COISAS E LOAS

Em Pinheiro , “tem coisas”, que até Deus duvida. Você duvida?!
“Coisas” sérias; outras nem tanto. “Coisas” que “encheriam”, fácil fácil, muitos e muitos livros. Fiquemos, por enquanto, com a segunda opção. Situações inusitadas, que nos mantêm “intertidos” e nos fazem dar boas, deliciosas gargalhadas. Indubitavelmente, ajudam-nos “a passar o tempo” e manter o “juízo”, em dia. Assim, acho.

Dizem as “boas” línguas … nada posso afirmar com certeza, pois andava longe … que a chegada de um circo, em nossa cidade, foi “cercada” por estupenda curiosidade. O que não é novidade alguma, quando se trata de um circo. A expectativa maior, no entanto, foi gerada pelo “anúncio” de que “uma mulher iria virar peixe”, no decorrer do espetáculo. Tal feito anunciou-se o dia todo, pelos alto-falantes, instalados nos tetos dos carros, que “arrastavam” um “cordão de crianças”, “enceradas”, “a marmanhar” uma cortesia. Do contrário, era tentar um lugar na fila, em um furioso empurra-empurra, fora do circo, para “espiar” pelo buraco da lona.

O picadeiro ganhou vida. O show foi iniciado. No seu apogeu, eis que surgiu … sem nome “para não fazer fuxico” … uma acará na frigideira, jogada para o alto e “aparada” aqui, embaixo. Igual, quando se “vira” beiju. A “artista” conterrânea, realmente, virava o peixe, e com entusiasmo. Pleno malabarismo. Quanta decepção! A acará hirta e sisuda, em sua imponência, não “colheu os louros” do sucesso. A ira dominou a plateia. “Loucura total”. Não deu outra. Fogo no circo, literalmente.

Fato esse que não serve para taxar o nosso povo de violento. O circo queria o quê? “Brincar com nossa cara”? Era “melhor não ter mexido com nós”!
Culpa, exclusiva, de um inocente “ruído semântico “: “a mulher que vira peixe”. Uma sentença claríssima!!! Não é?!

“Sorte” igual teve o cinema, sedento por se livrar de Shaolin e apresentar uma novidade. “Ironia do destino”, a novidade foi o bangue bangue “Vou, mato e volto”. Película, com único tiro, em toda ação. E o “bandido” do personagem ainda o erra. Uma lástima. Nova decepção. Voaram cadeiras para todo lado. “Bem feito”, como dizia minha querida avó.

Por curiosidade, tempos depois, aluguei a fita, que, por pouco, não teve o mesmo fim. O pior “western”, a que assisti. Tempo perdido, “que só”!? Santa paciência!
Nesse cenário, as histórias são multiplicadas e replicadas com graça e leveza. Mas, para mim, nada se compara à esperteza e à malandragem do “caboco”. Quase sempre mudo. Longe de seu ambiente familiar, principalmente. Fala mansa. “Olhar perdido no chão”. Aparentemente, distante. Não nos enganemos. Ali “mora” a simplicidade, mas também a sapiência.

Vejamos a perspicácia e o raciocínio rápido de um garoto da roça. Pesquei esta história do repertório de meu irmão Rivelino.
“Manhãzinha”, o pai “abate” um “capadinho de chiqueiro”. Depois, intima o filho a ir à roça, enquanto a sua companheira dá as “providências” necessárias nos afazeres restantes. Dos miúdos do porco ao almoço.

Ao retornarem da roça, famintos, “vêm comendo”, de longe, o cheiro do cozido. Guardam-se os “ferros”. A mãe chama o filho. O diálogo acontece:
– De quem é esse iscardadão miseravão, que minha mãe tá fazeno?!
– Vá banhá, minino. É do teu pai.
– Mais, mãê, eu já banhei.
– Intonce, pega e come esse miseravão, inconto teu pai banha, qui faço otro pr’ele.
– Passa pra cá, iscardadinho!
Nada além de fan-tás-ti-co!!!

TAMBÉM DE FARINHA VIVE O HOMEM

Por Zé Carlos Gonçalves

Quando queremos descobrir a origem de alguém, basta um teste rápido. Só não vale mentir, que é feio. E baixadeiro, “da gema”, não é dessas coisas.
O teste prático e infalível diz-nos muito.
– Cê já comeu uma manga, sem farinha?

Essa resposta é crucial. É decisiva. Em caso positivo, não temos mais nada a nos dizer. Conversa encerrada. Adeus. Tchau.
Quero, afinal, “papear” com quem traz a farinha impregnada em suas “veias”.
Então, voltemos à manga. E, à Farinha. Farinha “viva”, chamativa, “torradinha”, a executar o “troque troque” mais musical “da parada”. Farinha na cuia. A cuia entre as pernas. Nós a enfiarmos a manga na farinha. A manga “alvoraçada”, como um “cabelo que não viu pente há séculos”. “Lambuzados”, ao “roer” o caroço da manga, até ficar “branquinho”. O “caldo” da manga a escorrer pelos “cantos” da boca. Desculpem a narração minuciosa. Sei que maltrata. E foi proposital. Aí, sim, se a boca já está cheia d’água, é baixadeiro, e “ligítimo”.

Pode até “existir” outro “povo” que goste de farinha. Só não há baixadeiro, sem farinha. Que não leve o seu “embrulhinho”, (o “cofinho” saiu de moda), seguro em sua “valise”, que “não sai de perto”. No colo ou no pé. Bagageiro de van, jamais.

Perder carteira, roupas, sapatos, pode. Mas, a farinha, nunca. É depressão, na certa. Afinal, se não houver farinha tudo “perde o gosto”.
Qual a graça em um doce de leite, “nu”, desguarnecido, esquecido em um pires? Frustração total. Ainda mais, quando estamos de visita em “casa alheia”. Eu fico totalmente “sem jeito”. O doce, “pedindo farinha”, a me encarar “desconsolado” e feio. É um grande sacrifício.

No entanto, a falta da farinha não torna um “aleijão” só a manga e o doce. Esse privilégio não é exclusivo dos dois. A juçara sofre do mesmo mal, bem como o murici, o buriti, o café, o chá, o suco, o leite … O que dizer de um “cozidão” ou da carne, do peixe e do ovo fritos?! Ou não poder mais “mufar uma mãozada de farinha”?! Enfim.

O que seria do baixadeiro se não houvesse a farinha para dar colorido e sustança ao ki-suco de morango, fambroesa, abacaxi ou laranja, de nossa bela infância? Bem capaz de ser abandonado na mesa. Assim como a banana, insípida, ficaria às moscas e o queijo caseiro tornar-se-ia absurdamente insosso. E a cabeça de camarão? “Mais boa” que o próprio, estaria perdida, jogada às galinhas. “Credo!”

Haja farinha! Principalmente, em uma xícara de doce de côco ou em uma xícara de mel, de cana. Um sorvedouro faminto, cada vez mais, a “embeber” o nosso rico tesouro.
Certamente, tantas outras “combinações” são possíveis com a farinha. Mandem-me algumas, para eu “expermentar”.

E, para fecharmos, com chave de ouro, encontremos um deputado, tão inoperante em seu ofício, mas que possa trabalhar em prol da Baixada e apresente um projeto de lei, tornando a farinha nosso maior patrimônio! E, material!.
Viva a farinha!

Ana Cléres Santos Ferreira do Fórum da Baixada, torrando farinha em Cururupu

PERI-MIRIM: Governo do Estado e Prefeitura garantem pavimentação de ruas

O município de Peri-Mirim, localizado na Baixada Maranhense, foi contemplado com cerca de 3 km de asfalto, beneficiando milhares de famílias, promovendo maior mobilidade e bem-estar.

O secretário de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, destacou que o governador Flávio Dino vem desenvolvendo um trabalho grandioso em prol das cidades maranhenses.

Em Peri-Mirim estamos com obras importantes que vão melhorar o acesso, garantindo segurança e bem-estar para a população. É o governo Flávio Dino todos os dias construindo um Maranhão melhor para todos, afirmou.

Em parceria com a Prefeitura de Peri-Mirim, o Governo do Estado do Maranhão, por intermédio da Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano (Secid), implementam de obras de pavimentação de vias urbanas. Os serviços de asfaltamento das ruas da cidade foram iniciados na semana passada. Os serviços visam beneficiar os moradores com melhoria da mobilidade, acessibilidade e qualidade de vida.

Esse trabalho de pavimentação de ruas será constante em nossa gestão, melhorando as condições de tráfego e trazendo mais segurança a motoristas, motociclistas e pedestres. Agradeço a SECID, ao Governo do Estado, pelo empenho e dedicação ao projeto. Essa parceria é muito importante para melhorar a qualidade de vida da nossa população, afirmou o prefeito Heliezer.

Com essas palavras, o prefeito Heliezer de Jesus Soares agradeceu ao governador Flávio Dino e ao secretário de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, pela parceria firmada com o município para pavimentar as ruas da cidade.

Fonte: https://www.ma.gov.br e informações do município.

UFMA promove campanha radiofônica de sensibilização e combate ao trabalho escravo na Baixada Maranhense

Com o slogan “Trabalho Certo: mesmo na precisão, não caia na escravidão”, a campanha pretende conscientizar a população acerca das formas de aliciamento na região; lançamento será dia 23 de junho, às 10h, pelo Google Meet.

A campanha “Trabalho Certo: mesmo na precisão, não caia na escravidão” faz parte do projeto de pesquisa “Comunicação, Migração e Trabalho Escravo Contemporâneo: trajetórias de trabalhadores (as) rurais da Baixada Maranhense

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio de formulário eletrônico. O link de acesso será enviado para o e-mail dos participantes inscritos. Mais informações com a professora Flávia Moura pelo telefone (98) 98104-6288.

No próximo dia 23 de junho, às 10h, o GETECOM (Grupo de Estudos Trabalho Escravo e Comunicação), da Universidade Federal do Maranhão, realiza o lançamento da campanha radiofônica com o objetivo de sensibilização e combate ao trabalho escravo. O evento será de forma virtual, pelo Google Meet.

Sob a coordenação da professora Flávia de Almeida Moura, do departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Mestrado Profissional) da UFMA e abrange quatro municípios da região da Baixada Maranhense: Santa Helena, Pinheiro, Penalva e Viana.

A região lidera os locais de origem de trabalhadores que são resgatados de condições análogas à de escravo no Brasil atualmente. O objetivo do projeto é utilizar a mídia, principalmente a radiofônica, para conscientizar a população acerca das formas de aliciamento dos trabalhadores, além de ser uma forma de denunciar o trabalho escravo contemporâneo.

A campanha contou com a participação de dois bolsistas de iniciação científica e pesquisadores voluntários de Graduação e Pós-Graduação dos cursos de Comunicação e Design da UFMA. Foram produzidos, na primeira etapa, sete produtos de áudio, sendo dois podcast e quatro spots para serem veiculados em rádios comerciais e comunitárias da região da Baixada Maranhense, além de circular nas redes de entidades do movimento social, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (ABRAÇO-MA), entre outras.

https://portalpadrao.ufma.br

NO “EMBALO” DAS CANTIGAS

Por Zé Carlos

Atualmente nos encontramos muito tensos, “com os nervos à flor da pele”. Precisamos “desafogar” a mente e a alma. Então, vamos no “embalo” das cantigas …

Torna-se quase unanimidade a máxima de que ser “inocente” é “um sinal” de “estar fora do mundo”, estar “desatenado”. Algumas vezes, até ser, grosseiramente, taxado de “otário”. “Cala a boca inocente!” Aparecem, então, as conotações em suas mais diversas formas. Mas, a “inocência”, a ser tratada aqui, prende-se às “boas” construções – algumas vezes surreais, beirando ao absurdo, para não dizer “sem pé nem cabeça” – das cantigas que embalaram nossos sonos, infância adentro, “sem esse patrulhamento do tão politicamente correto”; o que vem se tornando “uma verdadeira chatice”.

Fomos “criados” em meio aos afazeres domésticos, em que nossas mães desdobravam-se insanamente para ter a casa “em ordem”. Não lhes sobrava tempo “pra nada”. Muito menos, “vigiarem” compositores “desmiolados”. Então, o que dizer de uma criança chorona, “derretida como manteiga”, que, além de abrir o berreiro, a toda hora, ainda ficava com os “olhos vidradinhos”, “esbugaiados”, “mais acesos que uma lamparina”? “Cheirava a um ataque de nervos”. A saída única e certa, uma cantiga! Um sonífero poderoso. Um alento. “Encaramos”, pois, cantigas de todos os matizes. E sobrevivemos.

Sobrevivemos, bravamente. Quem “perdeu o juízo” ao ser “nanado” por um boi assustador, que pairava no quarto, a nos aterrorizar, após já sermos massacrados pela “careta”, “outro bicho medonho”?! Ou com o “berro” horripilante de um “miau”, que escapou do “pau da morte”, por já estar “escaldado” de tanta “manha”?! Ou com a figura temível do “carangueijo”, que não se decidia ante a oscilação das marés. No mínimo bipolar. Ora peixe ora … bolas?! Ou com as “lambadas” prometidas ao “samba lelê” – na verdade, nunca cheguei a entender o que vem a ser – que seria castigado pelo pecado de estar “doente”, com a cabeça quebrada?! Ou com uma barata “desconfiada” e tão mentirosa quanto suas vestes, a azucrinar, vejam só, a cabeça do “vovô Quinquim”, “valsador” exímio, mesmo com as pernas tortas?!

Se fosse hoje, quantas terapias a resgatarem a autoestima dos “pequenos”, implacavelmente torturados pelos “monstros das cantigas”?! “Inventaram” até a versão do “não atirei o pau no gato, e o gato não morreu”, para quem nunca brincou com um “radinho”, feito de uma caixa de fósforos, com um besouro dentro; ou “de médico”, para os mais destemidos, que dissecavam um sapo ou uma “paquinha” com maestria ímpar. Fora outras artimanhas não recomendáveis, nos dias de hoje.
Vivemos em tempos abençoados! Não éramos fracos, não.

Para nossa salvação, como contra ponto, no entanto, existia o belo, o sereno, o sublime, traduzidos na majestade do alecrim, que não nascia à toa, uma vez que a sua finalidade era abençoada. Colorir e perfumar nossos sonhos. Também, da nossa rua, linda, ricamente “lastreada” por ladrilhos de brilhantes, para servir de passarela aos amantes e palco sagrado das nossas brincadeiras; e de Teresa, a escolhida de Jesus, Senhor amado, que, ao se salvar de um providencial tombo, eternizou o amor.
Realmente, escapamos … Amém! … do bombardeio de um tal de “Ilariê” e “do vizinho comedor de coelhinho”!

A Associação dos Filhos e Amigos de Cururupu pede providências urgentes e cabíveis para regularizar os serviços de Ferry Boat

A entidade civil,  por meio de Representação, solicitou  à Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Público do Maranhão (MOB) que sejam adotadas providências urgentes e cabíveis no sentido de regularizar a situação dos serviços, assegurando a integridade à vida de todos os cidadãos  que utilizam os serviços portuários de ferry boats.

A Associação dos Filhos e Amigos de Cururupu (AFAC) justificou o seu pedido, pois representa a população dos municípios de Cururupu, Guimarães, Alcântara, Bequimão, Central do Maranhão, Cedral, Porto Rico, Mirinzal, Serrano do Maranhão, Bacuri e Apicum  Açú, que integram a microrregião do Litoral Ocidental Maranhense, que utilizam o serviço portuário de ferry boats para travessia da Baía de São Marcos, com trajeto São Luís–Cujupe e Cujupe-São Luís.

No documento, a AFAC destacou que, apesar de anunciada por diversas, vezes o processo de Licitação para que outras empresas possam explorar os serviços com qualidade, tal fato ainda não se concretizou e que os ferry boats são muito antigos, já possuindo vida útil bastante comprometida e que o incêndio ocorrido em uma das embarcações, no último domingo (6), deixou os usuários desse transporte em estado de alerta, pois o acidente poderia ter ocorrido em alto mar, podendo atingir características de tragédia.

Por fim, a entidade reitera providências cabíveis e enérgicas por parte do Poder Público. O documento foi assinado pelo Presidente da entidade, Dr. Paulo Silvestre Avelar Silva e pelo Assessor Jurídico, Dr. Francisco Sales da Costa Filho.

A MINHA RUA

Por Zé Carlos

Há muitas ruas. “Muitos donos”. Muitas histórias. Entretanto, não há rua igual a minha.
Não digo a rua, pavimentada e super povoada, de hoje. Não. A minha rua “só areia”, recheada de terrenos baldios, com vizinhos de verdade: “seu” Joca Morais, Oneildo e Maria Joana, dona Ana Sousa, Evaristo, Arias e Socorro Marinho, meus avós Antônio do Rosário e Dedé, “seu” Nemésio e dona Filomena, “titío” Júlio e tia Bela, dona Adelaide e dona Maria Helena.

Nela, podia correr livre e seguro. Andar de bicicleta. Jogar bola, pião, dama, dominó, “peteca” (hoje, bola de gude; o que me causa uma certa decepção), “sopapo” (vim a saber que é a verdadeira peteca), “chucho”, amarelinha (nome mais sem graça, para quem queria apenas chegar “no” céu!). Pular elástico, e o que mais a imaginação pudesse idear.

Eu só não podia empinar pipa (papai era funcionário da CEMAR). Que inveja dos amigos. Mas, há três anos, fui à praia, com meu filho, e passamos o dia “todinho” soltando pipa. “Matei a vontade”. Não sei quem estava mais feliz.

No entanto, a magia da minha rua acontecia à noite. Tanto que, à tardinha, tudo era feito “às carreiras”. O encontro com os amigos tornava-se reunião-família! Dali saía o “bom barquinho”, repleto de “peraltinhas”, num serpentear “maroto”, navegando a mesma canção, nunca “enjoada” nem descartável, em busca do primeiro ou último porto seguro.

Também, o coqueiro inalcançável, testemunha única do choro mais puro e sincero da viúva tão jovem em busca de um novo bem querer. E o “boca de forno”, mandão e tirânico, a distribuir o “bolo”, num castigo gostoso, e sendo obedecido com os mais inocentes sorrisos. E o “já ou?!”, que ficou perdido no leito da rua, soterrado pelo devastador progresso. Duvido que alguém ainda se lembre do “já ou?!”. E o queimado? E o roubar bandeira (…)?!
Depois, “era uma luta pra banhar!”

Na minha rua, até São João vinha brincar os seus folguedos, montado nas costas do boi de Donzinho; e São Pedro chegava sereno a abençoar “compradios”, e batismos no “fogo” da amizade.

Essa era a minha rua. Onde as poucas intrigas, por meras banalidades (uma inocente cuspida ou um pisão no retrato da madrinha, rabiscado no chão), duravam tanto … até uma nova brincadeira!

A minha rua quase foi o meu sepulcro. Num impulso de herói, quis atravessá-la primeiro que a caçamba da prefeitura, levando Chaguinha, de Chico de Anália, o motorista, literalmente a “água de açúcar”. Tal presepada foi coroada com umas bem aplicadas chineladas “no lombo”. A primeira e única vez que vovó “relou a mão” em mim. E, ainda, foram poucas. Saí no lucro. Estou vivo. Mereci mais.

Quantas aventuras no palco da minha rua, onde ocorreram os mais diversos espetáculos!
No entanto, o verdadeiro, o legítimo espetáculo só acontecia após o apito da usina. “Desfazia-se” a luz. Enfim, o céu em sua plenitude. Era a hora de me apossar das estrelas. Eu tinha um “rebanho” considerável delas, que já não vislumbro mais. Não pela “gaiatice” da luz elétrica, mas pelos olhos tão encharcados, que me tomam agora.
Tomemos nossas ruas!

“HUM, (R)HUM”, NEM TE DIGO NADA!

Por Zé Carlos

Há algum tempo … muito tempo, venho matutando a respeito das peculiaridades linguísticas em nosso estado. Um campo vasto para uma pesquisa significativa. Entretanto, encantei-me pelo “hum, (r)hum”. Onomatopeia, por demais curta, e estupidamente poderosa, que em lugar algum “do mundo” apresenta-se envolta em tanto mistério, graça e vigor como aqui, no Maranhão.

Duvido se há algum maranhense, que nunca entendeu e/ou se fez entender com um “hum, (r)hum”. É-lhe, sem dúvida, um patrimônio sagrado. Um “patrimônio material”, haja vista a sua “onipresença” em cada ladeira, cada esquina, cada beco, cada escadaria (…). Verdadeiramente, a “maranhensidade!”, para “ficar na moda”.

Acontecimento linguístico, único e “multifacetado” (a polissemia é-lhe pouco), traduzido em um impassível olhar, um suspiro, um leve meneio de cabeça, um espichar de beiços, um “sorriso amarelo”, um descontentamento, um palavrão, uma apoplexia (…). Com certeza, tudo se fala, e pode, com o “hum, (r)hum”.

A sua força impõe-se silenciosa e definitiva, a nos encantar com o seu ciciar, ou com os seus sussuros, ou com os seus muxoxos, ou com os seus gritos silenciosos. Também, a nos dominar com a sua simplicidade; e a nos guiar com a sua bonomia; e a nos “enigmar” com as suas reticências.

Enigma que torna o “hum, (r)hum” o mais espetacular e indecifrável possível, ao ser empregado, quando se fala ao telefone. Afinal, a expressão facial é “a alma do negócio”; e quem não vê cara, não poderá ler fielmente os traços do “destino”.

Assim, a imaginação “viaja” – “livre, leve e solta” – sem idear, com precisão, se a certeza vem na mesma medida da dúvida; ou se o suspense não “cora” nem “dá fuga ao sangue”; ou se a preguiça tornou-se menos enfadonha; ou se, até, o “papo” descontraído virou uma contrita conversa com Deus!

Então, é melhor ficar “cada um em seu canto”. “Hum, (r)hum”, “tá reno”, nem te digo nada!

Mais um livramento dos usuários: Ferry boat pega fogo no porto da Ponta da Espera em São Luís

O ferry boatCidade de Pinheiro” pegou fogo na madrugada deste domingo (6) quando ainda estava ancorado no porto da Ponta da Espera. A embarcação é de propriedade da empresa Internacional Marítima Ltda., que tem como principal sócio, o mega empresário Luiz Carlos Cantanhede Fernandes.  O ferry fez sua última viagem às 16h deste sábado (5) e estava ancorado na boia aguardando a próxima viagem. 

A falta de manutenção, embarcações velhas, muitas sem condições de navegação, constitui um conjunto de fatores para uma tragédia anunciada. Segundo registra o G7, ao que parece, o problema somente será resolvido quando ocorrer uma grande tragédia, com vítimas fatais, grandes prejuízos materiais, ou atingir alguma autoridade constituída.

Já foram tentadas licitações internacionais, intervenção do governo estadual, do Ministério Público e nada foi resolvido, ao contrário, piorou.

Segundo informações, a tripulação foi dormir por volta das 21h30 e às 2h da manhã os funcionários acordaram sentido cheiro de fumaça, momento em que a tripulação se retirou às pressas da embarcação. Não houve feridos.

O incêndio foi somente nos salões, com danos materiais. Tudo indicia que pode ter sido uma lâmpada que estourou, alguma falha de ar condicionado, ou outro equipamento elétrico.

Segundo nota publicada pela Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB), a embarcação terá prazo de 6 meses para retornar à operação e que a segurança da embarcação é de responsabilidade da Marinha do Brasil. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter o incêndio, mas a embarcação ficou totalmente destruída pela chamas, que atingiram quase 100% do ferry. 

Os usuários dos serviços de ferry boat já fizeram protestos, procuraram autoridades, fizeram tudo que estava aos seus alcances e nada foi resolvido e a situação se agrava a cada dia. As tragédias ocorrem todos os dias pelo desrespeito aos passageiros, falta de higiene nas embarcações, atraso nas viagens, etc.

As autoridades parecem estar interessadas, não em resolver o problema, mas em homenagear o mega empresário  Luiz Carlos Cantanhede Fernandes que já recebeu o título de cidadão ludovicense  no plenário da Câmara Municipal de São Luís, em 2019. O empresário já teve seu nome envolvido em esquema de Caixa 2 e, recentemente foi envolvido em crime de omissão de socorro.

O incêndio com a embarcação ancorada, para alguns, é considerado mais um livramento dos usuários dos serviços de ferry boat, especialmente das microrregiões da Baixada e Litoral Ocidental Maranhense, pois esse acidente poderia ter ocorrido durante uma viagem e a tragédia seria em proporções apocalípticas. Pois, juntamente com as pessoas, os ferrys boats transportam veículos abastecidos com combustíveis inflamáveis. 

A empresa Internacional Marítima atua hoje nos seguintes estados: Maranhão, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina. Resta saber se, em todos esses estados, a prestação dos serviços se equivalem aos péssimos serviços prestados aos maranhenses?

Fonte: G7, Câmara de Vereadores de São Luís, site Internacional Marítima.

Luiz Carlos recebendo o título de cidadão ludovicence, proposta do Vereador Honorato.
Autuação por omissão de socorro.
Corpo de Bombeiros no local do acidente

DITO POR DITO

Por Zé Carlos

Há algum tempo, por estar distante, venho sendo acometido da “síndrome da Baixada”, se é que tal doença “existe”. Porém, dói, e muito. A “boca seca”, a “vista turva”, o ar “escasseia”, a saudade “aperta”!

Então, só me resta buscar algumas fagulhas, paradoxalmente vorazes e insaciáveis, que me “pescam” o sono, madrugadas inteiras, e me transportam ao vigor do Pericumã, à tranquilidade da Faveira, aos afagos da mais materna relva e ao “calor humano” dos baixadeiros.

Quanta “loucura”! Quantos devaneios! Quanto “sonhar acordado”!
E, sonhando acordado, me pego resgatando alguns e maravilhosos “ditos”, motes, “relaxos”, provérbios, anexins (“que chique”), que me acompanharam a infância/adolescência inteira; e que me levam ao riso, às vezes, em local e situações inapropriados.

Mas, como ficar “sério”, quando “me vem à mente”, tal uma cena, no “Cine Iaci”, de um trabalhador já “liso” e desesperado, ante a insistência de um filho – pidão, choroso, teimoso e “turrão” – por “uns vínti conto” ou por um mero “trocado”. Trocado que “se escafedeu e ganhou o mundo”, antes do fim do mês!!! Muitas explicações. Muitas negativas. Até se ir embora toda a paciência paterna, que se traduz em um aterrador “só se eu tirar do cu com gancho”. Fantástico!

Encerrada a “questão”. Não havia mais o que fazer. “Caminho do feio por onde veio”. Consolo, único e certo, “procurar a rede” e ficar “curtindo” a vontade de “peruar” o “bailho”.
Ou, ainda, me imaginando com a sorte, do outro Zé, de ter nascido com “a bunda virada pra lua”. O que muito “me incuca”: por que logo a bunda?! Não é mais lógico a “cuca”?!
“Cucas”, que “encheram” de “pérolas” a nossa abençoada região, onde é possível se “quebrar ou ‘drobar’ o canto”; ir “apressado” e não se “comer cru”; “passar sabão na cara do cavalo”; e, na volta, escolher entre “ficar com cara de cachorro pidão” ou “de um santo sacana”! “É cada uma que parece duas!”

Alguns “ditados”, no entanto, apresentam-se não recomendados, nem recomendáveis. “Iscritinho” quando “vaca não reconhece mais o bezerro”. Tudo pode “ficar remoso”; e não quero sair apavorado como o cachorro que pensa que “o seu rabo é um relho”. Melhor “deixar de nigrinhagem” e não correr o “risco” de escutar, de novo, “esse minino só se encasqueta com o que não presta!”

Eita, Baixada “danisca”, que me traz e me leva a/em seus mistérios; e bem poderia ser traduzida na mais perfeita “máxima”, do meu primo Antônio Capilobo: “justo e abotoado quem não tem cabelo é careca!”