A ABÓBORA GIGANTE

Por Gracilene Pinto

Cofinho amarrado no quadril, facão corta-mato na mão, Velho Joca se dirigiu para a roça a ver como andava a sua plantaçãozinha de mandioca, milho, feijão, melancia e abóbora. Desde a última capina, que não mais voltara por lá.
Para sua surpresa, logo ao chegar viu algo grande e pardo como um boi do outro lado da rocinha.
Entrou apressado, disposto a enxotar o animal antes que causasse estragos na plantação. Mas, a surpresa o deixou pregado no chão. O boi não era boi. Era uma abóbora gigante!
Entre admirado e contente, o Velho Joca se viu, então, ante um grande dilema:

– E agora, como hei de levar para casa uma abóbora tão grande?

Pensou, pensou, e decidiu: voltaria em casa para buscar a burra. Partiria a abóbora em bandas e amarraria no lombo do animal para facilitar o transporte.
Se bem pensou, melhor o fez.
Voltou em casa quase correndo, botou a cangalha na burra e retornou para a roça. O caminho todo só ficava imaginando a surpresa de todo mundo quando visse a abóbora gigante. Mas, que decepção! Quando meteu o facão cortando a abóbora, viu que a mesma estava toda estragada. A porquinha prenha que lhe sumira muitos dias, já havia parido e estava com a ninhada de seis leitõezinhos morando dentro da abóbora e alimentando-se de sua polpa.
(Texto de Gracilene Pinto in ESTÓRIAS DO VELHO JOCA)

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