“TESOS E ENSEDAS” E OS DESAFIOS DA BAIXADA

Por Expedito Moraes

A Baixada Maranhense corresponde à região do entorno do Golfão, caracterizada por relevo plano a suavemente ondulado contendo extensas áreas rebaixadas que são alagadas durante o período chuvoso, dando origem a extensos lagos interligados por um sistema de drenagem com canais divagantes, associados aos baixos cursos dos rios Mearim, Pindaré e Pericumã.

Constitui um ambiente rebaixado, de formação sedimentar recente, ponteado de relevos residuais, formando outeiros e superfícies tabulares cujas bordas decaem em colinas de declividades variadas. Os lagos transbordam durante o período chuvoso e servem como vias de comunicação entre as cidades e os povoados, substituindo parcialmente as estradas. Durante o período seco, o cenário hídrico transforma-se em grandes extensões de campos ressequidos. O desafio é encontrar uma situação de equilíbrio nesta região que poderá ser muito rica. Uma delas seria a ligação entre os “TESOS” atravessando as imensas “ENSEADAS”.

Postado em 2013. Fonte: https://fdbm.org.br/tesos-e-ensedas-e-os-desafios-da-baixada/

JOSÉ VIVIA NA GRAÇA

Por Ana Creusa

O apoio das leis da natureza é o estado de graça. (Deepak Chopra).

Banho tomado. Barba feita. Perfume exalando. Lá estava ele, pronto para mais um baile, em que fora formalmente convidado[1]  pelo dono da casa.

Sentindo um leve remorso, por deixar seu irmão João Pedro em casa e, por cima, ainda ardendo em febre, apesar dos chás que lhe preparava a irmã Maria Santos.

Papai falava com tio João Pedro:

– Acho que não devo ir, e se você não melhorar?

– Já estou melhor, Zé, repetia o irmão enfermo.

Papai percebia que aquelas palavras eram apenas para que ele pudesse ir ao baile em paz.

Papai colocava a mão no pescoço do irmão e nada de a febre aliviar, estava igual brasa. Parecia até que a temperatura havia aumentado.

Mas afinal, o que ele poderia fazer? Maria estava cuidando do irmão. Poderia sim, ir ao baile tranquilamente.

Era inverno. Acondicionou sua roupa bem passada em uma caiambuca[2] e saiu, sempre conversando com o irmão que repetia:

– Vai, Zé, eu já estou melhor.

Na saída da casa na Jurema[3] existia um palmeiral[4] que se movia com a ação do vento, fazendo um barulho assustador.

Papai saiu em meio àquelas palmeiras. Logo percebeu que um temporal se avizinhava. Tinha a sensação de que as árvores cairiam naquela hora.

Voltou para casa correndo para que aquela situação melhorasse.

Conversou com o irmão enfermo que estava sentado na rede de dormir. Não chegou a chover. Era apenas uma ventania.

Na terceira vez que saiu de casa para ir à festa, novamente a tempestade se formou e José voltou para casa. No caminho de volta decidiu que não iria mais àquela festa, que não deveria mais insistir. Quem sabe o seu irmão pudesse piorar.

Naquela festa no Povoado de Poções o seu grande amigo Raimundo de Genoveva que atendia pela algunha de Raimundo Lagarto[5] foi duramente espancado, sofreu açoites de cassete e facão. Ficou muito doente e, dias depois, veio a óbito.

A conversa no dia seguinte era que os inimigos de Raimundo Lagarto iriam primeiro matar José Santos, para que o caminho ficasse livre para eles poderem matar seu amigo.

José Santos sabendo dessa história, não teve dúvidas: todos aqueles eventos, doença do irmão e tempestade, o livraram da morte naquele dia.

Sempre pensava como teriam ficado seus irmãos se ele fosse assassinado? Com essa experiência, ele jamais insistia. Seguia sua intuição, que ele tinha certeza de que vinha de Deus.

Papai tinha o hábito de não insistir, não teimar, não “forçar a barra”, viva na Graça. Cultivava a sua intuição.

Não raro, formávamos uma viagem, arrumávamos tudo e quase na saída, ele dizia:

– Eu não vou mais.

– Como assim? Já estamos prontos, já compramos a passagem!

Ele repetia:

– Eu não vou mais.

Os habituados àquela situação nem mais instigavam. Alguns queriam explicação:

– Por que o senhor não vai mais?

Ele não explicava, apenas desistia e procurava concentrar-se em outra coisa. Viagem desfeita. Negócio inconcluso.

Assim vivia meu pai: na Graça. Surfava na onda. Deixa a vida o levar. Sem pressa. Obedecia aos comandos da sua intuição e ponto final.

Ele contava a origem desse comportamento que ele definia como obediência a Deus. Foi exatamente no dia da festa em que seu irmão João Pedro estava doente e seu amigo foi morto que, após vários sinais, ele resolveu entender que não era para ele comparecer àquela festa em que estava preparado o seu assassinato.


Para mais detalhes sobre o personagem principal desta história, leia a Biografia de José dos Santos.

[1] O convite para os bailes era requisito essencial.

[2] Era costume à época acondicionar roupas em caiambuca para proteger da chuva.

[3] Refere-se ao Sítio Jurema no Povoado Cametá (ou Cametal) onde residia José Santos e seus irmãos.

[4] Área que possuía muitas palmeiras de babaçu antigas, por isso, eram bem altas.

[5] Eu havia esquecido o nome do amigo de papai, tio João Pedro confirmou o nome Raimundo de Genoveva era irmão de Dionísio.

João Pedro dos Santos

Nasceu em Peri-Mirim/MA, em 19 de dezembro de 1927. Filho de Antônio Almeida e de Ricardina Santos.  É o único dos guerreiros da Jurema que ainda está entre nós. Seus irmãos são Maria; Zoelzila; José; Alípio; Antônio; Izidório e Manoel.

João Pedro tem o nome do pai do seu avô materno. Após a morte de sua mãe, ele era o homem de confiança de José dos Santos, com quem dividia o trabalho que possibilitava a subsistência da família. Ele também era exímio lutador, sempre sob a supervisão do irmão.

Estudou no Feijoal, com a professora Nasaré Serra.

Aos 22 anos partiu para São Luís, capital do Estado, em busca de uma vida melhor, trabalhou no Café Paulista, que ficava na esquina da Rua de Santana. Ele se encarregava de levar café torrado para a Rede Ferroviária Federal que ficava na Praia Grande. Morava em quartos alugados. Depois trabalhou na fábrica do Sabão Martins e depois no escritório da Petrobrás.

Retornou para Peri-Mirim, mas não demorou. Voltou a São Luís e de lá para Coelho Neto, a convite do amigo Raimundo Baleia. A viagem era longa e cansativa, por via férrea até Caxias.

Em Coelho Neto, casou-se em 18/08/1959 com a bela jovem Liseneide, com quem teve dezesseis filhos, dos quais treze estão vivos.

Da união nasceram: Manoel Bastos dos Santos (in memoriam); Francisco das Chagas Bastos dos Santos; Íris Ricardina dos Santos Lima; Sueli Bastos dos Santos (in memoriam); João Bastos dos Santos; Maria do Socorro Bastos dos Santos; Iranilda Bastos de Paula; Renato Bastos dos Santos; Reginaldo Bastos dos Santos; Marisa Bastos dos Santos Magalhães; Maria José Bastos dos Santos; Raimunda Bastos dos Santos; José Mário Bastos dos Santos; João Paulo Bastos dos Santos (in memoriam); Raquel Bastos dos Santos e Ivanice Bastos dos Santos.

A força de João Pedro está na limpidez do seu caráter; na originalidade de sua alma; na personalidade dividida entre o bom humor e a inteligência ímpares.

Aniversário de 96 anos (19/12/2024)

Aniversário de 97 anos
(19/12/2024)
Aniversário de 98 anos – 19/12/2025

Vejam os alunos da Baixada que foram premiados no Concurso Literário de Crônicas promovido pelo TCE

O Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e o Instituto de Educação do Maranhão (IEMA) realizaram nesta quinta-feira (14), na sede do IEMA, a premiação dos vencedores do Concurso Literário de Crônicas, que em sua primeira edição teve como tema “Corrupção: ação do presente que reflete no futuro”. Apoiado pela Rede de Controle da Gestão Pública no Maranhão, a iniciativa é alusiva ao Dia Internacional Contra a Corrupção, celebrado no dia 9 de dezembro.

Foram premiados, em ordem de classificação, os alunos Ana Caroline Almeida Lopes (Centro/São Luís); Lavínia Silva Marques (Tutóia); Ana Paula Ferreira Saraiva (São Vicente de Ferrer); Millena Cristina De Oliveira Leonardo (Tutoia); Ellen Caroline Pereira Nunes (Viana); Deiwison Hick Morais Serra (Viana); Alícia Ester Bezerra Ferreira (Centro/São Luís); Arthur Serejo Araujo (Bacelar Portela); Emelly Sayury dos Santos Mendonça (Bacelar Portela) e Rogério Araújo da Conceição (Vargem Grande).

O certame foi promovido com o objetivo de promover o pleno exercício da cidadania, por meio do convite aos alunos dos 34 IEMAs Plenos, que foram estimulados a redigir crônicas com foco na conscientização sobre a corrupção, dentro de um processo de formação de cidadãos informados, éticos e engajados, com a capacidade de refletir sobre questões sociais complexas e promover mudanças positivas em suas comunidades.

Os organizadores do concurso destacam ainda a intenção de promover o pleno exercício da cidadania, compreendendo o equilíbrio entre direitos e deveres em uma comunidade socio e politicamente articulada, além de fortalecer relações humanas pautadas nas garantias constitucionais, incluindo a compreensão do papel da Administração Pública no preparo do indivíduo para o exercício de suas funções sociais.

Prestigiado por dezenas de estudantes do Instituto, o evento contou com a participação, do secretário de Fiscalização do TCE, Fábio Alex de Melo; do superintende da CGU-MA, José Antônio de Carvalho Freitas; do diretor-geral do Tribunal de Justiça (TJMA), Carlos Anderson dos Santos Ferreira; do secretário do Tribunal de Contas da União (do TCU) no Maranhão, Leandro Alberto Brito de Fonseca; e do conselheiro do TCE, Washington de Oliveira, além da diretora-geral do IEMA, Cricielle Muniz e da diretora pedagógica do Instituto.

Depois das falas dos representantes de cada órgão presente, que procuraram dar uma visão básica do papel de suas instituições no combate e prevenção da corrupção, e da função da Educação não somente na formação técnica, mas na consolidação de uma cultura anticorrupção, o grande momento: a entrega dos certificados aos vencedores do concurso. Os três primeiros colocados, além dos certificados, receberam, respectivamente, um tablet de última geração, um Iphone e um smarthphone.

Para a diretora-geral do IEMA, Cricielle Muniz, a festa de premiação é o coroamento de uma inciativa voltada para ao fortalecimento da consciência política e cidadã de estudantes de todo o estado. “Foram 240 textos de estudantes de todas as unidades do IEMA nesse processo de mobilização contra a corrupção, de uma grande tomada da consciência que extrapola as fronteiras da escola para a sociedade”, avalia.

O Dia Internacional contra a Corrupção é uma referência à assinatura da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, ocorrida na cidade mexicana de Mérida. A proposta de criação do Dia Internacional contra a Corrupção foi apresentada pela delegação brasileira à época da votação da Convenção. Foi nesse dia, no ano de 2003, que mais de 110 países assinaram a Convenção, entre eles o Brasil.

TCE/MA poderá ter pela primeira vez uma mulher na sua composição; Brandão indicou Flávia Gonzalez

Após quase 80 anos de história, o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão terá sua primeira mulher na composição do pleno. O governador do Maranhão, Carlos Brandão, do PSB, indicou, através de ofício enviado à Assembleia Legislativa, a procuradora de contas Flávia Gonzalez Leite para ocupar a vaga de conselheira no Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA).

O anúncio foi feito pela presidente da Casa, Iracema Vale, durante sessão plenária realizada na manhã desta quinta-feira, 14.

Após a leitura da indicação do governador, Iracema Vale editou a Resolução Administrativa nº 1271 de 2023, onde determina a publicação do ofício no Diário Oficial da Casa, formalizando a indicação da procuradora Flávia Gonzalez Leite. Além disso, foi constituída uma comissão especial composta pelos deputados Roberto Costa, Rafael, David Brandão, Ricardo Rios e Erick Costa. Essa comissão terá a responsabilidade de analisar e emitir parecer sobre o nome indicado pelo governador.

Para realizar a avaliação da indicação do governador, será realizada uma sessão extraordinária na próxima terça-feira, dia 19 de dezembro, após a sessão ordinária.

Flávia Gonzalez poderá exercer a função até 2055, permanecendo por 32 anos.

Perfil da Procuradora Flávia Gonzalez Leite:

Procuradora de Contas junto ao TCE-MA;
Graduada pela Universidade Federal do Maranhão;
Pós-graduada em Direito Processual Civil e Direito Constitucional pela Faculdade Cândido Mendes;
Professora Convidada da Escola Superior de Controle Externo do Maranhão;
Ex-Diretora Adjunta da Associação Nacional do Ministério Público de Contas – AMPCON;
Ex-Advogada da União e Procuradora do Estado do Maranhão;
Aprovada nos concursos da Defensoria Pública do Estado do MA (2003) e da AGU – Procurador da Fazenda Nacional (2004).

A indicação de Flávia Gonzalez Leite para o cargo de conselheira no Tribunal de Contas do Estado do Maranhão representa um passo significativo no cenário do controle externo, levando em consideração sua experiência e qualificações. A comissão especial terá a responsabilidade de avaliar detalhadamente o perfil e as contribuições que a procuradora poderá oferecer ao TCE-MA.

*Com informações da Folha do Maranhão.

Criança de apenas 7 anos dá palestra em curso de universidade federal

Citando Darcy Ribeiro, a criança afirma que: “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”.

Com uma mente que vai muito além da idade, Álvaro Siqueira de Melo é um craque no mundo virtual, e já criou até um jogo, em que ele é o protagonista.

Um menino, de apenas sete anos de idade, deu uma palestra, nesta sexta-feira (8), no curso de pedagogia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Nascido na comunidade do Complexo da Maré, ele é considerado por especialistas bem acima da média. A criança já tem até certificado de uma das instituições de ensino mais importantes do mundo.

Com uma mente que vai muito além da idade, Álvaro Siqueira de Melo é um craque no mundo virtual, e já criou até um jogo, em que ele é o protagonista. Para vencer, o jogador precisa evitar os tiros perto de uma escola – um problema recorrente na rotina do menino.

“Ganhar o jogo é só clicar nas balinhas de tiro, não precisa nem clicar, só passar o mouse em cima e também nos brinquedos e fazer o Super Alvinho andar”, conta o garoto.

Álvaro mora no complexo de favelas da Maré, no zona norte do Rio, dominada por milicianos e traficantes, a região é uma das mais violentas da cidade. Apesar das dificuldades, Álvaro foi avaliado como uma criança com inteligência acima do normal. Ele mostra com orgulho o diploma do curso on-line, em inglês, que fez na universidade norte-americana de Harvard, uma das mais renomadas do mundo. 

Apesar de ainda ser muito jovem, Álvaro já tem planos ousados para o futuro. Ele pretende continuar estudando e projetar robôs para serem usados nas lavouras brasileiras.

“Eu falei desde pequeno que queria construir um robô e ainda não desisti. Tipo, eles trabalharem para regar as flores, também as árvores de frutos”, conta.

A mãe conta que o menino demonstrou muito cedo o interesse em se desenvolver, e o maior desafio é encontrar escolas preparadas para receber alunos como ele.

“Ele se apaixonou pela vida no campo quando fomos visitar a minha família em Minas, se encantou pela vida no campo e quer unir a paixão que ele tem pelos robôs, pela programação, com o agro”, diz a mãe, Priscila de Melo.

Na palestra o garoto recebeu os aplausos dos adultos, que já reconhecem um futuro de sucesso para o Super Alvinho. 

“E para encerrar, eu vou dizer a fala do Darcy Ribeiro: a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”, afirmou o garoto de sete anos.

Fonte: https://www.google.com/ e SBT.

DIQUES E BARRAGENS NA BAIXADA MARANHENSE

Por Expedito Moraes

Primeiro capitulo

Ontem (08/12/2023), o Jornal Nacional divulgou uma matéria que enfatizava as mazelas provocadas pela seca nos campos da Baixada. Na matéria aparece, em destaque, os campos “esturricados”, principalmente, do município de Bacurituba.

Por volta de 2013 a 2015 tive o oportunidade de conhecer melhor as questões mais emblemáticas da região da Baixada e Litoral Ocidental. Nesse período, como Secretário Adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Social do Governo do Estado (Sedes), coordenei uma equipe que acreditava que as Barragens de Enseadas eram capazes de minimizar muito a calamidade causada pela seca.

Os campos que hoje estão esturricados, há seis meses estavam alagados ou submersos. Precisamos entender a diferença entre os Diques da Baixada e as Barragens de Enseadas e outros tipos de acumuladores de água.

Os DIQUES da BAIXADA, têm como principal função evitar o avanço de água salgada nos campos que margeiam a Baía de São Marcos ou que adentram pelos igarapés, principalmente no verão nas fases de lua cheia e nova.

A permanência de água doce, proveniente do período chuvoso, entre os aterros do dique e o campo não permanece o verão todo; em condições normais de médio inverno e média seca, nos meses de agosto para a frente já terá sofrido um abaixamento grande causado pela evaporação e percolação do solo. Poucos lugares ficarão com água acumulada até o inverno seguinte.

Porém, já existem inúmeras barragens de enseadas, açudes, diques de produção (réplica das valas de 12X200 metros que deu certo em ANAJATUBA), e outros tipos de acumuladores de água artificiais e lagoas naturais que minimizaram, ao longo desses anos, um pouco a extrema carência de água e pescado.

Como vimos, ontem na matéria jornalística, em Bacurituba, mesmo no meio dos torrões e capim seco, ainda, permanecia água e lama em alguns açudes, onde o gado mata a sede, mas morre atolado.

Conheci muito bem esse lugar, caminhando a pé na companhia do saudoso Xisto, então, prefeito do Município. Era um entusiasta deste tipo de prevenção.

Definimos uns cinco locais que o Estado do Maranhão, com recurso do BNDES deveria intervir, para construir 3 barragens de um teso a outro e duas seriam restauração e adequação.

Durante, aqueles 2 anos, fizemos levantamento de aproximadamente 100 locais possíveis deste tipo de intervenção. No final do Governo de Arnaldo Melo, os técnicos terceirizados do BNDES, engenheiros e assistentes sociais da Sedes deixaram aprovados recursos suficientes para construir mais de 50 barragens, inclusive Maria Rita. Ocorre, que no governo seguinte tinha gente que não via esse tipo de empreendimento capaz de trazer os benefícios esperados.

 

 

 

 

Fotos G1 e Jornal O Imparcial.

Discurso de posse de José Carlos na ATHEART (ACADEMIA ATHENIENSE DE LETRAS E ARTE)

Por Zé Carlos 

… venho filho das águas do velho e abençoado Pericumã. Venho ungido pelos campos verdes e pelo mais intenso azul, que abençoam a nossa querida Baixada.

… venho sustentado na sustança do angu com isca, da jabiraca seca e do chibé de leite.

… venho filho das famílias Pessoa e Do Rosário, que, mais do que o especial DNA, concretizaram em mim o hábito do diálogo, da responsabilidade, do respeito, do altruísmo, da paz e do amar.

… venho filho de José e de Maria, forjados em árdua lida, com o gritante e único intento de formar a sua prole, digna e professadora do bem.

… venho filho das tias, no sangue e no afeto, iluminado e abençoado por Maria do Socorro, Maria da Luz e Teresinha de Jesus.

… venho o reflexo, mais fiel e intenso, das mulheres da minha vida, que me formaram e me guiaram nos desafios do mundo; a se traduzirem nas lembranças eternas de minha avó Dedé e de minha mãe Zeca.

… venho caminhante firme, a me lançar nas veredas da vida, por ser aquinhoado com o porto seguro, mais seguro, a me ancorar nos sorrisos, nas verdades, nas certezas e nas saudades, que são os meus irmãos.

… venho companheiro e pai, a descobrir a força, a beleza e a magia de criar laços, novos e eternos, e de poder escrever a parte mais importante da história de minha jornada.

… venho mais leve e com o andar seguro, amparado no bem-querer dos meus tios, dos meus primos, dos meus sobrinhos, das minhas cunhadas; da minha mais nova família, a família Nefro; e nos gracejos, nas risadas e, até, nas lágrimas de cada amigo “amigo”.

… venho com os inesquecíveis Odorico Mendes (o Ovo Mole) e Colégio Pinheirense (o Cu de Pinto), os primeiros elos da minha caminhada, na vida escolar e intelectual, a serem a luz, que me guia na árdua e laboriosa luta por conhecimentos e por um viver digno e respeitável.

… venho no fogoso galope das bravias ondas, à procura de navegar outros, e muitos, desafios; e de me entregar, com intensidade, às letras; e de me tornar, definitivamente, nos mistérios das marés, das escadarias, das ladeiras e dos becos, Zé. Simplesmente, Zé!

… venho órfão e saudoso, a desbravar a Ilha, que sempre abraçou tantos filhos, deste imenso Maranhão, “famintos por saberes”.

… venho da área Itaqui Bacanga, velejando o Itapicuraíba, apregado às asas da ALEART, a adquirir e irradiar sabenças, sob as bênçãos e proteção do Anjo da Guarda.

… venho cativo das notas musicais de Lilah Lisboa, a minha patrona, a lhe “beber” a perspicácia feminina, a gana e a sabedoria, na busca por minha formação.

… venho adentrar esta magnânima Academia com a certeza de que estou entre intelectuais, que muito me ensinarão neste momento de minha caminhada; haja vista já ter sido presenteado com ensinamentos e vitais orientações, ao ter alguns de meus confrades como mestres, a exemplo de João Bentivi, Zefinha Bentivi, Hilmar Hortegal e Fernando Novais. E, nesta atmosfera, a ansiedade e a alegria invadem-me, por saber que passo a contar com a solidariedade e a sapiência de todos os demais membros desta importante instituição.

… venho vestido de boa vontade, de respeito, de afã por aprender, de orgulho por fazer parte desta egrégia Academia, a que, há muito, acompanho e admiro.

… venho, com toda minha humildade, pedir a Deus, que me oriente a ser um digno e produtivo “atheniense” nesta Casa.

… venho dizer a mais pura verdade: a Athenas Brasileira me tornou um baixadeiro ludovicense, cativo para todo o sempre.

 

O Cametá dos Martins Santos

Por Ana Creusa

Cametá é um Povoado do município de Peri-Mirim/MA, que fica a cinco quilômetros da rede do município.

Os três irmãos da Família Santos: Ricardina, Cota e Siríaco eram os antigos proprietários do pedaço de terra denominado Cametá.

As zonas limítrofes do Povoado são: Ao Norte, fica a Ilha Grande, separada por uma pequena barragem; ao Leste e Sul se limita com a Ponta do Poço, e a oeste com a Carnaúba dos Nunes.

Os irmãos Santos resolveram dividir a área em três porções. Apenas Ricardina iria permanecer no lugar, onde já tinha casa. As outras duas porções foram colocadas à venda. O compadre de Ricardina, João Pedro[1], encarregou-se do negócio.

Quem se interessou pela compra do local foi Benvindo Mariano Martins, filho de João de Deus Martins[2], fazendeiro do Feijoal. A Ilha Grande já estava em posse de outro filho de João de Deus, Manoel Martins.

Era tradição naquela época que, após o casamento, com consentimento ou arranjado pelos pais, os filhos ganhavam seu quinhão de terra e cabeças de gado para começarem a nova vida.

Como João de Deus teve muitos filhos, o Feijoal já não era suficiente para abrigar a sua grande descendência. Por esse motivo, seus filhos e netos passaram a povoar outras terras, tudo sob o comando do patriarca João de Deus.

Vendo que seus filhos já contraiam núpcias e que precisava aumentar as suas terras, Benvindo adquiriu dois terços do Cametá que estavam à venda. Como a parte da frente das terras faziam fronteira com a Ilha Grande de Manoel Martins, Benvindo adquiriu essa parte.

Ocorre que Ricardina – a única proprietária que iria continuar nas terras – já morava nessa parte do terreno, isto é, na Ponta – onde atualmente pertence à família de tio Santinho[3].

O negócio com João Pedro recaiu exatamente sobre a parte da frente – a Ponta, onde Ricardina morava com seus primeiros filhos. Ela não sabia que o negócio seria com essa parte e que teria que se mudar para o fundo da enseada, no Sítio Jurema, onde hoje é realizada a Ação de Graças, idealizada pelo filho de Ricardina, José dos Santos.

Pois bem, com a mudança de Ricardina (Santoca), que desmanchou sua casa, que tinha uma bela vista para o campo, teve que construir uma casinha improvisada no fundo de enseada. Como no local tinha muitos arbustos de Jurema, passou a chamar aquele local de Jurema.

Os filhos de Benvindo passaram a ocupar a nova terra. Raimundo João Martins (Santinho), instalou-se na Ponta. João de Jesus Martins (Zozoca) e Benvindo Martins Filho (Benvindinho) instalaram-se na parte oeste do terreno, que também tinham uma boa vista para o campo.

Existia uma outra ponta, ao leste que era chamada Ponta da Capoeira que era destinada a Maria Amélia, também filha de Benvindo. Mas Maria Amélia casou-se com José dos Santos, o qual preferiu fazer casa nas terras da sua mãe Ricardina, que ficava no lado sul do Cametá, também na enseada.

Anos depois, Maria Amélia perdeu seu filho mais velho, Ademir de Jesus, e nunca mais teve alegria naquela casa bem-feita pelo seu marido trabalhador que nas horas vagas do seu labor da roça, fazia telhas e tijolos.

Com esse desgosto, Maria Amélia resolveu ocupar o seu terreno na Ponta da Capoeira (local onde atualmente é de Lélio de Walton Barreira). Cometeram o desatino de desmanchar a casa da Enseada e foram viver em uma casa de taipa, construída às pressas. Esse fato desanimou José, que nunca mais teve saúde e nunca terminou a construção da casa.

As famílias Martins Santos entrelaçaram-se. Os irmãos João de Jesus (Zozoca) e Maria Amélia Martins casaram-se com Maria e José Santos, respectivamente, de forma que as terras quase voltaram a formar um todo novamente.

Ricardina vivia com seus filhos nesse quinhão de terra chamado Jurema e lá faleceu, deixando os filhos menores sob os cuidados de Maria e José Santos.

Os Guerreiros da Jurema merecem muitas homenagens e seus legados haverão de ser transmitidos por muitas gerações, por meio de atos e palavras e pela Ação de Graças na Jurema.

[1] Coincidentemente, João Pedro é também o nome do pai de Ricardina.

[2] João de Deus Martins é avô da esposa de José dos Santos.

[3] Raimundo João Martins (Santinho) é irmão de Maria Amélia, esposa de José dos Santos.

… PRA LÁ OLHO GORDO!

Por Zé Carlos

Hoje me vi amanhecido, e “mufino”. E, com certeza, preguiça não é. É, sim, a sensação de “não tá no meu corpo”. “De não querê fazê nada”, e só contar os vãos das ripas do telhado, e imaginar alguma proeza, de preferência proibida, e voltar a ficar quieto. E isso não é normal. Até chorar, veio a vontade.

Acredito que o tempo, só “prometendo a chuva”, é o responsável maior disso.
A minha certeza é que não me prostrarei. Só me preocupa é não ter minha avó Dedé aqui, comigo, e receber “uma boa dose de oraçõezinhas”, “a mi fechá u corpo, levantá a arca caída i protegê a ‘fônti’, di todo i quarquer” mal.

E, se o problema é nervo trepado, com certeza, as mãos mágicas, dela, tudo resolveriam só com uma massagem à base de azeite de carrapato ou de andiroba.

O pior é “qui incontrei uns cunhicidos pur êssis dias i mi ilugiaro dimais. Acho, inté, qui tão cu’um grávi probrema di vista”. E, “tombéim, tô é cismado cum tanta festa, qui fizero pra mim”. “Queim sabe num veim daí essa lerdeza toda?!”

O certo é “qui tô achano qui tô cum quebranto”. E, para piorar, não conheço quem faça a “benzedura, pra quebrá êssi incanto.”

“Cumo num sô neium besta, num vô isperá pra vê u qui vai contecê di tão rúim cumigo, vô é logo, nu Mercado Centrá, arranjá arguns galinho di arruda i di pião roxo, imbebê êlis num restinho di pinga, qui tenho aqui, im casa, lá du Tubajara; mi incruzá, frênti i costa, nu caí da tarde; i procurá mi agasalhá, beim agasalhadinho, pra num pegá neium tiquinho di vento i ficá di miolo môli”.
E … “pra lá olho gordo!”