza imperava absoluta, pois havia carência até de água. Mas, foi para aí que Georgette foi enviada por Deus. Exatamente, onde mais precisavam dela.

Juntamente com outras irmãs de caridade, a maioria brasileiras, Georgette viera coordenar os trabalhos de construção de uma escola, o Grupo Escolar Desembargador Sarney. Porém, não obstante ter seu tempo bastante ocupado por suas obrigações para com a escola e com o convento improvisado, ainda tirava tempo para visitar os carentes e os enfermos, sempre levando alimentos e medicamentos na sacola, e muito amor e carinho no coração, carinho que demonstrava, não com palavras, mas com atitudes, quando dava banho em um doente acometido pela catapora, quando enxugava o nariz de uma criança gripada; ou mesmo, quando orientava uma criança de condição humilde, mostrando-lhe caminhos que lhe possibilitassem mudar seu futuro, independentemente de como se apresentassem as circunstâncias momentâneas.

Era assim, Georgette Desrochers, uma vida onde servir era seu maior objetivo. Provavelmente, por isso era uma pessoa alegre, sonhadora e empreendedora.

Se com minha mãe aprendi a sonhar e a querer mais da vida, Georgette mostrou-me caminhos que me auxiliariam a alcançar o sonho.

Mas, foi comigo mesma, em uma ocasião em que participei de um projeto para nós idealizado por ela, que eu aprendi que, antes de tudo, é preciso acreditar em nós mesmos. Acreditar em nosso potencial. Acreditar que somos capacitados para a vitória, independente das circunstâncias. E esta lição me veio de forma inusitada.

Ocorreu que a nossa escola, recém construída em um dos subúrbios mais pobres da Capital, iria participar de importante certame, um Festival de Coros, onde concorreria com coralistas das instituições mais ricas e tradicionais da cidade.

Dado a importância do concurso e o nível dos concorrentes, logo me pus a sonhar com um terceiro lugar. Isto, já me faria muito feliz, pois falar do primeiro lugar entre coralistas tão mais experientes e com condições materiais que jamais poderiam igualar-se às nossas, parecia um sonho tão impossível como alcançar a lua.

Mal sabia eu, então, que Deus não escolhe capacitados, mas capacita os escolhidos. Porém, a Irmã Georgette já sabia disso.

Ela sabia que Deus é poder e que todas as suas criaturas nascem capacitadas para a vitória, desde que lhes sejam oferecidas as condições necessárias para atingir o pódio.

Por isso, juntamente com a nossa regente, a Irmã Elcita, passou a nos exercitar vocalmente com ensaios diários. Ela tinha bom ouvido e era exigente, pois sabia que somente com muito esforço conseguiríamos igualar-nos ao nível dos nossos adversários.

Impossível deixar de mencionar as dificuldades enfrentadas durante o período dos ensaios, entre as quais podemos registrar, a falta de dinheiro dos nossos pais para a compra das pelerines (capas compridas sem mangas que se põe sobre os ombros) brancas de cambraia; e também fardas, sapatos e meias novos, porque os nossos, geralmente, se achavam por demais surrados; sem falar nas horas exaustivas de treinos, muitas vezes mal alimentados. Porém, animados pelo sonho sequer lembrávamos da fome, a não ser quando o estômago, escandaloso, resolvia roncar.

Vencida essa primeira etapa de dias e dias de exercícios vocálicos e treinos; de preocupação das nossas mães por nos vestir de modo apresentável, a fim de não passarmos vergonha diante dos mais abastados moradores do centro da cidade; de tomada de providências por parte das religiosas da irmandade São José, no sentido de conseguir transporte que nos levasse até o local do evento, e chegou, enfim, o momento do tira-teima.

No dia marcado para a primeira eliminatória, atravessamos o Rio Anil em uma canoa movida à zinga pelo canoeiro. O embarque carecia de muito cuidado para não sujar nossas fardas limpinhas e bem passadas a ferro, pois a maré estava seca e a canoa aportou em um local lamacento. O desembarque não foi diferente, pois não poderíamos permitir que as águas que açoitavam o Cais da Sagração molhassem nossas fardas novas.

Na Praia Grande, já uma Kombi da Irmandade São José aguardava para nos levar até o Colégio Santa Teresa, onde aconteceria o evento. Fariam duas viagens para levar todo mundo, pois o grupo era grande. Porém, logo na subida da Rampa do Palácio a Kombi, muito velha, resolveu quebrar. O que logo foi resolvido pela nossa Georgette que, sem titubear, meteu a mão na massa e consertou o veículo.

No Colégio Santa Teresa, após as apresentações, ficamos aguardando a comissão julgadora divulgar os resultados. Eu, sempre na torcida para que conseguíssemos o terceiro lugar.

O apresentador começou, como de praxe, pelo décimo lugar. A estudantada em pé, aplaudindo a cada resultado. Eu, também de pé e muito nervosa, aguardava com ansiedade o anúncio do nosso almejado terceiro lugar que, para minha decepção, não veio. O terceiro lugar foi para outra escola, que não lembro mais. Então, sentei-me antecipadamente vencida.  O anúncio do segundo lugar, que também não fomos nós, já não me causou nenhum espanto, tão mergulhada estava em minha tristeza. Mas, foi então, que o mestre de cerimônia anunciou alto e em bom som: PRIMEIRO LUGAR, GRUPO ESCOLAR DESEMBARGADOR SARNEY!

Esse momento foi decisivo em minha vida, pois ali aprendi que posso ser tudo que eu sonhar, tudo que eu quiser e que Deus permitir, porque o céu é o limite para quem sonha com aquilo que é justo e bom, e que jamais devo aceitar limitações aos meus sonhos.

Muitos anos depois ouvi do Professor Doutor José Maria Cabral Marques, que nem sabia que eu havia cantado no coral do Grupo Escolar Desembargador Sarney, um depoimento que me levou às lágrimas. Durante uma aula no curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão, falando sobre suas experiências como educador e Secretário de Educação do Estado do Maranhão, Cabral Marques referiu-se ao nosso grupo coral como verdadeiro coro de anjos, completando que, ele, que em suas viagens pelo mundo a performance dos melhores corais de Viena, na Áustria, pudera ver que as crianças do São Francisco nada deviam aos melhores coralistas de Viena. Só precisavam, tal como aquelas, ser lapidadas.

Mas, se a Irmã Georgetti Desrochers não tivesse acreditado em nosso potencial e ela e a Irmã Alzerina não nos houvessem lapidado tão bem, jamais teríamos conseguido esse primeiro lugar.

Dia Internacional das Mulheres e das Meninas na Ciência, o que comemorar?

A contribuição feminina para a ciência começa muito antes de existir o Dia da Mulher e dos movimentos de revolução feminista. Listamos aqui mulheres que deixaram sua marca na evolução da sociedade:

O Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro, foi instituído em 2015 pela Assembleia das Nações Unidas e passou a integrar o calendário de eventos da Fundação em 2019. Sob a liderança da Unesco e da ONU Mulheres, o evento acontece em diversos países, com atividades que visam dar visibilidade ao papel e às contribuições fundamentais das mulheres nas áreas de pesquisa científica e tecnológica.

A UNESCO, na publicação “Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM)”, aborda as possíveis barreiras para a baixa representatividade das mulheres nas áreas STEM e em maneiras, a partir de exemplos ao redor do mundo reconhecidos atualmente, de alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento econômico das meninas e mulheres por meio da educação.

O Setor de Educação da UNESCOA educação é a mais alta prioridade da UNESCO porque é um direito humano básico e também o fundamento sobre o qual deve ser construída a praxe impulsionado o desenvolvimento sustentável. A UNESCO é a agência das Nações Unidas especializada em educação, e seu Setor de Educação fornece liderança mundial e regional na área, fortalecendo os sistemas educacionais nacionais e respondendo aos desafios mundiais contemporâneos por meio da educação, com um foco especial na igualdade de gênero e na África.

Quando você pensa na palavra “cientista” a primeira coisa que vem à mente é a imagem de um homem em um laboratório? É comum que venham alguns nomes como Albert Einstein, Charles Darwin, Isaac Newton ou Stephen Hawking. Pode não ser óbvio para alguns, mas todas as imagens relacionados à ciência presentes no cotidiano são predominantemente masculinas. No entanto, a descoberta do DNA, dos cromossomos Y e X e do vírus HIV, por exemplo, foram conquistas femininas. Mesmo que muitos ainda desconheçam, a lista de mulheres que conseguiram driblar o machismo e gerar grandes contribuições para o desenvolvimento das ciências é grande. Conforme dados do Senado Federal:

Segundo um levantamento da Unesco, apenas 30% dos cientistas no mundo são mulheres. No Brasil, a proporção é ainda menor: as mulheres ocupam apenas 14% das posições na Academia Brasileira de Ciências. Desde que o Nobel foi criado, em 1901, o prêmio foi concedido a mais de 622 pessoas nas áreas de ciências, mas apenas 22 dos vencedores foram mulheres. A fim de chamar a atenção para essa desigualdade, a ONU propôs a criação do Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência. Juliana, junto com Mel Bonfim, é autora do livro “Histórias para inspirar futuras cientistas”, uma publicação da Fiocruz, dedicada às crianças e adolescentes.

De acordo com dados divulgados no último relatório da Unesco, agência da Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres representam apenas 28% dos pesquisadores no mundo e a diferença aumenta ainda mais em funções de gestão. Segundo a agência, essa porcentagem é justificada por diversos fatores, como o difícil acesso a investimentos e redes de estudo. Para as Nações Unidas, ciência e igualdade de gêneros são vitais para alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Foi pensando nisso, que em 2016, a ONU criou o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Comemorado no dia 11 de Fevereiro, a data tem o objetivo de honrar nomes como Marie Curie, Rosalind Franklin e Nettie Stevens, e inspirar e engajar outras meninas a seguirem na área.

Representatividade importa

Foi pensando na falta de incentivo para as garotas entrarem no mundo da ciência que a historiadora e mestre em Educação, Gabriella da Silva Mendes, criou o projeto Meninas na Ciência, página de divulgação científica voltada para mulheres. A iniciativa surgiu em 2018, com o objetivo de incentivar a inserção de meninas na carreira acadêmica, principalmente nas áreas voltadas às ciências e engenharias, onde historicamente a presença masculina é predominante.

Para Gabriella, a falta de visibilidade e participação das mulheres na área se dá pelo apagamento delas ao longo da história. Para mudar esse cenário, é preciso haver incentivo desde a infância, na educação básica e, principalmente, na família. “Na maioria das vezes as meninas são estimuladas a brincar de casinha, beleza ou cozinha, e os meninos, raciocínio lógico ou estratégia”, explica.

Além de fazer a divulgação de informações sobre conquistas, descobertas e invenções de mulheres, a equipe da página Meninas na Ciência também promove ações em escolas públicas, como oficinas a respeito do papel da mulher ao longo da história científica e um jogo de memória sobre mulheres cientistas.

MARIE CURIE, mãe da Física Moderna
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Fonte: https://institutolegado.org/; https://portal.fiocruz.br/ e https://unesdoc.unesco.org/; https://revistagalileu.globo.com/; e https://www12.senado.leg.br/.