Maria Amélia Pinheiro Martins dos Santos

Por Ana Creusa

Nasceu no dia 12 de novembro de 1928, no Povoado Ponta de Baixo, município de Peri-Mirim, filha de Benvindo Mariano Martins e de Militina Rosa Pinheiro Martins. Logo após o nascimento, Maria Amélia e sua mãe retornaram ao Feijoal, onde morava seus pais, nas terras de João de Deus Martins, seu avô paterno.

Seus irmãos são: Raimundo e Ozima (frutos do 1º matrimônio do seu pai, cuja esposa morreu de parto); Raimundo João (Santinho); Maria Celeste; Terezinha; João de Jesus (Zozoca); Benvindo Filho (Benvindinho) e Iraci.

Maria Amélia era uma criança inconformada com as injustiças, era defensora de muitas crianças que seus pais criaram. Na verdade, eram crianças forçados a realizar trabalhos infantis, apenas para ganhar o pão de cada dia e aprender as primeiras letras. Essas crianças e adolescentes viviam na fazenda dos seus pais realizando os trabalhos pesados de criação de gado – como tirar leite, fazer queijo – e ainda realizavam as tarefas da roça, destinadas a extrair ração para os animais e abastecer o celeiro com alimentos, como farinha, arroz e feijão.

Ela estudou até o 2º ano primário na Escola Santa Severa, mantida pelo seu avô João de Deus, juntamente com seus irmãos e primos. Desde cedo, Maria Amélia desenvolveu o gosto pelo comércio. Segundo a sua prima Isabel, ela vendia uns cartões aos seus colegas, mesmo durante as aulas e a professora sempre a advertia dizendo “senta, Maria Amélia”.

Por não continuar seus estudos, ela desenvolveu uma frustração, pois às mulheres daquela época não era permitido sair de casa. Maria Amélia queria estudar, como fez seu primo Manoel Sebastião Pinheiro que se formou em Medicina na Bahia. Consciente do valor da educação, ela estimulou sua irmã mais nova, Iraci, a continuar os estudos no município de Pinheiro, esta fez até o 5.º ano, o que a credenciou a exercer a profissão de professora no Cafundoca, Povoado de Palmeirândia, onde se casou com Zózimo Soares.

Na adolescência, ela apreciava cultivar belos jardins, mas não tinha afinidade alguma com os afazeres domésticos, preferia cuidar do gado, montar a cavalo e andar de canoa pelos campos, práticas condenadas pela sua mãe que a queria preparando comida, tecendo redes, costurando e fazendo rendas.

Casou-se com José dos Santos no dia 25 de agosto de 1950. Seu namoro não era aprovado pela sua mãe, por preconceito social. Porém, seu pai fazia gosto, pois considerava José dos Santos um homem sério e trabalhador. Ela cuidou de não retirar o nome de sua mãe do nome de casada, apenas acrescentou o sobrenome do marido, o que era incomum daquela época. Depois do casamento foram morar na casa dos seus pais, lá nasceram seus primeiros filhos: Ademir de Jesus e Cleonice de Jesus.

Pela vontade do seu marido, eles ficariam na casa dos seus pais para sempre. Mas Maria Amélia queria ter a sua casa, conquistar seus sonhos e criar seus filhos longe dos mimos dos avós. Com isso, mudaram-se para o Cametá – no fundo da enseada da Ponta do Poço -, terra da mãe do seu marido.

Maria Amélia ganhou seu quinhão de gado e partiu para as terras do seu marido. Lá encontrou uma grande parceira, Maria Santos, a irmã de José que a ajudava em tudo, principalmente com o cuidado com as crianças. Praticamente nascia um filho por ano e assim, nasceram 10 (dez): Ademir de Jesus (in memoriam), Cleonice, Edmilson, Ricardina, Ademir, Maria do Nascimento, Ana Creusa, Ana Cléres, José Maria e Carlos Magno (in memoriam).

O seu filho mais velho faleceu com um ano e sete meses, vítima de difteria. Esse fato angustiou a jovem mãe que não teve mais alegria em sua casa tão bem construída pelo marido. Essa angústia levou José Santos a construir uma nova casa em outro local que era de propriedade do pai de sua esposa. E para lá se mudaram, antes, porém, destruíram a antiga casa e partiram para uma aventura, foram morar em uma casa improvisada, que nunca foi concluída. Acredita-se que houve arrependimento e desânimo por parte do esposo, que nunca concluiu a construção da nova casa.

Maria Amélia era a principal responsável pela educação dos filhos. O marido saía cedo para a lida na lavoura e só voltava à tardinha. Os filhos ficavam muito felizes, tanto pela presença amorosa do pai, quanto pela garantia de que a partir daí mais ninguém levava surra, as traquinagens podiam ficar para correção no dia seguinte, mas aqueles momentos eram sagrados com o pai,  que contava suas aventuras de infância e mocidade, bem como outras histórias repassadas pela sua mãe.

A formação religiosa dos filhos era motivo de preocupação dos pais. As orações antes de dormir eram obrigatórias. Reunida, a família sempre rezava uma dezena do terço, mas na época da quaresma, era um rosário inteiro, com contemplação dos mistérios e nas sextas-feiras a oração “Sexta Santa” era sempre recitada. Também aos domingos a família assistia aos cultos e, uma vez por mês à Santa Missa, celebrada pelo Padre Gerard. Os filhos desenvolveram o hábito de pedir a bênção aos pais, parentes e idosos.

Maria Amélia fazia questão que os filhos estudassem. Todos iniciaram seus estudos na Escola Sá Mendes que funcionava no Povoado Ilha Grande, tendo como principais professoras Lourdes Pinheiro Martins e Maria de Jesus (a Maria de Nhonhô). Naquela época, era costume a técnica da palmatória e as meninas se responsabilizarem pelos afazeres domésticos da casa da professora, como varrer casa, fazer comida e até cuidar dos filhos pequenos da professora. Os meninos ajudavam o marido da professora nas atividades de pecuária, muitas vezes tinham que cair no campo para ir atrás do gado. Isso, com certeza, prejudicava as atividades escolares. Entretanto, os filhos de Maria Amélia eram poupados dessas atividades.

No dia da matrícula, Maria Amélia que era brava quando o assunto era educação, já ia avisando:

– Meus filhos quem corrige sou eu, e eles não são teus empregados.

Com essa advertência, os filhos de Maria Amélia podiam estudar tranquilos. E ela ainda cuidava de orientar os filhos nesse quesito.

Com o acidente de seu marido em 20 de novembro de 1972, novos desafios ela iria enfrentar. Alguns vizinhos e amigos a aconselharam a tirar os filhos da escola para ajudarem no sustento da família. Ela sempre com a resposta na ponta da língua, dizia: – eu estou te pedindo alguma coisa? – Com a doença do pai é que eles precisam estudar mais. E assumiu os trabalhos da roça e na criação de animais e peixes e assim seguiu a vida.

Não foi à toa que seu filho caçula – Carlos Magno – mais tarde a chamava de “Galinha de Pinto”, simbolizando uma galinha que guarda a sua ninhada debaixo das asas e protege os pintinhos do ataque dos predadores, especialmente, o gavião.

Na comunidade ela praticava a medicina rudimentar. Aplicava massagens, curativos, enfaixava ossos quebrados. Depois que teve seus filhos, foi uma parteira eficiente, acompanhava as mães durante o período gestacional, orientando, inclusive, na alimentação. Verificava a posição correta do feto para o nascimento. Não raro, realizava manobras na barriga da mãe, para que a criança ficasse na posição ideal para o parto. De sorte que, nenhuma parturiente morreu em suas mãos.

Fica assim demonstrado que Maria Amélia lutava pelos direitos dos oprimidos, exercia sua função de mãe e esposa, sem descuidar em quebrar preconceituosos prejudiciais à convivência harmônica entre as pessoas. Percebe-se que ela estava à frente do seu tempo e que possui a marca dos vencedores, porque a sua força vem do espírito.

O Perimiriense Douglas Amorim é o novo desembargador do TJ/MA

Douglas Amorim nasceu no município de Peri-Mirim, a 95 km de São Luís, no dia 10 de dezembro de 1948, tomou posse como juiz em 12 de janeiro de 1987 e citou, dentre as comarcas do interior pelas quais passou, as de Tutóia, Rosário, várias que respondeu pelo juiz da comarca e, por último, a de Itapecuru Mirim, antes de chegar a São Luís. Estava como titular na 3ª Vara Cível desde 14 de setembro de 2001. Douglas é filho de Naisa Amorim, patrona da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP).

Juiz teve acesso ao cargo pelo critério de antiguidade em votação unânime, em sessão plenária administrativa, e já tomou posse nesta quarta, 10.

O ex-juiz titular da 3ª Vara Cível do Termo Judiciário de São Luís, da Comarca da Ilha, Douglas Airton Ferreira Amorim, é agora o novo desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão. O acesso ao cargo, pelo critério de antiguidade, foi por decisão unânime dos demais desembargadores que participaram da sessão plenária administrativa híbrida da Corte – de forma presencial ou por videoconferência. O mais recente membro da Corte tomou posse ainda durante a sessão desta quarta (10).

O presidente do TJMA, desembargador Lourival Serejo, anunciou o acesso ao cargo, por meio do Edital nº 92/2021, em decorrência da aposentadoria voluntária do desembargador João Santana de Sousa, ocorrida no dia 28 de outubro passado, e anunciou o nome do juiz Douglas Amorim como o do magistrado mais antigo inscrito no certame

A inscrição do juiz teve manifestação favorável do corregedor-geral da Justiça, desembargador Paulo Velten, que registrou que o colega que chega ao Tribunal já cumpriu as duas principais metas do CNJ para 2021 – Meta 1 e Meta 2 – e já havia cumprido, também, ambas as metas no ano passado, qualificando sua chegada como muito positiva.

“Esse colega, chegando ao Tribunal, certamente, vai ter a oportunidade de renovar o compromisso dele com a magistratura maranhense e, estando aqui no Plenário, somará, sem dúvida nenhuma, nessa nova etapa da sua carreira, com os trabalhos desse colegiado”, saudou Paulo Velten.

TERMO DE POSSE

O diretor-geral do TJMA, Mário Lobão, leu o termo de posse do novo membro da Corte, assinado pelo presidente Lourival Serejo e pelo agora desembargador Douglas Amorim, que, em seguida, fez o juramento de compromisso.

O novo desembargador falou do seu contentamento de chegar ao Tribunal com a força que deve ter e prometeu ao jurisdicionado o mesmo empenho que teve como juiz. 

“Deve esperar o mesmo trabalho que eu fiz, com a rapidez que for necessária”, resumiu Douglas Amorim.

O desembargador esteve no TJMA acompanhado da esposa, Sílvia Leide Amorim, e da filha, Deborah Douglas Damasceno Amorim.

Veja o Álbum de Fotos da posse do desembargador Douglas Amorim.

Posse do desembargador Douglas Amorim com o presidente Lourival Serejo

Fonte TJ/MA. https://www.tjma.jus.br/midia/tj/noticia/505315

TJ-MA prepara lançamento de medidas de incentivo à regularização fundiária

O Estado do Maranhão possui 730 conflitos fundiários mapeados, com informações de geolocalização das áreas críticas por município; a fase processual das ações possessórias, a população envolvida, dentre outros dados.

Essas e outras informações estão sendo reunidas em uma plataforma criada por iniciativa da Corregedoria Geral da Justiça do Maranhão (CGJ-MA), em parceria com a Secretaria de Estado de Programas Estratégicos (SEPE) e Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC).

Segundo a juíza Ticiany Gedeon Maciel Palácio, autora do livro PROTEÇÃO DO TERCEIRO DE BOA-FÉ NAS AQUISIÇÕES A NON DOMINO e coordenadora do Núcleo de Regularização Fundiária (NRF) da CGJ-MA, essa ferramenta tecnológica fornecerá informações estratégicas importantes para  auxiliar o trabalho dos juízes de direito nos processos de regularização fundiária no Estado e será disponibilizada no Portal do Poder Judiciário do Maranhão.

Além da plataforma, a Corregedoria também irá editar um Provimento com orientações técnicas e seguras para orientar a agilização das REURB-S e outros projetos de regularização feitos junto aos cartórios, com informações sobre documentos que não constam na Lei nº 13.465/2017 – a Lei de Regularização Fundiária Urbana e Rural.

As medidas foram anunciadas pela juíza durante reunião do Fórum Fundiário de Corregedores-Gerais da Justiça da Região do MATOPIBA-MG, da qual participaram o corregedor-geral da Justiça, desembargador Paulo Velten, e os cartorários Zenildo Bodinar (1º Ofício de São Luís) e Guiomar Bittencourt (7º Ofício de Imperatriz).

REURB-S

A juíza apresentou um painel no qual abordou os avanços obtidos com a Lei nº 13.465/2017; analisou a REURB-S como instrumento de inclusão social, econômica e jurídica no âmbito do MATOPIBA-MG; e relatou sobre os projetos desenvolvidos pelo Núcleo de Regularização Fundiária no Maranhão –  “Minha Terra”, “Integra”, e “Camboa”, que culminaram com a entrega de centenas de títulos de propriedade em comunidades do interior.

Segundo a coordenadora do NRF, a interiorização das ações do projeto “Minha Terra já beneficiou moradores com a entrega de títulos de propriedade Balsas (180 títulos) e nas comunidades de São Joaquim e Gleba São Brás e Macaco (400 títulos), na região metropolitana de São Luís. Também já aderiram ao programa as prefeituras de Arame, Santo Antônio dos Lopes e Lagoa Grande. A entrega de títulos nesses municípios está prevista para ser realizada ainda em novembro deste ano. Quanto ao Projeto “Integra”, a titularidade alcançou as comunidades de Caxias, na Vila São João (684 títulos); Imperatriz, na Vila Vitória (900 títulos) e Coelho Neto – onde o projeto está em curso.

Outra realização destacada foi o projeto de padronização das práticas de REURB em todo o Estado, por meio da capacitação de uma turma de 25 pessoas, dentre juízes de direito e servidores do Estado e municípios, realizado em 10 de outubro.

Dentre os próximos desafios do NRF, a juíza informou que o Núcleo de Regularização fundiária “planeja aumentar a adesão dos municípios ao Programa “Minha Terra”, elaborar projeto para implantar cadastro municipal de imóveis nos pequenos municípios e multiplicar as entregas de REURBs pelos municípios e contemplar a solução do conflito fundiário na Gleba “Caju”, em parceria com o Poder Executivo”.

Fonte: TJ/MA.

Veja vídeo apresentado pela juíza durante a Reunião do Fórum de Corregedores-Gerais da Justiça da Região do MATOPIBA-MG:

Atriz Fernanda Montenegro é eleita para Academia Brasileira de Letras

Ela vai ocupar a cadeira do acadêmico Affonso Arinos de Melo Franco.

A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu hoje (4) a atriz Fernanda Montenegro para a cadeira 17, na sucessão do acadêmico e diplomata Affonso Arinos de Mello Franco, que faleceu em dia 15 de março do ano passado. Fernanda era candidata única à vaga e foi eleita por 32 dos 35 votos.

O presidente da ABL, Marco Lucchesi, comemorou a eleição da dama do teatro nacional para a instituição.

É um momento importante, primeiro pela renovação que se dá com a eleição na Academia Brasileira de Letras. É um sinal de novos horizontes. Isso é sempre importante. Por outro lado, Fernanda é uma grande intelectual, uma representante importante da cultura brasileira. Ela já é parte do imaginário de nosso país e, de alguma forma, ela talvez nos obrigue a aumentar as cadeiras de 40 para 80. Se trouxer todas as personagens que amamos, vamos ter que dobrar o número de cadeiras [da ABL]. Então, vamos ficar com ela, que vale muito”, disse Lucchesi.

Os ocupantes anteriores da cadeira 17 foram Sílvio Romero (fundador), Osório Duque-Estrada, Roquette-Pinto, Álvaro Lins e Antonio Houaiss.

Permanecem vagas ainda as cadeiras 20, do jornalista Murilo Melo Filho, morto no dia 27 de maio de 2020; a 12, do professor Alfredo Bosi, morto no dia 7 de abril de 2021; a 39, do vice-presidente da República Marco Maciel, morto no dia 12 de junho deste ano; e a cadeira 2, ocupada pelo professor Tarcísio Padilha, que morreu no dia 9 de setembro.

Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro, nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torre, nasceu em 16 de outubro de 1929, no bairro do Campinho, zona norte do Rio de Janeiro. Atuou em um palco pela primeira vez aos 8 anos de idade, para participar de uma peça na igreja. Sua estreia oficial no teatro, entretanto, ocorreu em dezembro de 1950, ao lado do marido Fernando Torres, no espetáculo 3.200 Metros de Altitude, de Julian Luchaire.

Na TV Tupi, participou, durante dois anos, de cerca de 80 peças, exibidas nos programas Retrospectiva do Teatro Universal e Retrospectiva do Teatro Brasileiro. Ganhou o prêmio de Atriz Revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, em 1952, por seu trabalho em Está Lá Fora um Inspetor, de J.B. Priestley, e Loucuras do Imperador, de Paulo Magalhães.

Mudou-se para São Paulo em 1954, onde fez parte da Companhia Maria Della Costa e do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Com o marido, formou sua própria companhia, o Teatro dos Sete – acompanhada também de Sergio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli e Alfredo Souto de Almeida. A estreia da companhia fez sucesso com a peça O Mambembe (1959), de Artur Azevedo, atraindo centenas de espectadores ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1963, estreou na TV Rio, com as novelas Amor Não é Amor e A Morta sem Espelho, ambas de Nelson Rodrigues. Nesse período, na recém-criada TV Globo, participou da série de teleteatro 4 no Teatro (1965), dirigida por Sérgio Britto. Em 1967, também integrou o elenco da TV Excelsior, interpretando a personagem Lisa, em Redenção, de Raimundo Lopes.

Ao longo da carreira, Fernanda participou também de minisséries como Riacho Doce (1990), Incidente em Antares (1994), O Auto da Compadecida (1999) e Hoje é Dia de Maria (2005).

Em 1999, Fernanda Montenegro foi condecorada com a maior comenda que um brasileiro pode receber da Presidência da República, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”. Na época, uma exposição no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, comemorou os 50 anos de carreira da atriz. Em 2004, aos 75 anos, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Tribeca, em Nova York, por sua atuação em O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein.

Fernanda Montenegro completou 92 anos de idade no dia 16 de outubro. Considerada uma das melhores atrizes do Brasil, Fernanda foi a primeira latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz por seu trabalho em Central do Brasil (1998). Foi, ainda, a primeira brasileira a ganhar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação na série Doce de Mãe, da TV Globo, em 2013.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/

NÃO MORRI: A Antonio Gonçalves Dias no aniversário de 157 anos de seu falecimento

Por Gracilene Pinto

É mentira! Não morri!
Não morri, nem morrerei,
Nem hoje nem nunca mais.
Minha alma
já fez morada
na pátria dos imortais.
Não morri!
Minha alma vive,
Não só por algum registro
do meu nome nos anais
da História, da poesia,
quem sabe no coração
de alguém que me amou um dia…
Não morri nem morrerei,
Pois, enquanto houver palmeiras,
sabiás, grandes amores,
trovas, versos e canções
troando na voz do vento
e falando aos corações,
estarei vivo na História
e também no pensamento
de poetas e prosadores.
Perpetuarei na memória,
muito além da plêiade lusa,
que há de atravessar o tempo,
mas, também da eterna musa
que canta e geme nas palmas
louvando as aves, as flores,
e imortalizando as almas
dos humildes cantadores.
Estou vivo no cantar
do poeta apaixonado,
que, louvando seus amores
sofre chorando calado.
Não morri! Não morrerei!
Nem hoje, nem nunca mais.
Poesia é força vital.
Por essa força viverei
e não morrerei jamais
porque todo poeta é imortal!

O PÓS CPI DA COVID

Se alguém tivesse me contado o que eu vi com meus próprios olhos e ouvi com meus próprios ouvidos hoje pela manhã em uma entrevista no telejornal EM PONTO da GLOBO NEWS, eu não acreditaria.

Naquelas entrevistas tipo MISSA ENCOMENDADA, exibida hoje, o Vice Presidente da Comissão de investigação da COVID 19 e a NÃO MEMBRO Simone Tebet fizeram ameaças explícitas e reiteraras ao Procurador Geral da República e ao Presidente da Câmara dos Deputados de impetração de processos contra eles sob a acusação de crime de prevaricação. E por que e como tal pode acontecer?

É que o relatório final da CPI com 80 citados de práticas de variadas irregularidades, dentre eles o Presidente Bolsonaro, detentor de privilégio de foro, e acusado, dentre nove, de crime de responsabilidade, vai para a Procuradoria Geral da República, e, para ter seguimento, na acusação de crime de responsabilidade, precisa do acatamento do Presidente da Câmara.

Declarando , sem meias palavras e vergonha alguma, suas suspeitas de inação das autoridades mencionadas na linha do que acham certo, os dois parlamentares se referiram a necessidade de denunciá-los por prevaricação em várias oportunidades.

Não satisfeitos com tal pré-julgamento injustificável, chegaram ao cúmulo de fazerem menção, como justificativa de suas “preocupações”, a remota possibilidade de Bolsonaro vir a indicar o nome do PGR para a vaga disponível no STF e para a qual o nome do então Ministro da Justiça já se encontra na CCJ do mesmo SENADO para a sabatina de praxe.

A hipertrofia da atuação desta CPI chegou a tal ponto, que estou começando a achar que ela, a CPI DA COVID, aspira a se tornar um SENADO PARALELO, pois fala em criar um OBSERVATÓRIO DA COVID 19, fazer viagens aos estados para pressionar os órgãos locais para onde vão cópias do relatório, sem falar na tagarelice nos canais de televisão e rádio ALINHADOS às teses CIENTÍFICAS e CIVILIZATÓRIAS de OMAR AZIZ, RANDOLF RODRIGUES, RENAN CALHEIROS, HUMBERTO COSTA, OTO ALENCAR e outros discípulos de Pascal, Fleming e Einstein.

É muita CARA DE PAU dessas FIGURAS CONHECIDAS nos escaninhos dos MINISTÉRIOS PÚBLICOS de seus estados e nos luxuosos corredores do STF.

Texto atribuído a JOSÉ CURSINO MOREIRA, PROFESSOR E MESTRE EM ECONOMIA, DOCENTE DO CURSO DE ECONOMIA DA UFMA, UM DOS EXCELENTES ECONOMISTAS DO ESTADO DO MARANHÃO (pendente de verificação).

 NA ASA DE UM COLIBRI: Parabéns e um grande abraço todos os poetas!

Por Gracilene Pinto

O poeta é um que que voa
Com a asa da imaginação
Vê beleza em qualquer coisa atoa
E transforma a beleza em canção.

O poeta é um ente que habita
Um jardim de enorme esplendor,
Na harmonia de sons e perfumes,
Nos cambiantes de vida e de cor.

Que, exaltado,
Em vã tentativa,
Quer de rosa a vida colorir.

Que passeia entre sonhos
E que voa
Na asa multicolor de um colibri.

 

O POETA
Todo poeta traz a alvorada na alma
Estampada em ouro e carmim,
Sou poeta e agradeço
Porque Deus me fez assim.
Canto a morte e canto a vida,
Canto o sol, canto o luar,
O trabalhador na lida
E o violeiro a cantar,
Canto o mar com seus remansos,
Canto o riso da criança,
Canto a fé e canto a dor,
Canto o amor,
Canto a esperança…

Com este dom abençoado
Meu espírito nasceu
E dele não me envergonho
Porque foi Deus quem me deu.
O poeta canta o amor,
Canta a paz, canta a harmonia,
Por isso, certo violeiro
Em uma canção dizia:
– Fazer guerra é muito fácil,
Quero ver fazer poesia!

Tombou mais um

Por Ana Creusa

Estou chorando até agora com a prisão de Zé Trovão. Ontem acabei de ler o livro 1984. O protagonista, depois de várias sessões de tortura, após tentar se manifestar contra o sistema ditatorial; declara: “eu amo o Grande Irmão”, que é o chefe do Partido Ditatorial.

As prisões de apoiadores de Bolsonaro são baseadas em um inquérito inconstitucional e não é por que o STF se reuniu em Plenário que vai passar a sê-lo.

Aos poucos estou vendo todos os tombaram. O princípio constitucional de que “Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” (art. 5º, LIV da CF/88) não existe mais em nosso país.

Todos os presos políticos, a seu turno, se voltarão contra Bolsonaro e eu os entenderei.

Aquele pedido de desculpas a Alexandre de Moraes foi um tapa na cara desses guerreiros. Não que se queira ditadura militar, mas porque os deixou mais vulneráveis.

Os caminhoneiros entrarão em greve, não por causa de Zé Trovão, mas por causa do aumento dos preços do óleo diesel.

Zé Trovão, cuide da sua defesa e venha para a política – estamos de saco cheio de covardes. De autorizo em autorizo, os apoiadores vão de quebrando!!

Game Over, como disse Allan dos Santos. Faltam os presos políticos declararem amor a Alexandre de Moraes, porque Bolsonaro já declarou.

Governo federal lança Programa Nacional de Crescimento Verde

Cerimônia de lançamento do Programa acontece hoje (25/10), às 17h, no Palácio do Planalto, com transmissão pela EBC.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, participa, nesta segunda-feira (25/10), às 17h, da cerimônia alusiva ao lançamento do Programa Nacional de Crescimento Verde, resultado de ação coordenada pelos ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Economia (ME). Entre os principais objetivos do Programa estão aliar redução das emissões de carbono, conservação de florestas e uso racional de recursos naturais com geração de emprego verde e crescimento econômico, melhorando assim a condição de vida da população. O programa será guiado por incentivos econômicos, transformação institucional e política de priorização.  

O Programa contará com uma governança única, que será realizada pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima e Crescimento Verde – CIMV (antigo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima), que facilitará o planejamento, a execução e o monitoramento de resultados. O CIMV também será responsável por outro importante ponto, que é a criação e consolidação de critérios verdes, levando em consideração as características de cada região do Brasil em todos os seus biomas. 

O plano gira em torno de seis segmentos: energia renovável, agricultura sustentável, indústria de baixa emissão, saneamento básico, tratamento de resíduos e ecoturismo. No comitê ministerial, serão debatidas soluções ambientais e sustentáveis que têm a ver com produção, infraestrutura, economia e relações exteriores do país.

Objetivo do programa é reduzir emissões de carbono, conservar florestas e promover o uso racional de recursos naturais com geração de emprego verde e crescimento econômico.

No total, são R$ 240 bilhões que estão disponíveis somando o recurso do Banco dos Brics, da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar projetos de sustentabilidade.

O evento contará com a participação dos ministros Joaquim Leite (Meio Ambiente), Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Fonte: https://www.gov.br/economia/

O cangaço na Baixada Maranhense: Pavor e sangue na noite em Teresópolis

Por Aymoré Alvim*

A fazenda Teresópolis fica em terras do município de Peri-Mirim, na borda do campo do Pericumã, distante alguns quilômetros, no sentido nordeste, da cidade de Pinheiro.

Inicialmente, foi ali desenvolvida pelo seu proprietário, Sr. Antônio Souza, uma próspera agroindústria com ênfase na produção de açúcar de cana. Depois, passou por alguns outros donos e, atualmente, é apenas uma fazenda de criação de gado.

O destaque histórico que lhe vem sendo dado pela curiosidade popular, desde as primeiras décadas do século passado, é devido ao fato de ter sido palco de uma das mais violentas incursões do banditismo que proliferou, nessa época, na Baixada Maranhense.

Desafiando a segurança pública, na Região, bandos armados apavoravam fazendeiros e moradores, invadindo suas propriedades, saqueando-as e matando com extrema crueldade quem se interpusesse às suas ações.

Destes grupos, o mais temido era o do perigoso e violento Tito Silva. Naquela fatídica noite que se perde, nos últimos meses de 1921, um pesado silêncio caia sobre a fazenda Teresópolis. Calmo ninguém estava, pois o dono era um dos desafetos do facínora que lhe jurara vingança.

Após o jantar, alguns vaqueiros e outros serviçais trocavam um dedo de prosa, na sala do andar térreo da casa principal da fazenda. O assunto, como sempre, girava em torno dos crimes que grupos de bandoleiros armados vinham praticando, na região.

Relatos dessa época deixados, principalmente, pelo Tenente Francisco de Araújo Castro, o Chico Castro, então Delegado de Polícia de Pinheiro, e pelo Juiz de Direito local, Dr. Elizabetho Barbosa de Carvalho, contam que por volta das nove horas daquela noite os bandidos invadiram a casa grande, atirando para todos os lados. Os empregados apavorados se dispersaram buscando proteção contra as balas. Um deles ao tentar subir as escadas foi, mortalmente, baleado.

Outros, no entanto, escaparam e correram até Pinheiro, chegando à casa do delegado lá pelas vinte e três horas. Muito cansados, tentaram relatar o que presenciaram, sem contudo saber o que realmente havia acontecido. De imediato, com o delegado Chico Castro, todos rumaram para a casa do Juiz. Ali, as duas autoridades planejaram algumas medidas que pela urgência o caso exigia.

Na primeira hora da madrugada, o delegado à frente de soldados e de vários voluntários em armas, reunidos à ultima hora, chegaram a Teresópolis.

Chico Castro entrou e logo, no andar térreo, foi encontrando alguns corpos. Subiu ao andar superior e se deparou com o corpo do fazendeiro Antônio Souza ainda na rede onde antes repousava. Mais adiante, no mesmo andar, estavam os corpos de uma criança e de uma senhora paralítica, já avançada em idade, que moravam na casa.

Ruídos, em um quarto ao lado, chamaram a atenção do delegado. Pela janela, retirou o filho do proprietário, o jovem Lauro Souza e um amigo seminarista de nome Pitágoras que ali se encontrava a passeio. Disseram não ter visto nada.

Assim que ouviram os tiros, pularam a janela e se esconderam no telhado. Os primeiros depoimentos ali tomados dos sobreviventes que, pouco a pouco, iam chegando, dão conta de que o bando era do Tito Silva e que a motivação era vingança. O delegado deu, então, ordens para que fossem recolhidos os corpos e levados para Pinheiro para serem sepultados.

Pela manhã, ainda sob o impacto emocional da noite passada, chegou a notícia de que o bando, logo após a chacina, rumara para Cabeceiras, hoje, Bequimão, onde Tito Silva foi ajustar contas com um comerciante e delegado do local por nome José Castro. Após haver sido acordado juntamente com a família, foi levado para a via pública e ali assassinado. Por fim, dizem que o Tito Silva cortou-lhe uma das orelhas e a levou consigo.

Esse foi mais um problema, no complicado ambiente político-social da Região, naquela época, que exigia solução imediata por parte das autoridades.

Rixas, ambições, rancores e mágoas foram os fortes ingredientes que alimentaram as atividades desses facínoras que espalharam, naquelas populações, pavor e ódio, em cujo epicentro está Teresópolis, pela frieza e covardia com que manifestaram sua agressividade e expressaram toda a sua violência.

Tempos depois, chegou a Pinheiro a notícia de que outro bando, comandado por João Mole, prendeu Tito e o entregou às autoridades.

Transferido para São Luís, o mesmo foi recolhido à Penitenciária e, pelo que falam os mais antigos, ninguém mais soube do seu paradeiro.

Algumas outras diligências levaram as autoridades de Pinheiro a desmantelar os últimos grupamentos de bandidos que operavam, nas proximidades do Bom Viver, fazendo, assim, que a paz e a tranquilidade voltassem à cidade e ao seu povo.

*Aymoré de Castro Alvim, Natural de Pinheiro-MA, formado em Medicina, Aymoré é professor adjunto IV do Departamento de Patologia da Universidade Federal do Maranhão, aposentado. Ele tem especialização em Biologia Parasitária, membro da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (Aplac), autor do livro Contos e Crônicas de um Pinheirense.