PIABA

Por Zé Carlos

Há algum tempo, ficava revoltado, quando encontrava algum conhecido, que me chamava de “comedor de piaba”. Isso, verdadeiramente, se constituía em um grande insulto. Assim, diversas vezes, por pura criancice, vinguei-me com os helenenses e os são-bentuenses.
Comedores de tapiaca e de mussum. Quanta sandice!

Mas, o senhor de todas as razões veio passando e me trazendo a certeza de que essas referências, muito mais do que depreciarem, fortalecem as nossas relações com a nossa terra e nos dão uma imensa felicidade em ser isso mesmo. Certamente, a distância ressalta esse sentimento. Certamente, essa distância está gritando agora e bem alto por um cozidão de piaba, com um pirão de farinha seca. O que não é para qualquer um! Mas, sou um craque em comer piaba cozida. Em “uma raspada”, entre os dentes, trago só o mínimo esqueleto esquelético, a se empilhar na beirada do prato. Ainda mantenho esse hábito de colocar as espinhas ali! Para mim, não existe, ainda que esteja a postos, o prato para espinhas!

Entretanto, nada sobra, quando ela é enfiada no talo de coqueiro e frita no azeite de coco. Cachorro passa fome! Até sinto o seu croque croque, persistente, a pedir pela sua companheira inseparável, a farinha, a invadirem “os meus sentidos” e se apoderarem do meu paladar, faminto e saudoso. Vou ficar por aqui, já está bom. Se o devaneio prolongar-se, fatalmente exigirá a sagrada tigela de juçara. Aí, não respondo mais!

Hoje, o que desejo, e com orgulho, é ser chamado de comedor de piaba. E como seria bom, se, toda vez que isso acontecesse, me “trazessem” uns espetinhos e um punhado de puba!

Com certeza, não esperaria até chegar a minha casa. Havia de dar uma grande “beliscada”, ainda “no caminho”!

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