Plantio do Bosque das Mangueiras, um dia histórico

Por Ana Creusa

No último sábado (26), o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) e seus parceiros procederam ao plantio das primeiras mudas do Bosque das Mangueiras em Matinha. O bosque é uma parceria da comunidade quilombola do povoado Graça, Fórum da Baixada, Prefeitura Municipal e Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

Uma expedição de São Luís, com uma comitiva de 15 membros do Fórum da Baixada, participou do evento, que contou também com moradores, convidados, estudantes e lideranças políticas. A programação contou com uma entrevista na rádio Maracu, onde o presidente do FDBM, Expedito Moraes, a vice Ana Creusa e o coordenador do projeto, Dr. Gusmão Araújo, explicaram as ações em Matinha.

O filho de Pedro Cabra plantou a mangueira em homenagem a ele e foi muito elogiado por Henrique Travassos.

Ana Creusa plantando a sua muda no Bosque.

Os entrevistados forneceram informações sobre o Projeto Bosques da Baixada, que visam conscientizar, na prática, sobre a importância da preservação ambiental, por meio de plantio de bosques com a participação das comunidades envolvidas e órgãos do poder público. Um café da manhã, oferecido pela emissora, e uma recepção pelos forenses como o secretário de Gabinete de Viana, Nélio Júnior; do engenheiro agrônomo Henrique Travassos; e do vice-prefeito de Matinha, Narlon Silva, iniciaram a programação na região. 

Expedito Moraes apresentou um breve histórico da iniciativa, enquanto Dr. Gusmão, como responsável técnico pelo projeto, e Ana Creusa, falaram sobre a importância do projeto, vez que possibilita que algumas espécies ameaçadas de extinção, ou que são importantes para os municípios sejam cultivadas nos bosques que serão cuidados pela comunidade.

Em seguida, dirigiram-se à comunidade Graça, onde participaram de uma solenidade de implantação do Bosque das Mangueiras, em Matinha, e foram recepcionados pelos moradores e lideranças políticas e comunitárias. Lá, além dos coordenadores do projeto e do Fórum da Baixada, usaram da palavra a prefeita Linielda de Eldo, o vice-prefeito Narlon Silva; o ambientalista Cesar Brito e lideranças do povoado, que destacaram a criação e a importância do bosque.

Dr. Gusmão Araújo lembrou que o trabalho de cuidados com o Bosque cabe aos moradores, mas que o Fórum da Baixada e demais parceiros estarão sempre prontos para ajudar e acompanhar, inclusive prevendo o plantio de outras mudas.

Após isso, os moradores, as lideranças e estudantes plantaram as mudas das mangueiras, após processadas e acompanhadas pela Universidade Estadual do Maranhão. Ao fim da programação, os participantes foram convidados pelo vice-prefeito do município, Narlon Silva, para um almoço em sua casa, no povoado Itans, e um passeio pela comunidade que é exemplo na piscicultura do Maranhão.

JÁ É CARNAVAL!!!

Por Zé Carlos

(…)

… amanhece tão … as notícias do Zé Pereira caducaram e se perderam nos ecos de sentimentos angustiantes e nas parafernálias tecnológicas.

Assim, a cidade repousa no mais profundo silêncio, que a tudo e a todos silencia. A cidade, sonâmbula, pálida e insossa, colhe o sabor da desfolia, que se recolhe e some no dissabor de uma grande e infernal ressaca, de outros e longínquos carnavais.

Mas, é carnaval! Mais um carnaval, a sumir no meio de tanta angústia e temor, a nos mostrar o quanto andamos perdidos.

O tamborim recolhe-se amedrontado. Recolhe-se tímido, em uma mudez gritante, a congelar o barracão, por inteiro.

A cuíca, roufenha, já não chora nem geme. Cala-se, perdida no esquecimento do mais novo enredo.

O surdo sonambula, no canto direito, do outro lado da quadra, sedento do grito do cavaco, que se perdeu em meio de tiros e explosões, de um “puto” e insano verdugo.

O pandeiro, nervoso, ensaia uma roda de samba, porém, hesitante, suspira e desfalece por entre dedos trêmulos.

A porta bandeira desvalsa em uma tristeza tamanha, que a assalta implacável, para despi-la de sua imponência.

O mestre sala perde-se nos rodopios e acrobacias, eternizados apenas em boas e fantásticas lembranças.

As alegorias, disfarçadamente, recolhem-se em traços perfeitos, fincados no teimoso papiro, que parece gargalhar do enredo de uma vida de erros e egoísmo.

O samba atravessou ao pedir clemência ao guerreiro-padroeiro São Jorge!
Já é carnaval!!!
Que venham nossas bênçãos!

22/02/2022: a data é um poderoso portal astral. Veja rituais para se conectar

Esta terça-feira, 22/02/2022, é uma data especial para a humanidade, segundo especialistas em horóscopos. A simbologia pode mudar de acordo com estudos da astrologia, numerologia e até para terapeutas energéticos as acontecessem.

Astrologia

Em entrevista ao portal Terra, para a astróloga Marcia Fervienza, nesta terça (22), a Lua estará em Escorpião, que é considerado o signo das águas profundas e inescrutáveis. O momento pede que as pessoas façam rituais de transformação e catarses, e expurguem emocionalmente as sombras que deseja para trazer a lua.

Como o Sol está em Peixes, trata-se de uma combinação para rituais, já que o signo de Peixes é um dos mais intuitivos.

De acordo com Márcia, Escorpião e Peixes contribuem para rituais que mexem com cargas emocionais difíceis e trabalhos de liberação pessoal.

Agência Espacial do Brasil fecha parceria com a Amazon

A Agência Espacial Brasileira e Amazon Web Services (AWS) fecharam um acordo que promete ajudar a alavancar o setor espacial no Brasil.
O governo brasileiro também espera que a parceria ajude a ampliar o uso do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, para transformar a base em um polo industrial do setor espacial, como São José dos Campos (SP) se tornou um centro dedicado à produção de aviões.

A parceria, anunciada na quarta-feira 16, já entrou em vigor, mas as medidas práticas ainda demorarão algum tempo a serem implantadas.

Um dos objetivos é ampliar o acesso de startups brasileiras da área espacial às ferramentas da AWS, que incluem processamento de dados obtidos por satélites.

No entanto, ainda não há data prevista para que as empresas iniciantes possam aproveitar os benefícios da parceria.

governo federal planeja realizar eventos nos próximos meses para atrair projetos que possam ser atendidos.

O acordo também prevê apoios para a criação de programas nacionais de pesquisa e desenvolvimento espacial no Brasil, novas formas de democratizar o acesso a dados relacionados ao espaço e ajuda técnica para criar um marco regulatório para o setor no Brasil.

O setor espacial deverá movimentar US$ 10 trilhões (R$ 51 trilhões) nos próximos dez anos.

“São recursos vultuosíssimos, e ter um gigante do setor olhando para o Brasil e para nossas startups é tudo que a gente quer”, disse Nestor Forster, embaixador do Brasil nos EUA.

O acordo foi assinado na embaixada brasileira em Washington. O governo brasileiro tem buscado parcerias espaciais com os EUA e integra o projeto Artemis, da Nasa, que prevê enviar uma mulher à Lua.

A AWS, setor da Amazon que oferece acesso a servidores em nuvem, entre outros produtos, tem uma divisão dedicada a sistemas usados em lançamentos e operação de satélites e foguetes, e já atuou em parceria com a Nasa e vários fabricantes do setor aeroespacial.

“Este acordo fornece ferramentas, treinamento e educação que ajudarão a garantir que o Brasil continue a ser um líder espacial na América Latina para as próximas gerações”, disse Jeff Kratz, gerente-geral da AWS para o setor público.

Fonte: Revista Oeste e Agência Brasil.

PROJETO DE SUCESSO: BOSQUES DA BAIXADA

I – IMPLANTAÇÃO DO PRIMEIRO BOSQUE

O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) lançou, em 2018, na gestão de Ana Creusa, a proposta de institucionalizar o projeto “Bosques da Baixada”, sob a coordenação dos professores José Ribamar Gusmão Araújo e Jucivam Ribeiro Lopes da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), ambos filhos de Bequimão. A ideia inicial foi resgatar e valorizar espécies representativas e tradicionais da flora dos municípios da Baixada.

O BOSQUE DOS PARICÁS foi o 1º bosque implantado. O projeto “Paricás em Paricatiua: um sonho possível” ou popularmente denominado “Bosque dos Paricás”, teve as mudas plantadas em 26/01/2019 na comunidade Paricatiua, município de Bequimão. O referido Bosque foi viabilizado partir da iniciativa e trabalho de diversos forenses e sob a inspiração do professor José de Jesus Lemos da Universidade Federal do Ceará (UFC), filho de Paricatiua.

IMAGENS: VIVEIRO DA UEMA – LOCAL DE PRODUÇÃO DAS MUDAS DE PARICÁS

II – LANÇAMENTO DO “BOSQUE DAS MANGUEIRAS” EM MATINHA

No dia 26/08/2018 em Evento do Fórum da Baixada em Matinha, foi lançado o Projeto Bosque das Mangueiras em Matinha, com a presença da Prefeita Linielza. Na oportunidade, o Prof. Gusmão, após apresentar o projeto do Bosque dos Paricás, lançou o desafio para Matinha ao parafrasear Geraldo Vandré “pra não dizer que não falei das Mangas” e reforçou que o “itinerário e modelo dos Paricás poderia ser um bom guia para Matinha e pra toda a Baixada”. A escolha da fruteira mangueira guarda relação com o fato de Matinha ser considerada a capital dessa fruta na Baixada. Neste Bosque serão inseridas mudas de mangas de “tipos/variedades” representativas (tradicionais ou históricas) das várias comunidades do Município.

IMAGEM: EVENTO DO FDBM NA COMUNIDADE PONTA GROSSA/MATINHA (26/08/2018).

III – ESCOLHA DO LOCAL PARA IMPLANTAÇÃO DO BOSQUE

 A partir de articulação local do forense César Brito, os líderes comunitários do Povoado Graça fizeram a doção do terreno.  No espaço escolhido reside uma comunidade quilombola que acolheu o projeto, sendo esta visitada e aprovada pelos forenses em 11 de janeiro de 2019. Na verdade, nessa área que possui 2 (dois) hectares, com vegetação preservada e nascente de águas, viceja a possibilidade de se ampliar a ideia inicial de “Bosque das Mangueiras” para “Parque Ambiental de Matinha”, decisão que cabe ao executivo municipal. Destaca-se que a referida comunidade tem grande diversidade de mangueiras e uma variedade em particular, centenária, denominada “Graça”, foi resgatada para o Bosque.

IMAGENS: VISITA DOS FORENSES À COMUNIDADE GRAÇA/MATINHA (11/01/2019).

IV – COLETA DE RAMOS E PREPARAÇÃO DAS MUDAS PARA O BOSQUE DAS MANGUEIRAS/MATINHA

A primeira fase de produção das mudas consistiu na semeadura dos caroços de manga no viveiro da Fazenda Escola de São Luís – Curso de Agronomia/UEMA, no início de 2020. O objetivo foi formar os “cavalos” (porta-enxertos) sobre os quais seriam enxertadas as variedades de manga de Matinha.

No 16 de outubro de 2020, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) fez uma visita técnica ao município Matinha, para coleta de ramos de mangueiras para enxertia, visando a preparar as mudas para plantio do Bosque das Mangueiras, sob a coordenação técnica do Prof. Gusmão, Engenheiro Agrônomo da UEMA. Na ocasião realizou-se nova visita à comunidade Graça para se confirmar a área de plantio das mudas e comprometer a comunidade com os cuidados do futuro do Bosque.

IMAGEM: VISITA DOS FORENSES A MATINHA PARA COLETA DE RAMOS DE MAGUEIRAS (16/10/2020).

Foram coletados ramos de 7 (sete) variedades de mangueiras de Matinha, assim denominadas: ÁGUA VIVA, CONSTANTINA, TERESINHA, CESAR BRITO, PÊRA, GRAÇA E LOLICO. A mudas permaneceram 15 meses no Viveiro da UEMA e foram retiradas pelo forense Cesar Brito em 07/04/2021. Em razão da pandemia o plantio foi transferido para o início de 2022.

IMAGEM: MUDAS DE MANGUEIRA NO VIVEIRO DA UEMA (ABRIL/2021).

V – QUANTIDADE DE MUDAS PARA FORMAR O BOSQUE

Serão plantadas um total de 47 mudas.

Espaçamento: 8,0m x 7,0m (8m entre fileiras e 7m entre plantas)

 VI – GUARDIÕES DO BOSQUE

            Os guardiões do Bosque/Parque são os moradores do Povoado Graça, sob o comando do líder da comunidade, Manoel.

Entre as responsabilidades compartilhadas pela Comunidade, cita-se: proteção e manutenção da área, capinas/coroamentos, adubação e podas e ampliação do Bosque com o plantio de outras variedades. Técnicos locais devem passar as devidas orientações. Estima-se que entre dois e três anos terá início a produção de frutos, os quais poderão ser utilizados para consumo das famílias e venda no mercado local. Acrescente-se que o Bosque também é lugar da prática sobre educação ambiental.

VII – PERSPECTIVAS DE NOVOS BOSQUES

– Bosque em Peri-Mirim (falta definir a espécie; gestor local: Ana Cléres)

– Bosque das Araribas em Viana (gestor local: Luís Henrique)

OBS: A Diretoria do FDBM deve prospectar nos demais municípios o interesse nos projetos de Bosque.

VIII – VIVEIROS DE PRODUÇÃO DE MUDAS

           A Diretoria do FDBM e os gestores do projeto “Bosques da Baixada” incentivam e propõem que os gestores municipais envidem esforços para a implantação de Viveiros de produção de mudas não só com o objetivo de abastecer a implantação de Bosques, mas também para fomentar programas/projetos produtivos locais. Cita-se como bom exemplo Anajatuba que recentemente construiu seu viveiro telado na sede do município, por meio da secretaria de Agricultura, com recursos próprios.

         A estratégia é que cada município elabore e apresente o “projeto de viveiro telado” às secretarias e/ou instituições estaduais ou federais, além de priorizar a construção com recursos próprios. Em seguida, instituições como UEMA, IFMA, UFMA e outras podem realizar treinamentos e capacitações a técnicos e produtores locais acerca dos processos de produção de mudas.

José Ribamar Gusmão Araújo

Jucivam Ribeiro Lopes

 Ana Creusa Martins dos Santos

Expedito Nunes Moraes

A FANTÁSTICA GALERIA!

Por Zé Carlos

Era uma vez …

… um lugar encantado. A Baixada maranhense. Baixada, que, de tão encantada, se tornou, de verdade, a encantar os seus.

E, nesse mar de encantamento, chamou-me um pequeno recanto, por quem fui acolhido, para sentir a Princesa pulsar dentro e fora de mim, numa relação absurdamente única.
Em tal recanto, vi, ouvi e vivi as mais fantásticas práticas e belezas humanas. Belezas, que se apresentam, em minhas lembranças, vivas e pulsantes, tais quais autênticas obras de arte, a enveredarem-se por travessas e ruas, fazendo-me, invariavelmente, a alegria, nos benditos anos 70 e 80.

Que ansiedade e emoção escutar o insistente, delicioso e longínquo “piiroolééé”, enriba do apogeu da queimação da tarde, com a certeza de que a refrescância do maracujá inundar-me-ia o corpo e a alma, pois o litro já se encontrava reservado para tal. O litro, sim. Valia mais que o dólar no mercado negro.

Só quem “caçou” um litro, ou uma garrafa, sabe o prazer de escolher e desfrutar do sabor suado e especial de um “pirolé” ou de um pirulito, enfiado no palito, enfiado na tábua, repleta de furos. Sem qualquer maldade, “lembi inté os beço”!

Mas, a beleza não fica só até aí. Vem-me a figura do vendedor de peixes, com o seu cofo enfiado em um pedaço de pau, acomodado no ombro, a vender uma “pratada” de acarás ou de piabas. Que maravilha de cena, a colorir as minhas manhãs, tal uma tela de Fransoufer. Beleza, que continua, mesmo depois que a “modernidade” introduziu uma caixa de isopor, na garupa da “bicicreta” ou em um carrinho de mão. A pureza d’alma ainda permanece!

E, as telas não param por aí. Eis que surge o vendedor de verduras, com a clarividência de todo dia, a adivinhar que o cozidão reclama por maxixe, quiabo, “jermum” e vinagreira. Um desfilar de cores, cheiros e sabores, a temperar a minha infância, em definitivo.

Nas mesmas passarelas, vêm surgindo os entregadores do Teimosão, a matar a curiosidade e a sede de saber. O entregador de pão, deslizando, madrugada a dentro, em perfeito silêncio. O entregador de leite, com uns canjirões gulosos e encardidos, a engolir a faminta caneca, que nunca estava saciada. Também, em suas empolgações, os vendedores de murici, de camarão, de marrecas, de frigideiras, de panelas, de papeiros, de bacias, de penicos, de bananas. Este último, em minha casa, não tinha vez. Bananas só eram adquiridas no seu Alvino ou no seu Zé de Cristina. Outras não tinham gosto! Haja manias!
Manias, que me levavam à procura dos vendedores de São Bento, para comprar queijo e jaçanãs. Não há queijo igual! Já as jaçanãs eram as mais gordas! Acho que eram mais jaçanãs que as nossas jaçanãs! Haja manias!

Religiosamente, às vésperas do Natal, recebíamos o vendedor de joias, que me fascinavam com as suas maletas, recheadas de rolos, recheados de preciosidades. Quanta vontade de ficar com tudo!

Nesse fantástico cenário, despontava o rei, além do Momo. O rei dos vendedores. Sem igual! Fula! Com o seu inseparável búzio, a anunciar “baguinhos, cabeças gordas, jejus, traíras … num festival de gracejos, ditos e relaxos. Num festival de alegria!

Também, desfilavam os cobradores. Pouquíssimos, por sinal. Vislumbro o das Casas Pernambucanas e o da Casa Saldanha, que apareciam, geralmente, com mais acanhamento do que os devedores.
Ah, tempo de pinturas fantásticas! Uma verdadeira galeria!

Valores a receber do Banco Central já estão disponíveis

A partir de hoje, dia 14/02/2022 você poderá consultar se possui valores a receber. O Banco Central pede desculpas pelo transtorno. Consulte aqui:

https://valoresareceber.bcb.gov.br/

Brasileiros esquecem R$ 8 bilhões em bancos; o sistema do Banco Central do Brasil (BC), vai permitir ao cidadão consultar se tem valores a receber de instituições financeiras e não sabe.

GONÇALVES DIAS E DOM SEBASTIÃO, DUAS FIGURAS ENCANTADORAS (OU ENCANTADAS?)

Por Gracilene Pinto
Não sei se pela personalidade ou pelo caráter lendário de suas biografias, duas figuras da História sempre me encantaram: o monarca português Dom Sebastião e o poeta Antônio Gonçalves Dias.

Dom Sebastião, com o misterioso desaparecimento em Alcácer-Quibir, se imortalizou no coração do povo português, que ficou sempre à espera do seu retorno. No entanto, talvez em razão do clima tenso das lutas políticas em Portugal, em busca de paz Dom Sebastião haja escolhido a mais lusitana das províncias brasileiras, o Maranhão, para se encantar no repouso paradisíaco da Ilha dos Lençóis, onde o povo o recebeu com fé no coração: O Desejado Rei Sebastião.

Gonçalves Dias, nasceu em Caxias – Maranhão, mulato, de origem pobre, quando isso ainda era um verdadeiro estigma, por circunstâncias da vida estudou na Europa, foi poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo, um expoente do romantismo e do indianismo brasileiro. Mas, entre tantos atributos foi a poesia que o imortalizou, quando cheio de saudades da Pátria escreveu Canção do Exílio, um dos mais belos poemas da língua portuguesa:
Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá…
Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá…
sem qu´inda aviste as palmeiras onde canta o sabiá.
e, entre outros poemas maravilhosos da sua riquíssima lavra, quando escreveu a mais bela declaração de amor à paixão da sua vida, Ana Amélia Ferreira do Vale, o Ainda Uma Vez Adeus.
Enfim te vejo! – enfim posso, curvado a teus pés dizer-te
que não cessei de querer-te pesar do quanto sofri…

Por tudo isso, em 03/11/2020, dia em que se rememorava o falecimento de Antônio Gonçalves Dias a bordo do navio Ville Bologna, na Baía de Cumã, em Guimarães, me vi, de repente, pensando que, a despeito dos outros títulos auferidos por ele e de ser patrono da Cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras, que eu saiba, o poeta não foi membro de nenhuma academia. Não precisou disso. Sua obra o imortalizou. E, quem sabe se, assim como a fé pública encantou Dom Sebastião na Ilha dos Lençóis, Gonçalves Dias não haja se encantado também nos baixios de Atins, de onde já podia avistar suas amadas palmeiras, mesmo que do sabiá só pudesse ouvir o canto na imaginação. Olha, que imaginação de poeta é coisa milagrosa! Acho até que foi por isso que pensei ter ouvido a voz de Gonçalves Dias afirmando cheio de certezas:
É mentira, não morri! Não morri nem morrerei Nem hoje nem nunca mais,
Minha alma já fez morada na pátria dos imortais.

O SONHO

Por Gracilene Pinto

Quantos caminhos trilharam os pés cansados
do viajante persistente e sonhador?
E quantos sonhos ficaram abandonados
à beira dos caminhos, onde ninguém voltou?
Das tantas lutas, quantas foram inglórias?
E as derrotas, alguém já conferiu?
O desistente que alcançou vitória,
o sucesso sem luta, quem já viu?
Sonho é projeto, tem causa e efeito,
e as grandes conquistas reclamam paixão,
sem luta, sem garra, viver não tem jeito,
que o sonho precisa de força e ação.

O VELHO MERCADO

Por Zé Carlos

… ao me aproximar, ainda madrugada, ouvia o sussurrar do velho Mercado, que vinha preguiçosa e manhosamente acordando.

Ao redor, tudo era silêncio. Silêncio, silêncio, silêncio!!! Silêncio, quebrado, uma ou outra vez, pelos “tum-tuns” secos e abafados dos pedregulhos, que se vivificavam, ao “marcarem o lugar” na longa fila, para a compra de carne. Ou quebrado pelo pigarro e pela tosse seca do seu Teodomiro, salvo engano, após mais uma prolongada tragada e espessa baforoda do longo porronca, enrolado num bom pedaço de papel de embrulho. Ou quebrado pelo grito inesperado de Sassico, que estava com medo de tamanho silêncio.

Às vezes, batia um tremendo e implacável frio, a castigar o meu mirrado corpo de 7 a 8 anos. Ocasião em que buscava abrigo nos braços e pernas do meu avô-pai Antônio do Rosário e nos mingaus de milho, de Dadá, fumegantes, como só na infância tivemos, e cobertos por uma generosa camada de canela, que me enfeitiçava o olfato e o paladar, numa gula feroz.

Vovô não se contentava apenas com a compra da carne. Prolongava-se em conversas, que transitavam do engenho ao canavial. Do açúcar à cachaça. Dos bois à política. Este último tema dominava a cena. O seu assunto predileto. Era um apaixonado pela mesmo. Constatação que vou ter muito depois, ao lembrar de nossas conversas, geralmente à noite, após o seu programa sagrado e imperdível, a Voz do Brasil, a ecoar do seu imenso e potente rádio.

Mas, voltemos ao Mercado. Das conversas prolongadas à “tomação” de bênçãos. Acho que todos os pinheirenses, que permeiam as minhas lembranças, eram afilhados do meu avô. O certo é que demorávamos uma eternidade, o que para mim era uma delícia. Sempre cabia mais um e mais um mingau!

Hoje, entretanto, quando passo pelo meu Mercado, já não sinto a sua vitalidade. Já não sinto a sisudez de João de Braulina, a se acentuar com seu chapéu sisudo, também, e seu olhar distante, a escolher clientes. Já não sinto a camaradagem dos compadres de papai, que eram um pouco meus: seu Antônio Correia e seu Tarquínio. Já não sinto a sensação de que Nhô e Fernando, o braço de Judas, são-lhe habitantes eternos, a me fornecer uma boa fatia de fígado. Também, já não encontro o frescor da vinagreira, dos amarrados de maxixes e quiabos, da talhada do jerimum, da pimenta malagueta. Muito menos a plena amizade de Culete, que me tratava tal a um filho, sabendo que meu pai encontrava-se trabalhando distante. Por sempre me confundi entre Raimundo e Benedito, nunca conseguindo fazer a distinção correta dos irmãos pelo nome, determinarei, como um autêntico baixadeiro: o Culete, ao qual me refiro, é o pai de Zé Maria, do foto Alfa, e Lourdinha Mendonça, uma das melhores amigas dos corredores das minhas escolas.

Hoje, só me resta vê o meu mercado, imergido em um vazio e uma tristeza tamanha, perdido em nuances pálidas, que teimam em fugir das minhas retinas, com lágrimas vertendo em suas paredes tão sofridas que já não reconhecem nem abraçam o seu filho, que tanto o ama.
Perdoem-me, não consigo seguir!